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Futuro do turismo está no espaço e no fundo do mar

Marbella recebeu, a 23 e 24 de setembro, a primeira conferência dedicada ao turismo espacial e subaquático, segmentos de luxo que estão em desenvolvimento, mas que contam com um imenso potencial e para os quais não falta procura.

Inês de Matos
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Futuro do turismo está no espaço e no fundo do mar

Marbella recebeu, a 23 e 24 de setembro, a primeira conferência dedicada ao turismo espacial e subaquático, segmentos de luxo que estão em desenvolvimento, mas que contam com um imenso potencial e para os quais não falta procura.

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Quando, em 2004, o fundador da Virgin, Richard Branson, lançou a Virgin Galactic e se propôs levar os primeiros turistas ao espaço, muitos pensaram que se tratava de uma ideia mirabolante do excêntrico empresário britânico. Mas, com o passar dos anos, a ideia ganhou forma e, hoje, há já várias empresas que trabalham para este objetivo, que é visto como uma oportunidade para o setor turístico, tendo em conta o seu imenso potencial.
E foi justamente para falar sobre turismo espacial, fazendo o ponto de situação e demonstrando o seu potencial, que a escola internacional de hotelaria Les Roches Marbella promoveu, a 23 e 24 de setembro, a primeira edição da SUTUS – Space & Underwater Tourism Universal Summit. A iniciativa, que reuniu nas instalações da escola em Marbella, Espanha, 15 oradores provenientes dos cinco continentes, abordou também o turismo subaquático, pois, tal como o espaço, também o fundo do mar continua a ser um mistério para o Homem.
Como referiu Carlos Diez de La Lastra, diretor geral da Les Roches Marbella, logo no início da SUTUS, o turismo tem, hoje, novas fronteiras, mas “o espaço e o mundo subaquático ainda estão por descobrir”, o que representa uma oportunidade para o setor, especialmente para o segmento de luxo que, referiu mais tarde, cresce 7% a 8% ao ano e no qual “86% dos clientes aceitaria pagar mais por uma melhor experiência”. “Queremos liderar esta nova área do turismo e que este evento se torne numa referência mundial”, acrescentou.
Ao longo de dois dias, falou-se de foguetões e robots espaciais, de planos para abrir hotéis na Lua, astronautas e até de viagens ao espaço sem bilhete de volta, mas também do mar e das relíquias que o fundo dos oceanos guarda, dos novos submarinos e, acima de tudo, do potencial que tanto o turismo espacial como o subaquático têm, já que, a exemplo da aviação, que começou como um produto de luxo, também estes dois segmentos se deverão democratizar, à medida que a oferta aumentar.

Avanços e desafios
Grande parte da SUTUS foi dedicada ao espaço e às inovações que permitem sonhar com o dia em que será possível levar turistas além da Terra. E, apesar desse dia parecer estar cada vez mais perto, ainda há desafios a ultrapassar. Tony Gannon, vice-presidente de investigação e inovação da Space Florida, agência norte-americana de desenvolvimento aeroespacial, de onde têm saído algumas das principais inovações que estão a animar a corrida espacial, como os foguetões de nova geração, começou por alertar a assistência para algumas das desvantagens das viagens espaciais. “Estão dispostos a ir à lua e passar uma semana sem tomar banho?”, questionou, lembrando que os foguetões não têm duche, nem outras comodidades a que estamos habituados enquanto turistas e defendendo, por isso, que a grande vantagem destes veículos não se destina ao espaço, mas sim à Terra. “Uma das maiores inovações vai ser o transporte ultra-rápido entre continentes”, considerou.
Mas os avanços tecnológicos não estão apenas a ser usados no transporte, como explicou Arthur Paolella, cientista sénior da Harris, empresa que está, desde sempre, ligada à exploração espacial, que deu o exemplo da impressão 3D. “Esta tecnologia é usada para vários fins, incluindo produtos aeroespaciais, como os travões dos Rovers [veículos de exploração espacial, usados para percorrer a superfície de um planeta]”, explicou. Além destes veículos, a impressão 3D poderá ser ainda usada para construir habitats na Lua e a partir de material extraído da superfície lunar, uma vez que permite “imprimir tijolos e, com isso, construir casas”. Mas, tal como os foguetões, também a impressão 3D está ainda em testes, para se conhecer a resistência dos materiais no espaço. “Têm de sobreviver ao lançamento, à viagem e também à exploração. Há ainda uma série de coisas a fazer para que esta tecnologia possa ser usada no espaço”, acrescentou.

Alojamento
A Harris está a testar os materiais para a construção de alojamento no espaço, mas já existem opções disponíveis, a exemplo da Estação Especial Internacional, que já “está aberta para o turismo”, como referiu Sam Scimemi, diretor da Estação Espacial Internacional na sede da NASA, que começou a sua intervenção a listar as vantagens e desvantagens do espaço. “Não há mosquitos, nem moscas e a temperatura não muda, mas não há praia, céu, nem room service. São coisas importantes para muitas pessoas em férias”, brincou, alertando que não estava ali para vender nada a ninguém, pois “o espaço vende-se sozinho, mas é muito caro”.
Além da Estação Espacial Internacional, os turistas espaciais vão também poder contar com alojamento na Lua em breve, como revelou Bernard Foing, da Agência Espacial Europeia (ESA) e responsável do International Lunar Exploration Group, que começou a sua intervenção a dizer que a ESA quer “levar toda a gente à Lua”, estando, para isso, a realizar várias pesquisas. “Há uma frota em volta da Lua para estudar tudo sobre a Lua e que junta várias nacionalidades”, explicou, revelando que, nas primeiras missões realizadas foi encontrado gelo na Lua, o que permitiria até “construir um oásis”, ainda que o primeiro passo deva passar pela construção da Moon Village, uma estação permanente na Lua, que poderá estar operacional em 10 anos e que deverá contar com Smart-habitats com recurso à tecnologia. Neste momento, os equipamentos, nomeadamente robóticos, estão a ser testados junto ao vulcão Vesúvio e, se tudo correr como esperado, é possível que os bilhetes para viagens à Lua, e mais tarde a Marte, possam começar a ser vendidos em 2025. Para mais tarde ficará outra das ideias defendidas por Bernard Foing e que passa por adaptar os túneis de lava que existem na Lua, e que são “10 ou 15 vezes maiores que os da Terra”, ao turismo. “Estes túneis podem ser aproveitados para o turismo, seja para hotéis, shoppings ou outras infraestruturas”, defendeu.

Viagens
Mas, para ir ao espaço é necessário treino, os astronautas têm de resistir a forças G e estar conscientes dos desafios que vão encontrar. E não existem assim tantos locais para treinar, motivo pelo qual Nancy Vermeulen, fundadora da Space Training Academy, aceitou o desafio de Richard Branson para criar um programa de treino para astronautas privados, que tem vindo também a preparar candidatos a turistas espaciais. “Como no passado, depois da II Guerra Mundial, quando só os países mais ricos iam ao espaço, também o turismo espacial é para as pessoas muito ricas”, afirmou Nancy Vermeulen, explicando que o seu programa completo tem um custo de 15 mil euros, ainda que seja possível ter uma experiência por três ou quatro mil euros, realizando um voo espacial sem gravidade. “Há todo o tipo de interesse e de pessoas com diferentes backgrounds”, acrescentou, explicando que a procura por estes voos vai desde CEO’s de empresas que vão fazer sessões de team-building, a pessoas mais velhas que gostariam de ser turistas espaciais mas sabem que não vão viver para assistir à democratização das viagens, mas também estudantes que querem saber mais sobre o espaço e pessoas muito ricas, que já têm “bilhete para o espaço, mas querem treinar mais para estar preparadas”. E, segundo a responsável, “o treino é necessário porque estas pessoas pagam muito dinheiro para não aproveitarem a experiência por estarem nervosas ou com medo”.
Por enquanto, estas são experiências acessíveis só a turistas muitos ricos, já que as viagens da Virgin Galactic, por exemplo, rondam os 180 mil euros, mas Nancy Vermeulen acredita que a sua democratização é uma questão de tempo. “É normal que seja caro no início, tudo o que é novo é caro, depois torna-se mais acessível”, à medida que a oferta aumenta. “A Virgin Galactic apostou em pequenas naves e chegou aos primeiros viajantes. Depois, também o Elon Musk começou a construir foguetões que podem transportar até 100 passageiros”, lembrou.
E também Ana Bru, CEO da Bru&Bru Exclusive Travel Design, agência oficial da Virgin Galactic em Espanha, acredita que as viagens estão para breve, apesar de estar, desde 2007, em treino. “Passaram 11 anos, mas espero, em algum momento, ir ao espaço”, revelou, explicando que estas viagens não são para ir à Lua, apenas ao espaço e que ela própria se inscreveu para saber o que estava a vender. “Só vendo aquilo que experimento”, garantiu.
Houve ainda tempo para ouvir Angel Jané, único espanhol selecionado para ir a Marte sem bilhete de volta, no Mars One Projet, que espera viajar em 2031 e que se mostra entusiasmado com a ideia, até porque, afirmou, os “descobridores também não sabiam o que os esperava, mas foram valentes. Agora, acontece a mesma coisa”.

Turismo subaquático
A parte final da SUTUS foi dedicada ao turismo subaquático, que não é tão sonante quanto o espacial, mas que está também a conhecer avanços de relevo. E foi por esta comparação com o espaço que começou Javier Noriega, presidente do Cluster Marítimo Marino da Andaluzia, que junta 72 empresas de turismo náutico, ao sublinhar que o mar “é mais desconhecido que o universo”. “Tal como no espaço, também no mar apenas os primeiros 200 metros são visíveis, é um mundo desconhecido mas fascinante”, afirmou, defendendo que o turismo subaquático tem grande potencial na Andaluzia, opinião partilhada por José António Moya, jornalista e professor da Universidade de Alicante, que deu a conhecer os planos para criar um museu subaquático e colocar ao serviço do turismo os achados existentes, como o navio romano naufragado perto de Benidorme, que é monumento nacional desde 2014. “É uma oportunidade única de visita porque está a apenas 25 metros de profundidade”, considerou.
Tal como a Andaluzia, também Nápoles, em Itália, tem um rico património submerso, como a cidade romana de Baia, afundada pelo vulcão Vesúvio, sobre a qual falou Michele Stefanile, arqueólogo subaquático da Università Degli Studi di Napoli L’Orientale, que explicou que, em 2002, foi criado um parque para investigar e proteger esses achados, estando agora a ser criado um museu subaquático, o MUSAS, para permitir visitas turísticas.
Nos EUA, as visitas turísticas subaquáticas estão perto de ser uma realidade, segundo Scott Waters, project manager da Pisces VI Submarine, que constrói submergíveis e realiza visitas turísticas para financiar expedições científicas. “O turismo é a principal fonte de receita e é uma forma de tornar as profundezas dos oceanos acessíveis a pessoas comuns”, afirmou.
A experiência da Pisces VI Submarine no turismo é ainda curta, as visitas só estão disponíveis desde o início do ano e o submarino da empresa, o Pisces VI, está ainda em testes no Canadá, o que acontece até final do ano, seguindo-se a primeira visita, que tem a Antártica como destino e conta com cinco turistas. Os preços é que não são para todos: a viagem de 25 dias custa 50 mil euros, mas é possível fazer um mergulho de um dia por 12 mil euros.
Scott Waters foi o ultimo orador da SUTUS 2019, evento que tem continuidade assegurada, com Carlos Diez de La Lastra a afirmar, no encerramento, que a cimeira foi “um primeiro passo para uma bonita viagem de exploração” e revelando que escola está “já a trabalhar no segundo passo”, devendo a SUTUS voltar a decorrer em 2020, por ocasião do Equinócio de outono, cujos efeitos se sentem tanto na água como no espaço.

Artigo publicado na edição 1403 de 11 de oububro de 2019

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Lisboa entre as cidades mais seguras para visitar

Lisboa aparece bem classificada no ranking das melhores cidades do mundo para visitar. Destaque para os lugares conseguidos na segurança das infraestruturas e pessoal.

Lisboa está entre as cidades mais seguras, segundo diversos parâmetros analisados pelo “Índice de Cidades Seguras 2021, publicado pelo “The Economist” e que lista as 60 cidades mais seguras do mundo para visitar.

A capital de Portugal aparece em 28.º lugar na análise global de segurança, parâmetro considerado alto, com 70,1 pontos em 100 possíveis. Já no que toca à segurança digital, Lisboa mantém o 28.º lugar, mas baixa na pontuação, atingindo 64,3 pontos.

O maior “trambolhão” é dado quando analisada a segurança sanitária ou saúde, ocupando Lisboa a 49.ª posição, atrás de cidades como Nova Deli, Bogotá, Bombaim, Jacarta, Riade, Taipe ou Quito.

A melhor pontuação de Lisboa é atingida na segurança das infraestruturas, ocupando o 28.º lugar, mas com 77,4 pontos, o que coloca a cidade no parâmetro “muito alto”.

A melhor posição, contudo, é conseguida na análise referente à segurança pessoal, em que Lisboa sobe para o 9.º lugar, com 76,9 pontos.

Finalmente, na segurança ambiental, Lisboa, volta a ocupar a 28.ª posição, com 74,3 pontos.

De referir que o ranking global é liderado pela cidade de Copenhaga/Dinamarca (82,4 pontos). Nas análises segmentadas, aparecem Sidnei/Austrália a liderar a segurança digital (83,2 pontos); Tóquio/Japão na segurança sanitária e saúde (com 87,7 pontos); Hong Kong/China na segurança das infraestruturas (93,4 pontos); Copenhaga/Dinamarca na segurança pessoal (86,4 pontos); e, finalmente, Wellington/Nova Zelândia na segurança ambiental (91,7 pontos).

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NOVA SBE INAUGURA WESTMONT HOSPITALITY HALL

Com este novo espaço, a Nova SBE está agora preparada para desenvolver e promover uma educação de gestão avançada e de excelência em hospitalidade e turismo, assente nos valores da sustentabilidade e inovação.

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Criar e preparar os líderes e empreendedores de amanhã nas áreas de hospitalidade e turismo. Este é o objetivo do Westmont Institute of Tourism & Hospitality (WiTH) fundado pela Nova SBE em parceria com o Westmont Hospitality Group.

A inauguração decorre esta segunda-feira, 25, no campus de Carcavelos, com a presença do presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e do Príncipe Amyn Aga Khan.

Com este novo espaço, a Nova SBE está agora preparada para acolher o ecossistema de professores, alunos, investigadores e parceiros focados em desenvolver e promover uma educação de gestão avançada e de excelência em hospitalidade, turismo e todas as indústrias orientadas para o serviço, assente nos valores da sustentabilidade e inovação.

“No futuro, digital e tecnologia serão fundamentais, sim, mas mais do que isso teremos que saber cuidar do consumidor, elevar os padrões de serviço, criar experiências únicas com impacto emocional nos nossos clientes. Será um fator de sucesso decisivo”, refere Daniel Traça, Dean da Nova SBE, reforçando que “a parceria com o Westmont Hospitality Group e agora a inauguração do Westmont Hospitality Hall, permite trazer para a Nova SBE, de forma inovadora, todas as competências e recursos da indústria hoteleira para que possamos aprofundá-las, desenvolver inovação e levá-las a outras áreas: retalho, banca, saúde, entre outras.”

Entre o leque de projetos e ofertas já disponibilizadas pelo instituto, existe uma Área de Especialização no Mestrado em Gestão, dedicada à hospitalidade e gestão de serviços, mas também estão disponíveis cursos de formação de executivos pensados para preparar os participantes para liderar a recuperação e transformação dos negócios num contexto atual de disrupção, com foco na experiência do cliente, na inovação e na sustentabilidade, alicerçada pela cultura e mentalidade da Hospitality.

Complementarmente, o WiTH pretende afirmar-se como espaço de reflexão neste domínio, promovendo diversas iniciativas como conferências, debates, talks e encontros informais, potenciando a ligação dos alunos com o mundo empresarial e o desenvolvimento de projetos concretos. O Westmont Hospitality Hall ganha agora protagonismo assumindo-se como o palco privilegiado para receber estes eventos, um espaço aberto à comunidade e onde os alunos terão um papel importante na sua dinamização.

Este novo espaço, para além de estar  disponível para os estudantes desenvolverem os seus projetos, representa uma nova centralidade no campus de Carcavelos e o local ideal para co-construir com as empresas novas soluções de melhoria da experiência dos seus clientes.

Sendo um projeto vocacionado para criar um futuro melhor, o WiTH está neste momento a desenvolver com o Nova SBE Data Science Knowledge Center um ambicioso projeto de criação de uma plataforma de dados e de conhecimento que possa melhorar de forma significativa o contexto de tomada de decisão de projetos de desenvolvimento turístico em África, numa ótica de sustentabilidade, criando condições para fazer do turismo um veículo de criação de riqueza na região e de geração de novas oportunidades de emprego.

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Comunicação é um dos pontos-chave na retoma do turismo

Embora todos reconheçam vários aspetos a ter em conta na retoma do turismo, a comunicação é chave. Por isso, os players da área têm de estar muito bem preparados, admitindo-se que “o agente tem de saber mais do que o passageiro que pesquisa tudo na internet”.

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*texto Beatrice Teizen

O segundo painel do seminário luso-brasileiro, promovido pela Airmet Brasil e Portugal, que teve no Panrotas Brasil e Publituris os media partners e moderadores, abordou o tema distribuição e as principais mudanças nas relações e desafios na nova era para o turismo após o início da pandemia de COVID-19. Um dos pontos-chave levantados foi a importância da comunicação – clara – com os consumidores.

“Percebemos que a questão da comunicação iria mudar inevitavelmente. Havia muito uma cultura em Portugal de as lojas de shopping, de rua etc., terem um funcionamento um pouco inflexível. E, do dia para noite, tudo mudou. Passamos a sentir uma proximidade muito maior com os clientes e, por mais afastados que estivéssemos do ponto de vista físico, na tecnologia estávamos muito próximos. No Brasil é diferente, os relacionamentos são muito mais calorosos. Temos que começar a desenvolver competências nessa área. Temos todo o conhecimento, expertise, todas as condições para prestar um serviço de excelência, mas temos muita dificuldade em comunicar isso. Mudámos a nossa forma de nos relacionar”, afirmou o diretor-geral da Airmet Brasil e Portugal, Luís Henriques.

Informação e capacitação
O atendimento dos agentes também foi transformado, e, mais do que nunca, o agente tem de possuir todas as informações e respostas às dúvidas dos passageiros na ponta da língua. Para isso, capacitações, profissionalização e disseminação de conhecimento são fundamentais.

“Precisamos de estar muito mais atualizados e lembrar que informação nem sempre é conhecimento. Estamos na era digital, mas percebemos que existia muito mais informação do que conhecimento e prática. Por isso, a capacitação e preparação da equipa e dos parceiros devem ser evidenciadas. Além disso, a cultura organizacional, junto à empatia e necessidade desse mercado devem ser um tripé que precisa ser muito bem trabalhado”, afirmou Fabiana Lima, CEO e fundadora da Club Turis.

O diretor da Lusanova Brasil, Daniel Marchante, destacou, por sua vez, a necessidade do mercado proporcionar webinars com informações sobre os destinos, por exemplo, para que os agentes de viagens estejam munidos de todas as informações necessárias.

“O agente tem de estar muito bem preparado e informação é a palavra-chave. O agente precisa saber mais do que o passageiro que pesquisa tudo na internet. Se não, pode perder esse viajante para o on-line. Ter o conhecimento do destino, do produto, é fundamental até para o futuro do nosso negócio e mercado, considerou Marchante.

“Parceirar”
Com a pandemia, surgiu um novo consumidor e, também, por que não, uma nova palavra. “Parceirar” quer dizer que, sem parcerias, o mercado não consegue caminhar e é muito mais demorado e difícil para se chegar ao objetivo.

“Escolher os nossos parceiros é um sucesso muito mais acertado. Colaboração, ‘parceirar’ e contar com o apoio vai fazer toda a diferença. Precisamos de bons parceiros, bons profissionais, melhorar a nossa comunicação”, salientou Fabiana Lima.

Para finalizar, a CEO da Club Turis admite que “é muito mais do que tecnologia, estamos a caminhar para um atendimento próximo, uma cultura humanizada. Além de recursos tecnológicos, precisamos de empatia, operação consultiva. E ‘parceirar’ significa isso, essas escolhas assertivas”, concluiu Fabiana Lima.

Finalmente, Aroldo Schultz, diretor da Schultz Brasil e Portugal, considerou que “o sentimento de trabalhar em conjunto para prosperar é o mesmo”, referindo ainda que “quem conseguiu se manter, respeitar os agentes, o consumidor, selecionar os fornecedores certos, vai ter muito futuro”.

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Portugal arrecada 26 prémios na gala europeia dos World Travel Awards

Portugal conquistou 26 prémios na gala europeia dos ‘Óscares do turismo’, que decorreu esta sexta-feira, 22 de outubro, e na qual Algarve, Madeira e Açores foram destaque.

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Na última edição da gala europeia dos World Travel Awards (WTC), considerados os óscares do turismo, Portugal arrecadou 26 galardões, com destaque para o Algarve, Madeira e Açores, que foram considerados os melhores destinos de praia, insular e de aventura da Europa, respetivamente.

A cerimónia de atribuição dos prémios, que distinguem o melhor do turismo na Europa a cada ano, decorreu à meia-noite desta sexta-feira, 22 de outubro, e voltou a colocar Portugal em destaque, já que também o Porto de Lisboa foi eleito, pela sétima vez consecutiva, como o melhor porto de cruzeiros da Europa.

Já a TAP foi distinguida como melhor a melhor companhia aérea nas ligações entre a Europa e a América do Sul, assim como entre a Europa e África; o Turismo de Portugal foi eleito como o melhor organismo oficial de turismo e o Dark Sky Alqueva recebeu um prémio de Turismo Sustentável.

Nos cruzeiros, a DouroAzul ganhou na categoria de melhor empresa europeia de cruzeiros e os Passadiços do Paiva também voltaram a ser distinguidos, vencendo nas categorias de melhor atração turística da Europa e melhor projeto de desenvolvimento turístico.

Na hotelaria, os prémios também foram vários e distinguiram unidades de norte a sul, começando logo na Amazing Evolution, que foi considerada o melhor operador de hotéis boutique da Europa.

Já o Pestana CR7 Lisboa ganhou na categoria de melhor hotel lifestyle da Europa, categoria em que também o Conrad Algarve foi distinguido ao nível dos resorts, enquanto o Valverde Hotel foi considerado o melhor boutique hotel de luxo e o Vila Vita Parc arrecadou o galardão de melhor hotel com villas de luxo.

Destaque ainda para o The Lake Resort, que ganhou o prémio enquanto melhor resort lifestyle de luxo, e o Dunas Dourada Beach Club, que foi considerado o melhor espaço de resort e villas de luxo.

O Cascada Wellness Resort foi ainda distinguido como melhor resort europeu para o segmento desportivo, o Hotel 1908 Lisboa foi considerado o melhor hotel de design da Europa e o Club Med da Balaia foi eleito o melhor resort 'tudo incluído'.

Finalmente, na família Savoy Signature, o Saccharum foi distinguido com o prémio de "Leading Island Resort 2021”, enquanto o Savoy Palace recebeu o galardão de "Portugal's Leading Luxury Hotel 2021”.

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BTL 2022 arranca dentro de 145 dias

De acordo com Pedro Braga, diretor-geral Adjunto da Fundação AIP, a BTL 2022 assentará em quatro vetores: internacionalização, reforço da representação nacional, formação e o BTL LAB. Além disso, também a venda direta ao consumidor final será “mais abrangente”.

Victor Jorge

A 145 dias do arranque do evento, foi apresentada a mais importante feira do setor do turismo em Portugal. A Bolsa Turismo Lisboa 2022 terá lugar na Feira Internacional de Lisboa (FIL) de 16 a 20 de março, num evento que, segundo o presidente da Fundação AIP, Jorge Rocha de Matos, será “forçosamente diferente”, mas que assume, “enquanto Fundação AIP temos a responsabilidade e o desafio de dar o apoio a todos os setores de atividade da nossa economia, neste caso particular, ao turismo”.

O presidente da Fundação AIP reconheceu, durante a apresentação oficial da BTL 2022 que “temos uma maratona pela frente”, admitindo que “temos de vencê-la”.

Certo é que “os negócios fazem-se de forma direta e de olhos nos olhos”, salientando Rocha de matos que “vamos voltar a colocar o turismo no local que merece”.

Do lado mais operacional, Pedro Braga, diretor-geral adjunto da Lisboa FCE – Feiras, Congressos e Eventos, empresa que gere a FIL e o Centro de Congressos de Lisboa e entidade organizadora da BTL, começou por referir que a BTL “é a montra do turismo nacional”, querendo afirmá-la, desde já, como “o marketplace do turismo em Portugal”.

Certo é que a BTL 2022 assentará em quatro vetores. O primeiro é a internacionalização, ficando Pedro Braga o objetivo de “não ter o maior programa de buyers na Europa, mas sim o melhor e de maior valor acrescentado”, referindo que “conta com a ajuda de todos para cumprir esse objetivo”.

Para já, será colocada no terreno uma campanha de promoção, ou melhor, de notoriedade que, segundo a organização, “terá como finalidade atrair novos países”.

De resto, o objetivo principal é, “no prazo de 10 anos, colocar a BTL a ser considerada como uma das maiores feiras internacionais do turismo”.

Admitindo que o pretendido é ter “uma forte representação presencial”, até porque, segundo Pedro Braga, “não nos revemos no digital, apesar de sabermos da sua importância”, o responsável salienta que “nada substitui o face-to-face”.

Como segundo vetor aparece o reforço da representação nacional, apostando-se na diversificação e diferenciação, apresentando Pedro Braga como terceiro vetor a formação, numa altura em que os recursos humanos assumem uma importância capital. Finalmente, o reforço do BTL LAB foi exposto como o quarto vetor, havendo um último ou adicional que coloca um reforço extra na venda direta ao consumidor final, oferta essa que, segundo Pedro Braga terá de ser “mais abrangente”.

De resto, a BTL 2022 apresenta Anadia como município convidado, enquanto Porto e Norte será o destino nacional convidado. A nível internacional, o destino convidado da edição de 2022 será a República Dominicana.

 

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CEO da United Airlines antevê subida do preço dos bilhetes devido ao custo do combustível

O CEO da United Airlines, Scott Kirby, alerta que “os preços mais altos do combustível da aviação levam a preços mais altos nos bilhetes”.

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O CEO da United Airlines, Scott Kirby, considera que a subida do preço dos combustíveis deverá levar a um aumento do preço dos bilhetes na aviação e admite que também a companhia aérea norte-americana deverá "passar por isso".

"Os preços mais altos do combustível da aviação levam a preços mais altos nos bilhetes”, afirmou o responsável esta quarta-feira, 20 de outubro, em entrevista à televisão norte-americana CNBC.

De acordo com o responsável, o preço do combustível está a bater todos os recordes e, no caso da aviação, ultrapassou mesmo, esta terça-feira, os 2,32 dólares por galão, bastante acima dos 2,02 dólares que eram pagos no quatro trimestre de 2019, antes da COVID-19, ou dos 2,14 dólares por galão no terceiro trimestre deste ano.

Apesar da subida, Scott Kirby diz que é "normal" que os preços subam com o aumento da procura, embora se mostre preocupado com o impacto deste aumento de preços nos resultados da aviação.

Ainda assim, o CEO da United Airlines acredita na recuperação do setor, até porque se espera um aumento das reservas para o fim-do-ano e em resultado do alivio das restrições às viagens nos EUA.

Scott Kirby mostra-se também confiante nos resultados da United Airlines, uma vez que a companhia aérea norte-americana conta reduzir, em 2022, os custos face a 2019, com exceção dos custos com o combustível.

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Nova vaga alastra na Europa sobretudo em regiões com menos vacinação

Tudo indica que uma nova vaga da COVID-19 está a ganhar terreno na Europa, destacando-se os países com taxas de vacinação mais baixas.

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Uma nova vaga da COVID-19 está a ganhar terreno em toda a Europa e a atingindo sobretudo os países com taxas de vacinação baixas, mas também os jovens, e obrigando os governos a reimpor restrições.

A situação é sentida com mais impacto no centro e leste europeu, onde os níveis de vacinação seguem o cenário russo e se mantêm baixos.

Naquela zona, a Ucrânia, a Letónia, a Roménia, a Bulgária, a República Checa, a Polónia, a Sérvia e a Croácia são os países onde o aumento das infeções está a pressionar mais os sistemas de saúde e a alarmar o resto da Europa.

Ucrânia 
Na terça-feira, 19 de outubro, a Ucrânia, onde apenas 16% da população está vacinada, registou um recorde de 538 mortes e 15.579 novos infetados em 24 horas.

Desde o início da pandemia, mais de 61.000 pessoas morreram oficialmente devido ao coronavírus na Ucrânia, pelo que o país, onde vivem 45 milhões de habitantes, é proporcionalmente um dos que mais mortes apresenta na Europa.

O Governo de Kiev decidiu, face à situação, voltar a adotar restrições em eventos públicos e salas de espetáculos.

Letónia
Também a Letónia, um dos países com menor taxa de vacinação na União Europeia, decidiu voltar ao confinamento – durante cerca de um mês – e ao recolhimento obrigatório face ao agravamento do número de infeções por COVID-19.

Na segunda-feira, 18 de outubro, o Centro de Prevenção e Controlo de Doenças da Letónia avançou que a taxa de incidência da doença no país é de 864 pessoas por cada 100.000 habitantes, constituindo atualmente uma das mais altas do mundo.

Roménia
A Roménia, que até agora só conseguiu vacinar um terço dos seus 19 milhões de habitantes, apresenta atualmente a segunda taxa mais alta do mundo em termos de mortes por tamanho de população, registando 18 vítimas mortais por cada milhão de pessoas.

Bulgária 
A baixa taxa de vacinação também está a afetar a Bulgária que, na terça-feira, 19 de outubro, registou quase 5.000 novas infeções em 24 horas, o maior número desde março passado, enquanto 214 pessoas morreram de COVID-19 num único dia.

A Bulgária continua no último lugar da lista de países da União Europeia em termos de população vacinada, com apenas 23,9% das pessoas com o esquema completo.

Por isso, o Governo admitiu estar a ponderar a introdução de novas restrições, como limitar o acesso a eventos desportivos, culturais e de lazer apenas a pessoas vacinadas, curadas ou com um teste de coronavírus negativo.

República Checa 
A República Checa foi também atingida por um aumento acentuado do número de infetados, contabilizando, na terça-feira, 19 de outubro, 3.246 novos casos em 24 horas, o que representa mais do dobro dos casos diários na semana anterior.

O valor constituiu um recorde desde 20 de abril e levou o Governo a reintroduzir medidas restritivas para controlar a pandemia, como o uso obrigatório de máscaras faciais em locais de trabalho e escolas.

Polónia 
Mais drástico foi o ministro da Saúde da Polónia que, perante a duplicação do número de novos casos em 24 horas registada na quarta-feira, 20 de outubro, propôs que a polícia passe a emitir multas em vez de “simplesmente repreender os cidadãos que não cumpram as restrições”.

Segundo o ministro, Adam Niedzielski, a Polónia está a viver uma “explosão pandémica”, com 5.559 novos infetados e 75 mortos entre terça e quarta-feira, o que, alertou, “vai obrigar a tomar medidas drásticas”.

A campanha de vacinação na Polónia está estagnada há alguns meses e apenas 52% dos polacos têm o esquema já completo.

Sérvia 
Após várias semanas a ultrapassar os vários milhares de novas infeções diárias e as cerca de 50 mortes por dia, a Sérvia decidiu, na quarta-feira, 20 de outubro, adotar os passes covid-19 para locais de entretenimento fechados, como restaurantes, bares e discotecas.

A primeira-ministra sérvia, Ana Brnabic, disse que a nova medida entra em vigor no sábado e será aplicada a partir das 22h00.

A decisão foi também tomada na sequência de vários pedidos de especialistas médicos para que as autoridades imponham restrições severas face às baixas taxas de vacinação no país.

A Sérvia já soma mais de 1 milhão de infetados e quase 10.000 mortes no país desde o início da pandemia, mas só cerca de metade dos adultos estão vacinados.

Croácia 
As infeções pelo coronavírus SARS-Cov-2 também têm aumentado na Croácia, onde foram registados, na quarta-feira, mais de 3.000 novos casos em 24 horas, atingindo o maior número dos últimos meses.

O número representa uma subida de cerca de 1.000 doentes em relação à média diária contabilizada na semana passada.

A Croácia também tem uma taxa de vacinação de cerca de 50% de sua população adulta, mas, segundo a imprensa local, as pessoas começaram, na quarta-feira, a fazer filas nos locais de vacinação da capital, Zagreb, após a divulgação do aumento mais recente do número de novos infetados.

Rússia 
A nova vaga no leste da Europa parece refletir o que se passa na Rússia, onde os números associados à pandemia continuam a bater recordes diários, com o país a registar mais de mil mortes diárias causadas pela COVID-19.

Até ao momento, 47,2 milhões de russos receberam as duas doses da vacina contra a COVID-19 em todo o país, ou seja, menos de um terço da população, tendo o organismo de saúde pública do país defendido, esta semana, a necessidade de adotar aquilo que chamou “dias não úteis”, ou seja, sem trabalho, para combater os contágios.

Em Moscovo, a cidade onde a situação é mais grave, serão, pela primeira vez, adotados confinamentos para aqueles com mais de 60 anos e ainda não vacinados.

Reino Unido
O Reino Unido registou, na terça-feira, 19 de outubro, 223 mortes por COVID-19 em 24 horas, o maior número diário desde março e que confirmou o aumento sustentado das últimas semanas.

O surto está concentrado nos menores de 20 anos não vacinados, mas está a espalhar-se também para os seus pais de meia-idade, aumentando gravemente as hospitalizações.

O diretor executivo da confederação do NHS (o serviço inglês de saúde pública), Matthew Taylor, pediu na quarta-feira ao Governo britânico que restabeleça restrições face ao aumento contínuo de casos e consequente pressão sobre os hospitais, sobretudo numa altura em que está a chegar o inverno.

Perante os indícios de nova vaga de COVID-19, o Governo britânico admitiu ter se de preparar para “um inverno difícil”, mas afastou a possibilidade de voltar a adotar as restrições já suspensas.

A Irlanda, por seu lado - que já vacinou quase 90% das pessoas com mais de 12 anos - decidiu adiar o levantamento, agendado para a próxima semana, de algumas medidas de restrição e manter a obrigação de usar máscara em espaços interiores, como discotecas, lojas e transportes públicos.

Países Baixos
Outro país da Europa ocidental que está a viver um ressurgimento da COVID-19 é os Países Baixos, que registou um crescimento de 44% no número de novos infetados na semana passada.

As autoridades sanitárias locais registaram 25.750 novos casos de COVID-19 nos últimos sete dias, face aos 17.850 contabilizados na semana anterior, aumento que aconteceu sobretudo nas regiões de maioria calvinista, onde as taxas de vacinação são muito mais baixas.

Para já, não estão a ser ponderadas novas medidas restritivas de combate ao surto. (Lusa)

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Agosto faz disparar receitas turísticas mas ainda longe dos valores de 2019

Segundo o Banco de Portugal (BdP), em agosto, as receitas turísticas dispararam e cresceram 48,3%, somando 2.014,00 milhões de euros, mas ainda ficam 32,5% abaixo de igual mês de 2019.

Inês de Matos

As receitas turísticas dispararam em agosto e cresceram 48,3%, somando 2.014,00 milhões de euros, valor que, no entanto, continua 32,5% abaixo dos 2.982,98 milhões de euros apurados em igual mês de 2019, quando a pandemia ainda não se fazia sentir, de acordo com os dados divulgados esta quarta-feira, 20 de outubro, pelo Banco de Portugal (BdP).

Os dados do BdP mostram que, em agosto, as receitas turísticas, que se encontram pelos gastos dos turistas estrangeiros em Portugal, subiram 74,8% face ao valor apurado no mês anterior, quando este indicador se tinha ficado pelos 1.152,38 milhões de euros, o que corresponde a um aumento de 861,62 milhões de euros.

"O crescimento das exportações de viagens e turismo (48,3%) foi o que mais contribuiu para o aumento do excedente da balança de serviços", indica o BdP, no comunicado divulgado com os números de agosto.

Tal como as exportações, também as importações turísticas, que resultam dos gastos dos portugueses no estrangeiro, aumentaram em agosto e cresceram 46,7%, passando de um total de 338,65 milhões de euros no oitavo mês do ano passado para 496,66 milhões de euros em agosto de 2021.

Face a agosto de 2019, continua, no entanto, a existir uma quebra nas importações do turismo e que chega aos 17,3%, uma vez que, no oitavo mês do último ano antes da pandemia, as exportações somavam 600,98 milhões de euros, o que indica uma descida de 104,32 milhões de euros.

A subir esteve também o saldo da rúbrica Viagens e Turismo, que chegou aos 1.517,33 milhões de euros, num aumento de 48,8% face aos 1.019,78 milhões de euros apurados em agosto de 2020. Ainda assim, em comparação com agosto de 2019, também o saldo desta rubrica continua a apresentar uma descida, que chegou aos 36,3%, uma vez que, nessa altura, o montante do saldo era de 2.382,00 milhões de euros.

O BdP diz ainda que "as receitas de turistas provenientes de França, Espanha e Reino Unido, os três principais países de origem das receitas de turistas não residentes, apesar de continuarem aquém dos níveis pré-pandemia (agosto de 2019), aumentaram em relação a julho de 2021 e a agosto de 2020".

No caso de França, as receitas turísticas somaram 615,27 milhões de euros, enquanto as receitas provenientes de turistas espanhóis alcançaram os 320,87 milhões de euros e o mercado do Reino Unido gerou receitas de 223,6  milhões de euros.

No acumulado do ano até agosto, as receitas turísticas somam 5.554,12 milhões de euros, valor que já ultrapassa o registado em igual período de 2020, quando este indicador ficou nos 5428,41 milhões de euros, o que traduz um aumento modesto de 2,3%.

No entanto, em comparação com o acumulado até agosto de 2019, a descida continua a ser bastante expressiva e traduz uma quebra de 56,1%, já que, nessa altura, o valor acumulado das receitas turísticas chegava aos 12,662,77 milhões de euros.

 

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Distribuição

Rui Alves (Flytour Gapnet): “A experiência negativa dos consumidores com o suporte na venda on-line levou a uma valorização do papel do intermediário”

Para o diretor da consolidadora brasileira Flytour Gapnet, Rui Alves, a previsão passa por “um retorno aos modelos de uso de ‘hubs’ para receção de voos longos e distribuições regionais com mais escalas, tudo em nome de maior produtividade”.

Victor Jorge

Rui Alves, diretor da consolidadora brasileira Flytour Gapnet, não prevê tempos fáceis e admite um “redesenho de oferta de voos e uma busca de melhoria de performance, de modo a alcançar economia de custos”. Certo é que foi dado ao agente de viagens “um papel relevante de consultor e solucionador de problemas não só para os passageiros, como também para as próprias companhias aéreas”.

Conhecido o impacto que a pandemia teve no setor da aviação, que preocupações passaram a ter as companhias aéreas que anteriormente não tinham ou que eram secundárias? Mais segurança, mais proximidade, mais e melhores serviços, mais rotas, aviões mais sustentáveis, etc.?
Entendo que a indústria de aviação ao mesmo tempo que teve de encontrar alternativas de sobrevivência neste duro período da pandemia, teve ainda de olhar para dentro e repensar o negócio no momento em que começou a existir alguma retoma de atividade. A mudança do perfil de comprador com predominância do passageiro de lazer e com advance purchase curto, deixa a indústria com a difícil tarefa de refazer o seu preço que, na maioria dos players, contava com o passageiro corporativo como determinante na sua receita.

O cenário inverte-se e projeta uma diminuição do segmento corporativo em viagens. Alguns falam em quebras de 25 a 30%, mas pouco se sabe ainda de como será o hábito de compra deste segmento. Nalguns mercados existe mesmo a projeção de um cenário de 50% de passageiros de lazer e 50% de passageiros corporativos o que levará a um redesenho de oferta de voos e a uma busca de melhoria de performance, de modo a alcançar economia de custos. Não prevejo mais rotas, mas sim um retorno aos modelos de uso de hubs para receção de voos longos e distribuições regionais com mais escalas, tudo em nome de maior produtividade. Um bom exemplo desta tendência foram os recentes aproveitamentos dos A380 que estavam condenados a serem encostados.

Como vê o futuro da consolidação aérea depois da pandemia?
Vejo espaço na continuidade da consolidação aérea com as companhias norte-americanas como principais players, pois estão a sair em primeiro do momento mais crítico e fortalecendo-se graças a retoma do seu mercado doméstico. Na Europa, parece ser mais difícil esta tendência, agora com a maior presença do Estado como investidor. Já as companhias do Médio Oriente e Ásia encontram-se num momento de redefinição dos seus projetos.

Que mudanças espera no e para o turismo de forma geral e quais são, efetivamente, os maiores ensinamentos que retira desta crise para o futuro da sua atividade e negócio?
A experiência negativa dos consumidores com o suporte na venda on-line, seja das OTA´s, seja das próprias companhias aéreas durante o período da pandemia, levou a uma valorização do papel do intermediário, reforçando o Agente de Viagens, dando-lhe um papel relevante de consultor e solucionador de problemas não só para os passageiros, mas para as próprias companhias aéreas que muito e bem viram e compreenderam esta atuação dos agentes.

Talvez isto seja uma tendência daqui para a frente, com mais projetos de distribuição omnichannel e atendimento mais humanizado pelas OTA’s.

 

*Para participar no webinar de dia 20 de outubro, basta inscrever-se aqui.

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Transportes

Movimento de passageiros dispara nos aeroportos nacionais em agosto mas continua 40% abaixo dos níveis pré-pandemia

Aeroportos nacionais contabilizaram 3,9 milhões de passageiros em agosto, crescimento de 76,3% face a igual mês do ano passado, mas que, face aos níveis pré-pandemia, continua a traduzir uma quebra de 39,9%.

Inês de Matos

No passado mês de agosto, o movimento de passageiros nos aeroportos nacionais cresceu 76,3%, chegando aos 3,9 milhões de passageiros, indica o Instituto Nacional de Estatística (INE), que realça, no entanto, que este indicador continua 39,9% abaixo dos níveis pré-pandemia.

Segundo o INE, agosto trouxe também um crescimento do número de aeronaves que aterraram nos aeroportos nacionais, num total de 17,4 mil aparelhos, o que indica uma subida de 39,9% face a agosto do ano passado.

"Neste mês atingiram-se os níveis mais elevados de aeronaves aterradas e passageiros movimentados desde o início da crise pandémica COVID-19", indica o INE, no comunicado divulgado esta terça-feira, 19 de outubro.

Ainda assim, face a igual mês de 2019, os números continuam a traduzir descidas, que chegaram aos 25,0% no número de aeronaves aterradas e aos 39,9% nos passageiros movimentados, embora menos expressivas do que tinham sido em julho, quando a quebra no número de aeronaves aterradas e no movimento de passageiros chegava aos 33,2% e 55,8%, respetivamente, face a julho de 2019.

Entre os passageiros que chegaram aos aeroportos nacionais em agosto, 74,4% corresponderam a tráfego internacional, quando em período homólogo essa percentagem era de 76,4%, tendo a maioria sido proveniente de aeroportos europeus (65,0%), enquanto entre os passageiros que embarcaram em território nacional, 75,6% corresponderam a tráfego internacional (77,2% no período homólogo), com os aeroportos europeus a serem também o destino da maioria destes passageiros (67,6%).

Já no acumulado do ano até agosto, os dados do INE indicam que houve uma diminuição de 9,2% no número de passageiros movimentados nos aeroportos nacionais face ao período homólogo do ano anterior, o que traduz uma recuperação significativa depois da quebra de 67,1% que tinha sido apurada no acumulado até agosto do ano passado.

No entanto, o INE indica que, "comparando com o mesmo período de 2019, a redução foi de 70,1%", até porque, no acumulado até agosto de 2019, o movimento de passageiros nos aeroportos nacionais tinha crescido 7,1%.

Até agosto, o aeroporto de Lisboa movimentou 44,9% do total de passageiros, o que corresponde a 5,5  milhões de passageiros, o que traduz um decréscimo de 22,3% face a igual período do ano passado. Já o aeroporto de Faro apresentou uma trajetória diferente e cresceu 3,8% no acumulado do ano, contabilizando 1,5 milhões de passageiros, com o INE a referir, contudo, que o valor está "ainda distante do registado no mesmo período em 2019 (6,3 milhões de passageiros, representando um decréscimo de 76,3%)".

Nos voos internacionais, França a foi o principal país de origem e de destino dos voos, registando, no entanto, decréscimos de -5,3% no número de passageiros desembarcados e de -8,2% no número de passageiros embarcados face ao mesmo período de 2020, seguindo-se o Reino Unido e a Alemanha, ainda que com "um volume significativamente mais reduzido de passageiros desembarcados e embarcados".

 

 

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