Assine já
Distribuição

“Conseguir pagar os reembolsos a todos os nossos clientes é o desafio da nossa sobrevivência”, alerta Costa Ferreira

Sobrevivência e criação de valor são as palavras-chave que vão marcar a distribuição turística no próximo ano, salienta o presidente da APAVT que participou na GEA Web Conference 2020.

Raquel Relvas Neto
Distribuição

“Conseguir pagar os reembolsos a todos os nossos clientes é o desafio da nossa sobrevivência”, alerta Costa Ferreira

Sobrevivência e criação de valor são as palavras-chave que vão marcar a distribuição turística no próximo ano, salienta o presidente da APAVT que participou na GEA Web Conference 2020.

Sobre o autor
Raquel Relvas Neto
Artigos relacionados
“Temos uma lista credível, de gente conhecida e transversal”
Homepage
Publituris Hoje: TAP e operadores: Qual o futuro?
Homepage
“Há uma grande probabilidade do verão ser melhor” e permitir retoma turística
Homepage
Nova edição: Futuro das agências de viagens, FITUR e marketing digital
Homepage

2021 vai marcar o setor da distribuição turística com alterações profundas. Tentar antever e identificar que alterações vão ser essas foi o que norteou o tema de um dos painéis da Conferência da GEA  2020, que este ano se realizou apenas virtualmente.
Pedro Costa Ferreira, presidente da APAVT, que interveio no painel “As mudanças previsíveis na cadeia de valor na era pós-COVID desde o comportamento no consumidor até ao produto. Como adaptarmo-nos?”, sublinhou e alertou que,  no próximo ano, as agências de viagens vão  vender viagens através de vales de viagens não realizadas em 2020 ou de reembolsar os seus clientes até ao dia 31 de dezembro de 2021. “Conseguir, ao longo de 2021, pagar os reembolsos a todos os nossos clientes é um verdadeiro desafio de manutenção de postos de trabalho e de agências de viagens. É o desafio da nossa sobrevivência”, advertiu o responsável.
Para o presidente da APAVT, todo o trabalho “notável” que as agências de viagens realizaram no início da pandemia de repatriamento de turistas portugueses que estavam espalhados além-fronteiras não vai ser relembrado se “não formos capazes de reembolsar os valores que os clientes têm à nossa guarda”.

A centralidade do nosso problema em 2021, não é só a criação de valor, mas também a percepção por parte do nosso cliente de que esse valor é criado “, Pedro Costa Ferreira

É do cumprimento do plano de reembolsos previstos durante o próximo ano que vai depender também a sobrevivência das agências de viagens. O presidente da APAVT explica que o previsto início de retoma da atividade das agências de viagens vai passar pelos vales dos reembolsos a realizar aos consumidores. “Os vales estão já todos pagos pelos nossos clientes, são já dívidas nossas aos nossos clientes. Mas uma parte dos reembolsos dos nossos fornecedores já foram recebidos por nós e foram gastos em custos diretos necessários para não falirmos”, explicou o responsável à assistência.  Costa Ferreira sublinha ainda que este “vai ser um momento de grande dificuldade de tesouraria, sobretudo num momento em que o financiamento será mais difícil”.

E para o presidente da APAVT esta deve ser uma preocupação de todo o setor da distribuição turística. “Este ato de sobrevivência e esta necessidade de tesouraria não é apenas um desafio empresarial, é um desafio enquanto setor, porque se uma significativa parte de nós não conseguir sobreviver e reembolsar os seus clientes, por melhores que sejam aqueles que ficarem no mercado, o setor fica incomodado com uma ideia de falta de credibilidade”, alerta.

Contudo, o responsável, em resposta ao repto de Pedro Gordon, diretor-geral do Grupo GEA, salienta que existe uma necessidade de melhor continuar “o trabalho de comunicação das eventuais mais-valias das agências de viagens”. Além da sobrevivência, a criação de valor por parte das agências de viagens é também um dos aspectos fulcrais do setor no próximo ano. “A centralidade do nosso problema em 2021, não é só a criação de valor, mas também a percepção por parte do nosso cliente de que esse valor é criado”, esclarece.

Alterações na cadeia de valor
Costa Ferreira identifica que a atual crise tem um maior impacto, não tanto ao nível da oferta ou do consumidor, mas sim ao nível dos modelos de negócio em vigor. O presidente da APAVT adverte que o atual ambiente macroeconómico “afasta completamente o modelo de baixa margem e/ou assentes em crédito. Será inviável ter um modelo de viagens assente em baixa margem e/ou assente em crédito”. Como explica o responsável, “ninguém vai conseguir aumentar a margem ou vender sem crédito se não criar valor, seja por criatividade, por inovação, por diferenciação”.
Assim,  no futuro próximo, o líder associativo aponta que, “face a todas as alterações ao longo da cadeia de valor, nós temos uma urgência – sobrevivência – e uma importância – a criação de valor”.

“A verdade é que a segurança de quando há problemas de ter alguém, em quem o cliente final confia, é fundamental. Julgo que o cliente vai, cada vez mais, jogar pela segurança”, Nuno Mateus

Na perspectiva de Nuno Mateus, diretor-geral do operador turístico Solférias, o grande desafio nas operações do próximo ano vai ser a flexibilidade nos cancelamentos. “Vínhamos de um processo em que o cliente reservava com uma antecedência maior e, naturalmente, essa parte sentimos que está beliscada porque as pessoas não se importam de reservar para o verão”, indica, referindo que já se está a verificar alguma procura para a próxima época alta. No entanto, os clientes, sublinha, “querem ter garantias de que, no caso de haver alguma reviravolta, que haja uma salvaguarda”.

Nuno Mateus salienta ainda um aspecto que favorece as agências de viagens e operadores turísticos que é a segurança nas reservas que efectuam. “A verdade é que a segurança de quando há problemas de ter alguém, em quem o cliente final confia, é fundamental. Julgo que o cliente vai, cada vez mais, jogar pela segurança”.

Outo dos desafios para o responsável do operador turístico vai ser saber as regras de cada país. Para Nuno Mateus é imperativo e fundamental que exista uma uniformização dos processos de viagens e não que cada país aplique a sua regra, como se verifica atualmente.

Também um dos convidados do painel,  António Loureiro, diretor-geral da Travelport em Portugal, apoiou-se num inquérito promovido pela empresa tecnológica para antever o que será o ano de 2021. Segundo as conclusões do inquérito da Travelport, 34% dos inquiridos da faixa etária entre os 18-34 anos, que anteriormente não tinham as agências de viagens como veículo na marcação das suas viagens,  vai passar a contar com estas no processo.

“Uma parte considerável dos consumidores, apenas 5% valoriza a interação humana com o agente de viagens, o que significa que vamos ser obrigados a acelerar o que é a criação de valor e a forma como comunicamos”, destaca também o responsável da Travelport.

Viagens a familiares e amigos, viagens de pequenas e médias empresas no corporate; estadas mais longas; maior flexibilidade das regras de viagens são algumas das tendências apuradas pela análise da Travelport.

A representar a hotelaria na cadeia de valor, Pedro Ribeiro, diretor de marketing e vendas da Dom Pedro Hotels, constatou que, para o próximo ano, o segmento MICE é o que terá perspectivas de recuperação “mais complicadas”. “Antes do segundo semestre de 2021 será muito difícil que consigamos operar grupos de incentivos e conferências”, refere, explicando que as empresas estão mais apreensivas para retomarem estas iniciativas, mas que a partir de setembro poderá registar-se uma “forte procura” para este segmento de negócio. Pedro Ribeiro aproveitou o momento para também enaltecer o papel que as agências de viagens têm como promotores das unidades do grupo hoteleiro, realçando que esta “é uma parceria para manter”.

Sobre o autorRaquel Relvas Neto

Raquel Relvas Neto

Mais artigos
Artigos relacionados
Transportes

Turkish Airlines prevê chegar aos 10 voos semanais no Porto no verão

Depois da paragem dos voos para o Porto motivada pela pandemia, a companhia aérea turca já está em franca recuperação e conta voltar a aumentar o número de ligações aéreas na Invicta já no próximo verão, que devem chegar aos 10 voos por semana.

Inês de Matos

Depois da paragem dos voos para o Porto motivada pela pandemia, a companhia aérea turca já está em franca recuperação e conta voltar a aumentar o número de ligações aéreas na Invicta já no próximo verão, que devem chegar aos 10 voos por semana.

Com a COVID-19, os voos da Turkish Airlines entre o Porto e Istambul estiveram suspensos cerca de um ano e só foram retomados a 29 de março de 2021. Numa fase inicial, a operação regressou com quatro voos por semana e com uma procura mais fraca, pois os passageiros estavam “ainda reticentes em viajar”, diz ao Publituris Nuno Sousa Figueiredo, Regional Marketing Representative da Turkish Airlines, à margem de uma viagem de familiarização a Istambul, promovida em parceria com o operador turístico Viagens Tempo, explicando que, além da COVID-19, notava-se também preocupação porque ainda “havia muitos países com fronteiras encerradas e porque existiam também muitos procedimentos novos”.
Mas, aos poucos, a confiança regressou, muito por culpa da vacinação, que permitiu um maior sentimento de segurança e veio simplificar os procedimentos de viagem. “A vacinação foi, sem dúvida, um fator que contribuiu para o aumento da confiança dos passageiros”, garante Nuno Sousa Figueiredo, considerando que, em Portugal, “o sucesso da vacinação fez diferença e isso fez com que as pessoas sentissem uma certa segurança para viajar”. “O facto, também, de terem a vacinação completa fez com que fosse mais fácil viajar porque a maior parte dos países aceitam as nossas vacinas”, acrescenta.
No entanto, não era apenas a situação em Portugal que preocupava os passageiros da Turkish Airline, já que, admite o responsável, também “existia preocupação e receio por parte dos portugueses em relação à Turquia”. Contudo, Nuno Sousa Figueiredo diz que “a Turquia também lidou muito bem com a situação” e adotou de imediato várias medidas para conter a transmissão do vírus, incluindo no aeroporto de Istambul e a bordo dos voos da Turkish Airlines.
E foi também para mostrar a segurança do destino que a Turkish Airlines se associou às Viagens Tempo para levar um grupo de sete agentes de viagens a Istambul, numa viagem de familiarização que, além de dar conhecer o destino, pretendeu também mostrar a situação epidemiológica na Turquia, assim como todas as regras que os passageiros da Turkish Airlines e turistas têm de cumprir na chegada ao destino.
Certo é que as regras adotadas também na Turquia acabaram por tranquilizar os passageiros, não sendo, por isso, de estranhar que a procura pelos voos da companhia aérea turca tenha voltado a disparar à beira do verão. “Começou a haver mais confiança dos passageiros e do mercado e, a partir de junho, começámos a ver a nossa taxa de ocupação a aumentar e aumentámos a nossas frequências para cinco”, explica o responsável da Turkish Airlines para a região Norte, que faz um balanço positivo do período estival. “Tivemos cinco voos por semana durante o verão para Istambul e os meses de julho e agosto foram, na verdade, muito bons”, indica.
A elevada procura levou a Turkish Airlines a alterar também os planos para este inverno, uma vez que, ao contrário do que estava inicialmente previsto, a companhia aérea está a realizar cinco ligações por semana entre o Porto e Istambul, mais uma do que tinha inicialmente preparado, uma vez que a taxa de ocupação dos voos para este inverno chegava aos 85%. “Inicialmente tínhamos planeado fazer quatro voos por semana, mas as reservas começaram a subir e começámos a ver que, mesmo para o inverno, a taxa de ocupação da rota do Porto estava muito elevada e, por isso, decidimos colocar mais um voo no inverno”, explica Nuno Sousa Figueiredo, revelando que a operação da Turkish Airlines no Porto vai contar com cinco voos por semana até 26 de março de 2022, com voos às segundas, terças, quintas, sextas e sábados.

2022
Para a Turkish Airlines, 2022 será um ano de recuperação e 2023 deverá já ser o ano que marca o retorno da companhia aérea aos números pré-pandemia. Nuno Sousa Figueiredo mostra-se confiante quanto ao futuro e diz que, a manter-se o ritmo de reservas, a Turkish Airlines já se deverá, no próximo ano, “aproximar dos números de 2019”. “Se o crescimento ao nível de reservas continuar à velocidade que temos neste momento, rapidamente vamos chegar aos números de 2019”, admite, referindo que a única dúvida é, por enquanto, o número de voos que a Turkish Airlines vai disponibilizar no próximo verão. Nuno Sousa Figueiredo diz que, por enquanto, ainda não sabe o número de voos para o verão de 2022, nomeadamente a partir de abril, mas adianta que a operação será “com certeza diária”, ainda que admita que, se a taxa de reservas continuar a subir, seja possível chegar aos 10 voos por semana. “Estou bastante otimista para 2022 e para o futuro”, acrescenta.
Apesar do otimismo, o responsável da Turkish Airlines no Norte do país admite que, em consequência da pandemia, se tornou cada vez mais difícil prever as taxas de ocupação dos voos, uma vez que as reservas passaram a ser “feitas com uma ou duas semanas de antecedência”. “Antigamente conseguíamos prever a taxa de ocupação com quatro ou cinco meses de antecedência, mas durante a pandemia passou a ser muito difícil conseguirmos fazê-lo. Não é que as reservas sejam last minute, mas são feitas com uma ou duas semanas de antecedência”, lamenta.
Consequência da pandemia foi também a redução do tráfego corporate que, apesar de já estar a recuperar, continua ainda muito abaixo do que seria normal. “O mercado corporate começa a mexer, mas só começámos a ver alguma evolução a partir de outubro. Mesmo assim, ainda está muito em baixo”, confessa, revelando que, no caso da Turkish Airlines, isso também se deve ao facto de muitos países asiáticos continuarem a manter as fronteiras encerradas para estrangeiros e a adotarem procedimentos restritos de viagem, já que muitos dos passageiros corporate da companhia aérea turca “viajavam muito para essa área geográfica, via Istambul”. “Portanto, existe corporate, mas o lazer é o tipo de passageiro que nós mais temos”, acrescenta.

Aeroporto de Istambul
A viagem de familiarização a Istambul incluiu também uma visita ao novo aeroporto de Istambul Arnavutköy, que foi inaugurado em outubro de 2018, tornando-se num dos maiores do mundo. Para a Turkish Airlines, que se mudou para o novo aeroporto em abril de 2019, a nova infraestrutura aeroportuária veio trazer uma “lufada de ar fresco”, como diz Nuno Sousa Figueiredo, uma vez que o Aeroporto de Atatürk, que funcionou até à abertura da nova infraestrutura, “estava ultrapassado, esgotado, estava a arrebentar pelas costuras”. “Era um aeroporto desatualizado e que não tinha mais por onde crescer. Por isso, foi tomada a decisão de construir este novo aeroporto, que é muito moderno e que está ainda na primeira fase”, explicou o responsável, revelando que atualmente o aeroporto de Istambul tem três pistas em funcionamento, mas que, quando entrar na terceira e última fase, o que deverá acontecer em 2030, vai passar a contar com um total de nove pistas.
Além das vantagens em termos operacionais, o novo aeroporto permite também oferecer um “maior conforto” aos passageiros, uma vez que, destaca Nuno Susa Figueiredo, “em todo o aeroporto há diversas áreas para descansar e para relaxar”, a exemplo do lounge Miles&Smiles da Turkish Airlines, que o Publituris visitou. O lounge executivo está, por enquanto, encerrado devido às limitações introduzidas por causa da COVID-19.
Para a companhia, que tem o seu hub em Istambul, o aeroporto de Istambul Arnavutköy tem ainda a vantagem de permitir serviços que a Turkish Airlines não conseguia disponibilizar no anterior aeroporto por falta de espaço, a exemplo dos balcões de check-in dedicados a pessoas com mobilidade reduzida, a passageiros que viajam com animais de companhia ou para quem tem viagens com destino aos EUA ou Canadá. “Este aeroporto também nos permitiu ter outro tipo de atendimento e ter balcões de check-in e atendimento dedicados, que não tínhamos no antigo porque não havia espaço. Houve o cuidado de criar vários espaços dedicados ao destino final, a passageiros com necessidades especiais e espaços pet-friendly para quem viaja com companheiros de quatro patas”, sublinha, considerando que, apesar do “grande investimento que representou para a Turquia”, este era um aeroporto necessário.
O aeroporto de Istambul Arnavutköy motivou um investimento de mais de 12 mil milhões de dólares, ocupa uma área total de oito mil hectares e tem capacidade para receber 90 milhões de passageiros. No futuro, quando estiver na terceira e última fase, deverá receber 200 milhões de passageiros por ano.
Para viajar para a Turquia, é necessário certificado de vacinação ou teste negativo e preencher um formulário online, disponível em https://register.health.gov.tr.

*A jornalista viajou a convite da Turkish Airlines e das Viagens Tempo.

Sobre o autorInês de Matos

Inês de Matos

Mais artigos
Transportes

Ryanair crítica decisão de Bruxelas e pede libertação de ‘slots’ antes do verão

A reação era esperada e surge um dia após a aprovação da ajuda à TAP por parte da Comissão Europeia. A Ryanair pede, agora, que os ‘slots’ sejam libertados antes do verão de 2022, de modo a “não dificultar a operação da concorrência e a escolha de companhias aéreas low-cost”.

Victor Jorge

Um dia depois da Comissão Europeia (CE) ter dado a conhecer a decisão favorável ao auxílio dado pelo Governo português à TAP, a Ryanair vem criticar essa mesma decisão anunciada na terça-feira, dia 21 de dezembro, pela Comissária Europeia Margrethe Vestager.

Em comunicado, a companhia liderada por Michael O’Leary, refere que os mais de 2,6 mil milhões de euros em auxílios estatais à TAP “equivalem a 260 euros por cada homem, mulher e criança em Portugal, para uma companhia aérea que transporta apenas 14 milhões de passageiros por ano”.

De resto, as críticas à ajuda dada pelo Estado português à TAP têm sido frequente nas visitas de Michael O’Leary a Lisboa, tendo a Ryanair apelado à Comissária Vestager que “assegurasse que qualquer auxílio estatal à TAP fosse acompanhado por medidas de concorrência realistas que reduzissem o domínio dos ‘slots’ da TAP no Aeroporto de Lisboa”. Michael O’Leary tinha inclusivamente pedido a “libertação” de 250 ‘slots’ (semana) por parte da TAP numa das últimas conferências de imprensa realizadas em Lisboa, salientando agora que, “com plano de redução da frota da TAP em 30%”, a companhia low-cost frisa que “a companhia aérea portuguesa não poderá utilizar todos os ‘slots’ no Aeroporto de Lisboa no Verão de 2022”, solicitando, assim, que os ‘slots’ em Lisboa sejam “libertados até ao verão de 2022 e não adie a decisão até ao inverno”.

Na opinião da Ryanair, a decisão da Comissária Vestager, exigindo que a TAP “apenas” entregue 18 ‘slots’ por dia (menos de 5% do total de ‘slots’ em Lisboa), a partir de novembro de 2022, “permite à TAP continuar a bloquear os mesmos na capital portuguesa e continuar a dificultar a operação da concorrência e a escolha de companhias aéreas low-cost como a Ryanair”.

Por esta razão, a Ryanair questiona a Comissária Vestager “sobre quais os motivos pelos quais a levaram a concluir que o desinvestimento de menos de 5% dos ‘slots’ da TAP em Lisboa – e só a partir de novembro de 2022 – é uma solução adequada à luz da enorme distorção da concorrência que seguirá em Lisboa com 2,6 mil milhões de euros disponibilizados à TAP para efetuar vendas abaixo do custo”.

Se para Michael O’Leary “não há justificação económica para conceder a uma companhia aérea como a TAP mais de 2,6 mil milhões de euros em auxílios estatais, protegendo-a da concorrência no Aeroporto da Portela, em Lisboa”, o CEO da Ryanair avança, no comunicado, que a Comissária Margrethe Vestager “errou, claramente, ao não exigir à TAP a entrega de pelo menos 30% dos seus ‘slots’ diários em Lisboa, equivalente à redução de 30% da sua frota”.

Além de considerar que o adiamento da entrega dos ‘slots’, desde o verão até ao inverno de 2022, “prejudicar ainda mais a concorrência e as escolhas dos consumidores em Lisboa e atrasar a recuperação do Aeroporto da Portela, no decorrer da pandemia”, o apelo feito a Vestager vai no sentido de “parar de conceder auxílios estatais a transportadoras aéreas nacionais sem futuro, e que comece a promover a concorrência e o interesse dos consumidores, acelerando os desinvestimentos significativos de ‘slots’ o mais cedo possível, mesmo quando transportadoras aéreas nacionais recebem milhares de milhões de euros em auxílios estatais desperdiçados”.

Sobre o autorVictor Jorge

Victor Jorge

Mais artigos
linha de crédito
Destinos

Receitas turísticas sobem 109% em outubro face a mês homólogo de 2020

Apesar da subida face ao ano passado, as receitas turísticas continuam a apresentar descidas expressivas em comparação com 2019, tanto no mês de outubro como no acumulado desde janeiro, segundo o Banco de Portugal.

Inês de Matos

Em outubro, as receitas provenientes da atividade turística somaram 1.246,51 milhões de euros, número que indica uma subida de 109% face a outubro de 2020, quando este indicador estava nos 595,95 milhões de euros, segundo os dados revelados esta quarta-feira, 22 de dezembro, pelo Banco de Portugal (BdP).

Apesar da forte subida face a outubro do ano passado, as receitas turísticas de outubro – que resultam dos gastos dos turistas estrangeiros em Portugal –  mostram, no entanto, que os valores ainda estão aquém do reportado em igual mês de 2019, quando a pandemia ainda não tinha chegado, apresentando ainda um decréscimo de 19,8% face aos 1.554,47 milhões de euros apurados neste mês em 2019.

Em comparação com setembro, também houve uma descida, ainda que muito mais moderada, uma vez que as receitas turísticas de setembro tinham somado 1.323,44 milhões de euros, o que traduz uma descida de 5,8% em outubro.

Na nota divulgada esta quarta-feira, o BdP diz que, em outubro, as “exportação de viagens e turismo recuperaram”, mas mantiveram-se ainda “aquém dos volumes observados em 2019”.

Já as importação do turismo, que são compostas pelos gastos dos turistas portugueses no estrangeiro, chegaram, em outubro, aos 332,18 milhões de euros, valor que também traduz uma forte subida face a outubro de 2020 que chegou aos 73,2%, ainda que, na comparação com igual mês de 2019, quando este indicador estava nos 374,15 milhões de euros, se mantenha uma descida que chega aos 11,2%.

De setembro para outubro, a importações do turismo sofreram, no entanto, uma descida de 30,2%, uma vez que, em setembro, este indicador somava 475,61 milhões de euros, enquanto em outubro não foi além dos 332,18 milhões de euros, o que também pode ser compreendido pelo facto de setembro ainda ser um mês de férias para muitos portugueses, ao contrário de outubro.

Em outubro, o saldo da rúbrica Viagens e Turismo foi de 914,34 milhões de euros, valor que também traduz um forte crescimento de 126% face ao mesmo mês de 2020, quando o valor do saldo desta rúbrica se ficava pelos 404,21 milhões de euros. O saldo apresenta também um tendência positiva face a setembro, quando chegava aos 847,83 milhões de euros, o que traduz um aumento de 7,8% face a outubro.

Já em comparação com outubro de 2019, o resultado continua a ser negativo, uma vez que o saldo da rúbrica viagens e turismo apresenta uma descida de 22,5% face aos 1.180,31 milhões de euros contabilizados em mês homólogo de 2019.

No acumulado do ano, as receitas turísticas chegam já a 8124,07 milhões de euros, valor que está já acima do registado até outubro do ano passado, quando o valor acumulado das receitas turísticas chegavam aos 6818,48 milhões de euros, o que traduz um aumento de 19,1%.

No entanto, continua a existir uma diferença expressiva face ao acumulado até outubro de 2019, quando o valor das receitas turísticas era de 16,244,22 milhões de euros, o que indica uma descida de perto de 50% face ao acumulado até outubro de 2019.

 

 

 

Sobre o autorInês de Matos

Inês de Matos

Mais artigos
Transportes

TAP “salva-se”, vende, cede ‘slots’, mas não será ‘tapezinha”, diz ministro

Afinal, a prenda de Natal chegou à TAP. Com a aprovação do plano de reestruturação pela Comissão Europeia, a companhia aérea nacional vê-se forçada a vender empresas, a ceder 18 ‘slots’ por dia, mas, concluindo, continua TAP e não ‘tapezinha’.

Victor Jorge

Depois de na parte da tarde ter surgido a notícia de que a Comissão Europeia ter admitido ver “viabilidade a longo prazo para a TAP” e ter prometido uma decisão antes do Natal sobre o plano de reestruturação, alertando, no entanto, que deveria implicar “remédios”, eis que a companhia aérea [e Governo] receberam a notícia de que (afinal) a TAP tem “salvação).

A Comissão Europeia (CE) aprovou, no quadro das regras da União Europeia (UE) em matéria de auxílios estatais, a reestruturação da TAP.

Mas o que significa isso? Ora, segundo o comunicado, a CE aprova o auxílio do Estado português de 2.550 milhões de euros para reestruturar o grupo TAP (TAP SGPS), somando-lhe 107 milhões de euros à TAP Air Portugal para compensar os prejuízos devidos à pandemia de coronavírus, em resultado da pandemia de coronavírus, entre 1 de julho e 30 de dezembro de 2020.

Analisando esta aprovação da CE, regista-se que Bruxelas impôs remédios, com a TAP a ter de ceder 18 slots diários no aeroporto de Lisboa (o que equivale a 5% dos slots) e vender três empresas, ou melhor, “dividir atividades” no caso da TAP e Portugália; alienar filiais em atividades adjacentes de manutenção e assistência em escala (VEM Brasil); e os de ‘catering’ e de ‘handling’, que deverão ser alienados.

Além disso, a TAP SGPS e a TAP Air Portugal ficarão “inibidas de efetuar quaisquer aquisições e reduzirão a frota até ao final do plano de reestruturação, racionalizando a sua rede e ajustando-se às previsões mais recentes que estimam que a procura não irá recuperar antes de 2023 devido à pandemia de coronavírus”, lê-se no comunicado da CE.

A Comissão indica que, a TAP disponibilizará até “18 faixas (slots) horárias por dia no aeroporto de Lisboa a uma transportadora concorrente”, visto que, “a TAP Air Portugal tem uma vasta presença no aeroporto de Lisboa, que se encontra estruturalmente muito congestionado, o que se traduz na impossibilidade de as companhias aéreas terem acesso às faixas horárias de aterragem e de descolagem que solicitam para operarem no aeroporto”. Por esta razão, a CE diz que “são necessárias medidas adicionais para preservar uma concorrência efetiva neste aeroporto [Lisboa]”.

A disponibilização destes slots serão organizados pela Comissão num processo de seleção “transparente e não discriminatório” (com o apoio de um mandatário responsável pelo acompanhamento) para selecionar a transportadora concorrente.

A vice-presidente executiva Margrethe Vestager, responsável pela política da concorrência, declarou, aquando do anúncio desta decisão que “as medidas aprovadas permitirão a Portugal compensar a TAP pelos prejuízos diretamente sofridos em consequência das restrições de viagem aplicadas para limitar a propagação do coronavírus”.

Vestager afirmou ainda que, “ao mesmo tempo, o plano aprovado para a reestruturação da TAP assegurará a viabilidade da companhia aérea no longo prazo”.

No fundo, o apoio assumirá a forma de medidas de capital e de quase capital no montante de 2.550 milhões de euros, incluindo a conversão do empréstimo de emergência de 1.200 milhões de euros em capital próprio.

De 108 para 94 que poderão ser 99
Quanto à frota, que no período pré-pandemia era de 108 aeronaves, a TAP vê-se forçada a reduzir para 94 aviões, dando a Comissão autorização para chegar aos 99 até 2025, salientando a CE que a companhia aérea irá “reduzir a frota até ao final do plano de reestruturação, agilizando a sua rede e ajustando-se às últimas projeções que antecipam que a procura não recupere antes de 2023 por causa da pandemia de coronavírus”.

Recorde-se que, ainda esta semana, o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, tinha avançado que, caso a decisão da Comissão Europeia não fosse favorável, que a TAP “teria de fechar”.

Conhecida a decisão, Pedro Nuno Santos congratulou-se com a aprovação do plano de reestruturação da TAP por parte da Comissão Europeia, dizendo que “o trabalho do Governo português está feito”.

A conferência de imprensa (pós decisão), o ministro afirmou que “os nossos argumentos foram bem recebidos”, concluindo que “os resultados são bons”.

Na mesma conferência de imprensa, Pedro Nuno Santos admitiu, também, que a cedência de 18 slots (diários) no aeroporto de Lisboa, “não põe em causa o negócio da TAP”, já que, segundo o governante, a transportadora tem 300 slots diários, tratando-se, assim, de “um número reduzido”.

Pedro Nuno Santos explicou ainda as contas, esclarecendo que os apoios à TAP atingirão o limite de 3.200 milhões de euros, devido a valores já pagos e a outros que ainda irão ser aprovados. Ou seja, a intervenção na TAP “é feita em duas modalidades: uma ao nível da reestruturação e outra no quadro da compensação COVID”.

Na parte da reestruturação incluem-se os 2.550 milhões de euros anunciados pela Comissão Europeia, nos quais se incluem “1.200 milhões de euros que já foram injetados na TAP”.

“Falta ainda um empréstimo junto de privados, com garantia de Estado a 90%, de 360 milhões de euros, e de uma nova injeção de capital de 990 milhões de euros”, contabilizou o governante.

Já no âmbito das compensações relacionadas com a pandemia da COVID-19, “temos 462 milhões de euros referentes ao primeiro semestre de 2020, que já foram injetados na TAP, e foi autorizado também [com esta decisão da CE] 107 milhões de euros referentes ao segundo semestre de 2020”.

“Se nós somarmos todas as parcelas que já foram autorizadas pela Comissão Europeia, chegamos a 3.119 milhões de euros”, resumiu Pedro Nuno Santos, acrescentando que “falta a compensação COVID referente ao primeiro semestre de 2021 que será aprovada nos próximos dias”.

Resumindo e segundo Pedro Nuno Santos, será um montante que, “com toda a certeza”, “não ultrapassa os 3,2 mil milhões de total de ajuda pública que será autorizada à TAP”.

A procura por parceiros para a TAP e não para uma “tapezinha”
Certo é que, também segundo o ministro das Infraestruturas, “no mercado global da aviação já não se sobrevive sozinho”, adiantando que “há interessados”.

“É para nós claro que num negócio altamente competitivo da aviação, uma companhia aérea não sobrevive isolada e, portanto, estamos a trabalhar para que a TAP possa vir a estar num grupo importante de aviação, porque essa é a forma mais sólida e consistente de conseguirmos a viabilidade”, afirmou o Pedro Nuno Santos, após conhecida a ‘luz verde’ da Comissão Europeia ao plano de reestruturação da companhia aérea.

O governante afirmou, no entanto, que, o que está em cima da mesa “não é substituir a TAP em Lisboa, mas em ter uma cooperação e colaboração com a TAP”.

Garantido ficou, igualmente, nas palavras de Pedro Nuno Santos, que “não haverá mais despedimentos, nem cortes de salário”, deixando ainda uma certeza: “conseguimos evitar que a TAP fosse transformada numa ‘tapezinha’” (numa alusão ao que aconteceu em Itália, onde a ITA, que substitui a Alitalia, nasceu com apenas 52 aeronaves.

Sobre o autorVictor Jorge

Victor Jorge

Mais artigos
Transportes

INE: Aeroportos nacionais tiveram a maior aproximação aos números pré-pandemia em outubro

Em outubro, os aeroportos nacionais receberam cerca de quatro milhões de passageiros e 15,8 mil aeronaves em voos comerciais, números que continuam a indicar descidas mas já mais perto dos valores de 2019.

Inês de Matos

No passado mês de outubro, os aeroportos nacionais receberam cerca de quatro milhões de passageiros e 15,8 mil aeronaves em voos comerciais, números que indicam descidas de 27,2% e 21,4% face a igual mês de 2019, respetivamente, naquele que, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), indicam que outubro foi o mês com maior aproximação aos números pré-pandemia.

De acordo com os dados revelados pelo INE esta terça-feira, 21 de dezembro, apesar de continuarem a traduzir uma quebra face a igual período de 2019, antes da chegada da pandemia, os aeroportos nacionais têm vindo a recuperar tráfego e, face a outubro de 2020, existem já crescimentos de 180,6% no número de passageiros e de 63,2% no total de aviões aterrados nos aeroportos nacionais.

Do total de passageiros que chegaram aos aeroportos nacionais em outubro, 80,2%
corresponderam a tráfego internacional, indica o INE, que recorda que, em igual período do ano passado, os passageiros internacionais eram 74,9% do total, e chegaram a território nacional provenientes essencialmente de aeroportos europeus (72,0%).

Já no que respeita aos passageiros embarcados em Portugal, houve também 80,2% de tráfego internacional, quando em igual período do ano passado o tráfego internacional não ia além dos 76,2%, sendo que 72,1% também tiveram como destino aeroportos europeus.

Já no acumulado até outubro, período em que os aeroportos nacionais receberam cerca de 19,8 milhões de passageiros, o INE diz que se verificou uma “inversão da tendência”, uma vez que tanto o número de passageiros como de aeronaves aterradas em território nacional cresceram, numa tendência que se acentuou a partir de maio.

“A partir da segunda quinzena de maio, verificou-se um crescimento mais acentuado, tendo-se mantido uma tendência de crescimento nos meses seguintes. Apesar de no mês de setembro de 2021 se ter verificado uma ligeira redução face ao mês anterior, em outubro assistiu-se a um crescimento, tendo-se registado o desembarque médio diário de 64 mil passageiros no conjunto dos aeroportos nacionais (59 mil em setembro). Este valor representou o triplo do registado no mês homólogo de 2020 e aproximou-se do nível observado em outubro de 2019 (86 mil)”, indica o INE.

De janeiro a outubro, , o número de passageiros movimentados nos aeroportos nacionais aumentou 18,6% face ao período homólogo do ano anterior, quando se tinha verificado uma quebra de 68,0%, ainda que, face ao mesmo período de 2019, este número continue a traduzir uma redução de 62,1%.

Por aeroportos, foi em Lisboa que se registou o maior movimento de passageiros, concentrando, entre janeiro e outubro, 45,2% do total de passageiros (8,9 milhões) e registou um aumento de 6,8%, seguindo-se Faro, onde houve um aumento de 35,5% no movimento de passageiros neste período, atingindo os 2,8 milhões de passageiro, número que, segundo o INE, está ainda “muito distante do registado no mesmo período em 2019 (8,4 milhões de passageiros, -66,4%)”.

Já o principal país de origem e destinos dos passageiros que passaram pelos aeroportos nacionais até outubro foi França, “registando crescimentos de 13,2% no número de passageiros desembarcados e 10,9% no número de passageiros embarcados, relativamente ao mesmo período de 2020”, segundo o INE.

Além de França, também o Reino Unido, Alemanha e Espanha estão entre os principais países de origem e destinos dos passageiros que, entre janeiro e outubro, passaram pelo aeroportos nacionais.

Por outro lado, o maior crescimento ao nível dos passageiros embarcados e desembarcados foi para a Suíça, que registou crescimentos de 25,6% e 20,9%, respetivamente, ocupando a quinta posição deste ranking.

Sobre o autorInês de Matos

Inês de Matos

Mais artigos
Destinos

Reservas antecipadas de britânicos para o verão mal chegam a metade de um ano normal

Apenas 27% dos britânicos que contam viajar para fora do Reino Unido no verão vai reservar as férias até final de março, o que representa cerca de metade da percentagem de um ano normal.

Publituris

Com a COVID-19 a provocar novamente incerteza quanto ao futuro, os consumidores britânico continuam hesitantes e preferem esperar para ver como evolui a situação epidemiológica antes de reservarem as férias para o verão, apurou um estudo da Mintel, empresa de estudos de opinião e de mercado, que conclui que as reservas antecipadas por parte dos britânicos mal chegam a metade do que seria expectável num ano normal.

De acordo com o estudo, que foi realizado em novembro e cujos resultados foram agora publicados pela imprensa britânica, apenas 11% dos turistas que planeiam ficar no Reino Unido no próximo verão conta realizar reservas até ao final do ano, enquanto 17% diz que o vai fazer logo no início de 2022, concretamente entre janeiro e final de março.

Dos britânicos que contam viajar para fora do Reino Unido no próximo verão, 27% também diz que vai realizar a reserva até ao final de março, número que, no entanto, “mal chega a metade do nível esperado num ano normal”, segundo Marloes de Vries, diretora da Mintel para a área das viagens.

Segundo a responsável, no total, a percentagem de britânicos que vai fazer férias no Reino Unido mas que diz não saber quando vai fazer a reserva chega a 34%, sendo que, entre os que pretendem viajar para fora do país, 23% também diz que ainda não sabe quando vai fazer a reserva para o verão.

Para Marloes de Vries, além da incerteza quanto à COVID-19, também o aumento dos preços pode ser um problema, uma vez que a subida dos custos pode tornar “alguns consumidores mais sensíveis aos preços”, o que deverá levar a um aumento da procura por produtos mais económicos, como as férias em tudo incluído ou o campismo.

Ainda assim, nem tudo são más notícias, uma vez que, apurou ainda a pesquisa da Mintel, apesar da subida dos preços, muitos turistas pouparam dinheiro por não terem conseguido viajar desde o início da pandemia e, por isso, vão querer aproveitar o tempo perdido já este verão.

“Ainda existem muitas quarentenas e restrições mas as férias são vistas como uma prioridade. Mais de metade dos viajantes que pouparam dinheiro desde o início da pandemia de coronavírus estão interessados em fazer um upgrade às férias no próximo ano”, acrescenta Marloes de Vries.

O estudo da Mintel foi realizado entre 25 de novembro e 1 de dezembro, e incluiu entrevistas online realizadas a cerca de mil adultos britânicos.

 

Sobre o autorPublituris

Publituris

Mais artigos
Destinos

“Stakeholders” do turismo e viagens apelam aos governos europeus para evitar o ‘caos’ com “restrições erráticas”

As viagens na Europa estão, novamente, a ser impactadas devido às “decisões erráticas e imprudentes dos governos de reintroduzir as restrições de viagens aos viajantes vacinados”, referem ECTAA, ETOA, HOTREC e WTTC.

Publituris

Os “stakeholders” do universo do turismo e viagens – ECTAA, ETOA, HOTREC e WTTC – reagiram, recentemente, às restrições introduzidas por vários Estados-Membros da União Europeia (UE) a viajantes totalmente vacinados em resposta à nova variante Ómicron, admitindo que estas decisões “destroem os planos de milhares de pessoas que esperavam cruzar as fronteiras para ver amigos e familiares durante as férias”, refere o comunicado conjunto. Além disso, lê-se que estas novas restrições tomadas por diversos Estados da UE, colocam, mais uma vez, os agentes e operadoras “em perigo financeiro”.

No comunicado pode ler-se ainda que “alterar as restrições de viagem num prazo muito curto enfraquece a confiança nas viagens e prejudica todos os esforços que foram feitos até agora, incluindo o Certificado Digital Covid da UE”, salienta o texto enviado às redações.

Assim, ECTAA, ETOA, HOTREC e WTTC instam os governos a seguir as conclusões do Conselho Europeu de 16 de dezembro para “continuar os esforços coordenados para responder aos desenvolvimentos com base nas melhores evidências científicas disponíveis”.

Numa nova orientação publicada recentemente, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (European Centre for Disease Prevention and Control – ECDC) indica que a variante Ómicron está agora presente em toda a Europa e que as infeções causadas são predominantemente por transmissões da comunidade, em vez de casos relacionados com viagens.

O ECDC recomenda, por isso, o fortalecimento das “Intervenções Não Farmacêuticas” (INF), como evitar grandes reuniões públicas ou privadas, encorajar o uso de máscaras, teletrabalho, entre outros, salientando que “não existe recomendação para reintroduzir restrições às viagens”, encontrando-se esta constatação em linha com a avaliação anterior de que “as restrições a viagens são ineficazes na redução da transmissão do vírus, hospitalizações ou mortes”.

De acordo com este conjunto de “stakeholders” do universo do turismo e viagens, as férias de esqui no Natal e no inverno representam “uma importante estação turística”, avançando com os números do Eurostat de 2018/19 que indicam que 33,7% do total de dormidas em estabelecimentos de alojamento turístico na UE27 foram durante o inverno (novembro a abril incluídos).

Os números da entidade estatística da Europa mostram que as dormidas na UE27, no inverno 2020-2021, diminuíram 71% em comparação com o inverno 2018-2019, salientando o comunicado que “este também é um período importante para o planeamento das próximas férias de verão”, concluindo-se que, “com as restrições erráticas às viagens, a Europa perderá, mais uma vez, uma importante temporada de turismo”.

Sobre o autorPublituris

Publituris

Mais artigos
Aviação

Cadeia de abastecimento impacta entrega dos novos Airbus

Os constrangimentos da cadeia de abastecimento têm vindo a criar diversas dificuldades nas mais variadas indústrias. Na aviação, a Airbus já admite que as entregas de vários modelos de aviões só acontecerá em 2024 ou mesmo 2025.

Victor Jorge

Segundo a imprensa internacional, existem companhias aéreas que poderão ter de esperar até 2025 para receber as suas encomendas devido a constrangimentos na cadeia de abastecimento.

“Gostava de ter mais aviões para vender. Há constrangimentos na cadeia de abastecimento dos componentes que são mais desejados. Nos aviões de fuselagem estreita isso afeta os A320, A321 e também o A220”, explicou revelou Christian Scherer, diretor comercial da Airbus ao Financial Times.

Apesar das preocupações com a disseminação da nova variante Ómicron, a procura estava a ser impulsionada, fundamentalmente, pela necessidade de aeronaves mais eficientes em termos de combustível, salientou o executivo da companhia franco-germânica.

De referir que, ainda recentemente, a Airbus garantiu dois pedidos significativos, incluindo um acordo com a Air France-KLM para 100 unidades dos A320neo e A321neos, com as primeiras entregas a estarem previstas para o segundo semestre de 2023.

“Geralmente, tem havido uma perceção pela comunidade da aviação, em geral, de que quando as pessoas podem viajar, viajarão e o farão quase como vingança”, descreveu o executivo alemão da Airbus.

De resto, Scherer destaca que “a crise da COVID acelerou a compreensão de que a transição para uma tecnologia de combustível mais eficiente é inevitável”, disse, concluindo que “apenas 13% por cento da frota comercial global de hoje é de última geração”.

Sobre o autorVictor Jorge

Victor Jorge

Mais artigos
Análise

Tendência: Hotelaria e Turismo procuram profissionais cada vez mais qualificados

O estudo anual da empresa de recrutamento Michael Page revela que na hotelaria e turismo há uma tendência de maior procura de candidatos com formação universitária, competências comerciais, capacidades comunicativas e de liderança.

O ambiente profissional na hotelaria e turismo tornou-se mais competitivo, incerto, globalizado e altamente digitalizado, acentuando a importância do capital humano e da gestão do talento para a diferenciação das empresas. Esta é uma das conclusões do estudo da Michael Page, que avança as tendências de recrutamento para 2022.

A análise da empresa de recrutamento sobre a evolução das principais tendências de recrutamento para o próximo ano para quadros executivos em empresas de grandes dimensões, nomeadamente nos setores da hotelaria e turismo, destaca a crescente profissionalização que se traduz por uma maior procura de candidatos com formação universitária, competências comerciais, capacidades comunicativas e de liderança.

Refere a consultora que, apesar de ter sido uma das mais afetadas pela pandemia, a área de hotelaria e do turismo continua a ser uma referência no plano económico português, e que a tendência em 2022 é  idêntica à de 2021, marcada pela estabilidade de salários e virada para a procura de funções de gestão e otimização do negócio, caso de perfis de direção geral, chefe de cozinha e sales manager.

Na restauração, diz a análise, continua a procura de posições mais operacionais, mas com um foco mais analítico, estratégico e de gestão, enquanto, nas agências de viagens online destaca-se a procura de perfis como product managers ou business developers com um foco claro no digital.

Nas funções de direção, reforçam-se as cláusulas de proteção à mudança para mitigar o efeito da incerteza e a movimentação no mercado de talentos, e reforça-se o salário emocional

A flexibilidade, o trabalho remoto e benefícios ao nível da saúde, educação e reforma são fatores importantes para o candidato aceitar uma proposta em qualquer setor, nomeadamente da hotelaria e do turismo, diz a Michael Page.

Relativamente às competências, apesar da criatividade e a técnica serem valorizadas, surgem também outras skills como a capacidade de análise ou a otimização de custos.

 

Sobre o autorCarolina Morgado

Carolina Morgado

Mais artigos
Distribuição

“Recomendo aos operadores ocidentais posicionarem imediatamente a sua oferta, que não esperem”

À medida que caminhamos para o final do ano e após (quase) dois anos de pandemia, Rikin Wu, diretor-executivo da Dida Travel, um dos maiores operadores de viagens digitais chineses, dá a sua visão sobre o que está a mudar no panorama da distribuição e o que esperar de 2022.

Victor Jorge

Depois de portas (praticamente) fechadas ao exterior, os chineses começam a ter esperança de poder voltar a viajar. As diversas restrições impostas recentemente por causa da Ómicron fizerem com que esse processo voltasse atrás, mas vontade para viajar existe no mais populoso país do mundo. Rikin Wu, diretor-executivo da Dida Travel, aconselha a que não se espere muito para captar esse turista e viajante chinês.

Quando é que os cidadãos chineses vão poder voltar a viajar para o exterior?
Neste momento, é simplesmente uma questão de quando as autoridades chinesas permitirão a livre circulação internacional dos cidadãos chineses. Hoje, parece que isso não acontecerá antes do verão de 2022.

Como está o mercado doméstico de viagens na China?
A economia chinesa está forte e é sabido que os chineses viajam muito, basta olhar para o cenário de viagens domésticas que cresceu ultimamente. O turismo doméstico chinês voltou a 65% dos números de 2019, apesar das restrições, e na DidaTravel estamos acima de 2019 no que diz respeito às vendas nacionais, tendo dedicado recursos para expandir a nossa base de clientes nacionais.

Existe algum risco de os cidadãos chineses não viajarem novamente para o exterior, mesmo que seja possível?
Esta é uma situação de “quando” e não de “se”. Não há dúvida de que os viajantes chineses querem fazer viagens internacionais novamente. Estamos a receber muitos comentários dos nossos clientes B2B sobre a procura que continua alta e nos social media na China onde se comentam destinos internacionais como Dubai, Londres ou Paris e verificamos que estão mais populares do que nunca.

Em meu entender, assim que as viagens internacionais forem permitidas, muito rapidamente veremos os números de 2019 serem superados. Além disso, existirá uma tendência para estadias mais longas e maiores gastos no destino, de modo a compensar o tempo perdido.

 E qual é a oportunidade para os operadores de viagens ocidentais?
Dado o número significativo de viajantes internacionais chineses, um número que chegou a quase 155 milhões em 2019, e o facto de, quando fazem viagens de longa distância, ficam mais tempo e gastam muito mais do que qualquer outro viajante, este não é, realmente, um mercado a ser esquecido num momento em que tudo está em aberto até a última reserva. Mesmo que se tenha de esperar um pouco mais para o regresso, este é um “público” pelo qual vale a pena esperar.

Que conselhos dá a estes operadores de viagens ocidentais para captar as reservas chinesas quando as restrições forem suspensas?
Se esperarem até que as restrições sejam suspensas, já será tarde demais. O que sugiro é que atuem já, agora. Como sabemos pelos nossos clientes B2B, no momento muitos chineses estão a pensar o que visitar assim que as restrições forem suspensas. Os hotéis, companhias aéreas e agências de turismo ocidentais devem aproveitar esta vontade, este desejo dos turistas chineses quererem viajar. Por isso, recomendo que os operadores ocidentais posicionem imediatamente a sua oferta, a sua marca e que não esperem.

Como é que a COVID impactou a distribuição B2B?
Desde o início da COVID, temos visto uma polarização significativa no cenário da distribuição, com grandes e pequenas empresas de distribuição a sobreviver relativamente bem. As de média dimensão foram as mais atingidas. Prevemos que isso só se tornará mais agudo à medida que as viagens retornem à capacidade total durante 2022.

Refere que as empresas de média dimensão são as que estão a passar maiores dificuldades. Qual a razão para as empresas grandes e pequenas estarem em melhor posição em 2022?
As grandes empresas têm conseguido suportar os choques destes anos, têm grande capacidade de recuperação e criação de caixa, e serão as primeiras a beneficiar da plena recuperação do mercado. Já as pequenas empresas, com alta flexibilidade e estruturas de equipa de baixo custo, podem manter um bom nível de negócios numa pequena região ou destino de nicho.

Sobre o autorVictor Jorge

Victor Jorge

Mais artigos

Toda a informação sobre o sector do turismo, à distância de um clique.

Assine agora a newsletter e receba diariamente as principais notícias do Turismo. É gratuito e não demora mais do que 15 segundos.

Navegue

Sobre nós

Grupo Workmedia

Mantenha-se conectado

©2021 PUBLITURIS. Todos os direitos reservados.