“O futuro do Turismo não está assegurado”

Por a 23 de Abril de 2018 as 21:29

Consolidar “a força do Turismo” e preparar o sector para o futuro é a missão do conselho directivo da Confederação do Turismo Português (CTP) que tomou posse esta segunda-feira, dia 23, para o triénio 2018-2021. Numa cerimónia que contou com a presença do Primeiro-Ministro, António Costa, e de vários actuais e ex-governantes, o presidente da CTP, Francisco Calheiros, enumerou vários desafios para o futuro do Turismo, que diz “não estar assegurado”, porque “como todas as actividades económicas, está sujeita a ciclos: de prosperidade, de recessão e de retoma”.

Assim, o responsável defendeu que o crescimento sustentado da actividade turística exige “atenções redobradas” sobretudo em sete eixos de actuação, considerados “estratégicos e prioritários”.

O primeiro dos quais tem a ver com Transportes e Acessibilidades e, neste ponto, Francisco Calheiros destacou o novo aeroporto de Lisboa.

Num tom irónico, o presidente da CTP voltou a questionar os timings de concretização do projecto. “Diz-se que falta o estudo de impacto ambiental, que há a possibilidade de subida do nível médio do mar e que até o Cristo Rei pode constituir um entrave às aterragens. Diz-se demasiado. Há muito ruído, para apenas uma certeza: como está, não pode continuar. Não contem com a CTP para adiar mais esta ameaça ao Turismo e ao País”.

Como segundo eixo de actuação, a CTP elegeu a legislação laboral com Francisco Calheiros a repetir novamente que o Turismo tem particularidades que outras actividades económicas não têm, como é o caso da sazonalidade, e por isso “justifica-se “um tratamento específico ou adaptado no domínio das relações laborais, ou, no mínimo, algum bom senso sobre as alterações a efectuar”.

O terceiro eixo de actuação é a Fiscalidade. “Não é possível concorrer com destinos turísticos com caraterísticas semelhantes às nossas e ganhar quota mundial, sem uma política fiscal justa e moderada, que garanta, pelo menos, condições de igualdade face aos outros concorrentes”, afirmou o responsável, exigindo “um modelo de mercado com custos menores para as empresas”.

Os Recursos Humanos são o quarto eixo de actuação da CTP. Neste campo, a confederação quer um sistema de ensino nacional “preparado para formar não só em quantidade, mas sobretudo em qualidade”. Francisco Calheiros anunciou que a CTP irá no próximo triénio aprofundar o seu Programa de Formação-Acção “Melhor Turismo 2020”, “com mais apoio às entidades promotoras no desenvolvimento e conclusão dos seus projectos e com mais monitorização e avaliação dos projectos para maximizar os resultados.

A CTP elegeu a Competitividade como quinto eixo estratégico do seu programa, exigindo que os instrumentos financeiros especializados do apoio ao Turismo – no capítulo do financiamento e do capital de risco – sejam “repostos” e que “nenhum dos sectores produtivos do turismo fique excluído do universo das medidas, dos beneficiários, e dos projectos a implementar”.

De igual forma, defende a CTP, que “as medidas propostas pela Estrutura de Missão para Capitalização de Empresas têm de ser todas operacionalizadas e alargadas a todas as áreas do Turismo”.

O reforço da sua presença em órgãos associativos nacionais e internacionais constitui-se como o sexto eixo de actuação da CTP, que, por último, quer “desenvolver as bases teóricas para a criação da Confederação Europeia do Turismo”. “O Turismo representa cerca de 10% do PIB na Europa. É o terceiro maior sector na economia da União Europeia e estima-se que dê emprego a cerca de 17 milhões de pessoas. Não é admissível que o Turismo não ocupe no espaço europeu o correspondente peso que representa no crescimento económico e social, no reforço da inclusão social e na preservação natural e cultural”, defendeu o presidente da CTP.

Recorde-se que Francisco Calheiros iniciou o seu primeiro mandato em 2012. Seis anos depois, o responsável afirmou que “valeu a pena aceitar este desafio”. “Quando me candidatei ao primeiro mandato como Presidente da CTP, em 2012, o país atravessava uma fase muito difícil, com a economia portuguesa a sofrer uma recessão. Todas os sectores de actividade económica sofriam os efeitos desta conjuntura, e o Turismo não era excepção. (…) Não será preciso relembrar as inúmeras dificuldades que enfrentei, e o enorme desafio que era lutar pelo desenvolvimento da actividade, defender e criar condições de crescimento para as empresas. Entre 2012 e 2018, o Turismo tornou-se o motor da nossa economia e um dos principais vectores do desenvolvimento do País”.

ORGÃOS SOCIAIS CTP 2018-2021

CONSELHO DIRECTIVO

PRESIDENTE: Francisco Calheiros (APAVT – Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo)

VICE-PRESIDENTE: Elidérico Viegas (AHETA – Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve)

VICE-PRESIDENTE: Raúl Martins (AHP – Associação da Hotelaria de Portugal)

VICE-PRESIDENTE: Carlos Moura (AHRESP – Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal)

VICE-PRESIDENTE: Jorge Armindo Teixeira (APC – Associação Portuguesa de Casinos)

VICE-PRESIDENTE: Rodrigo Pinto de Barros (APHORT – Associação Portuguesa de Hotelaria, Restauração e Turismo)

VICE-PRESIDENTE: Vítor Costa (ATL – Associação Turismo de Lisboa – Convention and Visitors Bureau)

VOGAL: José Luís Arnaut (ANA – Aeroportos de Portugal, S.A.)

VOGAL: António Marques Vidal (APECATE – Associação Portuguesa das Empresas de Congressos, Animação Turística e Eventos)

VOGAL: Paulo Moura (ARAC – Associação dos Industriais de Aluguer de Automóveis sem Condutor)

VOGAL: António Loureiro (Galileo Portugal, Lda.)

VOGAL: Manuel Proença (Hoti Hotéis, SGPS, S. A.)

VOGAL: Antonoaldo Grangeon Trancoso Neves (TAP, Transportes Aéreos
Portugueses, S. A)

 

MESA DA ASSEMBLEIA GERAL

PRESIDENTE: José Castelão Costa (Sociedade Grupo Pestana, SGPS, S. A)

VICE-PRESIDENTE: Francisco Coelho (Associação Turismo dos Açores – Convention and Visitors Bureau)

VOGAL: Adília Lisboa (ARHCESMO – Associação Regional da Hotelaria de Cascais, Estoril, Sintra, Mafra e Oeiras)

 

CONSELHO FISCAL

PRESIDENTE: Jorge Rebelo de Almeida (Vila Galé – Sociedade de Empreendimentos Turísticos, S. A.)

VICE-PRESIDENTE: Sérgio Miguel Sousa Gonçalves (ACIF – Associação Comercial e Industrial do Funchal – Câmara de Comércio e Indústria da Madeira)

VOGAL: Francisco Lopes (Minor Continental Portugal, S.A.)

 

 

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