Aeroporto: “Ministro prometeu e não cumpriu”

Por a 26 de Setembro de 2018 as 16:16

A convite do Publituris, as principais associações do sector – ALEPAHPAHRESPARACAPAVT – reuniram-se para discutir o actual momento do Turismo. Numa altura em que os números apontam para uma desaceleração do crescimento turístico no País, estas debateram vários temas pertinentes ao sector.
O esgotamento do aeroporto de Lisboa é apontado com frequência como um dos maiores constrangimentos ao crescimento do Turismo, não só na região de Lisboa, como no País, uma vez que é muitas vezes usado como a porta de entrada em Portugal.
Sobre o novo aeroporto de Lisboa, Raúl Martins, presidente da AHP, lamenta que a decisão ainda não esteja fechada. “A decisão política e a negociação com a VINCI não estão fechadas e temos, enquanto sector, de chamar a atenção do Governo que isso tem de se fazer. Temos “gritado”, mas se calhar temos de gritar ainda mais, porque a situação do aeroporto tem de ser decidida, negociada, a bem ou mal. Entretanto, tem que haver situações para minorar este não aumento de turistas. Como? Através de um sub-hub no Porto”. Raul Martins, que já anteriormente tinha apontado o aeroporto do Porto como possível solução para aliviar o tráfego em Lisboa, voltou a falar da ideia. “O Porto devia ser um sub hub, através da criação de condições para que o seu aeroporto seja atraente. Hoje em dia, já há ligações a partir do Porto que não existem em Lisboa”, lembra.
Para o sector do rent-a-car, em que Turismo que representa 60% do negócio, o aeroporto de Lisboa também é uma dor de cabeça, com Joaquim Robalo de Almeida a afirmar que “são cada vez mais complicadas as operações de entrega e recolha de viaturas”. Com as condições actuais do aeroporto, o sector teme que, quer em termos de imagem do país, quer em termos de entrada de turistas, a situação possa contribuir para um decréscimo do negócio. “Não podemos esquecer que o rent-a-car é o primeiro e último produto turístico com que o cliente contacta e se as condições não são as melhores logo na entrega da viatura, esse mesmo turista começa as férias já um pouco aborrecido”, constata.
Embora ressalve que não é possível compreender e influenciar a dinâmica económica na totalidade, Pedro Costa Ferreira defende rigor e acção efectiva nos factores que podem ser influenciados. “Estou a falar do aeroporto”, afirma. “O nosso maior aeroporto, aparentemente, está bloqueado, aparentemente porque continuam a existir alguns milagres. O maior crescimento dos aeroportos em Portugal é o de Lisboa, o que está bloqueado”. Quanto à solução de um hub no Porto, Pedro Costa Ferreira tem dúvidas quanto à sua possibilidade. “Julgo saber que existem restrições técnicas importantes quanto a termos uma espécie de sub hub no Porto. Não há, na história da aviação internacional, dois hubs tão juntos, sobretudo num mercado tão pequeno como Portugal. Por outro lado, uma parte importante do hub são as ligações internacionais e, apesar de tudo, o aeroporto, que tem espaço para crescer, nomeadamente para novas rotas e voos ponto a ponto, tem menos espaço de crescimento para rotas de hub propriamente dito, porque as slots que podiam ser utilizadas para ligações internacionais também já estão preenchidas”. Pedro Costa Ferreira lembra que este é um problema antigo. “Vou com sete anos de presidência de APAVT, o meu antecessor esteve seis anos, e lembro-me do meu outro presidente, Vítor Filipe, dar uma entrevista, perguntarem-lhe o que pensava do novo aeroporto, e ele responder que não vale a pena, porque já está decidido que era em Alcochete. Há mais de treze anos e continuamos a tentar decidir”.
Além disso, o responsável da APAVT questiona: “Fala-se sempre tanto em peso político do Turismo. Para o peso económico do sector, um problema tão nevrálgico como é este não estar a ser resolvido politicamente em primeira instância, é algo que não vai bem no País”.
Raul Martins lembrou que a Confederação do Turismo de Portugal (CTP) foi recebida pelo Ministro do Planeamento e das Infraestruturas, numa audiência em que Pedro Marques afirmou que o Estudo de Impacto Ambiental estaria pronto no primeiro trimestre de 2018 e que no primeiro semestre se fecharia o acordo com a Vinci. “Pelo menos podemos dizer, hoje em dia, que o ministro prometeu e não cumpriu. Se o ministro não resolve, o senhor primeiro-ministro tem de ser chamado à atenção. A Confederação do Turismo de Portugal (CTP) tem de pedir uma audiência ao primeiro-ministro rapidamente para pôr a questão”.

*Leia o artigo completo na edição 1376 do Publituris.

Um comentário

  1. João Martins Vieira

    27 de Setembro de 2018 at 15:01

    Eis como resolver um problema criando dois. É a teoria da fragmentação política.

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