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Procura internacional animou viagens aéreas em novembro de 2021

Dados ainda não refletem o impacto da variante Ómicron que, segundo a IATA, levou a novas restrições e a um arranque de 2022 “mais difícil do que o esperado”.

Inês de Matos
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Procura internacional animou viagens aéreas em novembro de 2021

Dados ainda não refletem o impacto da variante Ómicron que, segundo a IATA, levou a novas restrições e a um arranque de 2022 “mais difícil do que o esperado”.

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As viagens aéreas conheceram uma recuperação em novembro de 2021 devido ao aumento da procura internacional, que cresceu face a outubro, ainda que se continuem a manter quebras significativas face ao período pré-pandemia e que se esperem novas descidas em dezembro por causa da variante Ómicron, alerta a IATA – Associação Internacional de Transporte Aéreo, que divulgou quarta-feira, 12 de janeiro, os dados relativos ao transporte aéreo de novembro do ano passado.

Em novembro de 2021, a procura global por viagens aéreas desceu 47% face a igual mês de 2019, valor que, segundo a IATA, representa “um aumento em comparação com a contração de 48,9% de outubro”, e que traduz diferentes comportamentos da procura doméstica e internacional.

De acordo com os dados da IATA, as viagens domésticas “deterioraram-se ligeiramente” e a procura caiu 24,9% em novembro, depois de, no mês anterior, ter apresentado uma descida de 21,3%, o que se deveu essencialmente ao mercado chinês, que apresentou uma queda de 50,9% no tráfego, na sequência de várias cidades terem introduzido “restrições de viagem mais rígidas para conter surtos de COVID (pré-Omicron)”.

Já a procura internacional por viagens aéreas ficou 60,5% abaixo de novembro de 2019, o que representa uma melhoria face ao decréscimo de 64,8% que tinha sido registado em outubro do ano passado.

“A recuperação do tráfego aéreo continuou em novembro. Infelizmente, os governos reagiram exageradamente ao surgimento da variante Ómicron no final do mês e recorreram aos métodos testados e fracassados ​​de encerramento de fronteiras, testes excessivos de viajantes e quarentenas para retardar a propagação”, afirma Willie Walsh, diretor geral da IATA, que alerta para o impacto destas restrições no final de 2021 e arranque de 2022.

“De forma pouco surpreendente, as vendas internacionais de viagens aéreas realizadas em dezembro e início de janeiro caíram acentuadamente em relação a 2019, sugerindo um primeiro trimestre mais difícil do que o esperado”, acrescenta o responsável.

Por regiões, foi na Ásia-Pacífico que o tráfego aéreo de passageiros mais desceu, numa contração que chegou aos 89.5% face a novembro de 2019, ainda assim melhor do que a descida de 92.0% de outubro. Já a capacidade caiu 80.0% e o load factor desceu 37,8 pontos percentuais, fixando-se nos 42,2%, o mais baixo de todas as regiões.

Em África, a descida no tráfego chegou aos 56.8% em novembro, também com uma melhoria face à quebra de 59.8% de outubro. A capacidade em África desceu 49.6% e o load factor diminuiu 10,1 pontos percentuais, para 60.3%.

No Médio Oriente, a descida do tráfego aéreo foi de 54.4% em novembro, igualmente melhor do que a descida de 60.9% identificada em outubro. Já a capacidade ficou 45.5% abaixo de novembro de 2019 e o load factor baixou 11,9 pontos percentuais, para 61.3%.

Na América Latina, a descida do tráfego aéreo chegou aos 47.2%, o que também representa uma recuperação face à descida de 54.6% de outubro, enquanto a capacidade caiu 46.6% e o load factor apresentou uma descida de 0,9 pontos percentuais, fixando-se nos 81,3%, o mais alto entre todas as regiões do mundo pelo 14.º mês consecutivo.

Na América do Norte, o tráfego aéreo desceu 44.8%, o que indica mais uma vez uma recuperação em comparação com a descida de 56.7% de outubro. Já a capacidade desceu 35.6% e o load factor apresentou um decréscimo de 11.6 pontos percentuais, situando-se nos 69.6%.

A Europa foi, por sua vez, a região do mundo onde o tráfego aéreo menos desceu em novembro, numa quebra que se situou nos 43.7%, valor que, segundo a IATA, também representa uma melhoria face a outubro, quando a descida tinha sido de 49.4%. Já a capacidade na Europa apresentou uma quebra de  36.3% e o load factor desceu 9.7 pontos percentuais, para 74.3%.

 

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Azul ajusta voos domésticos até 31 de janeiro devido à Ómicron

A Azul vai reduzir os voos domésticos no Brasil entre 15 e 31 de janeiro, devido ao impacto da COVID-19/Influenza.

Publituris

A Azul anunciou que, até 31 de janeiro, vai efetuar uma “redução da malha aérea doméstica”, devido ao impacto da COVID-19/Influenza, informa a companhia aérea brasileira num comunicado divulgado esta quarta-feira, 12 de janeiro.

A redução de voos domésticos acontece já a partir de sábado, dia 15 de janeiro, com a companhia aérea a informar os agentes de viagens que podem consultar as reservas dos seus clientes que vão viajar no período abrangido pela redução através do site www.voeazul.com.br.

“Caso tenha algum cliente impactado, é autorizada a remarcação sem custos em voos AD na data/voo mais próximo ao original ou então o reembolso integral”, acrescenta a companhia aérea brasileira em comunicado.

 

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Voos comerciais na UE aumentam no final de 2021, mas ficam 24% abaixo de 2019

Os voos comerciais registaram uma recuperação no último mês de 2021, embora continue abaixo dos níveis de 2019. Em dezembro de 2021, Portugal ficou 13,9% abaixo do mesmo mês de 2019.

Victor Jorge

De acordo com os dados mais recentes do Eurostat, em dezembro de 2021, o número de voos comerciais na União Europeia (UE) aumentou 130% em relação a dezembro de 2020. No entanto, está, ainda, abaixo dos níveis pré-pandemia (-24% em relação a dezembro de 2019).

Em termos absolutos, o número de voos comerciais totalizou 383.720 em dezembro de 2021, que compara com 166.990 em dezembro de 2020 e 504.270 em dezembro de 2019.

O setor de transporte aéreo tem vindo a registar uma recuperação, embora lenta, ao longo de 2021. Embora os primeiros meses de 2021 não tenham mostrado sinais de recuperação, com os meses de janeiro (-68% em relação ao mesmo mês de 2019), fevereiro (-73%), março (-71%) e abril (-70%), a situação começou a mudar em maio (-67%), junho (-54%) e agosto (-31%). Setembro teve uma pequena queda (-33%), mas outubro (-30%), novembro (-26%) e dezembro (-24%) aproximaram-se dos números pré-pandemia até agora.

Os países da UE com os menores decréscimos nos voos comerciais em dezembro de 2021 foram a Croácia (-6% em comparação com dezembro de 2019), Grécia (-8%) e Chipre (-9%).

Portugal registou uma quebra, segundo informação do Eurostat, de 13,9%, em dezembro de 2021 quando comparado com o mesmo mês do ano 2019.

Em contraste, os voos diminuíram mais de 40% na República Checa e na Áustria (ambos -41%), enquanto os restantes países registaram quebras abaixo dos 30%.

Globalmente, na comparação de 2019 com 2021, o país que mais sinais de recuperação em termos de número de voos comerciais foi a Grécia (-29%), seguido de Chipre (-38%) e Luxemburgo (-39%). Por outro lado, a Irlanda apresentou os menores sinais de recuperação (-64%), seguida da Eslovénia e da República Checa (ambas -62%).

Além disso, alguns aeroportos da UE registaram aumentos no número de voos comerciais em comparação com 2019. Os maiores aumentos no número de voos comerciais foram registados em Berlim Brandeburgo (+13.521, +16%), Liège (+6.972, +21%) e Paris Le Bourget (+2.715, +8%). No outro extremo da escala, os maiores decréscimos no número de voos comerciais foram registados nos principais centros de transporte aéreo europeus: Munique (-261.020, -64%), Frankfurt/Main (-250.712, -49%) e Paris Charles de Gaulle (-247.959, -50%).

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LATAM é ouro em pontualidade

A distinção de companhia aérea mais pontual do mundo, o ano passado, foi atribuída ao grupo LATAM, pelo Official Airline Guide (OAG).

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A LATAM foi reconhecida pelo Official Airline Guide (OAG) como o grupo de aviação mais pontual do mundo em 2021, na categoria “Mega Airlines”.

O relatório da consultora internacional especialista na indústria da aviação considera as companhias com o mais alto índice de cumprimento do indicador OTP (On-time-performance) entre janeiro e dezembro do ano passado.

A lista reúne as vinte maiores companhias aéreas do mundo (por número de voos regulares) categorizadas como “Mega Airlines”, das quais emerge uma classificação final das 10 maiores.

 

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TAP encerra operações de manutenção e engenharia no Brasil 

A decisão estava tomada, depois da Comissão Europeia ter aprovado o plano de reestruturação da TAP e a ajuda estatal de 2.550 milhões de euros, tendo imposto, contudo, condições, incluindo a separação dos ativos não-essenciais, nomeadamente, o negócio de manutenção no Brasil.

Publituris

O Grupo TAP decidiu encerrar as operações de Manutenção e Engenharia Brasil (TAP ME), como parte do plano de reestruturação aprovado por Bruxelas em dezembro.

Em comunicado, a companhia aérea nacional refere que, “a medida não interfere na operação de transporte aéreo de passageiros da companhia no país, seu principal mercado exterior”.

O Brasil representa entre 25% e 30% da receita da TAP, que continua a aumentar a oferta naquele mercado, com presença em 11 capitais e expectativa de expansão dos voos semanais.

À Lusa, Christine Ourmières-Widener, presidente executiva da companhia aérea, anunciou que, “depois de uma análise aprofundada e muitos estudos, a TAP decidiu fechar a Manutenção & Engenharia no Brasil e encerrar de forma gradual a operação no Brasil e hoje vamos discutir com os trabalhadores, claro, que são a principal prioridade, mas também discutir com os nossos clientes”.

Em comunicado, a TAP revela que “os serviços de manutenção referentes a aeronaves já contratados e/ou em andamento serão realizados normalmente, de acordo com os contratos entre a TAP ME e seus clientes”.

Além disso, a TAP ME “não aceitará novos pedidos para prestação de serviços de manutenção”, concluindo ainda que, “somente depois da conclusão dos serviços de manutenção em andamento ou daqueles já contratados é que a TAP ME encerrará suas atividades”.

Em entrevista à Lusa, Christine Ourmières-Widener disse que encerrar o negócio de engenharia e manutenção no Brasil “não é uma decisão fácil”, porque envolve 500 trabalhadores, mas foi tomada após tentativas falhadas de venda.

“Não é uma decisão fácil, porque estamos a falar de pessoas, mas estamos a tentar fazer tudo para garantir que esta decisão e a sua implementação é feita respeitando os nossos trabalhadores, a experiência que eles têm em engenharia e toda a lealdade que têm para com a companhia”, afirmou.

Segundo a responsável, a Manutenção & Engenharia Brasil (ex-VEM – Varig Engenharia e Manutenção) tem atualmente 500 trabalhadores, após várias reestruturações que incluíram despedimentos, dos quais pouco menos de 400 estão no ativo.

Alvo de várias reestruturações com despedimentos, a última das quais em 2018, a M&E Brasil recebeu da TAP, globalmente, entre 2010 e 2017, injeções financeiras num total de 538 milhões de euros, a valores nominais, sendo que em 2018 foram feitas transferências de 30 milhões de euros.

Recorde-se que a Comissão Europeia informou em 21 de dezembro que aprovou o plano de reestruturação da TAP e a ajuda estatal de 2.550 milhões de euros, mas impôs condições, incluindo a separação dos ativos não-essenciais, nomeadamente o negócio de manutenção no Brasil, e os de ‘catering’ (Cateringpor) e de ‘handling’ (Groundforce).

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Movimento de passageiros no aeroporto de Munique aumenta 12% em 2021

Depois dos números de 2021, os responsáveis pelo aeroporto de Munique (Alemanha) admitem um ano de 2022 melhor, até porque “as pessoas querem viajar novamente”.

Victor Jorge

O número de passageiros no aeroporto de Munique, em 2021, aumentou mais de 12% para cerca de 12,5 milhões, em comparação com o ano de 2020, indicado a administração da infraestrutura que, só no segundo trimestre do ano passado, movimentaram-se 10,3 milhões de pessoas. Em termos de valor global, o aumento foi de 1,4 milhões de passageiros face a 2020.

No que toca ao movimento de aeronaves, a administração do aeroporto de Munique revela que aumentou 4% em descolagens e aterragens face a 2020.

“Os números de tráfego de 2021 para o aeroporto de Munique são ainda fortemente marcados pelos efeitos da pandemia de COVID-19”. Em comunicado, a administração refere que, “se o aumento face a 2020 foi superior a 12% e 1,4 milhão, esse volume de passageiros representa apenas um pouco mais de um quarto dos resultados recordes do aeroporto para 2019 antes da pandemia”.

Certo é que os responsáveis pelo aeroporto notam “uma tendência positiva no tráfego ao longo de 2021”. A procura foi significativamente mais alta no segundo semestre, à medida que se deu a eliminação de muitas restrições às viagens internacionais. “Enquanto apenas 2,2 milhões de passageiros foram contados no aeroporto de Munique nos primeiros seis meses, o segundo semestre do ano registou um tráfego de 10,3 milhões de viajantes. Somente em outubro de 2021, mês de maior tráfego, o aeroporto registou o mesmo número de passageiros de todo o primeiro semestre do ano”, salientam os responsáveis do aeroporto.

Jost Lammers, CEO do aeroporto de Munique, admite que, assim que a situação da pandemia permitir, “as pessoas querem viajar novamente”. Lammers diz ainda que. “mesmo que as próximas semanas ainda sejam desafiadoras, considerando o impacto antecipado da variante Ómicron, vemos excelentes perspetivas para outro aumento considerável nos voos e na procura de passageiros na programação de voos do verão”.

Uma indicação da rapidez com que o tráfego aéreo pode recuperar, após a eliminação das restrições de viagem, também pode ser vista comparando os resultados de dezembro de 2020 e 2021: enquanto apenas 245.000 passageiros foram contados em Munique em dezembro de 2020, esse número já era mais de seis vezes maior em 1,5 milhão de passageiros um ano depois. Um total de aproximadamente 153.000 decolagens e aterragens ocorreram em 2021. Isso representa um aumento de 6.000 movimentos de aeronaves em mais de 4% em relação ao ano anterior.

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Companhias aéreas norte-americanas acusam China de bloquear voos

Com os casos na China a aumentar exponencialmente com milhões de pessoas confinadas, duas companhias aéreas norte-americanas acusam as autoridades chinesas de bloquear voos para o país.

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A American Airlines e a United Airlines revelaram que os reguladores chineses bloquearam a entrada de voos no país, numa altura em que o país de XI Jinping procura aumentar as precauções contra a propagação do novo coronavírus.

Antes desta decisão, a American e a Delta operavam dois voos semanais para a China, enquanto a United realizava quatro voos por semana.

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Resultados da American Airlines acima das expectativas

Os resultados trimestrais da companhia aérea norte-americana superaram as estimativas iniciais, embora as perdas se mantenham.

Victor Jorge

Os dados preliminares indicam que American Airlines deverá superar as estimativas do mercado referente às vendas no 4.º trimestre de 2021.

As vendas da companhia aérea norte-americana deverão ascender a 9,4 mil milhões de dólares (cerca de 8,3 mil milhões de euros), quando as perspetivas apontavam para 9.120 milhões de dólares, ou seja, pouco mais de 8.000 milhões de euros.

O custo de cada lugar por milha (CASM) deverá ter aumentado 14% face a 2019, o valor mais elevado do que as estimativas da companhia aérea norte americana que apontava para um crescimento entre os 8 e os 10%.

A empresa antecipa, além disso, perdas antes de impostos entre 1,17 e 1,24 mil milhões de dólares.

Os resultados completos serão revelados no dia 20 de janeiro.

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Ryanair diz ter “solução” para o problema dos “voos fantasma” da Lufthansa

A corrida aos ‘slots’ nos diversos aeroportos mundiais é um dos problemas que as companhias aéreas enfrentam. Contudo, a Ryanair diz ter solução, por exemplo, para os 18.000 “voos fantasma” que a Lufthansa diz ter de fazer para preservar esses mesmos ‘slots’.

Victor Jorge

Depois de a Lufthansa ter afirmado que efetuava 18.000 voos “desnecessários” para preservar os ‘slots’ nos aeroportos em todo o mundo, mostrando-se o CEO do Grupo Lufthansa especialmente crítico em relação às regulamentações da União Europeia, já que esta situação “prejudica o clima e é exatamente o oposto do que a Comissão Europeia deseja alcançar”, a Ryanair vem agora propor a resolução desse problema da companhia aérea alemã.

Apelando à Comissão Europeia que ignore as falsas alegações da Lufthansa sobre a operação de “voos fantasma”, apenas para que possa “bloquear” os seus ‘slots’ e proteger-se da concorrência das companhias aéreas low-cost, a companhia liderada por Michael O’Leary é perentório na solução: “a Lufthansa deveria vender lugares a tarifas baixas e recompensar os consumidores da UE, muitos dos quais responsáveis por financiar 12 mil milhões de euros de auxílios estatais que a Lufthansa e as suas filiais na Bélgica, Áustria e Suíça já receberam dos contribuintes durante os últimos dois anos de pandemia”.

Lufthansa

No entender da Ryanair, a Lufthansa “queixa-se” dos “voos fantasma”, “não devido a preocupações com o meio ambiente, mas sim para que possa proteger os seus ‘slots’ (que não estão a utilizar), ao mesmo tempo que elimina a concorrência e a escolha do consumidor”.

Michael O’Leary, CEO do grupo Ryanair, afirma, em comunicado, que “se a Lufthansa precisa realmente de operar estes voos (apenas para evitar a libertação de ‘slots’ para as companhias aéreas concorrentes), então deveria ser-lhes exigido que vendam estes lugares ao público a tarifas baixas”.

O’Leary, que tem sido bastante crítico das ajudas que os diversos governos têm dados às companhias aéreas, deslocando-se a Lisboa com muita frequência, concluiu que a Lufthansa “adora chorar lágrimas de crocodilo sobre o ambiente quando faz tudo ao seu alcance para proteger os seus ‘’slots”. E acusa o grupo alemão de “bloquear a concorrência e limitar a escolha em grandes aeroportos centrais como Frankfurt, Bruxelas Zaventem, Viena, entre outros”.

“Se a Lufthansa não quer operar ‘voos fantasma’ para proteger os seus ‘slots’, então basta vender estes lugares a tarifas baixas e ajudar a acelerar a recuperação das viagens aéreas de curta e longa distância de e para a Europa”, diz O’Leary.

Entretanto, a Ryanair apela novamente à Comissão Europeia para forçar a Lufthansa e outras companhias aéreas subsidiadas pelo Estado a libertarem ‘slots’ que não desejam utilizar, para que “os ‘Ghostbusters’ de tarifas baixas como a Ryanair, entre outros, possam oferecer escolha, concorrência, e tarifas mais baixas em aeroportos centrais”.

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UE anuncia que já podem voltar os voos para a África Austral

As ligações entre a União Europeia e os sete países da África Austral, suspensas desde novembro devido ao aparecimento da variante Ómicron da África do Sul, já podem ser retomadas.

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Os Estados-membros da União Europeia (UE) decidiram, esta segunda-feira, levantar a suspensão dos voos para a África Austral de forma a permitir a retoma das ligações aéreas, que tinham sido interrompidas devido à variante Ómicron.

“Os viajantes desta área continuarão, contudo, sujeitos às medidas sanitárias aplicáveis aos viajantes de países terceiros”, adianta a presidência francesa do Conselho Europeu.

Os países que compõem esta região incluem Angola e Moçambique, bem como a África do Sul, Botswana, Lesoto, Malawi, Namíbia, Suazilândia, Zâmbia e Zimbabwe.

Numa publicação feita na rede social Twitter, a presidência francesa do Conselho da UE dá conta de um “acordo entre os Estados-membros no grupo de resposta do Conselho à situações de crise (IPCR) para retirar o travão de emergência em vigor de forma a permitir a retoma do tráfego aéreo com os países da África Austral”.

A medida acordada surge depois de, no final de novembro passado, os Estados-membros da UE terem decidido suspender temporariamente voos de sete países da África Austral, devido à identificação de uma variante do coronavírus na África do Sul altamente mutante, a Ómicron, variante agora dominante em praticamente todos os países da UE, o que já não fazia sentido manter a decisão tomada na altura.

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“A manter-se esta trajetória, diria que estamos numa grande recuperação”

Depois do pior ano de sempre em 2020, o rent-a-car já conseguiu “respirar” este verão e espera que, em 2022, a trajetória de crescimento se mantenha, até porque, devido à escassez de automóveis, os preços estão a subir e assim devem continuar no próximo ano, segundo a ARAC – Associação dos Industriais de Aluguer de Automóveis sem Condutor.

Inês de Matos

Depois do pior ano de sempre em 2020, o rent-a-car já conseguiu “respirar” este verão e espera que, em 2022, a trajetória de crescimento se mantenha, até porque, devido à escassez de automóveis, os preços estão a subir e assim devem continuar no próximo ano, segundo a ARAC – Associação dos Industriais de Aluguer de Automóveis sem Condutor.

Para o rent-a-car, o verão começou tarde, por meados de junho, mas trouxe notícias positivas. Em declarações ao Publituris, Joaquim Robalo de Almeida, secretário-geral da ARAC – Associação dos Industriais de Aluguer de Automóveis sem Condutor, explica que, depois do pior ano de sempre que o rent-a-car viveu em 2020, em que, devido ao impacto da pandemia, os “alugueres caíram a pique porque não havia turismo”, o setor iniciou a recuperação “a partir de junho, quando a situação começou a melhorar com a abertura dos vários países e os voos também começaram a melhorar”.
Os turistas europeus, sobretudo provenientes do Reino Unido, que segundo o responsável continua a ser “um mercado muito fiel a Portugal”, mas também da França e Alemanha – neste caso em muito “menor quantidade” que noutros anos, devido às restrições que também a Alemanha adotou -, assim como dos países nórdicos, irlandeses, espanhóis e italianos, foram os que mais animaram o rent-a-car nacional neste verão.
Joaquim Robalo de Almeida não tem dúvidas que a tendência de crescimento que se iniciou no verão vai fazer toda a diferença quando nas contas do final do ano, uma vez que, segundo as previsões da associação, o setor do rent-a-car deverá ter encerrado 2021 com uma faturação na casa dos 529 milhões de euros, o que traduz uma descida de 22% face a 2019, mas que poderia ser muito superior se o verão não tivesse decorrido de forma positiva. “Nos primeiros seis meses deste ano, temos uma quebra de 60% face a 2019, ou seja, o verão é que veio ajudar. Se se mantivesse esta trajetória, chegaríamos ao fim do ano com uma quebra de 60% ou mais, como aconteceu em 2020”, explica o responsável, revelando que, no ano passado, o setor apresentou uma quebra de 56% na faturação, que só não foi maior porque “janeiro e fevereiro tinham sido os melhores de sempre” para o rent-a-car nacional.

Aumento de preços

O secretário-geral da ARAC está, portanto, confiante quanto aos resultados de 2021, ainda que aos números do verão falte ainda juntar os dos fim-do-ano, época festiva que, por norma, também costuma agitar o rent-a-car e que não deverá ter sido muito diferente este ano. “De acordo com as projeções que temos, a procura é bastante razoável, até acima dos 80%. A manter-se esta trajetória, diria que estamos numa grande recuperação”, revela Joaquim Robalo de Almeida, que se mostra confiante na concretização das projeções da associação, até porque a crise dos semicondutores levou a uma escassez de automóveis no mercado que se refletiu num aumento de preços no rent-a-car. “Apesar de tudo, este problema também nos trouxe alguma vantagem porque os preços subiram e as empresas tiveram uma rentabilidade melhor, mesmo com menos carros”, indica, explicando que, em 2019, a frota média do rent-a-car rondava as 88 mil viaturas, enquanto em 2021 o número de veículos não foi além dos 50 mil. “Já a frota de pico, em 2019, foi de 115 mil carros e, em 2021, foi de 63 e pouco, sensivelmente metade”, acrescenta, explicando que, “como a procura ficou muito ajustada ou foi até superior à oferta, obviamente houve uma subida de preços, o que foi benéfico para as empresas conseguirem respirar com as faturações que tiveram, depois de meses e meses de faturações mínimas”.
O secretário-geral da ARAC revela que, devido a esta crise dos semicondutores, que são integrados na construção dos automóveis, as empresas de rent-a-car têm atualmente “uma frota bastante reduzida”, já que, “neste momento, não há viaturas para comprar devido à falta dos semicondutores”. “Temos comprado tudo o que existe, mas mesmo assim não chega”, lamenta Joaquim Robalo de Almeida.
E este é, segundo o secretário-geral da ARAC, “um grande desafio” que se vai manter também em 2022 e que, mais uma vez, deverá resultar num aumento de preços também no próximo ano. “Também esperamos um aumento de preços”, perspetiva o responsável, revelando que, este ano, já houve “uma boa subida”, que contribuiu para animar o rent-a-car. “Em março, o preço médio por dia de uma viatura estava nos 18 euros e, em agosto, estava nos 39 euros. Houve uma boa subida, é isso que nos anima”, indica, revelando que “o preço médio subiu em todas as categorias de carros”, até porque, comparativamente a outras áreas, o rent-a-car mantinha preços que estavam desajustados. “Se compararmos com outros produtos turísticos, todos eles subiram o preço, a hotelaria subiu, a aviação também e é preciso lembrar que o rent-a-car, por vezes, tinha preços demasiado baixos. Teve que ajustar o preço, é a lei da oferta e da procura e, visto que houve um aumento da procura, o preço teve de subir”, resume Joaquim Robalo de Almeida.
Questionado sobre quanto podem os preços do rent-a-car subir no próximo ano, o secretário-geral da ARAC prefere não avançar números concretos, até porque “é difícil adiantar valores sem saber se vai haver carros”, mas lembra os aumentos estimados pela Europcar, cujo diretor geral em Portugal, Paulo Moura, que é também o presidente da ARAC, aponta subidas que podem chegar aos dois dígitos. “Há empresas que estimam 8% ou 10%, mas não sei, até poderá ser mais nos meses de pico”, considera o responsável, realçando, no entanto, que a questão do preço “não é elástica”, ou seja, existe uma margem até à qual o cliente está disposto a pagar, ainda que considere que, no caso do rent-a-car, esse limite está ainda “longe” de ser atingido. “Pelo que vejo, estamos longe desses valores, até comparando com outros países europeus, os nossos preços continuam baixos”, defende.

2022

A crise dos semicondutores e a escassez de veículos que ela provocou é, na opinião de Joaquim Robalo de Almeida, o principal desafio que se deverá colocar ao rent-a-car neste novo ano, até porque o responsável se mostra confiante de que o aumento da procura veio para ficar e que “as pessoas vão ser autorizadas a viajar mais”, apesar das novas variantes da COVID-19. “Mas esta crise dos semicondutores pode ser um grande problema porque, se não tivermos carros, vamos ter uma procura muito intensa com uma oferta reduzida”, considera, acrescentando que, “face aos indicadores que existem atualmente, 2022 e ainda alguns meses de 2023, vão ser muitos difíceis em termos de aquisição de automóveis”. “Vai ser uma situação muito complexa, porque não podemos ter os veículos em frota demasiado tempo, aliás este é um setor em que está regulamentada a idade dos veículos e, por isso, antevemos um ano um bocadinho complicado em termos de oferta”, teme Joaquim Robalo de Almeida.
Mas 2022 não deverá trazer apenas desafios ao rent-a-car, uma vez que, como refere o responsável, as empresas do setor têm vindo a aderir aos veículos elétricos e, este ano, já disponibilizaram 700 destas viaturas para aluguer. E a tendência deverá ser de crescimento, com o secretário-geral da ARAC a prever mesmo que o “rent-a-car vai ser novamente o porta-estandarte da modernização do parque automóvel”, como já foi no século passado, uma vez que o rent-a-car representa 28% ou 29% do total de carros vendidos no país e, se juntarmos a isto o renting, que “representa mais 23% ou 24%”, percebe-se que as formas de locação absorvem cerca de 53% das vendas de automóveis no país. “Mais uma vez, será este setor, como no princípio do século XX e nos anos 90, o responsável pela modernização do parque automóvel, o que não deixa de ser gratificante”, congratula-se o responsável.
Os veículos elétricos que, segundo Joaquim Robalo de Almeida, são o futuro, também têm, no entanto, alguns problemas, desde logo o da escassez de postos de carregamento (ver caixa), o que torna “difícil alugar estes carros se os turistas souberem que, por exemplo, de Faro a Lisboa, torna-se complicado fazer a viagem num elétrico”, mas também o do preço dos próprios carregamentos, que começaram por ser gratuitos, mas têm vindo a subir, de tal forma que atualmente chegam a ser “superiores aos de um carro a combustão, quer a diesel quer a gasolina”. “Os valores são, de facto, surpreendentes”, lamenta o responsável.
Nos planos do rent-a-car, está ainda o aumento dos veículos híbridos disponibilizados para aluguer, uma vez que estes automóveis oferecem o melhor de dois mundos, a versão elétrica que é “ideal para a cidade” e a versão a combustão, aconselhada para viagens maiores e sempre que os postos de carregamento escassearem. “Pensamos que, em 2022, vamos ter mais carros híbridos e muitos mais elétricos. Todas as energias limpas são bem-vindas”, conclui o secretário-geral da ARAC

Setor pede “apoios da bazuca” para a descarbonização
Na opinião de Joaquim Robalo de Almeida, o setor do rent-a-car não pode ser esquecido na hora de distribuir os apoios da ‘bazuca europeia’, até porque está à beira da transição, com a crescente incorporação de veículos elétricos, e precisa de apoios para dar o passo seguinte e apostar na descarbonização. “Este setor deve ter apoios da bazuca e que cheguem depressa, porque a carbonização continua”, alerta Joaquim Robalo de Almeida, revelando que, além de vantagens na aquisição destes veículos, o rent-a-car quer também ser apoiado na criação de postos de carregamento. “No âmbito do plano ‘Reativar o Turismo, Construir o Futuro’, já pedimos às nossas autoridades apoios para a instalação de postos de carregamento, quer nas estações das empresas, unidades turísticas ou até para a construção de hubs com vários postos de carregamento porque, efetivamente, quando entregamos um carro, temos de o entregar carregado”, explica.
Além da questão dos postos de carregamento, a ARAC quer também que os fundos europeus sejam usados em prol da descarbonização da frota e da digitalização do setor, de forma a que seja possível desenvolver “o contactless e o paperless. “Acreditamos que todas as grandes empresas vão implementar sistemas contactless”, indica o secretário-geral da ARAC, revelando que muitas estão já a trabalhar para lançar sistemas semelhantes ao carsharing também no rent-a-car, sem qualquer contacto humano na hora de levantar os veículos.

Convenção da ARAC ainda sem data
Mais indefinida parece estar, por enquanto, a data da IV Convenção Nacional da ARAC, que devia ter decorrido em 2020 mas que foi adiada devido à pandemia da COVID-19, continuando ainda sem data definida. Ao Publituris, Joaquim Robalo de Almeida adianta apenas que a convenção vai decorrer “ao longo de 2022” e terá lugar “assim que existam condições epidemiológicas” que permitam a sua realização.
Apesar da data ainda não estar definida, já existem temas alinhavados, com o responsável a revelar que o evento vai voltar a contar com cinco painéis e a abordar a questão do low cost no rent-a-car, com o objetivo de apurar se “o low cost ainda faz sentido”, estando também previstos debates em torno do papel do rent-a-car no ecossistema da mobilidade e dos novos meios de mobilidade urbana; do turismo de que Portugal precisa; assim como do digital e do futuro.
Já o tema da IV Convenção Nacional da ARAC mantém-se e vai abordar os “Desafios da nova mobilidade”, assim como o local, com a Culturgest, em Lisboa, a acolher novamente a iniciativa.
Apesar da convenção ainda não ter data, a ARAC avança ao Publituris que vai, no entanto, realizar “vários eventos técnicos ao longo do próximo ano”, com o objetivo de dar resposta às dúvidas e necessidades dos seus associados

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