Reportagem| Ilha do Sal: Um destino muito doce

Por a 24 de Abril de 2018 as 11:52

A Ilha do Sal é o destino turístico mais conhecido de Cabo Verde e é também a ilha onde se encontram algumas das melhores praias do país. Mas, além da praia, o Sal tem muitos outros atractivos e um recurso único no mundo, a hospitalidade de um povo alegre e sempre pronto a receber bem os turistas. A convite dos TACV – Cabo Verde Airlines, o Publituris foi conhecer a ilha mais turística do arquipélago cabo-verdiano.

Em Cabo Verde, o sal é mais muito mais que o ingrediente que, habitualmente, usamos para dar sabor à comida, é o nome da principal ilha turística do arquipélago e um recurso que, em tempos, levou à prosperidade do território. Reza a história que, no século XV, quando os navegadores portugueses descobriram o arquipélago e desembarcaram nas praias de areia branca desta pequena ilha no Atlântico, com 30 quilómetros de comprimento e 12 de largura, a baptizaram de Llana (plana), devido à quase total ausência de montanhas. Só mais tarde, no século XIX, a ilha viria a ganhar o nome de Sal, numa homenagem ao recurso que levou ao desenvolvimento do território. Nesses tempos, o sal era valioso e escasso, também conhecido como “ouro branco” – é daí que vem a palavra salário, já que os trabalhadores eram muitas vezes pagos em sal pelo seu trabalho -, mas existia em abundância nesta ilha cabo-verdiana, de tal forma que acabou mesmo por dar nome ao território, a partir do século XIX.
Hoje, o sal é apenas extraído para consumo doméstico, já não tem a importância de outros tempos, quando era exportado em larga quantidade, mas continua a desempenhar um papel fundamental para a economia da ilha, funcionando como um atractivo turístico. Quem visita a Ilha do Sal não pode deixar de passar pelas salinas de Pedra Lume, localizadas na caldeira de um antigo vulcão, onde a água do mar se infiltra naturalmente, seja apenas para conhecer a história do local e tirar fotografias ou para um divertido mergulho nas águas extremamente salgadas destas salinas, que nos fazem boiar sem o mínimo esforço, à semelhança do Mar Morto. A entrada custa apenas cinco euros e vale bem a experiência.
O Publituris esteve lá, a convite dos TACV – Cabo Verde Airlines, que organizaram uma famtrip para um grupo de nove jornalistas e agentes de viagens à Ilha do Sal e que incluiu visita aos principais pontos turísticos do território.

As praias e a animação de Santa Maria
Devo dizer que há muito tempo queria visitar Cabo Verde, não só pelo sucesso do arquipélago enquanto destino turístico, que, nos últimos anos, tem sido dos mais vendidos entre os operadores portugueses, mas, sobretudo, pela cultura cabo-verdiana e pela ligação histórica que une Portugal e Cabo Verde. E, ainda que apenas tenhamos visitado a Ilha do Sal, a experiência não podia ter sido melhor.
Chegámos à Ilha do Sal numa quinta-feira ao início da noite, depois de quase quatro horas de voo, e por lá ficámos até domingo de manhã. O tempo para aproveitar tudo o que o Sal tem para oferecer não era muito, mas em Cabo Verde o tempo passa devagar e esforçámo-nos ao máximo para disfrutar de tudo. Por isso, as tradicionais visitas aos hotéis foram todas arrumadas na manhã do primeiro dia, enquanto a tarde ficou reservada à praia.
E quando falamos de praias na Ilha do Sal, falamos essencialmente de Santa Maria, uma antiga vila piscatória, localizada no sul da ilha, que cresceu com o Turismo e, em torno da qual, se situa a maioria dos hotéis.
As praias de Santa Maria são o principal atractivo. À areia branca e fina, junta-se um mar turquesa, cuja temperatura é agradável ao longo de todo o ano e que, no Verão, chega a atingir os 25º C. Além de banhos, no mar da Ilha do Sal é possível realizar uma série de actividades, desde snorkeling a mergulho, passando por vários tipos de pesca, sem esquecer o surf e o kitesurf na zona da Ponta Preta, onde anualmente se realiza uma das etapas do circuito mundial de kitesurf. Depois, há também as tartarugas, que escolhem várias das praias de Santa Maria para desovar, num processo que os turistas podem apreciar, sem interferir. Mas Santa Maria é também o local onde é possível ter um maior contacto com a cultura cabo-verdiana e sentir a ‘morabeza’, palavra do crioulo cabo-verdiano que, no fundo, traduz a hospitalidade do povo. Durante o dia, Santa Maria é uma vila simpática, com várias lojas e barraquinhas onde é possível adquirir excursões ou souvenires, além de restaurantes para provar a melhor cachupa ou o peixe fresco que domina a gastronomia cabo-verdiana. Pela manhã ou ao final da tarde, o ponto mais concorrido é o pontão da vila, onde os pescadores descarregam os barcos depois da faina e onde as mulheres amanham o peixe na hora, enquanto os miúdos se distraem em brincadeiras na praia.
Mas é principalmente à noite que a animação chega a Santa Maria, quando o calor do sol dá algum descanso e os cabo-verdianos se misturam com os turistas nas ruas e bares da vila, ao som da morna, da quizomba ou de outros ritmos tipicamente africanos, que enchem de vida as ruas da vila. E há até um percurso que os turistas devem fazer para melhor aproveitarem os vários momentos da noite na Ilha do Sal: primeiro janta-se no Americo’s, um dos mais conhecidos restaurantes da vila, depois segue-se para o Ocean Bar, ao som de música mais internacional, e ainda para o Calema, onde os ritmos são marcadamente africanos. Invariavelmente, a noite termina no Pirata, a discoteca mais concorrida da Ilha do Sal. Vale a pena experimentar e viver a noite local em sintonia com os cabo-verdianos.

Tubarões-limão, miragens e buracona
Ainda que a Ilha do Sal seja pequena em extensão, há muito para ver e fazer por todo o território, como o grupo convidado pelos TACV – Cabo Verde Airlines pôde constatar ao segundo dia de viagem, quando fizemos o percurso pelos pontos mais turísticos. Assim que nos fizemos à estrada, percebemos que a Ilha do Sal faz jus ao nome com que primeiro foi baptizada pelos navegadores portugueses, é praticamente plana, apenas na zona Norte há algumas elevações, e a paisagem é árida, ou lunar, como lhe chamam os locais. As árvores são escassas e as poucas existentes estão inclinadas no sentido do vento, que sopra de Noroeste, o que acaba por dar um toque especial à paisagem.
Logo pela manhã, o destino foi a Baía da Parda, zona com maior actividade vulcânica e onde a água do mar é, garantidamente, das mais quentes que já experimentei. O objectivo era entrar na água para observar tubarões-limão e, depois de algum tempo, foi concretizado: vimos um juvenil, pequeno, mais ainda assim um tubarão-limão. Esta é uma espécie quase inofensiva, mais dócil e – garantiram-nos – nunca houve qualquer ataque a seres humanos em Cabo Verde. Ao longo da baía há cabo-verdianos que alugam calçado adequado (dois euros) e que entram na água com os turistas para ajudarem a identificar os tubarões. A experiência é memorável e daquelas que não se podem ter muitos locais do mundo.
Depois da Baía da Parda, seguimos para as salinas, que, como já referi, foram um sucesso entre o grupo, até que chegou outro dos pontos mais aguardados: as miragens. É engraçado perceber como o olho humano pode ser enganado tão facilmente. Como nos explicou o ‘Manu’, o guia do receptivo Morabitur que nos acompanhou, o que acontece neste ponto é um fenómeno chamado refracção e é devido ao calor intenso, que leva a que se forme uma camada de ar quente junto ao solo, por onde os raios solares se propagam mais rapidamente, criando uma espécie de espelho que, ao longe, parece água, mas que não passa de uma miragem, pois o mar ainda está a alguns quilómetros.
E quando ainda nos estávamos a mentalizar de que tudo não tinha passado de uma miragem, chegámos à Buracona, uma piscina natural na costa noroeste, que a força do mar foi escavando na rocha vulcânica. A vista é imperdível, assim com um mergulho, apesar de não termos tido essa sorte, o mar estava agitado e a bandeira vermelha hasteada. A zona da Buracona é também conhecida pelo Olho Azul, uma caverna sub-aquática que faz lembrar um olho de cor azul profundo, quando os raios do sol atingem o mar. A zona está bem sinalizada e conta com rampas de acesso em madeira, além de um restaurante, o único existente no local, onde se podem provar os melhores petiscos da ilha. No regresso a Santa Maria, esperava-nos uma festa cabo-verdiana, no Hotel Morabeza. Os turistas são brindados com o melhor da música cabo-verdiana, com destaque para as canções imortalizadas por Cesária Évora, e a noite é passada entre mornas, cachupa e danças africanas, com os turistas a serem convidados a largarem as suas cadeiras e a juntarem-se à festa, num cheirinho da ‘morabeza’ que caracteriza Cabo Verde.
Na hora da partida, a Ilha do Sal deixou saudades e a certeza de que Cabo Verde tem tudo para se afirmar como uma referência no Turismo mundial: boas praias, boa comida, uma cultura única e, acima de tudo, um povo que tem sempre um sorriso para receber os turistas.

*A jornalista viajou a convite dos TACV.

Deixe aqui o seu comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *