WTTC: Novas quarentenas vão “destruir” setor das viagens e turismo

Por a 26 de Janeiro de 2021 as 11:29

As novas medidas restritivas que estão a ser adotadas por alguns países, como as quarentenas obrigatórias à chegada, vão “destruir o setor das viagens e turismo como o conhecemos”, alertou esta terça-feira, 26 de janeiro, o Conselho Mundial das Viagens e Turismo (WTTC, sigla em inglês).

O organismo, que representa o setor privado das viagens e turismo a nível mundial, está particularmente preocupado com os planos do Reino Unido, que pretende tornar obrigatória uma quarentena em hotel para quem chegar ao país.

Na nota divulgada, o WTTC diz que  “teme que o impacto incapacitante das novas propostas que estão sendo consideradas pelo governo do Reino Unido causem danos irreparáveis ​​a um setor que contribui com quase 200 mil milhões de libras para a economia do Reino Unido”.

O organismo lembra que, nos últimos nove meses, as restrições às viagens foram “devastadoras” para o setor, que assistiu à destruição de um sem número de empresas e viu milhões de empregos perdidos ou colocados em risco, assim como a descida da confiança para viajar.

No comunicado divulgado, Gloria Guevara, presidente e CEO do WTTC, alerta mesmo que o setor das viagens e turismo britânico está a lutar pela “sobrevivência” e considera que, com um estado “tão frágil”, “a introdução de quarentenas em hotéis pelo governo do Reino Unido poderia forçar o colapso completo das viagens e turismo”.

“Os viajantes e turistas simplesmente não reservariam viagens de negócios ou lazer sabendo que teriam de pagar o isolamento num hotel, causando uma queda drástica nas receitas de todo o setor”, critica a responsável.

Gloria Guevara considera que o efeito duma medida destas seria “devastador” para todos os setores das viagens e turismo, como companhias aéreas ou agências de viagens, e atrasaria ainda mais a recuperação económica e alerta que “mesmo a ameaça de tal ação é suficiente para causar consternação e sério alarme”.

“O WTTC acredita que as medidas introduzidas pelo governo na semana passada – teste COVID-19 antes da partida, seguido de quarentena curta e outro teste se necessário- podem parar o vírus e ainda permitir a liberdade de viajar com segurança”, aponta a presidente e CEO do WTTC, sublinhando o sucesso que esta medida tem alcançado em alguns países, como a Islândia, e advertindo, no entanto, que é preciso que “essas medidas tenham algum tempo para funcionar”.

O WTTC acredita que a adoção generalizada de medidas como a realização de testes, vacinação e uso obrigatório de máscara, é “altamente eficaz” e lembra que, “apesar de meses de quarentenas forçadas após a viagem, não há absolutamente nenhuma evidência que sugira que funcionem”.

“Mesmo os números dos próprios governos mostram que as quarentenas não se mostraram eficazes na redução da propagação da COVID-19. A transmissão na comunidade continua a representar um perigo muito maior do que as viagens internacionais”, considera o organismo, que recorda ainda a posição do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC), que considerou que “as quarentenas não são uma medida eficaz de saúde pública e apenas impedem as viagens”.

 

 

 

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