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“Portugal sabe perfeitamente o que tem para oferecer. E é bom, muito bom”

Depois de mais de ano e meio de pandemia, Portugal está pronto para receber. E tal como afirma Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal, “receber bem”. Porque afinal, “a expetativa de quem visita Portugal é largamente ultrapassada”. A presença no WTM é para provar isso mesmo.

Victor Jorge
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“Portugal sabe perfeitamente o que tem para oferecer. E é bom, muito bom”

Depois de mais de ano e meio de pandemia, Portugal está pronto para receber. E tal como afirma Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal, “receber bem”. Porque afinal, “a expetativa de quem visita Portugal é largamente ultrapassada”. A presença no WTM é para provar isso mesmo.

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Os motoes sempre estiveram ligados para que, quando a retoma se desse, Portugal estivesse na linha da frente. Esta foi sempre uma das afirmações do presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo. Uma coisa parece certa: Portugal está mais do que preparado para voltar a receber, até porque sabe perfeitamente o que tem para oferecer. E o que tem para oferecer, é bom, muito bom! Sempre com as pessoas no centro.

Depois de 19 meses de pandemia, o que Portugal tem para apresentar ao mercado externo é muito diferente daquilo que Portugal tinha em 2019 e perspetivava ter em 2020?
É diferente e é diferente em várias áreas. É diferente numa ótica de relação com os stakeholders, é diferente na relação com o cliente e na atenção às necessidades do cliente. É diferente porque a oferta adaptou-se e preparou-se para captar públicos diferentes.

Indo um pouco mais ao detalhe, é diferente, porque a relação com os stakeholders é muito mais próxima, já que, o que fizemos ao longo destes 19 meses foi, uma vez que não podia haver uma relação pessoal, ter uma relação virtual, mas que fosse ainda mais estreita. Daí o termos apostado nos webinars com a participação de mais de 500.000 pessoas em todo o mundo, daí as delegações terem tido um papel junto das companhias aéreas, operadores, associações, fundamental, passando uma mensagem do que estava a acontecer e como estava a acontecer, de como nos estávamos a preparar.

Ou seja, apesar do distanciamento, manter uma proximidade?
Exato, manter uma proximidade com os stakeholders. Em relação às necessidades do consumidor, sabemos que existe uma preocupação maior com a comunicação, com a transparência da comunicação, com as regras do que pode ou não fazer, além de haver uma preocupação com a descoberta da oferta nacional para segmentos diferentes, para mercados diferentes, bem como produtos diferentes como o turismo literário, militar, industrial que foi muito trabalhado ao longo deste ano e meio.

Conseguimos, finalmente, implementar algo que sempre dissemos era essencial: as redes colaborativas.

E isto não está só a ser descoberto pelo turista nacional como, também, pelo turista internacional.

Sem pandemia tudo isso seria feito? Ou era feito, mas demorava mais tempo?
Acho que demorava mais tempo. A pandemia permitiu-nos, apesar do trabalho que foi gerir a comunicação e a ligação com o cliente e os stakeholders, focar e estabilizar alguns planos para alguns produtos novos e para uma nova oferta e isso foi muito positivo e vai permitir colher muitos frutos no futuro.

De certa forma foi um acelerador?
Não diria acelerador, antes um catalisador.

Ir ao WTM para agradecer
Que Portugal é apresentado no World Travel Market 2021?
Vamos ter um Portugal que mantém o seu propósito e os seus valores, que passa por receber bem e respeitar as diferenças. Isso continua a ser a nossa máxima e essência. Vamos ter um Portugal que manteve a sua estratégia, desenhada em 2017, para continuar a crescer, mas crescer em todo o território, ao longo de todo o ano, diversificando mercados e segmentos. E vamos ter um Portugal que reforçou o seu compromisso com a sustentabilidade.

Tínhamos a sustentabilidade no plano de 2017, agora reforçamos em 2020 com o plano 2020-2023 e com um compromisso ainda maior de acelerarmos todas estas componentes.

Uma presença no WTM não tem como objetivo somente o mercado britânico?
Não, o WTM é, de certa maneira, o encontrar de muitos parceiros e amigos. Também é isso que queremos levar ao WTM, juntamente com as mais de 60 empresas que nos acompanham, com um novo stand e uma presença, igualmente no WTM virtual.

Há um conjunto de eventos paralelos importantes em que vamos participar, mas é uma importante plataforma para networking, ligação e reforçar parcerias, algumas novas criadas ao longo da pandemia.

É um reforço ou um início?
Diria que é mais um reforço, porque já iniciamos. É um marcar presença e uma forma de agradecer. Nós sofremos, mas os nossos parceiros no Reino Unido também sofreram ou porque não podiam vender, ou porque não podiam deslocar-se. E, por isso, esta também é a altura de agradecer a solidariedade do mercado do Reino Unido, dos operadores, das associações, foram incansáveis, tal como a nossa delegação no país.

E, eventualmente, essa será uma das palavras ou conceitos a retirar desta pandemia: proximidade, interajuda.

Preparar o pós-pandemia
Sustentabilidade, digitalização e inclusão foram outras que ouvi ao longo dos últimos tempos. São essas as palavras ou conceitos-chave que também diferenciam Portugal?
Acho que a palavra-chave é “pessoas”. Nós sempre dissemos que trabalhávamos para três tipos de pessoas: turistas, queremos que tenham a melhor experiência; colaboradores, queremos que vejam esta carreira como de futuro; e residentes, que percebam o valor do turismo a nível nacional e que o turismo seja uma fonte de bem-estar e de progresso também para elas.

Dito isto e colocando as pessoas no centro, como sempre fizemos, a sustentabilidade, o digital e a formação são três áreas que para nós são essenciais. Isto não só para o Turismo de Portugal, mas também para Portugal enquanto destino turístico.

Naturalmente, que o Turismo de Portugal nunca parou a sua atividade. Mas que trabalho foi, efetivamente, realizado na preparação da promoção e divulgação do turismo não de, mas em Portugal.
Efetivamente, nunca parámos. Obviamente, tivemos de mudar a comunicação durante a pandemia, já que não valia a pena estar a estimular pessoas para vir a Portugal, sem existirem as condições para tal. A nossa preocupação básica passou por manter Portugal no ‘top of mind’, partindo de um pressuposto que tínhamos que era, a “Marca Portugal”. E isso é importante afirmar: a “Marca Portugal” está e continua muito forte.

O estudo que temos de 2019 sobre a “Marca Portugal”, não enquanto destino turístico, mas marca Portugal/País, é impressionante. (O Turismo de Portugal realiza um estudo todos os cinco anos (BrandAsset Valuator – BAV), feito pela Young & Rubicam, MIT e Universidade de Dortmund, tendo em conta os nove mercados para onde o país exporta mais e relativamente à perceção do consumidor final face ao país)

Mas um estudo de 2019, feito pré-pandemia, ainda se mantém atual?
Sim. O ponto de partida era como estávamos. A “Marca Portugal” era vista como charmosa, única, autêntica, simpática. O que é que os resultados do estudo nos mostram? Que o valor que a marca possui hoje é maior e o peso que o turismo tem nessa avaliação que é feita de Portugal é superior. É tudo muito relacionado com a componente soft skills.

Aquilo que tentámos fazer ao longo deste ano e meio, foi preservar estas caraterísticas, com base naquilo que foi a atuação de Portugal. A autenticidade, a transparência, nós nunca escondemos nenhum número, sempre transmitimos exatamente como as coisas estavam. A componente do “Clean&Safe”, a formação que demos a mais de 160.000 pessoas em 15 meses, sempre com uma tónica no digital e na sustentabilidade. E foi impressionante ver como estas duas componentes tiveram tanta procura.

Ou seja, houve uma preocupação de nos prepararmos, mas também de transmitir que a altura não era de visitar, mas de preparar o futuro.

Mas no que toca a esta “Marca Portugal”, o que também houve foi uma redistribuição ou reformulação dos mercados-alvo e uma hierarquização diferente? Esta reformulação teve em conta os próximos tempos, com as viagens de longo curso a sofrerem um abrandamento e uma maior aposta na proximidade?
Também, mas não só. Mas, fundamentalmente, com a incerteza que existe na evolução de cada um desses países, com as regras que são colocados às entradas de cada um desses países e com a confiança que cada um desses países tem ou não em viajar.

Aquilo que fizemos foi redistribuir em mercados de proximidade, potencial de crescimento, dependente de capacidade aérea e atuação seletiva.

Na proximidade incluímos o mercado interno e Espanha, proximidade geográfica e de (re)conhecimento estão incluídos Reino Unido, Alemanha e França. Ou seja, são mercados que nos conhecem, que sabem que é seguro vir a Portugal, que acompanharam muito o que foi feito ao nível da proteção das pessoas.

Os mercados dependentes da conetividade são mercados essencialmente europeus, mas que dependem desta retoma da conetividade aérea, e onde, de resto, estamos bem.

Mas o que destacamos é, de facto, a flexibilidade na aposta ou captação nestes próximos meses. De destinar campanhas, de reforçar a conetividade, de parcerias, há muito ainda a fazer.

Mas sempre o ouvi dizer que, quando as viagens retomassem, Portugal teria de estar na linha da frente. Mas na linha da frente querem estar todos, principalmente, os nossos concorrentes mais diretos. O que faz o Turismo de Portugal estar tão otimista relativamente à posição no bloco de partida, porque todos se prepararam para esta “corrida”.
Sempre afirmámos que era importante estar “com os motores ligados” na linha de partida. E tivemos uma situação difícil: é que o tiro de partida saiu mais cedo para uns do que para outros. Houve regras limitativas que não nos permitiram arrancar ao mesmo tempo que outros. O tempo dirá se as restrições que foram implementadas tiveram efeito na propagação da pandemia ou não.

O que para nós era importante era manter esta proximidade que conseguimos e tentarmos captar o máximo de oportunidades que nos permitissem reforçar e repor a conetividade o mais depressa possível, além de captar a atenção dos nossos consumidores.

E conseguiram?
Acho que conseguimos. Os números que temos, revelam-nos que em agosto restaurámos 60% da capacidade aérea de 2019, temos ótimas perspetivas para o inverno, mas sempre na perspetiva de não serem colocadas barreiras nesta corrida de 100 metros.

A questão da mobilidade é muito importante, já que jogámos em vários tabuleiros: repor a capacidade que existia em 2019, procurar novas oportunidades dentro dessa mesma capacidade, com rotas aéreas diferentes com as mesmas companhias aéreas, contribuir para o load factor dessas companhias e, finalmente, procurar outras oportunidades que antes nem sequer olhavam para Portugal.

Aí temos vários exemplos como, por exemplo, a Ibéria ter os cinco aeroportos nacionais cobertos, tendo, inclusivamente, englobado Portugal no programa de stop-over Iberia, dando-nos possibilidade do mercado da América do Sul através do hub de Madrid para Lisboa e Porto. Além disso, o facto da Lufthansa e British Airways terem passado a olhar para os Açores, a Ryanir ter colocado mais ligações, a easyJet ter reforçado a base aérea de Faro. Ou seja, estas foram as iniciativas que fomos acumulando e construindo ao longo deste ano e meio e acreditamos que outras existem que estão a caminho.

Houve um reajustamento, mas continuamos a ver muito interesse. Num país que depende 70% do turismo internacional, apesar de haver uma oportunidade por parte do nacional, sabemos que não é suficiente, apesar de muito importante.

Mas teme que à medida que Portugal recupera a capacidade internacional que os stakeholders voltem a menosprezar o mercado nacional?
Espero bem que não. É uma preocupação para todos, mas, acho, que todos percebemos que esse não é o caminho. E até numa ótica de sustentabilidade, é importante este equilíbrio. Obviamente que queremos continuar a crescer numa ótica internacional, mas o crescimento do turismo nacional é importantíssimo.

A concorrência, por norma, faz-se pelo volume e pelo valor. Teme que esta retoma ou corrida, que muitos apelidam de desenfreada, pelo turista internacional, possa vir a acontecer pelo fator valor. Ou seja, pela diminuição desmesurada dos preços?
Não, não acredito. Pode haver alguns reajustes, mas colocando-me na ótica do consumidor, há uma exigência maior.

Mas se outros enveredarem por esse caminho, não teme que Portugal possa perder turistas que vão atrás do preço?
Acho que já existe uma perceção de valor que Portugal acrescenta que tem vindo a ser construída, tendo saído reforçada neste último ano e meio.

Acreditamos que esta ótica de crescimento, mais em valor do que em número de turistas, ou melhor, de dormidas, é algo para manter. Prova disso, é quando comparamos os números de 2020 relativamente à regressão ao passado. Regredimos 26 anos em termos de dormidas e 10 anos ao nível de receitas. Significa que estávamos a fazer muito mais com menos.

Esta tendência é para manter e reforçar. Quando falamos de 27 mil milhões de euros de receitas em 2027, obviamente, contamos com isto. Esse é que é o cálculo essencial.

Um Portugal, várias experiências
A comunicação relativamente a estas temáticas novas como a sustentabilidade e/ou a digitalização também terá de ser efetuada com uma preocupação geracional. Ou seja, comunica-se para as gerações mais novas?

Não, tem de ser feita para todos. E aliás é feita para todos. Claro que sabemos que as gerações mais novas são mais ativistas relativamente a certas questões.

Este ano e meio permitiu-nos chamar à atenção para um Portugal também diferente, que aposta na cultura contemporânea, na arquitetura contemporânea, no design, na moda.

Quer dizer que Portugal não pode ser só história?
Nunca. A melhor coisa que podemos ter é projetar a nossa história para o futuro. Isso vai-nos permitir abranger todo o público.

Falamos muito de quem oferece, mas também há que olhar para quem procura. Que novas exigências e necessidades surgiram ou estão agora sob o olhar do setor do turismo e a que têm de ser dadas respostas?
Apesar de já existirem, acho que aceleraram as questões relativamente à segurança sanitária que veio para ficar, obviamente com algumas matizes.

A experiência fluída, pagamentos facilitados, mobilidade facilitada, entradas facilitadas, celeridades nas respostas, comunicação, informação, é tudo isto veio para ficar.

Mas ainda veio outra coisa e que aí somos exímios: receber bem. Acho que as pessoas se aperceberam que não viajam somente para lugares só para ver A, B ou C ou para aproveitar o sol e a praia, mas passam a ir a locais onde sabem que serão bem recebidos, onde não vão fazer julgamentos sobre eles, que vão ter a melhor experiência possível.

Há tempos ouviu-o também dizer que “precisamos de ser um país só” e que este “é o momento para não falharmos”. Onde é que Portugal não pode, efetivamente, falhar quando falamos de promoção externa?
Não podemos vender algo que não conseguimos entregar. Mas acho que não corremos esse risco.

Portugal sabe o que tem para oferecer?
Portugal sabe perfeitamente o que tem para oferecer. E é muito bom! Nós sabemos quais os nossos pontos forte e frascos, sabemos o que os outros esperam de nós e, mais uma vez, estamos bem posicionados e muito fortes.

Mas isso é de cá para fora. De fora existe, de facto, a perceção de que quando Portugal diz que tem, efetivamente, tem?
Tem e até acho mais, acho que a expetativa de quem visita Portugal é largamente ultrapassada.

Quem nos visita pela primeira vez, sai agradavelmente surpreendido. Quem nos revisita e vai a outros locais, repete a experiência. Isto é positivo.

Porque o que estava está cá?
Está cá e está melhor. E nós sabemos disso. Agora é, de facto, mostrar o que estava cá, continua cá, mas melhor e com a mesma experiência de sempre.

Portugal conectado
Em maio de 2020, quando foi apresentado o plano para o turismo em Portugal houve uma ideia que foi muito focada e apontada como fator a alterar: a sazonalidade. Deixar de depender tanto do verão e estender essa sazonalidade ao longo do resto do ano.

A componente da sazonalidade toca todas as regiões de Portugal, seja por uma sazonalidade por falta de ocupação, seja por uma sazonalidade por tarifa.

A diversificação de produtos é essencial, o facto de mostrarmos e apostarmos em produtos que têm 365 dias ou que se focam nas épocas mais baixas, é essencial. A questão do enoturismo, o turismo literário, o cycling & walking, que o nosso clima permite ao longo de todo o ano, o golfe, o MICE, entre outros.

Mas atenção, estes produtos só por si não vingam. É preciso haver interesse da oferta em adotar esses produtos, não só promovê-los, como integrá-los na sua programação e business plan. Não aparecerem como algo isolado.

No enoturismo, por exemplo, existe uma correlação entre as exportações de vinhos e o número de turista que Portugal recebe desses mesmos mercados. Se virmos EUA e Brasil, a evolução do número de turistas que visitam Portugal anualmente, é igual ao volume de exportações de vinhos para esses mercados.

Portanto, a área de produto é importante, tal como a dos eventos. A captação de eventos para as épocas mais baixas, é essencial.

O fator digital e os eventos híbridos também vieram alterar um pouco o que era habitual?
Por isso é que temos de ter uma capacidade de criar eventos que sejam disruptivos e originais. Eventos que atraiam pessoas, mas que promovam este novo posicionamento de Portugal como destino sustentável.

O MICE não terá de ser forçosamente encarado de forma diferente por causa da componente digital?
Sim, acho que não vamos perder essa componente do digital, mas acho que o presencial vai ser ainda mais exclusiva e essa exclusividade tem e vai ter um preço.

A confiança vai crescer, vai haver uma componente de experiências muito maior e que passava muito pela reunião e ponto. Acho que as pessoas vão, a partir de agora, exigir mais.

Vão ser experiências com mais valor acrescentado e com mais oportunidades para as nossas empresas portuguesas. Cabe-nos a nós criar esses pacotes. É a mesma coisa com o produto. Não é só dizer que o evento é virtual e presencial e que o presencial é exatamente igual ao anterior. Tem de acrescentar valor e temos de ser nós a dá-lo. Mas quando digo valor acrescentado, não digo que seja mais custo para nós e mais valor para quem recebe.

Já falou em conetividade. Ainda recentemente foi publicado um estudo que dava conta no adiamento da retoma das viagens de longo curso. Por isso, essa conetividade vai passar, em primeira instância, por mercados emissores mais próximos? Em que ponto está Portugal neste fator essencial da conetividade?
Em termos de competitividade estamos bem posicionados e as companhias aéreas olham para nós como um atrativo e não nos podemos esquecer que as companhias aéreas voam se houve procura. E as companhias aéreas sentem que há procura pelo destino Portugal. E nós também sentimos isso em termos de procura, pesquisas, reação quando há abertura fronteiras e novas rotas, o que é muito positivo.

Agora não vou esconder que estaríamos muito melhor se tivéssemos outros tipos de conetividade.

Como por exemplo?
Como por exemplo, a ferrovia. É uma aposta que acredito que se vai fazer e que nos vai trazer muitos dividendos, mas é a médio/longo prazo, mas que tem de ser feita.

Estamos bem posicionados, mas tudo depende de como é que o consumidor final se vai mobilizar com as questões da sustentabilidade ou de optar por meios de transporte mais sustentáveis. Ainda assim, o que dizemos é que, é possível viajar e fazer viagens sustentáveis.

Mas isso já sai um pouco do vosso campo de atuação?
Também depende de nós e da oferta que damos, de captar pessoas para ficar mais tempo, de conseguirmos ter uma atividade a nível nacional que demonstre que é mais sustentável.

É importante este compromisso de modernização da oferta, que seja mais sustentável do ponto de vista ambiental e social, porque isso também poderá compensar, numa medida mínima, e poderá sensibilizar e balancear a sustentabilidade de uma deslocação.

Mas ao abordarmos o tema da conetividade e tendo por base o objetivo de chegar a 2027 com 27 mil milhões de euros de receitas e 80 milhões de dormidas, para lá chegar as diversas infraestruturas são essenciais. Que importância têm e terão temas como o novo aeroporto e a TAP para esse tabuleiro que se quer construir para o futuro do turismo em Portugal?
Olho exatamente como refere. Um conjunto de peças que fazem parte de um tabuleiro ou puzzle e que sem uma das peças, será difícil completarmos o todo.

O puzzle eventualmente tem é de ser construído com diferentes variáveis, com planos A e B em cada uma das opções, com avanços e recuos numas e noutras, mas é por isso que jogamos em vários tabuleiros.

Mas totalmente de acordo com se diz que são necessárias novas infraestruturas. São precisos novos meios de conetividade, sim, são. Mas também há trabalho para fazer naquilo que existe e temos aeroportos com capacidade de crescimento. O próprio aeroporto de Lisboa tem capacidade de crescimento em épocas baixas, temos capacidade de crescer em diária média, em receitas provenientes de outras atividades, segmentos e outros mercados.

Concluindo, é jogar em várias frentes e apostar em todas as peças, sem nunca esquecermos os objetivos: 27 mil milhões de euros em receitas e 80 milhões de dormidas.

O que é mais importante: 27 mil milhões de receitas ou 80 milhões de dormidas?
Os 27 mil milhões, claramente.

Como é que se planeia algo a partir de agora. Deixou de existir longo prazo? Ou o longo prazo passou a médio?
Isso era algo que adoraria dizer. Mas não deixou de haver longo prazo. As nossas metas são para 2027.

Mas essas foram traçadas em 2017. Por isso, há 10 anos. É esse o longo prazo?
Mais do que pensar, apesar de ter metas a longo prazo, é caminhar. Ou seja, o caminho faz-se caminhando e a curto prazo. Além disso, faz-se com a necessidade de flexibilidade e adaptabilidade.

O que aprendeu com esta pandemia e que ensinamentos retira dela, até este momento?
Em primeiro lugar, acho que ainda vamos retirar muitos ensinamentos. Mas há uns que já são claros. Primeiro, a importância do turismo não é só do país A, B ou C, mas sim de todo o mundo. Todo o mundo sofreu, porque este foi o setor mais impactado e claríssimo. Em segundo lugar, o efeito de arrasto que o turismo tem nas outras atividades económicas. Quando se fala em aposta noutros setores, é preciso não esquecer que este arrasta muitos atrás. E isto não é só para Portugal.

Depois, algo que é essencial que é o voltar à base e de precisar tanto uns dos outros.

De pessoas, para pessoas, com pessoas?
De regiões, para regiões, com regiões. De países, para países, com países. A cooperação está mais do que nunca na ordem do dia. E sempre com as pessoas no centro, claro. P

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Tailândia relança campanha ‘Amazing New Chapters’ para atingir 25 milhões de turistas em 2023

Este ano, a campanha assume a denominação de “Visit Thailand Year 2023: Amazing New Chapters” para ajudar a Tailândia a alcançar a meta de 25 milhões de turistas internacionais e receitas de 66 mil milhões de euros.

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A Tailândia relançou a campanha “Visit Thailand Year: Amazing New Chapters” com o objetivo de chegar, este ano, à marca de 25 milhões de turistas internacionais, informou a Autoridade de Turismo da Tailândia (TAT).

Num comunicado enviado à imprensa, a TAT explica que a campanha, que está agora a iniciar o segundo ano, tem como “propósito garantir receitas turísticas superiores a 2,38 mil milhões de Baht (cerca de 66 mil milhões de euros) em 2023, o que representa uma recuperação de 80% das receitas obtidas em 2019”.

Por isso, este ano, a campanha assume a denominação de “Visit Thailand Year 2023: Amazing New Chapters”, representando um “compromisso da TAT e de todas os seus parceiros públicos e privados, bem como do povo tailandês, em manter a confiança dos turistas internacionais na Tailândia, recuperando o estatuto de destino preferido”, segundo Yuthasak Supasorn, governador da TAT.

No âmbito desta estratégia, a Tailândia vai voltar a marcar presença na FITUR, a feira de turismo de Espanha, que arranca esta quarta-feira, 18 de janeiro, em Madrid, e ao longo da qual os responsáveis da TAT vão “reunir com um grupo de operadores turísticos e agências de viagens portugueses, não só para lhes dar a conhecer a estratégia do turismo tailandês para este ano, mas também para conhecerem as expectativas do trade nacional sobre a evolução das vendas do destino em Portugal”.

Este ano, a Tailândia vai promover-se nos mercados de longo curso, como é o caso de Portugal, como um destino para desfrutar ao longo de todo o ano, apostando ainda em segmentos de mercado como as Luas-de-Mel, Saúde e Bem-estar, Golfe e Gastronomia.

Em 2023, a TAT vai ainda divulgar o novo conceito “Amazing 5F and More”, destinado a proporcionar experiências de viagem em novos segmentos como “Food, Film, Festival, Fight and Fashion“, garantindo ainda estar focada “na melhoria da qualidade dos produtos e serviços turísticos, a fim de conduzir a indústria do turismo tailandês a um crescimento sustentável”.

“Entre as principais atividades estão o projeto Good Host New Chapter Season 2, a certificação Amazing Thailand Safety and Health Administration (SHA) e ainda um leque de eventos centrados nos 5F já mencionados”, acrescenta a TAT.

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Turismo do Porto e Norte quer ter 5 caminhos de Santiago certificados até final do ano

O presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal apontou o final do ano como meta para a certificação de cinco caminhos portugueses para Santiago de Compostela, Galiza, que em 2022 foram percorridos por 93 mil peregrinos.

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Luís Pedro Martins, que falava aos jornalistas na sede do Turismo do Porto e Norte de Portugal (TPNP), em Viana do Castelo, no final da assinatura do projeto cultural Caminho da Arte, referiu que, daqueles cinco, dois já estão certificados – o Caminho Português do Interior e o Caminho Português da Costa.

“Em fase final de certificação está o Caminho Português de Santiago Central-Caminho Primitivo. Esperamos anunciar em breve essa certificação. Temos outros dois – o Caminho Minhoto Ribeiro e Caminho Português Torres. Já temos muito trabalho feito para levar à certificação e gostaríamos de ter os cinco caminhos certificados até final de 2023. Vamos tentar”, afirmou.

De acordo com informação que consta da página oficial da Associação do Caminho Minhoto Ribeiro na Internet, aquele percurso “é um dos caminhos mais antigos, que liga o norte de Portugal à cidade do apóstolo Santiago”.

Segue “na maior parte da sua rota através daqueles caminhos, calçadas romanas e caminhos medievais”.

Este caminho “entronca com o território nacional no lugar de Cevide, freguesia de Cristóval, concelho de Melgaço, uma das mais antigas fronteiras terrestres”.

Já O Caminho de Torres liga a cidade de Salamanca a Santiago de Compostela e passa em grande parte pelo interior de Portugal. Trata-se de um percurso com quase 600 quilómetros.

O presidente da TPNP referiu que o objetivo é ter “pelo menos os cinco caminhos mais históricos certificados”.

“Neste momento, somos a região que tem mais caminhos certificados, apesar de não termos sido os primeiros. O processo de certificação começou no Alentejo, com o Caminho do Interior, mas [a região do] Porto e Norte rapidamente passou a ter dois caminhos certificados”, disse.

O responsável referiu que a certificação “significa garantir a segurança no caminho, sinalética e limpeza dos caminhos”.

Questionado sobre a certificação do Caminho da Geira, disse estar “em fase embrionária”, mas assegurou “já ter sido iniciado o trabalho com as autarquias”.

O Caminho da Geira, um dos mais antigos, começa em Braga com destino a Santiago de Compostela, com um percurso de cerca de 240 quilómetros.

O último caminho a ser certificado foi o da Costa, em fevereiro de 2022. O percurso tem 138 quilómetros de extensão e atravessa os concelhos do Porto, Matosinhos, Maia, Vila do Conde, Póvoa de Varzim, Esposende, Viana do Castelo, Caminha, Vila Nova de Cerveira e Valença, e é o primeiro que a TPNP candidatou à comissão de certificação, após a assinatura em 2021 do memorando de entendimento com 10 autarquias da região.

Os Caminhos de Santiago são uma rota milenar seguida por milhões de peregrinos desde o início do século IX, quando foi descoberto o sepulcro do apóstolo Santiago.

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Turismo de Portugal leva 92 empresas e sete ARPT à FITUR

Em destaque durante esta edição da FITUR, que decorre em Madrid entre 18 e 22 de janeiro, vai estar a primeira Estratégia de Turismo Transfronteiriço 2022-2024 entre Espanha e Portugal, que será apresentada a 19 de janeiro.

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O Turismo de Portugal vai voltar a participar na FITUR, a maior feira de turismo de Espanha e que decorre em Madrid entre 18 e 22 de janeiro, e na qual a participação portuguesa vai contar com 92 empresas e as sete agências regionais de promoção turística (ARPT).

Numa nota informativa publicada no seu website, o Turismo de Portugal revela que o stand português vai ficar localizado no pavilhão 4, com a referência 4C02, contando com a presença das sete ARPT do país, concretamente Porto e Norte, Centro, Lisboa, Alentejo, Algarve, Madeira e Açores, além de 92 empresas nacionais.

Segundo o Turismo de Portugal, nesta edição da FITUR, vai ser apresentada oficialmente a primeira Estratégia de Turismo Transfronteiriço 2022-2024 entre Espanha e Portugal, numa apresentação a ter lugar no dia 19 de janeiro, às 15h00, no stand da Turespaña.

Já no stand de Portugal vai estar em destaque a “cultura portuguesa, a gastronomia, o café, a enologia, a história, o turismo, a literatura e o estilo de vida”, principalmente durante o fim-de-semana, dias em que a FITUR vai estar aberta ao grande público.​

Na feira vai também marcar presença o ministro da Economia e do Mar, António Costa e Silva, assim como o secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Nuno Fazenda, e o presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo, responsáveis que, além de visitarem a feira, vão ainda participar “em diversos atos oficiais”.

 

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Algarve mostra-se como destino de luxo no ALTS

O Turismo do Algarve vai ter presente no Access Luxury Travel Show (ALTS), workshop de turismo de luxo que terá lugar em Lisboa, a 28 de fevereiro, na qualidade de parceiro “Destino Principal”.

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Através desta parceria, o Turismo do Algarve terá um espaço exclusivo que integrará, além do seu próprio stand, os de diversos parceiros da região, designadamente o Wyndham Grand Algarve, Domitur Travel-DMC, White Shell Beach Villas e Domes Lake Algarve.

A propósito desta representação, o diretor executivo da Associação de Turismo do Algarve, Hugo Nascimento, refere que, juntamente com os seus quatro parceiros, a região vai mostrar “a derradeira oferta de luxo da nossa bela oferta de destino aos compradores. Estamos encantados por poder inspirar as pessoas a experimentar o verdadeiro luxo através da autenticidade dos produtos que trouxemos para este workshop”.

O responsável considera ainda que “o ALTS é, para nós, uma oportunidade única de alcançar o segmento de luxo através do melhor que a região tem para oferecer”.

Por sua vez, Daria Mironova, Business Development Director da ALTS destaca que “entre todas as joias que Portugal tem para oferecer como regiões turísticas, estamos muito felizes por o Algarve se ter adiantado no sentido de se apresentar como o principal parceiro de destino da ALTS, tornando-se mais visível para todos os nossos compradores de viagens e turismo de luxo”.

O ALTS, workshop exclusivo para o mercado de luco, tem confirmados 22 expositores e terá cerca de 45 buyers de diferentes países, incluindo de Portugal.

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Madeira lança novo website dedicado à sustentabilidade

A Associação de Promoção da Madeira lançou um novo website dedicado à sustentabilidade que destaca o compromisso da região de se tornar num Destino Turístico Sustentável até 2030.

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A Associação de Promoção da Madeira lançou um novo website dedicado à sustentabilidade que destaca o compromisso da região de se tornar num Destino Turístico Sustentável até 2030.

“Este novo portal agora disponível tem como grande propósito dar a conhecer a estratégia definida e, sobretudo, manter as pessoas parte deste processo, através das suas partilhas e sugestões”, explica Eduardo Jesus, secretário Regional de Turismo e Cultura e presidente da Associação de Promoção da Madeira.

O novo website destaca o processo de certificação a que a região da Madeira tem vindo a ser submetida e que é supervisionado pela Destination Management Organization (DMO), com base nos critérios da Global Sustainable Tourism Council (GSTC) e num conjunto de orientações estratégicas de âmbito regional, nacional e internacional.

Segundo a Associação de Promoção da Madeira, a estratégia delineada pela região “já está em prática e assenta em quatro pilares estratégicos”, concretamente ambiente, economia, sociedade e cultura.

“O processo de certificação da Madeira enquanto Destino Turístico Sustentável está a decorrer como previsto e teremos já alguns resultados em fevereiro próximo. Acima de tudo, estamos muito focados em cumprir os objetivos traçados até 2030”, acrescenta Eduardo Jesus.

O novo website permite também que os parceiros, residentes e turistas apresentem recomendações e sugestões para tornar a Madeira num destino ainda mais sustentável e está disponível aqui.

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Proveitos totais do turismo aumentam 25,5% face a novembro de 2019

Os números referentes ao alojamento turístico – hóspedes e dormidas -, bem como proveitos, no mês de novembro, voltam a colocar o turismo em Portugal no caminho certo para ultrapassar o ano de 2019.

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Em novembro de 2022, o setor do alojamento turístico registou 1,7 milhões de hóspedes (+19,7%) e 4,2 milhões de dormidas (+19,4%), correspondendo subidas de 19,7% e 19,4%, respetivamente, face a igual período de 2021, avançam os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Isto faz com que os proveitos totais atinjam os 288,6 milhões de euros (+36,8% face a igual mês de 2021) e 214,2 milhões de euros de proveitos de aposento (+40,3% quando comparado com novembro do ano passado).

Já comparando estes valores com o mesmo mês de 2019, o INE indica aumentos de 25,5% nos proveitos totais e 29,2% nos relativos a aposento (+27% e +27,8% em outubro, respetivamente).

No conjunto dos primeiros onze meses de 2022, os proveitos totais cresceram 118,2% e os relativos a aposento aumentaram 120,4% face ao mesmo número de meses de 2021. Comparando com igual período de 2019, verificaram-se aumentos de 16,2% e 17,4%, respetivamente.

Em novembro, Lisboa concentrou 43,7% dos proveitos totais e 47% dos relativos a aposento, seguindo-se o Norte (15,9% e 16,0%, respetivamente), que ultrapassou o Algarve (13,6% e 11,8%, pela mesma ordem).

Nos primeiros onze meses de 2022, a evolução dos proveitos foi positiva nos três segmentos de alojamento. Comparando com o mesmo período de 2019, os proveitos totais na hotelaria aumentaram 14,8% e os de aposento cresceram 16,1% (pela mesma ordem, pesos de 87,3% e 85,6% no total do alojamento turístico). Nos estabelecimentos de alojamento local (quotas de 8,7% e 10,3%), registaram-se subidas de 14,4% e 15,3% e no turismo no espaço rural e de habitação (representatividade de 3,9% e 4,1%, respetivamente) os aumentos atingiram 64,2% e 61,9%, pela mesma ordem.

Não residentes com quota de quase 70%
Em novembro, o mercado interno contribuiu com 1,3 milhões de dormidas e voltou a registar uma evolução positiva (+6,3%), após um decréscimo em outubro (-3,2%).

Os mercados externos predominaram (peso de 68,9%) e totalizaram 2,9 milhões de dormidas (+26,4%).

Comparando com 2019, registaram-se aumentos de 0,8% nas dormidas de residentes e 5,9% nas de não residentes, o que neste último caso corresponde ao maior crescimento mensal face a 2019, revela o INE.

No conjunto dos primeiros onze meses de 2022, as dormidas aumentaram 89,4% (+22,4% nos residentes e +157,7% nos não residentes). Comparando com o mesmo período de 2019, as dormidas diminuíram 1,2% (-5,3% nos não residentes e +8,4% nos residentes).

Novembro positivo para todas as regiões
Em novembro, todas as regiões apresentaram evoluções positivas do número de dormidas face ao mesmo mês de 2021. Lisboa concentrou 32,9% das dormidas, seguindo-se o Algarve e o Norte (17,5% em ambas).

Face a novembro de 2019, registaram-se decréscimos no Algarve (-5,4%), Centro (-2,3%) e Alentejo (-1,6%). Os maiores aumentos ocorreram na Madeira (+24,9%), Açores (+8,3%) e Lisboa (+5%).

Nas dormidas de residentes, destacou-se a Madeira com um crescimento de 57,1% face a 2019. Os maiores decréscimos registaram-se no Alentejo (-5,8%) e no Centro (-5,6%).

À exceção do Algarve (-6,9%), todas as restantes regiões registaram aumentos nas dormidas de não residentes, destacando-se a Madeira (+21,0%) e Açores (+14,7%), face a 2019.

O município de Lisboa concentrou 25,5% do total de dormidas em novembro de 2022 (13,9% do total de dormidas de residentes e 30,7% do total de dormidas de não residentes), atingindo 1,1 milhões de dormidas (1,3 milhões em outubro, 19,8% do total). Comparando com novembro de 2019, as dormidas aumentaram 3,2% (-2% nos residentes e +4,4% nos não residentes).

O Funchal representou 10,6% do total de dormidas (449,2 mil), correspondendo a um acréscimo de 23,8% (+66,3% nos residentes e +19,0% nos não residentes) em comparação com novembro de 2019.

No Porto, registaram-se 338,3 mil dormidas (8% do total) em novembro, mais 5,2% face ao mesmo mês de 2019 (-0,1% nos residentes e +6,6% nos não residentes).

Em Albufeira, registaram-se 227,7 mil dormidas (peso de 5,4% do total), sendo o município com a maior redução (-21,3%) face a novembro de 2019 (-16,6% nos residentes e -22,2% nos não residentes).

No conjunto dos primeiros onze meses de 2022, face a igual período de 2019, registaram-se decréscimos das dormidas em Lisboa (-5,2%; -0,5% nos residentes e -6,1% nos não residentes) e em Albufeira (-15,9%; -9,2% nos residentes e -17,8% nos não residentes). Nos municípios do Funchal e do Porto, as dormidas aumentaram 11,8% (+76,8% nos residentes e +4% nos não residentes) e 4,2% (+7,5% nos residentes e +3,5% nos não residentes), respetivamente.

Ocupação em alta
A taxa líquida de ocupação-cama nos estabelecimentos de alojamento turístico (35,3%) aumentou 3,3 p.p. em novembro (+6,5 p.p. em outubro), face a igual período de 2021, ficando ligeiramente acima do valor observado no mesmo mês de 2019 (35,2%).

Em novembro, as taxas líquidas de ocupação-cama mais elevadas registaram-se na Madeira (57,1%) e Lisboa (49,1%), onde se verificaram também os maiores acréscimos neste indicador (+4,8 p.p. e +6,4 p.p., respetivamente). Em relação a 2019, apenas se verificaram crescimentos na Madeira (+8,4 p.p.) e Açores (+2,1 p.p.).

A taxa líquida de ocupação-quarto nos estabelecimentos de alojamento turístico (45,4%) aumentou 4,6 p.p. em novembro (+9,2 p.p. em outubro), ficando ligeiramente abaixo do valor registado em novembro de 2019 (45,6%).

Rendimento médio por quarto ocupado cresce mais de 24% face a novembro de 2019
No conjunto dos estabelecimentos de alojamento turístico, o rendimento médio por quarto disponível (RevPAR) atingiu 39,8 euros em novembro, tendo aumentado 31,4% face a novembro de 2021 (+41,7% em outubro) e 23,8% em comparação com o mesmo mês de 2019 (+21,2% em outubro).

Os valores de RevPAR mais elevados foram registados na AM Lisboa (78,8 euros, +51,9%) e na Madeira (49,3 euros, +21,2%).

Este indicador aumentou 72,6% desde o início do ano, com crescimentos de 74,6% na hotelaria, 83,6% no alojamento local e 18,4% no turismo no espaço rural e de habitação.

No conjunto dos estabelecimentos de alojamento turístico, o rendimento médio por quarto ocupado (ADR) atingiu 87,6 euros em novembro, +18,1% em relação ao mesmo mês de 2021 (+20,1% em outubro). Face a novembro de 2019, o ADR aumentou 24,2% (+19,6% em outubro).

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Itália autoriza os seus municípios a aplicar taxas turísticas até 10 euros por noite

O governo italiano autorizou o aumento das taxas turística até 10 euros por pessoa e por noite em cidades onde há 20 vezes mais turistas do que residentes. A decisão que a Itália inclui na sua última lei de orçamento já está a gerar polémica.

O aumento (até agora o teto era de cinco euros) só será aplicado nas cidades que o solicitarem e atenderem a determinados requisitos. Mas, mesmo assim, o setor hoteleiro já se manifestou contra o imposto, segundo a imprensa italiana.

“Taxar os turistas não nos parece uma boa ideia”, considerou Vittorio Messima, presidente da associação de operadores turísticos Assoturismo Confesercenti. “É um risco desencorajar os visitantes, principalmente as famílias. É exatamente o contrário do que deveríamos fazer”, continuou Messima, estimando que o gasto adicional para uma família de quatro pessoas pode chegar a 280 euros por semana.

Porém, nem todas as cidades terão competência para aplicar o aumento. De acordo com a nova lei, o imposto só pode ser aplicado nas localidades onde as administrações públicas possam provar que “a presença de turistas é 20 vezes superior ao número de residentes”. Além disso, os dados devem ser certificados pelo Instituto Nacional de Estatística (Istat) e devem referir-se à média dos três anos anteriores ao ano em que é solicitada a aplicação do imposto.

O problema é que o risco é que algumas das cidades mais icônicas de Belpaese sejam afetadas, segundo um estudo realizado justamente pela Assoturismo Confesercenti. Este relatório detetou que algumas das cidades que preenchem os requisitos exigidos são Siena, Florença, Veneza, Pisa e Rimini  Todas elas são grandes cidades do norte da Itália e destinos comuns do turismo europeu e internacional, devido ao seu grande patrimônio arquitetónico, artístico e cultural.

O Centro de Estudos Turísticos de Siena, por exemplo, registou que, no triênio 2017-2019, a média de turistas que a cidade recebeu a cada ano foi de um milhão de pessoas, enquanto o número de residentes é de 53 mil, o que deixa uma proporção de turistas/residentes acima de 20. Outros são os casos em que esta proporção é ainda maior, como em Florença (29), Rimini (50) e Veneza (49). É também por isso que uma organização, a Italian Hospitality, chegou a escrever uma carta ao governo italiano solicitando o cancelamento da nova regra que, no entanto, foi concretizada nos últimos dias.

No entanto, ainda são poucos os municípios que  já  confirmaram  que vão aplicar esses aumentos (Florença, Siena e Rimini não estão entre eles). Pelo contrário, desde que a nova lei foi conhecida, os debates têm-se intensificado em muitas das administrações autárquicas, com alguns vereadores a dizerem publicamente que descartam a aplicação da nova medida.

Outros, porém, se propuseram a estudar esses recursos adicionais que entrariam nos cofres dos governos regionais e poderiam ser usados num momento em que estão a ser afetados pela inflação e pela crise energética.

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Nuno Fazenda inaugura “Winter Food Fest” esta sexta-feira na Mealhada

Showcookings, provas comentadas de vinhos, venda de produtos endógenos dos concelhos da região de Coimbra e animação cultural serão os principais ingredientes do “Winter Food Fest”, que começa esta sexta-feira no centro da cidade da Mealhada.

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Para além de se pretender mostrar produtos dos 19 municípios que constituem a Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra e atrair visitantes, neste caso concreto, à Mealhada, o evento, que decorrerá durante todo o fim de semana, quer contribuir para a quebra da sazonalidade do turismo na região.

O “Winter Food Fest – powered by Coimbra Food Region” realiza-se sexta-feira das 18h00 às 22h00, no sábado das 13h00 às 23h00 e no domingo das 13h00 às 21h00. A sessão de abertura será presidida por Nuno Fazenda, secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, e contará com presença dos presidentes da Câmara da Mealhada e da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, António Jorge Franco e Emílio Torrão, respetivamente.

Este evento da Região de Coimbra encerra as iniciativas da distinção “Região Europeia de Gastronomia 2021-2022”.

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Turismo do Porto pede empenho do Governo no reforço da conetividade aérea e da mobilidade ferroviária

O reforço da conetividade aérea ao Porto e Norte bem como da mobilidade ferroviária e a sua conexão ao mercado espanhol, em particular com as regiões da Galiza e Castela e Leão, são duas das principais linhas de atuação para o Turismo do Porto e Norte para as quais o seu presidente considera estruturantes para o destino, e pede empenho do Governo.

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Na tomada de posse para o segundo mandato enquanto presidente da Associação de Turismo do Porto (ATP) para o triénio2023-2025, Luís Pedro Martins pretende reforçar a promoção externa da região não só junto dos principais mercados emissores, como também potenciar o lançamento de novos mercados. “Temos vindo a fazer um trabalho vasto de atração de novas companhias aéreas, promovendo o destino junto de novos mercados e novos públicos”, salientou o dirigente reeleito.

Para Luís Pedro Martins, no seu discurso de posse, a questão da conetividade aérea é, aliás, uma bandeira da região, que reivindica para o aeroporto Francisco Sá Carneiro um outro olhar, não só com uma maior aposta da transportadora nacional, mas também na captação de novas companhias e rotas, permitindo, assim, atrair mercados emissores de alto rendimento, uma das condições essenciais para a atração de segmentos de procura com maior rendimento.

“Contamos com o Ministério das Infraestruturas para dar continuidade a projetos estratégicos como a Linha do Douro ou a criação do Fundo para Conectividade Aérea da região, a exemplo do que acontece em outros destinos nossos concorrentes”, apontou, para relembrar que do grupo de trabalho constituído para desenvolvimento desta matéria “resultou um estudo já entregue ao Governo, sobre o qual aguardamos ansiosamente resposta por parte do Ministério, porque estes existem para além dos mandatos dos ministros”.

Em relação ao novo mandato, o presidente da ATP realçou que a tarefa que se afigura para os próximos três anos não é fácil, porque as sequelas económicas da pandemia ainda estão bem presentes. Neste sentido considera fundamental “que exista uma continuidade das linhas de apoio às empresas”, advertindo que “as empresas do setor ainda não respiram de alívio e não será certamente no ano de 2023, com um conflito bélico no nosso continente, com a inflação a disparar, com o aumento dos custos das energias e das matérias-primas, que poderão adquirir outra robustez económico-financeira”.

Em outro plano, mostrou disponibilidade para contribuir na discussão da governança das organizações do turismo, inclusive na discussão da Lei n.º 33/2013, que estabelece o regime jurídico das áreas regionais de turismo de Portugal continental, a sua delimitação e caraterísticas, bem como o regime jurídico da organização e funcionamento das entidades regionais de turismo.

O presidente reeleito destacou, igualmente, o excelente desempenho da região e, sobretudo, a forma como o Porto e Norte conseguiu já retomar níveis de desempenho pré-pandemia. No destino, frisa Luís Pedro Martins, o ano de 2022 fechou com dados extremamente positivos, dado que “ultrapassámos todos os indicadores de 2019, seja no número de hóspedes (6 milhões), no número de dormidas (11 milhões) e no valor dos proveitos arrecadados”. Neste último vetor, acrescenta, a região atingiu “os 700 milhões de euros, um crescimento de 20% em relação a 2019, quando a média nacional foi de 14%”. Um feito que, sublinha o presidente da agência de promoção externa, é conseguido com verbas muito inferiores aos dos mercados concorrentes.

Mesmo com verbas reduzidas, o Turismo do Porto e Norte quer dar corpo a um conjunto de objetivos que vão da atenção no apoio às empresas, ao incentivo e estímulo de projetos que tenham o propósito de reter talento e mitigar a escassez de recursos humanos. “Queremos ainda abrir caminho e ser referência para a melhoria dos conteúdos e da experiência turística no destino e ainda estimular a dinâmica do território com eventos turísticos”.

Aposta na digitalização e a sustentabilidade, e aprofundamento da relação com as regiões vizinhas da Galiza e de Castela e Leão, é, desde há muito, outro dos grandes focos de Luís Pedro Martins, que recorda também que “no terreno está já a criação de um Cluster de Turismo da Euroregião”. Apostas que, acredita, irão repercutir-se em ganhos importantes para a região. “

Recorde-se que da direção da ATP fazem parte instituições como as câmaras do Porto e de Braga, bem como a ANA – Aeroportos de Portugal, a Fundação Casa da Música ou Associação Comercial do Porto, entre vários outros parceiros públicos e privados. A Assembleia Geral é presidida por Nuno Botelho (Associação Comercial do Porto), enquanto tomou posse como presidente do Conselho Fiscal, Paulo Sarmento e Cunha (Fundação Casa da Música).

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Lisboa é a melhor cidade para nómadas digitais

São três as cidades portuguesas que aparecem mencionadas no ranking das melhores cidades para os nómadas digitais. Lisboa lidera o ranking, no qual ainda estão Porto e Faro.

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Lisboa foi considerada pelo Índice ‘Workation’, da Holidu, não só como a melhor cidade da Península Ibérica para nómadas digitais, como ocupa, também, o primeiro lugar na classificação europeia. Embora a capital de Portugal não tenha ficado entre os 10 primeiros em nenhuma das categorias individuais do ranking portal de reservas para casas de férias, o total de pontos relativamente alto da capital portuguesa em toda a classificação conquistou a primeira posição.

Além de Lisboa, também Porto (4.º lugar) e Faro (8.º) lugar aparecem neste ranking que compilou uma lista de mais de 150 países usando ‘As 100 melhores cidades do mundo’ do bestcities.org e outras várias fontes.

As cidades foram analisadas em função da ligação remota (média de mbps wifi por segundo); espaços de trabalho em conjunto (número de espaços de co-trabalho); preço médio da compra de um café; preço médio do táxi por km2; e preço médio de 2 cervejas num bar.

Além destes itens relacionados com trabalho, também foram tidos em conta fatores (viagens) como preço médio de apartamento de um quarto por mês; custo médio de uma refeição num restaurante local de nível médio; número médio de horas de luz solar; número de ‘coisas a fazer’ no Tripadvisor; número de fotos com o #cityname.

Na análise realizada, a Holidu salienta que “cada vez mais trabalhadores apreciam a flexibilidade do trabalho à distância, e muitos aproveitam a oportunidade para explorar novas partes do mundo. Os governos notam o interesse dos viajantes em trabalhar remotamente de outros países, e muitos implementaram um visto especial para os nómadas digitais”.

De Espanha, foram encontradas cinco cidades para ocupar o ranking: Barcelona (2.º lugar); Madrid (3.º lugar); Valência (5.º lugar); Málaga (6.º lugar) e Sevilha (7.º lugar).

De referir que Espanha e Portugal juntaram-se à lista de 42 países que já possuem vistos especiais para trabalhadores remotos com a sua iniciativa de Vistos Nómadas Digitais.

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