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Pandemia atrasa mas não altera rumo de Portugal no turismo médico

A alta taxa de vacinação e a resposta positiva do Serviço Nacional de Saúde (SNS) à pandemia ajudaram a projetar uma imagem positiva do país além-fronteiras e que pode contribuir para afirmar Portugal enquanto destino de excelência no turismo médico. Agora, é necessário retomar a promoção, até porque, apesar de não ter alterado a estratégia, a pandemia veio atrasar o trabalho que estava em curso.

Inês de Matos
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Pandemia atrasa mas não altera rumo de Portugal no turismo médico

A alta taxa de vacinação e a resposta positiva do Serviço Nacional de Saúde (SNS) à pandemia ajudaram a projetar uma imagem positiva do país além-fronteiras e que pode contribuir para afirmar Portugal enquanto destino de excelência no turismo médico. Agora, é necessário retomar a promoção, até porque, apesar de não ter alterado a estratégia, a pandemia veio atrasar o trabalho que estava em curso.

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A alta taxa de vacinação e a resposta positiva do Serviço Nacional de Saúde (SNS) à pandemia ajudaram a projetar uma imagem positiva do país além-fronteiras e que pode contribuir para afirmar Portugal enquanto destino de excelência no turismo médico. Agora, é necessário retomar a promoção, até porque, apesar de não ter alterado a estratégia, a pandemia veio atrasar o trabalho que estava em curso.

Conhecido pelos elevados gastos que motiva e receitas generosas que gera, o turismo médico tornou-se, a partir de 2017, numa aposta efetiva de Portugal. Este produto turístico, que segundo um estudo do mesmo ano do Conselho Mundial das Viagens e Turismo (WTTC, sigla em inglês) cresceu 358%, entre 2000 e 2017, passando a valer qualquer coisa como 11 mil milhões de dólares e a representar 1,2% dos gastos globais relacionados com o turismo a nível internacional, entrou oficialmente no radar nacional com a Estratégia Turismo 2027, quando “o Turismo de Saúde e Bem Estar, e o Turismo Médico em particular, foram identificados como ativos emergentes face ao seu reconhecimento internacional, potencial de crescimento e valor acrescentado”, lembra o Turismo de Portugal, em resposta ao Publituris.

A partir daí, foram surgindo várias iniciativas que visavam promover Portugal como um destino de referência para este tipo de turismo, que junta procedimentos e tratamentos médicos à típica oferta de lazer. O objetivo passava por aliar o melhor desta oferta de lazer, e pela qual o país já é reconhecido além-fronteiras – basta lembrar os inúmeros prémios recebidos – a um moderno conjunto de infraestruturas hospitalares privadas que o país também disponibiliza para mostrar que Portugal também pode ser uma opção neste produto.

Tudo parecia correr de feição e, apesar de se admitir que era preciso trabalho para dar visibilidade à oferta nacional e competir com países que há muito se afirmam neste tipo de turismo, projetos não faltavam. 2019 parecia mesmo ser o ano do tiro de partida para uma promoção mais constante. Em agosto desse ano, o Turismo de Portugal e o Health Cluster Portugal (HCP) lançavam o Portugal Health Passport, uma plataforma com toda a oferta de serviços médicos privados disponibilizados no país e que surgiu no âmbito da campanha Brelcome, destinada ao mercado britânico. Mais tarde, em dezembro, era a vez de ser assinado um protocolo de cooperação para a promoção internacional da oferta nacional neste segmento, cujo potencial volume de negócios, estimava o Turismo de Portugal, rondava os 100 milhões de euros por ano. Além de pretender impulsionar o reconhecimento e a notoriedade internacional do país enquanto destino de turismo médico, este protocolo visava também a gestão de sinergias entre o Turismo de Portugal, o HCP, a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e a Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP), as quatro entidades que assinaram o documento.

Até que chegou a pandemia e tudo ficou em suspenso. “A pandemia teve impactos nunca até então vistos, designadamente no que diz respeito à mobilidade das pessoas o que, além de retirar as condições mínimas de estabilidade, fez cair o assunto para os níveis mais baixos de prioridade”, admite Joaquim Cunha, diretor executivo do HCP, em resposta ao Publituris.

Potencial

O impacto da pandemia nos planos traçados para o turismo médico foi, como diz Joaquim Cunha, “sobretudo o de suspender toda a atividade e dinâmica em curso”. O diretor executivo do HCP dá como exemplo a plataforma Portugal Health Passport que, neste período, foi “orientada para agilizar o processo de realização de testes” dos turistas que continuaram a visitar Portugal.

No entanto, apesar das muitas mudanças a que a COVID-19 obrigou, nem todas foram negativas, até porque, como acrescenta Nazir Sacoor, CEO da Longevity, que aposta no turismo médico, assim como no segmento de saúde e bem-estar no Longevity Health & Wellness Hotel, no Algarve, “a COVID-19 veio alertar todos que a saúde é o bem mais precioso”. “As pessoas estão mais atentas aos sinais que o corpo lhes dá e à importância que o sistema imunitário tem na defesa contra vírus”, considera, numa ideia que é também defendida por Joaquim Cunha, para quem a “pandemia tornou ainda mais clara a visão global da saúde, o que, conjugado com manifestos ganhos em termos da sua centralidade na vivência coletiva, alarga o quadro de oportunidades para o turismo médico”.

Certo é que, como considera Óscar Gaspar, presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP), Portugal conta com uma boa oferta neste segmento e tem “excelentes condições para se posicionar como um player relevante neste setor”.

Foi por isso que, explica o responsável, APHP entrou no protocolo de cooperação para promover a oferta nacional de turismo médico, cujos parceiros, defende Óscar Gaspar, têm condições de “provar que o turismo médico não é apenas uma ideia com potencial, mas tem mesmo condições de realizar esse potencial”.

Na opinião do responsável, “os hospitais privados em Portugal têm uma oferta diferenciada e de excelência comprovada”, que já vai sendo reconhecida em algumas áreas. “Há vários hospitais com acreditação internacional e já hoje há diversos casos em que o nosso país é o destino preferido para áreas como a avaliação e a traumatologia desportiva, por exemplo”, indica. Para Óscar Gaspar, “Portugal é um país que recebe bem, seguro, que respeita as pessoas e as suas culturas e é também um país muito desenvolvido na área das ciências da vida, pelo que esta aliança é claramente ganhadora e tem uma proposta de valor muito importante para quem nos quiser visitar (também) para tratar dos seus problemas de saúde”.

Além das condições hospitalares, Portugal conta ainda com oferta no âmbito da saúde e bem-estar, um mercado que, não estando diretamente ligado ao turismo médico (que pressupõe hospitalização), pode ser complementar, nomeadamente ao nível da recuperação ou de tratamentos terapêuticos não cirúrgicos, para os quais as termas, por exemplo, são há muito recomendadas. João Pinto Barbosa, diretor geral da Associação Termas de Portugal (ATP), concorda que o país tem potencial neste mercado e lembra que, apesar do mau momento que as estâncias nacionais viveram, com o encerramento por decreto durante 193 dias devido à pandemia, vários estudos internacionais têm demonstrado que “o termalismo desempenha um papel fundamental na redução de risco de doenças crónicas que têm maior correlação com os casos mais severos da doença COVID-19”, motivo pelo qual se mostra convicto que os próximos tempos vão trazer “oportunidades únicas para as Termas poderem afirmar o seu papel de protagonismo na melhoria da qualidade de vida”.

Imagem

Ao potencial que o país já tinha neste segmento e ao facto da saúde estar atualmente no centro das atenções, Portugal junta agora, e em resultado da pandemia, outra vantagem: a boa imagem com que saiu desta crise, fruto da resposta positiva à pandemia e da alta taxa de vacinação, que coloca o país na liderança mundial. Ao Publituris, o Turismo de Portugal diz não ter dúvidas de que, devido a essa resposta positiva, Portugal é, hoje, “percecionado internacionalmente como um bom exemplo em termos de organização e capacidade de resposta do SNS às situações decorrentes da crise pandémica, mas também no que toca à vacinação da população portuguesa, tendo atingido uma taxa de vacinação completa de 85% da população numa fração de meses”.

E também Joaquim Cunha considera que o país, ainda que “com alguns altos e baixos, sai desta crise associado a um desempenho dentro da média do que se observou na Europa e com um registo marcadamente positivo no que diz respeito ao processo de vacinação”, motivo pelo qual defende que, se a pandemia veio mudar alguma coisa na imagem de Portugal enquanto destino de turismo médico, essas foram até mudanças “de sentido positivo”, numa opinião que é partilhada pelos restantes players do setor ouvidos pelo Publituris.

Já Óscar Gaspar destaca essencialmente a alta taxa de vacinação que o país foi capaz de alcançar como uma prova da “capacidade de organização” portuguesa e sublinha que “as instituições de saúde e os seus profissionais, seja do SNS, seja de hospitais privados, têm excelentes condições, formação e empenhamento para responder às eventualidades que se colocam”.

Como diz o diretor executivo do HCP, “na Saúde, em regra, desafios e oportunidades andam muito juntos”. Por isso, associadas ao maior desafio que a saúde já trouxe ao país, começam agora a vislumbrar-se algumas vantagens. “Portugal geriu o processo de vacinação à escala nacional e a consequente redução de impacto negativo em infeções, hospitalizações e mortes relacionadas com a COVID-19 projetaram uma imagem positiva em termos de saúde pública e que ajuda sempre na afirmação da imagem no turismo de saúde e bem-estar e também no turismo médico”, concorda Nazir Sacoor, defendendo que, agora, “há que alavancar essa reputação e dar saltos qualitativos na afirmação de Portugal como destino de referência nesses dois mercados”.

Na ATP, a expetativa é igualmente positiva, com João Pinto Barbosa a lembrar que também “a conjuntura internacional pós-COVID-19 é favorável ao crescimento dos produtos de turismo de saúde e bem-estar, com a valorização crescente do equilíbrio do corpo em harmonia com a natureza, como forma de promoção da saúde e de combate à doença”.

Mais dúvidas parece ter Luís Veiga, administrador executivo do grupo Natura IMB Hotels, que há muito vem a apostar no turismo médico, assim como de saúde e bem-estar em todas as unidades do grupo, mas especialmente no H2otel, onde existem ofertas específicas de Medical Spa, e que considera que a pandemia “não afetou nem deixou de afetar” a imagem do país, uma vez que “Portugal nunca se posicionou estrategicamente nesse produto”.

Apesar de se mostrar critico face à estratégia, Luís Veiga considera que a capacidade do país se manter competitivo será o maior desafio da pandemia, até porque “a oportunidade será impactante se os investimentos forem direcionados para segmentos de valor acrescentado”.

Estratégia e promoção

Apesar da pandemia ter atrasado a promoção, não mudou a estratégia nem os objetivos. Como refere Óscar Gaspar “a estratégia não mudou necessariamente, esteve suspensa pela pandemia, e há que voltar ao propósito de promover Portugal como um destino de turismo médico”. “Os anos de 2020 e 2021 nem sequer justificavam esforço de promoção para um mercado que estava compulsivamente fechado. Este é o tempo de retomar as atividades”, considera.

Joaquim Cunha também concorda e revela que, mesmo durante a pandemia, o HCP não parou de promover Portugal enquanto “destino amigo da Saúde em todas as suas dimensões: ciência, inovação e indústria, e prestação de cuidados”, tendo mesmo lançado, em novembro de 2020, “a marca umbrella “Health Portugal” onde se pretende abrigar desde a biotecnologia e farma, até à exportação de I&D, passando pela smart health, pelos ensaios clínicos, ou pelo turismo médico”. O diretor executivo do HCP entende que os desafios neste segmento “estão, como estavam, essencialmente do lado reputacional”, o que passa por “afirmar e promover a qualidade” da oferta nacional nos mercados e geografias selecionadas como alvo, “suportada em produtos ajustados à procura”. E, neste ponto, acrescenta Joaquim Cunha, são esperadas novidades em breve. “Aproveitámos este tempo de defeso para, em conjunto com atores e entidades relevantes na área, trabalharmos o tema da promoção com resultados que estaremos em condições de colocar no terreno nos finais do corrente ano”, revela.

Tal com o HCP, também o Turismo de Portugal se manteve ativo e lembra o trabalho desenvolvido, “sobretudo ao nível da resposta à relevância acrescida que as temáticas da saúde têm na confiança e segurança dos consumidores”. Foi por isso que, explica o organismo, se associou, em julho de 2020, ao HCP para alargar os serviços da plataforma Health Passport a “todos os residentes estrangeiros que visitam Portugal”. “Desde o lançamento desta iniciativa, foram subscritos cerca de 4.500 Portugal Health Passports e recebidos mais de 10.000 pedidos para a realização de testes à COVID-19, sendo notória a correlação existente entre a agilização das viagens transfronteiriças e a procura do produto”, diz o Turismo de Portugal, que faz também um balanço positivo das restantes iniciativas lançadas em cenário COVID-19, a exemplo dos “seguros de viagem adaptados à nova realidade pandémica”, disponíveis desde agosto de 2020, ou do selo Clean&Safe, lançado em abril de 2020, com o objetivo de “reforçar a confiança em Portugal enquanto destino turístico”. “Paralelamente à estratégia de Saúde Pública seguida pelo país, que fez com que Portugal fosse apontado como modelo de sucesso, também a estratégia seguida no setor tem sido apontada como referência”, acrescenta o instituto, que considera que os “desafios impostos constituem uma oportunidade para a recuperação com um foco primordial na retoma da atividade de uma forma ainda mais forte e sustentável”.

Os desafios e oportunidades trazidos pela pandemia são inegáveis e, por isso, os players do setor são unanimes no pedido de mais promoção, até porque, refere o CEO da Longevity, Portugal continua a ser um destino desconhecido neste mercado. “O turismo de saúde cresceu significativamente e como tal, Portugal tem-se posicionado de maneira estruturada e sistematizada neste mercado, mas existe ainda um longo caminho a percorrer para que seja reconhecido internacionalmente”, refere, considerando que, também no turismo médico, que “exige outros fatores de competitividade e atratividade”, o país tem ainda “um longo caminho a percorrer”.

Nazir Saccor concorda que a COVID-19 “trouxe mais oportunidades” e diz que, nesta fase, o principal “desafio é saber agarrar essas oportunidades”, daí a importância da promoção para afirmar o país, uma vez que “a pandemia poderá ter despoletado o interesse por umas férias mais saudáveis”.

Tal como a Longevity, também as Termas de Portugal acreditam nas oportunidades que a pandemia trouxe, com João Pinto Barbosa a indicar que, neste momento, “a prioridade está na recuperação do mercado nacional”, ainda que também o mercado internacional não seja descurado. “A médio prazo equacionamos implementar um ambicioso plano de ações de promoção”, acrescenta.

Avaliação mais negativa volta a ter Luís Veiga, que considera que, no turismo médico, “é praticamente impossível competir a nível global com países cuja notoriedade é reconhecida atualmente como a Turquia ou a Índia”, ainda que admita que, na saúde e bem-estar, Portugal possa “assumir vantagens competitivas potencialmente interessantes desde que as propostas sejam claramente diferenciadoras”. O administrador do Grupo Natura IMB Hotels defende ainda que a pandemia poderia ter um impacto positivo na estratégia para o turismo médico se “houvesse uma estratégia ou um plano com ações e comunicação claras para chegar aos públicos-alvo”.

Futuro

Apesar de maiores ou menores dúvidas, o certo é que os players ouvidos pelo Publituris parecem estar confiantes quanto ao futuro do turismo médico em Portugal e, como diz mesmo o Turismo de Portugal, parece não haver “razão para que não sejam ambicionadas as metas traçadas no Protocolo do Turismo Médico em Portugal, ou seja, fomentar o Turismo Médico para conseguir chegar a um volume de negócios anual superior a 100 milhões de euros, no horizonte de 2025”.

Por parte do HCP, a expetativa também se mantém em alta, ainda que Joaquim Cunha continue a admitir que é preciso trabalhar para alcançar os objetivos traçados. “A expectativa mantém-se globalmente a mesma: elevado potencial, que necessita ser muito trabalhado e de ver reunidas algumas condições críticas de sucesso, umas de contexto e outras de robustecimento da oferta. As primeiras têm manifesta supremacia sobre as segundas e estão fora do nosso controlo. Nas segundas, com o envolvimento ativo dos seus principais atores, continuamos a trabalhar”, explica.

Já Óscar Gaspar acrescenta que Portugal tem uma “oferta de excelência e mobilizada para o efeito”, assim como “enquadramento institucional e vontade de prosseguir o trabalho necessário de articulação, auscultação dos mercados emissores, investimento e promoção”, motivo pelo qual considera que, em 2022 e 2023, a promoção deste produto deverá voltar em força. “Acreditamos que as especialidades selecionadas (Oftalmologia; Cirurgia plástica; Ortopedia; Check-ups; Oncologia; Procriação Medicamente assistida; Ginecologia e Obstetrícia; Cardiologia & Cirurgia cardíaca; Obesidade e Reabilitação) vão ao encontro das necessidades e que em 2022 e 2023 possamos voltar a ter a nossa estratégia no terreno”, refere.

Nas Termas de Portugal, o feedback também não se altera e João Pinto Barbosa frisa que “todas as tendências internacionais apontam para um futuro promissor para as Termas”. “A pandemia trouxe a alteração de comportamentos e profundas alterações nas motivações de procura de bens e serviços turísticos e de saúde. É seguro afirmar-se que o interesse por serviços de saúde para prevenção de doença, reforço de imunidade e promoção de comportamentos e estilos de vida saudável, continuará a ter um crescimento exponencial nos próximos anos”, defende.

Na Longevity, Nazir Sacoor também está confiante e diz que tanto o turismo médico como o de saúde e bem- -estar “revelam forte crescimento internacional”. “Com uma separação em termos de definição e promoção internacional para o turismo de saúde e bem-estar e o turismo médico, Portugal pode aumentar a sua reputação em ambas as áreas”, acrescenta.

Já Luís Veiga mostra-se dividido, uma vez que diz ter uma expetativa “muito apreciável no que respeita à procura sustentada de oferta de propostas de saúde e bem-estar”. Já em relação ao turismo médico, o administrador do Grupo Natura IMB Hotels aponta “expectativas reduzidas” e diz que, em ambos os mercados, “o maior desafio” do país será ter capacidade para se manter competitivo no futuro.

 

 

 

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Ministro da Economia teme que aumento de contágios possa afetar recuperação do turismo

Para o ministro da Economia, António Costa e Silva, é preciso “continuar a tomar todas as medidas e a fazer tudo para conter essa ameaça”, de modo a chegar à estimativa de receitas de “16 mil milhões de euros” que o setor do turismo e serviços poderá gerar.

Publituris

O ministro da Economia, António Costa Silva, disse temer que o aumento de contágios da COVID-19 possa afetar a recuperação do setor do turismo e serviços que tem estado a registar uma atividade “muito consolidada”.

“O vírus pode pregar-nos mais partidas, como pregou antes, e é por isso que é muito importante acentuar que o vírus não desapareceu”, disse António Costa Silva, em declarações aos jornalistas à margem do segundo encontro com empresários “A Caminho de Hannover”, que decorreu em Aveiro.

O governante defendeu que é necessário “continuar a tomar todas as medidas e a fazer tudo para conter essa ameaça”, alertando que “o pior que pode suceder é sair de uma crise e entrar noutra, ou pior que isso, uma cascata de crises que se combinam”.

Este ano, segundo António Costa Silva, o Governo estima que o setor do turismo e serviços vai gerar receitas de 16 mil milhões de euros, o que corresponde a 85% das receitas obtidas em 2019, que foi o melhor ano da história.

“Portugal nesta convulsão toda, como é um país seguro e é um país relativamente afastado da zona de confrontação geopolítica, está nesta altura relativamente ao turismo e serviços a registar uma atividade muito consolidada”, disse.

António Costa Silva manifestou-se ainda “extremamente preocupado” com o aumento da inflação em Portugal, sustentando que “o segredo repousa no equilíbrio entre a política fiscal e a política monetária”, e disse que é preciso ter cuidado com todos os passos que se vão dar.

“Nós temos as lições da história relativamente à questão da inflação e sabemos que qualquer passo em falso pode degenerar numa situação difícil de controlar e é isso que não queremos”, disse o ministro, lembrando que, no passado, houve políticas monetárias que, em vez de reduzir, “aceleraram a espiral inflacionista”.

O ministro explicou ainda que três quartos da inflação têm a ver com os custos dos bens alimentares e da energia, afirmando que a estratégia do Governo até agora é “tentar conter a evolução dos preços nestes setores e ver como é que a economia vai reagir”.

Disse ainda concordar com as declarações do governador do Banco de Portugal, que pediu mais coordenação a nível europeu nas medidas de combate à inflação.

“É preciso maior diálogo e discussão e interação com a própria política monetária. Não podemos combater a inflação sem associar os dois componentes”, concluiu.

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Vouzela e de Tondela querem apostar no turismo ferroviário

Considerando que o turismo ferroviário continua a ser uma “âncora importante de desenvolvimento para o país”, os dois municípios não querem que “se perca a identidade das antigas linhas do Vouga e do Dão”.

Publituris

Os municípios de Vouzela e de Tondela, no distrito de Viseu, vão apostar no turismo ferroviário, para que não se perca a identidade das antigas linhas do Vouga e do Dão, que deram lugar a ecopistas.

O anúncio foi feito pelo presidente da Câmara de Vouzela, Rui Ladeira, durante uma visita da secretária de Estado do Turismo, Comércio e Serviços (SETCS), Rita Marques.

Segundo Rui Ladeira, no âmbito do programa Transformar Turismo (linha Regenerar Territórios), encontra-se aberto “um aviso com a possibilidade de o turismo ferroviário ter elegibilidade”, estando os dois municípios a preparar uma candidatura que deverá ser submetida até ao verão, com o apoio do Museu Nacional Ferroviário.

“Não queremos que se perca a identidade do que foi a génese das ecopistas”, justificou o autarca, acrescentando que o objetivo é requalificar e potenciar as estações de Vouzela e de Tonda (Tondela), que estão subaproveitadas.

Rui Ladeira explicou que os dois municípios pretendem “estruturar um plano de comunicação” baseado nas memórias dos antigos ferroviários, “que estão vivos e podem contar muitas histórias”.

“Eles querem continuar a passar o seu testemunho, o seu saber”, frisou.

Como trabalhava o chefe da estação, como viviam os ferroviários, como eram as lides de operacionalização da linha e das locomotivas e quais as mercadorias que, além dos passageiros, eram transportadas, são alguns aspetos que poderiam ser dados a conhecer, quer aos turistas, quer aos residentes.

No entender de Rui Ladeira, essa identidade pode perder-se se as memórias não forem passadas a quem hoje anda pelas ecopistas.

“O turismo ferroviário continua a ser uma âncora importante de desenvolvimento para o país. É o tempo de valorizar as ecopistas e este é mais um contributo”, sublinhou.

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Portugal deve ser vendido como “o país mais sustentável do mundo”, afirma SETCS

Para Rita Marques, secretária de Estado do Turismo, Comércio e Serviços (SETCS), Portugal terá de ser “competitivo à custa da sustentabilidade”, já que é algo que “é avaliado positivamente pelo cliente”.

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A secretária de Estado do Turismo, Comércio e Serviços (SETCS), Rita Marques, defendeu que Portugal deve ser vendido como “o país mais sustentável do mundo”, de forma a tornar-se mais competitivo e aumentar a receita turística.

“É isso que queremos. Está para nós muito claro ao nível de política pública, alinhada com o Turismo de Portugal, que Portugal tem que ser o país mais sustentável do mundo. Competitivo à custa da sustentabilidade”, afirmou Rita Marques em Vouzela, onde foi conhecer o projeto de turismo sustentável em curso desde julho de 2020.

No seu entender, para que tal aconteça, devem ser “muitos a rumar” nesse sentido, com empresas de restauração, animação turística e hotelaria a trabalharem no sentido de obter a certificação da Biosphere (que certifica o turismo sustentável), como acontece em Vouzela, ou outras certificações.

“O importante é que façamos a diferença, porque, para continuarmos a crescer em valor, temos que ser muitos, não basta por decreto ou por imposição do Turismo de Portugal reclamarmos que somos o país mais sustentável do mundo. Temos de fazer um esforço conjunto”, frisou.

Segundo Patrícia Araújo, da Biosphere, na região Centro há cerca de 140 empresas (sobretudo de alojamento e animação turística) que já estão certificadas ou em processo de certificação, sendo 12 delas de Vouzela.

Rita Marques disse que “o turismo não se vende só porque Portugal tem ativos extraordinários: paisagens idílicas, um mar maravilhoso e uma gastronomia genuinamente gostosa”.

“Temos que trabalhar numa perspetiva diferente e profissionalizar este trabalho, orientando-o para as grandes tendências”, frisou, acrescentando que, “hoje em dia, a sustentabilidade é algo que é avaliado positivamente pelo cliente” e, portanto, deve ser trabalhada nas suas três dimensões, nomeadamente económica, ambiental e social.

Segundo a secretária de Estado, “Portugal já não é um destino barato há vários anos”, exemplificando que, apesar de receber “metade dos turistas que a Grécia recebe”, tem “exatamente a mesma receita turística”.

“Estamos com uma receita turística por turista muito interessante e a crescer de uma forma muito evidente. Temos uma meta muito tangível que é chegarmos a 2027 com 28 mil milhões de euros de receita turística”, acrescentou.

Na sua opinião, o concelho de Vouzela, no distrito de Viseu, tem estado a fazer “um trabalho extraordinário”, que deve ser replicado noutros municípios e noutras regiões.

“Porque lá fora a marca Vouzela será importante, mas a marca Portugal tem mais força”, justificou.

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Carlos Moedas diz que é fundamental avançar já com novo aeroporto de Lisboa

“Aeroporto já!”. Foi desta forma que Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), se referiu à urgência da nova infraestrutura aeroportuário.

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O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), defendeu, durante um almoço promovido pela Associação de Hotelaria de Portugal (AHP), a necessidade da construção de um novo aeroporto, independentemente da localização, considerando que tal será “fundamental” para fazer face à retoma da atividade turística.

“Aeroporto já. Nós precisamos de um aeroporto. Se ele é num sítio ou noutro, isso deve ser uma decisão técnica, mas o aeroporto tem de avançar para bem de todos”, afirmou o autarca, sublinhando ainda que, “obviamente que durante muitos anos teremos ‘Portela+1’, mas para mim a posição é clara”.

As declarações do presidente da Câmara Municipal de Lisboa surgiram em resposta às preocupações levantadas pelo presidente da AHP, Bernardo Trindade, que alertou para o facto de os hotéis poderem perder clientes devido aos atrasos no processo de construção do novo aeroporto, numa altura em que foi lançado o concurso público para a realização da avaliação ambiental estratégica da futura solução aeroportuária.

O concurso público internacional para a realização da avaliação ambiental estratégica de Lisboa foi lançado pelo Governo em outubro de 2021.

Nessa altura, o então secretário de Estado Adjunto das Comunicações, Hugo Santos Mendes, adiantou que a avaliação ambiental estratégica das três hipóteses de localização do novo aeroporto de Lisboa deverá ser entregue em 2023.

Atualmente, em cima da mesa estão três hipóteses: aeroporto Humberto Delgado (principal), com o aeroporto do Montijo (complementar), aeroporto do Montijo (principal), com o aeroporto Humberto Delgado (complementar) e uma infraestrutura localizada no Campo de Tiro de Alcochete.

Outra das questões abordadas por Carlos Moedas, e que também surgiu na sequência de preocupações manifestadas pelo presidente da AHP, foi a falta de efetivos dos Serviços de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) no Aeroporto Humberto Delgado, situação que gera filas de espera de três e quatro horas para entrar em Lisboa.

“Vocês podem ter os melhores hotéis, as melhores empresas do mundo, mas se as pessoas estiverem três e quatro horas para entrar em Lisboa essas pessoas não vão voltar. É uma responsabilidade nossa de alertar o Governo e ser resolvida rapidamente. Nós não podemos ter o aeroporto nestas condições que são vergonhosas para qualquer estrangeiro que chega”, criticou.

O SEF revelou, entretanto, que está a preparar um plano para os postos de fronteiras nos aeroportos durante o período de maior fluxo de passageiros, entre julho e setembro.

Durante a sua intervenção, Carlos Moedas fez também críticas a algumas medidas aprovadas pelos partidos da oposição na Câmara de Lisboa que, no seu entendimento, prejudicam a atividade turística na capital, nomeadamente a suspensão de novos registos de alojamento local, o chumbo da proposta para a construção de um hotel no antigo convento das Mónicas e as mudanças no trânsito da cidade.

“Sou um político que vai trabalhar no sentido da estabilidade, mas não o posso fazer sozinho. Não o posso fazer quando tenho na própria Câmara Municipal vereadores que decidem proibir de um dia para o outro o alojamento local, não percebendo que o proibindo haja uma corrida às licenças de alojamento local nesse próprio dia”, observou.

Em causa está a decisão de “suspensão imediata” da autorização de novos registos de estabelecimentos de alojamento local, por um prazo de seis meses, que pode ser renovado por igual período, “até à entrada em vigor da alteração ao Regulamento Municipal do Alojamento Local”.

Apresentada pelos vereadores do PS e do Livre na Câmara de Lisboa, em novembro de 2021, a proposta foi aprovada pelo executivo camarário em 15 de dezembro, com nove votos a favor (cinco vereadores do PS, dois do PCP, um do Livre e um da vereadora independente Paula Marques, eleita pela coligação PS/Livre), a abstenção da vereadora do BE e sete votos contra dos eleitos da coligação Novos Tempos (PSD/CDS-PP/MPT/PPM/Aliança), que governa a cidade sem maioria absoluta.

Relativamente ao antigo Convento das Mónicas, a oposição camarária chumbou o projeto de arquitetura, rejeitando a mudança do uso de habitação para o uso de turismo, para instalação de um hotel.

Mais recentemente, os vereadores da oposição na Câmara de Lisboa votaram uma proposta para eliminar o trânsito automóvel na Avenida da Liberdade todos os domingos e feriados e reduzir em 10 quilómetros/hora (km/h) a velocidade máxima permitida atualmente em toda a cidade.

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Receitas turísticas de março já ultrapassaram período pré-pandemia

As receitas provenientes da atividade turística somaram 1.176,00 milhões de euros em março, valor que traduz um aumento de 5,3% face a igual mês de 2019, de acordo com os dados divulgados esta quarta-feira, 18 de maio, pelo Banco de Portugal (BdP).

Inês de Matos

As receitas provenientes da atividade turística somaram 1.176,00 milhões de euros em março, valor que traduz um aumento de 5,3% face a igual mês de 2019, o último ano antes da chegada da pandemia, quando este indicador tinha ficado nos 1.117,25 milhões de euros, de acordo com os dados revelados esta quarta-feira, 18 de maio, pelo Banco de Portugal (BdP).

Os valores divulgados pelo BdP indicam que, face a março de 2021, o crescimento das receitas turísticas, que se encontram pelos gastos dos turistas estrangeiros em Portugal, foi bem mais expressivo, uma vez que, em mês homólogo do ano passado, o país estava ainda a sair do segundo confinamento, pelo que o crescimento foi de 343,2% face aos 265,34 milhões de euros apurados em março do ano passado.

Em comparação com março de 2020, ano em que a COVID-19 chegou a Portugal e obrigou ao primeiro confinamento a partir de meados desse mês, o crescimento das receitas turísticas chega aos 93,9%, já que o montante apurado nessa altura tinha sido de 606,48 milhões de euros.

Apesar das notícias positivas nas receitas turísticas, março ainda não trouxe um crescimento das importações do turismo, que se encontram pelos gastos dos turistas portugueses no estrangeiro, uma vez que este indicador somou 264,81 milhões de euros, o que traduz uma descida de 14,8% face aos 310,86 milhões de euros apurados em março de 2019.

Apesar disso, o valor das importações do turismo ultrapassou os dois últimos anos, ficando 56,1% acima dos 169,66 milhões de euros apurados em março de 2020 e 89,3% acima dos 139,91 milhões de euros relativos a março de 2021.

Já o saldo da rubrica ‘Viagens e Turismo’ somou, em março, 911,19 milhões de euros, valor que também traduz um aumento de cerca de 13% face aos 806,39 milhões de euros apurados em igual mês do último ano antes da pandemia.

Em comparação com março de 2020 e 2021, o crescimento do saldo das ‘Viagens e Turismo’ é ainda mais expressivo, traduzindo aumentos de 108,6% face aos 436,82 milhões de euros de mês homólogo de 2020, e 626,5% na comparação com os 125,43 milhões de euros de março de 2021.

“As exportações e as importações de viagens e turismo cresceram, em termos homólogos, respetivamente, 343,2% e 89,3%, permitindo que o excedente desta rubrica aumentasse 786 milhões de euros. As exportações superaram em 5% o valor de março de 2019, enquanto as importações se situaram 15% abaixo do valor observado nesse mês”, resume o BdP, no comunicado divulgado.

No acumulado dos três primeiros meses de 2022, as receitas turísticas somam já 2.725,88 milhões de euros, valor que fica 223,1% acima do apurado em igual período do ano passado e que traduz um aumento de 6,8% face ao acumulado dos três primeiros meses de 2020.

Em relação ao primeiro trimestre de 2019, quando o valor acumulado das receitas turísticas tinha sido de 2.876,71 milhões de euros, continua, no entanto, a registar-se uma descida de 5,2%.

Já no que diz respeito às importações, no acumulado dos três primeiros meses o montante é de 696,78 milhões de euros, valor que fica 18,2% abaixo de igual período pré-pandemia, quando chegava aos 852,08 milhões de euros. Face ao acumulado de 2020 e de 2021, o resultado é, no entanto, distinto, já que traduz uma redução de 7,2% face aos 747,19 milhões de euros de 2020 e um aumento de 46,4% face aos 373,49 milhões de euros de igual período de 2021.

No que diz respeito ao acumulado do saldo desta rubrica, o valor está nos 2.029,1 milhões de euros, o que indica que, face a igual período de 2019, também houve um aumento, ainda que tenha sido de apenas 0,2%, para 2.024,63 milhões de euros. Face ao acumulado do primeiro trimestre de 2020 e 2021, o aumento foi de 12,4% e 331,6%, respetivamente.

 

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OMT promove digitalização de um milhão de PME do turismo

Promovido pela Organização Mundial do Turismo (OMT), o programa “Digital Futures” será desenvolvido em três anos, e vai envolver pelo menos um milhão de PME do setor.

A OMT acaba de anunciar o lançamento do programa “Digital Futures”, projetado para acelerar a adoção de novas tecnologias nas pequenas e médias empresas (PME) do turismo.

Desenvolvida em colaboração com algumas das principais empresas de tecnologia, finanças e negócios do mundo, como a Mastercard, a iniciativa é focada nas PME, que representam 80% de todas as empresas do turismo.

A OMT visa alcançar pelo menos um milhão de PME deste setor durante a vigência do programa, fornecendo-lhes os conhecimentos fundamentais necessários para aproveitar o poder das tecnologias novas e emergentes.

O secretário-geral da OMT, Zurab Pololikashvili, lembra que “as pequenas empresas são a espinha dorsal do turismo”, dai a necessidade deste programa que “as ajudará a se recuperar dos impactos da pandemia e impulsionar o setor, através inovação e novas tecnologias.”

A fim de fornecer às PME orientações e ferramentas personalizadas, o programa é construído sobre uma Ferramenta de Diagnóstico de Prontidão Digital que compara as PME em cinco dimensões digitais principais – Conectividade, Crescimento dos Negócios, Comércio Eletrónico, Big Data e Análise e Pagamentos e Segurança.

O evento de lançamento, que decorreu em Madrid, contou com a presença de cerca de 200 participantes, incluindo os embaixadores em Espanha dos Estados Membros da OMT, bem como agências de investimento e promoção e as próprias PME.

 

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Turismo de luxo recupera na Europa após pandemia

As vendas geradas pelo turismo de luxo na Europa podem atingir 520 mil milhões de euros entre 2030 e 2035, diz a Aliança Europeia das Indústrias Culturais e Criativas (ECCIA), que adianta este segmento é responsável por entre quatro mil milhões e seis mil milhões de euros de receitas em Portugal.

Com a retoma do turismo, a Aliança Europeia das Indústrias Culturais e Criativas (ECCIA) estima que os gastos gerados pelos turistas de alto poder aquisitivo podem triplicar para 520 mil milhões de euros entre 2030 e 2035. Até agora, as vendas para este tipo de turista estão entre 130 mil milhões e 170 mil milhões de euros, concentrando 22% das receitas geradas pelo turismo em geral.

De acordo com os empregadores europeus, o aumento dos gastos turísticos terá a ver com uma melhoria em infraestrutura, sustentabilidade e educação. “As marcas de luxo europeias geram 70% das vendas do mercado, representando 10% das exportações europeias e 4% do Produto Interno Bruto (PIB) do continente, com vendas até 800 mil milhões de euros”, explicou a ECCIA em comunicado.

Em alguns países como Itália, França, Espanha e Reino Unido, o segmento de turismo de luxo gera entre 20.000 milhões de euros e 35.000 milhões de euros. Em outros países, como a Grécia, a incidência do turismo de luxo é mais relevante e gera até 7% do PIB do país.

França, Alemanha, Itália, Espanha e Reino Unido, geram 75% das receitas deste segmento. Espanha, por exemplo gera entre 20 mil milhões e 25 mil milhões de euros com o com turismo de luxo, enquanto o Reino Unido coloca a sua receita desse segmento entre 30 mil milhões e 35 mil milhões de euros.

Além desses países, a Suíça gera entre cinco mil milhões e 10 mil milhões graças ao turismo de luxo; Grécia até 10 mil milhões de euros; e Portugal entre quatro mil milhões e seis mil milhões de euros. O resto da Europa gera aproximadamente nove mil milhões de euros.

“Os turistas, que estão a aumentar a sua curiosidade e atenção à sustentabilidade, estão a mostrar interesse em novos destinos como a Croácia, Eslovénia, Portugal e os países nórdicos”, detalha o estudo, que estima uma perda de mais de 70 mil milhões de euros causada pelo impacto da pandemia e restrições de viagem.

Só em 2020, as perdas geradas pela queda do turismo devido às restrições da pandemia ficaram entre 65 mil milhões de euros e 75 mil milhões de euros. Mesmo assim, “o turismo de luxo finalmente dá sinais de recuperação”, acrescenta Claudia D’Arpizio, diretora de moda e luxo da Bain&Company.

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IATA reforça apelo para fim das restrições na Ásia-Pacífico

A IATA sublinha que, assim que os Governo procedem ao levantamento das medidas restritivas adotadas na sequência da COVID-19, “há uma reação positiva imediata dos viajantes”.

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A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) voltou esta terça-feira, 17 de maio, a insistir no apelo para o fim das restrições às viagens na Ásia-Pacífico, de forma a acelerar a recuperação turística na região.

Num comunicado enviado à imprensa, a IATA sublinha que, assim que os Governo procedem ao levantamento das medidas restritivas adotadas na sequência da COVID-19 “há uma reação positiva imediata dos viajantes”, pelo que, alerta a associação, o levantamento das medidas ainda em vigor deve ser rápido, até porque há “empregos em jogo e as pessoas querem viajar”.

Segundo a IATA, em março, a procura internacional de passageiros na região Ásia-Pacífico atingiu 17% dos níveis pré-COVID, depois de ter ficado abaixo de 10% na maior parte dos últimos dois anos, o que, mesmo assim, continua muito abaixo da média do resto do mundo.

“Isso está muito abaixo da tendência global, onde os mercados recuperaram para 60% dos níveis pré-crise. O atraso é por causa das restrições do governo. Quanto mais cedo elas forem levantadas, mais cedo assistiremos a uma recuperação no setor de viagens e turismo na região, com todos os benefícios económicos que isso trará”, afirma Willie Walsh, diretor-geral da IATA.

Desta forma, a IATA insiste para que os Governos dos países da Ásia-Pacífico levantem todas as restrições que ainda estão em vigor, a exemplo das limitações para viajantes vacinados, da remoção da obrigação de teste ou quarentena para viajantes não vacinados e que sejam provenientes de zonas onde existem altos níveis de imunidade e da suspensão do uso obrigatório de máscara facial nas viagens aéreas em países onde o seu uso já não seja obrigatório em locais fechados e transportes públicos.

“Apoiar e, mais importante, acelerar a recuperação exigirá toda uma abordagem da indústria e do governo. As companhias aéreas estão a trazer de volta os voos. Os aeroportos precisam de ser capazes de lidar com a procura. E os governos precisam ser capazes de processar as autorizações de segurança e outra documentação com eficiência”, considera Willie Walsh.

Como exemplo de países asiáticos que vivem realidades distintas, Willie Walsh aponta a China e o Japão, o primeiro dos quais continua totalmente fechado ao turismo, enquanto o segundo já voltou a permitir viagens aéreas internacionais, ainda que, segundo a IATA, não tenha um plano claro para a reabertura do país, numa lacuna que deve ser colmatada.

“É preciso fazer mais para facilitar ainda mais as restrições de viagem, começando com o levantamento da quarentena para todos os viajantes vacinados e removendo o teste de chegada no aeroporto e o limite diário de chegada. Exorto o governo do Japão a dar passos mais ousados ​​para a recuperação e abertura das fronteiras do país”, acrescentou Walsh.

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Emirates retoma segundo voo diário para Lisboa em julho

Informação foi divulgada pelo Turismo do Dubai esta terça-feira, 17 de maio, durante uma apresentação em Lisboa, que deu a conhecer as novidades do destino.

Inês de Matos

A Emirates vai retomar em julho o segundo voo diário entre a capital portuguesa e o Dubai, revelou esta terça-feira, 17 de maio, Cibele Moulin, gerente sénior de Operações Internacionais do Turismo do Dubai.

“Estamos com um voo diário da Emirates, é um voo direto de Lisboa para o Dubai, e agora, a partir de julho, a Emirates retoma o segundo voo diário”, revelou a responsável, que esteve em Lisboa para apresentar o destino Dubai aos jornalistas portugueses.

De acordo com Cibele Moulin, com a retoma da segunda frequência diária entre Lisboa e o Dubai, que tinha sido suspensa com a chegada da pandemia, o número de ligações aéreas entre Portugal e o Dubai já está “quase no nível que existia antes da pandemia”, faltando apenas a retoma do voo do Porto.

“Antes, a Emirates voava do Porto também e, talvez, no futuro possamos retomar esse voo. De momento, Lisboa é o principal mercado e temos dois voos a partir de julho”, acrescentou a responsável, mostrando-se convicta que a retoma dos voos é fundamental para que também o número de turistas portugueses que visita o Dubai regresse aos níveis do passado.

O mercado português, revelou também Cibele Moulin, recuperou no primeiro trimestre de 2022 e já superou em 33% os números até março do período pré-pandemia, o que levou a que, neste período, o mercado nacional até tenha reagido “um pouco acima da média global do destino”.

“O mercado português, em especial, recuperou 60% do volume que tínhamos pré-pandemia. Ou seja, o mercado português até reagiu um pouco acima da média global do destino. Isso é muito bom para nós”, considerou a responsável.

Globalmente, o Dubai recebeu, nos primeiros três meses do ano, cerca de quatro milhões de turistas estrangeiros, o que indica uma recuperação de 44% face aos perto de 7,3 milhões de turistas que o destino tinha recebido nos primeiros três meses de 2021.

“Ou seja, recuperámos já do ano passado quase metade do que tínhamos antes da pandemia. É uma recuperação bastante rápida”, congratula-se Cibele Moulin, revelando que a Expo Dubai, que decorreu entre outubro do ano passado e março deste ano, motivou 24 milhões de visitas ao destino.

Além da Expo Dubai, a responsável do Turismo do Dubai considera que importante para a retoma do turismo internacional foi também a reabertura antecipada do destino, que foi um “dos primeiros destinos a abrir na pandemia”, além do facto do Dubai ter mantido sempre uma “constância em relação aos requisitos”, que conferiu maior confiança aos turistas.

Nesta apresentação em Lisboa, Cibele Moulin deu também a conhecer as novas atrações do destino que, mesmo na pandemia, não parou os investimentos que estavam planeados em novas atrações, a exemplo do Museu do Futuro, que nos transporta para o ano de 2071 e que já foi distinguido pela arquitetura; do Deep Dive Dubai; do Sky Views Observatory; da Aura Sky Pool ou do Ain Dubai, que consiste na maior roda gigante do mundo.

Atualmente, o Turismo do Dubai tem em vigor uma campanha especial no mercado português, que foi lançada em abril e que oferece sete noites de alojamento pelo preço de cinco, com Cibele Moulin a revelar que, devido a este tipo de campanhas, a estada média dos turistas portugueses no Dubai está a subir e já 5,4 noites, quando ainda em 2019 estava nas duas ou três noites.

“O Dubai vê Portugal como um mercado com muito potencial e é por isso que estamos a investir tanto na promoção”, concluiu a responsável, indicando que o Turismo do Dubai tem vindo também a investir na proximidade aos operadores turísticos e na formação para agentes de viagens portugueses, ao mesmo tempo que tem vindo a promover famtrips ao destino.

 

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Rita Marques visita Região de Lisboa esta quinta-feira

A secretária de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Rita Marques, vai conhecer vários projetos de formação, reabilitação e valorização do património, durante uma visita que realiza, esta quinta-feira, dia 19 de maio, à Região de Lisboa.

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Da agenda consta uma visita ao Palácio Nacional da Ajuda onde irá assistir à montagem das últimas peças no Museu do Tesouro Real, cuja inauguração está prevista para breve.

Rita Marques estará, igualmente, na Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril, onde se procederá à assinatura do Protocolo “Formação + Próxima”.

O fim da visita tem encontro marcado na Tapada de Mafra para assinalar os esforços e o compromisso da região com o cumprimento dos princípios de responsabilidade e empenho ativo na conservação do património natural.

Segundo comunicado da Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa, esta visita da secretária de Estado do Turismo, Comércio e Serviços marca o início da retoma turística da região, bem como o investimento em três pilares de sucesso: a formação, a reabilitação e a valorização patrimonial.

 

 

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