Edição digital
Assine já
PUB
Turismo

Obrigado, André Jordan

Faleceu esta sexta-feira, 9 de fevereiro, o empresário André Jordan. Ao longo dos 90 anos que esteve entre nós, ficou conhecido por ser o “Pai do Turismo” em Portugal. Em 2007 foi distinguido com o “Prémio Carreira” nos “Portugal Travel Awards” do Publituris, ano em que foi diretor convidado da edição 1.000 do jornal.

Publituris
Turismo

Obrigado, André Jordan

Faleceu esta sexta-feira, 9 de fevereiro, o empresário André Jordan. Ao longo dos 90 anos que esteve entre nós, ficou conhecido por ser o “Pai do Turismo” em Portugal. Em 2007 foi distinguido com o “Prémio Carreira” nos “Portugal Travel Awards” do Publituris, ano em que foi diretor convidado da edição 1.000 do jornal.

Publituris
Sobre o autor
Publituris
Artigos relacionados

Nasceu a 10 de setembro de 1933, em Lwów (antes Polónia e agora Ucrânia) de onde partiu para fugir ao regime Nazi que invadiria o país, em 1939, dando início à II Guerra Mundial.

Fundador, idealizador e promotor dos empreendimentos Quinta do Lago, Belas Clube de Campo, Vilamoura XXI, entre outros, foi considerado, em 2014, uma das 12 personalidades mais influentes no turismo a nível mundial.

Na última entrevista dada à PUBLITURIS HOTELARIA, em março de 2021, André Jordan afirmaria que “o país tem de ter a coragem de fazer alguma coisa que salve e consolide o país”.

O PUBLITURIS presta homenagem a André Jordan, precisamente, com a republicação dessa última entrevista.

Até sempre e obrigado André Jordan!

“O país tem de ter a coragem de fazer alguma coisa que salve e consolide o turismo”

O empresário André Jordan analisa a atual conjuntura e defende a promoção como medida urgente para a retoma do turismo nacional. A descida do IVA para 10% para todo o setor ou a criação de um Conselho Consultivo do Turismo também ficam em cima da mesa.

“Eu, que ando há muitos anos por aí, não me lembro de nenhuma situação assim em lugar nenhum”. O desabafo é feito por André Jordan, a propósito da atual conjuntura pandémica que amordaçou o turismo. Os muitos anos a que se refere, são 87 de uma vida feita de somas: de países, projetos, cargos, empresas, distinções e prémios. E de histórias que foram compiladas em 2019 num pesado livro de quase 800 páginas que exige ser segurado por duas mãos. “Uma viagem pela vida” foi reeditado no ano passado, porque, afinal, há sempre mais uma palavra a acrescentar, e as de André Jordan não se esgotam. E de entre tudo o que é, é também um exímio conversador. Discorre com facilidade pelos caminhos da memória e não há pergunta que não o faça revisitar uma história que o guia a outra e facilmente atracamos num destino longe da partida. Das suas quase nove décadas de vida, que começaram na Polónia, fazem parte mais de 30 cargos relevantes, cuidadosamente enumerados no seu currículo oficial. Desta longa lista, não consta o título informal pelo qual mais é conhecido: o de pai do turismo português. Deu vida à Quinta do Lago, ao Vilamoura XXI, a nove campos de golfe e ao Belas Clube de Campo. É neste último que se encontra na tarde desta conversa, realizada à distância e com os computadores a servirem de intermediários. Cenário diferente do vivido em 1974, ano em que deu a primeira entrevista em Portugal, ao Publituris, conduzida pelo seu fundador, o falecido jornalista Nuno Rocha.

Apesar das imposições tecnológicas, a sua companhia é acolhedora. “Estou olhando as janelas aqui à volta da minha sala e só vejo verde”, conta, com a melodia brasileira na voz, que nunca perdeu, orgulhoso do Belas Clube de Campo, no concelho de Sintra, que diz ser simbiose perfeita entre a vida urbana de Lisboa que está a dois passos e a tranquilidade da natureza.

A atualidade foi o tema de conversa. Apostar e aprimorar a promoção do país são estratégias urgentes. A baixa do IVA para todo o setor ou a criação de um Conselho Consultivo do Turismo foram outras ideias deixadas em cima da mesa. Isto porque, para salvar o turismo é preciso ouvir quem dele perceba, defende.

Que impacto terá a pandemia na forma como se faz turismo no mundo?
Também estou muito interessado em saber a resposta (risos). Estamos perante uma situação sem precedentes, em relação a um inimigo oculto. O turismo é a vítima inocente de todas as crises mundiais, é sempre o primeiro afetado. Penso que vai haver um surto de uma ilusão realista; vão aparecer muitas pessoas que querem viajar de repente e retomar a sua atividade turística. Mas mesmo que isto apareça com força, não significa que vá perdurar.

Teremos um ‘boom’ apenas momentâneo?
Uma explosão. Mas depois vai acalmar. Não há dúvida que muita gente está afetada economicamente e não vai ter meios para fazer turismo.

Acabou de ser aprovado o passaporte verde europeu. Considera que este é um instrumento fundamental para a retoma das viagens entre países?
Tudo o que for feito no sentido de haver um maior cuidado é importante. A existência deste passaporte faz uma certa pressão para as pessoas se vacinarem. Quem viaja sem passaporte será prejudicado na sua liberdade de movimento. Há dúvidas também sobre as vacinas, que ainda não têm um historial – não se sabe quanto tempo duram, qual o efeito que têm. É tudo um pouco duvidoso por enquanto. Por exemplo, esta situação em relação a uma das vacinas, que foi suspensa na Europa. E vem alguém dizer: ‘’Em Portugal está ótimo, ontem só morreram 90 pessoas” (risos). O ser humano passou a ser uma estatística.

Esta questão da AstraZeneca veio beliscar a confiança na vacinação…
Estou no grupo de risco. Tenho 87 anos e sou cardíaco. Estou à espera da Pfizer, porque não aceitaria que me dessem a AstraZeneca porque não é recomendada para pessoas velhas. Até agora não me chamaram.

Mas é também um cético nesta questão das vacinas.
A solução só chega no dia em que encontrarem uma cura. Claro que a vacinação pode prolongar o tempo de vida. Por exemplo, a poliomielite paralisava os membros inferiores e era uma verdadeira epidemia. Houve muita gente que passou a vida numa cadeira de rodas, como o presidente do Estados Unidos, Franklin Roosevelt. E a doença já foi completamente erradicada. Há algumas vacinas que acabaram com a doença.

Apelidou o Plano de Recuperação, desenhado pelo Professor António Costa e Silva, de tese académica. Qual é a sua opinião sobre as considerações relativas ao turismo apresentadas no documento?
Praticamente não há nada a respeito do turismo neste plano. Os economistas portugueses têm pena e vergonha que Portugal não seja a Alemanha, que não seja um país industrial a fabricar milhões de automóveis e de tecnologia. Somos um pequeno país e mais equilibrado do que se possa pensar; socialmente e até economicamente. Apesar de haver pobreza, não há miséria.

Que leitura faz da ação do governo relativamente ao turismo, neste último ano de pandemia? Os apoios têm sido ajustados?
Deram agora 300 milhões de euros para a área do turismo que é uma espécie de esmola. Não quero falar sobre este assunto, isto é uma situação pontual e as coisas têm de ser pagas e vão ser muito dificilmente pagas. Quando as moratórias acabarem vamos ver como é que isto fica. É preciso que o governo invista em promoção depois; agora, no auge da pandemia, não valia a pena.

Promoção e marketing
Sempre defendeu que a promoção do país é insuficiente.
A infraestrutura do turismo é muito boa, o que é fraco é o marketing e a promoção. Tem de haver uma promoção feita pelas empresas e não pelo governo, porque o governo não conhece o negócio do turístico. Quem o conhece é quem vive dele. Tivemos em Portugal um fenómeno económico muito interessante com números altos de turismo, mas rentabilidade quase inexistente. Isso criou uma ilusão. Dizermos que recebemos tantos milhões de turistas, mas depois o resultado desse movimento foi muito fraco porque sempre falhámos na promoção, sempre fizemos a promoção errada. Não criámos atrações para o turista com melhores meios económicos e não aproveitámos as potencialidades turísticas do país.

Proponho uma baixa do IVA para todo o setor turístico para 10% – para hotéis, restaurantes, rent-a-car, golfe etc. O país tem de ter a coragem de fazer alguma coisa que salve e consolide o turismo. A não ser que não queira ter turismo. Há quem não queira.

O segmento do golfe pede que seja reposta a anterior taxa de 6% de IVA.
Sou mais a favor de haver uma baixa de IVA para todo setor turístico. E era preciso haver uma aceitação da importância do turismo para a economia do país. Grande parte do desenvolvimento dos Estados Unidos, por exemplo, é feita através do estímulo fiscal. Não só na indústria e no comércio, mas na cultura, educação, saúde… O instrumento para impulsionar o turismo é o IVA. Não é preciso o governo dar dinheiro, mas sim deixar o usar o dinheiro que o próprio turismo gera para a sua promoção e desenvolvimento. Sobre o golfe, acho que há uma grande necessidade de desenvolver o golfe nacional, com escolas, repartições públicas, militares… Não é caro e iria aumentar muito a sustentação do golfe a nível interno. Atualmente, isso não é possível.

Afirma que a responsabilidade da promoção do país cabe às empresas. Mas nos próximos tempos estarão fragilizadas e sem capital para fazer esta aposta…
Por isso é que proponho que possa ser utilizado metade do valor do IVA para programas de marketing e promoção. Aí não obriga o governo a aumentar a dívida e essa receita, aparentemente diminuída, vai voltar com o aumento do turismo. É preciso coragem para revalorizar o turismo. Se não o fizermos vamos ser destruídos pela guerra de preços.

É preciso olhar para o turismo com seriedade?
Há zonas simpáticas no interior do país e este turista e este mercado vão acabar por se encontrar. Precisamos de ter um determinado volume de receitas para que isso seja significativo para a economia do país, para o emprego e para criar empresas fortes. O turismo nunca foi levado realmente a sério, sempre foi uma coisa assim meio envergonhada. O turismo é serviçal, há esse complexo que não há, por exemplo, nos Estados Unidos, na Inglaterra, na França, na Itália e em Espanha, que investem pesadamente no turismo.

Acusou o Turismo de Portugal de estar mais preocupado com as estatísticas e não avaliar o verdadeiro impacto económico que o turismo representa. É uma estratégia que deve mudar?
Quando o Turismo de Portugal faz um filme de promoção com locais maravilhosos de Portugal, só há um problema: são todos inacessíveis, ninguém consegue chegar lá no alto da montanha ou na praia deserta num canto qualquer (risos). Isso é muito bonito mas o Turismo de Portugal deve promover Portugal e os empresários devem promover o produto.

Estes últimos anos de crescimento foram uma oportunidade desperdiçada, nesta ótica da promoção?
Concordo. Devíamos, nessa altura, ter feito um trabalho das empresas com o governo e ter promovido a qualidade do turismo, a qualidade do produto para atrair, na retoma, um cliente mais sofisticado e mais exigente. Portugal foi eleito – de verdade, não é naqueles prémios que não são bem independentes – como segundo melhor destino para viver no mundo. E temos de saber aproveitar, transformar isso numa campanha.

Preços
Para nos sabermos vender ao mercado certo? Até agora Portugal é conhecido por ser bom e barato.
As pessoas descobriram que a relação qualidade/preço em Portugal é imbatível. O Alojamento Local é um brinco; limpo, de boa qualidade, com móveis corretos, etc. Se for para a Áustria ou para Alemanha [o AL] é uma porcaria. Não há qualidade nem atração nenhuma. O português é muito caprichoso, gosta de fazer as coisas corretas, simpáticas e limpas.

É difícil comer mal e dormir mal em Portugal.
É impossível comer mal em Portugal a não ser nos hospitais (risos).

Falou do perigo de sermos destruídos pela guerra de preços.
Já tivemos isso em Portugal. Em várias épocas de crise a recuperação foi com a guerra de preços. Quando Adolfo Mesquita Nunes era secretário de Estado do Turismo, começaram a convidar a imprensa estrangeira para vir cá. Vieram todos. Deram a passagem e pagaram a hospedagem e veio o mundo inteiro, bons e maus. Há uns que disseram que escreviam para um jornaleco qualquer e vieram cá também (risos). Vi dezenas de publicações e nenhuma deixou de frisar o facto de Portugal ser barato. Isto foi muito prejudicial.

Como é que se começa a despir esta capa do preço baixo para atrair um segmento mais alto?
Precisamos de agências de marketing e de promoção de alta qualidade. Não se pode comprar publicidade ou marketing barato, porque o barato sai caro: eles não têm qualidade nem acesso aos meios, é dinheiro deitado fora. É preciso criar eventos de qualidade, de nível, a área desportiva é muito atraente, temos condições desportivas naturais para atrair ténis, golfe, caça, iatismo, etc. Criar eventos de participação. Porque eventos de assistência vai ser mais difícil; infelizmente o MICE vai ser difícil. As empresas descobriram que não precisam de fazer aqueles congressos que deslocam centenas de pessoas durante dois ou três dias. Este segmento vai sofrer muito. Por exemplo, numa prova de competição desportiva, todos os dias, nos vários países, estão ser comunicados, na comunicação social, os resultados. É uma forma de utilizar o próprio atleta e a sua presença para promover Portugal no país dele.

Os eventos são o único gatilho possível para elevar o segmento do turista que atraímos?
Temos de ir também pela cultura – já defendi a construção do Museu dos Descobrimentos várias vezes. Temos alguns museus contemporâneos muito bons. O Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto, é uma grande atração e que tem uma altíssima qualidade. Eventos musicais. E temos de contratar agências e pessoas que nos ajudem a pensar nesta promoção e que nos ajudem a perceber o que é que temos de fazer. Sou a favor da criação de um Conselho Consultivo de Promoção Turística que reúna pessoas não só ligadas ao turismo, mas também pessoas da aviação, do desporto, do comércio de luxo, que nos venham ajudar a pensar na promoção do turismo.

Pessoas de fora do país?
De dentro e de fora. Temos um português que foi presidente da Publicis Groupe, que é uma das maiores agências do mundo, e que é apaixonado pelo turismo. Nunca ninguém falou com ele. Há pessoas que têm muito a contribuir, a nível de criatividade, e não só,e que não são convocadas nem ouvidas.

Potencial e crescimento
Defendeu, em tempos, a criação de um Ministério do Turismo. Mantém esta opinião?
Um Ministério do Turismo iria ajudar, principalmente, porque transmitiria aos outros ministérios a visão e o interesse do turismo, que eles não têm. Basta ver como o professor António Costa e Silva ignorou o turismo, por que não sabe o que é o turismo. Essa coisa do turismo de qualidade é uma coisa que ainda ninguém percebeu.

As Secretarias de Estado não se têm sabido posicionar?
Não vou dizer que não têm estado à altura, mas não há uma estratégia e não há apoio de verdadeiros profissionais de marketing, de promoção e de hotelaria. Por isso é que defendo a criação deste Conselho. Seria útil à própria Secretaria de Estado, teria o apoio de um grupo especializado. É preciso lembrar uma coisa: o turismo é um negócio de grande importância para o país e temos de o tratar desta forma.

Depois da última crise, o setor cresceu exponencialmente. Que diferenças assinala entre a conjuntura atual e esta última crise?
São duas crises completamente diferentes. A anterior foi uma crise económica e financeira, não parou o turismo – diminuiu, mas não parou. Esta paralisou o turismo por imposição dos próprios governos. Eu, que ando há muitos anos por aí, não me lembro de nenhuma situação assim em lugar nenhum. Portugal tem todas as condições para ser bom, mas tem de aspirar a outro nível. Não sou contra o turismo barato, mas não é economicamente viável.

Dispomos de oferta hoteleira para este segmento mais alto?
Absolutamente. Portugal não quer sheiks árabes. Não precisamos de bilionários que querem suites de mil metros quadrados. Um piloto de uma grande companhia aérea, um médico de sucesso, um engenheiro. Esse é o nosso turista, de boa situação financeira. E que gosta de Portugal porque é discreto e sóbrio, que tem bom clima. Para este mercado os hotéis são absolutamente aceitáveis, têm bom serviço, têm conforto. Não têm é torneiras de ouro e essas coisas. Nós temos a infraestrutura.

Vê a Comporta como um possível destino para este segmento?
Não conheço a estratégia, não posso opinar. A Comporta já não é uma zona com potencial, é hoje uma empresa e um negócio que tem os seus parâmetros, que desconheço. Mas penso que é uma zona muito atraente e que tem uma promoção muito longa, que durou muitos anos, com personalidades como o Christian Louboutin que pouco a pouco foi atraindo uma clientela para a Comporta. A Comporta tem o seu futuro, com certeza. Mas não posso opinar sobre o ‘business plan’, não conheço.

Que outros destinos têm potencial?
Como empresa e grupo, estamos dedicados a um conceito que demorou a atingir a maturidade. O Belas Clube de Campo é uma combinação do urbano com a natureza. Agora com a pandemia o mercado vem mais ao nosso encontro. O Alentejo e o Ribatejo, têm futuro, bem como Almada.

Ainda ninguém olhou para a margem sul de Lisboa com olhos de ver?
Almada tem um projeto do arquiteto Fonseca Ferreira que salvou Lisboa, porque a cidade estava no caminho para ser ocupada de uma forma selvagem. Ele fez um masterplan para Almada, dos antigos estaleiros com uma grande marina, muito atraente. Mas não chegou ainda o momento. Para já, a prioridade é potenciar a mudança das empresas e dos empresários para Portugal, e é preciso compatibilizar a habitação de nível com a habitação subsidiada para os trabalhadores e para as pessoas que não têm capacidade para pagar.

No Algarve, por exemplo. Não há habitação para os trabalhadores.
Não há margem de lucro suficiente para construir habitação para os trabalhadores, não compensa. Tem de ser algo subsidiado pelo governo, tem de haver um acordo entre o setor privado e o setor público de gerar habitação para as classes trabalhadoras.

O turismo residencial é outro dos eixos que defende para o futuro do setor. Como vê as novas regras aprovadas sobre os ‘golden visa’, que visam migrar o investimento imobiliário para o interior e ilhas?
(risos) Isso parte do princípio que as pessoas vêm para Portugal para se esconder. Eles não vêm para se esconder, vêm para viver numa comunidade compatível com o seu estilo de vida. Haverá um ou outro que vai para o interior, mas a maioria não irá. Isso vai acabar com os vistos dourados e é uma falha.

O Porto tem sido o destino com maior crescimento nos últimos anos. Como olha para este crescimento?
O Porto foi muito prejudicado até existir a autoestrada. Quando cheguei a Portugal, era muito complicado ir para o Porto, a estrada era muito má. O Porto tem tido um desenvolvimento muito positivo. A Casa da Música e Serralves são duas peças muito importantes. Nos últimos 10 a 15 anos tem tido um desenvolvimento muito elegante e interessante.

Aeroporto e TAP
Qual a sua opinião relativamente à construção do novo aeroporto complementar à Portela?
Não sou especialista, apesar de já ter sido administrador de uma companhia aérea na Argentina. Desde 1972, quando o governo emitiu um concurso para o projeto de um aeroporto em Rio Frio, tem-se discutido o novo aeroporto de Lisboa. Há 50 anos que andamos nisto. Quanto à necessidade de um novo aeroporto, também não sou especialista. Quando viajo vejo que há muitas horas mortas nas chegadas e nas partidas de Lisboa. A meio da tarde, entre a hora de almoço e o final da tarde não se vê um avião a chegar ou a sair. Não acho muito saudável ter um aeroporto a poluir o centro da cidade. Já morei mais do que uma vez em lugares onde quase que se podia tocar no avião. Tem de haver um consenso sobre a localização. Aonde? Também não sei dizer.

Nem o Montijo nem Alcochete seriam soluções viáveis?
Não sei. Claro que há uma vantagem comercial grande em ter o aeroporto perto da cidade, em pouco tempo chega-se ao hotel. Não é a melhor solução do ponto de vista da saúde e do ambiente.  Também não seria bom para o turismo se o aeroporto fosse muito longe, como em Alcochete, acho um bocado longe.

Então é mais favorável ao Montijo?
Se me convocassem para opinar, teria de estudar o assunto. Em Portugal temos um problema: falta de conhecimento e excesso de opinião. Se o turismo for prejudicado pela falta de possibilidade de viajar para Lisboa isso é muito preocupante.

Como vê a atual situação da TAP?
Não há dúvida de que a TAP é um retrato bastante interessante daquilo que é Portugal e os portugueses. A TAP tem comissárias de bordo veteranas, que eu conheço. É sempre uma situação engraçada, quando chego ao avião sou recebido com beijinhos. A TAP é um objeto de afeto e de carinho dos portugueses, até porque é uma excelente companhia em termos de segurança e de serviço – sobre o conforto, já não vou tão longe (risos). Sempre foi uma boa companhia. Da parte da população há uma visão um bocado emocional sobre a TAP. Não sei avaliar qual é o interesse nacional do ponto de vista do governo em ter uma companhia própria. O hub de Lisboa foi muito importante para o surto do turismo e principalmente em relação ao Brasil. O facto de ter sido gerida por uma administração brasileira permitiu que fossem criadas muitas ligações que trouxeram brasileiros a Lisboa. Isto foi tudo muito útil. Agora, se se justifica o investimento? Não sei dizer.

Sobre o autorPublituris

Publituris

Mais artigos
PUB
Distribuição

Solférias e Disneyland Paris lançam incentivo para agentes de viagens

O operador turístico Solférias e a Disneyland Paris lançaram um incentivo – “Uma Chave para a Magia 2024”, para premiar os melhores agentes de viagens, como forma de reconhecer todo o seu esforço e compromisso em tornar realidade os sonhos de tantas famílias.

O objetivo deste incentivo é premiar os melhores agentes de viagens para novas reservas de pacotes em programação Solférias com destino à Disneyland Paris efetuadas a partir desta segunda-feira, 4 de março até 31 de agosto de 2024, para chegadas de 1 de julho a 31 de agosto deste ano.

Todos os meses, a partir de abril, será publicado um ranking com as posições dos agentes de viagens, para que possam estar a par da sua posição neste incentivo de vendas. Os vencedores serão anunciados durante o mês de setembro.

Os 25 melhores vendedores serão convidados para a Disney Celebration, uma mega famtrip Disneyland Paris dedicada exclusivamente a agentes de viagens, que promete surpresas, magia e momentos inesquecíveis.

Sobre o autorPublituris

Publituris

Mais artigos
Transportes

V Convenção Nacional da ARAC decorre em Óbidos a 18 de outubro

A V Convenção Nacional da ARAC – Associação Nacional dos Locadores de Veículos vai ter lugar em Óbidos a 18 de outubro, sob o tema “Locação – Motor da Nova Mobilidade”.

A V Convenção Nacional da ARAC – Associação Nacional dos Locadores de Veículos vai ter lugar em Óbidos a 18 de outubro, sob o tema “Locação – Motor da Nova Mobilidade”, informou a associação, que apresentou o evento na passada sexta-feira, 1 de março, durante a BTL – Bolsa de Turismo de Lisboa.

Segundo a ARAC, aquele que é considerado o “mais importante fórum da locação automóvel em Portugal” acontece no Praia D’el Rey Marriott Golf & Beach Resort e, tal como nas edições anteriores, volta a contar com “oradores nacionais e estrangeiros e moderadores de referência”, esperando-se uma audiência de cerca de três centenas e meia de participantes.

“Consciente do papel fundamental que o setor que representa tem no futuro da Mobilidade e do Turismo, a ARAC organiza assim mais uma edição da sua Convenção Nacional que contará com representantes das empresas associadas e membros aliados da ARAC, fabricantes e outros parceiros do setor automóvel, representantes da indústria do turismo, entidades financiadoras e demais parceiros que de forma decisiva contribuem para o funcionamento deste setor, não
esquecendo as várias entidades públicas que no dia-a-dia trabalham em estreita colaboração com a ARAC e as empresas suas associadas”, indica a associação.

A revolução em curso ao nível dos meios de mobilidade, o facto da posse de um veículo ser cada vez menos uma prioridade, assim como a digitalização da locação de meios de mobilidade e os novos modelos de negócio são algumas das novas tendências do setor da locação automóvel que vão estar em destaque na V Convenção Nacional da ARAC.

 

Sobre o autorPublituris

Publituris

Mais artigos
Destinos

Região espanhola Castilla-La Mancha de olhos postos no mercado português

Castilla-La Mancha tem os olhos postos no mercado português que já representa 7% da quota total de visitantes internacionais na região espanhola. Portugal posiciona-se como terceiro país emissor de turistas para Castilla-la Mancha, região que, em 2023, considerado um ano histórico, acolheu quase três milhões de turistas, um aumento de 7% face ao ano anterior.

Face a estes resultados, três responsáveis do Turismo de Castilla-La Mancha, que estiveram na BTL para apresentar o potencial turístico da região, realçaram “a importância de estar aqui a apresentar tudo o que a região tem para oferecer, como diz o nosso logo “Destino das Maravilhas”.

Ana Isabel Fernández Samper, diretora geral de Turismo, Comércio e Artesanato de Castilla-La Mancha, María Soledad García, vice-presidente da Associação Provincial de Empresários de Hotelaria e Turismo de Albacete, e Raquel Ruíz López, deputada Provincial de Turismo da Delegação de Albacete e presidente da Câmara de Elche de la Sierra, estiveram em Lisboa, durante a BTL, e apresentaram, em sessão pública, os atrativos turísticos da região espanhola, e deram a conhecer a nova campanha de promoção do destino para 2024 sob o mote “Castilla-La Mancha, o Destino das Maravilhas”.

A campanha é inspirada no clássico da literatura infantojuvenil “Alice no País das Maravilhas”, e pretende destacar a magia e a diversidade da região, prometendo aos visitantes uma experiência única, onde a realidade e fantasia se cruzam.

Com uma abordagem criativa e envolvente, este conceito pretende capturar e transmitir aos visitantes a essência de Castilla-La Mancha, enfatizando a sua beleza natural, o vasto património histórico, a gastronomia à altura dos paladares mais exigentes, a par das suas ricas tradições culturais, capaz de seduzir tanto os turistas nacionais como internacionais, num convite irrecusável à exploração das “maravilhas” que este destino tem para oferecer.

Conforme foi referido na apresentação, Castilla-La Mancha é um destino turístico que encerra múltiplas experiências com especial destaque para a província de Albacete, uma das joias naturais e etnográficas de Espanha para aqueles que procuram uma experiência de natureza, somando ainda um enorme potencial ao nível da cultura, património histórico, atividades desportivas, festividades de elevado interesse turístico e cultural, tudo acompanhado por uma riqueza gastronómica.

Albacete, foi também dito, tornou-se, recentemente, na primeira província de Espanha e do mundo a obter a certificação completa como “Destino Turístico Starlight”, atribuída a lugares com níveis muito baixos de poluição luminosa, permitindo aos visitantes desfrutar de uma experiência inigualável ​​de observação do céu noturno, o que vai permitir agora alavancar a promoção do turismo astronómico em toda a região. Tudo isso está espelhado na campanha promocional da província, com a marca “Albacete sente-te, sente Albacete”, que realça a diversidade de atividades à disposição dos visitantes.

A apresentação na BTL serviu também de pretexto para dar a conhecer em maior detalhe as riquezas culturais, a herança e tradições da cidade de Elche de la Sierra, localidade que esteve igualmente em destaque.

Exemplo disso foram as Alfombras de Serrín, uma tradição que, na noite do sábado posterior ao Corpo de Cristo, transforma as ruas de Elche de la Sierra num colorido tapete de Serrín com cenas religiosas. Esta tradição surge depois de um comerciante desta província de Albacete, Francisco Carcelén, ter testemunhado as festividades da Oitava do Senhor durante uma visita a familiares que viviam em Terrassa, Catalunha, uma localidade onde era costume cobrir as ruas com pétalas de flores para assinalar a data no bairro de Can Palet. De regresso a Elche de la Sierra, com mais nove amigos, recriou o efeito das pétalas em tapetes tingidos.

Atualmente, realizam-se 30 Alfombras de Serrín, em três praças e 27 trechos de rua, totalizando 1.700 metros quadrados de superfície coberta por esta colorida tradição, que é reconhecida, desde 2014, como Festa de Interesse Turístico Nacional e Bem de Interesse Cultural. Em 2022 foi inaugurado o Museu das Alfombras de Serrín de Elche de la Sierra, o único museu de arte efémera de Espanha.

Em 2024, quando a tradição da cidade cumpre 60 anos, assinala-se mais um importante marco para este legado cultural. No próximo mês de março, em conjunto com a Associação de Amigos das Alfombras do Corpus e outras associações de arte efémera do mundo, será apresentada a candidatura das Alfombras de Serrín a Património Cultural Imaterial da UNESCO, numa altura em que se prepara também a candidatura ao título de Interesse Turístico Internacional desta manifestação artística de comunhão e celebração.

“Estamos a trabalhar em Castilla-La Mancha para tornar o destino mais sustentável, estamos a investir 120 milhões de euros, que vamos executar nos próximos anos em infraestruturas, vamos criar a maior rede de trilhos naturais, bem como colocar em marcha uma rota cicloturística, que será uma das maiores da Europa, que vai abarcar as cinco províncias e passar por 164 municípios, e ainda uma rede de miradouros astronómicos para a observação de estrelas, que vai chegar a 150 nos próximos disseminados por todo o território para a prática do ecoturismo e turismo astronómico”, evidenciou a diretora geral de Turismo, Comércio e Artesanato de Castilla-La Mancha.

Ana Isabel Fernández Samper referiu ainda que “estamos também a fazer grandes investimentos nos nossos parques arqueológicos, na modernização dos nossos espaços naturais e com uma aposta muito grande na digitalização, a eficiência energética (15 milhões de euros vão ser gastos para que as empresas do setor possam ter serviços e práticas mais eficientes nesta contribuição na transição verde) e vamos apostar forte na inovação e na formação de profissionais do setor turística orientada para a excelência”.

Formada por cinco províncias: Albacete, Cuidad Real, Cuenca, Guadalajara e Toledo, Castilla-La Mancha é destino famoso pelo seu artesanato, pelos monumentos únicos das suas cidades e por ser o cenário das aventuras do famoso personagem literário Don Quixote de La Mancha.

Nesta região espanhola pode-se visitar cidades Património da Humanidade como Cuenca, com as suas famosas Casas Suspensas, ou Toledo, com a sua Catedral e o seu Alcázar. Os amantes da cultura e da história podem apreciar os quatro Parques Arqueológicos, com algumas das ruínas rupestres mais antigas de Espanha, e locais de encontro como o Festival Internacional de Teatro Clássico de Almagro. No que diz respeito à natureza conta-se que é um dos territórios da Europa com maior número de Reservas Naturais, Parques Naturais e Parques Nacionais, como o das Tablas de Daimiel e o de Cabañeros. A gastronomia é rica e os vinhos contam com diversos prémios internacionais.

 

Sobre o autorCarolina Morgado

Carolina Morgado

Mais artigos
Emprego e Formação

Procura supera oferta na ESHTE

“Nestes últimos anos, ainda de forma mais vincada, a procura empresarial pelos alunos da ESHTE é claramente superior à oferta”, salienta o presidente da instituição, Carlos Brandão, numa análise partilhada por João Pronto, professor adjunto e coordenador de estágios da instituição.

Nas instalações da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril viveram-se dias intensos entre 19 e 23 de fevereiro, com diversas iniciativas que “comprovam a preparação dos estudantes para os desafios do futuro e o elevado interesse do mercado nos alunos formados na ESHTE, que exibe uma taxa de empregabilidade de 95,9% e origina um cenário de quase pleno emprego para os estudantes da instituição”, refere o estabelecimento de ensino superior em nota de imprensa.

O Fórum Estágios e Carreiras da ESHTE reuniu 82 entidades representativas do setor e fortaleceu a ligação entre a academia e o mercado de trabalho. “O Fórum começou com um pedido nosso às empresas e, neste momento, estamos já numa posição contrária, ou seja, temos dificuldades em aceitar todos os que querem cá vir”, disse o presidente da instituição, Carlos Brandão.

“Nós não precisamos de dizer para onde é que queremos que os nossos alunos vão. Já cá estou desde 1996 e não me recordo de termos tido um aluno que não tenha pelo menos estagiado. Nunca aconteceu”, considera, por sua vez, João Pronto, professor adjunto e coordenador de estágios da instituição.

A presença de um considerável número de alunos da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril no Fórum Estágios e Carreiras, em representação de uma ampla variedade de empresas, evidencia o impacto duradouro da formação oferecida pela instituição. Por outro lado, a crescente procura, proveniente do estrangeiro, de recém-formados justifica profunda reflexão em Portugal.

“Fomos a primeira instituição de ensino superior dedicada exclusivamente ao turismo em Portugal e a ESHTE foi criada precisamente por uma necessidade de resposta à qualificação de nível superior para a área do turismo. Faz parte da nossa estratégia sempre adaptar-nos ao que o mercado precisa, às novas tendências. Há uma grande procura pelos nossos alunos, mas sobretudo no período pós-Covid, nota-se alguma relutância destes jovens em ficarem no nosso País”, avisa o presidente Carlos Brandão.

Os estágios são uma disciplina de cariz obrigatório na instituição de ensino, permitindo a interação direta entre os alunos e o setor, antes da entrada definitiva no mercado de trabalho. Procurando dissipar eventuais dúvidas na comunidade, a instituição promoveu sessões de esclarecimento ao longo dos últimos dias.

Após duas sessões sobre estágios curriculares, o Gabinete de Mobilidades e Relações Internacionais organizou uma sessão de esclarecimento ERASMUS+ para toda a comunidade, com a colaboração de representantes da Agência Nacional Erasmus e da Erasmus Student Network Lisboa.

Entre planos de estágios e carreiras, a ESHTE vai dotando os alunos de conhecimentos sobre o passado e o futuro, essenciais para a capacitação plena dos estudantes. Na passada semana, o Dia Internacional do Guia-Intérprete foi assinalado com uma mesa-redonda que teve como tema “A Revolução dos Cravos – cambiantes na prática dos guias-intérpretes”.

E de olhos postos no futuro, que na realidade já é o presente, teve lugar um seminário intitulado “Robótica na Hotelaria: iremos ser substituídos por robôs?”, organizado pela Associação dos Diretores de Hotéis de Portugal (ADHP Júnior), em colaboração com a Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril.

“Tentamos sempre esta ambivalência: não só o mundo académico, mas também a sua materialização em termos das competências, que os nossos alunos levam para o mercado de trabalho. Por isso temos tido esta procura, e, como tal, quase não damos resposta ao que os players nos pedem”, frisa Pedro Moita, pró-presidente da ESHTE para a área do IT.

No entanto, a instituição não trava a marcha e avança para novas frentes, como a abertura de inscrições para os mestrados. “Temos novos figurinos para os mestrados, novas designações, novos conteúdos, muito atrativos. Foi uma alteração muito refletida e vamos fazer com que todos sintam que podem ter aqui, nos segundos ciclos, uma excelente complementaridade às licenciaturas”, conclui o presidente Carlos Brandão.

 

Sobre o autorPublituris

Publituris

Mais artigos
Aviação

Tunisair regressa a Lisboa com um voo por semana a partir de 6 de maio

Este verão, a Tunisair vai contar com um voo por semana entre Lisboa e Tunes, capital da Tunísia, que arranca a 6 de maio e que vai decorrer até 21 de outubro.

A Tunisair vai voltar a contar com voos regulares entre Lisboa e Tunes, capital da Tunísia, numa operação com um voo por semana, que arranca a 6 de maio e que vai decorrer até 21 de outubro, segundo informação apurada pelo Publituris.

A operação da Tunisair para o verão de 2024 conta com voos às segundas-feiras, que partem de Lisboa pelas 23h05 e chegam à capital tunisina às 01h45, enquanto em sentido contrário a partida de Tunes decorre pelas 19h15, chegando a Lisboa às 22h05.

Ao que o Publituris apurou, a intenção da companhia aérea era contar com uma operação regular mais vasta, mas o esgotamento do aeroporto de Lisboa não permitiu encontrar slots que possibilitassem um maior números de voos semanais.

Sobre o autorPublituris

Publituris

Mais artigos
Destinos

Turismo do Dubai promove roadshow para o trade português

O roadshow do Turismo do Dubai acontece a 12 e 13 de março, em Lisboa e Porto, respetivamente, e inclui apresentação do destino, workshop com vários stakeholders do Dubai e almoço de networking.

O Turismo do Dubai vai promover, a 12 e 13 de março, um roadshow para apresentar o destino ao trade português, que vai passar por Lisboa e Porto, respetivamente.

O evento, que tem início pelas 12h00, inclui uma apresentação sobre o destino do Dubai, assim como um workshop com vários stakeholders do Dubai e almoço de networking.

Em Lisboa, o roadshow do Turismo do Dubai vai ter lugar no Centro de Conferências e Eventos do Tivoli Lisboa, na Avenida da Liberdade, enquanto no Porto acontece no Pestana Palácio do Freixo.

As inscrições para o evento de Lisboa já se encontram esgotadas mas ainda existe disponibilidade para o do Porto, pelo que os interessados devem inscrever-se aqui.

Sobre o autorPublituris

Publituris

Mais artigos

Créditos: Wine & Books Hotels Porto e PBH

Alojamento

INE: Dormidas de residentes invertem trajetória de crescimento e descem em janeiro

Os dados divulgados no final da semana passada pelo INE mostram que esta foi a primeira vez desde o 2.º trimestre de 2021 que as dormidas caíram, depois de terem aumentado 8,3% no último mês de 2023.

Em janeiro, as unidades de alojamento turístico nacionais contabilizaram 1,5 milhões de hóspedes e 3,5 milhões de dormidas, valores que traduzem variações homólogas de +1,8% e -0,1%, respetivamente, com o Instituto Nacional de Estatística (INE) a destacar que as “dormidas de residentes inverteram a trajetória de crescimento dos últimos três meses e decresceram 2,6%, totalizando 1,1 milhões”.

Os dados divulgados no final da semana passada pelo INE mostram que esta foi a primeira vez desde o 2.º trimestre de 2021 que as dormidas caíram, depois de terem aumentado 8,3% no último mês de 2023.

Segundo o INE, além do decréscimo das dormidas dos residentes, também as dos “não residentes abrandaram pelo terceiro mês consecutivo”, registando um crescimento de 1,2%, correspondendo a 2,3 milhões.

“O abrandamento do crescimento dos mercados externos acentuou-se (+1,2%, após +7,5% em dezembro), tendo sido registados 2,3 milhões de dormidas. As dormidas de residentes totalizaram 1,1 milhões, contrariando a trajetória de crescimento dos últimos três meses (-2,6%; +9,6% em dezembro)”, explica o comunicado do INE que acompanha os números.

O abrandamento das dormidas dos não residentes é explicada pelo abrandamento que também se verificou nos 10 principais mercados externos emissores de turistas para Portugal, que representaram 73,1% do total de dormidas de não residentes.

O destaque, segundo o INE, foi para o mercado britânico (15,8% do total das dormidas de não residentes em janeiro), com um aumento de 6,0%, seguindo-se o mercado alemão, que foi o segundo mercado e cujas dormidas representaram 11,2% do total, depois de um crescimento de 0,3% em janeiro.

Já o mercado espanhol deu origem a 8,8% das dormidas de não residentes mas, segundo o INE, “registou o maior decréscimo (-12,2%) entre os 10 principais mercados emissores em janeiro”.

“No grupo dos 10 principais mercados emissores, destacaram-se ainda em janeiro os mercados polaco e irlandês (3,6% e 2,4% do total, respetivamente) pelos crescimentos mais expressivos, +25,2% e +17,5% face ao mesmo mês do ano anterior”, destaca ainda o INE.

A nível nacional, os maiores aumentos de dormidas registaram-se no Oeste e Vale do Tejo (+18,7%), seguindo-se o Norte (+3,7%) e o Centro (+3,3%), enquanto a Península de Setúbal (-9,7%), a RA Açores (-4,0%), a Grande Lisboa (-3,9%) e a RA Madeira (-3,1%) apresentaram os principais decréscimos.

O INE destaca ainda que as regiões que concentraram o maior número de dormidas foram a Grande Lisboa (29,3%), o Norte (18,2%), a RA Madeira
(+16,8%) e o Algarve (16,4%).

No caso das dormidas dos residentes, houve, em janeiro, crescimentos no Oeste e Vale do Tejo (+11,3%), no Centro (+4,6%), no Norte (+2,5%) e no Alentejo (+2,3%), tendo decrescido nas restantes regiões, sendo que os principais decréscimos observaram-se na RA Madeira (-16,6%), na Grande Lisboa (-11,3%) e na RA Açores (-10,3%).

“Em janeiro, as dormidas de não residentes cresceram de forma mais expressiva no Oeste e Vale do Tejo (+31,9%), na RA Açores (+6,3%) e no Norte (+4,7%). Os principais decréscimos observaram-se na Península de Setúbal (-13,4%) e na Grande Lisboa (-1,5%), tendo sido mais ligeiros na RA Madeira (-0,9%) e no Centro (-0,2%)”, acrescenta o INE.

No primeiro mês de 2024, a estada média nos estabelecimentos de alojamento turístico ficou nas 2,33 noites, o que representa uma diminuição de 1,9% e que se soma à queda de 2,3% que já tinha sido assinalada em dezembro, com o INE a realçar que “o Oeste e Vale do Tejo e a RA Madeira registaram os maiores crescimentos neste indicador (+2,5% e +2,3%, respetivamente), enquanto na Península de Setúbal e na Grande Lisboa se observaram os decréscimos
mais expressivos (-6,3% e -3,0%, respetivamente)”.

Já os valores mais elevados da estada média continuaram a observar-se na RA Madeira (4,81 noites) e no Algarve (3,71 noites), tendo as estadias mais curtas ocorrido no Centro (1,62 noites) e no Oeste e Vale do Tejo (1,63 noites).

Segundo os dados divulgados, a estada média dos residentes foi de 1,69 noites e diminuiu 1,6%, enquanto a dos não residentes chegou às 2,88 noites, mas com um decréscimo de 3,1%.

A “estada média dos não residentes foi mais longa do que a dos residentes em todas as regiões”, assinala o INE, que diz que a RA Madeira registou “as estadias médias mais prolongadas, quer dos residentes (2,62 noites) quer dos não
residentes (5,44 noites)”.

Além da RA Madeira, as estadas médias observadas no Algarve (2,34 noites dos residentes e 4,34 noites dos não residentes) e na RA Açores (2,20 noites e 3,20 noites, pela mesma ordem) “também ficaram acima das estadas médias nacionais”.

A diminuir esteve ainda a taxa líquida de ocupação-cama nos estabelecimentos de alojamento turístico, que, em janeiro, se situou nos 28,3%, diminuindo 1,3 p.p., após o crescimento de 0,9 pontos percentuais em dezembro.

O INE diz que o “mesmo sucedeu com a taxa líquida de ocupação-quarto”, que foi de 36,1% em janeiro, num decréscimo 1,3 pontos percentuais, depois de ter crescido 1,0 pontos percentuais em dezembro.

Por regiões, em janeiro, as taxas de ocupação-cama mais elevadas registaram-se na RA Madeira (51,6%) e na Grande Lisboa (35,8%), enquanto as mais baixas se verificaram no Alentejo (17,5%) e no Oeste e Vale do Tejo (18,2%).

O INE refere ainda que apenas o Oeste e Vale do Tejo registou um aumento neste indicador (+1,9 pontos percentuais), tendo decrescido nas restantes regiões,
com maior expressão na Grande Lisboa (-3,9 pontos percentuais) e na Península de Setúbal (-2,9%).

Sobre o autorInês de Matos

Inês de Matos

Mais artigos
Aviação

Ryanair transportou 11,1 milhões de passageiros em fevereiro

Em fevereiro, a Ryanair realizou mais de 63 mil voos e viu cerca de 800 ligações aéreas canceladas devido ao conflito armado entre Israel e Gaza, nos quais transportou mais 5% de passageiros que em igual mês de 2023.

A Ryanair transportou, em fevereiro, um total de 11,1 milhões de passageiros, número que traduz um aumento de 5% face a igual mês de 2023, avançou a companhia aérea low cost, em comunicado.

Em fevereiro, a Ryanair realizou mais de 63 mil voos e viu cerca de 800 ligações aéreas canceladas devido ao conflito armado entre Israel e Gaza, tendo registado uma ocupação de 92%, a mesma que tinha sido apurada em fevereiro do ano passado.

No acumulado do ano, a Ryanair transportou já 182,6 milhões de passageiros até fevereiro, num aumento de 9% face aos 167,2 milhões de passageiros transportados no acumulado até fevereiro de 2023.

No acumulado, a Ryanair alcança também um aumento da ocupação, uma vez que este indicador cresceu um ponto percentual, passando de 93% no acumulado até fevereiro de 2023 para 94% em igual período deste ano.

Sobre o autorPublituris

Publituris

Mais artigos
Distribuição

Soltour lança costas espanholas e já duplicou operação charter de Almeria devido a forte procura

A Soltour vai manter praticamente toda a sua programação charter de verão para as Caraíbas, Marrocos (Saidia), Ilhas Espanholas, Cabo Verde, e Albânia, mas em relação às costas espanholas, que é novidade, já decidiu duplicar a operação para Almeria, com um segundo voo do Porto, em agosto, devido à forte procura, declarou o diretor comercial do operador turístico para Espanha e Portugal, Luís Santos.

O diretor comercial da Soltour para Espanha e Portugal, Luís Santos, deu conta, num encontro com jornalistas, durante a BTL que, o operador turístico lançou, à saída do Porto, as costas espanholas para este verão, designadamente Almeria, Costa Brava (Girona) e a Costa Cálida (Múrcia), com voos do Porto. No entanto, as vendas da operação charter para Almeria “têm corrido tão bem que já dobramos, em agosto, a operação inicialmente prevista”.

Djerba, na Tunísia, que começa em junho, e Cayo Coco, em Cuba, são outras novidades da Soltour para este verão.

Para além destas novidades, o operador turístico vai manter praticamente toda a sua operação de verão para as Caraíbas (Punta Cana, Cancun e Samaná), e ilhas espanholas, com forte aposta nos voos da TAP, à saída de Lisboa, bem como repete a Albânia com partidas de Lisboa e do Porto, sem esquecer Saidia, em Marrocos, e Cabo Verde. “O Porto, por razões óbvias, é o que nos permite montar as maiores operações”, apontou Luís Santos, acentuando que, “provavelmente, se o aeroporto de Lisboa tivesse outras condições, se calhar havia operações que conseguiam ver a luz do dia com muito mais facilidade”.

O responsável destacou que, em relação às vendas, nestes dois primeiros meses do ano, “estamos acima de 2023 e, se o ano fechasse assim, podemos apontar um crescimento de dois dígitos”, realçando que “a procura pelos destinos que programamos estão todos na mesma linha, com ligeiro crescimento face ao ano anterior”. Mesmo a Albânia, destino ainda desconhecido dos portugueses, mas que tem suscitado alguma curiosidade “e não há maior indicador do que o ter repetido este verão. Já andávamos a namorar o destino há uma série de anos, mesmo antes da pandemia, mas a estreia correu bem”, disse.

No conjunto, a Soltour oferece ao mercado português mais oferta este verão, embora para Samaná, uma operação exclusiva, tenha reduzido ligeiramente o número de lugares semanais, uma vez que o avião que vai operar esta rota de Lisboa é mais pequeno. O operador turístico trocou o A350 da World2Fly pelo A330 da Iberojet.

Quanto ao impacto em Portugal da Travelance, grupo de empresas turísticas independentes desenvolvido pelo Grupo Piñero, dona da Soltour, Luís Santos, disse que ainda não tem nenhum, mas é previsível que venha a ter, indicou Luís Santos, destacando que “tudo o que está a ser feito em Espanha é para ser replicado em Portugal, principalmente se estiver a correr bem, e tudo indica que será esse o resultado, mas será um passo de cada vez”, defendeu o responsável.

 

Sobre o autorCarolina Morgado

Carolina Morgado

Mais artigos
Aviação

LATAM Airlines está “dececionada” com congestionamento do aeroporto de Lisboa que obriga a reduzir oferta para o verão

A partir de abril, a LATAM Airlines volta a oferecer voos diários entre Lisboa e São Paulo, numa redução de oferta face aos 11 voos por semana do último inverno, que se deve ao congestionamento do aeroporto de Lisboa, segundo Thibaud Morand, diretor-geral da LATAM Airlines para a Europa e Oceania.

Inês de Matos

O congestionamento do aeroporto de Lisboa não permite que, no próximo verão, a LATAM Airlines mantenha os 11 voos por semana entre Lisboa e São Paulo que disponibilizou no último inverno, numa redução de oferta que, segundo Thibaud Morand, diretor-geral da companhia aérea para a Europa e Oceania, deixa a transportadora “dececionada”.

“Estamos dececionados por não podermos manter os 11 voos, por acreditarmos que conseguiríamos ainda melhores resultados no verão do que conseguimos no inverno”, queixou-se o responsável aos jornalistas, num encontro com a imprensa à margem da BTL – Bolsa de Turismo de Lisboa.

De acordo com o responsável, a partir de abril, a LATAM Airlines volta a oferecer voos diários na rota entre Lisboa e São Paulo, que vão ser operados num aparelho B777, com 410 lugares, aparelho que, no entanto, representa um aumento de capacidade face ao 787-900, com 300 lugares, que a LATAM Airlines operou no verão de 2023.

“Este ano, lamentavelmente, no verão, a partir de abril, devido ao congestionamento de slots no aeroporto, não conseguimos manter os quatro voos adicionais, porque não havia disponibilidade de slots nos horários que nos permitem conectar bem. Por isso, de abril a outubro, vamos voltar a ter sete voos, mas conseguimos manter os voos no B777, que representa um aumento de 33% na capacidade face ao verão anterior”, explicou Thibaud Morand.

O responsável da LATAM Airlines espera, contudo, que o regresso aos 11 voos por semana possa acontecer já no próximo inverno, no qual é ainda possível que a companhia aérea chegue aos dois voos diários.

Thibaud Morand mostra-se confiante de que também este verão seja possível manter os bons resultados desta rota, que conta com um load factor “um pouco superior a 90%”, até porque as reservas para a época alta seguem a bom ritmo, sem refletir o “panorama macro-económico global menos positivo” que se vive atualmente.

“Não vemos um impacto nas reservas. É como se o conceito da viagem fosse prioritário para quem pode viajar. Por isso, neste momento, estão muito confiantes”, concluiu.

 

 

 

 

Sobre o autorInês de Matos

Inês de Matos

Mais artigos
PUB
PUB
PUB
PUB
PUB
PUB
PUB
PUB
PUB
PUB
PUB
PUB

Navegue

Sobre nós

Grupo Workmedia

Mantenha-se informado

©2021 PUBLITURIS. Todos os direitos reservados.