Futuro? “A aposta será cada vez mais a sustentabilidade, o digital, a segurança, a qualidade em vez do volume”

Por a 1 de Abril de 2020 as 11:24

Com o país ainda em Estado de Emergência e a lutar pela contenção da pandemia, a atividade turística parou. Para a região algarvia, que depende maioritariamente do Turismo, “as consequências finais são ainda impossíveis de apurar”, afirma João Fernandes, presidente da Região de Turismo, alertando em seguida “que terá um custo elevado, tanto social quanto económico”. Em entrevista ao Publituris, João Fernandes diz que a “única certeza que temos é que o Governo, o Turismo de Portugal, as ERTs e ARPTs, as Associações Empresariais, os Empresários, a Comunicação Social, entre muitos outros agentes, estão a mobilizar-se e a ajustar, progressivamente, os recursos para minimizar esta crise, para dar a melhor resposta a quem mais precisa, mantendo a capacidade produtiva possível e preparando uma futura retoma”.

A Entidade Regional tem em curso diversas iniciativas de resposta às necessidades das empresas e dos trabalhadores do setor. Numa primeira fase, conta João Fernandes, o grande enfoque foi a articulação com a área da saúde “para a implementação dos planos de contingência nas empresas da oferta turística e a comunicação direta com os delegados de saúde para sabermos como agir em situações de casos suspeitos e validados”.

Paralelamente e de forma a apoiar as empresas da região do Algarve, em particular as Pequenas e Médias Empresas, o Turismo do Algarve criou um Gabinete de Apoio ao Empresário e lançou a campanha “Ontem como hoje – Estamos cá para ajudar”. “O propósito é divulgar e esclarecer estas empresas sobre as medidas de apoio disponíveis, nomeadamente no que diz respeito às linhas de crédito, manutenção do emprego ou flexibilização dos compromissos contributivos e fiscais. Temos vindo a dar apoio às possíveis candidaturas e a promover a ligação com outras organizações públicas, como a Segurança Social, a Administração Regional de Saúde, o SEF, os Consulados, a Proteção civil”, explica.

Com o objetivo de atenuar os impactos, a região de Turismo do Algarve e Associação Turismo do Algarve lançaram recentemente a campanha “Lembra-te de mim. Algarve”, a qual apela aos portugueses para ficarem em casa de forma a que depois, quando este período de fragilidade passar,” possam regressar em segurança à região com ainda mais saudade”. Por detrás da campanha “subjaz a ideia do não cancelamento das férias no Algarve, sendo antes incentivado o seu adiamento para uma altura mais oportuna”.

Além da ação direta da RTA (e ATA), João Fernandes destaca ainda o que está a ser feito na região. “Felizmente, no Algarve, à semelhança do que acontece um pouco por todo o país, temos hotéis a disponibilizarem roupa de cama e toalhas para os centros de atendimento ao COVID-19 ou a alojarem profissionais de saúde, rent-a-car a disponibilizarem viaturas para cuidados médicos, restaurantes a servirem refeições a pessoal necessitado…”

Futuro

Questionado sobre se as empresas têm condições para sobreviver a uma nova recessão, João Fernandes considera que “tudo dependerá do tempo que esta situação perdurar, tanto a nível nacional, como nos mercados emissores, e da resposta possível àquela que é uma das maiores crises da nossa história”. Por essa razão, o responsável sublinha que a região e o Turismo de Portugal estão a monitorizar os mercados emissores, canais de distribuição (Companhias aéreas e Operadores Turísticos) e destinos concorrentes, para o objetivo de redesenhar “toda a estratégia de promoção para a retoma”.

Nesta fase, João Fernandes defende que “é essencial manter a capacidade produtiva (possível), nomeadamente os postos de trabalho, a redução de custos, bem como a tesouraria das empresas e por isso criámos os mecanismos para o acesso a estas possibilidades”.

Mas olhando para o futuro, o responsável antecipa uma disrupção ao nível dos padrões de comportamento e a aceleração de algumas das tendências de que se tem vindo a falar nos últimos anos. “Não há hoje dúvida de que para sermos competitivos num futuro próximo, a aposta será cada vez mais a sustentabilidade, o digital, a segurança, a qualidade em vez do volume”.

Neste sentido, considera: “Temos todos que olhar para este momento como um tempo de sobrevivência, mas também como um tempo de reformulação do nosso modelo de negócio: por exemplo quanto à eficiência hídrica ou energética, como fatores de redução de custos e de maior alinhamento com a exigência crescente da procura. Quanto aos planos de higiene e segurança como condições básicas da nossa oferta. Quanto à digitalização da economia e do próprio trabalho como forma de acompanharmos as tendências de procura. Quanto ao envolvimento das marcas com a população, como reforço do valor percecionado não só pela procura. Quanto à oferta com menor concentração de turistas e menos sazonal, promovendo o Turismo de Natureza ou o Golfe”.

Por fim, além das medidas já anunciadas pelo governo de apoio às empresas, João Fernandes sugere outras, como a redução do IVA em produtos turísticos que contribuam para atenuar a sazonalidade (ex.: golfe e eventos) ou que tenham alto desempenho ambiental e/ou social, a inclusão dos sócios-gerentes das empresas no pacote de medidas em vigor de proteção ao emprego; moratória de 6 meses na cobrança das faturas da água, luz e gás, por exemplo, com a contrapartida de um alargamento do prazo do contrato; e a conversão de créditos bancários de curto prazo das empresas que não podem cumprir por dificuldades de tesouraria, em crédito de médio ou longo prazo, ou suspensão das obrigações por um período de 6 meses, sem penalização por atraso ou incumprimento.

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