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Tanto para Minas Gerais como para a VBRATA, o mercado português “é de altíssima prioridade”

Tanto para o Estado de Minas Gerais como para a VBRATA (Europe – Visit Brazil Travel, Cultural and Business Association), o mercado português “é de altíssima prioridade”, reconheceu ao Publituris o presidente da Associação Europeia do Trade Turístico Especialista em Brasil, Glauco Chris Fuzinatto, no lançamento, esta quarta-feira, em Lisboa, da campanha “Minas Gerais, Destino do Ano” em Portugal.

Carolina Morgado
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Tanto para Minas Gerais como para a VBRATA, o mercado português “é de altíssima prioridade”

Tanto para o Estado de Minas Gerais como para a VBRATA (Europe – Visit Brazil Travel, Cultural and Business Association), o mercado português “é de altíssima prioridade”, reconheceu ao Publituris o presidente da Associação Europeia do Trade Turístico Especialista em Brasil, Glauco Chris Fuzinatto, no lançamento, esta quarta-feira, em Lisboa, da campanha “Minas Gerais, Destino do Ano” em Portugal.

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A ação da VBRATA, em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (SECULT), e o SEBRAE MG (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), teve como objetivo relançar o destino em Portugal que, para aquele Estado brasileiro, é o primeiro mercado emissor europeu de turistas, e segundo internacional, depois da Argentina.

A presença de Minas Gerais no país teve também como foco, segundo o responsável, fortalecer as relações “muito fortes com Portugal devido ao barroco e toda a história que os liga”. Por outro lado, a Associação levou em conta a parceria que mantém com Minas Gerais que se vem fortalecendo cada vez mais.

Em cada ano, a VBRTA seleciona um destino para que seja “O destino do ano” nos mercados que trabalha. No dia em que se assinalava o bicentenário da independência do Brasil, a 7 de setembro, as rainhas foram Minas Gerais e Lisboa, e contou com a presença de operadores turísticos e agentes de viagens portugueses, que tiveram a oportunidade de redescobrir aquele estado brasileiro através das suas atrações turísticas e culturais, novos destinos emergentes, da gastronomia, e da música. O evento, que decorreu no Espaço Espelho de Água, de propósito por se situar junto ao Padrão dos Descobrimentos, terminou com a atuação, junto à Torre de Belém, da Orquestra Filarmónica de Minas Gerais, que integra quase 100 elementos.

O Estado de Minas Gerais tem uma vasta riqueza cultural, uma culinária abundante e uma natureza exuberante o que faz com que as cidades mineiras se destaquem no turismo nacional. A arte ocupa as ruas e as igrejas e é possível encontrar rotas que mudam a experiência do turista, num encontro entre tradição e contemporaneidade. Uma região cultural consolidada no Brasil, em virtude do seu conjunto artístico cultural em várias áreas, razão pelo qual foi escolhida como o destino do ano em Portugal.

A VBRATA, criada em Londres em 2010, a VBRATA é uma associação sem fins lucrativos que congrega profissionais do trade turístico estabelecidos na Europa. Destina-se única e exclusivamente à promoção do Brasil, executando projetos para tornar a comercialização dos atrativos turísticos e culturais do país de forma profissional e com resultados crescentes.

Outras ações previstas para Portugal

“Em Portugal temos feito muitas ações, designadamente os nossos tradicionais roadshows. Em outubro de 2021 marcámos a retoma do turismo pós pandemia com um evento em que privilegiámos a cidade de Lisboa devido à conetividade aérea muito importante entre a Europa e o Brasil”, explicou Glauco Chris Fuzinatto.

O responsável adiantou que “Portugal é para nós um mercado prioritário, e temos uma série de famtours para o Brasil, mas o mais importante é que os agentes de viagens que são selecionados para participar têm que ter feito primeiro na nossa formação online. O nosso foco é direcionar quem tem interesse em visitar o Brasil que passe a sua reserva a um associado da VBRATA”.

Assim, sublinhou que “estamos a abrir-nos para associados em Portugal, a operadores turísticos e agências de viagens que montam os seus pacotes para o Brasil. A anuidade é gratuita e a pessoa só tem que passar por uma série de critérios”. O presidente da associação acredita que a VBRATA regressará ao nosso país, para mais um roadshow nas cidades do Porto, Coimbra e Lisboa, e no próximo ano promete organizar novas famtours e presstrips, bem como levar a cabo ações que cheguem também ao público final porque “não adianta treinar e capacitar os agentes de viagens e operadores se o público final não tiver interesse em viajar para o Brasil”, apontou.

Refira-se que esta associação possui um sistema de capacitação online que visa despertar o interesse de profissionais do trade turístico na Europa para vários destinos brasileiros, e poder comercializá-los de forma mais correta.

Leia na próxima edição do Publituris a entrevista com o secretário de Estado da Cultura e Turismo de Minas Gerais, Leônidas de Oliveira.

 

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Portugal e Espanha definem “pontos de encontro” no turismo transfronteiriço

Portugal e Espanha acordaram uma nova Estratégia para o Turismo Fronteiriço. Se do lado português, o ministro da Economia e do Mar, António Costa e Silva, considera que “definirá conceitos de turismo virados para o futuro”, a ministra do Indústria, Comércio e Turismo de Espanha, Maria Reyes Maroto, refere que se trata de “uma oportunidade e não de uma necessidade”.

O ministro da Economia e do Mar de Portugal, António Costa e Silva, e a ministra do Indústria, Comércio e Turismo de Espanha, Maria Reyes Maroto, apresentaram esta quinta-feira, 19 de janeiro, no decorrer da FITUR 2023, em Madrid, a nova Estratégia de Sustentabilidade do Turismo Transfronteiriço 2022-2024 no que o ministro português considerou ser um “projeto transformador” e que irá desenhar “novos pontos de encontro entre os dois países”.

António Costa e Silva destacou mesmo “o dia histórico”, uma vez que se trata de um “acordo único no mundo”. De acordo com o ministro português, este acordo permitirá, através do turismo, “fixar população, atrair talento e qualificar pessoas”, dando enfâse ao que os dois países poderão oferecer em termos de gastronomia, enologia, literatura, cultura, arte, entre outros.

Salientando o facto de “estarmos a falar de 1.234 quilómetros de fronteira” e, em termos demográficos, de “cerca de 140.000 quilómetros quadrados de território”, Costa e Silva considera que este projeto “redefine o turismo através do território”, uma vez que existe “uma forte ligação entre as regiões transfronteiriças portuguesas e espanholas”.

Contudo, o ministro da Economia e do Mar português salientou o facto de ser necessário” reinventar produtos turísticos para oferecer experiências novas” que assentarão, também, numa estratégia de promoção externa conjunta.

“As comunidades sentem-se abandonadas”, destacando Costa e Silva “a coesão territorial” como factor essencial para o futuro, frisando ainda que “com as acessibilidades que estão e serão construídas, teremos a capacidade de fidelizar fluxos turísticos”.

“Os países quando trabalham juntos podem ser transfigurados”, admitindo mesmo que esta estratégia agora apresentada e que será desenvolvida no futuro, “poderá reinventar a identidades dos dois países. No fundo, queremos apresentar conceitos de turismo virados para o futuro”, terminou António Costa e Silva.

Já Maria Reyes Maroto também destacou o “acordo único” que os dois países passam a desenvolver a partir de agora e que fora assinado na Cimeira Bilateral de novembro de 2022 em Viana do Castelo. “Estamos a falar oportunidades e não de necessidades”, considerou a ministra do Indústria, Comércio e Turismo de Espanha.

Reyes Maroto definiu, de resto, quatro pontos estratégicos para este acordo: “oportunidade; desenvolvimento económico e social do território; sustentabilidade não só ambiental, mas também económica e social; e coesão”.

No final, António Costa e Silva referiu que “as duas entidades responsáveis pela promoção do turismo de ambos os países irão agora definir a respetiva estratégia conjunta”, não tendo avançado com prazos, investimentos e quais os mercados onde será realizada a aposta na promoção desta nova parceria.

 

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Receitas turísticas de novembro ultrapassam pela primeira vez os mil milhões de euros

Os dados do Banco de Portugal (BdP) mostram que, em novembro, pela primeira vez neste mês, as receitas turísticas ficaram acima dos mil milhões de euros, ultrapassando igual mês de 2019 em 35,1%, que tinha sido o melhor mês de novembro de sempre para o turismo nacional.

As receitas provenientes da atividade turística voltaram a subir no passado mês de novembro e, pela primeira vez, ultrapassaram os mil milhões de euros neste mês, que se tornou já no melhor novembro de sempre para o turismo nacional, com as receitas a somarem 1.226,67 milhões de euros, segundo os dados revelados esta quinta-feira, 19 de janeiro, pelo Banco de Portugal (BdP).

De acordo com o BdP, as receitas turísticas de novembro, que se encontram pelos gastos dos turistas estrangeiros em Portugal, ficaram 35,1% acima do apurado em igual mês de 2021 e ultrapassaram mesmo novembro de 2019, que tinha sido o melhor mês de novembro de sempre para o turismo nacional, em 24,4%.

Tal como as receitas turísticas, também as importações do turismo, que são apuradas pelos gastos dos turistas portugueses no estrangeiro, somaram, em novembro, o valor mais elevado de sempre para este mês, chegando aos 394,98 milhões de euros, o que traduz uma subida de 22,4% face ao valor apurado em novembro de 2021 e de 8,5% em comparação com novembro de 2019.

E também o saldo da rubrica “Viagens e Turismo” aumentou em novembro de 2022 e somou 831,69 milhões de euros, valor que ficou 42% acima do apurado em igual mês de 2021 e 33,4% do registado em novembro de 2019.

O BdP indica que, em novembro,  “a rubrica de viagens e turismo, cujas exportações e importações cresceram, em termos homólogos, respetivamente, 35,1% e 22,4%”, contribuiu para a subida das exportações e das importações na balança de serviços, que registou mesmo um excedente e compensou “parcialmente” o aumento do défice da balança de bens.

Acumulado também sobe

Tal como em novembro, também o acumulado desde o início do ano traz boas notícias, uma vez que as receitas turísticas somam já 19.722,13 milhões de euros, o que traduz um aumento de 16,1% face aos 16.955,7 milhões de euros que tinham sido apurados em novembro de 2019.

As boas notícias são ainda comuns às importações do turismo, que somaram, em novembro, 5.116,18 milhões de euros, ultrapassando em 8,3% o valor de 4.722,2 milhões de euros acumulado até novembro de 2019.

No saldo da rubrica “Viagens e Turismo”, o aumento foi de 16,5%, uma vez que os 12.508,73 milhões de euros apurados no acumulado dos primeiros 11 meses de 2019 comparam agora com um valor que chega aos 14.569,97 milhões de euros.

 

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Portugal espera repetir este ano crescimento do turismo acima do esperado de 2022

“Aquilo que estamos a prever para 2023 é continuar o crescimento que tivemos em 2022, obviamente, com grandes incertezas, da guerra na Ucrânia até à inflação. Mas acreditamos que estamos muito bem posicionados”, afirmou Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal.

Portugal apresenta-se na Feira de Turismo de Madrid (FITUR), com 92 empresas num expositor de 900 metros quadrados do Turismo de Portugal, além da presença das sete regiões turísticas do país (Porto e Norte, Centro, Alentejo, Algarve, Madeira e Açores) e diversos municípios e entidades intermunicipais em ‘stands’ próprios na FITUR, com a expectativa de repetir este ano o crescimento do setor acima do que tinha sido previsto para 2022 e de captar mais turistas em Espanha.

O ano passado é já “o melhor de sempre do ponto de vista de receitas” do turismo português, com uma estimativa de mais de 22 mil milhões de euros, que comparam com os 18,4 mil milhões de 2019, o último sem qualquer impacto da pandemia de covid-19, disse aos jornalistas o presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo, em Madrid, na abertura da FITUR.

“Recuperámos antes do que prevíamos”, sublinhou o presidente da entidade responsável pela promoção de Portugal como destino turístico.

“Aquilo que estamos a prever para 2023 é continuar o crescimento que tivemos em 2022, obviamente, com grandes incertezas, da guerra na Ucrânia até à inflação. Mas acreditamos que estamos muito bem posicionados. Um exemplo disto é esta feira, a FITUR”, acrescentou Luís Araújo, que destacou que o mercado espanhol é atualmente o segundo maior para Portugal em número de hóspedes e o quarto em termos de receitas.

Em relação a Espanha há, assim, segundo Luís Araújo, “um trabalho a fazer” para aumentar as receitas, através de “segmentos específicos” do mercado.

De um ponto de vista mais global, a estratégia é “tentar diversificar ainda mais o núcleo de mercados” que são fundamentais para o turismo português, afirmou.

Para este objetivo, uma das chaves de crescimento está nas ligações aéreas, de que o turismo português depende por causa da localização geográfica do país.

“Temos conseguido retomar as rotas que tínhamos perdido em 2020 e 2021 e estamos já com os indicadores muito próximos [aos dos anos anteriores]. Este ano, 2023, vamos ultrapassar 2019. É uma das grandes âncoras para a retoma do setor”, afirmou o presidente do Turismo de Portugal.

Luís Araújo destacou que “o crescimento faz-se em todos os aeroportos” e deu como exemplo, precisamente, Espanha, país que teve ligações com os cinco aeroportos nacionais portugueses no ano passado, através da companhia aérea espanhola Iberia, “um fator ótimo de distribuição” de turistas, principalmente de mercados a que no passado Portugal não chegava, como o mexicano ou outros da América do Sul.

“O nosso papel é, em conjunto com cada um dos nossos aeroportos, e há ainda margem para crescer em muitos dos aeroportos, tentar demonstrar esta capacidade de atração para todas as regiões. Aquilo que nós entendemos é que existe obviamente um ‘hub’, que é Lisboa e faz esta distribuição, mas existem muitos motivos de interesse para muitos mercados para destinos como Algarve, o norte ou as ilhas”, afirmou.

Presente na FITUR está também o secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços (SETCS), Nuno Fazenda, que destacou, em declarações aos jornalistas, a importância do mercado espanhol e a “forte presença” de empresas nacionais na feira de Madrid deste ano.

“O mercado espanhol é um mercado muito importante para o nosso país, é o segundo maior mercado em dormidas e o primeiro em algumas regiões, como o Norte, Centro e Alentejo. E, nesse contexto, temos também de trabalhar vários segmentos para crescer também em valor e crescer também no interior, no território do interior de Portugal”, afirmou.

O ministro da Economia, António Costa Silva, e a ministra espanhola do Turismo, Reyes Maroto, apresentam esta quinta-feira, 19 de janeiro, a Estratégia de Cooperação Transfronteiriça entre Portugal e Espanha para o setor do turismo, que foi acordada na última cimeira ibérica, em novembro passado.

“É um reforço para desenvolver também turisticamente o interior do nosso país”, sublinhou Nuno Fazenda, que considerou a região transfronteiriça “uma centralidade ibérica” que é necessário potenciar através da promoção turística, mas também do aumento e melhoria das ligações aéreas, rodoviárias e ferroviárias entre Portugal e Espanha, como está previsto, sublinhou, no âmbito de investimentos com fundos europeus dos planos de recuperação e resiliência.

O secretário de Estado manifestou-se “muito satisfeito” com a adesão de empresas e outras entidades a esta edição da FITUR, com vista à afirmação de Portugal como destino turístico no mercado espanhol.

Em paralelo, defendeu a continuidade na aposta dos mercados estratégicos para Portugal dentro e fora da Europa, onde está concentrada 80% da procura turística do país.

Neste contexto, deu como exemplo o sucesso recente da aposta nos Estados Unidos, que transformou este país no quinto com maior peso no turismo português.

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Ministro do Turismo da Jordânia visita Fátima no 2.º semestre para analisar parcerias

O crescimento do Turismo Religioso faz com que o novo ministro do Turismo da Jordânia, Markam Al-Queisi, visite Fátima no 2.º semestre deste ano para analisar a possibilidade de futuras parcerias em prol de ambos os destinos.

Victor Jorge

O ministro do Turismo da Jordânia, Makram Al-Queisi, referiu esta quarta-feira, durante o decorrer na FITUR Madrid, que se realiza até ao próximo dia 22 de janeiro, que virá a Portugal para estudar com as entidades de Fátima uma possível parceria “para benefício de ambos os destinos”.

Em entrevista ao Publituris, Makram Al-Queisi considera que ambos os destinos possuem “uma forte componente no Turismo Religioso” e que uma parceria seria “uma boa forma de promover os dois destinos em muitos mercados internacionais e estabelecer trabalho conjunto no segmento que tem vindo a crescer exponencialmente”.

De referir que Makram Al-Queisi, que foi nomeado ministro do Turismo e das Antiguidades da Jordânia há pouco mais de um mês, conhece Portugal, uma vez que exerceu o cargo de Embaixador Extraordinário não residente no nosso país em 2014.

“Fátima é um lugar único e sabemos as visitas internacionais que possui ao longo do ano”, referiu Makram Al-Queisi ao Publituris. “Naturalmente que o nosso interesse em Portugal não se limita a Fátima”, avançando o ministro jordano que em termos de operação turística, a Jordânia irá contar com um voo charter a partir de maio e que irá prolongar-se até novembro, começando com um voo semanal, esperando, contudo, “e dado os números que esperamos de turistas portugueses, esse voo poderá passar a bissemanal”.

A Jordânia recebeu, em 2022, mais de 4.000 turistas portugueses, número que as autoridades do Turismo da Jordânia esperam duplicar com esta operação entregue à Avoris.

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OMT: Chegadas internacionais de turistas vão acelerar em 2023 e aproximam-se dos níveis pré-pandémicos

Após uma recuperação mais forte do que o esperado em 2022, as chegadas internacionais de turistas podem retomar aos níveis pré-pandémicos na Europa e no Médio Oriente, este ano. No entanto, num contexto económico difícil, os turistas tendem cada vez mais ajustar os seus orçamentos e deslocar-se para destinos mais próximos do seu local de residência.

Publituris

De acordo com as previsões da OMT para 2023, as chegadas de turistas internacionais podem ficar entre 80% e 95% dos níveis pré-pandémicos este ano, dependendo da extensão da desaceleração económica, de como as viagens se recuperam na Ásia e no Pacífico e qual é a evolução da ofensiva russa na Ucrânia, entre outros fatores.

Segundo novos dados da OMT, mais de 900 milhões de turistas fizeram viagens internacionais em 2022, o dobro do verificado em 2021, embora esse número ainda esteja em 63% dos níveis pré-pandêmicos. Todas as regiões do mundo registaram aumentos notáveis ​​no número de turistas internacionais. O Médio Oriente teve o maior aumento relativo, com chegadas a subir para 83% dos números pré-pandémicos. A Europa atingiu quase 80% dos níveis pré pandemia, com 585 milhões de chegadas em 2022.

A África e as Américas recuperaram cerca de 65% dos visitantes pré-Covid, enquanto a região da Ásia-Pacífico recuperou apenas 23%, mantendo medidas mais rígidas relacionadas à pandemia que só começaram a ser suspensas nos últimos meses.

O primeiro Barómetro Mundial do Turismo da OMT de 2023 também analisa o comportamento por região e identifica os países com melhores resultados em 2022, incluindo vários destinos que já recuperaram os níveis de 2019.

De acordo com o secretário-geral da OMT, Zurab Pololikashvili, prevê-se “um ano forte para o setor, mesmo perante diversos desafios, incluindo a situação económica e a contínua incerteza geopolítica. As pessoas vão viajar em 2023 e a OMT espera que a procura por viagens domésticas e regionais permaneça forte e ajude a impulsionar a recuperação mais ampla do setor”.

A OMT estima ainda que o recente levantamento das restrições de viagens relacionadas com o COVID-19 na China, o maior mercado emissor do mundo em 2019, é um passo significativo para a recuperação do setor de turismo na Ásia, no Pacífico e mesmo no resto do mundo.

Ao mesmo tempo, a forte procura dos Estados Unidos, apoiada por um dólar americano forte, continuará a beneficiar os destinos na região e não só, enquanto a Europa continuará a desfrutar de fortes fluxos de viagens dos EUA, em parte devido a um euro mais fraco em relação ao dólar americano.

Por outro lado, a OMT indica que, na maioria dos destinos verificaram-se, em 2022, aumentos notáveis ​​nas receitas do turismo internacional, em vários casos superiores ao crescimento das chegadas, fator que tem sido apoiado pelo aumento do gasto médio por viagem devido a períodos de permanência mais longos, a disposição dos viajantes de gastar mais no destino e maiores custos de viagem devido à inflação. No entanto, a conjuntura económica poderá traduzir-se numa atitude mais cautelosa dos turistas em 2023, com redução de gastos, viagens mais curtas e deslocações mais próximas de casa.

 

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easyJet soma mais 5 novas rotas às 20 já apresentadas para o verão de 2023

O número de rotas operadas pela easyJet, no verão de 2023, ascenderá a um total de 89, fazendo com que o diretor-geral da companhia no nosso país, José Lopes, antecipe um novo recorde de lugares: 11,2 milhões.

Victor Jorge

A easyJet anunciou esta terça-feira, 17 de janeiro, mais cinco novas rotas para o verão para o verão de 2023 que se juntam, assim, às 20 previamente anunciadas, totalizando 89 rotas a serem operadas em Portugal.

As novas rotas ligarão Lisboa a Glasgow (duas vezes por semana, a partir de 2 de junho), o Porto a Nápoles (2 voos por semana, a partir de 1 de abril) e Palermo (um voo semanal, a partir de 1 de julho), e Faro a Barcelona e Toulouse (ambos com dois voos semanais, com voos a partir de 26 de junho e 28 de junho, respetivamente).

Com este aumento da oferta, a easyJet passará a oferecer um total de 89 rotas, distribuídas pelos aeroportos de Lisboa, que conta agora com um total de 35 rotas (17 novas), o Porto com 26 destinos (3 novas) e Faro com 21 trajetos (2 novas). Já no Funchal, a easyJet conta com o total de 9 rotas (3 novas) e mantém duas rotas no Porto Santo.

Um recorde de 11,2 milhões de passageiros para 2023
Este aumento do número de rotas em Portugal faz crescer também a capacidade de lugares disponíveis, anunciando a companhia que, para 2023, estão previstos 11,2 milhões de lugares, que em comparação com o ano anterior representa um aumento de 36% face aos 8,2 milhões de lugares disponibilizados em 2022.

No encontro com a imprensa, José Lopes, diretor-geral da easyJet Portugal, destacou “o forte investimento da companhia no país, antevendo “o verão mais movimentado de sempre”, admitindo que “iremos fulminar o nosso recorde”.

Destacando o investimento “realmente forte” que a easyJet irá fazer em Portugal, José Lopes revelou que a estas cinco novas rotas agora anunciadas poderá ser somada mais uma, sendo que esta está dependente de ‘slot’ no mercado de destino e não em Portugal.

Este aumento de oferta é, de acordo com José Lopes, o último que deverá acontecer, reconhecendo que “no futuro não deverão existir mais ‘slots’ a disponibilizar no mercado nacional”, admitindo mesmo que “Lisboa não terá capacidade para aumentos nos próximos seis a oito anos”, ou seja, até a região de Lisboa conhecer uma nova infraestrutura aeroportuária.

Já no Porto, José Lopes referiu alguns constrangimentos que poderão existir, devido à repavimentação da pista que já deveria estar a decorrer, mas que sofreu atrasos. Esta obra será, segundo informação avançada pelo diretor-geral da easyJet Portugal, por troços, com o horário das obras a decorrer da meia-noite às seis horas da manhã.

Certo é que a operação da easyJet cresceu mais em Lisboa do que as ‘slots’ disponibilizadas pela Comissão Europeia, situação que resultou da transferência de ‘slots’ da TAP para o mercado, bem como por mais seis ‘slots’ que a companhia passou a ter por perda da concorrência.

Com 10 aeronaves baseadas em Portugal, não foi somente o número de aviões que cresceu, revelando José Lopes que, face ao período pré-pandemia, a companhia cresceu para 830 colaboradores, quando em 2019 eram 350 e há uma década esse número não ultrapassava a centena. “Isto tem impacto direto na economia e na vida das pessoas”, frisou José Lopes.

Relativamente à operação, o diretor-geral da companhia no nosso país admitiu que a easyJet “não se vê como companhia com um caráter exclusivamente de lazer, já que tem uma forte operação étnica (emigração)”, fazendo referência, por exemplo, ao grande fluxo de emigrantes que a easyJet transportou aquando da ida de portugueses para o Reino Unido, especialmente, para a região londrina.

“75% dos passageiros que transportamos vêm de fora para Portugal”, considerando que os “city-breaks assumiram um papel essencial na atual conjuntura. Contudo, o objetivo da easyJet “não é só trazer turistas de fora para Portugal, mas também proporcionar aos portugueses a possibilidade de realizarem as suas escapadas”.

Para tal, a o responsável da easyJet revelou que os preços não aumentaram, até porque, “não podemos aumentar preço e querer aumentar a oferta e apresentar preços atrativos para que o mercado seja estimulado”.

E se as rotas e a operação crescem, também o número de aeronaves aumentou, com Lisboa a ter mais um A320 e mais três A321 neo, enquanto no Porto passaram as estar disponíveis seis A320 neo e em Faro 3 aeronaves do mesmo tipo.

Normalização da situação nos aeroportos
Depois de um verão atribulado em grande parte dos aeroportos europeus, José Lopes antecipa que neste verão de 2023 a situação já esteja “regularizada”, considerando que as grandes disrupções aconteceram devido à “falta de pessoal, principalmente no handling, mas que tem vindo a ser colmatada com novas contratações”. Neste aspeto, José Lopes referiu que tem vindo a manter um diálogo não só com a empresa de handling parceira da easyJet (Portway), mas também com a ANA e as entidades oficiais.

“Em 2022, o mercado não teve o número de passageiros que registou em 2019. Por isso, há margem para melhorar, já que o desejo para viajar mantém-se, senão mesmo aumentou”, referiu José Lopes. O que esta instabilidade criou foi, segundo o diretor-geral da easyJet Portugal, “um aumento das reservas ‘last-minute’”, sendo, por isso, necessário “dar confiança para dar estabilidade ao consumidor”, para que “em 2024 já possamos navegar num ano normal”.

Quanto ao tipo de viagens que os turistas farão no futuro próximo, José Lopes admite uma predominância das viagens de curto e médio curso em detrimento das viagens de longo curso.

Assim, José Lopes deixou um pedido ao setor da hotelaria: “em virtude de Portugal ser um destino com muita procura e uma vez que as viagens de curto e médio curso ainda irão prevalecer, seria bom que os hoteleiros não ‘estiquem’ os preços e assim não afastar as pessoas que queiram vir visitar Portugal. Até porque essa realidade impactará a nossa oferta. Se os preços forem demasiados altos, ninguém quererá voar para Portugal”.

A terminar José Lopes conclui: “queremos ser a companhia aérea mais amada em Portugal. Logo temos de investir e estamos a investir de modo a manter-nos um passo à frente”.

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American Airlines retoma voos entre Lisboa e Filadélfia a 27 de março

Segundo Victor Cortina, Manager Corporate e Channel Sales para Portugal e Espanha da American Airlines, a operação vai ser realizada num aparelho B787-900 Dreamliner, com capacidade para 285 passageiros, existindo a possibilidade de os voos passarem a ser anuais.

Inês de Matos

A American Airlines vai retomar, a 27 de março, a operação sazonal que liga Lisboa a Filadélfia, nos EUA, e que, este ano, vai ser operada num avião B787-900 Dreamliner, com capacidade para 285 passageiros.

Segundo Victor Cortina, Manager Corporate e Channel Sales para Portugal e Espanha da American Airlines, a operação da companhia aérea norte-americana vai voltar a contar com voos diários, ligando a capital portuguesa a Filadélfia, nos EUA, onde se situa um dos principais hubs da American Airlines.

“Está a começar a haver procura e as agências de viagens estão a começar a fazer reservas, vamos iniciar agora a promoção da rota Lisboa – Filadélfia, este ano, com um renovado avião B787-900 Dreamliner”, avançou o responsável ao Publituris, lembrando que, em 2022, a operação foi realizada com um aparelho B787-800 Dreamliner.

Victor Cortina revela que, em 2022, ano que marcou a retoma da operação depois do interregno devido à COVID-19, a procura pelos voos da American Airlines entre Lisboa e Filadélfia foi “muito satisfatória”, uma vez que o load factor foi elevado e foi acompanhado por “uma boa receita”.

“A maior parte da temporada registou overbooking”, indica Victor Cortina, explicando que a percentagem de passageiros dos EUA nos voos da American Airlines para Lisboa foi superior à de portugueses.

Este ano, Victor Cortina diz ter ainda melhores expetativas relativamente à rota Lisboa-Filadélfia, em grande parte devido à utilização do renovado avião B787-900 Dreamliner, existindo mesmo a esperança de que seja possível “manter ou aumentar” o load factor registado ao longo do ano passado.

Os voos da American Airlines entre Lisboa e Filadélfia vão decorrer até 28 de outubro, data que marca o final do verão IATA, mas Victor Cortina mostra-se confiante de que, caso a operação corra como previsto, os voos possam passar a anuais.

“Mantemos nossa rota sazonal a partir de 27 de março e até 28 de outubro. Talvez exista a possibilidade tornar o voo anual”, refere ainda o responsável da American Airlines.

O aparelho B787-900 Dreamliner que a American Airlines vai utilizar nos voos para Lisboa conta com capacidade para 285 passageiros, incluindo 30 lugares em business class, 21 em Premium Economy e 234 lugares em económica.

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Inês de Matos

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Tecnologia

“A maior transformação digital no setor do turismo em Portugal começou com o próprio turista”

Com os processos de digitalização a decorrer, senão já implementados, nunca como antes a tecnologia assumiu um papel tão essencial no setor do turismo. Para António Neves, Industry Manager, Travel da Google Portugal, embora o setor tenha feito um grande progresso, “ainda há muito trabalho a fazer no que toca a melhorar a presença online não só de algumas empresas como dos próprios destinos”.

Victor Jorge

A tecnologia sempre fez parte do universo do turismo. A pandemia, no entanto, veio acelerar a necessidade de uma maior digitalização ou transformação digital em toda a cadeia. Em Portugal, de acordo com António Neves, Industry Manager, Travel da Google Portugal, houve uma “maior necessidade de aceleração dado não só o peso que o turismo tem na nossa economia, mas também o facto de anteriormente termos estado um pouco atrás da Europa em alguns aspetos digitais”. Para este manager da Google, a grande dificuldade apresentada pela maior parte das empresas no setor no nosso país foi, provavelmente, “a escassez de habilitações digitais”, acreditando, no entanto, que esta aceleração [da digitalização] “irá continuar”.

Ao fim de quase três anos de pandemia, quais foram as maiores transformações tecnológicas ou digitais ocorridas no setor do turismo em Portugal?
A maior transformação digital no setor do turismo em Portugal começou com o próprio turista. Os turistas, nacionais ou internacionais, nunca foram tão digitais como hoje. Grande parte dos viajantes utiliza touchpoints digitais para fazer as suas decisões de viagens. Ao mesmo tempo, vimos os diferentes stakeholders do turismo a lançar a sua jornada de Transformação Digital, não só como consequência do novo comportamento dos turistas, mas também para se tornarem mais eficientes na forma como desenvolvem os seus negócios.

Neste aspeto, o setor do turismo, em Portugal, teve um comportamento diferente de outros mercados europeus e mundiais?
O processo de transformação digital do setor turismo é uma tendência global. Não existe país ou região em que este setor não se esteja a digitalizar nas suas diferentes áreas. Penso que em Portugal houve uma maior necessidade de aceleração dado não só o peso que o turismo tem na nossa economia, mas também o facto de anteriormente termos estado um pouco atrás da Europa em alguns aspetos digitais – nomeadamente em e-commerce e na criação de plataformas online. Nos últimos anos, a indústria do turismo em Portugal tem feito grandes avanços nesta área. Em 2021, de acordo com a Siteminder, os websites hoteleiros foram o 2.º principal canal de reservas em Portugal (atrás do Booking.com) e fomos dos poucos países europeus com uma agência de viagens local – Abreu Online – no Top 10. Isto mostra de facto o grande trabalho que todo o setor está a fazer para se transformar.

Não existe país ou região em que este setor [turismo] não se esteja a digitalizar nas suas diferentes áreas

Quais foram as prioridades tecnológicas mais relevantes implementadas? E quais foram as maiores dificuldades, exigências, necessidades apresentadas pelas empresas?
Acho que podemos olhar para as prioridades em três áreas. A primeira é chegar a potenciais clientes. Aqui, vimos uma grande evolução naquilo que foi a criação de websites e outros conteúdos online por parte dos destinos turísticos, hotéis, fornecedores de atividades turísticas, etc. de forma a chegar aos diferentes turistas espalhados pelo Mundo. A própria promoção das diferentes áreas do turismo passou a ser mais digital, dado que a maior parte dos turistas recorre a plataformas online para se inspirar onde e como viajar.

Em segundo lugar, temos a recolha, medição e ativação de dados: perceber quem são os nossos clientes, quem entrou no nosso website, como devemos e podemos voltar a entrar em contacto com eles… Tudo isto passou a ser fulcral, especialmente com a importância que Privacidade e Segurança passaram a ter nos últimos anos.

Finalmente, temos a experiência do utilizador. Muitos stakeholders do setor implementaram tecnologias de forma a melhorar a experiência do utilizador: processos de marcação fluidos, pagamentos contactless, chatbots e muito mais.

A grande dificuldade apresentada pela maior parte das empresas no setor foi provavelmente a escassez de habilitações digitais. A transformação digital de uma empresa requer que se comece a pensar num novo conjunto de capacidades que antes não existiam: consultores analíticos, data scientists, marketeers digitais e muito mais. Para muitas empresas no setor, existem algumas dificuldades em recrutar este tipo de talento devido à sua dimensão. É aqui que entra a importância de encontrar parceiros externos – parceiros tecnológicos, agências digitais, etc. – para fazer outsourcing deste tipo de capacidades.

Dentro do universo do turismo, qual o setor/segmento que maior atualização ou transformação protagonizou?
Penso que esta adaptação foi transversal a todo o setor. Penso que a diferença está mais na fase de transformação digital em que cada segmento se encontra. As companhias aéreas bem como as grandes cadeias hoteleiras já vêm há alguns anos a fazer esta transformação dada a importância que as marcações nos seus websites têm tido, mesmo antes da pandemia. Estas empresas nos últimos anos focaram-se mais em arranjar formas de atrair mais pessoas para os seus websites (ex. através de marketing digital) e melhorando a sua experiência online.

Por outro lado, algumas pequenas e médias empresas, como hotéis independentes ou agências de viagem locais, começaram mais recentemente a sua jornada digital, alguns deles criando o seu website pela primeira vez.

Acredita que esta aceleração em direção a uma maior digitalização se vai manter no futuro ou, depois de passado o impacto da pandemia, vai esfriar?
Penso que esta aceleração irá continuar. Por um lado, a utilização de ferramentas digitais para planear e marcar viagens continua em forte crescimento. A própria Google tem feito uma aposta muito grande em criar novos e melhores produtos para ajudar os utilizadores no seu planeamento: Google Flights, Things to Do, Google Hotels Search e muito mais.

Por outro lado, a digitalização das empresas traz muitos benefícios em termos de negócio. De acordo com um estudo da BCG, as empresas com maior maturidade digital aumentaram suas vendas em média 18 pontos percentuais a mais do que seus pares menos maduros e aumentaram a eficiência de custo em média 29 pontos percentuais.

Uma das grandes dificuldades na transformação digital no setor do turismo é a capacidade de trazer as capacidades digitais para dentro de algumas empresas dado a sua dimensão e recursos

O que falta ainda fazer em termos de digitalização ou transformação tecnológica no setor do turismo em Portugal?
O setor tem feito um grande progresso, mas existem sempre áreas a melhorar. Antes de mais, penso que ainda há muito trabalho a fazer no que toca a melhorar a presença online não só de algumas empresas como dos próprios destinos. Por exemplo, nos últimos três meses, houve menos de metade das pesquisas no Google por acomodação nos Açores para turistas internacionais do que na Madeira. O turismo é um mercado global e por isso não estamos apenas a concorrer com outras marcas ou destinos locais, estamos a concorrer com os melhores players globais. É por isso crítico que as empresas e marcas do setor do turismo apostem cada vez mais na internacionalização e olhem para o marketing digital como uma ferramenta de aquisição de clientes e de promoção da sua marca

Em segundo lugar, penso que ainda é preciso trabalhar na análise de dados que é crítica para obter insights sobre as preferências e comportamentos dos viajantes, o que pode ajudar as empresas de turismo a adaptar suas ofertas e atender melhor às necessidades de seus clientes.

Finalmente, dada a importância que a sustentabilidade tem hoje em dia, é importante começar a utilizar-se a tecnologia de forma não só a promover a sustentabilidade, mas a garantir que a maior sustentabilidade também acrescenta algum tipo de valor à experiência do viajante.

Esta adaptação tecnológica foi maior a nível interno das empresas ou houve que tivesse optado por uma externalização dos processos?
Tal como referi anteriormente, uma das grandes dificuldades na transformação digital no setor do turismo é a capacidade de trazer as capacidades digitais para dentro de algumas empresas dado a sua dimensão e recursos. Nestes casos, os parceiros tecnológicos, as agências digitais e outros parceiros externos têm e vão continuar a ter um papel fulcral em trazer estas capacidades para dentro das empresas de uma forma escalável e sustentável.

O setor do turismo é uma das indústrias em que o capital humano é mais importante

É comum ouvir que toda esta transformação digital leva a que se necessite cada vez menos de pessoas. Concorda?
Penso que o setor do turismo é uma das indústrias em que o capital humano é mais importante. Afinal, quando vamos viajar em lazer, uma das coisas que mais apreciamos é a hospitalidade, seja ao entrar num avião, ao fazer o check-in num hotel ou ao ser servido num restaurante. À medida que avançam na sua transformação digital, as empresas do setor do turismo terão a oportunidade de decidir onde melhor alocar o seu capital de forma a melhorar a experiência dos clientes e atrair mais turistas, seja no front office a oferecer esta hospitalidade que todos procuramos, ou no back office, por exemplo a trabalhar na promoção através de marketing digital.

Quais foram as principais soluções implementadas pela Google no setor do turismo?
O setor do turismo é um dos setores mais relevantes para a Google dado a importância que os touchpoints digitais têm no planeamento de viagens para os turistas. Nos últimos anos, a Google tem-se focado em criar ferramentas tanto para os utilizadores que estão a planear a sua viagem, como para as diferentes empresas do setor do turismo.

Ao nível do utilizador, a Google possui toda uma plataforma dedicada a viagens – o Google Travel. O Google Travel incorpora diferentes ferramentas que ajudam no planeamento de uma viagem: o Google Flights, pesquisa de hotéis, coisas a fazer e muito mais.

Para além disso, a Google tem desenvolvido um conjunto de ferramentas para ajudar as diferentes empresas do setor do turismo. O Destination Insights por exemplo, permite analisar como estão a evoluir as pesquisas por viagens para Portugal (voos e hotéis) de diferentes países de origem, e perceber assim que mercados apresentam um maior potencial para promover os nossos produtos e serviços.

Se tivesse de indicar três pontos essenciais para o futuro desta transformação tecnológica, digitalização ou transição digital, quais seriam?
Foco no utilizador – qualquer processo de transformação digital tem de ser feito com o intuito de acrescentar valor ao utilizador final. Muitos viajantes experienciam alguns problemas nas suas viagens. É crítico que as empresas se coloquem nos sapatos dos seus clientes/utilizadores e experienciem como é fazer uma reserva no seu website, como é resolver um problema no call center, etc. Todos estes processos, ao serem digitalizados, devem ter como foco principal a melhoria da experiência do cliente.
Personalização – a habilidade de oferecer experiências e recomendações personalizadas aos viajantes será um diferencial fundamental no futuro do turismo. A utilização de dados e cada vez mais de inteligência artificial vai ser crítica para entregar conteúdo e recomendações personalizadas com base nas preferências e comportamentos passados dos viajantes.
Trazer novas capacidades – a transformação digital de uma empresa não é possível sem novos talentos e capacidades: desenvolvedores de aplicativos web, analistas de dados, especialistas em marketing digital, etc. As empresas devem apostar em contratar este tipo de talento ou colaborar com parceiros externos como parceiros tecnológicos e agências digitais para obter estas capacidades.

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Turismo

Rita Marques diz que “não tem condições de aceitar, nesta altura, o convite” da The Fladgate Partnership

Depois de instalada a polémica com o convite para administradora do grupo The Fladgate Partnership, Rita Marques revela que não tem condições para assumir o cargo, embora reconheça que “firmei a convicção de que nenhum obstáculo se colocava à assunção daquelas funções”.

Victor Jorge

Após a polémica instalada relativamente à ida da ex-secretária de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Rita Marques, para o grupo The Fladgate Partnership, a mesma anunciou, esta quinta-feira, 12 de janeiro, na rede social LinkedIn que “entende que não tenho condições de aceitar, nesta altura, o convite que me foi dirigido, e que previa que eu iniciasse funções a 16 de janeiro”.

Rita Marques afirma que “feita a análise do regime jurídico de incompatibilidades e impedimentos dos titulares de cargos políticos e altos cargos públicos (Lei n.º 52/2019, de 31 de julho), firmei a convicção de que nenhum obstáculo se colocava à assunção daquelas funções”.

Na publicação pode ainda ler-se que, “não tive, no desempenho das minhas funções, qualquer papel na atribuição de incentivos financeiros ou sistemas de incentivos e benefícios fiscais de natureza contratual a esta Sociedade; e não tive qualquer intervenção direta em matéria da qual tenha resultado um benefício concreto para aquela Sociedade, já que, como é público, limitei-me a confirmar a utilidade turística a um empreendimento turístico que goza de estatuto de ‘Projeto de Interesse Nacional – PIN’ e cuja utilidade turística tinha sido conferida antes de eu iniciar funções de Secretária de Estado”.

Recorde-se que no dia 6 de janeiro, o grupo The Fladgate Partnership tornou público que Rita Marques iria assumir as funções como administradora, com a responsabilidade sobre a divisão dos Hotéis e do Turismo, ficando à frente da gestão de importantes unidades como o WOW, o quarteirão cultural de Gaia.

Rapidamente começaram a surgir críticas a esta passagem da ex-secretária de Estado do Turismo, Comércio e Serviços para um grupo privado que tinha recebido benefícios fiscais através de um despacho onde reconheceu o seu estatuto de utilidade turística definitiva.

Depois de vários dias de discussão na praça pública, no Parlamento e tendo o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmado que a ex-secretária de Estado tinha violado “claramente” a lei, Rita Marques dá agora por terminado este processo que a levaria a administradora do quarteirão cultural de Vila Nova de Gaia, hotéis e restaurantes do grupo.

 

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Transportes

Transportes mostram-se otimistas para 2023, apesar da guerra, inflação e incerteza

O setor dos transportes turísticos faz um balanço positivo de 2022, que acabou por ser um ano de regresso à normalidade e mostra-se entusiasmado quanto ao futuro, apesar dos muitos desafios que deverão marcar 2023, com destaque para os aumentos nos preços dos combustíveis, a que os transportes estão particularmente expostos.

Inês de Matos

Por vezes, muita coisa muda em muito pouco tempo e o ano de 2022 é a prova provada disso mesmo. Há um ano, a grande ameaça à atividade turística continuava a ser a COVID-19. A pandemia que parou o mundo em 2020 e restringiu as viagens um pouco por todo o lado no ano seguinte, continuava, no início do ano passado, a ser vista como o principal desafio que o setor do turismo precisava de ultrapassar para regressar à normalidade.

No entanto, menos de dois meses depois do arranque do ano, estalou uma guerra na Ucrânia, com a invasão da Rússia ao país vizinho, num evento a que a Europa não assistia havia mais de sete décadas e que veio, mais uma vez, destabilizar a economia e, consequentemente, as empresas do setor do turismo, com especial destaque para as que se dedicam aos transportes, que passaram a lidar, também em consequência da guerra, com aumentos quase diários nos preços dos combustíveis, entre outras subidas de custos ditadas pela escalada da inflação.

Além da pandemia, que ainda não está completamente ultrapassada, da guerra e consequente inflação, as empresas de transportes turísticos têm de lidar ainda com a escassez de recursos humanos, que surgiu durante a pandemia e se agravou com a guerra, num cenário repleto de incerteza que torna difícil traçar expectativas concretas para 2023.

A todos estes problemas, é preciso juntar ainda a escassez de viaturas disponíveis no rent-a-car, assim como os desafios inerentes à sustentabilidade que, este ano, promete voltar a estar na linha da frente enquanto uma das principais preocupações dos transportes.

Mais uma vez o setor foi posto à prova e respondeu de forma positiva, Paulo Geisler (RENA)

Ainda assim, o otimismo parece estar em alta, uma vez que os clientes mantêm a vontade de viajar e isso tem-se vindo a traduzir no aumento das faturações e da rentabilidade nas várias áreas dos transportes turísticos em Portugal. Saiba que balanço de 2022 e que expectativas para 2023 traça a aviação, os cruzeiros, o rent-a-car e os autocarros de turismo.

Aviação
Na aviação, 2022 acabou por ser um ano “desafiante”, diz ao Publituris Paulo Geisler, presidente da RENA, associação que representa as companhias aéreas que operam em Portugal. “Mais uma vez o setor foi posto à prova e respondeu de forma positiva”, diz o presidente da RENA, considerando que, apesar dos problemas que a aviação enfrentou em 2022, este setor “mais uma vez deu mostras de preparação e resiliência”.

De acordo com o responsável, 2022 acabou por ser um ano positivo, como mostram “os números globais do turismo” e que provam que este é já “um sector fundamental para a economia portuguesa”, considerando que também a “união dos diversos operadores” foi um dos aspetos mais positivos do ano que agora terminou.

Tal como a RENA, também a easyJet faz um balanço favorável de 2022, com José Lopes, country manager da companhia para Portugal, a explicar que o ano foi “bastante positivo” porque a easyJet fechou “este ano fiscal com o melhor resultado de sempre em Portugal” no número de passageiros transportados. No total, a easyJet chegou aos 7.431.928 passageiros nas 71 rotas que realiza de e para o país, valor que, segundo José Lopes, “ultrapassa os níveis de 2019 e que se traduz num crescimento de 174%”. “Estamos a viver agora o inverno mais movimentado da nossa história em Portugal e somos a primeira escolha de passageiros que viajam entre Portugal e França, Portugal e Suíça e Portugal e o Reino Unido”, acrescenta.

Somos a companhia de aviação que mais vai investir e crescer em Portugal em 2023, José Lopes (easyJet)

José Lopes destaca os 18 slots conseguidos no aeroporto de Lisboa como um dos momentos mais positivos de 2022, desde logo porque isso permitiu que a transportadora se tornasse na segunda maior operadora no aeroporto da capital. Com esses slots, a easyJet abriu várias rotas em Lisboa, num total de 33 no conjunto dos aeroportos onde opera, incluindo a primeira ligação para fora da Europa desde Portugal, com destino a Marraquexe, em Marrocos, e os voos para o Porto Santo, desde Lisboa e Porto, “acabando com o monopólio nessas rotas”.

O aumento de capacidade em várias rotas, a passagem para o terminal 1 do aeroporto da capital e o aumento dos aviões baseados em Portugal foram também, segundo José Lopes, momentos positivos para a easyJet em 2022.

As expetativas para 2023 também são positivas, com José Lopes a mostrar-se convicto de que o ano será “de forte investimento e crescimento de capacidade da easyJet em Portugal”. “Continuaremos a estimular o mercado, para que as pessoas voltem a voar e a conhecer mais destinos. Fazer isto num momento em que ainda estamos a sair da pandemia, adicionalmente ao impacto da guerra nos custos de energia e combustível, é um desafio”, diz José Lopes, que acredita que a relação qualidade/preço oferecida pela easyJet será valorizada. “Somos a companhia de aviação que mais vai investir e crescer em Portugal em 2023. Daqui a um ano, estaremos de novo aqui a falar de mais um ano com resultado recorde”, acredita o responsável, indicando que a companhia vai continuar a investir na sustentabilidade.

Tal como a easyJet, também a RENA se mostra otimista, ainda que Paulo Geisler prefira chamar-lhe “otimismo (moderado)”, uma vez que se prevê que exista, ao longo deste ano, algum “crescimento sustentado”. No entanto, diz o responsável, o “cenário macroeconómico e inflação vão desempenhar um papel importante” para a aviação em 2023, “a par da guerra na Ucrânia” e também da sustentabilidade. “A expectativa é que o setor do transporte continue a recuperar e que haja uma preocupação maior com sustentabilidade e incentivos para que o setor possa avançar rumo ao “Net-zero””, conclui o presidente da RENA.

Rent-a-car
No rent-a-car, o balanço de 2022 é igualmente positivo, com Joaquim Robalo de Almeida, secretário-geral da ARAC – Associação Nacional dos Locadores de Veículos, que representa 96% das empresas de rent-a-car em Portugal, a considerar que 2022 foi “um ano memorável”.

A performance das empresas de rent-a-car em foi foi excelente, Joaquim Robalo de Almeida (ARAC)

No rent-a-car, acrescenta, foram atingidos “valores recorde de rentabilidade”, o que leva a que se perspetive que, “também nesta atividade, 2022 seja o seu melhor ano de sempre”, com uma faturação a rondar os 800 milhões de euros.

Apesar da escassez de viaturas que se mantém, por culpa da crise dos semicondutores, e que levou a que a frota de pico em 2022 tenha ficado 32 mil viaturas abaixo do que acontecia em 2019, Joaquim Robalo de Almeida revela que a procura esteve em alta, traduzindo um aumento da rentabilidade. “Apesar da frota disponível para aluguer ter sido menor, se tivermos em atenção a subida de preços operada pela forte procura, ter-se-á registado um crescimento da faturação face a 2019, que assim gerou uma melhor rentabilidade”, explica, sublinhando que “a performance das empresas de rent-a-car em 2022 foi excelente” e o seu “desempenho foi dos melhores de sempre”. Contudo, o aumento da rentabilidade foi acompanhado pela subida da inflação, que se traduziu num crescimento generalizada dos custos, que “atingiram valores nunca antes vistos”, acrescenta.

A somar à inflação, no ano passado, o rent-a-car teve também de lidar com a falta de recursos humanos e com uma fiscalidade automóvel que é “das mais elevadas da Europa”, o que leva a que o rent-a-car em Portugal perca competitividade face a outros países europeus. Por isso, a ARAC volta a insistir na “redução dos impostos aplicáveis ao automóvel”, a exemplo do ISV e do IUC, mas também do IVA para os 13%.

Foi um ano muito bom para a marca e, felizmente, os pontos positivos sobrepõem-se aos negativos, Paulo Pinto (Europcar)

E se 2022 acabou por ser mais positivo do que se previa, Joaquim Robalo de Almeida espera que também o próximo ano “venha na sua continuidade”, apesar da urgência na construção do novo aeroporto de Lisboa e dos desejos que a ARAC gostaria de ver realizados: o fim da guerra na Ucrânia e a continuação do combate às alterações climáticas.

E também a Europcar, uma das principais empresas de rent-a-car em território nacional, diz que 2022 foi um “ano muito positivo”, com Paulo Pinto, Head of Portugal do Europcar Mobility Group (EMG), a explicar que o grupo solidificou a sua posição, até porque “houve alguma renovação da estrutura” em Portugal, a exemplo da nomeação do próprio como responsável pela operação no país. Em Portugal, merece também destaque a transformação da estação da Maia em ‘hub profissional’ e a abertura da estação em Vila Real, investimento que deu “início a uma ambiciosa estratégia de expansão, com grande foco no Norte do país”.

A nível global, 2022 fica marcado pela integração do EMG na Green Mobility Holding, que veio trazer à empresa “novas perspetivas e um ciclo de expansão e inovação”. “Fazer parte deste consórcio está a ser um grande impulso do ponto de vista financeiro, o que está a permitir acelerar os projetos tecnológicos”, explica Paulo Pinto.

Apesar de positivo, Paulo Pinto admite que 2022 foi um ano “com muita instabilidade”, com um primeiro trimestre marcado pela pandemia e o início de uma guerra na Europa, que deu origem a “uma subida da inflação que ainda não estagnou e se perspetiva como um fator negativo também em 2023”, sendo mesmo vista pela empresa como o “maior desafio” que se deverá colocar ao rent-a- car. “Tem impacto direto nos orçamentos das empresas e das famílias, condicionando em larga medida a atividade económica”, explica Paulo Pinto, prevendo que os “condicionamentos na produção automóvel” voltem a dar dores de cabeça.

Paulo Pinto diz que “a verdade é que, mesmo com estas condicionantes, este foi um ano “muito bom para a marca e, felizmente, os pontos positivos sobrepõem-se aos negativos”.

A Europcar diz que “vai continuar focada em manter a liderança em mobilidade sustentável”: “Impulsionada pela inovação, tecnologia, dados e colaboradores, com uma frota ajustada às necessidades, que será cada vez mais “verde”, 2023 vai ser um ano decisivo”, conclui.

Cruzeiros
Nos cruzeiros, o balanço de 2022 volta a ser positivo, com Marie-Caroline Laurent, diretora-geral da CLIA – Associação Internacional de Companhias de Cruzeiros para a Europa, a explicar que “2022 foi um ano crucial de recuperação para a indústria” e que marcou o regresso a praticamente “100% de atividade”, o que demonstra a “força coletiva” dos cruzeiros.

Apesar da volatilidade da economia, podemos dizer que atingimos os objetivos a que nos tínhamos proposto, Eduardo Cabrita (MSC Cruzeiros)

Na CLIA, 2022 foi marcado pela sustentabilidade, pois, no início do ano, a associação estabeleceu o “compromisso de, até 2050, alcançar a meta de emissões carbónicas nulas” nas viagens de cruzeiros. A diretora da CLIA diz que a “indústria está a fazer progressos concretos para alcançar as suas ambições climáticas”, o que é visível pelo maior número de navios equipados para se ligarem à eletricidade em terra, enquanto “uma quantidade enorme de recursos está a ser investida” na viabilidade de combustíveis sustentáveis.

As preocupações com a sustentabilidade vão continuar a marcar este ano, com a responsável a explicar que as prioridades da associação para 2023 são a sustentabilidade e o envolvimento das comunidades. “Teremos de articular uma abordagem abrangente de sustentabilidade que mostre que estamos a tomar medidas práticas que já estão a fazer uma diferença real”, afirma, explicando, contudo, que estas ações “não se limitam aos navios”, pois estão a ser adotadas “práticas sustentáveis em terra para apoiar o turismo sustentável nos locais” visitados.

Além da sustentabilidade, a CLIA aponta como desafios as “incertezas relacionadas com a guerra” e “o preço da energia e a escassez de oferta” que, diz a responsável, “também podem afetar a capacidade de obter combustíveis alternativos”. Além disso, é preciso não esquecer que ainda há destinos com restrições devido à pandemia, nomeadamente na Ásia, o que leva a que as companhias tenham de trabalhar para garantir a “retoma segura” das operações.

Conseguimos estimular a antecipação do negócio a níveis ligeiramente superiores a 2019, Francisco Teixeira (Melair Cruzeiros)

Também as companhias se mostram satisfeitas com 2022 e confiantes para 2023. No caso da Melair, que representa em Portugal a Royal Caribbean International e a Celebrity Cruises, 2022 acabou por ser “bastante positivo, apesar das incertezas durante o primeiro trimestre”. Segundo Francisco Teixeira, director-geral da Melair, “a procura comportou-se muito bem”, o que levou a que toda a frota das companhias representadas pela empresa tenha regressado à operação. Além disso, acrescenta, a Melair conseguiu lançar para venda os cruzeiros para 2023 ainda no ano passado, “tendo já concretizado 37% do objetivo de negócio para este ano”. “Conseguimos estimular a antecipação do negócio, a níveis ligeiramente superiores a 2019”, revela.

O regresso da frota à operação foi, segundo o diretor-geral da Melair, o aspeto mais positivo para a empresa em 2022, enquanto o mais negativo foram as dificuldades de recrutamento.

E também a MSC Cruzeiros faz um balanço positivo, ainda que Eduardo Cabrita, diretor-geral da companhia para Portugal, diga que 2022 foi “desafiante” porque os primeiros meses foram de incerteza devido à pandemia e à guerra na Ucrânia. “Tivemos dois meses com uma incerteza tremenda, entre fevereiro e abril, ninguém sabia o que iria acontecer e o mundo parou perante esta atrocidade. Isso fez com que a inflação disparasse”, explica, revelando que só a partir de abril a companhia notou “algo muito mais positivo”. A partir daí, a MSC Cruzeiros viveu “três meses” de “vendas muito fortes e estimulantes para o verão”, que ditaram que 2022 tenha sido “um ano muito positivo”, praticamente em linha com 2019 nos passageiros.

Teremos de articular uma abordagem abrangente de sustentabilidade que mostre que estamos a tomar medidas práticas, Marie-Caroline Laurent (CLIA)

A ajudar ao balanço do ano, esteve ainda o lançamento do MSC World Europa, o primeiro navio da MSC Cruzeiros movido a GNL, que foi inaugurado em novembro, no Qatar, assim como os cruzeiros com partida e chegada a Lisboa que, pela primeira vez, a companhia promoveu no verão, entre junho e novembro, ao contrário do que acontecia noutros anos. “Apesar da volatilidade da economia, podemos dizer que atingimos os objetivos a que nos tínhamos proposto, agora está ainda mais consolidado e vamos para o segundo ano de cruzeiros em Lisboa, com este período de tempo”, explica Eduardo Cabrita, que espera que 2023 já seja um “ano bastante dinâmico e saudável” e “muito melhor que 2019”, até porque os recentes estudos da CLIA mostram que continua a existir predisposição para este tipo de viagem, já que 84% dos passageiros que já fizeram um cruzeiro querem voltar, enquanto 67% dos inquiridos que ainda não fizeram nenhum cruzeiro querem fazer, o que traduz aumentos face ao período pré-pandemia. “Estas são grandes notícias para o setor”, considera.

Quanto a desafios, para o responsável, a “economia mundial e a inflação continuam a ser dos aspetos mais difíceis de prever” e que podem afetar a dinâmica dos cruzeiros, ainda que acredite que vai ser possível “ultrapassar estes ventos menos favoráveis”, até porque, em maio, chega o MSC Euribia, o segundo navio a GNL da companhia.

Confiante está ainda a Melair, com Francisco Teixeira a revelar que “o objetivo para 2023 é voltar com as dinâmicas comerciais e marketing pré-pandemia, e conseguir elevar o volume de negócio face a 2019”, apesar de também a Melair estar preocupada com o impacto da guerra e do aumento das energias, entre outros desafios que podem “reduzir os fluxos da procura”.

Autocarros de turismo
Nos autocarros de turismo, o ano de 2022 começou com “um otimismo moderado”, diz Amaro Correia, diretor de Marketing e Comunicação da Iberobus, explicando que este sentimento levou a empresa a repensar a sua estratégia, ajustando o Plano de Marketing e de Negócios.

O responsável diz que a Iberobus apostou, em 2022, na formação interna e na oferta de experiências inesquecíveis nos seus autocarros, o que beneficiou a experiência do cliente.

O aumento exponencial dos combustíveis está a atingir o coração da empresa, Amaro Correia (Iberobus)

O ano ficou marcado pela certificação enquanto Biosphere Sustainable Life Style, que comprova que a empresa cumpre integralmente as práticas sustentáveis na indústria do turismo. “Foi uma aposta visionária e importante, até porque, cada vez é mais importante o turismo sustentável”, defende, considerando que 2022 foi ainda o ano da “reativação do mercado em força”, que existe “um forte potencial de crescimento para 2023” e para o “aumento do número de vendas efetivas”.

Como aspetos menos positivos, o responsável destaca os recursos humanos, que estão cada vez mais escassos, assim como a carga fiscal e o “aumento exponencial dos combustíveis”, que está a atingir o “coração da empresa”. Amaro Correia pede, por isso, que a tutela tome “soluções rápidas e sem dor”, sob pena de se alienarem, em pouco tempo, os ganhos de 2022.

Apesar de tudo, a Iberobus diz que as expectativas para 2023 são “positivas se a guerra acabar”, uma vez que, apesar da empresa já ter um aumento de 35% nas marcações prévias, em circuitos e viagens para 2023, as indefinições económicas ditadas pelo conflito armado são uma ameaça e trazem incerteza à gestão da empresa.

Para tomar o pulso ao mercado, a Iberobus vai participar na FITUR 2023, integrada no stand do Turismo do Porto e Norte de Portugal e, ao longo do ano, pretende apostar na inovação e tecnologia, assim como numa comunicação com “fluxos mais rápidos e simples” e num serviço “pós-venda útil e assertivo”, estratégias que visam “manter os clientes fidelizados”.

 

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