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“Encontrar a palavra turismo no PRR é como encontrar o Wally”

Reeleito para mais um mandato à frente da Confederação do Turismo de Portugal, Francisco Calheiros, acredita na recuperação do turismo. Para tal, haja aeroporto, TAP e, fundamentalmente, empresas e empresários.

Victor Jorge
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“Encontrar a palavra turismo no PRR é como encontrar o Wally”

Reeleito para mais um mandato à frente da Confederação do Turismo de Portugal, Francisco Calheiros, acredita na recuperação do turismo. Para tal, haja aeroporto, TAP e, fundamentalmente, empresas e empresários.

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Em maio de 2022, faz uma década que está à frente da Confederação do Turismo de Portugal e Francisco Calheiros espera estar a meio caminho na recuperação da indústria do turismo. Para já, ficam, em entrevista ao Publituris, as críticas à falta ou demora nos apoios e a esperança de que, quando a tal desejada retoma chegar, existam empresas, empresários, oferta, mas também capacidade para receber quem nos quer visitar. Ou seja, chega de meio século de discussão relativamente a um novo aeroporto.

Foi reeleito para um novo mandato à frente da CTP. Pergunto-lhe, nesta conjuntura ímpar e desafiante, o que ficou por fazer e o que transita para este mandato que termina em 2024?
Nestas atividades associativas ou confederações, fica sempre qualquer coisa por fazer e há muita coisa por fazer. Mas pensar no que foi o último mandato com o início deste, é como o dia e a noite.

Em 2018, estávamos a culminar nove anos de crescimento e lembro-me de, na altura, o gravíssimo problema que tínhamos com falta de mão-de-obra. Agora começamos um mandato onde, obviamente, esse problema não se coloca.

Este mandato começa por termos de olhar para o curto prazo, mais do que, propriamente, para o médio e longo prazo.

O que é o curto prazo?
O curto prazo é seis meses.

Portanto, ainda é 2021?
Sim, sem dúvida, ainda 2021. É evidente que temos inúmeras questões que deveríamos discutir. Desde questões gerais que não têm só a ver com o turismo. Uma reforma do Estado adiada há décadas, problemas com a demografia, com a natalidade.

Ou seja, questões estruturais?
Exatamente, mas que são a médio prazo. Contudo, também há questões estruturais para o turismo e que têm a ver, por exemplo, com o aeroporto.

Mas o aeroporto é a médio prazo quando está a ser discutido há cerca de 50 anos?
Tem razão, mas como disse, neste momento, temos de garantir que a oferta que existe se mantém instalada. A prioridade da CTP tem de ser a manutenção dos postos de trabalho e, sobretudo, a sobrevivência das empresas.

O que acontece é que, esta pandemia foi projetada e já dei este exemplo, dezenas, senão centenas de vezes, para saber se conseguíramos salvar a Páscoa de 2020. Já imaginou o que já passou desde março do ano passado?

Mas já fez este exercício: se não tivéssemos pandemia, que desafios é que a CTP estaria a debater?
Seriam completamente diferentes. Aeroporto, em primeiro lugar. Vamos ser claros, se em 2020 não tivesse havido pandemia, eu não sei o que se passaria no Aeroporto da Portela, mas seria, de certeza, outro desastre.

2019 já tinha sido complicado.
Agora imagine 2020, sem pandemia? Recordando janeiro e fevereiro de 2020, não havia razão para não acreditarmos que o turismo não crescesse a um ou dois dígitos.

Aliado ao problema aeroporto, o outro ponto que já foquei da falta de mão-de-obra.

Mas falta de mão-de-obra ou falta de mão-de-obra qualificada?
Esse é outro problema. Em 2016 falava em mão-de-obra qualificada. A partir de 2018, deixei cair a palavra “qualificada”. Nós não tínhamos mão-de-obra. Mas, para este mandato, essa é uma preocupação que só surgirá se as empresas sobreviverem.

O que lhe digo é que acaba em abril o pagamento dos 100% para empresas com quebras acima de 75%. Isto foi definido há três meses. Não sei se estava certo ou errado, o que não estava previsto era que em maio continuássemos praticamente a não ter atividade turística.

E não há possibilidade de redefinição desses apoios?
A minha esperança é que estes apoios sejam prolongados, pelo menos, até junho.

Uma realidade dramática
Vai fazer um ano que a CTP apresentou 99 medidas de apoio à atividade turística, bem como propostas para a capitalização das empresas. Depois de termos desconfinado, voltado a confinar e, agora, novamente em desconfinamento, que medidas foram aceites e postas em práticas e o que ficou na gaveta?
Em termos gerais e, especificamente, no turismo, houve uma medida em que o Governo esteve bem: o layoff e a medida de apoio à retoma.

Relativamente a outras medidas de apoios às empresas em geral e no turismo, estas são medidas burocráticas, lentas e insuficientes. Vamos pegar nas últimas. Algumas ainda estão no papel como, por exemplo, aquela dos 300 milhões para o turismo. Outras, como o reforço do Apoiar já estão esgotadas. O que é que isto quer dizer? Quer dizer que, se uma já está esgotada e a outra ainda não chegou, então são claramente insuficientes.

Portugal investiu muito pouco na recuperação. Tem de fazer mais, ou melhor, muito mais e rapidamente.

Nós nunca nos pronunciamos em questões sanitárias. Mas há uma questão económica que nos pronunciamos e muito. Uma pandemia que dura há mais de um ano e na qual a taxa de desemprego nem reflete este ano de pandemia, a decisão que está do lado do Governo é muito simples. Isto é um trade-off muito simples. Aguentar as empresas e dar valor ao esforço e à resiliência que essas empresas e empresários demonstraram. Muitas vezes perguntam-me, como foi possível aguentar? Foi possível, porque tivemos 10 ótimos anos de turismo e os empresários gastaram todas as suas poupanças que ganharam nestes anos para manter as empresas e postos de trabalho.

“Estando o PRR dentro do PE e alertando o PE para a necessidade de haver uma recuperação do turismo, por que razão ignora o PRR o turismo?”

Mas há um limite. Quando atingimos esse limite?
Esse limite já foi atingido. E como disse, ou o Governo mantém essas empresas e quando abrirem os corredores turísticos há oferta instalada, há companhias aéreas, há aeroporto, há hotéis, restaurantes, rent-a-cars e os turistas vêm para cá ou, se não existir isto tudo, eles não vêm.

E se esses turistas não vierem, aí não fecham 10 ou 20% das empresas. Aí fecham todas. Pode ter a certeza. E com isso, vão centenas e centenas de milhares para o desemprego.

Portanto, reforça o que disse em fevereiro passado quando afirmava que, se o Governo não atuar com rapidez, não haverá empresas para salvar?
Cada dia que passa a situação é mais dramática. Eu já não falo daquelas atividades que estão proibidas, como discotecas, bares, etc.. Falo das que não estão proibidas – hotéis, restaurantes, agências e viagens e outros – com quebras de 70 e 80%. Há inúmeras despesas fixas que, por mais que o Governo apoie, não tem sido suficiente.

O Banco de Portugal avança que se perderam 12 mil milhões de euros em receitas do turismo neste ano de pandemia.
Isso é um bocadinho de dinheiro, não é? Mas também não tenho dúvidas que esse valor vai voltar, haja oferta.

Nós continuamos cá com tudo, não perdemos nada. Há é uma proibição de viajar, mas a ansiedade das pessoas para viajar é enorme.

Mas relativamente a essa ansiedade para viajar, como é que olha para a questão do Certificado Verde Digital e a implementação do mesmo a tempo de, eventualmente, salvar o verão?
Antes da questão do certificado, tínhamos vários países ou cada país a impor as regras que achava mais convenientes.

Dentro da UE?
Dentro e fora da União Europeia. Para uns tinha de ser com vacina, para outros com teste, para outros era quarentena. O que é que a CTP defendeu e defende: chamem o que quiserem, mas a Europa tem de funcionar. A regra que vier a ser definida tem de ser comum aos 27 Estados-Membros, interna e externamente.

Ou seja, funcionar, efetivamente, como uma União?
Exato e que às vezes parece tudo menos unida. Um alemão, um americano, um finlandês, que viaje dentro do espaço europeu ou para fora dele, tem de saber com o que contar. Tem de saber quais são as regras.

A pior coisa que pode acontecer na Europa é que a questão sanitária seja ou se torne numa questão concorrencial.

Tal como na questão dos corredores turísticos em que houve países que aproveitaram a tal desunião existente?
Lá está, o que nós queremos é uma regra que defina bem o jogo.

Mas acha que aí a União Europeia foi mais desunida do que unida?
Acho que sim, tem de ser mais Europa, mais União. Aí tem de ser como fazem os ingleses, tem de ser “mandatory”. Não pode ser facultativo.

O Wally do PRR
Portugal foi o primeiro país a apresentar o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) a Bruxelas. Nas suas várias intervenções existia sempre a critica de que o turismo não existe no PRR. Como é que gostaria de ver o setor do turismo espelhado no documento?

Esta vai pagar direitos de autor, mas, de facto, encontrar a palavra turismo no PRR é como encontrar o Wally.

Além do PRR, acabou de sair o Plano de Estabilidade (PE), que estamos a estudar, e como sabe o PRR está dentro do PE. Este último diz o seguinte: atenção que o turismo de 2009 a 2019 foi determinante para a recuperação da economia portuguesa. Neste sentido, e com um PE que tem o PRR incluindo, é fundamental ter medidas muito concretas e específicas para o turismo.

Por isso, se ler primeiro o PE e depois o PRR, vai para o PRR excitadíssimo, já que o PE diz que no PRR têm de estar lá as medidas e deverão ser “toneladas delas”. Porém, é como encontrar o Wally.

“Diria que o turismo perdeu entre 42.000 a 45.000 pessoas durante a pandemia”

O que fizeram durante a consulta pública do PRR?
Nós enviámos um trabalho muito bem feito e que tinha propostas muito concretas. O que o Governo nos diz é que não é no PRR que essas medidas concretas devem estar, que há mais no PE, mais no Portugal 2020-30 e no Quadro Financeiro Plurianual.

É uma resposta, mas não convencidos e satisfeitos com a resposta fomos procurar se os nossos concorrentes também fizeram isso. O PRR de Espanha, por exemplo, não fala no turismo. Tem, antes, um capítulo inteiro específico para o turismo e que dá pelo nome de “Plano de Modernização e Competitividade do Turismo”. Depois fomos a Itália, igual a Espanha. Só muda o nome para “Turismo e Cultura 4.0”.

Portanto, esta é uma decisão do Governo português.

Mas o que ainda estranhamos mais é que, após a consulta pública do documento, apareceram capítulos específicos para a cultura e para o mar. Com o maior respeito que tenho pela cultura e pelo mar, não entendo como é que vindo do PE a recomendação “cuidado com a baixa do turismo, é obrigatória colocá-la em alta para fazer regressar 2019”, pura e simplesmente se tenha ignorado tal recomendação.

Estando o PRR dentro do PE e alertando o PE para a necessidade de haver uma recuperação do turismo, por que razão ignora o PRR o turismo?

Portugal lá fora
Estamos numa nova fase do desconfinamento. Lembro-me de sugerir uma mega-campanha internacional, de forma a mitigar a má imagem que o país passou. Ainda mantém essa sugestão?

É verdade. De facto, olha-se para trás e ninguém percebe porque se passou do 8 para o 80 e depois do 80 para o 8. Quando estávamos naquela situação dramática, fiquei, naturalmente, preocupadíssimo. Porquê? Porque abrir os telejornais na Europa e no mundo a dizer que Portugal era o país com mais infetados por 100 mil habitantes era uma péssima imagem. Não tenho dúvida nenhuma de que, quando as pessoas começarem a marcar as suas férias, irão, antes, ver como está a situação sanitária de determinado país. E aqui, Portugal passou por uma fase horrível.

Mas, pelo facto de termos uma pandemia, de as pessoas não viajarem há mais de um ano e pelo facto dos destinos concorrentes de Portugal (Espanha, Itália, Grécia) passarem pelos mesmos problemas quando isto abrir – e temos tido muitas conversas com o Turismo de Portugal(TP) – temos de lançar, urgentemente, uma mega-campanha. Não tanto a dizer que estamos bem, isso as pessoas podem ver, mas tudo aquilo que compõe a campanha promocional de um país como as negociações das rotas aéreas, vinda de jornalistas estrangeiros, artigos publicados lá fora no online e offline, aquilo que o TP me tem dito é, “Francisco, está tudo pronto!”. O que acontece é que estão a tentar prever quando é que isto abre, porque também não vale a pena ter razão antes de tempo. As reservas, neste momento, são muito imediatas. Nós temos o exemplo do ano passado, em agosto, com o Reino Unido foi impressionante. Lembra-se que o corredor inglês sempre teve fechado com Portugal. Abriu uma semana em agosto. Pois foram mais de 50 voos diários para Faro.

Quando é que essa campanha deveria ser lançada?
Diria, já!

Mas quando focou os concorrentes de Portugal, todos vão estar em pé de igualdade. Além desses, ainda teremos Tunísia, Marrocos, Egipto, Turquia, etc..
Sim, essa é uma “ameaça” real. Vamos ter mais concorrência, mais competição, razão pela qual temos de ter urgentemente uma campanha internacional fortíssima. Ou seja, antecipar, até porque há mais gente a concorrer.

O “novo velho” aeroporto
Como focou logo no início da nossa conversa, a maioria desses turistas vêm, não de carro, mas de avião. E aí, Portugal terá um grande problema para resolver?
Lembro-me da primeira reunião que tive com o ministro Pedro Nuno Santos, por causa do problema TAP e aeroporto, no ano passado. Eu, na altura, já referia que não se conseguia resolver um problema em praça pública e o aeroporto era abertura de telejornais. A COVID pôs-lhe um tampão. E disse, “esta é a altura certa para aproveitar, nos bastidores, negociar e fazer o aeroporto”. É com grande desgosto e é essa a palavra certa, desgosto, pensar que já passou mais de um ano e evoluímos zero.

“Nós temos defendido muito a opção Montijo”

Evoluímos ou andámos para trás?
Tem toda a razão. Regredimos. Neste momento estamos a realizar um Estudo de Impacto Ambiental Estratégico para três soluções. Portanto, este estudo vai adiar, mais uma vez, algo de urgente resolução. Ora, se segundo as perspetivas mais pessimistas apontam para que, em 2024, estarmos muito perto do que era 2019, esqueça aeroporto.

É inaceitável, inacreditável.

Mas aí só está a equacionar Montijo, porque se a solução for Alcochete, teremos aeroporto dentro de uma década?
Nem quero ouvir falar nisso. É preciso não esquecer que o aeroporto é uma obra estruturante para o país. Que é de importância fulcral para o turismo? É! Mas não só. Será fundamental para toda a atividade económica.

Uma empresa exportadora que venha ver a capacidade do nosso principal aeroporto, é razão mais do que suficiente para ir embora ou não querer vir para Portugal.

Acho que é algo que nos deve envergonhar a todos. Estar a discutir há 50 anos a localização de um novo aeroporto.

Teme que se veja inscrito a mesma expressão que se viu por causa da Barragem do Alqueva: “Construam-me, porra!”?
Não sei se me está a querer dar ideias, mas para evitar repetições, optar, eventualmente, por um: “Porra, construam-me!”.

Eventualmente, quando voltar a entrevistar-me depois do final da pandemia e perguntar-me que desafios temos agora pela frente, talvez lhe responda na altura que não temos mais nenhuns, porque não há mais nada para fazer, porque não cabe mais ninguém no aeroporto.

Mas do lado da CTP existe alguma preferência ou a questão é, precisamos de um aeroporto, seja ele no Montijo, Alcochete, Alverca, Ota, etc.?
Nós temos defendido muito a opção Montijo. Porquê? Por causa de três questões. (i) A opção Montijo mantém a Portela viva e, quer queiramos ou não, a Portela é um fator de competitividade para a cidade gigantesco. (ii) A opção Montijo é a opção mais rápida e barata. (iii) Depois, falamos do Montijo, parece que ninguém sabe o que já lá está. Montijo é uma base aérea. Ora, já lá está, praticamente, tudo.

Falar em aeroporto é ter de falar da TAP. Vamos ter TAP, vamos ter “TAPzinha”?
Não conheço o plano de reestruturação da TAP. Se é preciso um plano de reestruturação? Bem, a maior parte das companhias aéreas está a ser reestruturada. Portanto, a TAP, com o que conhecemos, dificilmente, escaparia a uma reestruturação. Do que conhecemos da TAP, há que referir a importância das duas apostas feitas no Brasil e nos EUA. Nós tivemos em Portugal brasileiros e americanos como nunca. Porquê? Porque é o voo direto que impulsiona o tráfego. O que se pergunta é o seguinte: com a reestruturação e baixa de 20 ou 30 aeronaves é possível manter a política de ‘hub’? A TAP diz que sim, eu não sei.

Porque perdendo esse hub?
Nem quero pensar nisso.

“Com a reestruturação e baixa de 20 ou 30 aeronaves é possível manter a política de ‘hub’? A TAP diz que sim, eu não sei”

Mas além dessa questão coloca-se, igualmente, a problemática do CEO.
O Fernando Pinto quando veio, veio com homens-chave. O Antonoaldo Neves trouxe uma equipa inteira. Agora vem um CEO sem equipa? Outra questão: quando se abre um processo de reestruturação e de rescisões, não pode sair quem quer, sai quem não fizer falta à empresa. Vai falar com qualquer agência ou operador, o que eles dizem é que não têm com quem falar. Isso preocupa-nos.

Mas será que é a gestão pública que está a dificultar a vinda de um novo CEO?
Não sei, mas que está a dificultar, acredito. Até porque, quando chegar, não vai ver o que pode ou deve fazer. Não, vai fazer o que já foi submetido e aprovado. Vamos ver quem aceitará esse jogo.

Venha lá essa retoma
A retoma que aí vem poderá ser desfavorável para o turismo, na medida em que, com tanta concorrência, a primeira coisa que se fará é baixar preço? Portugal é um destino “demasiadamente” barato?
Não concordo com quem afirma isso. Vamos ser realistas, um país que tem 27 milhões de turistas, em 2019, tem de tudo. Isto não é um turismo de nicho. O melhor local para ver isso é o Algarve. Tem lá, desde o turista de massas até ao turista de 5 e 6 estrelas.

Mas vou recordar algo que as pessoas se esquecem. Antes de 2009 houve muito oferta criada que não foi acompanhada pela procura. De 2009 para trás, crescemos muito pouco. De 2009 a 2019 aconteceu exatamente o oposto, ou seja, a procura foi maior que a oferta. O que é que aconteceu de 2009 a 2019? O REVpar cresceu sempre mais do que o número de turistas, ou seja, nós tivemos de aumentar os preços sempre acima da procura.

Pode perguntar-me, acha que isto agora vai sofrer um revés? Sim, acho. Quando os hotéis estão cheios, é fácil dizer, não baixo preço. Mas agora, estamos com hotéis a 40% e menos, muito menos.

Não podemos perder a noção do seguinte, há lugar para todos. Temos turismo de 6 estrelas, 5 estrelas, de 4, 3, 2 estrelas.

E há que manter?
Sem dúvida, há que manter. Há toda uma oferta instalada nesse sentido. Não se esqueça que Portugal é considerado, de 2019 para trás por quatro vezes consecutivos o melhor destino de golfe do mundo. O turista de golfe é do que mais dinheiro gasta.

As cidades de Lisboa e Porto eram das cidades mais procuradas para congressos.

Até o setor automóvel, com as apresentações internacionais …

Não há apresentação internacional de automóvel que Portugal não seja considerado. Eu lembro-me de uma marca automóvel que trouxe a Portugal 6.000 jornalistas. Ora, isso é imbatível.

Mas houve muita gente no turismo de negócios a enveredar pela “facilidade” do digital?
Há um turismo de negócios que foi ensinado por esta pandemia a fazer coisas digitalmente. O Zoom e o Teams e outras soluções vieram questionar aquela reunião a Madrid ou a Paris por 2 ou 3 horas.

Posso organizar um congresso médico com 6.000 ou 10.000 pessoas no digital? Posso, mas não é a mesma coisa.

O que sobrará ou sobreviverá do setor do turismo? Tem noção de quantas empresas, empregos se perderam?
Não temos a bola de cristal. O que temos vindo a saber é que o número de empresas a fechar não tem sido muito diferente de anos anteriores. Quanto ao desemprego, é,provavelmente, a atividade em que mais se sentiu isso. Os números que temos são do INE referentes à hotelaria e restauração. Diria que o turismo perdeu entre 42.000 a 45.000 pessoas durante a pandemia.

Considerando que vamos ter prolongamento de layoff, que as medidas do Governo vão ser mais incisivas até setembro, que iremos ter um verão mais normal, a capacidade de vacinação vai ser maior, que em setembro já poderemos ter a tal imunidade de grupo, diria que, tenho alguma esperança que a maior parte da nossa oferta instalada se mantenha. E aqui, temos de dizer isto muito claramente, tem de haver um elogio muito grande às associações do setor e aos empresários do turismo. Têm aguentado estoicamente. Tem havido uma atitude de responsabilidade por parte dos atores do setor do turismo que temos de salientar. Não vejo ninguém a baixar os braços. Empresas proibidas de funcionar, não é perder 50% ou 75%. É perder 100%.

Os 10 anos de capitalização esfumaram-se?
Como se costuma dizer, a carninha está toda no assador.

Ainda faltam cerca de 5 meses para o Dia Mundial do Turismo e para o dia do evento da CTP.  Mas como gostaria de abrir o seu discurso nesse dia 27 de setembro?
Boa tarde, muito bem-vindos a este dia 27 de setembro a mais um Dia Mundial do Turismo. As minhas primeiras palavras são para dizer que debelou-se a pandemia. Portanto, uma vez constituída a imunidade de grupo e com o número de infetados praticamente inexistentes, Senhores governantes, é favor de olhar para as empresas portuguesas que aguentaram isto tudo, que estão descapitalizadas e que precisam de apoios.

Vamos por as empresas portuguesas em condições de colocar o turismo como, novamente, o motor da economia como o foi de 2009 a 2019.

Estas são as palavras que gostaria de dizer no dia 27 de setembro de 2021.

*Esta entrevista foi publicada na edição 1438 do jornal Publituris.

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IPDT: Inflação é o grande desafio que se vai colocar ao Turismo no próximo ano

A 67ª edição do Barómetro do Turismo do IPDT- Turismo e Consultoria prevê que, apesar da rápida recuperação do setor do turismo em Portugal, a inflação poderá comprometer esta tendência de crescimento em 2023.

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Esta é a opinião de 45% dos membros que responderam ao inquérito. Por sua vez, para 33%, ainda é difícil prever que impactos poderá ter a subida de preços no desempenho do setor.

A análise indica ainda que o nível de confiança médio no desempenho do turismo atingiu, em setembro de 2022, os 82,4 pontos: um aumento de 1,3 pontos face ao último registo de maio de 2022.

Segundo alguns membros do painel, Portugal continua a ser um destino com boa imagem internacional e muito procurado, beneficiando da conjuntura geopolítica internacional, que desvia procura do leste da Europa para o destino. Subsistem, no entanto, algumas dúvidas relacionadas com o contexto económico internacional e o possível impacto da inflação sobre a procura.

​Comparando com o período homólogo do ano anterior, a atividade do turismo, o número de pessoas empregadas no setor, a procura turística a nível externo e o endividamento das empresas são os indicadores que deverão aumentar nos próximos meses. De acordo com os membros do painel, o investimento público e a carga fiscal devem manter-se próximos da dinâmica do primeiro semestre de 2022.

​No que se refere aos mercados interno e externo, é expectável que se mantenha a tendência de crescimento em todos os indicadores (turistas, dormidas, receitas e RevPar).

O Barómetro do IPDT revela, por outro lado, que anunciado aumento das tarifas das companhias aéreas poderá conduzir a uma diminuição do número de pessoas a viajar, com 63% das respostas, enquanto cerca de metade dos inquiridos acreditam que o aumento das tarifas da aviação vai afetar o desempenho do turismo e 45% apostam num aumento da procura por transportes alternativos, nomeadamente a ferrovia.

​Sendo a falta de mão de obra no turismo uma das principais dificuldades assumidas pelos empresários do setor, o Barómetro inquiriu o painel no sentido de compreender quais as principais medidas que podem ajudar a colmatar o défice de mão de obra no turismo em Portugal. Melhorar as condições de trabalho (35%), desenvolver uma estratégia de captação de RH externos (18%), apostar e reforçar a formação e qualificação profissional (17%) e reconhecimento dos colaboradores, através de políticas de retenção de talentos (9%), foram as principais ações propostas pelos membros que participaram no Barómetro.

 

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Negócios globais no turismo caem 32% em agosto face a mês anterior

Pelo segundo mês consecutivo, a GlobalData indica quebras na atividade de negócios no setor do turismo em viagens.

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A atividade de negócios globais no setor do turismo registou uma quebra de 31,6% no mês de agosto de 2022, face ao mês anterior de julho, revela a GlobalData.

De acordo com a consultora, no oitavo mês de 2022 realizaram-se 54 negócios quando em julho deste ano esse número ascendeu a 79, verificando-se que este é o segundo mês consecutivo que a atividade negocial no setor do turismo e viagens a nível global regista uma quebra.

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São vários os mercados que registaram esta quebra, destacando a GlobalData o Reino Unido, Japão, Índica, Espanha, Austrália e Alemanha no campo negativo no mês de agosto de 2022, enquanto EUA e China são as exceções a esta realidade.

De resto, a consultora avança que o volume de negócios manteve-se estável nos EUA, enquanto na China se registou um ligeiro aumento.

Em agosto de 2022, o anúncio de fusões e aquisições (Mergers and Acquisitions – M&A, em inglês) caiu 28%, indicando a GlobalData para o financiamento de risco e negócios de private equity quebras de 23,5% e 58,3%, respetivamente, face ao mês anterior de julho.

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Sustentabilidade na mira da política das viagens corporativas na EMEA

Um estudo da SAP Concur revela que, embora 99% das empresas da zona da EMEA pretendam contemplar a sustentabilidade na sua política de viagens corporativas, apenas 36% dispõe, internamente, de um departamento que se dedique a encontrar soluções para tornar as deslocações mais amigas do ambiente.

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Realizado na zona da EMEA, entre fevereiro e março de 2022 junto de 700 decisores de 12 países, o inquérito conclui que as viagens de negócios voltaram a estar nas agendas das empresas, para registos pré-pandemia, com 83% das organizações a recuperar, nas viagens domésticas, e 63% nas viagens internacionais.

Outro dado relevante é o facto da sustentabilidade, nos programas de viagens corporativas, ser uma prioridade para os decisores, uma vez que apenas 1% dos entrevistados não tem intenção de considerar o tema.

Contudo, e à medida que as organizações procuram alinhar-se com os objetivos da ONU 2030, a maioria assume ter dificuldades para se tornar “mais verde” – apenas 36% têm uma função dedicada, como seja um diretor de sustentabilidade ou similar, e só 10% dispõe de uma equipa dedicada a esta temática, no seio da organização.

No entanto, segundo o estudo da marca mundial de soluções integradas de gestão de viagens e despesas corporativas, os decisores estão cientes de que este tópico deve ser uma prioridade – 69% acredita que a sua política de viagens tem de ser melhorada, mas sabem que enfrentam desafios para a sua concretização. Mais de um terço (37%) refere a falta de orçamento como barreira para o desenvolvimento de um colaborador com uma postura mais sustentável no que às suas viagens de negócio diz respeito.

A análise deixa algumas recomendações. Uma vez que 44% dos entrevistados estão conscientes que devem apostar na mudança das suas políticas de sustentabilidade, mas não sabem como o executar, “há sem dúvida uma clara necessidade de ferramentas tecnológicas que facilitem a medição e a implementação de programas de viagens corporativas mais sustentáveis”. Enquanto, 46% já possui ferramentas de software para oferecer apoio nas viagens corporativas, 86% ainda não as considera, referem as respostas.

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Turismo não chega para travar quebra da economia

A economia portuguesa cresceu 7,1% entre abril e junho deste ano, face ao mesmo período do ano passado, altura em que se viviam ainda os efeitos da pandemia, mas estagnou em relação ao primeiro trimestre do ano e o turismo voltou a ser o motor da economia. No entanto, o turismo “não deverá ser suficiente” para conter o enfraquecimento económico.

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O Fórum para a Competitividade apontou que tendo em conta os indicadores disponíveis no 3.º trimestre, a economia deverá desacelerar, sobretudo, no consumo privado, e, em Portugal, o turismo não será suficiente para travar esta quebra.

“Os indicadores disponíveis do 3.º trimestre apontam para uma desaceleração da economia, mais nítida no caso do consumo privado, a componente da procura que está a ser mais afetada pela forte subida de preços e concomitante redução do poder de compra”, lê-se numa nota de conjuntura do Fórum para a Competitividade, citada pela Agência Lusa.

O grupo de economistas sublinhou ainda, de acordo com notícia da Lusa, que a subida das taxas de juro ainda não foi “inteiramente sentida” pelas famílias, sendo que deverá acentuar-se nos próximos trimestres, tendo por base as últimas indicações do Banco central Europeu (BCE).

Esta análise aponta também que “quase todos os riscos” de desaceleração internacional se agravaram, nomeadamente, com os indicadores europeus em território negativo no início do 2.º semestre, a que se somam a inflação, preços da energia, taxas de juro e riscos geopolíticos.

“Para os próximos meses, também se espera um agravamento, desde logo pela promessa dos bancos centrais de serem muito mais duros no combate à inflação, deixando entender que não evitarão provocar uma recessão se isso for necessário para controlar a subida de preços”, acrescenta o documento ainda citado pela Agência Lusa

 

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Os “novos” hábitos dos turistas no pós-pandemia

Com a vontade de viajar em alta, uma recente análise da TravelBoom indica que os custos crescentes estão a afetar os planos de viagem dos turistas.

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Os resultados de um estudo recente da TravelBoom, agência de marketing digital orientada por dados para hotéis, resorts e empresas de alojamento local, revelam mudanças no planeamento de viagens e no comportamento de reservas à medida que se anteveem os impactos causados pelo aumento dos custos.

O estudo examina a mentalidade e o comportamento dos viajantes desde o início da ideia de realizar uma viajar até como interagem com os destinos escolhidos antes, durante e depois da estadia.

Entre as conclusões, o estudo destaca os custos crescentes que estão a afetar os planos de viagem. 36% dos viajantes referiram que podem cancelar as férias planeadas devido a preocupações com o orçamento.

Outros dos “novos” aspetos é que os viajantes estão a realizar cada vez mais pesquisas online, salientando que o viajante médio consulta 5,5 sites durante o processo de reserva.

Outro dos fatores que afetam os planos de viagem estão relacionados com os custos de transporte, comodidades e programas de fidelidade que poderão afetar a decisão de um viajante.

A COVID-19 também continua a influenciar as viagens, verificando-se que 55% da população ainda considera a pandemia antes de reservar viagens. Por exemplo, apenas 13,5% dos viajantes de lazer americanos dizem que a COVID-19 é uma grande influência nas viagens, em comparação com 45% dos viajantes canadenses, concluindo-se que a pandemia continua a causar um impacto significativo nas viagens internacionais.

Já as avaliações nunca foram tão importantes para os viajantes que escolhem onde ficar. 82% dos viajantes não reservam uma estadia sem primeiro ler as avaliações.

Finalmente, os sites de alojamento local estão a concorrer com as agências de viagens online, destacando-se os crescimentos de plataformas como a VRBO ou Airbnb.

Pete DiMaio, COO da TravelBoom, considera que “as viagens de lazer continuam a ser uma das indústrias mais impactadas no período pós-pandemia e os consumidores estão muito conscientes da inflação, persistentes preocupações com a COVID-19, juntamente com altas expectativas para destinos e alojamentos”.

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Negócios no setor das viagens e turismo cai 39% em julho

O mês de julho foi negativo para a atividade negocial no setor das viagens e turismo, apontando a GlobalData quebras de dois dígitos face a junho de 2022.

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Um total de 73 negócios foram anunciados no setor global das viagens e turismo em julho de 2022, representando um decréscimo de 39,2% em relação aos 120 negócios anunciados em junho de 2022, de acordo com a GlobalData.

A consultora internacional revela que muitos dos principais mercados globais do setor das viagens e turismo testemunharam uma desaceleração nas atividades de negócios em julho de 2022. Mercados como os EUA e o Reino Unido testemunharam uma quebra de 51,3% e 42,1% no volume de negócios em julho de 2022 em comparação com junho de 2022, respetivamente, salientando a GlobalData que a atividade de negócios também permaneceu moderada noutros mercados, como Índia, Espanha, China, França e Alemanha.

Aurojyoti Bose, analista da GlobalData, refere que a atividade de negociação no setor das viagens e turismo permaneceu “inconsistente ao longo de 2022”, com alguns meses a registarem uma “melhoria seguida de um declínio”, frisando que essa tendência é “predominante em vários mercados importantes”.

Os dados mostram que os anúncios de fusões e aquisições (M&A), financiamento de risco e negócios de private equity diminuíram em julho. O número de negócios de M&A caiu 42,9%, financiamento de risco 37,5% e private equity 16,7% em julho em relação a junho de 2022.

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Empresas do turismo apontam ESG, geopolítica e COVID como fatores de maior pressão em 2022

Mais do que a geopolítica e a pandemia, as questões relacionadas com a ESG estão entre as maiores preocupações das empresas do setor do turismo, indica a GlobalData.

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geopolíticaAs questões relacionadas com o Ambiente, Social e Governança Empresarial (Environmental, Social and Corporate Governance – ESG, em inglês), geopolítica e COVID-19 são os três temas destacados pelas empresas do turismo na Europa e que mais pressão exercem sobre a indústria turística europeia em 2022, segundo avança uma análise da GlobalData.

Para Hannah Free, analista de viagens e turismo da GlobalData, “a lei da UE exige que muitas empresas de grande porte divulguem informações sobre a maneira como operam e gerem os desafios sociais e ambientais. Muitos viajantes agora também exigem maior transparência das empresas e estão cada vez mais cautelosos com as tentativas de ‘greenwashing’”, salientando que “este escrutínio por parte de legisladores e consumidores forçou as empresas de viagens de todos os tamanhos a colocar as questões ESG no centro das suas operações.”

A análise da GlobalData mostra que as questões relacionadas com a geopolítica atingiram o pico em março de 2022, um aumento de 338% face ao mês anterior de fevereiro a admitindo o relatório que tal aconteceu à medida que “inúmeras empresas reagiram ao conflito na Ucrânia”.

Contudo, a análise frisa que o conflito teve um impacto “limitado” nas empresas de viagens e procura turística dentro da Europa, fazendo referência ao inquérito realizado pela European Travel Commission (ETC) que indicara que perto de 44% dos europeus inquiridos referira que “o conflito não tinha afetado os planos para as férias”, e somente 4% tinha cancelado completamente quaisquer férias.

Hannah Free refere ainda que o inquérito realizado pela GlobalData mostra que 66% dos europeus estão “extremamente” ou “algo” preocupados com “o impacto da inflação nos seus rendimentos”, admitindo mesmo que “as perspectivas do turismo podem ser ameaçadas pelas repercussões, pois a consequência final é a erosão dos rendimentos disponíveis”.

Segundo Free, “resta saber como as famílias em toda a Europa (especialmente as de baixo rendimento) farão uma compensação em termos de gastos com viagens”. Assim, enumera várias possibilidades: “os turistas podem optar por não viajar, podem viajar no país em vez de irem para fora, viajar para um destino que consideram mais acessível ou negociar, por exemplo, ficar num hotel económico em vez de preço médio”.

Naturalmente que a pandemia de COVID-19 manteve-se como tema principal ao longo deste ano de 2022, embora de janeiro a junho deste ano, as menções à pandemia tenham decrescido em 54%, sugerindo que “deixa de estar nas preocupações dos europeus”.

Os dados resultantes do estudo da GlobaData mostram que 53% dos inquiridos “não estão preocupados” ou “estão menos preocupados” com o alastramento da COVID-19 à medida que “se flexibilizam as restrições nas viagens e aumentam as taxas de vacinação”.

Por isso, Free conclui que, “embora a COVID-19 provavelmente continue a ser um item nos registos da empresa no futuro próximo, há motivos para ser cautelosamente otimista”, prevendo que “as partidas internacionais de países europeus aumentarão 125% de 2021 a 2022”. Assim, “as empresas do setor do turismo que sejam capazes de orientar com sucesso esses temas com recursos a investimento, gestão e estratégia permanecerão ou emergirão como líderes do setor”.

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Desejo de viajar dos portugueses supera a média europeia, revela a TLN

Um estudo da Travel Lifestyle Network (TLN) revela, que o desejo de viajar dos portugueses está acima da média europeia e o comportamento de compra de viagens do mercado português encontra-se ligeiramente acima do de outros mercados.

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Encomendado este ano pela principal rede de agências de comunicação especializadas no setor do turismo e das viagens, Travel Lifestyle Network, e desenvolvido pelo ‘think tank’ britânico Thrive e pela empresa de ‘market intelligence’ AudienceNet, o relatório analisa os principais fatores que influenciam a escolha de destinos dos portugueses e de consumidores oriundos de outros 27 países.

Mais de 179 mil pessoas em 28 países, incluindo Portugal, foram inquiridas pelo Global Web Index durante o primeiro trimestre de 2022. A amostra no nosso país foi constituída por 2.354 inquiridos.

Por outro lado, o estudo indica que a relação custo-benefício constitui o principal fator na escolha de um destino de férias, numa altura em que os portugueses revelam uma assinalável avidez de descobrir o mundo.

Assim, este fator surgiu em primeiro lugar com um total de 54%, em comparação com os 26% dos seus equivalentes europeus. Para 36% dos portugueses, a meteorologia/época do ano é um fator importante, enquanto 22% procura uma experiência cultural, 18% uma experiência relaxante e 17% uma experiência única na vida.

Entretanto, as boas infraestruturas para crianças/famílias e poder visitar amigos/família reúnem 15% das preferências, e 13% dos inquiridos procura ofertas especiais/promoções.

O estudo conclui também que 61% dos portugueses considera as viagens como um “interesse pessoal” – valor superior à média dos restantes países analisados, que foi de 46%. 52% dos portugueses identifica-se com a frase “Gosto de explorar o mundo”, em comparação com os 46% globais.

Enquanto 11% dos inquiridos a nível global, nos últimos três a seis meses, adquiriu férias para o estrangeiro, 24% preferiu dentro do próprio país. Em Portugal, 12% dos inquiridos fê-lo para o estrangeiro no período homólogo e 25% optou por ficar no país, reforçando a tendência crescente de turismo doméstico.

Para Ruben Obadia, CEO da Message in a Bottle, agência de comunicação portuguesa especializada em turismo e membro da Travel Lifestyle Network, as conclusões do estudo da TLN são simples: “a percentagem de portugueses que veem as viagens como um interesse pessoal (61%) está acima da média global (46%)”.

Além disso, reforça que “os resultados refletem um claro desejo de viajar, o que é natural neste clima pós-Covid e, de certa forma, faz parte do ADN explorador dos portugueses”. Contudo, o responsável da agência membro da TLN salienta que “os resultados alertam para a necessidade de ter em conta a relação custo-benefício, que em 2022 se tornou um fator de escolha determinante para 54% dos inquiridos nacionais”.

O inquérito revelou ainda que, nos próximos 3 a 6 meses, 20% dos portugueses planeia adquirir férias no estrangeiro e 29% tenciona permanecer em território nacional.

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Nova edição: A (in)decisão do aeroporto, Cabo Verde, DP Tours Plus e BTL 2023

A indefinição quanto ao novo aeroporto de Lisboa e as perdas daí resultantes, dossier Cabo Verde, os planos da DP Tours Plus, lançamento da BTL 2023, Check-in e opiniões compõem a última edição do Publituris para o mês de julho.

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A última edição do mês de julho do Publituris, faz capa com a “velha” questão da localização do aeroporto para a região de Lisboa. A Confederação do Turismo de Portugal (CTP) apresentou, recentemente, um estudo realizado pela EY, que aponta não para a escolha de uma das localizações estudadas (e já lá vão 17), mas para as perdas que o setor do turismo e economia portuguesa sofrerão.

O cenário mais pessimista aponta para uma perda de receitas superior a 21 mil milhões de euros. Daí pedir-se urgência numa decisão.

Além disso, trazemos um dossier especial dedicado a Cabo Verde que, mais do que um destino, é o destino de férias dos portugueses. Sónia Regateiro, COO da Solférias fez uma viagem virtual por um destino onde existe uma oferta que vai para além do sol e praia.

Em entrevista, Jorge Spencer Lima, presidente da Câmara do Turismo de cabo Verde (CTCV), passa em revista os grandes desafios que se colocam aos empresários do país, admitindo que “a promoção no mercado português passa por uma maior agressividade e presença nos media como forma de se transmitir uma mensagem de um destino seguro e amigo do turista português”.

Marcos Rodrigues, presidente da Câmara do Comércio do Sotavento (CCS), por sua vez, admite-se “convicto” que Cabo Verde tem ainda um grande potencial por descobrir e que “é importante e há que fazer mais para atrair muitos mais portugueses na área do investimento”.

Para além dos produtos sol e mar, já sobejamente conhecidos em Cabo Verde, surge a necessidade de se divulgar outros locais com características que se enquadram nas novas tendências da procura turística. Neste contexto, Santo Antão tem forte potencial por causa das suas características singulares e tem dados passos com vista a tornar-se num grande destino de turismo de natureza e ambiental.

Finalmente, Carlos Salgueiral, administrador-delegado da Cabo Verde Airlines, admite que a companhia quer voltar a ser parceiro da operação turística em Portugal.

Nos “Transportes”, fomos conhecer a nova oferta da DP Tours Plus. Diamantino Pereira, fundador e diretor-geral da empresa, faz um balanço positivo do arranque e revelou alguns planos para o futuro que, apesar dos desafios, passam pelo crescimento.

No “Meeting Industry”, e após um regresso em 2022, a BTL do próximo ano pretende reforçar a aposta na internacionalização e deu a conhecer os melhores stands da última edição.

Além do “Check-in”, as opiniões pertencem a Carlos Torres (jurista e professor da ESHTE), Jaime Quesado (economista e gestor) e António Paquete (economista).

Boas leituras!

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Perfis mais procurados no Turismo são chefes de cozinha, de receção e de sala

São os chefes de cozinha, de receção e de sala os perfis mais procurados no setor do Turismo, que se vê a braços com a falta de profissionais, revela o “Guia Laboral do Mercado Laboral 2022”, elaborado pela Hays Portugal, e que apresenta as tendências de emprego e salários, numa perspetiva de compreender o mercado de trabalho no nosso país.

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Os dados e opiniões aqui apresentados neste guia baseiam-se nos resultados dos inquéritos realizados e nos conhecimentos de mercado dos consultores da Hays, realizados de outubro de 2021.

O setor do Turismo e Lazer foi um dos mais afetados pela pandemia, com os últimos dois anos marcados pela forte instabilidade, levando a que muitos profissionais tivessem que abandonar o setor e hoje, muitos mostram-se receosos em regressar a este mercado.

Este cenário, segundo Benedita Lencastre, Consultant na Hays Portugal, “levou à grande dificuldade em recrutar perfis de operação, tendo em conta que grande parte destes profissionais mudaram de área ou abandonaram o setor”, obrigando as empresas a “se adaptar e recrutar perfis de outros setores”.

Como principal tendência do setor verifica-se uma movimentação de perfis de chefes de cozinha, chefe de receção e chefe de sala. A especialista, citada em nota de imprensa, explica ainda que, na zona de Lisboa, a abertura de novas unidades hoteleiras levou à continua aposta no investimento em perfis de marketing digital, com foco em CRM, “numa ótica de fidelizar e atrair novos clientes”, enquanto na zona do Grande Porto, a tendência é para uma movimentação de perfis seniores de F&B e comerciais “consequência também da abertura de vários hotéis na região”, acrescenta.

Seguindo a tendência de anos anteriores, o perfil de cozinheiro foi um dos mais solicitados, embora nem sempre fácil de encontrar, tendo em conta as caraterísticas que os recrutadores procuram – perfil especializado com capacidades de trabalho em equipa e gestão de stress, revela a responsável, para destacar que o mesmo se verifica com o perfil de responsável de restaurante, onde “a incerteza do mercado, levou estes profissionais a mudar de setor durante a pandemia”.

Por outro lado, a redefinição e diminuição de equipas nas estruturas destes grupos levaram a que a posição de chefe de receção fosse umas das mais afetadas, “fazendo com que este profissionais passassem a acumular novas funções”. No entanto, com a perspetiva de aumento do volume de negócios, “tem sido necessário reestabelecer esta posição” realçou.

Para este ano, e com a chegada do verão, a análise perspetiva um grande movimento em várias posições operacionais, ao mesmo tempo que a retoma do turismo em massa irá requerer que as empresas aumentem as equipas. “O foco no Marketing Digital, numa ótica de retenção e atração de clientes, será também uma tendência”, revela Benedita Lencastre.

“Em termos de oferta salarial e benefícios, a incerteza de mercado e escassez de profissionais com experiência consolidada poderá levar a uma adaptação por parte das empresas, obrigando a um aumento salarial e melhoria dos benefícios do trabalhador. A retoma das unidades hoteleiras, que estão gradualmente a crescer e a reforçar as equipas, poderá levar a uma maior atração por parte dos candidatos”, conclui.

A primeira parte desta edição conta com uma análise das motivações de profissionais e empresas através de um inquérito anónimo com base nas respostas de 2.864 profissionais qualificados e 901 empregadores, que incidiu sobre as regiões do Norte, Centro e Sul de Portugal. A segunda parte conta com uma análise das dinâmicas de recrutamento em áreas e setores de mercado específicos.

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