Assine já
Angola

Angola quer 4,6 milhões de turistas em 2020

O destino esteve presente na BTL 2013, que terminou no passado domingo, na FIL, em Lisboa.

Publituris
Angola

Angola quer 4,6 milhões de turistas em 2020

O destino esteve presente na BTL 2013, que terminou no passado domingo, na FIL, em Lisboa.

Publituris
Sobre o autor
Publituris
Artigos relacionados
Paris recebeu 29 milhões de visitantes em 2012
Destinos
Top Resa
Museu do Pão tem nova ala dedicada à história e ciclo de produção do pão
Destinos
Boom Festival gera impacto económico de 55,3M€ no país
Homepage
Turismo em Macau cresce quase 1000% face a julho de 2020
Homepage
Fotos de banco de imagens por Vecteezy

De acordo com a agência Angop, as acções estruturais que visam melhorias dos pólos de desenvolvimento do turismo, o fundo de desenvolvimento do turismo e o fomento e a promoção do turismo social foram algumas das razões apontadas para o aumento do número de turistas.

O stand angolano na BTL deste ano integrou, além do INFOTUR, 12 agentes operadores de turismo em Angola, entre os quais a Transportadora Áerea Nacional (TAAG), tendo os pólos de desenvolvimento turísticos de Calandula e o da Bacia do Okavango atraído grande interesse de muitos visitantes.

Sobre o autorPublituris

Publituris

Mais artigos
Artigos relacionados
Destinos

OMT: 46 destinos mantêm fronteiras totalmente fechadas aos turistas

A OMT revela, no seu relatório sobre restrições de viagens, divulgado sexta-feira, que um total de 46 destinos no mundo (21%) estão atualmente com as fronteiras totalmente fechadas ao turismo internacional.

Um total de 46 destinos no mundo (21%) estão atualmente com as fronteiras totalmente fechadas ao turismo internacional, e destes, 26 mantêm-se completamente fechados pelo menos desde o final de abril de 2020, revela o relatório da OMT sobre restrições de viagens, divulgado sexta-feira. 

O documento da Organização Mundial do Turismo conclui que outros 55 (25% de todos os destinos em todo o mundo) continuam comas suas fronteiras parcialmente fechadas ao turismo internacional, e 112 (52% exigem à chegada aos turistas teste PCR ou antigéneo. 

A OMT destaca, no relatório divulgado na sua página de internet, que 85 destinos (39% de todos os destinos no mundo) abrandaram as restrições para turistas internacionais totalmente vacinados, mas apenas quatro destinos levantaram até agora todas as restrições relacionadas com a Covid-19 (Colômbia, Costa Rica, República Dominicana e México). 

“Abrandar ou suspender medidas com segurança é essencial para que o turismo seja retomado”, afirmou o secretário-geral da OMT, Zurab Pololikashvili, na publicação. 

“Os desafios contínuos colocados pela pandemia indicam a importância de as autoridades nacionais garantirem que procedimentos e requisitos possam ser geridos de maneira oportuna, confiável e consistente em todos os sistemas e plataformas de informação, para manter a confiança e facilitar ainda mais a mobilidade internacional”, concluiu Zurab Pololikashvili. 

Como nas edições anteriores da pesquisa, este último relatório mostra que as diferenças regionais em relação às restrições de viagem permanecem. A Ásia/Pacífico continua a ser a região com mais restrições em vigor, com 65% de todos os destinos totalmente fechados, enquanto a Europa é a região do mundo mais aberta aos turistas internacionais (7% das fronteiras totalmente fechadas), seguida da África (9%), das Américas (10%) e do Médio-Oriente (15%). 

Sobre o autorCarolina Morgado

Carolina Morgado

Mais artigos
Destinos

UE leva muito a sério nova variante e vai atuar rapidamente (c/ vídeo)

Depois de conhecidas as notícias sobre a nova variante altamente mutante na África do Sul, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, afirmou que a UE está a “levar muito a sério” esta questão.

Publituris

A presidente da Comissão Europeia afirmou esta sexta-feira, 26 de novembro, que a União Europeia (UE) está a “levar muito a sério” a nova variante do coronavírus, identificada inicialmente na África do Sul, exortando a ação “rápida e unida” dos Estados-membros.

“Estamos a levar muito a sério as notícias sobre a nova variante altamente mutante. Sabemos que as mutações podem levar ao aparecimento e à propagação de ainda mais variantes do vírus que se podem disseminar a nível mundial dentro de poucos meses, pelo que é agora importante que todos nós na Europa atuemos muito rapidamente, de forma decisiva e unida”, vincou Ursula von der Leyen.

Horas depois de ter anunciado que vai propor a ativação de um mecanismo travão para suspender voos da África Austral com destino à UE, devido ao aparecimento de uma nova variante do SARS-CoV-2, a líder do executivo comunitário insistiu que “todas as viagens de avião para estes países devem ser suspensas” a partir daquela região “e de outros países afetados”, novamente sem precisar.

“Devem ser suspensas [as viagens] até termos um entendimento claro sobre o perigo que esta nova variante representa e os viajantes que regressam desta região devem respeitar regras rigorosas de quarentena”, vincou a responsável.

Afirmando ter hoje discutido esta situação “em várias chamadas telefónicas e videoconferências com cientistas e fabricantes de vacinas”, Ursula von der Leyen apontou que “também eles apoiam plenamente tais medidas de precaução para evitar a propagação internacional desta variante”.

“Também depende de todos nós, como cidadãos, contribuir para um melhor controlo da pandemia. Por favor, vacinem-se o mais depressa possível, se ainda não o tiverem feito”, apelou a responsável.

A porta-voz adjunta da Comissão Europeia, Dana Spinant, indicou há algumas horas que para esta tarde está marcada uma reunião do grupo de Resposta do Conselho a situações de crise (IPCR), juntando Estados-membros, instituições europeias e especialistas, na qual se decidirá então a ativação do mecanismo de travão de emergência.

“Vamos realizar esta reunião do IPCR precisamente porque queremos ter medidas rápidas, coordenadas e consistentes em vigor para evitar que haja lacunas através das quais o vírus encontre o seu caminho para a Europa”, acrescentou Dana Spinant, durante a conferência de imprensa diária da instituição, em Bruxelas.

Certo é que o executivo comunitário está a “acompanhar de muito perto a evolução no que diz respeito a esta variante”, trabalhando nomeadamente “com a Agência Europeia para a Segurança da Aviação, que está a preparar uma recomendação aos aeroportos e companhias aéreas sobre esta matéria”, referiu.

Além disso, “o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças [ECDC, na sigla inglesa] classificou hoje de manhã esta variante como variante de interesse”, o que significa que requer monitorização, adiantou a porta-voz.

Esta nova variante do coronavírus foi detetada na África do Sul, o país africano oficialmente mais afetado pela pandemia e que está a sofrer um novo aumento de infeções, anunciaram na quinta-feira cientistas sul-africanos.

A variante identificada até ao momento como B.1.1.529 tem um número “extremamente elevado” de mutações, de acordo com aqueles cientistas.

Sobre o autorPublituris

Publituris

Mais artigos
Alojamento

Grupo Hotusa fecha 2021 com 21 hotéis em Portugal (c/ galeria de imagens)

Depois destas duas inaugurações oficiais, o grupo Hotusa fecha 2021 com oito unidades em Lisboa, num total de 21 hotéis em Portugal.

Victor Jorge

O grupo espanhol Hotusa inaugurou oficialmente duas novas unidades em Lisboa, mais concretamente, no Parque das Nações. Trata-se do Eurostars Universal Lisboa 5* e Ikonik Lisboa 3*, com 189 e 230 quartos, respetivamente, terminado o grupo o ano de 2021 com 21 unidades no nosso país, constituindo Portugal, depois de Espanha o mercado com maior presença da área hoteleira do grupo.

A cerimónia inaugural dos dois hotéis contou com a presença do ministro de Estado, Economia e Transição Digital, Pedro Siza Vieira, do vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Filipe Anacoreta Correia, e da Embaixadora de Espanha em Portugal, Marta Betanzos.

O presidente do grupo Hotusa, Amancio López Seijas, salientou os oito hotéis que o grupo possui na capital portuguesa e as 21 unidade no país, deixando a certeza que “não pretendemos ficar por aqui”.

Desenhado para “mimar os sentidos do privilegiado hóspede”, o Eurostars Universal Lisboa 5* oferece um completo leque de serviços, destacando-se na sua estrutura uma piscina na cobertura do edifício, uma ampla área de SPA e ginásio, um restaurante e três andares de estacionamento.

O Eurostars Universal Lisboa 5* constitui uma homenagem à história e à tradição da cidade através da cerâmica, escultura, arquitetura, fado e literatura, “sinais de identidade do legado universal que Lisboa presenteia ao mundo, salienta o grupo em comunicado.

Merece menção especial a referência à arquitetura local, através de fotografias que percorrem emblemáticos lugares dos bairros mais populares de Lisboa; as imagens de intérpretes de fados, bem como a evolução das letras portuguesas através do olhar de quatro grandes autores: José Maria Eça de Queiroz, José Saramago, Fernando Pessoa e Luís Vaz de Camões.

Por outro lado, o Ikonik Lisboa é um hotel “moderno e funcional”, oferecendo um design refrescante e cuidado de acordo com a essência de uma das áreas mais dinâmicas da capital, com os seus atuais restaurantes à beira do rio Tejo e áreas de lazer e comerciais para desfrutar em família.

Trata-se do primeiro hotel Ikonik em Portugal, “uma marca que representa uma nova maneira de conceber hotéis, um anagrama colorista e inovador que se adapta ao estilo de vida de cada pessoa, de cada lugar e de cada momento”, assinala o grupo Hotusa.

Em contraste com o Eurostars Universal 5*, cujas instalações pretendem prestar uma “sentimental homenagem à cidade clássica”, a estrutura do Ikonik Lisboa 3* foi construída com uma temática que procura refletir fielmente “a capital jovem, moderna e funcional desta urbe que muda e reinventa-se ao mesmo ritmo que os seus jovens”.

Sobre o autorVictor Jorge

Victor Jorge

Mais artigos
IATA
Transportes

RENA considera “inaceitável” apelidar companhias aéreas de irresponsáveis

Presidente da RENA, Paulo Geisler, critica as palavras do primeiro-ministro aquando do anúncio do agravamento das multas para as companhias que transportem passageiros sem teste negativo e considera a medida “desproporcionada”.

Inês de Matos

O presidente da RENA – Associação das Companhias Aéreas em Portugal, Paulo Geisler, considera “inaceitável” que o primeiro-ministro, António Costa, tenha apelidado as companhias aéreas de irresponsáveis, quando anunciou um agravamento das multas até 20 mil euros para as companhias aéreas que transportem passageiros sem teste negativo à COVID-19.

Numa publicação no Linkedin, Paulo Geisler começa por dizer que a “generalização, desresponsabilização governativa e intimidação nunca foram boas práticas”, para depois considerar que as palavras de António Costa não são aceitáveis, tendo em conta o papel fundamental das companhias aéreas.

“É, no mínimo, inaceitável apelidar as companhias aéreas  de irresponsáveis, tratando-se de um dos setores mais afetados pela atual conjuntura mas que, mesmo assim, mais tem ajudado no combate à pandemia, quer através do transporte de vacinas, testes, material de proteção e mercadorias, quer através do transporte de passageiros para a retoma da Economia”, considera o responsável, numa publicação datada desta sexta-feira, 26 de novembro.

Além das palavras de António Costa, Paulo Geisler é também crítico da própria medida anunciada pelo líder do executivo, que diz que “não faz qualquer sentido no contexto atual”, é desproporcional e vai “prejudicar ainda mais” a aviação, que já foi “um dos setores mais afetados pela pandemia”.

“O aumento da moldura contra-ordenacional é totalmente desproporcionado e excessivo, sobretudo tendo em conta que se trata de uma obrigação ou dever acessório da companhia, que age em substituição do Estado”, defende o responsável, considerando que as “políticas de saúde pública são uma incumbência do Estado que deve ser financiada por recursos próprios do Estado, não por esbulho ou confisco de operadores económicos”.

Recorde-se que esta quinta-feira, 25 de novembro, no final do Conselho de Ministros, António Costa anunciou o regresso do estado de calamidade e várias medidas para impedir a subida dos casos de COVID-19, incluindo o agravamento das multas para as companhias aéreas que transportem passageiros sem teste negativo.

Sobre o autorInês de Matos

Inês de Matos

Mais artigos
Destinos

Subida de casos de COVID-19 põe em causa temporada de neve, alerta GlobalData

Um estudo recente da GlobalData estima uma redução da procura por férias de neve já em dezembro, devido ao aumento do número de casos de COVID-19 na Europa.

Publituris

A GlobalData veio esta sexta-feira, 26 de novembro, alertar que o aumento recente do número de casos de COVID-19 pode poder em causa a temporada de neve na Europa e diz que as estâncias de esqui devem assistir a uma redução da procura já este mês de dezembro, de acordo com o mais recente estudo de opinião desta empresa de análise de dados.

Num comunicado enviado à imprensa esta sexta-feira, a GlobalData lembra que, nos meses de dezembro e janeiro, o mercados das viagens e turismo costuma ser positivamente afetado pela procura por destinos de neve, como aconteceu em 2019, em que a Europa assistiu a um aumento de 38,3% no total de viagens entre novembro e dezembro.

No entanto, segundo Ralph Hollister, analista de viagens e turismo da GlobalData, se no passado este aumento estava, em grande parte, associado aos destinos de neve e esqui, este ano, não se espera que este efeito se mantenha, uma vez que “a procura deverá ser afetada pelo comportamento da pandemia”.

O estudo GlobalData’s Q3 2021 Consumer Survey apurou que, entre os consumidores europeus, 25% continuam “extremamente preocupados” com a COVID-19, uma percentagem que, segundo a GlobalData, é “tão significativa” que não pode ser um bom indicador.

No comunicado divulgado, a GlobalData diz mesmo que “espera que muitos europeus parem ou cancelem seus planos de férias se virem que a transmissão do vírus está a começar a surgir novamente”.

Segundo Ralph Hollister, esta possibilidade está já a preocupar países com a França, a Suíça ou a Itália, principalmente devido ao aumento do número de casos de COVID-19 na Alemanha, que é um dos principais mercados consumidores de férias de neve na Europa.

“A situação do COVID-19 na Alemanha pode ser um fator decisivo para o sucesso da próxima temporada de esqui na Europa. A Alemanha tem mais esquiadores do que qualquer outro país da Europa, o que torna esse mercado fonte incrivelmente importante para destinos de esqui”, considera o responsável.

Sobre o autorPublituris

Publituris

Mais artigos
Distribuição

“Se o setor do turismo não resistir, Portugal não vai recuperar economicamente”

Depois de um ano de interregno, o Congresso da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) está de regresso para o “reencontro” do setor. Em entrevista, Pedro Costa Ferreira, presidente da associação, explica o que esperar desta reunião, mas também fala de reembolsos, aeroporto, TAP, sustentabilidade, digitalização e prefere antes falar “não de regresso, mas de retoma”.

Victor Jorge

Depois da “travessia do deserto” e de balanços destruídos, a Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) reúne-se para o seu 46.º congresso. Pedro Costa Ferreira, presidente da APAVT, espera que o evento, mais do que reunião, seja uma união do setor. Consciente de que as dificuldades ainda perduram e irão perdurar, pede a quem apoiou o setor do turismo, que continue a fazê-lo, seja qual for o Governo. Até porque, admite, “se não existirem apoios, o setor do turismo não vai resistir”.

A APAVT realiza o seu 46.º Congresso, com o título “Reencontro”. Que “reencontro” espera depois de 20 meses de pandemia?
Esperemos que seja o reencontro de todo o setor. O nosso congresso tem uma grande tradição, exatamente de reencontro do setor, é um congresso que é organizado por agentes de viagens, mas não é o congresso das agências de viagens e, neste momento, diria que mais do que nunca é importante que o setor, mais do que se reúna, se una.

Vamos sair, enquanto agências de viagens, com muitas fragilidades, balanços destruídos, capitais próprios esgotados, mas também com uma grande oportunidade. Muitos consumidores perderam dinheiro em processos de reserva distantes das agências de viagens neste período, além de ter ficado sublinhada a grande mais-valia das agências de viagens, a diferença entre informação e conhecimento.

Perante esta saída da crise, há uma palavra-chave que é flexibilidade. Esta flexibilidade tem de ser da cadeia de valor e não só das agências de viagens. Mais vale, neste momento, ter reservas que possam ser canceladas do que não ter reservas.

Se a aviação, um hotel, um restaurante ou uma agência de viagens não forem flexíveis, o produto não vai ser flexível.

Queremos acionar, para o próximo ano, este diálogo e chamar a atenção para ele muito vivamente neste congresso.

Quais foram os principais desafios enfrentados ao longo destes 20 meses?
Não gosto de recordar estes 20 meses. Foram meses de sobrevivência, de grandes perdas e endividamento para as empresas e empresários, foi um tempo de apoios do Governo absolutamente fulcrais. Temos de ser humildes e a objetividade de reconhecê-lo. Mas também foram, naturalmente, insuficientes.

Do ponto de vista da APAVT, focamo-nos em vários planos de atuação. Talvez salientasse, desde logo e por ordem cronológica, o facto de termos tido de tratar de imediato dos reembolsos aos nossos clientes e, portanto, tentámos e conseguimos derrogar a diretiva no que aos reembolsos concerne e, provavelmente, fizemos a melhor lei dos vouchers da Europa. Melhor pela conjugação de dois fatores: pelo período relativamente ao qual foi possível não pagar diretamente, mas reembolsar através de um voucher, bem como pela data a partir da qual esse vale, se não for viajar, tem de ser pago. A conjugação destes dois fatores fez, provavelmente, da lei portuguesa a melhor lei da Europa.

Isso foi fundamental para dar confiança?
Deu confiança, salvou as empresas e ao salvar as empresas salvou os interesses e direitos dos consumidores. E há aqui uma nota que é preciso salientar: esta lei não teria sido possível sem o verdadeiro empenhamento da nossa secretária de Estado do Turismo (SET), Rita Marques. Foi uma lei que precisou de diálogo com a Comissão Europeia (CE), precisou de conflito e resolução de conflito com a CE e temos a perfeita noção de que se a SET tivesse desistido, e lutou muito e mais do que possa parecer ou imaginar, não teríamos conseguido.

Espelho desta situação foram os reembolsos que a APAVT e as agências trataram e terão ainda de tratar com os seus fornecedores, já que o dinheiro tinha ficado do lado de lá.

De referir eventualmente e neste capítulo, a importância da negociação com a TAP. Fomos reembolsados, enquanto setor, em cerca de 10 milhões de euros. Foi um passo em frente muito grande, num processo que se mantém e que ainda possui muitos processos em aberto. Há muitas dívidas das companhias de aviação. Mas trata-se de “ongoing processes” que, com exceção da Ryanair, temos diálogo com todas as companhias.

Mas vê uma solução a breve trecho?
Sim, é uma solução que vai sendo encontrada. Os problemas vão diminuindo e o bolo de processos por resolver também.

Os desafios: passados e futuros
Mas esses são problemas vindos do passado. Que desafios ainda existem no e para o futuro?
Antes disso, ainda referir que a APAVT não esteve só empenhada na relação com os agentes e com os fornecedores. A APAVT também esteve empenhada nos apoios ao setor, na sua clarificação, na sua negociação, na perceção da sua capacidade de execução, tivemos de trabalhar na Europa na harmonização das restrições de viagens. Começámos a olhar para o futuro e ao longo destes 20 meses produzimos a atualização do “Economics” do setor com a EY e iniciámos um processo de pensamento estratégico para o futuro, entre outros.

Relativamente aos desafios da saída desta crise pandémica, o primeiro desafio será a incerteza de estarmos, de facto, de saída da crise. A incerteza parece estar a voltar e esse é, sem dúvida, o maior desafio. O facto de não conseguirmos perceber se do lado do consumo vai haver abertura ou não.

O que é que aprendemos nestes pequenos raios de sol que apareceram no meio desta chuva toda? Sempre que existe a perceção de que a pandemia está a diminuir, as reservas surgem como chuva nas agências de viagens. Não escondo que nos últimos meses, sobretudo na área do incoming tivemos essa noção como, também, no verão tivemos essa noção no outgoing.

Hoje, já começámos a falar em cancelamentos de reservas, sobretudo de grupos, e em dúvidas para o futuro. Portanto, voltamos a ter a incerteza como pano de fundo.

E ter a incerteza como pano de fundo significa o quê?
Ter a incerteza como pano de fundo significa ter a certeza de que vamos continuar a precisar de apoios. Sabemos que o apoio à retoma, no que diz respeito à defesa do emprego, poderá continuar e esperemos que sim, de modo a evitar uma rutura nessa área. Mas temos de discutir com o próximo Governo, seja ele qual for e quando aparecer, a manutenção dos apoios a fundo perdido, nomeadamente, do programa Apoiar.pt. Isto por uma razão muito objetiva, é que o programa Apoiar.pt foi pago até abril, a crise ainda existe e, portanto, se houve razões por parte do Governo para apoiar uma crise há seis meses, mais razões há para fazê-lo agora, já que as empresas, com a continuação da crise, estão ainda mais fragilizadas.

A incerteza parece estar a voltar e esse, é sem dúvida, o maior desafio. Ter a incerteza como pano de fundo significa ter a certeza de que vamos continuar a precisar de apoios

Em outubro de 2020, com sete meses de pandemia, admitia ao Publituris que, por causa dos balanços destruídos, a necessidade brutal de recapitalização e tesouraria seria o grande desafio dos próximos anos? Mantém essa afirmação?
Acho que está ainda mais sublinhada. Começámos por ter dúvidas relativamente ao futuro quando achámos que iriamos ter três meses de pandemia. Nessa altura, falava com sete meses de pandemia, agora falo com 20 meses.

Diria que, se há um ensinamento para o futuro, ele tem a ver com dois aspetos do lado das agências de viagens: robustecer os balanços, porque é nos balanços que está a resposta à próxima crise; e rodear-nos dos melhores recursos humanos, porque são esses recursos humanos que vão robustecer os balanços.

O que devia ter sido feito que não foi feito?
Da parte de quem?

De todos!
Vou ser sincero, quer nas agências de viagens, quer na APAVT, quer no Governo, de um modo geral, foi feito tudo o que era imaginável ser feito. Da parte das agências de viagens, depois de 20 meses de crise, verificamos que, tanto em 2020 e, previsivelmente, em 2021, teremos dois anos com menos falências que em 2019. Isso diz tudo relativamente à capacidade resistência das nossas agências de viagens.

Relativamente à APAVT, clientes, reembolsos, trabalho na ECTAA, os projetos editoriais do Economics do setor, o pensamento estratégico para o mesmo, o aumento do apoio jurídico, o aumento dos apoios aos apoios, isto é, a clarificação, a perceção de quem poderia aderir e por aí fora, o apoio às restrições às viagens, a sua clarificação, a APAVT fez a sua parte.

O Governo, penso que é justo dizer, sem os apoios colocados em cima da mesa, não havia setores das agências de viagens e turístico.

Dito isto, o que as agências de viagens fizeram foi suficiente? Foi tudo o que poderia ter sido feito.

Se a APAVT fez o suficiente? Julgo que ficaram sempre coisas por resolver, nos apoios aos agentes, reembolsos dos fornecedores, reembolsos aos clientes.

Se o Governo fez o suficiente? Claro que os apoios foram insuficientes.

Julgo que temos de ter a humildade de pensar que fizemos todos o possíveis, mas que há momentos como uma pandemia em que temos de reconhecer que nada é suficiente.

Incertezas políticas que não ajudam
Tem falado de apoios por parte do Governo, de apoios essenciais para a sobrevivência do setor, não só das agências como do turismo. O certo é que estamos a ser confrontados com uma incerteza política, com eleições a 30 de janeiro, que levará a termos Governo só lá para março. O que teme relativamente a esta indefinição política e de políticas?
Não temo, porque já tenho a certeza de que o que aconteceu foi muito mau para as empresas. Tivemos do Estado uma resposta insuficiente face aos constrangimentos económicos. Agora juntámos uma condicionante política que, em meu entender, é menos compreensível. Isto é, para além dos recursos parcos da nossa economia ou do nosso Estado, temos agora um Governo que não pode agir por circunstâncias de condicionalismo político.

É perfeitamente natural que o Governo agora não queira tomar decisões que impliquem ou condicionem o orçamento do próximo Executivo.

Por isso, mais do que temer quanto ao futuro, tenho muita pena, mas parece haver um sentimento de quase abandono por parte dos políticos quando assistimos à cena da não aprovação do Orçamento de Estado 2022.

Relativamente ao próximo Governo, espero que se resolva rapidamente.

Se houve razões por parte do Governo para apoiar uma crise há seis meses, mais razões há para fazê-lo agora


Não teme uma interrupção dos apoios?
Nem me passa pela cabeça. Se não existirem apoios, o setor do turismo não vai resistir. Se o setor do turismo não resistir, Portugal não vai recuperar economicamente.

Portanto, é demasiado irracional para podermos pensar em tal possibilidade. E se há erro que às vezes sinto é pensar que alguns comentários políticos dão a ideia de que se trata do Orçamento para a crise.

A partir de um determinado momento não se trata de um Orçamento para a crise. É a crise que tem de caracterizar o que tem de ser o Orçamento exatamente para apoiar as empresas e a economia na crise.

O Orçamento não pode apoiar a crise até aos limites do Orçamento. A crise tem de definir os limites do Orçamento, o que é uma coisa completamente diferente.

Concluindo, espero que, seja qual for a cor ou cores políticas que ganhe ou ganhem, que compreendam isso antes sequer do primeiro dia.

Há momentos como uma pandemia em que temos de reconhecer que nada é suficiente


Espera que o próximo Governo tenha mais “foco”, como chegou a pedir?
Espero que o próximo Governo tenha muito foco logo de início nestas questões, porque os apoios são questões também de timing.

TAP a fazer parte da solução
Já falou da questão dos reembolsos e de conversações que existiram entre a APAVT e a TAP. Houve conversações com a nova administração da TAP. Pergunto se a TAP já não faz parte do problema e passou a fazer parte da solução?
A TAP tem de fazer sempre parte da solução, não por causa das agências de viagens, mas por causa do turismo português e da economia nacional.

O grande desafio português são os mercados transatlânticos, são eles que permitem crescer. São eles que permitem ter mais território e mais meses de turismo. É o mercado norte-americano, o brasileiro, é ou será um dia o mercado chinês.

Esticar a sazonalidade?
Sim, esticar para além de agosto e ir para além dos grandes centros de turismo.

Ora, o êxito relativamente a esses mercados para um país como Portugal vai depender do hub. Se a TAP não for solução e não conseguir aguentar o hub, estará em causa o crescimento do turismo a médio longo prazo no país. E se isso acontecer, está em causa a dívida pública, mais impostos, emprego. Um país mais pobre também significa mais custos para as pessoas. Não podemos criticar os apoios à TAP apenas porque são apoios do povo. Comparado com o quê, com pobreza? Comparado com pobreza, prefiro o apoio à TAP. Comparado com menos crescimento, prefiro apoiar a TAP.

Claro que um dia, e esperemos em breve, a TAP tem de corresponder com resultados.

Do ponto de vista do diálogo com os agentes de viagens, a nova administração imprimiu uma nova dinâmica, existe confiança, apesar de haver também a perceção das dificuldades que temos todos resolver.

E com as outras companhias, retirando a Ryanair?
Com a Ryanair não há diálogo possível e é uma decisão da Ryanair. Com as outras companhias, há muito tempo que a concorrência do nosso setor é definida ao longo da cadeia de valor. Isto é, as companhas aéreas não só são nossas fornecedoras como são, também, concorrentes relativamente aos clientes pelas estratégias que a tecnologia permitiu implementar.

Nós temos sempre momentos de aproximação, porque o nosso cliente é o mesmo e temos sempre focos de tensão, porque disputamos esse mesmo cliente.

Esta crise veio fazer com que todos os ‘stakeholders’ passassem a olhar para a cadeia de valor como um todo?
Não necessariamente. Luto por isso e espero que aconteça. Um dos grandes objetivos do congresso da APAVT é, precisamente, fazer um ‘kick-off’ para uma tentativa de resposta coerente por parte da cadeia de valor.

 

A TAP tem de fazer sempre parte da solução, não por causa das agências de viagens, mas por causa do turismo português e da economia nacional

 

Uma “novela” Aeroporto
E como olha para a “novela” do aeroporto?
Acho que utilizou a definição certa: “novela”. Se há pouco disse que me sentia um pouco abandonado pelos nossos políticos neste curto prazo por causa da “novela” do orçamento, sinto-me completamente abandonado pelos políticos a longo prazo por causa do aeroporto.

A questão do aeroporto é estratégica. Existe um plano que prevê chegarmos a 2027 com determinados números.

Mais concretamente, 27 mil milhões de euros em receitas e 80 milhões de dormidas.
Exato. E depois temos os representantes do aeroporto a referir que, com esta infraestrutura aeroportuária e os novos limites de navegação aérea por causa do ruído, provavelmente, não passaremos dos números de 2017.

Diria, um, organizem-se, dois, dêem-nos uma solução aeroportuária. Qualquer que seja, o país precisa dela.

O país económico precisa do país turístico.

Quando se fala que estamos demasiado dependentes do turismo, em termos económicos, isso é “bullshit”, até parece que é uma decisão governamental ou política.

Não se trata de uma decisão, é a competitividade internacional do setor que interessa. Se impedirmos que o setor mais competitivo da economia nacional, por razões de política económica pura, seja travado, penso que é um crime lesa-pátria e espero que todos os intervenientes sejam apontados.

Entre as opções que estão em cima da mesa, qual a preferida da APAVT?
Não fazemos comentários. Há quem defenda a solução mais rápida por razoes óbvias, há quem defenda uma solução estratégica por razões de longo prazo. Há ainda quem esteja imerso na confusão.

Não sou especialista ambiental ou aeroportuário, mas se me perguntar por soluções para a sua próxima viagem, sou capaz de lhe dar. Espero que, neste caso, os especialistas tenham as soluções.

Mas neste caso, voltamos a bater na questão da indefinição política e nos atrasos consecutivos de processos e decisões. Será mais um projeto para a gaveta e/ou iniciar-se de novo?
É verdade, mas espero que não. O quer que aconteça para além de 30 de janeiro, espero que haja foco na vida das pessoas.

Os temas do congresso

Antes do Congresso da APAVT marcou presença na 6.ª Cimeira Mundial dos Presidentes das Associações de Agências de Viagens, em Leon. Quais foram as principais conclusões, tendências, estratégias, diretrizes saídas dessa reunião?

As conclusões, do ponto de vista geral, passam por atualizarmos uma voz mais próxima uns dos outros enquanto setor das agências de viagens. É muito um território de associação, o que cada um anda a fazer, como responder aos problemas e à crise, como os diversos Governos apoiaram quem deveria ser apoiado e, claro, um olhar para o futuro.

Há a perceção geral no mundo que, os destinos turísticos que tiverem propostas flexíveis são os que irão comandar a procura na saída da crise.

Voltando ao congresso da APAVT, haverá um painel – “Porque é que a EY Parthenon e os Agentes de Viagens estão a olhar para o Futuro”. Que futuro é esse para onde estão a olhar? Há um novo futuro, um futuro com um consumidor diferente ou com um ‘mindset’ diferente?
Sinceramente, não acho que exista um consumidor pós-pandemia. Houve, penso, uma aceleração de tendências que já eram conhecidas antes da pandemia, já faziam parte do nosso mercado. Autenticidade, digitalização, sustentabilidade, ‘slow-tourism’, comércio justo, tudo isto são tendências mais visíveis hoje, mas tendências que já existiam. Eventualmente, os nómadas digitais é um fenómeno saído da pandemia e, por circunstância de datas, o turismo espacial tenha tido mais destaque, mas não nasceu na pandemia.

Foi um reforço de tendências?
Foi uma aceleração. Não surpreende e não vejo quer em Portugal, enquanto destino turístico, quer na natureza da atividade das agências de viagens, problemas advindos desta aceleração. Pelo contrário, a sustentabilidade é uma área onde Portugal, enquanto destino turístico, está a responder bem e até apresenta alguns ‘case studies’ importantes. A sustentabilidade do lado das agências de viagens é muito mais uma oportunidade do que um problema.

A sustentabilidade não é um estado de alma. Numa atividade económica, é um conjunto de ações tendentes a reduzir determinadas pegadas, nomeadamente, a ambiental.

As agências de viagens em Portugal e no mundo têm já incorporadas, sobretudo no ‘business travel’, critérios de medição da pegada de carbono. Em muitos contratos essa pegada tem de estar explícita para que o cliente possa escolher uma maior ou menor.

As agências, e estamos a fazer um trabalho na ECTAA, estão empenhadas em harmonizar esta medição, clarificando-a e tornando-a mais eficiente e, através das plataformas certas, dinamizar a compensação da pegada pelos clientes que a realizam.

Mas concorda ou não com aqueles que afirmam que a pandemia trouxe um consumidor com um ‘mindset’ renovado ou mesmo novo?
Não, com sinceridade não. Acho que são entusiasmos de curto prazo. É muito cedo para se fazer essa apreciação. Recordo-me da crise económica brutal recente e não foi ela que definiu a evolução, foi um passo na evolução.

Portanto, teremos de esperar mais tempo para se fazer uma análise mais racional do que está a acontecer.

Julgo que esses novos clientes, novas características são um pouco emocionais. Se alguma coisa caracteriza o mercado das viagens e o setor das agências em Portugal e no mundo, é muito mais a diversidade do que as novas tendências.

Sustentabilidade, digitalização e capital humano são dos grandes temas abordados em qualquer fórum quando se fala de turismo e estão no congresso da APVT. A APAVT assinou a declaração de Glasgow para “desenvolver planos” para “a aceleração da ação do turismo, no sentido da redução das emissões no setor”. O que é que isto significa e como é que a APAVT e os seus associados irão contribuir para esta redução de emissões? O que significa isto no concreto?
Nós temos algum histórico recente relativo a ações no foro da sustentabilidade e, concretamente da sustentabilidade ambiental. Em primeiro lugar, estamos num processo de adesão à SUSTOUR – projeto europeu que vai fazer formação em sustentabilidade ambiental em mais de 180 mil empresas europeias. Depois, assinámos um protocolo com a “Travellife” que certifica empresas consoante as suas práticas ambientais. Ora, se há uma certificação, logo é tudo mais voltado para a ação e não para o compromisso.

No seio da ECTAA há um trabalho relacionado com a estandardização da medição para melhor poder clarificar e sermos mais efetivos.

No nosso congresso, a sustentabilidade vai estar presente.

Por isso, diria que assinámos o compromisso de Glasgow, porque está de acordo com a nossa prática.

Curiosamente, a APAVT, foi, julgo, no setor do turismo em Portugal, a única associação assinar a declaração de Glasgow e no seio da ECTAA só duas associações de todo os países europeus foram “launch partners”: a APAV T e a associação holandesa.

Curiosamente, no painel da sustentabilidade do próximo congresso, um dos speakers será, precisamente, o presidente da associação holandesa.

A sustentabilidade é um dos eixos de atratividade de Portugal junto dos turistas. É por aqui que Portugal se poderá diferenciar?
Absolutamente. É uma oportunidade para o país como é uma oportunidade para as agências de viagens. Aliás, em meu entender, é uma oportunidade que veio para ficar.

 

Se a TAP não for solução e não conseguir aguentar o ‘hub’, estará em causa o crescimento do turismo a médio longo prazo no país

 

Se a sustentabilidade é chave, o capital humano também assumiu uma relevância fulcral. Saíram muitas pessoas, fazem falta muitas pessoas, os que saíram irão regressar, é preciso ir buscar pessoas a outros lados, setores, países? Como é que olha para este desafio do capital humano?
Sabemos que, sobretudo, na hotelaria e restauração falta gente. Se essas pessoas vão regressar, esperemos que sim. Sabemos, contudo, que não basta que regresse quem saiu. Julgo que hoje é mais ou menos aceite que precisamos de uma política de migração que apoie o desenvolvimento do turismo, entre outros aspetos.

Do ponto de vista das agências de viagens, não tivemos despedimentos, até porque tivemos acesso e adesão aos processos de apoio ao emprego. Por isso, se há coisa que não existiu durante esta pandemia – ainda – foram grandes despedimentos. Não há uma fuga de recursos humanos das agências de viagens.

Mas disse “ainda”?
Disse ainda porque estamos cá. E talvez não o espere. Porquê? Se olharmos para os “Economics” do setor e para a sua atualização, o setor com maior percentagem de licenciados ou acima de licenciados é, do ponto de vista do turismo, o das agências de viagem.

Os nossos recursos humanos estão muito mais longe dos ordenados mínimos e do serviço básico do que outros dentro desta cadeia de valor.

Isso, contudo, não quer dizer que não existam problemas de recursos humanos. Houve porque tiveram de sair dos locais de trabalho, porque trabalharam isolados e com dúvidas relativamente ao futuro, tal com o regresso dos recursos humanos também tem sido um problema depois de estarem 20 meses a trabalharem em casa.

Adquiriram-se novos hábitos, houve gente a trabalhar menos porque não havia trabalho, houve pessoas que passaram a levar os filhos à escola, realidade que não conheciam. Adquiriram-se novas perceções de uma realidade que agora terão de ser trabalhadas.

Por todos, até pelo próprio colaborador?
Absolutamente. Esta história de acharmos que as responsabilidades estão nas empresas e os direitos estão nos colaboradores, é uma coisa antiga.

Em vez de fuga de recursos humanos, preocupa-nos a gestão de recursos humanos.

Já na digitalização ou transformação tecnológica, a questão, presumo, não se coloca no setor das agências de viagens?
Em termos de tecnologia, as agências de viagens são dos maiores utilizadores em Portugal e no mundo. Há bastantes anos que qualquer trabalhador com um telemóvel pode resolver qualquer problema que um cliente possa enfrentar na sua viagem em qualquer lugar a qualquer hora.

Os processos de digitalização não são fins estratégicos em si, são processos de melhoria da eficiência e devem ser integradores de uma estratégia.

Como definidores de uma estratégia, acho-os fracos, porque uma estratégia tem de estar muito mais próxima das necessidades do cliente e da sua perceção e como vão evoluir, do que um mero processo de digitalização.

Quantos ‘players’ ficaram pelo caminho? E quantos ainda vão ficar? Que setor teremos no pós-COVID?
É um pouco dual. Os balanços estão destruídos, os capitais próprios evaporaram-se. Do ponto de vista da situação macro-económica do setor, provavelmente, estamos a atravessar, à saída da crise, um dos piores momentos do setor.

Sempre dissemos nos primeiros três meses da crise que o principal problema de liquidez se ia colocar no momento do regresso e da retoma, porque os custos têm um comportamento dual – zero ou um – e as receitas vão chegar gradualmente.

Se se confirmar que este regresso ténue que estamos a viver é o início de uma retoma, diria que estamos à beira do processo mais complicado de resistência por parte das agências de viagens e do turismo em geral. Desse ponto de vista é natural que haja mais quebras do que tem sido histórico.

Entre a resiliência que temos vindo a demonstrar e a evidencia dos balanços, julgo que vamos encontrar um caminho em que vamos provavelmente, uma vez mais, no início da retoma, ter alguns incidentes desagradáveis enquanto setor, mas a execução da oportunidade que aí está vai permitir a recuperação a muitos.

Quando tivermos, efetivamente, a falar não de regresso, mas de retoma, nessa altura o nosso principal objetivo será sempre o de superarmos os números de 2019 e que foram os melhores de sempre.

2019 foi o melhor ano de sempre para o turismo. Há condições para continuarmos a bater recordes com uma crise pandémica, instabilidade política, sem aeroporto, com falta de recursos humanos, entre outros?
Portugal tem todas as condições naturais para o fazer, enquanto destino turístico. Temos um dos melhores turismos do mundo, enquanto instituição. O Turismo de Portugal tem feito um trabalho notável. Temos grandes empresários, temos um conjunto de trabalhadores capacitados no setor das agências de viagens, temos um país estável, clima, um povo acolhedor. Temos tudo a nosso favor, mas estamos, neste momento, condicionados por algumas decisões políticas que têm de ser resolvidas. Com a evolução e o crescimento do turismo no mundo e a olhar para nós próprios e nossos concorrentes, diria que o recorde de 2019 ser ultrapassado é fácil-fácil.

Inicia o mandato em 2021, em plena pandemia. Pergunto-lhe se, apesar de ainda não ter terminado o primeiro ano, se ainda tem forças e vontade para ir a uma nova corrida?
[Risos] Nem vou responder. Espero chegar a este mandato vivo e com consciência de dever cumprido. Peter Drucker [professor, consultor e escritor de origem austríaca] dizia que as pessoas são mais felizes no cumprimento do dever. Espero chegar ao final do mandato feliz.

O que aprendeu com esta crise e que ensinamentos retira dela a nível pessoal e profissional?
Aprendemos sempre algo. A crise não me apanhou de surpresa. A crise é o acentuar do primado da incerteza.

A nível profissional diria que aprendemos uma vez mais que temos de robustecer os nossos balanços, que é na robustez deles que vai estar a resposta à próxima crise.

Finalmente, que temos de nos rodear dos melhores recursos humanos, porque eles vão robustecer os nossos balanços.

A nível pessoal, somos todos muito pequenos por maior que nos possamos sentir.

No dia 3 de dezembro quando fechar o congresso, que conclusão gostaria que saíssem dos três dias de trabalho?
O congresso é um capítulo da nossa atuação, não é um fim em si mesmo. Espero que saia a classificação da nossa agenda para o próximo ano. Até pela data que é realizado, o congresso é um ponto de situação e um olhar para o futuro e os fins de ano são sempre ótimos para que isso aconteça.

Mais do que olhar para o passado, espero que nos ajude a clarificar, enquanto APAVT e turismo português, a agenda para o ano 2022.

Agenda só para 2022 ou mais além?
Digamos que teremos um olhar mais além, mas temos uma agenda definida para um ano. Ajuda termos uma visão de mais longo prazo, mas é importante termos uma definição da concretização dessa agenda no curto prazo.

Sobre o autorVictor Jorge

Victor Jorge

Mais artigos
Meeting Industry

É obrigatório apresentação de teste no Congresso da APAVT

É obrigatória a apresentação de um teste PCR efetuado nas 72 horas anteriores, ou teste antigénio realizado nas 48 horas anteriores à participação no Congresso da APAVT, que acontece de 01 a 03 de dezembro, em Aveiro.

Em circular enviada aos inscritos no seu Congresso, que se realiza de 01 a 03 de dezembro, em Aveiro, a APAVT informa que é obrigatório a apresentação de um teste PCR efetuado nas 72 horas anteriores, ou teste antigénio realizado nas 48 horas anteriores ao evento. 

A APAVT justifica a decisão na sequência das medidas tomadas quinta-feira pelo Governo sobre a assistência a grandes eventos.  

“Não estando ainda clarificado juridicamente o conceito de ‘grande evento’, não é possível classificar o nosso Congresso, que conta neste momento com 718 inscritos, nesta categoria”, indica a circular da Associação, esclarecendo que, “apesar desta circunstância, face ao curto prazo de que dispomos, e para minimizar riscos, optámos por nos preparar para este cenário, ou seja, atuar como se este Congresso da APAVT seja classificado como grande evento”. 

A Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo informa ainda que irá preparar um módulo de apoio no Centro de Congressos, mas alerta que, devido à previsão de um número elevado de participantes, e do curto espaço de tempo disponível, convém realizar um destes testes antes da partida para Aveiro.  

Em resposta, face a estas circunstâncias, a APAVT quer demonstrar “a nossa vontade de trabalhar, e a possibilidade de continuarmos a trabalhar, apesar das novas restrições em que vivemos”, conclui a comunicação. 

Sobre o autorCarolina Morgado

Carolina Morgado

Mais artigos
Destinos

AHRESP pede “apoios robustos” para compensar encerramento de discotecas em janeiro

Governo decretou o encerramento destes estabelecimentos de animação noturna entre 2 e 9 de janeiro, a chamada ‘semana de contenção’, o que deverá ter um “impacto negativo” nestas empresas, segundo a AHRESP.

Publituris

O encerramento das discotecas entre 2 e 9 de janeiro, conforme anunciado pelo primeiro-ministro, António Costa, esta quinta-feira, 25 de novembro, no final do Conselho de Ministros, exige a adoção de “mecanismos robustos de apoio” a estes estabelecimentos, considera a AHRESP – Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal.

Num comunicado divulgado esta sexta-feira, a associação defende que os setores que representa “foram visados” pelas medidas anunciadas pelo primeiro-ministro para travar a subida do número de casos de COVID-19, com destaque para o encerramento das discotecas na semana de 2 a 9 de janeiro, apelidada de ‘semana de contenção’, que segundo a associação vai ter um “impacto negativo” nestas empresas.

“Pelo impacto negativo que estas novas restrições irão provocar, a AHRESP já propôs ao Governo a criação de mecanismos robustos de apoio e reparadores destas consequências no domínio da liquidez e dos custos salariais”, adianta a associação na informação divulgada.

Além do encerramento das discotecas entre 2 e 9 de janeiro, semana em que também o teletrabalho será obrigatório, o Governo decretou a apresentação obrigatória do certificado digital para acesso a restaurantes, assim como de teste negativo para a bares e discotecas,  bem como o uso de máscara facial em espaços fechados.

 

 

Sobre o autorPublituris

Publituris

Mais artigos
Transportes

Mais de 400 agentes de viagens portugueses no roadshow da Costa Cruzeiros

O roadshow da Costa Cruzeiros, que decorreu durante o mês de novembro e ainda incluiu a realização uma Cruise Fam Trip a bordo dos navios Costa Smeralda e Costa Firenze, contou com a participação de mais de 400 agentes de viagens. 

Publituris

Mais de 400 agentes de viagens de norte a sul do país participaram na edição deste ano do roadshow da Costa Cruzeiros que decorreu durante o mês de novembro e ainda incluiu a realização uma Cruise Fam Trip a bordo dos navios Costa Smeralda e Costa Firenze. 

Foi a oportunidade de a companhia de cruzeiros dar a conhecer a empresa e apresentar as novidades e o reforço das ofertas para 2022. 

Este roadshow decorreu em 9 webinars com os grupos de agências e consórcios que reuniram 290 agentes, e em sessões presenciais realizadas nas cidades de Lisboa e Porto, em que participaram 73 agentes de viagens. Igualmente, para conhecerem o produto e o poderem vivenciar a bordo dos seus navios, a Costa Cruzeiros levou 45 agentes de viagens de todas as zonas em três fam trips

Entre as novidades apresentadas no roadshow, a Costa Cruzeiros destacou a sua aposta em três áreas chave – gastronomia, excursões e sustentabilidade – com uma nova identidade visual para as comunicar, em consonância com os princípios do seu “Manifesto” que inclui o compromisso da empresa de crescer em conjunto com as comunidades locais da forma mais sustentável e inclusiva possível. 

 

Sobre o autorPublituris

Publituris

Mais artigos
Emprego e Formação

Formação + Próxima arranca em janeiro na Escola de Hotelaria e Turismo de Portalegre

Arranca em janeiro do próximo ano, na Escola de Hotelaria e Turismo de Portalegre, o novo programa de formação de ativos e capacitação das empresas do setor, no âmbito do projeto Formação + Próxima,

Publituris

Arranca em janeiro do próximo ano, na Escola de Hotelaria e Turismo de Portalegre, o novo programa de formação de ativos e capacitação das empresas do setor, no âmbito do projeto Formação + Próxima, numa parceria com os municípios de Castelo de Vide, de Ponte de Sor e de Portalegre. 

A diretora da Escola de Hotelaria e Turismo de Portalegre, Maria Conceição Grilo, lembra que “o Turismo de Portugal pretende, através da sua rede de escolas, capacitar o maior número de profissionais do setor do turismo”, para acrescentar que “esta é uma área muito importante para o país e que necessita de profissionais qualificados como fator de diferenciação”, e realçar ainda que “ a partir de agora, vamos trabalhar em conjunto para que, no início do próximo ano, possamos consolidar a atividade no setor do turismo”.

A apresentação nacional do programa Formação + Próxima aconteceu no dia 25 de novembro, em Amarante, e contou com a presença da secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, e do presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo. Na cerimónia, a diretora da Escola de Hotelaria e Turismo de Portalegre, e os representantes dos três municípios do distrito envolvidos no processo assinaram o acordo que determina a forma como se vai realizar o programa desta nova iniciativa formativa do Turismo de Portugal. 

Sobre o autorPublituris

Publituris

Mais artigos

Toda a informação sobre o sector do turismo, à distância de um clique.

Assine agora a newsletter e receba diariamente as principais notícias do Turismo. É gratuito e não demora mais do que 15 segundos.

Navegue

Sobre nós

Grupo Workmedia

Mantenha-se conectado

©2021 PUBLITURIS. Todos os direitos reservados.