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“Encontrar a palavra turismo no PRR é como encontrar o Wally”

Reeleito para mais um mandato à frente da Confederação do Turismo de Portugal, Francisco Calheiros, acredita na recuperação do turismo. Para tal, haja aeroporto, TAP e, fundamentalmente, empresas e empresários.

Victor Jorge
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“Encontrar a palavra turismo no PRR é como encontrar o Wally”

Reeleito para mais um mandato à frente da Confederação do Turismo de Portugal, Francisco Calheiros, acredita na recuperação do turismo. Para tal, haja aeroporto, TAP e, fundamentalmente, empresas e empresários.

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Em maio de 2022, faz uma década que está à frente da Confederação do Turismo de Portugal e Francisco Calheiros espera estar a meio caminho na recuperação da indústria do turismo. Para já, ficam, em entrevista ao Publituris, as críticas à falta ou demora nos apoios e a esperança de que, quando a tal desejada retoma chegar, existam empresas, empresários, oferta, mas também capacidade para receber quem nos quer visitar. Ou seja, chega de meio século de discussão relativamente a um novo aeroporto.

Foi reeleito para um novo mandato à frente da CTP. Pergunto-lhe, nesta conjuntura ímpar e desafiante, o que ficou por fazer e o que transita para este mandato que termina em 2024?
Nestas atividades associativas ou confederações, fica sempre qualquer coisa por fazer e há muita coisa por fazer. Mas pensar no que foi o último mandato com o início deste, é como o dia e a noite.

Em 2018, estávamos a culminar nove anos de crescimento e lembro-me de, na altura, o gravíssimo problema que tínhamos com falta de mão-de-obra. Agora começamos um mandato onde, obviamente, esse problema não se coloca.

Este mandato começa por termos de olhar para o curto prazo, mais do que, propriamente, para o médio e longo prazo.

O que é o curto prazo?
O curto prazo é seis meses.

Portanto, ainda é 2021?
Sim, sem dúvida, ainda 2021. É evidente que temos inúmeras questões que deveríamos discutir. Desde questões gerais que não têm só a ver com o turismo. Uma reforma do Estado adiada há décadas, problemas com a demografia, com a natalidade.

Ou seja, questões estruturais?
Exatamente, mas que são a médio prazo. Contudo, também há questões estruturais para o turismo e que têm a ver, por exemplo, com o aeroporto.

Mas o aeroporto é a médio prazo quando está a ser discutido há cerca de 50 anos?
Tem razão, mas como disse, neste momento, temos de garantir que a oferta que existe se mantém instalada. A prioridade da CTP tem de ser a manutenção dos postos de trabalho e, sobretudo, a sobrevivência das empresas.

O que acontece é que, esta pandemia foi projetada e já dei este exemplo, dezenas, senão centenas de vezes, para saber se conseguíramos salvar a Páscoa de 2020. Já imaginou o que já passou desde março do ano passado?

Mas já fez este exercício: se não tivéssemos pandemia, que desafios é que a CTP estaria a debater?
Seriam completamente diferentes. Aeroporto, em primeiro lugar. Vamos ser claros, se em 2020 não tivesse havido pandemia, eu não sei o que se passaria no Aeroporto da Portela, mas seria, de certeza, outro desastre.

2019 já tinha sido complicado.
Agora imagine 2020, sem pandemia? Recordando janeiro e fevereiro de 2020, não havia razão para não acreditarmos que o turismo não crescesse a um ou dois dígitos.

Aliado ao problema aeroporto, o outro ponto que já foquei da falta de mão-de-obra.

Mas falta de mão-de-obra ou falta de mão-de-obra qualificada?
Esse é outro problema. Em 2016 falava em mão-de-obra qualificada. A partir de 2018, deixei cair a palavra “qualificada”. Nós não tínhamos mão-de-obra. Mas, para este mandato, essa é uma preocupação que só surgirá se as empresas sobreviverem.

O que lhe digo é que acaba em abril o pagamento dos 100% para empresas com quebras acima de 75%. Isto foi definido há três meses. Não sei se estava certo ou errado, o que não estava previsto era que em maio continuássemos praticamente a não ter atividade turística.

E não há possibilidade de redefinição desses apoios?
A minha esperança é que estes apoios sejam prolongados, pelo menos, até junho.

Uma realidade dramática
Vai fazer um ano que a CTP apresentou 99 medidas de apoio à atividade turística, bem como propostas para a capitalização das empresas. Depois de termos desconfinado, voltado a confinar e, agora, novamente em desconfinamento, que medidas foram aceites e postas em práticas e o que ficou na gaveta?
Em termos gerais e, especificamente, no turismo, houve uma medida em que o Governo esteve bem: o layoff e a medida de apoio à retoma.

Relativamente a outras medidas de apoios às empresas em geral e no turismo, estas são medidas burocráticas, lentas e insuficientes. Vamos pegar nas últimas. Algumas ainda estão no papel como, por exemplo, aquela dos 300 milhões para o turismo. Outras, como o reforço do Apoiar já estão esgotadas. O que é que isto quer dizer? Quer dizer que, se uma já está esgotada e a outra ainda não chegou, então são claramente insuficientes.

Portugal investiu muito pouco na recuperação. Tem de fazer mais, ou melhor, muito mais e rapidamente.

Nós nunca nos pronunciamos em questões sanitárias. Mas há uma questão económica que nos pronunciamos e muito. Uma pandemia que dura há mais de um ano e na qual a taxa de desemprego nem reflete este ano de pandemia, a decisão que está do lado do Governo é muito simples. Isto é um trade-off muito simples. Aguentar as empresas e dar valor ao esforço e à resiliência que essas empresas e empresários demonstraram. Muitas vezes perguntam-me, como foi possível aguentar? Foi possível, porque tivemos 10 ótimos anos de turismo e os empresários gastaram todas as suas poupanças que ganharam nestes anos para manter as empresas e postos de trabalho.

“Estando o PRR dentro do PE e alertando o PE para a necessidade de haver uma recuperação do turismo, por que razão ignora o PRR o turismo?”

Mas há um limite. Quando atingimos esse limite?
Esse limite já foi atingido. E como disse, ou o Governo mantém essas empresas e quando abrirem os corredores turísticos há oferta instalada, há companhias aéreas, há aeroporto, há hotéis, restaurantes, rent-a-cars e os turistas vêm para cá ou, se não existir isto tudo, eles não vêm.

E se esses turistas não vierem, aí não fecham 10 ou 20% das empresas. Aí fecham todas. Pode ter a certeza. E com isso, vão centenas e centenas de milhares para o desemprego.

Portanto, reforça o que disse em fevereiro passado quando afirmava que, se o Governo não atuar com rapidez, não haverá empresas para salvar?
Cada dia que passa a situação é mais dramática. Eu já não falo daquelas atividades que estão proibidas, como discotecas, bares, etc.. Falo das que não estão proibidas – hotéis, restaurantes, agências e viagens e outros – com quebras de 70 e 80%. Há inúmeras despesas fixas que, por mais que o Governo apoie, não tem sido suficiente.

O Banco de Portugal avança que se perderam 12 mil milhões de euros em receitas do turismo neste ano de pandemia.
Isso é um bocadinho de dinheiro, não é? Mas também não tenho dúvidas que esse valor vai voltar, haja oferta.

Nós continuamos cá com tudo, não perdemos nada. Há é uma proibição de viajar, mas a ansiedade das pessoas para viajar é enorme.

Mas relativamente a essa ansiedade para viajar, como é que olha para a questão do Certificado Verde Digital e a implementação do mesmo a tempo de, eventualmente, salvar o verão?
Antes da questão do certificado, tínhamos vários países ou cada país a impor as regras que achava mais convenientes.

Dentro da UE?
Dentro e fora da União Europeia. Para uns tinha de ser com vacina, para outros com teste, para outros era quarentena. O que é que a CTP defendeu e defende: chamem o que quiserem, mas a Europa tem de funcionar. A regra que vier a ser definida tem de ser comum aos 27 Estados-Membros, interna e externamente.

Ou seja, funcionar, efetivamente, como uma União?
Exato e que às vezes parece tudo menos unida. Um alemão, um americano, um finlandês, que viaje dentro do espaço europeu ou para fora dele, tem de saber com o que contar. Tem de saber quais são as regras.

A pior coisa que pode acontecer na Europa é que a questão sanitária seja ou se torne numa questão concorrencial.

Tal como na questão dos corredores turísticos em que houve países que aproveitaram a tal desunião existente?
Lá está, o que nós queremos é uma regra que defina bem o jogo.

Mas acha que aí a União Europeia foi mais desunida do que unida?
Acho que sim, tem de ser mais Europa, mais União. Aí tem de ser como fazem os ingleses, tem de ser “mandatory”. Não pode ser facultativo.

O Wally do PRR
Portugal foi o primeiro país a apresentar o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) a Bruxelas. Nas suas várias intervenções existia sempre a critica de que o turismo não existe no PRR. Como é que gostaria de ver o setor do turismo espelhado no documento?

Esta vai pagar direitos de autor, mas, de facto, encontrar a palavra turismo no PRR é como encontrar o Wally.

Além do PRR, acabou de sair o Plano de Estabilidade (PE), que estamos a estudar, e como sabe o PRR está dentro do PE. Este último diz o seguinte: atenção que o turismo de 2009 a 2019 foi determinante para a recuperação da economia portuguesa. Neste sentido, e com um PE que tem o PRR incluindo, é fundamental ter medidas muito concretas e específicas para o turismo.

Por isso, se ler primeiro o PE e depois o PRR, vai para o PRR excitadíssimo, já que o PE diz que no PRR têm de estar lá as medidas e deverão ser “toneladas delas”. Porém, é como encontrar o Wally.

“Diria que o turismo perdeu entre 42.000 a 45.000 pessoas durante a pandemia”

O que fizeram durante a consulta pública do PRR?
Nós enviámos um trabalho muito bem feito e que tinha propostas muito concretas. O que o Governo nos diz é que não é no PRR que essas medidas concretas devem estar, que há mais no PE, mais no Portugal 2020-30 e no Quadro Financeiro Plurianual.

É uma resposta, mas não convencidos e satisfeitos com a resposta fomos procurar se os nossos concorrentes também fizeram isso. O PRR de Espanha, por exemplo, não fala no turismo. Tem, antes, um capítulo inteiro específico para o turismo e que dá pelo nome de “Plano de Modernização e Competitividade do Turismo”. Depois fomos a Itália, igual a Espanha. Só muda o nome para “Turismo e Cultura 4.0”.

Portanto, esta é uma decisão do Governo português.

Mas o que ainda estranhamos mais é que, após a consulta pública do documento, apareceram capítulos específicos para a cultura e para o mar. Com o maior respeito que tenho pela cultura e pelo mar, não entendo como é que vindo do PE a recomendação “cuidado com a baixa do turismo, é obrigatória colocá-la em alta para fazer regressar 2019”, pura e simplesmente se tenha ignorado tal recomendação.

Estando o PRR dentro do PE e alertando o PE para a necessidade de haver uma recuperação do turismo, por que razão ignora o PRR o turismo?

Portugal lá fora
Estamos numa nova fase do desconfinamento. Lembro-me de sugerir uma mega-campanha internacional, de forma a mitigar a má imagem que o país passou. Ainda mantém essa sugestão?

É verdade. De facto, olha-se para trás e ninguém percebe porque se passou do 8 para o 80 e depois do 80 para o 8. Quando estávamos naquela situação dramática, fiquei, naturalmente, preocupadíssimo. Porquê? Porque abrir os telejornais na Europa e no mundo a dizer que Portugal era o país com mais infetados por 100 mil habitantes era uma péssima imagem. Não tenho dúvida nenhuma de que, quando as pessoas começarem a marcar as suas férias, irão, antes, ver como está a situação sanitária de determinado país. E aqui, Portugal passou por uma fase horrível.

Mas, pelo facto de termos uma pandemia, de as pessoas não viajarem há mais de um ano e pelo facto dos destinos concorrentes de Portugal (Espanha, Itália, Grécia) passarem pelos mesmos problemas quando isto abrir – e temos tido muitas conversas com o Turismo de Portugal(TP) – temos de lançar, urgentemente, uma mega-campanha. Não tanto a dizer que estamos bem, isso as pessoas podem ver, mas tudo aquilo que compõe a campanha promocional de um país como as negociações das rotas aéreas, vinda de jornalistas estrangeiros, artigos publicados lá fora no online e offline, aquilo que o TP me tem dito é, “Francisco, está tudo pronto!”. O que acontece é que estão a tentar prever quando é que isto abre, porque também não vale a pena ter razão antes de tempo. As reservas, neste momento, são muito imediatas. Nós temos o exemplo do ano passado, em agosto, com o Reino Unido foi impressionante. Lembra-se que o corredor inglês sempre teve fechado com Portugal. Abriu uma semana em agosto. Pois foram mais de 50 voos diários para Faro.

Quando é que essa campanha deveria ser lançada?
Diria, já!

Mas quando focou os concorrentes de Portugal, todos vão estar em pé de igualdade. Além desses, ainda teremos Tunísia, Marrocos, Egipto, Turquia, etc..
Sim, essa é uma “ameaça” real. Vamos ter mais concorrência, mais competição, razão pela qual temos de ter urgentemente uma campanha internacional fortíssima. Ou seja, antecipar, até porque há mais gente a concorrer.

O “novo velho” aeroporto
Como focou logo no início da nossa conversa, a maioria desses turistas vêm, não de carro, mas de avião. E aí, Portugal terá um grande problema para resolver?
Lembro-me da primeira reunião que tive com o ministro Pedro Nuno Santos, por causa do problema TAP e aeroporto, no ano passado. Eu, na altura, já referia que não se conseguia resolver um problema em praça pública e o aeroporto era abertura de telejornais. A COVID pôs-lhe um tampão. E disse, “esta é a altura certa para aproveitar, nos bastidores, negociar e fazer o aeroporto”. É com grande desgosto e é essa a palavra certa, desgosto, pensar que já passou mais de um ano e evoluímos zero.

“Nós temos defendido muito a opção Montijo”

Evoluímos ou andámos para trás?
Tem toda a razão. Regredimos. Neste momento estamos a realizar um Estudo de Impacto Ambiental Estratégico para três soluções. Portanto, este estudo vai adiar, mais uma vez, algo de urgente resolução. Ora, se segundo as perspetivas mais pessimistas apontam para que, em 2024, estarmos muito perto do que era 2019, esqueça aeroporto.

É inaceitável, inacreditável.

Mas aí só está a equacionar Montijo, porque se a solução for Alcochete, teremos aeroporto dentro de uma década?
Nem quero ouvir falar nisso. É preciso não esquecer que o aeroporto é uma obra estruturante para o país. Que é de importância fulcral para o turismo? É! Mas não só. Será fundamental para toda a atividade económica.

Uma empresa exportadora que venha ver a capacidade do nosso principal aeroporto, é razão mais do que suficiente para ir embora ou não querer vir para Portugal.

Acho que é algo que nos deve envergonhar a todos. Estar a discutir há 50 anos a localização de um novo aeroporto.

Teme que se veja inscrito a mesma expressão que se viu por causa da Barragem do Alqueva: “Construam-me, porra!”?
Não sei se me está a querer dar ideias, mas para evitar repetições, optar, eventualmente, por um: “Porra, construam-me!”.

Eventualmente, quando voltar a entrevistar-me depois do final da pandemia e perguntar-me que desafios temos agora pela frente, talvez lhe responda na altura que não temos mais nenhuns, porque não há mais nada para fazer, porque não cabe mais ninguém no aeroporto.

Mas do lado da CTP existe alguma preferência ou a questão é, precisamos de um aeroporto, seja ele no Montijo, Alcochete, Alverca, Ota, etc.?
Nós temos defendido muito a opção Montijo. Porquê? Por causa de três questões. (i) A opção Montijo mantém a Portela viva e, quer queiramos ou não, a Portela é um fator de competitividade para a cidade gigantesco. (ii) A opção Montijo é a opção mais rápida e barata. (iii) Depois, falamos do Montijo, parece que ninguém sabe o que já lá está. Montijo é uma base aérea. Ora, já lá está, praticamente, tudo.

Falar em aeroporto é ter de falar da TAP. Vamos ter TAP, vamos ter “TAPzinha”?
Não conheço o plano de reestruturação da TAP. Se é preciso um plano de reestruturação? Bem, a maior parte das companhias aéreas está a ser reestruturada. Portanto, a TAP, com o que conhecemos, dificilmente, escaparia a uma reestruturação. Do que conhecemos da TAP, há que referir a importância das duas apostas feitas no Brasil e nos EUA. Nós tivemos em Portugal brasileiros e americanos como nunca. Porquê? Porque é o voo direto que impulsiona o tráfego. O que se pergunta é o seguinte: com a reestruturação e baixa de 20 ou 30 aeronaves é possível manter a política de ‘hub’? A TAP diz que sim, eu não sei.

Porque perdendo esse hub?
Nem quero pensar nisso.

“Com a reestruturação e baixa de 20 ou 30 aeronaves é possível manter a política de ‘hub’? A TAP diz que sim, eu não sei”

Mas além dessa questão coloca-se, igualmente, a problemática do CEO.
O Fernando Pinto quando veio, veio com homens-chave. O Antonoaldo Neves trouxe uma equipa inteira. Agora vem um CEO sem equipa? Outra questão: quando se abre um processo de reestruturação e de rescisões, não pode sair quem quer, sai quem não fizer falta à empresa. Vai falar com qualquer agência ou operador, o que eles dizem é que não têm com quem falar. Isso preocupa-nos.

Mas será que é a gestão pública que está a dificultar a vinda de um novo CEO?
Não sei, mas que está a dificultar, acredito. Até porque, quando chegar, não vai ver o que pode ou deve fazer. Não, vai fazer o que já foi submetido e aprovado. Vamos ver quem aceitará esse jogo.

Venha lá essa retoma
A retoma que aí vem poderá ser desfavorável para o turismo, na medida em que, com tanta concorrência, a primeira coisa que se fará é baixar preço? Portugal é um destino “demasiadamente” barato?
Não concordo com quem afirma isso. Vamos ser realistas, um país que tem 27 milhões de turistas, em 2019, tem de tudo. Isto não é um turismo de nicho. O melhor local para ver isso é o Algarve. Tem lá, desde o turista de massas até ao turista de 5 e 6 estrelas.

Mas vou recordar algo que as pessoas se esquecem. Antes de 2009 houve muito oferta criada que não foi acompanhada pela procura. De 2009 para trás, crescemos muito pouco. De 2009 a 2019 aconteceu exatamente o oposto, ou seja, a procura foi maior que a oferta. O que é que aconteceu de 2009 a 2019? O REVpar cresceu sempre mais do que o número de turistas, ou seja, nós tivemos de aumentar os preços sempre acima da procura.

Pode perguntar-me, acha que isto agora vai sofrer um revés? Sim, acho. Quando os hotéis estão cheios, é fácil dizer, não baixo preço. Mas agora, estamos com hotéis a 40% e menos, muito menos.

Não podemos perder a noção do seguinte, há lugar para todos. Temos turismo de 6 estrelas, 5 estrelas, de 4, 3, 2 estrelas.

E há que manter?
Sem dúvida, há que manter. Há toda uma oferta instalada nesse sentido. Não se esqueça que Portugal é considerado, de 2019 para trás por quatro vezes consecutivos o melhor destino de golfe do mundo. O turista de golfe é do que mais dinheiro gasta.

As cidades de Lisboa e Porto eram das cidades mais procuradas para congressos.

Até o setor automóvel, com as apresentações internacionais …

Não há apresentação internacional de automóvel que Portugal não seja considerado. Eu lembro-me de uma marca automóvel que trouxe a Portugal 6.000 jornalistas. Ora, isso é imbatível.

Mas houve muita gente no turismo de negócios a enveredar pela “facilidade” do digital?
Há um turismo de negócios que foi ensinado por esta pandemia a fazer coisas digitalmente. O Zoom e o Teams e outras soluções vieram questionar aquela reunião a Madrid ou a Paris por 2 ou 3 horas.

Posso organizar um congresso médico com 6.000 ou 10.000 pessoas no digital? Posso, mas não é a mesma coisa.

O que sobrará ou sobreviverá do setor do turismo? Tem noção de quantas empresas, empregos se perderam?
Não temos a bola de cristal. O que temos vindo a saber é que o número de empresas a fechar não tem sido muito diferente de anos anteriores. Quanto ao desemprego, é,provavelmente, a atividade em que mais se sentiu isso. Os números que temos são do INE referentes à hotelaria e restauração. Diria que o turismo perdeu entre 42.000 a 45.000 pessoas durante a pandemia.

Considerando que vamos ter prolongamento de layoff, que as medidas do Governo vão ser mais incisivas até setembro, que iremos ter um verão mais normal, a capacidade de vacinação vai ser maior, que em setembro já poderemos ter a tal imunidade de grupo, diria que, tenho alguma esperança que a maior parte da nossa oferta instalada se mantenha. E aqui, temos de dizer isto muito claramente, tem de haver um elogio muito grande às associações do setor e aos empresários do turismo. Têm aguentado estoicamente. Tem havido uma atitude de responsabilidade por parte dos atores do setor do turismo que temos de salientar. Não vejo ninguém a baixar os braços. Empresas proibidas de funcionar, não é perder 50% ou 75%. É perder 100%.

Os 10 anos de capitalização esfumaram-se?
Como se costuma dizer, a carninha está toda no assador.

Ainda faltam cerca de 5 meses para o Dia Mundial do Turismo e para o dia do evento da CTP.  Mas como gostaria de abrir o seu discurso nesse dia 27 de setembro?
Boa tarde, muito bem-vindos a este dia 27 de setembro a mais um Dia Mundial do Turismo. As minhas primeiras palavras são para dizer que debelou-se a pandemia. Portanto, uma vez constituída a imunidade de grupo e com o número de infetados praticamente inexistentes, Senhores governantes, é favor de olhar para as empresas portuguesas que aguentaram isto tudo, que estão descapitalizadas e que precisam de apoios.

Vamos por as empresas portuguesas em condições de colocar o turismo como, novamente, o motor da economia como o foi de 2009 a 2019.

Estas são as palavras que gostaria de dizer no dia 27 de setembro de 2021.

*Esta entrevista foi publicada na edição 1438 do jornal Publituris.

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Perfis mais procurados no Turismo são chefes de cozinha, de receção e de sala

São os chefes de cozinha, de receção e de sala os perfis mais procurados no setor do Turismo, que se vê a braços com a falta de profissionais, revela o “Guia Laboral do Mercado Laboral 2022”, elaborado pela Hays Portugal, e que apresenta as tendências de emprego e salários, numa perspetiva de compreender o mercado de trabalho no nosso país.

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Os dados e opiniões aqui apresentados neste guia baseiam-se nos resultados dos inquéritos realizados e nos conhecimentos de mercado dos consultores da Hays, realizados de outubro de 2021.

O setor do Turismo e Lazer foi um dos mais afetados pela pandemia, com os últimos dois anos marcados pela forte instabilidade, levando a que muitos profissionais tivessem que abandonar o setor e hoje, muitos mostram-se receosos em regressar a este mercado.

Este cenário, segundo Benedita Lencastre, Consultant na Hays Portugal, “levou à grande dificuldade em recrutar perfis de operação, tendo em conta que grande parte destes profissionais mudaram de área ou abandonaram o setor”, obrigando as empresas a “se adaptar e recrutar perfis de outros setores”.

Como principal tendência do setor verifica-se uma movimentação de perfis de chefes de cozinha, chefe de receção e chefe de sala. A especialista, citada em nota de imprensa, explica ainda que, na zona de Lisboa, a abertura de novas unidades hoteleiras levou à continua aposta no investimento em perfis de marketing digital, com foco em CRM, “numa ótica de fidelizar e atrair novos clientes”, enquanto na zona do Grande Porto, a tendência é para uma movimentação de perfis seniores de F&B e comerciais “consequência também da abertura de vários hotéis na região”, acrescenta.

Seguindo a tendência de anos anteriores, o perfil de cozinheiro foi um dos mais solicitados, embora nem sempre fácil de encontrar, tendo em conta as caraterísticas que os recrutadores procuram – perfil especializado com capacidades de trabalho em equipa e gestão de stress, revela a responsável, para destacar que o mesmo se verifica com o perfil de responsável de restaurante, onde “a incerteza do mercado, levou estes profissionais a mudar de setor durante a pandemia”.

Por outro lado, a redefinição e diminuição de equipas nas estruturas destes grupos levaram a que a posição de chefe de receção fosse umas das mais afetadas, “fazendo com que este profissionais passassem a acumular novas funções”. No entanto, com a perspetiva de aumento do volume de negócios, “tem sido necessário reestabelecer esta posição” realçou.

Para este ano, e com a chegada do verão, a análise perspetiva um grande movimento em várias posições operacionais, ao mesmo tempo que a retoma do turismo em massa irá requerer que as empresas aumentem as equipas. “O foco no Marketing Digital, numa ótica de retenção e atração de clientes, será também uma tendência”, revela Benedita Lencastre.

“Em termos de oferta salarial e benefícios, a incerteza de mercado e escassez de profissionais com experiência consolidada poderá levar a uma adaptação por parte das empresas, obrigando a um aumento salarial e melhoria dos benefícios do trabalhador. A retoma das unidades hoteleiras, que estão gradualmente a crescer e a reforçar as equipas, poderá levar a uma maior atração por parte dos candidatos”, conclui.

A primeira parte desta edição conta com uma análise das motivações de profissionais e empresas através de um inquérito anónimo com base nas respostas de 2.864 profissionais qualificados e 901 empregadores, que incidiu sobre as regiões do Norte, Centro e Sul de Portugal. A segunda parte conta com uma análise das dinâmicas de recrutamento em áreas e setores de mercado específicos.

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Confederação do Turismo rejeita Agenda para o Trabalho Digno

A Confederação do Turismo de Portugal (CTP) reiterou a não validação do documento na globalidade, afirmando tratar-se de “um conjunto de alterações retrógradas e pouco equilibradas à legislação laboral decorrentes de um processo ideológico discutido no âmbito de acordos políticos fora do espectro do diálogo social”.

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A Confederação do Turismo de Portugal (CTP) participou na reunião de concertação social sobre a Agenda para o Trabalho Digno, depois de ter comunicado ao Governo que rejeita o documento na globalidade, por não resultar do diálogo social.

“A CTP rejeita no seu todo a Agenda para o Trabalho Digno”, afirmou a confederação num documento que enviou ao Governo nos últimos dias, em resposta ao repto lançado aos parceiros sociais na reunião da Comissão Permanente de Concertação Social (CPCS) do passado dia 11.

A CTP reiterou que “não pode validar um conjunto de alterações retrógradas e pouco equilibradas à legislação laboral decorrentes de um processo ideológico discutido no âmbito de acordos políticos fora do espectro do diálogo social”.

Segundo a confederação patronal, a Agenda do Trabalho Digno é um documento do Governo acordado com os anteriores parceiros de coligação política, PCP e BE, que foi discutido fora do espaço da Concertação Social, o que lamentou.

A CTP “regista a pouca disponibilidade do Governo para voltar a colocar este processo na CPCS” e considerou que “este processo não permite, sequer, a apresentação e discussão de novos temas a poderem ser considerados em termos de alterações justificadas à legislação laboral”.

A confederação lembrou no documento que o Governo avançou em outubro com a Proposta de lei que procede à alteração da legislação laboral no âmbito da agenda do trabalho digno, que consta da Separata BTE, n.º 33, 29/10/2021.

A proposta de lei procede à alteração da legislação laboral em dez áreas, nomeadamente a do trabalho temporário, do combate ao falso trabalho independente e recurso injustificado a trabalho não permanente, plataformas digitais e algoritmos, contratação coletiva e conciliação entre trabalho, vida pessoal e familiar.

O combate ao trabalho não declarado, a proteção dos jovens trabalhadores-estudantes e estagiários, o reforço da Autoridade para as Condições do Trabalho, a contratação pública e apoios públicos e os cuidadores informais, são outras das matérias abrangidas.

A CTP lembrou ainda que a proposta de lei contempla ainda novas medidas não comunicadas pelo Governo aos parceiros sociais em sede de CPCS, como o alargamento da compensação para 24 dias por ano em cessação de contrato a termo ou termo incerto e a reposição dos valores de pagamento de horas extraordinárias em vigor até 2012 a partir das 120 horas anuais.

As outras medidas determinam que “nos contratos públicos superiores a 12 meses, os contratos de trabalho devem ser permanentes e em contratos com menos de 12 meses, os contratos de trabalho devem ter pelo menos a duração do contrato” e o alargamento do princípio do tratamento mais favorável às situações de teletrabalho e trabalho através de plataformas.

Segundo a CTP, a Agenda para o Trabalho Digno não vai ter alterações de substância e “o documento apresentado na CPCS do passado dia 11 de maio nada a altera”.

“O documento apresentado mais não é do que um mero formalismo para trazer ao conhecimento dos parceiros sociais as três medidas que na altura o Governo entendeu acrescentar à Agenda para o Trabalho Digno […]: aumento das compensações em caso de cessação de contrato a termo (certo e incerto); aumento do valor do pagamento do trabalho suplementar a partir das 120 horas anuais; reforço da arbitragem necessária nos processos de negociação coletiva”, afirmou no documento.

Para a confederação patronal o documento do Governo “não pretende encetar nenhum processo negocial sobre as três medidas em apreço, mas tão somente criar a ilusão de uma negociação em espírito de diálogo social”.

“A CTP não concorda nem com o processo nem com a substância da Agenda para o Trabalho Digno, porque não foi chamada a participar na elaboração e densificação da mesma. Num país que depende muito do turismo e que o projetará para novos níveis de crescimento […], o Governo vem limitar a eficiência laboral no turismo”, disse.

A CTP defendeu no seu documento que, “a bem do mercado de trabalho e da competitividade do mesmo”, nesta altura é possível “uma reforma legislativa moderada, ao estilo, por exemplo, das de 2003 e 2009”.

Segundo o Ministério do Trabalho, a Agenda para o Trabalho Digno voltou à Concertação Social para discussão de “matérias que não foram discutidas anteriormente” com os parceiros sociais.

O pacote de medidas aprovado em Conselho de Ministros, em 21 de outubro de 2021, na anterior legislatura, incluía a reposição do valor das horas extraordinárias e das indemnizações por despedimento, o que levou a protestos das confederações patronais e à suspensão da sua participação nas reuniões da Concertação Social.

Na altura, as quatro confederações patronais com assento na CPCS afirmaram que as medidas não tinham sido discutidas com os parceiros sociais e acusaram o Governo de associar a discussão da Agenda do Trabalho Digno à negociação política do Orçamento do Estado para 2022, que decorria com os partidos à esquerda do PS.

No dia seguinte, o primeiro-ministro, António Costa, afirmou que tinha apresentado um pedido de “desculpas” às confederações patronais, pelo facto de o Governo ter aprovado duas medidas na área do trabalho sem as ter apresentado em Concertação Social.

Em causa estava o alargamento da compensação para 24 dias por ano em cessação de contrato a termo ou termo incerto e a reposição parcial dos valores de pagamento de horas extraordinárias em vigor até 2012 a partir das 120 horas anuais, sendo a primeira hora extra em dias úteis paga com acréscimo de 50%, a segunda hora com 75% e em dias de descanso e feriados 100%.

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GuestCentric identifica tendências para hotéis em Portugal no verão de 2022

Existem sinais de uma procura exponencial pelos hotéis portugueses, com níveis de crescimento que ultrapassam os números pré-pandemia, mas também o surgimento de clientes mais exigentes, dispostos a pagar mais, desde que em troca de experiências realmente diferenciadoras.

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Estas são algumas das tendências identificadas pela GuestCentric, empresa de tecnologia de reservas hoteleiras, para os hotéis em Portugal no verão de 2022, após ter analisado centenas de unidades.

De acordo com a pesquisa da Guestcentric, os hóspedes portugueses representam a maioria dos clientes que reservam diretamente os hotéis do país, seguidos dos EUA e do Reino Unido. Embora os Online Travel Agents (OTA) tenham intensificado os seus esforços de marketing, prevendo-se uma agressividade comercial maior no verão 2022, ainda há muito potencial de crescimento das reservas diretas e, portanto, de maior rentabilidade.

O preço médio diário (Average Daily Rate – ADR) está a atingir em 2022 níveis recorde, especialmente na Europa. A GuestCentric revela que os preços dos hotéis na Europa estão atualmente 31% acima de 2019, enquanto os preços dos das unidades dos EUA estão 13% acima de 2019.

As reservas de última hora continuam a ser a norma, e os dados da GuestCentric mostram que entre 40% a 50% das reservas ainda são feitas para o mesmo mês. Embora seja incerto se esta tendência se manterá durante o verão, a capacidade de gerir rapidamente a procura é nova para muitos hotéis, pelo que é importante que estes continuem a ser suficientemente ágeis para responder em conformidade.

A empresa sublinha, por ouro lado que as reservas, para estadas em hotéis para a segunda metade de 2022 estão atualmente 20% acima dos níveis de 2019.

Ao nível das viagens domésticas a expectativa é que se mantenham estáveis, atingindo os níveis de 2021 ou excedendo-os até ao segundo semestre deste ano; tendendo as internacionais a ultrapassar significativamente os níveis de 2019.

Os consultores de viagens (outrora agentes de viagens) estão a regressar, devido à complexidade das viagens, às constantes mudanças nas rotas aéreas e nos voos, e também à incerteza do mundo pós-pandemia. Diz a GuestCentric que, para o verão de 2022, a procura por pacotes mais simples e para destinos mais próximos pode ultrapassar largamente a de viagens exóticas de longo curso, especialmente no caso das famílias.

Outra das conclusões da análise é que a viagem responsável continua importante. Os hóspedes estão particularmente sensíveis às iniciativas sustentáveis que envolvem a comunidade local do hotel, especialmente no que se refere à utilização de fornecedores de comidas e bebidas locais.

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Viagens internacionais: recuperação total esperada em 2025, observa a GlobalData

Uma análise da GlobalData revela que as viagens internacionais atingirão, este ano, 68% dos níveis pré pandemia, devendo melhorar para 82% em 2023 e 97% em 2024, antes de uma recuperação total até 2025 em 101% dos dados de 2019, com um 1,5 mil milhões de chegadas.

A empresa de dados e análise considera, no entanto, que a trajetória para a recuperação nas viagens internacionais não é linear entre regiões ou países.

Hannah Free, analista de viagens e turismo da GlobalData, comenta que “as viagens internacionais da América do Norte mostraram melhorias em 2021, com partidas internacionais a crescerem 15% ano a ano. Os EUA cresceram para se tornar o maior mercado de viagens de saída do mundo em 2021. Em 2022, as saídas da América do Norte devem atingir 69% dos níveis de 2019, antes de uma recuperação total até 2024, em 102% dos níveis de 2019, à frente de outras regiões.

A mesma percentagem deverá acontecer com as saídas internacionais de países europeus, ou seja, deverão atingir este ano 69% dos números de 2019, observa o analista, para acrescentar que “À medida que a confiança nas viagens se recupera, espera-se que o mercado intra-europeu se beneficie, impulsionado pelas preferências por viagens de curta distância”.

No entanto, “a recuperação das viagens deve enfrentar a inflação, o aumento do custo de vida e a guerra na Ucrânia”, considerou, para lembrar que “a Rússia foi o quinto maior mercado de viagens de saída do mundo em 2019, enquanto a Ucrânia foi o décimo segundo. No futuro, as viagens limitadas de saída desses países prejudicarão a recuperação geral do turismo na Europa”.

Espera-se que, segundo o estudo da GlobalData, a Ásia-Pacífico fique para trás em termos de recuperação. As saídas da região atingirão apenas 67% dos níveis de 2019 em 2022, devido ao levantamento relativamente mais lento das restrições de viagem e à propensão a novas restrições domésticas durante os surtos de Covid-19. Outrora o maior mercado de viagens de saída da região e do mundo, a China não está a mostrar nenhum sinal de relaxar as suas rígidas medidas de fronteira no curto prazo. Em 2021, as saídas internacionais da China atingiram apenas 2% dos níveis de 2019.

 

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Turismo

Linha de Apoio ao turismo de 170 milhões permite manter mais de 41 mil postos de trabalho

Os números avançados pelo Ministério da Economia e do Mar indicam que, dos 170 milhões de euros em apoios, 60% foi concedido a empresas de restauração, 23% a empresas de alojamento turístico, 10% a agências de viagens e 6% a atividades de animação turística e organização de eventos.

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A Linha de Apoio à Tesouraria para Micro e Pequenas Empresas do Turismo, uma das medidas implementadas em março de 2020 pelo Governo para mitigar os efeitos decorrentes da pandemia de COVID-19, permitiu manter 41.325 postos de trabalho no setor nos últimos dois anos.

De acordo com o comunicado emitido pelo Ministério da Economia e do Mar (MEM), “numa altura em que os resultados turísticos mostram sinais da recuperação efetiva do setor, esta Linha, que atinge agora o limite do seu orçamento e que, por isso, foi encerrada esta sexta-feira (29 de abril), concedeu apoios à tesouraria a 8.896 micro e pequenas empresas do setor do turismo, num total de 170 milhões de euros, correspondentes a mais de 17.000 candidaturas aprovadas”.

Ao nível da repartição do financiamento pelas diversas atividades turísticas abrangidas, os números indicam que 60% do financiamento foi concedido a empresas de restauração, 23% a empresas de alojamento turístico, 10% a agências de viagens e 6% a atividades de animação turística e organização de eventos.

Adicionalmente, e atento o atual contexto, o Governo aprovou o alargamento do prazo de reembolso desta linha de crédito, de dois para quatro anos, reduzindo assim para metade as exigências de reembolso por parte das empresas sobretudo nos anos de 2022 e 2023. “Com essa medida, as empresas veem, assim, ser diferida para os anos de 2024, 2025 e 2026, sem quaisquer penalizações, a exigência de reembolso de cerca de 85 milhões de euros”, afirma o gabinete do ministro António Costa e Silva.

De resto, o MEM admite que “o impacto económico do da COVID-19 no setor do turismo, e a imprevisibilidade da sua duração, justificaram a criação desta linha de financiamento, que atuou em complementaridade com outras medidas de apoio às empresas aprovadas pelo Governo, com o intuito de responder às necessidades temporárias de fundo de maneio das micro e pequenas empresas, salvaguardando a sua atividade plena e o seu capital humano”.

Já para a secretária de Estado do Turismo, Comércio e Serviços (SETCS), Rita Marques, “esta linha, que foi criada logo no início da pandemia COVID-19 pelo Turismo de Portugal, e que foi sucessivamente reforçada, revelou-se como um dos principais instrumentos de apoio à tesouraria das nossas empresas, tendo sido entendido como oportuno reduzir agora para metade as exigências de reembolso, numa altura em que o setor precisa de responder com qualidade à crescente procura turística que, felizmente, surge em Portugal”.

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Análise

Subida de preços: o novo obstáculo que ameaça o turismo

O recente aumento de preços, muito por culpa da subida da inflação e do aumento dos custos da energia, está a deixar o setor do turismo apreensivo face a um novo obstáculo que pode a atrapalhar a recuperação já em curso na atividade turística.

Inês de Matos

De há um meses para cá, as notícias sobre o aumento dos preços tornaram-se constantes. A saída da pandemia levou ao aumento da procura e provocou uma subida da inflação, que se caracteriza pelo crescimento generalizado dos preços na economia. A esse aumento, é preciso juntar a subida dos custos da energia, combustível e matérias-primas, o que veio dar mais gás à inflação que, em Portugal, chegou aos 3,3% em janeiro, a mais elevada desde fevereiro de 2012, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Lá fora, a situação não é mais animadora. Em dezembro, os países da OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico viram a inflação subir para 6,6%, o valor mais elevado dos últimos 30 anos, enquanto nos EUA chegou aos 7%, o que se explica, em grande parte, pela subida de 25,6% nos preços da energia registada nesse mês.

A subida de preços está a afetar todos os setores da economia e o turismo não é exceção. Já em outubro, Scott Kirby, CEO da United Airlines, alertava que “os preços mais altos do combustível da aviação levam a preços mais altos nos bilhetes” e, mais recentemente, foi a vez da hotelaria espanhola se queixar do custo da energia, com a Associação dos Hotéis de Castela e Leão a dar o exemplo do AC Hotel by Marriott Palacio de Santa Ana, em Valladolid, onde a conta da luz passou de oito mil euros antes da pandemia para 24 mil euros no último mês. E, já em janeiro de 2022, foi a vez da TUI revelar, aquando da apresentação da programação para o verão, que as viagens organizadas já subiram cerca de um quinto face ao período pré-pandemia.

Claro que o crescimento da procura induz, obviamente, quando há escassez, o crescimento do preço, mas aqui o fenómeno é muito mais profundo e preocupante”, Cristina Siza Vieira, presidente executiva AHP

É caso para dizer que, numa altura em que as expetativas apontavam para a recuperação já este ano, o setor do turismo tem um novo obstáculo para contornar, que pode atrasar o desejado regresso à normalidade.

De quem é a culpa?
Apesar dos vários fatores que contribuem para o aumento de preços, Pedro Brinca, economista e professor da NOVA SBE, diz ao Publituris que este aumento de preços não é uma surpresa, até porque, nos EUA, cedo se começou a discutir o impacto que teriam os estímulos económicos adotados para fazer face à pandemia. “Vários foram os analistas e académicos (como Olivier Blanchard e Larry Summers) que alertaram para os perigos de um surto de inflação”, indica, explicando que “o hiato do produto estimado nos EUA em abril de 2021 era de cerca de um terço do pacote total de ajudas que foram implementadas”.

Na Europa, acrescenta Pedro Brinca, “os estímulos não foram tão acentuados”, o que explica que as expectativas de inflação venham a ser “mais moderadas”. “Mas ainda assim a inflação na zona euro está próxima dos 5%, bem acima do objetivo de 2%”, alerta, realçando que, apesar de se esperar que este surto seja temporário, o certo é que ele não mostra sinais de abrandamento e já dura há 10 meses.

Além da inflação, também a energia tem culpas na situação. Pedro Brinca aponta, desde logo, “o fim progressivo em alguns países da produção de eletricidade com carvão e energia nuclear”, como um dos motivos que levaram a “um aumento da dependência das energias renováveis e do gás natural”, cujo consumo tem subido, com reflexos também no custo. A agravar o problema, está ainda a postura da Rússia, que não acompanhou a subida do consumo com um aumento do fornecimento à Europa, o que voltou a agravar o preço da energia.

Tal como Pedro Brinca, também o setor do turismo atribui a subida dos preços à inflação, principalmente motivada pelo aumento dos custos da energia e combustível, mas também de produção. Como resume Cristina Siza Vieira, presidente executiva da AHP – Associação da Hotelaria de Portugal, “está tudo a subir, desde os combustíveis, aos custos da distribuição, da construção, aos salários e também aos salários da hotelaria”. Na opinião da responsável, apesar da saída da pandemia também ter provocado um aumento da procura, não é esse tipo de inflação que explica a escalada a que se tem assistido e que, na hotelaria, é comum a todas as categorias de unidades. “Claro que o crescimento da procura induz, obviamente, quando há escassez, o crescimento do preço, mas aqui o fenómeno é muito mais profundo e preocupante. Pode induzir alguma coisa, alguns países sinalizam essa dinâmica como podendo ter aqui algum efeito adicional, mas não é o efeito principal”, explica.

A estes motivos, aponta ainda Francisco Calheiros, presidente da CTP – Confederação do Turismo de Portugal, é preciso juntar também o “aumento dos preços nos serviços associados à atividade turística, nomeadamente serviços de marketing, serviços bancários, financeiros e seguros”, assim como o efeito da “reorganização das cadeias logísticas de abastecimento de bens e serviços”, que também tem contribuído para o aumento de preço no setor do turismo.

Mais difícil é estimar quando é que esta crise dos preços termina, com Pedro Brinca a mostrar-se convicto que “esta dinâmica se irá manter pelo menos até ao próximo inverno”. “É de esperar que as disrupções das cadeias de abastecimento sejam progressivamente ultrapassadas e também que o retorno de uma maior disciplina orçamental possam ser fatores que contribuam para a estabilização da inflação”, indica.

Impacto no turismo
O efeito da inflação no turismo está espelhado nos mais recentes dados do INE, que indicam que, em janeiro, os preços da hotelaria e alojamento subiram 6.79%, nos serviços de refeições houve um aumento de 3.85%, nos restaurantes e hotéis a subida foi de 3.57% e nos restaurantes, cafés e estabelecimentos similares o aumento de preços chegou aos 4,11%.

Os dados económicos ajudam a perceber a escalada de um problema que é confirmado pelo setor, com o presidente da CTP a indicar que os aumentos se sentem em “praticamente todas as áreas, desde a aviação até à restauração, passando pelo alojamento e animação, não obstante os esforços das empresas em mitigar o impacto dos aumentos”.

Opinião idêntica manifesta Joaquim Robalo de Almeida, secretário-geral da ARAC – Associação dos Industriais de Aluguer de Automóveis sem Condutor, que representa grande parte das empresas de rent-a-car que operam em Portugal, que refere que “o aumento generalizado de preços está a acontecer em todo o mundo” e estima que, devido à inflação, “se assistirá a um aumento de preços generalizado nos vários produtos e serviços que compõem este importante motor da economia nacional”.

O aumento do preço da hotelaria nunca é uma oportunidade para a aviação”, Paulo Geisler, presidente da RENA

No rent-a-car, além da inflação e do combustível, há também a crise dos semicondutores, que está a provocar a escassez de veículos automóveis e a aumentar o seu custo, contribuindo para que os preços dos alugueres subam. “Face ao aumento dos vários custos de exploração por parte das empresas de rent-a-car e tendo em atenção a inflação que atinge toda a economia, caso não se verifique uma inversão da tendência inflacionista, é seguro que o preço dos serviços de aluguer de veículos sem condutor irá aumentar”, defende o responsável da ARAC.

Paulo Geisler, presidente da RENA – Associação das Companhias Aéreas em Portugal, também confirma a subida de preços na aviação, devido à inflação. Para o responsável, os preços vão continuar a subir, entre 3% a 4%, ainda que o combustível possa “alterar esta previsão”.

No alojamento turístico, cujo preço subiu cerca de 6,8% em janeiro, Cristina Siza Vieira mostra-se essencialmente preocupada com o “aumento de custos da energia que é, a par dos salários, um dos maiores custos da hotelaria” e diz que a hotelaria vai ter de “acompanhar o resto da inflação”. “Não vejo como é que poderia não ser assim se temos de absorver os custos de produção”, lamenta.

Este aumento de preços, também “acontece nas atividades da restauração, similares e do alojamento turístico, como acontece em todas as outras atividades económicas”, acrescenta Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP – Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal, que diz, no entanto, esperar que o aumento de preços seja, este ano, compensado por uma “maior procura, nomeadamente de turistas internacionais, devido ao fim das restrições. “Todos desejamos que o mercado responda positivamente, e que seja possível compensar este aumento de custos e de produção, que tendencialmente poderá levar a um aumento de preços”, acrescenta.

O Publituris tentou ainda contactar a APAVT – Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo, mas, até ao fecho desta edição, a associação não esteve disponível para responder às questões colocadas.

Efeito na procura
A subida dos preços é um novo obstáculo que o turismo precisa ultrapassar, principalmente porque, como diz Pedro Brinca, “é normal que os aumentos de preços levem a uma diminuição da procura”. “Parte destes aumentos de preços podem refletir uma necessidade de tesouraria das empresas que sacrificam margem no longo prazo por uma maior receita no curto prazo. Nesta dimensão, é de esperar que a procura diminua”, considera, lembrando, no entanto, que a nível internacional também “existe um efeito de preços relativos”, pelo que é “preciso comparar com outros destinos e respetivas taxas de inflação” a situação de Portugal, que tem registado uma das inflações mais baixas da Europa.

Apesar de admitir que a procura pode diminuir devido ao aumento de preços, pois as empresas têm de refletir esses aumentos no valor cobrado aos clientes, sob “pena de entrarem em perda”, Cristina Siza Vieira mostra-se confiante de que não vai faltar procura, já que as previsões apontam para o crescimento da economia, o que, a juntar à vontade de viajar, depois de dois anos de pandemia, promete animar a hotelaria. “Também há boas notícias e quais são? É que também o crescimento da economia aconteça. Ou seja, que também haja um aumento do poder de compra dos consumidores de serviços de turismo, através do aumento dos salários, e que seja capaz de absorver esta subida de preços. Esta é a parte em que estamos todos um pouco mais otimistas”, aponta, realçando ainda o crescimento da poupança na pandemia como uma vantagem.

Já para a AHRESP, a expectativa é que as “empresas de restauração e do alojamento turístico vão tentar amortecer este efeito com ganhos de produtividade ou outras medidas procurando preservar os clientes deste impacto e para manter competitividade face à própria concorrência”. Ana Jacinto reconhece, contudo, que há limites e que, se a subida continuar, haverá “um momento que terão que inflacionar também os preços”.

Confiante está ainda a aviação, o único subsetor do turismo a apresentar uma evolução negativa da inflação em janeiro (-1,73%), com Paulo Geisler a explicar que, neste caso, a subida dos preços tem acontecido mais para “recuperar das reduções de preços realizadas nos últimos dois anos”.

Na aviação, a subida do preço é mais visível no transporte de carga, que beneficiou “das dificuldades de transporte rodoviário e marítimo”, enquanto no transporte de passageiros tudo vai depender “da capacidade dos operadores em trazer de volta a capacidade que tiveram de retirar do mercado durante os últimos dois anos para responder ao aumento de procura”. E, tal como a hotelaria, também a aviação espera uma recuperação, pois continua ainda aquém dos valores de 2019 e é provável que “muitas pessoas que optaram por fazer turismo doméstico nos últimos dois anos vão voltar a viajar internacionalmente”, defende.

Já no rent-a-car, que espera que o aumento de preços se verifique em todo o tipo de alugueres, mas principalmente nos contratos de curta duração, que têm mais custos, o aumento dos preços também deverá levar a “uma subida de preços no consumidor, como aliás é natural em qualquer economia de mercado”, admite Joaquim Robalo de Almeida.

Ameaça ou oportunidade?
Apesar da incerteza, a subida dos preços pode ser uma ameaça ou uma oportunidade para o turismo. Pedro Brinca explica que se “não for acompanhada por uma diminuição da procura, ou seja, se houver inflação generalizada inclusive nos salários da população mantendo o poder de compra e não houver mudanças significativas nos preços relativos, a inflação pode ser uma maneira de aliviar os encargos do stock de dívida”. E lembra que o turismo, “por via da sua estrutura de custos muito assente em investimentos à cabeça em equipamentos e infraestruturas, é dos setores mais alavancados da economia”.

As empresas de restauração e do alojamento turístico vão tentar amortecer este efeito com ganhos de produtividade ou outras medidas procurando preservar os clientes deste impacto e para manter competitividade face à própria concorrência”, Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP

O professor da NOVA SBE nota ainda que, face a outros países, em Portugal as “ajudas diretas foram relativamente mais reduzidas e muito mais assentes em moratórias creditícias e fiscais”, o que ajuda a resolver “o problema da liquidez, mas não da solvabilidade”, pelo que o fim das moratórias, em dezembro de 2021, “poderá trazer problemas complicados de tesouraria associados à necessidade de reembolso de juros e capital, agora maiores devido aos prejuízos acumulados”. “Mas como a dívida está determinada em termos nominais, a inflação generalizada pode, como descrevi acima, dar um ajuda importante a diminuir os custos reais de capital”, acrescenta, lembrando que, a variação de Portugal face aos seus competidores, será um aspeto “determinante” para a competitividade internacional do país. “É provável que até tenhamos ganho competitividade relativa uma vez que a inflação em Portugal tem sido muito mais contida do que na generalidade dos outros países europeus”, explica, alertando, no entanto, que “a subida generalizada dos preços da energia, inclusive até em resultado da tensão na Ucrânia, é seguramente uma ameaça devido à pressão que fará nos preços das viagens”.

Por parte do setor, também há opiniões distintas, ainda que a incerteza deixe reticente parte dos intervenientes, num sentimento que é traduzido pela CTP, cujo presidente diz não ter dúvidas de que a escalada dos preços representa uma ameaça, pois resulta da “incorporação alheia e externa de custos”, com consequências negativas para as empresas, que se deparam “com a debilitação das suas já enfraquecidas contas de exploração e menores margens de comercialização”, enquanto os consumidores vão assistir à repercussão “de parte dos custos das empresas”.

Reticente está ainda Paulo Geisler, que está preocupado com o impacto na aviação da subida de outros preços do setor. “O aumento do preço da hotelaria nunca é uma oportunidade para a aviação”, diz, defendendo que os operadores que “controlam toda a estrutura de distribuição” conseguem “gerir melhor a distribuição do aumento de preços”.

Já para o rent-a-car, o aumento dos preços não deve ser visto como oportunidade ou ameaça, sendo antes “uma resposta inevitável à crescente subida dos custos suportados pelas empresas”. Por isso, a ARAC pede a descida do IUC e do ISV, bem como a aplicação ao rent-a-car da taxa intermédia de IVA (13%), “à semelhança do que se passa com a maioria dos demais serviços turísticos”, como medidas de “vital importância” para manter a competitividade do setor.

Na AHRESP, Ana Jacinto também diz que o aumento de preços não é oportunidade nem ameaça, sendo antes “um desafio”, até porque Portugal vive o mesmo cenário que os destinos concorrentes, “onde a mesma escalada de preços acontece” e até para valores mais elevados.

A associação antevê, no entanto, uma descida da procura doméstica e aumento da externa, com Ana Jacinto a referir que, a confirmar-se, esta realidade é uma “ameaça” para as empresas, que vão necessitar de trabalhar mais para a converter numa “oportunidade”.

Opinião idêntica manifesta Cristina Siza Vieira, que apesar de considerar que o aumento de preços é um “problema”, diz que não é uma ameaça, uma vez que “a hotelaria se tem vindo a preparar para mais este obstáculo”. “Já se modificaram as formas de prestar serviço, ganhou-se alguma eficiência, reduziram-se custos e alguns hotéis estão a fazê-lo ainda mais no housekeeping, para que os custos operacionais baixem. E o próprio consumidor está preparado para determinadas alterações e percebe que as coisas não podiam ser mantidas como estavam”, explica.

Apesar de estar preparada, a AHP considera que a hotelaria também devia ser alvo de alterações fiscais para ajudar as empresas a lidar com o aumento dos custos, a exemplo da redução da TSU, que pode ter um efeito “positivo quando os custos com os salários estão a subir”.

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Nova Edição: Como atender hóspedes com deficiência pela voz dos próprios

As acessibilidades para pessoas com deficiência na hotelaria em Portugal, Food & Beverage, Alambique de Ouro, W Algarve, o novo CEO da Les Roches, o próximo congresso da AHP, Upfield Professional, Análise CLEVER, palavra de chef e muitas opiniões.

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As acessibilidades, falta delas ou problemática de colocá-las corretamente ao serviço de que precisa delas faz capa da revista Publituris Hotelaria de abril.

Nem todas as unidades de alojamento proporcionam acessos suficientes adaptados às suas deficiências, sejam elas motoras, auditivas, visuais ou intelectuais.

Certo é que estes hóspedes pernoitam mais noites, geralmente em época baixa, e acompanhados por amigos e familiares: assim se descrevem as tendências de viagem das pessoas com deficiência.

Além das “Figuras” e do “Radar”, a edição do quarto mês de 2022 da Publituris Hotelaria traz a “Análise CLEVER” que o início do conflito armado na Ucrânia trouxe, novamente, incerteza para o setor do turismo e viagens. Embora os números mostrem que estamos ainda distantes dos valores de 2019, não deixa de ser relevante a boa prestação das reservas no alojamento e voos no primeiro trimestre de 2022 e as boas perspetivas para o mês de abril.

No “Fala-se”, damos conta do investimento efetuado pelo Alambique de Ouro. O projeto, orçado em nove milhões de euros, inclui um novo conceito de spa e uma nova ala com 42 suítes premium.

Em Lisboa, depois de ter resistido ao terramoto de 1755, o Palácio Ludovice Wine Experience Hotel, localizado no edifício do antigo Solar do Vinho do Porto, dá agora lugar a uma unidade que oferece 61 quartos em sete tipologias: Cozy Room; Classic Room; Superior Room; Deluxe Room e Junior Suite; Suite e Ludovice Prestige. O preço dos quartos começa nos 220 euros e o das suítes nos 450 euros. O investimento foi de 26 milhões de euros.

Também em Lisboa, no lugar onde se encontrava o Hotel Embaixador nasce agora o ibis Styles Lisboa Centro Liberdade, alvo de uma remodelação de cerca de seis milhões de euros. O convite é o de embarcar em novas aventuras, num espaço que celebra o mar, o rio e as navegações.

Viajando para Sul, o “W Algarve”, parte do grupo Marriott International, tem abertura marcada para dia 2 de maio. A Publituris Hotelaria esteve à conversa com Jeremie Lannoy, Marketing & Communication Director do W Algarve Hotel & Residences, que admitiu que existe, definitivamente, espaço para “projetos novos e inovadores na região”, salientando que “Portugal é um dos melhores destinos de verão da Europa”, vendo no nosso país “um potencial de crescimento enorme”.

Destaque, também, para a entrega dos “Portugal Trade Awards by Publituris @aBTL 2022” que, entre outros, distingui cinco unidades hoteleiras nacionais.

Durante a BTL 2022, a Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) anunciou o local do seu próximo congresso. Assim, a 33.ª edição do Congresso da Hotelaria viaja até ao Centro do país, mais concretamente, até ao Centro Pastoral Paulo VI, em Fátima, nos dias 16 a 18 de novembro.

Entrevistado para o “Management” foi, também, o novo CEO da Les Roches. Com o problema dos recursos humanos vincado pela pandemia, Carlos Díez de la Lastra, deixa a pergunta: “Que trabalho [é que os diretores] estão a fazer para tornar a hotelaria atrativa?”.

O “Dossier” desta edição dedica-se ao Food & Beverage (F&B). Numa altura de retoma do setor hoteleiro, com a reabertura de vários hotéis, os fornecedores mostram-se confiantes com a perspetiva de crescimento.

Certo é que, os produtos mais saudáveis e sustentáveis marcam a procura dos clientes em período de retoma.

Com este tema do F&B em mente, que falámos com Dálio Calado, diretor de F&B do Grupo UIP – Pine Cliffs/Hyatt depois durante o 18.º Congresso Nacional da Associação dos Diretores de Hotéis de Portugal (ADHP).

Na opinião do diretor de F&B, a restauração na hotelaria tem de ser tratada “como um accent, e não como uma amenitie”. Defende que é necessário dar uma “identidade aos restaurantes”, apostando “na diversidade de conceitos dentro de um só espaço” – desta forma, “os clientes sentem a necessidade de experimentar cada sítio”.

Nos “Fornecedores” e com a procura por uma oferta vegetariana e vegana, com ingredientes de alta qualidade a aumentar, o responsável ibérico da Upfield Professional revela-nos que a empresa tem “uma enorme preocupação com a qualidade e diversidade destas opções”.

Por falar em gastronomia, na nova rubrica da Publituris Hotelaria – “Palavra de Chef” – apresentamos alguns dos chefs que têm dado cartas na restauração. O destaque desta edição vai para o chef Fábio Alves que lidera a cozinha do restaurante SUBA há três anos.

As “Escolhas” desta edição são de André Villa de Brito Sommelier, guia e consultor de enoturismo, enquanto as “Opiniões” pertencem a Sérgio Guerreiro (Westmont Institute of Tourism & Hospitality, Nova SBE); Kevin Hemsworth (ISAG – European Business School); Karina Simões (JLL); Liliana Conde (consultora) e Marta Sotto-Mayor (formadora & consultora).

*Para ler a versão completa desta edição da Hotelaria – em papel ou digital – subscreva ou encomende aqui.

Contacto: Carmo David | [email protected] | 215 825 430 **

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Nova edição: Dois anos de pandemia, os vencedores dos Portugal Trade Awards do Publituris, as propostas dos operadores e dossier seguros

Os vencedores dos “Portugal Trade Awards by Publituris @BTL 2022”, o balanço de dois anos de pandemia, entrevista BTL, operadores e propostas para o verão, FINE, El Al, Tunísia, Airbus A380, Lei 33, seguros são os temas em destaque nesta edição do Publituris.

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A edição de 18 de março de 2022 é uma edição especial. Não só porque se trata da edição em que o Publituris divulga os vencedores dos “Portugal Trade Awards by Publituris @BTL 2022”, conhecidos numa cerimónia realizada na BTL no passado dia 16 de março, como é a edição que faz o balanço dos dois anos da pandemia.

Como se isto não bastasse, é, também, a edição que marca o regresso da BTL, após dois anos sem o maior evento do setor do turismo.

Os vencedores
Mas vamos por partes. Nos “Portugal Trade Awards by Publituris @BTL 2022”, os vencedores foram os seguintes: a começar pela “Personalidade do Ano”, a redação do Publituris atribuiu, diretamente e por unanimidade, o prémio à secretária de Estado do Turismo, Rita Marques. Nas restantes 13 categorias, os vencedores foram: Melhor Companhia de Cruzeiros – MSC Cruzeiros; Melhor GSA Aviação – APG Portugal; Melhor Agência Corporate – Travelstore; Melhor Venue para Eventos e Congressos – Altice Arena; Melhor Parque Temático – Oceanário; Melhor Animação Turística; Picos de Aventura; Melhor Eco Resort – Areias do Seixo; Melhor Wine Hotel – The Yeatman; Melhor Exclusive Hotel – Six Senses Douro Valley; Melhor Luxury Hotel – Vila Vita Parc Resort & SPA; Melhor Alojamento Rural – Herdade da Malhadinha Nova; Melhor Startup – Hijiffy; Melhor Marina – Marina de Vilamoura.

A cerimónia da entrega dos prémios destacou-se pela presença de mais de 200 convidados, contando com a presença da secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo; presidente da CTP, Francisco Calheiros; presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira; presidente da APECATE, António Marques Vidal; secretária-geral da AHRES, Ana Jacinto, entre outros.

Os temas
Mas nesta edição, fazemos, igualmente, um balanço destes dois anos de pandemia. Resiliência é, sem dúvida, a palavra mais ouvida pelo Publituris. E se há dois anos a “million dolar question” era tentar saber quando aconteceria a retoma, atualmente, uma guerra na Europa veio reforçar as incertezas.

Nesse âmbito, também o presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo, faz a análise destes dois anos, admitindo, ou melhor, destacando, que aquilo que diferencia o nosso destino, permanece “exatamente na mesma” (senão melhor).

A Lybra Tech fez uma análise sobre o impacto da guerra na Ucrânia e revela que a escalada da crise russo-ucraniana perturbou o equilíbrio do mundo e trouxe consigo um novo clima de tensão e insegurança.

A lei que veio estabelecer as Entidades Regionais de Turismo (ERT) há muito que se tornou motivo de discórdia. Entre queixas e atropelos à lei, que retiraram autonomia e competências a estas entidades, o turismo regional pede mudanças e mostra-se ainda preocupado com o lugar que lhe está reservado no processo de regionalização.

Com a Páscoa praticamente vendida, os operadores turísticos em Portugal já têm os olhos postos no verão. A programação, que envolve principalmente a operação charter, foi colocada no mercado a tempo e horas, permitindo que os portugueses pudessem fazer a escolha do destino que mais lhes agrada.

A entrevista desta edição foi feita a Pedro Braga, diretor-geral Adjunto da FCE – Feiras, Congressos e Eventos – que levantou um pouco, não da edição da BTL de 2022, mas do que será um pouco da BTL no futuro. Certo é que o objetivo é “atrair mais destinos internacionais”.

Uma viagem a Espanha, mais concretamente a Valladolid, deu para conhecer a FINE – Feira Internacional do Enoturismo. Portugal não só marcou a sua presença, promovendo os recursos patrimoniais e naturais através da cultura do vinho, como confirmou o seu potencial no enoturismo.

Nos destinos, a Tunísia, depois de levantar praticamente todas as restrições adotadas na sequência da COVID-19, pretende voltar a atrair os turistas portugueses, mercado que, em 2021, cresceu 46%.

O “Dossier” desta edição é dedicado aos seguros. Numa altura em que as viagens estão pouco a pouco a retomar, e com a generalidade dos destinos turísticos a levantar a maior parte das restrições, os seguros de viagem assumiram um papel fundamental.

A sustentabilidade veio com o compromisso não só do presente, mas, essencialmente, da vontade de encarar esta questão para um futuro não muito longínquo e ficcional.

Nos “Transportes”, e depois de ter retomado os voos entre a capital portuguesa e Telavive, em Israel, caos se justifique, a companhia admite aumentar ainda mais a operação.

Para concluir, Pedro Castro, fundador e diretor da SkyExpert Consulting, conta-nos um pouco da história de um dos gigantes dos céus: o Airbus A380.

As opiniões desta edição pertencem a Francisco Calheiros (CTP), Francisco Jaime Quesado (economista e gestor), Sílvia Dias (Savoy Signature), Duarte Leal da Costa (Ervideira), Ana Jacinto (AHRESP) Susana Mesquita (ISAG), Nuno Abranja (ISCE), Fernando J. Santos (GlobalSea & ShoreShore), António Paquete (economista), e Cristóvão Monteiro (CEIT).

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Edição digital: 2 anos de pandemia, os vencedores dos Portugal Trade Awards do Publituris, as propostas dos operadores e dossier seguros

Os vencedores dos “Portugal Trade Awards by Publituris @BTL 2022”, o balanço de dois anos de pandemia, entrevista BTL, operadores e propostas para o verão, FINE, El Al, Tunísia, Airbus A380, Lei 33, seguros são os temas em destaque nesta edição do Publituris.

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A edição de 18 de março de 2022 é uma edição especial. Não só porque se trata da edição em que o Publituris divulga os vencedores dos “Portugal Trade Awards by Publituris @BTL 2022”, conhecidos numa cerimónia realizada na BTL no passado dia 16 de março, como é a edição que faz o balanço dos dois anos da pandemia.

Como se isto não bastasse, é, também, a edição que marca o regresso da BTL, após dois anos sem o maior evento do setor do turismo.

Os vencedores
Mas vamos por partes. Nos “Portugal Trade Awards by Publituris @BTL 2022”, os vencedores foram os seguintes: a começar pela “Personalidade do Ano”, a redação do Publituris atribuiu, diretamente e por unanimidade, o prémio à secretária de Estado do Turismo, Rita Marques. Nas restantes 13 categorias, os vencedores foram: Melhor Companhia de Cruzeiros – MSC Cruzeiros; Melhor GSA Aviação – APG Portugal; Melhor Agência Corporate – Travelstore; Melhor Venue para Eventos e Congressos – Altice Arena; Melhor Parque Temático – Oceanário; Melhor Animação Turística; Picos de Aventura; Melhor Eco Resort – Areias do Seixo; Melhor Wine Hotel – The Yeatman; Melhor Exclusive Hotel – Six Senses Douro Valley; Melhor Luxury Hotel – Vila Vita Parc Resort & SPA; Melhor Alojamento Rural – Herdade da Malhadinha Nova; Melhor Startup – Hijiffy; Melhor Marina – Marina de Vilamoura.

A cerimónia da entrega dos prémios destacou-se pela presença de mais de 200 convidados, contando com a presença da secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo; presidente da CTP, Francisco Calheiros; presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira; presidente da APECATE, António Marques Vidal; secretária-geral da AHRES, Ana Jacinto, entre outros.

Os temas
Mas nesta edição, fazemos, igualmente, um balanço destes dois anos de pandemia. Resiliência é, sem dúvida, a palavra mais ouvida pelo Publituris. E se há dois anos a “million dolar question” era tentar saber quando aconteceria a retoma, atualmente, uma guerra na Europa veio reforçar as incertezas.

Nesse âmbito, também o presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo, faz a análise destes dois anos, admitindo, ou melhor, destacando, que aquilo que diferencia o nosso destino, permanece “exatamente na mesma” (senão melhor).

A Lybra Tech fez uma análise sobre o impacto da guerra na Ucrânia e revela que a escalada da crise russo-ucraniana perturbou o equilíbrio do mundo e trouxe consigo um novo clima de tensão e insegurança.

A lei que veio estabelecer as Entidades Regionais de Turismo (ERT) há muito que se tornou motivo de discórdia. Entre queixas e atropelos à lei, que retiraram autonomia e competências a estas entidades, o turismo regional pede mudanças e mostra-se ainda preocupado com o lugar que lhe está reservado no processo de regionalização.

Com a Páscoa praticamente vendida, os operadores turísticos em Portugal já têm os olhos postos no verão. A programação, que envolve principalmente a operação charter, foi colocada no mercado a tempo e horas, permitindo que os portugueses pudessem fazer a escolha do destino que mais lhes agrada.

A entrevista desta edição foi feita a Pedro Braga, diretor-geral Adjunto da FCE – Feiras, Congressos e Eventos – que levantou um pouco, não da edição da BTL de 2022, mas do que será um pouco da BTL no futuro. Certo é que o objetivo é “atrair mais destinos internacionais”.

Uma viagem a Espanha, mais concretamente a Valladolid, deu para conhecer a FINE – Feira Internacional do Enoturismo. Portugal não só marcou a sua presença, promovendo os recursos patrimoniais e naturais através da cultura do vinho, como confirmou o seu potencial no enoturismo.

Nos destinos, a Tunísia, depois de levantar praticamente todas as restrições adotadas na sequência da COVID-19, pretende voltar a atrair os turistas portugueses, mercado que, em 2021, cresceu 46%.

O “Dossier” desta edição é dedicado aos seguros. Numa altura em que as viagens estão pouco a pouco a retomar, e com a generalidade dos destinos turísticos a levantar a maior parte das restrições, os seguros de viagem assumiram um papel fundamental.

A sustentabilidade veio com o compromisso não só do presente, mas, essencialmente, da vontade de encarar esta questão para um futuro não muito longínquo e ficcional.

Nos “Transportes”, e depois de ter retomado os voos entre a capital portuguesa e Telavive, em Israel, caos se justifique, a companhia admite aumentar ainda mais a operação.

Para concluir, Pedro Castro, fundador e diretor da SkyExpert Consulting, conta-nos um pouco da história de um dos gigantes dos céus: o Airbus A380.

Além disso, ainda há “Check-in” e as opiniões desta edição pertencem a Francisco Calheiros (CTP), Francisco Jaime Quesado (economista e gestor), Sílvia Dias (Savoy Signature), Duarte Leal da Costa (Ervideira), Ana Jacinto (AHRESP) Susana Mesquita (ISAG), Nuno Abranja (ISCE), Fernando J. Santos (GlobalSea & ShoreShore), António Paquete (economista), e Cristóvão Monteiro (CEIT).

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Turismo de Portugal recorda ao setor os vários instrumentos de apoio disponíveis

O Turismo de Portugal, em informação publicada no seu site oficial, recorda ao setor os vários instrumentos de apoio que estão ainda disponíveis.

O Turismo de Portugal acaba de publicar no seu site oficial uma informação detalhada sobre os vários instrumentos de financiamento que apoiam o turismo disponibilizados pelo Banco Português de Fomento (BPF).

A informação recorda ao setor as dotações financeiras de cada um dos instrumentos de apoio, bem como a sua data de vigência.

​O Banco Português de Fomento (BPF) lançou já em 2022 dois instrumentos de capital no âmbito do Fundo de Capitalização e Resiliência (FdCR), no seu conjunto com uma dotação de 650 milhões de euros, “com o objetivo de aumentar a resiliência financeira das empresas nacionais, cujo problema de subcapitalização estrutural foi ampliado pela pandemia”.

Disponível está também o Programa Consolidar que, com uma dotação de 250 milhões de euros destina-se a apoiar a subscrição de fundos de capital de risco para investimento em PME e Mid Caps afetadas pela pandemia de Covid-19, mas economicamente viáveis e com potencial de recuperação, “de modo a promover o crescimento, expansão e consolidação de projetos empresariais, bem como o desenvolvimento de novas áreas de negócio e novos produtos”, destaca o Turismo de Portugal.

Por sua vez, o Programa de Recapitalização Estratégica tem uma dotação de 400 milhões de euros para estimular o crescimento sustentável de longo prazo da economia e reduzir o défice estrutural de capitalização de empresas nacionais estratégicas viáveis que tenham sido afetadas pela pandemia de Covid-19, colmatando a delapidação de capitais próprios e acelerando a dupla transição ecológica e digital.

Para além destes, destaca-se, ainda, um conjunto de instrumentos de garantia, lançados durante os anos de 2020 e 2021 e que se encontram em vigor em 2022, com diversos limites de prazo.

A Linha de Apoio ao Turismo 2021, a decorrer até dezembro de 2022, “é um instrumento de garantia dedicado ao setor que pretende alargar o leque de soluções atualmente oferecidas para apoiar a retoma sustentável do Turismo. Com uma dotação global de 150 milhões de euros, dispõe de três linhas específicas: Fundo Maneio, Investimento e Garantias Bancárias.

O turismo pode contar ainda com a RETOMAR – Linha de Apoio à Recuperação Económica, instrumento de garantia pública que pretende apoiar a reestruturação de empresas com créditos em moratória. Dirigida a empresas dos setores mais afetados pela pandemia de Covid-19, tem uma dotação de mil milhões de euros. O prazo para a contratação das operações junto das instituições bancárias está fixado em 30 de junho de 2022.

Adicionalmente, segundo a nota do Turismo de Portugal, foram prorrogados os prazos de vigência e contratação de operações no âmbito de diversas Linhas de Apoio à Economia Covid-19, que se traduzem em empréstimos bancários exclusivamente para o financiamento das necessidades de tesouraria.

De entre esses programas contam-se apoios às Agências de Viagens e Operadores Turísticos, até 31 de março de 2022. Com uma dotação de 100 milhões de euros, destina-se ao reembolso dos valores recebidos para viagens organizadas que não foram efetuadas ou foram canceladas por facto imputável à pandemia da Covid-19; e às Médias Empresas, Small Mid Caps e Mid Caps, até 30 de junho de 2022. Com uma dotação de 400 milhões de euros, destina-se a apoiar a recuperação das empresas mais afetadas pelos efeitos da pandemia do novo coronavírus.

Com uma dotação de mil milhões de euros e destinando-se a apoiar a recuperação das empresas mais afetadas pelos efeitos da pandemia do novo coronavírus, a linha destinada às Micro e Pequenas Empresas, terá duração até 30 de junho deste ano, enquanto para as Médias e Grandes Empresas do Turismo, há uma dotação de 300 milhões de euros para apoiar o emprego e a manutenção dos postos de trabalho no setor do turismo, com vigência até 30 de junho de 2022.

 

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