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Operação turística apela a extensão do horário do aeroporto de Lisboa

Por a 28 de Maio de 2018


Em vésperas de arrancar a época alta no Turismo português e com as reservas a bom ritmo, quisemos saber quais os maiores constrangimentos identificados pelos operadores turísticos no decorrer das suas operações e que conselhos dão aos agentes de viagens para este Verão.


Mudanças frequentes de horários de voos, greves, constrangimentos nos aeroportos, entre outros, foram alguns aspectos que perturbaram o normal funcionamento das operações turísticas no Verão de 2017. Este ano, quase às portas de iniciar-se mais uma época alta, quisemos saber como estão as reservas junto dos operadores turísticos, mas também que constrangimentos verificam nas operações em Portugal.
Com as vendas a decorrer a “um bom ritmo”, apesar de identificar a possibilidade de se verificar um abrandamento a partir de 1 de Maio, a Solférias refere que no ano passado não registaram atrasos ou alterações de horários significativas nas suas operações. Nuno Mateus, director-geral do operador turístico, explica que “depois do Verão de 2016, tentámos já em 2017 garantir todas as operações com a maior antecedência possível e com parceiros que nos garantem confiança e cumprimento”.
Na Soltrópico as vendas antecipadas começaram “com uma grande pujança”. Fernando Bandrés, director operacional do operador turístico, refere que “o início da temporada de Verão está a ser bom, mas falta ainda muita venda por acontecer”. A crescer há três anos consecutivos com crescimentos susutentados de dois dígitos, a Soltrópico está mais conservadora para o orçamento deste ano, “mas apostamos em seguir crescendo tanto em facturação como em rentabilidade. Muito deste crescimento está baseado em correcção interna com melhores ocupações dos charters e aumentos nas vendas em regular”. Para precaver possíveis constrangimentos, Fernando Bandrés explica que apesar de se terem acautelado com uma maior antecedência na contratação dos voos, tal tem-se revelado “uma medida pouco resolutiva”. “Os timings de adjudicação de slots são o que são, independentemente da nossa contratação”, admite, sublinhando que a situação dos aeroportos de Lisboa e Porto é “um facto incontornável” no bom decorrer das operações. Também na Viajar Tours as reservas antecipadas estão a decorrer a bom ritmo e “dentro das expectativas” com o operador turístico a antecipar um crescimento tanto no volume como na rentabilidade para este Verão. Para evitar possíveis constrangimentos, Nuno Anjos, director de marketing e vendas do operador turístico, sustenta que “contractos assinados em devido tempo” é a prática regular do operador. “No entanto, estes não são, hoje em dia, garante de que possa ser uma salvaguarda, pois as condicionantes já sobejamente conhecidas poderão alterar todos os pressupostos”.
O Furacão Irma foi o responsável pelo cancelamento das últimas quatro partidas da operação da Sonhando para Cuba, nas quais “todos os passageiros foram ressarcidos na íntegra pelos eventuais prejuízos causados”. José Manuel Antunes, director-geral do operador turístico, espera que, à parte do impacto do Furacão do Irma, a performance das operações seja idêntica, realçando que “as vendas são claramente superiores às de anos anteriores, no entanto, as taxas de ocupação sobretudo no mês de Junho estão baixas. Na minha opinião isso deve-se a uma sobre oferta para esse mês”. Mesmo assim, a Sonhando prevê um aumento de 12% na facturação, mas nos resultados José Manuel Antunes já não é tão optimista, criticando as “constantes ofertas abaixo do preço de custo que alguns operadores têm estado a praticar”.
Com previsão de um aumento de vendas em uns 5%  comparativamente com 2017, a Lusanova vai ter a presença de um assistente Lusanova no aeroporto de modo a que, em caso de alteração ou problema nos voos, “o cliente possa estar assessorado para resolver qualquer problema que surja e tenha ajuda imediata da nossa parte”. Daniel Marchante, director executivo do operador turístico, acrescenta que “dispomos de um telefone de emergência 24 horas para onde os agentes podem ligar em caso de necessidade por problemas com passageiros no aeroporto de saída ou em viagem”.
Apesar de todas estas estratégias para garantir o bom funcionamento das operações, há um problema comum entre os operadores turísticos, que os impede de serem melhor sucedidos e até de fazer crescer o respectivo negócio: Aeroportos. Seja o de Lisboa e até já o do Porto, ambos os aeroportos apresentam problemas sérios de congestionamento que muito preocupa os operadores turísticos. A solução para as infra-estruturas aeroportuárias das duas principais cidades do País passou de ser urgente para uma solução iminente. Solução essa que poderá passar para a extensão do horário de funcionamento dos aeroportos, permitindo que seja possível os aviões aterrarem entre as 00h00 e as 05h00.
Nuno Mateus indica que a maior dificuldade nas operações é “a aprovação de slots para realizarmos as nossas operações em horários aceitáveis pelos clientes”. “O aeroporto de Lisboa está com grandes constrangimentos”, alerta. Para o director-geral da Solférias, é “necessário que o Governo resolva urgentemente o tema da construção do novo aeroporto”, mas também que “as companhias aéreas cumpram horários, que a entidade aeroportuária garanta o não congestionamento nas áreas de check-in e de segurança”. Nuno Mateus refere mesmo que “enquanto não tivermos o novo aeroporto operacional será necessário que todos os aeroportos reduzam as horas nocturnas em que há limitações de movimentos”.
A solução, para o responsável da Soltrópico, é uma solução “política”. “Cabe ao Governo ouvir todas as partes implicadas e dar as melhores soluções possíveis, que neste momento passam apenas, na minha opinião e no curto prazo, pela eventual extensão do horário de funcionamento do aeroporto, que permitirá viabilizar mais algumas operações, mesmo com horários menos simpáticos”, defende Fernando Bandrés.
Também José Manuel Antunes defende que o Estado português “já deveria ter previsto a construção de um novo aeroporto para Lisboa. Como não foi feito, cabe ao actual Governo agilizar, o mais rápido possível, uma nova estrutura aeroportuária”. À semelhança de Nuno Mateus, também o director-geral da Sonhando defende que a Câmara Municipal de Lisboa deveria, de facto, “diminuir o período de encerramento nocturno do Aeroporto de Lisboa nos meses de Verão”, mas que também a ANAC – Autoridade Nacional de Aviação Civil deveria “planificar melhor os slots do aeroporto”.
Para a Lusanova, uma das situações a melhorar tem que ver com o apoio das companhias aéreas. Daniel Marchante refere que estas “podem melhorar o seu apoio ao passageiro em caso de atraso ou cancelamento de voo, dando informação actualizada e em caso de cancelamento do voo proteger de imediato o passageiro em outro voo no mais curto espaço de tempo”.

Conselhos

Em plena época alta, os agentes de viagens têm o seu trabalho redobrado de assistência ao cliente. Com que tipo de apoio podem contar dos operadores turísticos? Na Solférias o lema é “compre na Solférias e entre de férias mais cedo”. Para sustentar esta premissa, o operador turístico conta com o departamento de Apoio ao Cliente que está disponível 24h, para que “a qualquer momento o agente de viagens possa contar com o nosso apoio na resolução de eventuais problemas”.
Fernando Bandrés considera que existe “uma maior consciência do próprio agente de viagens e do consumidor” para eventuais problemas, o que facilita a resolução dos mesmos. No entanto, a Soltrópico não descarta um apoio de 24h, “tanto na origem como no destino, que estão permanentemente abertos para dar apoio nestas situações”.
No entanto, a 1 de Julho entra em vigor a Nova Directiva para as Viagens Organizadas e Serviços de Viagem Conexos, que vai mudar as regras do jogo e aumentar as responsabilidades para os intervenientes da distribuição turística. Perante esta situação, Nuno Mateus esclarece que “a responsabilidade para quem elabora “viagens organizadas” vai aumentar consideravelmente. Para que seja considerada “viagem organizada” basta o somatório de dois serviços, como por exemplo avião e hotel.” O responsável explica que, desde Dezembro de 2016, a Solférias aderiu ao seguro de Perturbação de Viagem por Força Maior, que protege “todos os seus clientes em casos de cancelamento ou alterações de viagem provocadas por motivo de força maior”.
José Manuel Antunes aconselha os agentes a “comprarem pacotes a operadores de segurança e que tenham um seguro que os proteja integralmente”.
O director operacional da Soltrópico alerta para uma atenção redobrada na informação dada ao cliente “e a prova da mesma, caso seja esta necessária”. Fernando Bandrés acrescenta ainda para “prestar especial atenção aos seus fornecedores, escolher sempre aqueles que estejam protegidos para situações de Força maior, que lamentavelmente são cada vez mais habituais”. Se é a própria agência a organizar a viagem, “tomem as devidas providências e estejam protegidos como organizadores. A nova legislação tralada-nos muitas responsabilidades acrescidas e caso as coisas corram menos bem, temos que estar cobertos”. A Soltrópico conta também com o seguro de PVFM no seu seguro base. “esta nova cobertura, sem qualquer custo adicional para o passageiro, procura antecipar “os principais imponderáveis que podem afectar, negativamente, as férias dos nossos clientes: greves, cancelamentos de última hora, problemas de operação, actos de terrorismo, enfim, motivos de força maior que levem a cancelamentos ou alterações significativas nas viagens reservadas”, garantindo o reembolso de até 3 mil euros por pessoa”.
Por sua vez, Nuno Anjos defende que “em primeiro lugar, os agentes deverão estar bem informados acerca das alterações a que a nova directiva obriga no ‘modus operandis’ das agências. Isso passa, necessariamente, por uma escolha criteriosa de fornecedores e parceiros comerciais, que garantam, por um lado, os direitos dos seus clientes, protegendo por outro as agências, em casos de perturbação da viagem por motivos de força maior. O Viajar Tours dá todas essas garantias, tanto aos viajantes como às agências”. O responsável refere ainda que, no que toca ao apoio do operador, este passa por ser “o mais transparente possível quanto ao que se passa com as suas operações charter”.

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