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Opinião

Nuno Carvalho “Onde está o Pokemon e o Mannequin?”

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Conheça as 5 tendências do digital que não vão falhar nos próximos anos.

Estávamos a 6 Julho de 2016 quando o fenómeno de realidade aumentada Pokémon foi mostrado ao mundo, poucos dias depois (13 de Julho) o número de utilizadores diários já ultrapassava os 28,5 milhões. A euforia foi a que todos sabemos, avenidas congestionadas, estabelecimentos invadidos, pessoas curvadas a caminhar pelas ruas de smartphone na mão em busca do bicharoco. A loucura estava instalada e os acionistas da Nintendo esfregavam as mãos com um ganho de mais de 120% nas ações.
No entanto, em poucos meses, a euforia acabava e no início de 2017 os quase 30 milhões de utilizadores transformaram-se em apenas cinco milhões. Mas já quase a terminar 2016 outro fenómeno borbulhava na ‘net’, o famoso Mannequin Challenge, um truque de filmagem em vídeo que transformava o comum dos mortais num manequim congelado. Futebolistas, políticos, músicos, empresários… enfim todo o planeta estava rendido à brincadeira e, claro, mais um vez, em poucos meses a moda também passou. Outros mais "one hit wonder" do digital vão aparecendo, Pokémons e Mannequin´s são os "Despacito" do digital, aquecem-nos a alma durante uns meses e depois já nem os podemos ver ou ouvir.
Há uma lição a reter, todo este êxito só prova que o digital está implantado em todo o mundo como nunca e não pode haver dúvidas sobre isso. Por essa razão é importante termos consciência de onde vale a pena focar a nossa atenção e ver quais são as reais tendências do mercado digital, para saber apostar nas áreas certas e assim acrescentar valor ao seu negócio.

5 TENDÊNCIAS DO DIGITAL
1 - MOBILE, MOBILE, MOBILE - O uso de smartphones lidera o crescimento no tempo de utilização de Media Digital. De 2013 até 2016 o uso de smartphone cresceu 99%, no entanto, o uso de desktop diminuiu 8%. Nos 100 sites mais vistos nos EUA, a visualização em mobile é 2,4 vezes maior do que em desktop e o tempo médio de utilização de smartphone é de 2h51 minutos por dia. Ecrãs maiores é igual a melhor visibilidade para as marcas, desde Fevereiro de 2015 que os smartphones com mais de 4,5 polegadas de ecrã lideram o mercado. Portanto, seja o que quer que venha a fazer no digital, primeiro certifique-se que funciona muito bem no mobile e só depois no desktop.

2 - CROSS PLATFORM - Em 2016, os americanos nas idades entre os 18-34 anos gastaram 30 mil milhões de horas no Digital contra 19,1 na TV tradicional. Mesmo nas idades entre 35-54 anos o digital vence com 27,4 mil milhões versus 26,6 em TV. Se tem um budget para gastar numa campanha de media e se o seu público é jovem/adulto não tenha dúvidas em favorecer o meio digital, ainda por cima vai poder medir muito melhor os resultados da campanha.

3 - MEDIA TRADICIONAL VS MEDIA DIGITAL - Em 2016, o NewYorkTimes cresceu 36% no digital quando comparado com 2015 e o The Washington Post 40%.
Não há como dar a volta, aconteceu o mesmo na música por volta de 2005, o  átomo foi trocado pelo bit. Jornais, revistas, TVs, tudo vai ser digital e não vale a pena falar do cheiro do papel, do toque, etc... ouvi a mesma história com os CDs e o Vinil e hoje é o que se sabe.

4 - MOBILE VIDEO - Snapchat, a aplicação de excelência de vídeo mobile, era a 18ª app, em 2015, a ser usada nos smartphones, em finais de 2016 já estava na 9ª posição. No Youtube 70% dos vídeos são vistos em mobile. O Facebook e o Instagram estão a apostar tudo em melhorar a experiência vídeo nas suas aplicações para mobile. Vlogers fazem vídeos diários recorrendo a um smartphone, captam e publicam no momento. Grandes players fabricantes de câmaras de vídeo estão a poucos meses de lançar câmaras que se ligam diretamente à internet. Viu este verão alguém a dançar sozinho e a fazer caretas para a câmara de um smartphone? Se viu não pense que estava doente, estava apenas a fazer um vídeo selfie para "postar" no Instagram.

5 - O ECOMMERCE ESTÁ A CRESCER PELO MCOMMERCE - Utilizadores estão cada vez mais confortáveis no uso de smartphones para efectuar compras. No início de 2010 apenas 1,8% comprava online no seu smartphone, no final de 2016 esse número já é de 20,8%. A confiança está a aumentar no mobile, portanto, mais uma vez, se tem uma loja online aposte em garantir que também funciona em smartphones, mais tarde ou mais cedo é ai que vão estar todos os seus clientes.

CONCLUSÃO: O mobile está a atingir a fase madura com penetração nos países evoluídos a aproximar-se dos 100%, altura para o comércio online, o digital video, as apps, crescerem sem medos. O digital media está em todas as plataformas. Desktop e mobile estão a convergir com a TV da sala de estar, a mesma campanha de media vai começar a ser vista em várias plataformas permitindo medir e comparar melhor que nunca e assim definir a estratégia de marketing mais adequada. Finalmente, estamos a assistir à verdadeira convergência. Veja-se o caso do Netflix, pode começar a ver um episódio de uma série no portátil, depois continuar a ver no smartphone durante a viagem de comboio ao final do dia e mais tarde terminar o episódio na smart TV da sala de casa. A experiência foi sempre a mesma, só mudou o tamanho do ecrã. Acredite, o digital não é o futuro, é o presente. As formas criativas de mostrar a sua marca, produto ou serviço não vão mudar muito. O meio, a técnica de medição e a eficácia é que mudarão radicalmente. O ‘Despacito’ em 1999 teria os mesmos acordes e a mesma letra e venderia, se calhar, em Portugal 150 mil CDs, agora em 2017 vende poucos CDs mas já tem 3,5 mil milhões de visualizações no Youtube, sim 3,5 mil milhões! "Pasito a pasito, suave suavecito" o digital veio mesmo para ficar.

*Por Nuno Carvalho, ClickandPlay Studio.
Artigo de opinião publicado na edição impressa do Publituris de 1 de Setembro.

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Ajudas de Estado (COVID-19) às companhias aéreas e os recursos da Ryanair no tribunal europeu (Parte I)

Por Carlos Torres, Jurista, professor da ESHTE

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*Por Carlos Torres, Jurista, professor da ESHTE

1) Introdução

Tal como o turismo em geral, o sector do transporte aéreo tem sido muito fustigado pela pandemia, com brutais perdas de receitas, por um lado, e a manutenção de elevados custos fixos, por outro. Face ao negativo impacto económico, sem precedentes, gerado pela COVID-19, se os Estados não viessem em auxílio do sector, não haveria sobrevivência possível para as companhias aéreas tradicionais. Esta ajuda financeira tem apoio na legislação europeia, prevista para situações de calamidades naturais ou de outros acontecimentos extraordinários.

Porém, a Ryanair entende que as ajudas estatais que cubram danos decorrentes de acontecimentos extraordinários (situação prevista no art. 107.º/2/b) TFUE) deveriam abranger todas as companhias aéreas. Deste modo, quando um Estado-Membro concede a ajuda a uma companhia tradicional, também o deveria fazer relativamente às low-cost que com ela concorrem – v.g. visto que França e Portugal concederam ajudas estatais à Air France e à TAP, respetivamente, também o deveriam fazer relativamente à Ryanair. Como veremos infra, este argumento não é suportado pela legislação europeia, a qual permite seletividade na companhia a abranger.

Não sendo propriamente nova esta predisposição da Ryanair para questionar, no tribunal europeu, as ajudas estatais às companhias de bandeira – pois, já em meados da década de noventa, se insurgia contra a decisão da Comissão autorizar um auxílio do Estado irlandês ao grupo Aer Lingus –, a postura combativa da low-cost irlandesa tem suscitado grande interesse mediático, gerando-se, na opinião pública, a ideia de que as suas posições têm sido acolhidas pelo tribunal europeu, o que não é correto, designadamente no caso da TAP.

 

2) O princípio geral da incompatibilidade dos auxílios de Estado com o mercado interno

A disposição nuclear nesta matéria consta do Título VII (Regras Comuns relativas à Concorrência, à Fiscalidade e à Aproximação das Legislações), mais precisamente do art.º 107.º TFEU, apresentando-se como uma espécie de princípio geral da incompatibilidade dos auxílios de Estado com o mercado interno. De harmonia com o n.º 1, a menos que os Tratados disponham diversamente, os “auxílios concedidos pelos Estados ou provenientes de recursos estatais, independentemente da forma que assumam”, não são compatíveis com o mercado interno, sempre que “falseiem ou ameacem falsear a concorrência, favorecendo certas empresas ou certas produções.”.

O n.º 2 enumera várias situações em que existe compatibilidade com o mercado interno, subsumindo-se a COVID-19 na alínea b), que dispõe da forma seguinte: “Os auxílios destinados a remediar os danos causados por calamidades naturais ou por outros acontecimentos extraordinários;”.

 

3) Os Estados-Membros antes de concederem a ajuda devem notificar o respetivo projeto à Comissão

 De harmonia com o n.º 3 do art.º 108.º TFUE, os Estados-Membros, quando pretendem conceder uma ajuda estatal que considerem compatível com o mercado interno, devem informar atempadamente a autoridade europeia da concorrência, ou seja, a Comissão. Este dever de comunicação imposto aos Estados-Membros visa que a Comissão aprecie o projeto de ajuda estatal e, se o considerar incompatível com o mercado interno, o Estado já “não pode pôr em execução as medidas projetadas antes de tal procedimento haver sido objeto de uma decisão”.

Há, porém, que distinguir duas fases na apreciação do projeto de uma ajuda estatal:

a) a fase preliminar de exame, instituída pelo n.º 3 do artigo 108.º TFUE, que permite à Comissão formar uma primeira opinião sobre a compatibilidade do auxílio em causa;

b) o procedimento formal de exame, contemplado no n.º 2 do artigo 108.º TFUE, que permite à Comissão ter uma informação completa sobre os dados do processo. Apenas nesta segunda fase existe a obrigação de a Comissão notificar os interessados para apresentarem as suas observações.

Deste modo, quando não é dado início ao procedimento formal de exame, as partes interessadas – neste caso, a Ryanair – ficam privadas da possibilidade de apresentar as suas observações. Tal situação é, no entanto, compensada pelo legislador europeu, instituindo o direito de impugnar, perante o juiz da União Europeia, a decisão tomada pela Comissão de não dar início ao procedimento formal de exame.

 

4) Auxílios estatais a companhias aéreas no âmbito da pandemia da COVID-19

No domínio da COVID-19, relativamente aos primeiros casos em que a Comissão deu o seu acordo aos auxílios concedidos às empresas nacionais pelos respetivos Estados-Membros, a Ryanair recorreu das mesmas, mas os seus argumentos não foram acolhidos pelo tribunal europeu.

 

  • França: taxas aeroportuárias
  • Em 24 de março de 2020, França notificou a Comissão de uma medida de auxílio sob a forma de uma moratória sobre o pagamento da taxa de aviação civil e da taxa de solidariedade sobre passagens aéreas (a denominada taxe Chirac), abrangendo o período de março a dezembro de 2020. Esta moratória beneficiando as companhias aéreas com licença francesa, principalmente a Air France, consistiu em adiar, para 1 de janeiro de 2021, o pagamento das taxas – valor determinado de acordo com o número de passageiros transportados e o número de voos feitos a partir de um aeroporto francês –, e, subsequentemente, distribuir os pagamentos por um período de 24 meses (até 31 de dezembro de 2022).

    A Comissão, em 31 de março, através de uma decisão de não levantar objeções, considerou que a COVID-19 era subsumível a um acontecimento extraordinário. Assim sendo, a referida moratória sobre o pagamento de taxas constituía um auxílio compatível com o mercado interno, adequado para remediar a perturbação económica causada ​​pela pandemia. Para além do mais, a moratória não foi considerada discriminatória, uma vez que os beneficiários do regime incluíam todas as companhias aéreas titulares de licenças francesas.

    A Ryanair invocou um conjunto de fundamentos, entre os quais, a violação dos princípios da não discriminação em razão da nacionalidade e da livre prestação de serviços, a proporcionalidade do auxílio face aos danos causados pela pandemia, o dever de fundamentação e a violação dos direitos processuais, nenhum deles tendo sido acolhido pelo Tribunal Geral da União Europeia, no seu Acórdão de 17 de fevereiro de 2021.

     

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    Opinião | Irá a Covid-19 mudar a ideia como vemos o turismo vindo da República Popular da China?

    Leia a opinião de Hélder Santos, proprietário da Dynamic Hotels.

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    Estamos a viver tempos nunca vividos na nossa geração e pensávamos que estas situações estavam confinadas ao Oriente, nomeadamente à República Popular da China (RPC), e faço propositadamente uma diferença entre os turistas chineses vindos da RPC e os que têm origem noutras partes do mundo.

    Trabalhei em Hong Kong e viajei centenas de vezes pela RPC na minha atividade de “hotel developer” avaliando projetos ou hotéis locais para possíveis “rebrandings” por parte de marcas internacionais. Nunca foi possível encontrar um único hotel em funcionamento durante quase 12 anos que cumprisse minimamente os “standards” de segurança exigidos pelas marcas internacionais. Nesse procurement visitei também as zonas chamadas “back-of-the house” e habituei-me a verificar quase sempre uma total ausência de cuidados de higiene, sobretudo, nas cozinhas. No início estranhei, mas depois percebi que era cultural.

    No final da década de 90, no dobrar do século, viajavam para fora da RPC cerca de 10 milhões de chineses, creio, sem ter ido fazer nenhum inquérito junto da China Travel Serviçe ( a entidade que atribuía os vistos de viagem para fora da RPC), que uma larga percentagem desses vistos eram de chineses das grandes cidades, nomeadamente Pequim e Xangai, outros seriam estudantes com hábitos já mais perto do aceitável pelo Ocidente e, por consequência, menos perigosos no que diz respeito ao perigo de transmissão de doenças como esta derivada, como parece ser, de vírus transmitidos por animais selvagens usados na alimentação de parte da população, creio que fora destes centros.

    Actualmente viajam perto de 150 milhões de chineses de todas as partes da RPC para todos os continentes e aqui está verdadeiramente o perigo, já que os hábitos alimentares fora das cidades como Pequim e Xangai podem ser, como vemos, um perigo para o mundo. O que víamos como positivo para a economia e o turismo mundial pode ter um efeito boomerang. Wuhan é um grande centro urbano, já foi, ainda que por pouco tempo, capital da China e esta pandemia teve origem pelo que se sabe nesta cidade, e os hábitos alimentares em zonas mais rurais ou pequenas cidades são muito pouco convencionais, para não dizer outra coisa.

    Queremos ter turistas chineses, mas o Governo chinês tem que fazer tudo o que é possível para que o Ocidente não comece a ter o estigma de olhar para o turismo vindo da RPC como se de lepra se tratasse. Este é um desafio À altura dum grande país como a China. Tem a palavra o Governo Central da China.

    Passei a SARS em Hong Kong e nunca pensei voltar a passar por uma situação idêntica, ou pior, em Portugal. Por muito que o Governo faça, e tem que fazer mais, o rasto de destruição no turismo vai ser enorme, sobretudo ao nível das pequenas empresas. No dia em que sair  este artigo já vou estar desatualizado, porque a tendência é piorar rapidamente de dia para dia.

    Por Hélder Santos
    [email protected]

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    Opinião | Turismo: preparar-se para um novo quadro

    Leia a opinião de Vítor Neto, empresário e gestor, presidente do NERA, Associação Empresarial da Região do Algarve.

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    Portugal não pode errar na definição estratégica para superar as múltiplas e imprevisíveis consequências geradas pela COVID-19 no Turismo: a isso obriga a sua importância e peso na Economia nacional, num quadro internacional novo e mais exigente.

    As crises do passado
    Há duas crises, nos últimos 20 anos com incidência negativa no Turismo, que no atual quadro interessa ter em conta.
    Em 2003 a crise epidémica da SARS (pouco depois do 11 de setembro de 2001) e sobretudo a crise financeira global em 2009 (Subprime), que provocou uma quebra de quase 40 milhões de turistas a nível mundial. Que Portugal bem conheceu.
    Aspeto relevante: a crise de 2009, pelos riscos que apresentava no plano internacional, teve uma resposta global, ocidental, concertada entre União Europeia e EUA. Com medidas que tiveram impacto positivo também no Turismo, que em 2010 cresceu 60 milhões de turistas face a 2009.

    Uma crise diferente
    Além do carater global, as diferenças entre a atual crise e a de 2009 são evidentes.
    Esta crise não só surge num contexto diferente, como sobretudo não tem na origem causas financeiras ou económicas, como em 2009, nem surgiu no seio das principais economias do bloco ocidental (UE, EUA e Aliados). A crise COVID-19 nasce por outras causas na China e não nos EUA.
    As consequências da epidemia no Turismo (bloqueio na mobilidade dos turistas) tem provocado um enorme impacto negativo nas economias ocidentais, sobretudo na Europa.
    A resposta à crise tem evidenciado a falta de convergência de interesses, e mesmo a rejeição dos EUA e do Reino Unido, para com a UE, contrariamente à aliança de 2009.
    As respostas da UE/BCE são de recurso e destinam-se a «salvar» a situação e evitar maiores prejuízos para as economias europeias.
    Trata-se de uma crise diferente, com uma resposta que reflete um novo quadro internacional. Vitória política da China. Divisão do «Ocidente».
    As perspetivas da atual crise para a economia mundial, em particular para o Turismo, são preocupantes.
    A OMT, que previa para 2020 um crescimento do turismo mundial entre 3% e 4%, prevê agora, considerando apenas as consequências da crise da China, ainda sem incluir a Europa - uma quebra a nível mundial que pode chegar a 3%, isto é, entre 15 e 44 milhões de turistas. E uma quebra nas receitas (externas) entre 30 e 50 mil milhões de dólares.
    Se acrescentarmos o impacto da Europa (o maior mercado turístico do mundo), podemos antever cenários preocupantes também para Portugal.

    Novo quadro
    Estamos perante um quadro novo e com um cenário incerto para toda a economia e em particular para a atividade turística.
    Seria um erro pensar que a crise passa e que basta «apoiar as empresas», investir «uns milhões em promoção» e realizar uns «eventos», para que tudo volte a ser o que era. Ignorando que vamos ter pela frente incertezas dos turistas, volatilidade dos mercados, agressividade da concorrência, crise no transporte aéreo, hesitações no investimento.

    Certezas
    1ª. A atual crise vai gerar alterações estruturais no Turismo a nível mundial.
    2ª. Em Portugal a esta crise não se vai seguir um simples regresso de continuidade, em relação ao passado.
    3ª. Obrigatório: definir uma estratégia realista de resposta ao novo quadro.
    Não é só o Turismo que está em causa. É a Economia do país.

    * Estou disponível, como cidadão  e empresário, para dar o meu contributo.

    Por Vítor Neto, empresário e gestor, presidente do NERA, Associação Empresarial da Região do Algarve.
    Artigo publicado na edição 1414, 27 de março

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    Opinião | Winner Mentality

    Leia a opinião de Amaro F. Correia, doutorado em Ciências da informação.

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    “A Europa e não mais a Ásia é o centro global da pandemia do Coronavírus” Adhanom, T. (OMS).

    Guardo esta declaração, para memória futura. Insisto na importância do setor, por um lado, para o futuro económico do país e realço, por outro, a importância das Agências de Viagens e dos Transportes na excelência da sua oferta, no In coming e no Out Going, na Europa. Por cá, é altura de perceber as propostas do Governo, para o futuro do turismo, que acrescentava valor, em cerca de 14% do PIB (2018). Temos 3 crises em simultâneo: Pandemia/crise económica e confiança dos consumidores. É exagerado tanta crise em simultâneo, nos tempos atuais das Pme´s. Se não houver abertura política, aligeirada, as PMe´s nacionais, não resistirão muito tempo. Penso positivo e no futuro, mas não deixo de me preocupar com o Turismo em Portugal, mas também, nos nossos parceiros europeus. Tenho dado ênfase à falta de políticas públicas no nosso país, se bem que, na verdade, numa crise destas, pouco ou nada adiantariam, mas a minha preocupação, hoje, com 1 mês de quarentena é o day-after para a retoma da confiança dos consumidores, nos destinos de férias. Sim, porque não se trata só da crise pura e dura: não acredito que os países vão ter ritmos idênticos de recuperação? Um destes dias estive a ler “pontas soltas” sobre os mercados emergentes, em temas variados, de autores portugueses, mas não só…mas também, biografias sobre estadistas mundiais. Politica, futebol, economia, sociedade e turismo, claro! Ditadores, democratas, eleitos, gente odiada por uns, amada por outros, que me levaram a reflexões sobre o turismo, pelo mundo fora. Estou preocupado com o dia a seguir? Não escondo, e se haverá um dia a seguir? Consciente de tudo o que tenho defendido não bastaria, nem seria suficiente, para evitar os danos económicos e sociais atuais, mas ajudava muito. A propósito do Vírus, que teima em derrotar a nossa economia, já de si fragilizada, para muitas pequenas e médias empresas, surgiu-me na mão, um livro sob o título “O futebol com que sonhei” de Luís F. Lobo (2019) que me pôs a sonhar e a pensar, num país melhor e no que deve ser o day-after dos profissionais de turismo em 2020: mentalidade ganhadora. Os profissionais de turismo, no regresso, tem de encarar a sua atividade como uma final, dum jogo de futebol. Para ganhar. Mesmo com as previsões da OMT, em que aponta uma diminuição para o movimento de turistas à volta do mundo (2020) entre 20% e 30% e que significa um declínio nas projeções económicas: entre 272.850 e 409.000 milhões €, no turismo, devido ao impacto do Covid-19. Um grande operador espanhol projetou perdas de 45.000 milhões, se o alarme durar 4 meses e 5% desse valor será perdido na Costa Blanca. Mas se o impacto do Covid-19 for prolongado (Julho, Agosto e Setembro) as perdas atingirão 12.000 milhões € (dependem 300.000 empregos e 14% do PIB). A OMT considera que o turismo é a atividade que mais emprego gera e acrescenta que "o setor está convencido em enfrentar a recuperação, criando empregos e promovendo o bem-estar económico em todo o mundo". Neste recolhimento, a partilha é uma forma excelente de passar o tempo. Sempre ouvi dizer que a vida nos derruba e que nós é que escolhemos a forma e a vontade de nos levantarmos. Recordo por isso, momentos dos últimos anos, em viagens com muitos amigos, que ainda preservo. As amizades são como as famílias, (onde o nome e o sangue pouco importa) crescem com as recordações, as boas recordações e felizmente, nestes anos, tenho tido essa experiência fantástica. O Turismo é a indústria da paz e não merecia esta traição...Voltaremos a ter confiança. Estaremos cá sempre. Vamos todos ficar bem!

    *Por Amaro F. Correia
    Doutorado em Ciências da informação

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    Youtubizar

    Leia a opinião por Nuno Carvalho, da Click and Play

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    Nos anos 80 e 90 dizia-se que a TV era a caixa que mudou o mundo, e mudou mesmo. No entanto, com a televisão à nossa frente, o espectador era sempre passivo, não contribuía para o conteúdo que estava disponível. Sentado no sofá era refém de horários, gostos e estilos.

    O YouTube chegou em 2005 e também mudou o mundo como a TV, só que agora as coisas são muito mais interessantes. Porque desta vez podemos ser nós a fazer o conteúdo: um dia somos criadores, outro dia espectadores.
    E é da criação que me interessa falar, pois afinal tudo o que encontramos no YouTube não aparece por magia.

    O YouTube fez agora 15 anos desde que colocou online o seu 1º vídeo e desde então os números evoluíram exponencialmente: a cada minuto que passa são carregadas 400 horas de vídeos e diariamente são assistidas 1000 milhões de horas.
    E, por exemplo, os videos tutoriais estão a crescer 70% ao ano.

    Por isso, este é o momento oportuno para as empresas usarem esta ferramenta a seu favor.
    Como? Criando conteúdo útil para os seus clientes. Não estou a falar de autopromoção dos seus produtos ou serviços, mas sim de deixar o ego de lado e ir mais além. Criar vídeos que ajudem e responder às duvidas dos seus clientes, que eduquem, que esclareçam.

    A lógica é disponibilizar online vídeos que sejam úteis ao seu consumidor alvo e aproveitar esta vantagem de trazer para si um público que nem estava à procura da sua marca.

    Tem um agência de viagens? Pode fazer vídeos a dar dicas sobre destinos ou criar um simples tutorial sobre o que pode, ou não pode, levar numa mala de viagem num avião.
    Tem um hotel? Convença o seu barman a fazer um vídeo que ensina como se faz uma Margarita.
    É bancário? Vídeos com dicas de poupança ou ideias de investimentos fazem sempre falta.
    No fundo, a ideia é transformar os seus colaboradores em Youtubers e, quem sabe, em estrelas da Internet.

    Vai vender mais no dia seguinte? Provavelmente não, mas se tiver muitos vídeos tutoriais da sua marca no YouTube, a chance de obter novos clientes a médio prazo é enorme.
    E depois, psicologicamente, há uma necessidade intrínseca do ser humano em compensar quem o ajuda. Se a sua marca for aquela que lhe apareceu com dicas para ajudar em várias situações da vida diária, em quem vai o consumidor pensar quando precisar de um serviço ou produto que venda? Claro, em quem o ajudou quando precisava.

    Por isso é tão importante "Youtubizar" as empresas, criar conteúdo relevante para os seus clientes dentro do YouTube. O vídeo permite dar um rosto a marcas que não o tinham, conferir emoção mas, acima de tudo, tornar a marca única e útil.

    Vídeos tutoriais, dicas e conselhos têm ainda a vantagem de não se desactualizarem rapidamente, a não ser que mudem a receita da Margarita.

    Ao "Youtubizar" vai ficar mais perto dos seus clientes e eles muito mais perto de si. Vai assim conseguir criar uma comunidade de seguidores da sua marca e, mais cedo ou mais tarde, isso vai converter em vendas.

    Agora as novas TV Stars são os Youtubers e certamente que a sua empresa tem várias estrelas escondidas, talentos por descobrir que poderão ajudar a aumentar a visibilidade e humanizar a sua marca.

    “Youtubize” a sua empresa, ajude os seus consumidores e vai ver que mais tarde eles tambem o vão ajudar.

    Em 1979 os Buggles cantavam “Video Killed the Radio Star”, 40 anos depois diria que “Youtube Killed the TV Star”, o resto da letra está atual “We can´t rewind we´ve gonne too far”

    Nuno Carvalho
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    A nossa mensagem para si

    Esta mensagem é dirigida a si, que está desse lado, que é leitor, anunciante e a nossa fonte de informação. Daqui, quem fala é a equipa do Publituris.

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    Esta mensagem é dirigida a si, que está desse lado, que é leitor, anunciante e a nossa fonte de informação. Daqui, quem fala é a equipa do Publituris. Somos velhos conhecidos. Estamos juntos de segunda a sexta-feira. Às 7h00 marcamos encontro no seu email e penso que nunca falhámos.

    A nossa primeira mensagem para si é que esperamos que se encontre bem. A saúde é o bem maior da vida e, como tal, não há nada que se sobreponha. Faça tudo o que for possível para se manter saudável.

    Depois, esperamos que a pandemia possa ser controlada o mais rapidamente possível, porque sabemos que é disso que depende a retoma a uma nova normalidade.

    Também desejamos que, nesta fase, consiga manter o seu emprego, a sua empresa e a sua atividade. Estamos todos no mesmo barco. E numa altura em que estamos mais relacionados do que nunca, e mais dependentes uns dos outros do que nunca, a sua perda é a nossa perda.

    Neste tempo de incerteza, o medo é o nosso maior inimigo. Mas temos de ter a esperança que isto vai passar e que vamos retomar as nossas vidas. Mais do que nunca precisamos uns dos outros, precisamos de ser solidários e de entender que todas as nossas decisões têm impacto sobre alguém.

    Por último, queremos dizer-lhe que a nossa equipa encontra-se em teletrabalho há duas semanas. Esta mudança não teve qualquer impacto na produção dos nossos conteúdos online e em papel e até registámos o dobro das visitas ao site durante o mês de março. Embora os especialistas afirmem que as marcas devem continuar a comunicar, a maior mudança está a ocorrer no cancelamento de publicidade, o que, inevitavelmente, a manter-se ou a agravar-se, vai ter reflexo na nossa atividade. Sabemos que a informação é muito importante para o exercício da cidadania. O acesso a informação real, atualizada, plural e transparente é o que nos permite a tomada de decisões. E, a informação especializada desempenha um papel fundamental para os profissionais. Por isso, mais do que nunca, precisamos de si, não só desse lado, mas ao nosso lado.

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    Opinião | Juntos, conseguiremos!

    Leia a opinião de Jorge Abrantes, professor universitário na ESHTE e cofundador da Turilink – o emprego no Turismo.

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    Ninguém esperaria uma inversão tão rápida de um ciclo económico que, ainda há 2 meses, apontava para um ano turístico em crescimento, tal como tinha acontecido nos anos anteriores. Dados de janeiro de 2020 evidenciam esse bom momento com subidas nos principais indicadores de turismo. Vivemos hoje dias em 4D - diferentes, difíceis, disruptivos e deseperantes.

    O horizonte irradiava sol, com algumas pequenas nuvens no horizonte, fossem elas decorrentes de estrangulamentos na infraestrutura aeroportuária, no excesso de concentração de turistas e nos fenómenos de overtourism ou na falta de mão de obra e de profissionais para fazer face ao crescimento do setor. Até porque, do lado da procura, esta se mantinha em forte afirmação, como os números de janeiro evidenciam. Nuvens essas que rapidamente evoluíram para tempestades e tsunamis económicos com forte capacidade destruidora de riqueza.

    Já se sabe hoje, mesmo que a atual velocidade galopante dos desenvolvimentos  e acontecimentos desatualizem este breve contributo aquando da sua publicação, que o ano turístico corre sérios riscos de colapso, com muitas das empresas a terem dificuldades de ressurgir no pós-tormenta. De uma falta generalizada de mão de obra as empresas debatem-se agora em como manter os seus profissionais.

    A atual pandemia, além dos impactos na saúde pública e nos mercados financeiros, “fechou” o setor da aviação comercial mundial, dos cruzeiros e do turismo em geral, pois a capacidade de mobilidade ficou também ela “fechada”. Este “efeito dominó” tem sido catastrófico.

    Portugal já demonstrou anteriormente, como foi o período crítico após a crise financeira em 2008, agravada pelo período de pedido de assistência financeira, em 2011, que possui força e capacidade mobilizadora para transformar momentos difíceis em oportunidades.

    Assim aconteceu com o nosso turismo, verdadeiro motor da economia. Assim acontecerá também com este momento. Não cancele, adie! E opte por férias em Portugal, porque ... “juntos conseguiremos” (Insieme ce la faremo)!

    *Opinião de  Jorge Abrantes, professor universitário na ESHTE e cofundador da Turilink – o emprego no Turismo.

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    COVID-19: A virtualidade é sinónimo de potencialidade?

    Leia a opinião por Cristóvão Monteiro, Business Development Manager da Ubiwhere e Especialista em Marketing Territorial.

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    Vários dicionários registam virtualidade como sinónimo de potencialidade, palavra por sua vez definida também por caracterizar algo simulado pelas Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC).
    Perante a atual conjuntura que se vive neste momento, no país e no mundo, devido ao COVID-19, estará o turismo preparado para fazer face aos desafios de uma responsável quarentena como a que vivemos?
    O uso dos novos media e as consequências da sua exponencialidade na sociedade atual são cada vez mais um ponto de análise e reflexão. O potencial social das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) e os efeitos que produzem na forma de pensar e agir de cada indivíduo, são indiscutíveis e representam uma oportunidade inequívoca para o turismo.
    Tendo por base diversos estudos feitos sobre o novo consumidor, a incorporação das mais diversas tecnologias no quotidiano parece ser um facto inevitável. Agora, e perante esta situação de emergência poderá o turismo virtual ou digital constituir-se uma alternativa válida para a sustentabilidade dos museus e espaços turísticos bem como da cultura que estes representam?
    A Google Arts & Culture vem ajudar o turismo e a cultura a assumirem esta visão depois de estabelecer uma parceria com mais de 500 museus e galerias em todo o mundo.
    Através desta dinâmica é hoje possível visitar as melhores coleções de arte de sempre sem sair de casa e de forma gratuita. Desde o museu Van Gogh, em Amesterdão, à Galeria Nacional de Arte, em Londres, passando também por algumas das coleções do Museu Calouste Gulbenkian e até mesmo do Museu Coleção Berardo. Alguns têm até “street view”, permitindo ao utilizador andar pelo museu da mesma forma que anda pelas ruas através do Google Maps. Além de reunir a maior parte das tendências de comunicação digital de cultura, esta plataforma faz uma profunda interligação entre a arte e tecnologia.
    Embora as visitas virtuais apresentem uma panóplia de vantagens, muitas vezes são vistas como negativas no sentido em que afastam as pessoas da visita física, no entanto importa realçar que estas não foram criadas para substituir as experiências presenciais. No paradigma atual cada vez mais, as histórias são os principais argumentos de comercialização. Nesse sentido é relevante olhar para as estratégias dos museus e perceber que efetivamente é necessário inovar dentro e fora de portas e que estes, sejam capazes de transmitir os seus conceitos ao mesmo tempo que possibilitam aos diversos públicos experiências inovadoras através da interligação com o respetivo património.
    Esta virtualidade tecnológica deve assumir-se como complemento do espaço físico do museu, facilitando e potenciando a comunicação dos locais, bem como, captar a atenção do visitante, possibilitando uma nova visão do objeto museológico.
    Desta forma, e perante o paradigma atual, poderá ser o COVID-19 uma oportunidade para repensar o modelo de comunicação no turismo e avaliar o impacto que a virtualidade poderá ter no universo cultural e patrimonial?

    Por Cristóvão Monteiro, Business Development Manager da Ubiwhere e Especialista em Marketing Territorial

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    Covid-19: Uma Doença (Económica) Sem Cura

    Leia a opinião Ricardo Barradas, Professor Universitário ISCAL – Instituto Politécnico de Lisboa.

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    As doenças mais assustadoras são aquelas para as quais não existe ainda uma cura propriamente dita e que são simultaneamente bastante contagiosas. Parece-nos ser este o caso do novo coronavírus, cientificamente designado por Covid-19. Apesar dos esforços, a vacina ainda está por descobrir, o que é agravado pelo facto desta doença propagar-se a um ritmo exponencial à escala mundial. Os diversos serviços nacionais de saúde do mundo inteiro estão sobre uma enorme pressão, não sendo de excluir a hipótese de colapso - como acontece em Itália - se os casos de infecção continuarem a multiplicar-se de dia para dia. Estão assim criadas as condições para um certo alarmismo social, que se tem reflectido já em comportamentos de pânico e do salve-se quem puder a nível individual, tais como corridas às farmácias e/ou açambarcamento nos supermercados.

    Este sentimento de pânico atingiu também os mercados financeiros, assistindo-se a uma enorme volatilidade nos índices accionistas nos últimos dias e a quedas de alguns índices sem precedentes na história. Mas porque razão os investidores também estão assim tão alarmados? É certo que a recessão económica está à vista, mas isso por si só não seria suficiente para desencadear as avultadas perdas nas bolsas mundiais. Afinal de contas, esta não será a primeira nem a última recessão que os países enfrentarão, mais do que não seja porque é amplamente conhecido que a economia evolui por ciclos.

    O problema que se coloca agora é que esta recessão pode não ter cura, tal como o Covid-19. Os bancos centrais e os governos têm actualmente poucos ou nenhuns instrumentos à sua disposição para mitigar os efeitos negativos na economia que ocorrerão. Repare-se que as taxas de juro não têm muito mais margem para descer, o que significa que estímulos monetários adicionais não são esperados. Além disso, não basta aumentar as linhas de crédito às empresas se depois não existir procura por parte das famílias para que as empresas possam escoar a sua produção. O próprio Banco Central Europeu anunciou que devem ser os governos de cada país a conter os riscos recessivos descendentes, nomeadamente aumentando a despesa pública. Mas num contexto de queda das receitas públicas, o aumento das despesas tenderá a implicar um aumento do défice e, por conseguinte, da dívida pública. Perante isto, os governos dos diferentes países (sobretudo dos países mais endividados) poderão mostrar-se relutantes em adoptar a tradicional receita keynesiana sob pena das contas públicas ficarem descontroladas e de serem necessários novos pedidos de resgaste ao FMI e, consequentemente, a adopção de novos programas de austeridade cuja receita já é por nós conhecida e cujo tratamento é pior do que a doença.

    Para que isto não aconteça e para que os efeitos recessivos sejam efectivamente subtis, é impreterível que a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu se comprometam a tudo fazer para salvaguardarem os países que incumprirem as regras orçamentais do Tratados de Maastricht (défice público abaixo de 3% do PIB e dívida pública inferior a 60% do PIB). Os governos deverão seguir uma atitude responsável, aumentando as despesas nas verdadeiras necessidades do país, nomeadamente no reforço e na salvaguarda do serviço nacional de saúde, na protecção do emprego e no crescimento económico.

    *Por Ricardo Barradas, Professor Universitário ISCAL – Instituto Politécnico de Lisboa

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    Coronavírus (Covid-19) e o futuro do turismo de comércio

    Leia a opinião por João Andrade de Barros, especialista em Turismo de Compras e CEO da b.free! Portugal

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    Um dos grandes objetivos de 2020 para o Turismo de Compras a nível nacional era sem dúvida atrair os turistas de diversas nacionalidades, sabendo em antemão que a nacionalidade chinesa é de facto representativa neste sector, mas tendo em conta o aparecimento e crescimento do Coronavírus (Covid-19) a nível mundial, todo o panorama mudou repentinamente, sem que as empresas tivessem oportunidade para pensar atempada e estrategicamente em planos de contingência, para as suas insígnias.
    O turismo de compras no mercado nacional tem crescido graças à presença de turistas de diversas nacionalidades com particular expressão para a nacionalidade chinesa, sobretudo em lojas do segmento de luxo. E a ausência destes turistas terá impacto em Portugal, impacto esse que já se está a começar a evidenciar, não só pela ausência destes, com qualquer outro turista, de outra nacionalidade. O surto do novo coronavírus (Covid-19) provocou uma quebra acentuada de turistas, que se começou a verificar no início de março e tem vindo a ganhar terreno de forma exponencial, até chegarmos ao momento mais dramático que poderá ser a declaração do estado de emergência, decretado pelos três órgãos de soberania; Presidente da República, Governo e Assembleia da República.
    Com esta medida e tendo em conta a obrigatoriedade de isolamento social imposto pelas autoridades de saúde, os cidadãos têm obrigatoriamente de o cumprir, o que significa que neste momento o turismo será inexistente e consequentemente, o comércio e as compras.
    Neste momento o grande dilema pelo qual as pessoas e empresas estão a passar, passa por perceber timings, até quando a situação se vai manter e as empresas vão conseguir manter um balão de oxigénio para a sobrevivência das suas insígnias, principalmente das pequenas e médias empresas.
    O setor do turismo está a assistir a um rápido abrandamento devido às medidas restritivas para ajudar a conter a epidemia e o turismo e comércio já estão a registar quebras muito significativas para o negócio. É imperativo o governo tomar medidas fundamentais para ajudar o setor, que têm de ser exequíveis a todas as empresas na área do turismo e possam ser colocadas em prática da forma mais célere possível. E esta reposta tem de tentar salvaguardar a tesouraria das empresas. O Governo deve também proteger e garantir a saúde das empresas, além da saúde e bem-estar dos cidadãos.
    Acreditamos que esta crise deverá ser temporal, o turismo e o comércio têm demonstrado ter uma grande capacidade de recuperação e no seio desta instabilidade, é importante ter uma postura de otimismo e tranquilidade, para juntos tentarmos continuar a operar, dentro das contingências atuais, de forma a superar este duro golpe à economia nacional e internacional.
    Assim que a epidemia desaparecer, é importante voltar a persuadir os turistas e isso deverá ser uma questão prioritária na agenda do governo. Retomar a economia, incentivar ao consumo e comércio, reposicionando Portugal como um destino turístico de lazer, mas também de compras. O que Portugal conquistou nestes últimos cinco anos, ao nível do turismo, não pode ser perdido em alguns meses, é essencial voltar a conquistar os turistas, quer nacionais como estrangeiros.
    O governo, a indústria, o setor regular assim como as entidades de tax free devem caminhar no mesmo sentido para procurar novas soluções, de forma a impulsionar novamente o turismo de compras, que tanto tem crescido a nível nacional nos últimos dois anos, com especial enfoque para as transações de tax free, reguladas pela autoridade Tributária desde 2018.

    *Por João Andrade de Barros, especialista em Turismo de Compras e CEO da b.free! Portugal

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