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“Encontrar a palavra turismo no PRR é como encontrar o Wally”

Reeleito para mais um mandato à frente da Confederação do Turismo de Portugal, Francisco Calheiros, acredita na recuperação do turismo. Para tal, haja aeroporto, TAP e, fundamentalmente, empresas e empresários.

Victor Jorge
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“Encontrar a palavra turismo no PRR é como encontrar o Wally”

Reeleito para mais um mandato à frente da Confederação do Turismo de Portugal, Francisco Calheiros, acredita na recuperação do turismo. Para tal, haja aeroporto, TAP e, fundamentalmente, empresas e empresários.

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Em maio de 2022, faz uma década que está à frente da Confederação do Turismo de Portugal e Francisco Calheiros espera estar a meio caminho na recuperação da indústria do turismo. Para já, ficam, em entrevista ao Publituris, as críticas à falta ou demora nos apoios e a esperança de que, quando a tal desejada retoma chegar, existam empresas, empresários, oferta, mas também capacidade para receber quem nos quer visitar. Ou seja, chega de meio século de discussão relativamente a um novo aeroporto.

Foi reeleito para um novo mandato à frente da CTP. Pergunto-lhe, nesta conjuntura ímpar e desafiante, o que ficou por fazer e o que transita para este mandato que termina em 2024?
Nestas atividades associativas ou confederações, fica sempre qualquer coisa por fazer e há muita coisa por fazer. Mas pensar no que foi o último mandato com o início deste, é como o dia e a noite.

Em 2018, estávamos a culminar nove anos de crescimento e lembro-me de, na altura, o gravíssimo problema que tínhamos com falta de mão-de-obra. Agora começamos um mandato onde, obviamente, esse problema não se coloca.

Este mandato começa por termos de olhar para o curto prazo, mais do que, propriamente, para o médio e longo prazo.

O que é o curto prazo?
O curto prazo é seis meses.

Portanto, ainda é 2021?
Sim, sem dúvida, ainda 2021. É evidente que temos inúmeras questões que deveríamos discutir. Desde questões gerais que não têm só a ver com o turismo. Uma reforma do Estado adiada há décadas, problemas com a demografia, com a natalidade.

Ou seja, questões estruturais?
Exatamente, mas que são a médio prazo. Contudo, também há questões estruturais para o turismo e que têm a ver, por exemplo, com o aeroporto.

Mas o aeroporto é a médio prazo quando está a ser discutido há cerca de 50 anos?
Tem razão, mas como disse, neste momento, temos de garantir que a oferta que existe se mantém instalada. A prioridade da CTP tem de ser a manutenção dos postos de trabalho e, sobretudo, a sobrevivência das empresas.

O que acontece é que, esta pandemia foi projetada e já dei este exemplo, dezenas, senão centenas de vezes, para saber se conseguíramos salvar a Páscoa de 2020. Já imaginou o que já passou desde março do ano passado?

Mas já fez este exercício: se não tivéssemos pandemia, que desafios é que a CTP estaria a debater?
Seriam completamente diferentes. Aeroporto, em primeiro lugar. Vamos ser claros, se em 2020 não tivesse havido pandemia, eu não sei o que se passaria no Aeroporto da Portela, mas seria, de certeza, outro desastre.

2019 já tinha sido complicado.
Agora imagine 2020, sem pandemia? Recordando janeiro e fevereiro de 2020, não havia razão para não acreditarmos que o turismo não crescesse a um ou dois dígitos.

Aliado ao problema aeroporto, o outro ponto que já foquei da falta de mão-de-obra.

Mas falta de mão-de-obra ou falta de mão-de-obra qualificada?
Esse é outro problema. Em 2016 falava em mão-de-obra qualificada. A partir de 2018, deixei cair a palavra “qualificada”. Nós não tínhamos mão-de-obra. Mas, para este mandato, essa é uma preocupação que só surgirá se as empresas sobreviverem.

O que lhe digo é que acaba em abril o pagamento dos 100% para empresas com quebras acima de 75%. Isto foi definido há três meses. Não sei se estava certo ou errado, o que não estava previsto era que em maio continuássemos praticamente a não ter atividade turística.

E não há possibilidade de redefinição desses apoios?
A minha esperança é que estes apoios sejam prolongados, pelo menos, até junho.

Uma realidade dramática
Vai fazer um ano que a CTP apresentou 99 medidas de apoio à atividade turística, bem como propostas para a capitalização das empresas. Depois de termos desconfinado, voltado a confinar e, agora, novamente em desconfinamento, que medidas foram aceites e postas em práticas e o que ficou na gaveta?
Em termos gerais e, especificamente, no turismo, houve uma medida em que o Governo esteve bem: o layoff e a medida de apoio à retoma.

Relativamente a outras medidas de apoios às empresas em geral e no turismo, estas são medidas burocráticas, lentas e insuficientes. Vamos pegar nas últimas. Algumas ainda estão no papel como, por exemplo, aquela dos 300 milhões para o turismo. Outras, como o reforço do Apoiar já estão esgotadas. O que é que isto quer dizer? Quer dizer que, se uma já está esgotada e a outra ainda não chegou, então são claramente insuficientes.

Portugal investiu muito pouco na recuperação. Tem de fazer mais, ou melhor, muito mais e rapidamente.

Nós nunca nos pronunciamos em questões sanitárias. Mas há uma questão económica que nos pronunciamos e muito. Uma pandemia que dura há mais de um ano e na qual a taxa de desemprego nem reflete este ano de pandemia, a decisão que está do lado do Governo é muito simples. Isto é um trade-off muito simples. Aguentar as empresas e dar valor ao esforço e à resiliência que essas empresas e empresários demonstraram. Muitas vezes perguntam-me, como foi possível aguentar? Foi possível, porque tivemos 10 ótimos anos de turismo e os empresários gastaram todas as suas poupanças que ganharam nestes anos para manter as empresas e postos de trabalho.

“Estando o PRR dentro do PE e alertando o PE para a necessidade de haver uma recuperação do turismo, por que razão ignora o PRR o turismo?”

Mas há um limite. Quando atingimos esse limite?
Esse limite já foi atingido. E como disse, ou o Governo mantém essas empresas e quando abrirem os corredores turísticos há oferta instalada, há companhias aéreas, há aeroporto, há hotéis, restaurantes, rent-a-cars e os turistas vêm para cá ou, se não existir isto tudo, eles não vêm.

E se esses turistas não vierem, aí não fecham 10 ou 20% das empresas. Aí fecham todas. Pode ter a certeza. E com isso, vão centenas e centenas de milhares para o desemprego.

Portanto, reforça o que disse em fevereiro passado quando afirmava que, se o Governo não atuar com rapidez, não haverá empresas para salvar?
Cada dia que passa a situação é mais dramática. Eu já não falo daquelas atividades que estão proibidas, como discotecas, bares, etc.. Falo das que não estão proibidas – hotéis, restaurantes, agências e viagens e outros – com quebras de 70 e 80%. Há inúmeras despesas fixas que, por mais que o Governo apoie, não tem sido suficiente.

O Banco de Portugal avança que se perderam 12 mil milhões de euros em receitas do turismo neste ano de pandemia.
Isso é um bocadinho de dinheiro, não é? Mas também não tenho dúvidas que esse valor vai voltar, haja oferta.

Nós continuamos cá com tudo, não perdemos nada. Há é uma proibição de viajar, mas a ansiedade das pessoas para viajar é enorme.

Mas relativamente a essa ansiedade para viajar, como é que olha para a questão do Certificado Verde Digital e a implementação do mesmo a tempo de, eventualmente, salvar o verão?
Antes da questão do certificado, tínhamos vários países ou cada país a impor as regras que achava mais convenientes.

Dentro da UE?
Dentro e fora da União Europeia. Para uns tinha de ser com vacina, para outros com teste, para outros era quarentena. O que é que a CTP defendeu e defende: chamem o que quiserem, mas a Europa tem de funcionar. A regra que vier a ser definida tem de ser comum aos 27 Estados-Membros, interna e externamente.

Ou seja, funcionar, efetivamente, como uma União?
Exato e que às vezes parece tudo menos unida. Um alemão, um americano, um finlandês, que viaje dentro do espaço europeu ou para fora dele, tem de saber com o que contar. Tem de saber quais são as regras.

A pior coisa que pode acontecer na Europa é que a questão sanitária seja ou se torne numa questão concorrencial.

Tal como na questão dos corredores turísticos em que houve países que aproveitaram a tal desunião existente?
Lá está, o que nós queremos é uma regra que defina bem o jogo.

Mas acha que aí a União Europeia foi mais desunida do que unida?
Acho que sim, tem de ser mais Europa, mais União. Aí tem de ser como fazem os ingleses, tem de ser “mandatory”. Não pode ser facultativo.

O Wally do PRR
Portugal foi o primeiro país a apresentar o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) a Bruxelas. Nas suas várias intervenções existia sempre a critica de que o turismo não existe no PRR. Como é que gostaria de ver o setor do turismo espelhado no documento?

Esta vai pagar direitos de autor, mas, de facto, encontrar a palavra turismo no PRR é como encontrar o Wally.

Além do PRR, acabou de sair o Plano de Estabilidade (PE), que estamos a estudar, e como sabe o PRR está dentro do PE. Este último diz o seguinte: atenção que o turismo de 2009 a 2019 foi determinante para a recuperação da economia portuguesa. Neste sentido, e com um PE que tem o PRR incluindo, é fundamental ter medidas muito concretas e específicas para o turismo.

Por isso, se ler primeiro o PE e depois o PRR, vai para o PRR excitadíssimo, já que o PE diz que no PRR têm de estar lá as medidas e deverão ser “toneladas delas”. Porém, é como encontrar o Wally.

“Diria que o turismo perdeu entre 42.000 a 45.000 pessoas durante a pandemia”

O que fizeram durante a consulta pública do PRR?
Nós enviámos um trabalho muito bem feito e que tinha propostas muito concretas. O que o Governo nos diz é que não é no PRR que essas medidas concretas devem estar, que há mais no PE, mais no Portugal 2020-30 e no Quadro Financeiro Plurianual.

É uma resposta, mas não convencidos e satisfeitos com a resposta fomos procurar se os nossos concorrentes também fizeram isso. O PRR de Espanha, por exemplo, não fala no turismo. Tem, antes, um capítulo inteiro específico para o turismo e que dá pelo nome de “Plano de Modernização e Competitividade do Turismo”. Depois fomos a Itália, igual a Espanha. Só muda o nome para “Turismo e Cultura 4.0”.

Portanto, esta é uma decisão do Governo português.

Mas o que ainda estranhamos mais é que, após a consulta pública do documento, apareceram capítulos específicos para a cultura e para o mar. Com o maior respeito que tenho pela cultura e pelo mar, não entendo como é que vindo do PE a recomendação “cuidado com a baixa do turismo, é obrigatória colocá-la em alta para fazer regressar 2019”, pura e simplesmente se tenha ignorado tal recomendação.

Estando o PRR dentro do PE e alertando o PE para a necessidade de haver uma recuperação do turismo, por que razão ignora o PRR o turismo?

Portugal lá fora
Estamos numa nova fase do desconfinamento. Lembro-me de sugerir uma mega-campanha internacional, de forma a mitigar a má imagem que o país passou. Ainda mantém essa sugestão?

É verdade. De facto, olha-se para trás e ninguém percebe porque se passou do 8 para o 80 e depois do 80 para o 8. Quando estávamos naquela situação dramática, fiquei, naturalmente, preocupadíssimo. Porquê? Porque abrir os telejornais na Europa e no mundo a dizer que Portugal era o país com mais infetados por 100 mil habitantes era uma péssima imagem. Não tenho dúvida nenhuma de que, quando as pessoas começarem a marcar as suas férias, irão, antes, ver como está a situação sanitária de determinado país. E aqui, Portugal passou por uma fase horrível.

Mas, pelo facto de termos uma pandemia, de as pessoas não viajarem há mais de um ano e pelo facto dos destinos concorrentes de Portugal (Espanha, Itália, Grécia) passarem pelos mesmos problemas quando isto abrir – e temos tido muitas conversas com o Turismo de Portugal(TP) – temos de lançar, urgentemente, uma mega-campanha. Não tanto a dizer que estamos bem, isso as pessoas podem ver, mas tudo aquilo que compõe a campanha promocional de um país como as negociações das rotas aéreas, vinda de jornalistas estrangeiros, artigos publicados lá fora no online e offline, aquilo que o TP me tem dito é, “Francisco, está tudo pronto!”. O que acontece é que estão a tentar prever quando é que isto abre, porque também não vale a pena ter razão antes de tempo. As reservas, neste momento, são muito imediatas. Nós temos o exemplo do ano passado, em agosto, com o Reino Unido foi impressionante. Lembra-se que o corredor inglês sempre teve fechado com Portugal. Abriu uma semana em agosto. Pois foram mais de 50 voos diários para Faro.

Quando é que essa campanha deveria ser lançada?
Diria, já!

Mas quando focou os concorrentes de Portugal, todos vão estar em pé de igualdade. Além desses, ainda teremos Tunísia, Marrocos, Egipto, Turquia, etc..
Sim, essa é uma “ameaça” real. Vamos ter mais concorrência, mais competição, razão pela qual temos de ter urgentemente uma campanha internacional fortíssima. Ou seja, antecipar, até porque há mais gente a concorrer.

O “novo velho” aeroporto
Como focou logo no início da nossa conversa, a maioria desses turistas vêm, não de carro, mas de avião. E aí, Portugal terá um grande problema para resolver?
Lembro-me da primeira reunião que tive com o ministro Pedro Nuno Santos, por causa do problema TAP e aeroporto, no ano passado. Eu, na altura, já referia que não se conseguia resolver um problema em praça pública e o aeroporto era abertura de telejornais. A COVID pôs-lhe um tampão. E disse, “esta é a altura certa para aproveitar, nos bastidores, negociar e fazer o aeroporto”. É com grande desgosto e é essa a palavra certa, desgosto, pensar que já passou mais de um ano e evoluímos zero.

“Nós temos defendido muito a opção Montijo”

Evoluímos ou andámos para trás?
Tem toda a razão. Regredimos. Neste momento estamos a realizar um Estudo de Impacto Ambiental Estratégico para três soluções. Portanto, este estudo vai adiar, mais uma vez, algo de urgente resolução. Ora, se segundo as perspetivas mais pessimistas apontam para que, em 2024, estarmos muito perto do que era 2019, esqueça aeroporto.

É inaceitável, inacreditável.

Mas aí só está a equacionar Montijo, porque se a solução for Alcochete, teremos aeroporto dentro de uma década?
Nem quero ouvir falar nisso. É preciso não esquecer que o aeroporto é uma obra estruturante para o país. Que é de importância fulcral para o turismo? É! Mas não só. Será fundamental para toda a atividade económica.

Uma empresa exportadora que venha ver a capacidade do nosso principal aeroporto, é razão mais do que suficiente para ir embora ou não querer vir para Portugal.

Acho que é algo que nos deve envergonhar a todos. Estar a discutir há 50 anos a localização de um novo aeroporto.

Teme que se veja inscrito a mesma expressão que se viu por causa da Barragem do Alqueva: “Construam-me, porra!”?
Não sei se me está a querer dar ideias, mas para evitar repetições, optar, eventualmente, por um: “Porra, construam-me!”.

Eventualmente, quando voltar a entrevistar-me depois do final da pandemia e perguntar-me que desafios temos agora pela frente, talvez lhe responda na altura que não temos mais nenhuns, porque não há mais nada para fazer, porque não cabe mais ninguém no aeroporto.

Mas do lado da CTP existe alguma preferência ou a questão é, precisamos de um aeroporto, seja ele no Montijo, Alcochete, Alverca, Ota, etc.?
Nós temos defendido muito a opção Montijo. Porquê? Por causa de três questões. (i) A opção Montijo mantém a Portela viva e, quer queiramos ou não, a Portela é um fator de competitividade para a cidade gigantesco. (ii) A opção Montijo é a opção mais rápida e barata. (iii) Depois, falamos do Montijo, parece que ninguém sabe o que já lá está. Montijo é uma base aérea. Ora, já lá está, praticamente, tudo.

Falar em aeroporto é ter de falar da TAP. Vamos ter TAP, vamos ter “TAPzinha”?
Não conheço o plano de reestruturação da TAP. Se é preciso um plano de reestruturação? Bem, a maior parte das companhias aéreas está a ser reestruturada. Portanto, a TAP, com o que conhecemos, dificilmente, escaparia a uma reestruturação. Do que conhecemos da TAP, há que referir a importância das duas apostas feitas no Brasil e nos EUA. Nós tivemos em Portugal brasileiros e americanos como nunca. Porquê? Porque é o voo direto que impulsiona o tráfego. O que se pergunta é o seguinte: com a reestruturação e baixa de 20 ou 30 aeronaves é possível manter a política de ‘hub’? A TAP diz que sim, eu não sei.

Porque perdendo esse hub?
Nem quero pensar nisso.

“Com a reestruturação e baixa de 20 ou 30 aeronaves é possível manter a política de ‘hub’? A TAP diz que sim, eu não sei”

Mas além dessa questão coloca-se, igualmente, a problemática do CEO.
O Fernando Pinto quando veio, veio com homens-chave. O Antonoaldo Neves trouxe uma equipa inteira. Agora vem um CEO sem equipa? Outra questão: quando se abre um processo de reestruturação e de rescisões, não pode sair quem quer, sai quem não fizer falta à empresa. Vai falar com qualquer agência ou operador, o que eles dizem é que não têm com quem falar. Isso preocupa-nos.

Mas será que é a gestão pública que está a dificultar a vinda de um novo CEO?
Não sei, mas que está a dificultar, acredito. Até porque, quando chegar, não vai ver o que pode ou deve fazer. Não, vai fazer o que já foi submetido e aprovado. Vamos ver quem aceitará esse jogo.

Venha lá essa retoma
A retoma que aí vem poderá ser desfavorável para o turismo, na medida em que, com tanta concorrência, a primeira coisa que se fará é baixar preço? Portugal é um destino “demasiadamente” barato?
Não concordo com quem afirma isso. Vamos ser realistas, um país que tem 27 milhões de turistas, em 2019, tem de tudo. Isto não é um turismo de nicho. O melhor local para ver isso é o Algarve. Tem lá, desde o turista de massas até ao turista de 5 e 6 estrelas.

Mas vou recordar algo que as pessoas se esquecem. Antes de 2009 houve muito oferta criada que não foi acompanhada pela procura. De 2009 para trás, crescemos muito pouco. De 2009 a 2019 aconteceu exatamente o oposto, ou seja, a procura foi maior que a oferta. O que é que aconteceu de 2009 a 2019? O REVpar cresceu sempre mais do que o número de turistas, ou seja, nós tivemos de aumentar os preços sempre acima da procura.

Pode perguntar-me, acha que isto agora vai sofrer um revés? Sim, acho. Quando os hotéis estão cheios, é fácil dizer, não baixo preço. Mas agora, estamos com hotéis a 40% e menos, muito menos.

Não podemos perder a noção do seguinte, há lugar para todos. Temos turismo de 6 estrelas, 5 estrelas, de 4, 3, 2 estrelas.

E há que manter?
Sem dúvida, há que manter. Há toda uma oferta instalada nesse sentido. Não se esqueça que Portugal é considerado, de 2019 para trás por quatro vezes consecutivos o melhor destino de golfe do mundo. O turista de golfe é do que mais dinheiro gasta.

As cidades de Lisboa e Porto eram das cidades mais procuradas para congressos.

Até o setor automóvel, com as apresentações internacionais …

Não há apresentação internacional de automóvel que Portugal não seja considerado. Eu lembro-me de uma marca automóvel que trouxe a Portugal 6.000 jornalistas. Ora, isso é imbatível.

Mas houve muita gente no turismo de negócios a enveredar pela “facilidade” do digital?
Há um turismo de negócios que foi ensinado por esta pandemia a fazer coisas digitalmente. O Zoom e o Teams e outras soluções vieram questionar aquela reunião a Madrid ou a Paris por 2 ou 3 horas.

Posso organizar um congresso médico com 6.000 ou 10.000 pessoas no digital? Posso, mas não é a mesma coisa.

O que sobrará ou sobreviverá do setor do turismo? Tem noção de quantas empresas, empregos se perderam?
Não temos a bola de cristal. O que temos vindo a saber é que o número de empresas a fechar não tem sido muito diferente de anos anteriores. Quanto ao desemprego, é,provavelmente, a atividade em que mais se sentiu isso. Os números que temos são do INE referentes à hotelaria e restauração. Diria que o turismo perdeu entre 42.000 a 45.000 pessoas durante a pandemia.

Considerando que vamos ter prolongamento de layoff, que as medidas do Governo vão ser mais incisivas até setembro, que iremos ter um verão mais normal, a capacidade de vacinação vai ser maior, que em setembro já poderemos ter a tal imunidade de grupo, diria que, tenho alguma esperança que a maior parte da nossa oferta instalada se mantenha. E aqui, temos de dizer isto muito claramente, tem de haver um elogio muito grande às associações do setor e aos empresários do turismo. Têm aguentado estoicamente. Tem havido uma atitude de responsabilidade por parte dos atores do setor do turismo que temos de salientar. Não vejo ninguém a baixar os braços. Empresas proibidas de funcionar, não é perder 50% ou 75%. É perder 100%.

Os 10 anos de capitalização esfumaram-se?
Como se costuma dizer, a carninha está toda no assador.

Ainda faltam cerca de 5 meses para o Dia Mundial do Turismo e para o dia do evento da CTP.  Mas como gostaria de abrir o seu discurso nesse dia 27 de setembro?
Boa tarde, muito bem-vindos a este dia 27 de setembro a mais um Dia Mundial do Turismo. As minhas primeiras palavras são para dizer que debelou-se a pandemia. Portanto, uma vez constituída a imunidade de grupo e com o número de infetados praticamente inexistentes, Senhores governantes, é favor de olhar para as empresas portuguesas que aguentaram isto tudo, que estão descapitalizadas e que precisam de apoios.

Vamos por as empresas portuguesas em condições de colocar o turismo como, novamente, o motor da economia como o foi de 2009 a 2019.

Estas são as palavras que gostaria de dizer no dia 27 de setembro de 2021.

*Esta entrevista foi publicada na edição 1438 do jornal Publituris.

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Viagens entre as prendas mais pedidas pelos portugueses

Mais de 38% dos portugueses afirma que gostaria de receber uma viagem como prenda de Natal.

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Para o Natal de 2021, os desejos dos portugueses incluem as viagens, revela o estudo “Hábitos e Tendências Natal 2021”, efetuado online numa base de dados de utilizadores registados na plataforma da multidados.com.

Na realidade, as viagens (38,4%) aparecem entre os presentes mais desejados pelos portugueses, depois da roupa e calçado (52,8%), dinheiro (51,7%) e livros (43,8%).

Em termos de orçamento, os portugueses (71,1%) vão gastar entre 51 e 300 euros em presentes, o que corresponde a quase metade do orçamento total para o Natal.

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Fusões, aquisições e outros negócios crescem 22% nas viagens e turismo em outubro, diz GlobalData

Segundo a GlobalData, em outubro, registaram-se 72 negócios no setor das viagens e turismo, incluindo fusões aquisições, negócios de private equity e financiamento de risco.

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Em outubro, registaram-se 72 negócios no setor das viagens e turismo, incluindo fusões aquisições, negócios de private equity e financiamento de risco, o que representa um aumento de 22% face às 59 transações anunciadas em setembro, avança a GlobalData, destacando que outubro foi o segundo mês do ano com subida neste indicador.

“Este é o segundo mês consecutivo de crescimento nos negócios no setor. Como vários países abrandaram as restrições às viagens e estão a promover a vacinação de reforço, o clima negocial parece estar a melhorar”, refere Aurojyoti Bose, analista líder da GlobalData, realçando, no entanto, que “um aumento dos casos de COVID-19 em alguns dos principais mercados pode trazer mais desafios e alterar o sentimento dos investidores nos próximos meses”.

De acordo com a GlobalData, em outubro, a operações de financiamento de risco aumentaram 61,5%, enquanto as fusões e aquisições tiveram um crescimento de 33,3% face ao mês anterior. Ainda assim, as operações de private equity diminuíram, tendo descido 31,3%.

“A atividade de negócios melhorou em mercados importantes como os EUA, Austrália, Japão, França e Coreia do Sul em outubro em comparação com o mês anterior, enquanto mercados como China e Índia testemunharam declínio na atividade de negócios”, acrescenta Aurojyoti Bose.

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Comissão Europeia prolonga auxílios estatais de apoio à recuperação económica até junho de 2022

Com as incertezas provocadas pelo agravamento de casos na Europa, a Comissão Europeia decidiu prorrogar até 30 de junho de 2022 o Quadro Temporário relativo aos auxílios estatais e, assim, dar maior impulso à recuperação com a introdução de duas novas medidas de apoio.

Victor Jorge

A Comissão Europeia (CE) decidiu prorrogar até 30 de junho de 2022 o Quadro Temporário relativo aos auxílios estatais (cujo termo está atualmente previsto para 31 de dezembro de 2021). A fim de dar maior impulso à recuperação, a Comissão decidiu igualmente introduzir duas novas medidas para criar incentivos diretos ao investimento privado orientado para o futuro e apoiar a solvabilidade, que vigorarão durante um período limitado adicional.

A vice-presidente executiva Margrethe Vestager, responsável pela política de concorrência, afirma, em nota oficial que, “desde o início da pandemia, o Quadro Temporário relativo aos auxílios estatais permitiu que os Estados-Membros prestassem um apoio específico e proporcionado às empresas necessitadas, criando simultaneamente salvaguardas para preservar condições de concorrência equitativas no mercado único”.

Este prolongamento por mais seis meses, até ao final de junho do próximo ano, “torna possível uma eliminação progressiva e coordenada das medidas de crise, evitando um fim abrupto dos apoios, e reflete a forte recuperação prevista da economia europeia”, salienta Vestager.

Por outro lado, a responsável pela política de concorrência admite “continuar a acompanhar de perto o aumento das infeções por COVID-19 e outros riscos para a recuperação económica”, destacando a introdução de dois novos instrumentos “a fim de relançar a economia e atrair investimento privado tendo em vista uma recuperação mais rápida, mais ecológica e mais digital”.

Apoio ao investimento e solvabilidade
Entre os dois novos instrumentos agora introduzidos estão “medidas de apoio ao investimento”, a fim de ajudar os Estados-Membros “a colmatar o défice de investimento causado pela crise”. Desta forma, os Estados-Membros podem “criar incentivos para os investimentos realizados pelas empresas e utilizar este instrumento para acelerar as transições ecológica e digital”, lê-se no documento da Comissão Europeia. Para evitar “distorções indevidas da concorrência”, este instrumento inclui “salvaguardas” tais como a “obrigação de as medidas se dirigirem a um vasto grupo de beneficiários e de os montantes do auxílio terem uma dimensão limitada”. O instrumento está à disposição dos Estados-Membros até 31 de dezembro de 2022; e

Outro dos instrumentos introduzidos são “medidas de apoio à solvabilidade”, a fim de “mobilizar fundos privados e disponibilizá-los para investimentos em pequenas e médias empresas (PME)”, incluindo empresas em fase de arranque e pequenas empresas de média capitalização. Os Estados-Membros podem conceder garantias a intermediários privados, criando “incentivos ao investimento nestes tipos de empresas e proporcionando-lhes um acesso mais fácil a esse financiamento por capitais próprios”, diz a CE, reconhecendo que este é “muitas vezes difícil de atrair individualmente”. Isto é particularmente relevante à luz do aumento do endividamento das empresas durante a crise, encontrando-se este instrumento à disposição dos Estados-Membros até 31 de dezembro de 2023.

Além disso, entre outras alterações, a Comissão: i) prolongou, de 30 de junho de 2022 até 30 de junho de 2023, a possibilidade de os Estados-Membros converterem instrumentos reembolsáveis (por exemplo, garantias, empréstimos, adiantamentos reembolsáveis) concedidos ao abrigo do Quadro Temporário noutras formas de auxílio, tais como subvenções diretas, ii) adaptou proporcionalmente à duração prolongada os montantes máximos de certos tipos de auxílios, iii) clarificou a utilização das disposições excecionais de flexibilidade das orientações da Comissão relativas aos auxílios de emergência e à reestruturação e iv) prolongou a lista ajustada de países com riscos não negociáveis, no contexto do seguro de crédito à exportação em operações garantidas a curto prazo (STEC), por um período adicional de 3 meses (de 31 de dezembro de 2021 a 31 de março de 2022).

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Victor Jorge

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Ministros do Turismo da UE definem caminho para uma transformação verde e digital do ecossistema do setor até 2030

A recuperação do ecossistema do turismo na União Europeia passa, segundo os ministros responsáveis, pela transição verde e digital, mas também educação e formação.

Victor Jorge

Os ministros do Turismo da União Europeia (UE) reuniram-se, soba a presidência atual da Eslovénia, para discutir as principais ações para preparar um conjunto concreto de medidas para a recuperação do ecossistema do turismo. Estas medidas irão, refere o comunicado final, facilitar o “caminho de transição para a recuperação”, com foco na promoção da transição verde e digital do ecossistema do turismo.

A reunião, presidida pelo ministro do Desenvolvimento Económico e Tecnologia, Zdravko Počivalšek, abriu com a afirmação de que a União Europeia conseguiu tomar as primeiras medidas de emergência em 2020 e 2021 para ajudar a indústria do turismo na sequência da pandemia da COVID- 19. “Isso ajudou o ecossistema do turismo a superar o primeiro choque. No entanto, é fundamental que essas medidas de curto prazo sejam seguidas por outras de longo prazo”, enfatizou Počivalšek.

“O ecossistema do turismo precisa ser transformado de uma forma que o torne mais resiliente, sustentável e pronto para os novos desafios do mercado e para a mudança dos padrões de comportamento dos consumidores do turismo”, salientou o ministro esloveno.

No encontro, no qual participou a secretária de Estado do Turismo de Portugal, Rita Marques, os ministros concordaram que a recuperação do turismo deve estar no centro da transição verde e digital e que “precisamos construir um ecossistema de turismo sustentável e resiliente”.

Neste contexto, sublinharam a necessidade de “reforçar a resiliência das empresas e da indústria europeias”, também à luz de futuras crises. Além disso, chamaram a atenção para a “necessidade de restaurar as viagens turísticas seguras” e de reconstruir a confiança do consumidor. Recordaram a importância de “um mercado único aberto e em bom funcionamento que garanta rotas de transporte abertas” e sublinharam a importância de “financiar a recuperação do setor do turismo”.

Além disso, os responsáveis pela pasta do turismo dos vários Estados-Membros destacaram ainda a importância da “educação e formação”, bem como a necessidade de re-skilling e up-skilling do ecossistema do turismo. Isto é importante para garantir que as pessoas tenham as habilitações certas para enfrentar os desafios da digitalização e da transição verde.

Uma parte importante da recuperação e da transição dupla é o fornecimento de dados comuns para partilha. “A inovação para o ecossistema do turismo precisa ser fortalecida e os processos de negócios precisam ser acelerados”, referiram os ministros, apelando, ainda, a que sejam tidas em consideração as “diferenças de desenvolvimento entre os Estados-Membros e as regiões da UE”, uma vez que as regiões remotas e insulares são um tipo específico de região que também requerem “soluções sustentáveis e digitais”. Os ministros também apelaram ao envolvimento de todas as partes interessadas no processo de recuperação a todos os níveis ao enfatizar a importância da “partilha das melhores práticas e a necessidade de garantir tempo suficiente para preparar as medidas de recuperação”.

Os ministros concordaram que o caminho de transição fornece uma boa base para a preparação da Agenda Europeia do Turismo 2030–2050. Em conclusão, o ministro presidente da reunião afirmou ser “essencial que a UE também embarque na dupla transição, se pretendemos manter a competitividade global da Europa e ser o destino turístico número um do mundo”.

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Turismo europeu mostra sinais de recuperação no verão 2021

Os sinais dados pelo turismo na União Europeia, no verão deste ano, parecem ser animadores. Falta saber se conseguem manter-se em crescendo com os últimos crescimentos de casos na Europa.

Victor Jorge

No verão de 2021, o turismo europeu mostrou sinais de recuperação após a atual pandemia da COVID-19, revela o Eurostat.

O mês de agosto de 2021 apresentou os sinais de recuperação mais promissores para os valores pré-COVID em termos do número dormidas em estabelecimentos de alojamento turístico na UE (hotéis, alojamentos de férias e outros alojamentos de curta duração e parques de campismo).

Portugal aparece, em agosto de 2020, como nono país com uma maior subida no número de dormidas em estabelecimentos de alojamento turístico face ao ano anterior.

Contudo, o mês de agosto de 2021 mostra uma queda de 20% em comparação com agosto de 2019, enquanto a quebra verificada em agosto de 2020 face ao mesmo mês de 2019 foi de 30%. Esses sinais de recuperação também foram observados em julho (-29% em 2021; -40% em 2020) e em junho (-51%; -70%).

No outro extremo da escala, ao longo de 2021, abril registou a maior queda no número de dormidas em alojamentos turísticos (-81% face a abril de 2019). No entanto, abril de 2020 teve um declínio de 95% em comparação com abril de 2019.

Durante os três meses de verão, de junho a agosto de 2021, 856 milhões de noites foram passadas em alojamentos turísticos da UE, uma queda de 31% em comparação com o verão cobiçado de 2019. O número de dormidas em estabelecimentos de alojamento turístico diminuiu em todos os Estados-membros em julho-agosto de 2021 em comparação com 2019, variando de -48% na Grécia a -5% na Holanda. O declínio foi de mais de 25% em 10 dos 24 Estados-Membros com dados disponíveis. Portugal ocupa o quinto lugar nos países com quedas mais acentuadas.

Em comparação com 2020, porém, o número de pernoitas em estabelecimentos de alojamento turístico em junho-agosto de 2021 aumentou em quase todos os Estados-Membros com dados disponíveis. Apenas a Leónia apresentou queda (-16%).

Em junho-agosto de 2021, a diminuição do número de dormidas em alojamento turístico foi mais forte nos hóspedes internacionais (-54% face a igual período de 2019) do que nos domésticos (-10%).

 

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61% dos turistas americanos preferem comprar seguros de viagem através de agências

Os seguros de viagem relacionados com a pandemia da COVID-19 registaram aumentos significativos. Nos EUA, por exemplo, quase 2/3 dos turistas admitem que preferem comprar o seguro no agente de viagens.

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Uma pesquisa recente indica, realizada pela seguradora Cover Genius e Momentive.ai (pertencente ao universo da SurveyMonkey) indica que 61% dos viajantes dos EUA preferem comprar um seguro de viagem por meio do seu consultor de viagens ou agente de viagens do que por conta própria. Além disso, os inquiridos aferiram, igualmente, que tiveram uma experiência melhor em fazer reclamações por meio de seguradoras de viagens escolhidas pelos seus consultores.

Além disso, a pesquisa revela, também, que 42% dos viajantes dos EUA planeiam mudar o seu canal de seguro de viagem atual devido à insatisfação com a cobertura e experiências de sinistros, verificando-se que os 61% que preferem comprar diretamente ao agente de viagens corresponde a um crescimento de 35% aos últimos 18 meses.

Ao comparar as compras recentes com as preferências de compra futura de seguros de viagem, 69% das pessoas que adquiriram seguros ao agente de viagens fariam-no novamente, enquanto 44% dos viajantes que adquiriram proteção anteriormente através de uma seguradora online, admitem mudar para outro fornecedor de seguros da próxima vez.

Para aqueles que fizeram seguro por meio do cartão de crédito, 45% indicou a preferência por mudar para outro fornecedor. As conclusões desta pesquisa mostram, igualmente, que, enquanto 34% dos viajantes dos EUA obtiveram seguro de viagem para se protegerem de problemas relacionados com a pandemia desde março de 2020, mais de um quarto (27%) desses viajantes viram as suas reclamações rejeitadas.

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Proveitos do turismo nos nove meses de 2021 superam totalidade de 2020, mas ficam 50% abaixo de 2019

Apesar dos valores estarem acima dos registados no ano passado, os proveitos de 2021 ainda estão a metade do ano recorde de 2019.

Victor Jorge

Os proveitos no alojamento turístico em Portugal, nos primeiros nove meses de 2021, ascenderam a um valor total de 1.630 milhões de euros, sendo 1.245 milhões de euros são relativamente a aposentos, revela o Instituto Nacional de Estatística (INE). Isto compara com proveitos homólogos totais de 2020 de 1.222 milhões de euros e 3.470 milhões em 2019. Já no campo dos aposentos, os valores são de 920 milhões e 2.633 milhões respetivamente.

Segundo a análise do INE, nos primeiros nove meses do ano, os proveitos registaram crescimentos de 33,3% no total e 35,3% relativos a aposento, face ao mesmo período de 2020. Já comparando com o mesmo período de 2019, os proveitos totais recuaram 53% e os relativos a aposento diminuíram 52,7%.

O INE demonstra, no entanto, que os proveitos registados nos primeiros nove meses de 2021 já superaram os valores registados para a totalidade do ano de 2020.

Por região e relativamente aos primeiros três trimestres deste ano, o INE revela que os proveitos do Algarve ascenderam a 603,5 milhões de euros no total, sendo 470 milhões relativos a aposentos. Este valor fica bem longe do alcançado pela segunda região deste ranking (Lisboa) que totalizou 278,9 milhões de proveitos, sendo que 216,8 milhões foram em aposentos, e do último lugar do pódio ocupado pela região do Norte que registou 231 milhões de euros de proveitos totais, nos primeiros nove meses de 2021, sendo que 177 milhões estão na alínea dos aposentos.

Entre janeiro e setembro de 2021, considerando a generalidade dos meios de alojamento (estabelecimentos de alojamento turístico, campismo e colónias de férias e pousadas da juventude), registaram-se 11,1 milhões de hóspedes e 30,2 milhões de dormidas, correspondendo a crescimentos de 14,5% e 18,7%, respetivamente.

Estes valores equiparam-se aos 9,7 milhões de hóspedes e 25,5 milhões de dormidas de 2020 e a 23,4 milhões de hóspedes e 63 milhões de dormidas de 2019, indicam os dados do INE.

Quanto aos estabelecimentos de alojamento turístico, estes registaram, nos primeiros nove meses do ano, 9,8 milhões de hóspedes e 25,8 milhões de dormidas, correspondendo a aumentos de 14,4% e 19,5%, respetivamente, relativamente ao mesmo período de 2020, ficando, contudo, bem longe dos 21,4 milhões de hóspedes e 56 milhões de dormidas de 2019.

Já quanto à origem dos hóspedes e dormidas nos primeiros nove meses de 2021, os dados do INE mostram que 7,2 milhões de hóspedes são residentes, enquanto 3,9 milhões são não residentes, refletindo um aumento de 28,7% nas dormidas de residentes e de 9,4% nas de não residentes face ao mesmo período de 2020. Comparando, contudo, com o mesmo período de 2019, as dormidas diminuíram 54% (-14,4% nos residentes e -71,2% nos não residentes).

Relativamente ao mês de setembro de 2021, o setor do alojamento turístico registou 2,1 milhões de hóspedes e 5,6 milhões de dormidas, correspondendo a aumentos de 52,3% e 58,4%, respetivamente (+35,5% e +47,9% em agosto, pela mesma ordem). Os níveis atingidos em setembro de 2021 foram, no entanto, inferiores aos observados em setembro de 2019, tendo diminuído o número de hóspedes e de dormidas, 28,9% e 26,6%, respetivamente.

Os dados do INE demonstram, igualmente, que, em setembro, o mercado interno contribuiu com 2,6 milhões de dormidas e aumentou 26,8%, continuando a superar os níveis do período homólogo de 2019 (+15,6%). As dormidas de não residentes duplicaram face a setembro de 2020 (+100,7%) e totalizaram três milhões de dormidas, mas foram cerca de metade das registadas em setembro de 2019 (-43,9%).

Os proveitos registados no nono mês de 2021 nos estabelecimentos de alojamento turístico atingiram 355,5 milhões de euros no total e 268,6 milhões de euros relativamente a aposento. Comparando com setembro de 2019, os proveitos totais diminuíram 29,1% e os relativos a aposento decresceram 29,8%.

Neste mês, o Algarve concentrou 33,5% das dormidas, seguindo-se a região de Lisboa (19%), o Norte (15%) e a Madeira (12,4%).

Finalmente, o rendimento médio por quarto disponível (RevPAR) situou-se em 47,9 euros em setembro (71,9 euros em agosto). O rendimento médio por quarto ocupado (ADR) atingiu 92 euros em setembro (116,2 euros em agosto). Em setembro de 2019, o RevPAR foi 66,3 euros e o ADR 97,2 euros.

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ISCTE Executive Education debate futuro da hotelaria e turismo no pós-Covid

A Masterclass subordinada ao tema “Hotelaria e Turismo no pós Covid”, tem como objetivo promover um debate sobre o Turismo e a Hotelaria no contexto pós-Covid.

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No próximo dia 10 de novembro, o ISCTE Executive Education vai realizar uma Masterclass subordinada ao tema “Hotelaria e Turismo no pós-Covid”, com o objetivo de promover um debate sobre o Turismo e a Hotelaria no contexto pós-Covid, onde, numa abordagem disruptiva, se discutirão tendências e oportunidades, para uma rápida recuperação do setor.

Este evento, de caráter presencial, contará com a participação de Francisco Moser e Joaquim Vicente Rodrigues, ambos professores do ISCTE e coordenadores da Pós-Graduação em Top Management in Hospitility and Tourism do ISCTE Executive Education, bem como de Filipa Vinha e André Romeiro, autores do livro Turnaround em Hotelaria.

O registo pode ser feito aqui.

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“Trapalhada” na política portuguesa prejudicará o crescimento de 2022, aponta Oxford Economics

Para a Oxford Economics, a atual conjuntura política portuguesa poderá prejudicar o crescimento apontado para 2022, bem como o investimento inicialmente previsto.

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O mais recente relatório da Oxford Economics não abunda muito a favor de Portugal, com a análise a indicar que a “trapalhada” política prejudicará o crescimento económico do país em 2022.

Na realidade a consultora refere que a turbulência política em Portugal vai “atrasar a execução de alguma recuperação da UE financiar e congelar as principais medidas de estímulo planeadas para o próximo ano”. Consequentemente, a Oxford, reduz a perspetiva de crescimento em 2022 de “5,2% para cerca de 4,5%”.

No comunicado que informa esta situação pode ainda ler-se que “uma grande parte da produção perdida deve ser recuperada em 2023-2024 após um novo Governo voltar a gastar o dinheiro da UE”.

Mas a Oxford Economics chama a atenção para o facto de existir um “risco importante”, dado que um novo Governo “pode decidir desviar-se do plano atual, dificultando ainda mais, ou mesmo colocando em risco, o desembolso dos fundos de recuperação”.

Embora a crise política não seja uma notícia bem-vinda para os investidores, a primeira resposta dos mercados foi “silenciada”, conforme escreve o senior economist, Ricardo Amaro. Segundo o mesmo, “os rendimentos dos títulos a 10 anos de Portugal têm aumentado nos últimos dias”, apesar do nosso país não ser o único que se encontra a viver esta situação, admitindo a análise que “o aumento é semelhante ao que afeta outros países da periferia da zona do euro”.

Segundo as contas da Oxford Economics, “o Governo tinha, originalmente, planeado gastar quase seis mil milhões de euros dos fundos de recuperação da UE no ano de 2021 e no ano seguinte (35% do total do pacote)”. Contudo, na perspetiva da consultora, a estimativa é que o investimento seja mais baixo, “em cerca de quatro mil milhões de euros”, salientando que “mesmo esse valor parece agora muito otimista”.

Assim, a nova estimativa aponta para que “apenas cerca de 2,5 mil milhões de euros (ou cerca 15% dos fundos totais) seja gasto em 2022”.

Curiosa não deixa de ser, também, a sondagem que a Oxford Economics tem por base (Eurosondagem), que dá uma nova vitória ao Partido Socialista, embora, os resultados datem de 25 de outubro, ou seja, antes da votação do Orçamento de Estado 2022 ter sido votado e chumbado no Parlamento.

Contudo, não deixa de ser surpreendente a percentagem dada ao PS, assim como ao Chega que se coloca como terceira força política a ter em conta.

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Próxima assembleia da OMT centrada na inovação, educação e retoma do turismo

No final de novembro, a OMT reunirá, em Madrid, para a 24.ª Assembleia-geral. Os temas são diversos e entre eles está o local da próxima reunião, à qual Portugal concorre.

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A próxima Assembleia-geral da Organização Mundial do Turismo (OMT) dará ênfase particular à importância da inovação, educação e desenvolvimento rural, bem como ao papel do turismo no crescimento inclusivo, tema do Dia Mundial do Turismo de 2021.

Na reunião magna da OMT, que se realizará pela 24.ª vez, de 30 de novembro a 3 de dezembro de 2021, em Madrid, Espanha, a Assembleia-geral da OMT servirá para os Estados-membros aprovarem os programas de trabalho e orçamento para o próximo biénio (2022-2023).

Além disso, será apresentado aos delegados internacionais o Código para a Proteção de Turistas, um instrumento legal de referência criado para restaurar a confiança nas viagens internacionais.

Outros pontos importantes na agenda da Assembleia-geral incluem as reformas propostas para o Quadro Legal dos Membros Afiliados da OMT, a final da Liga dos Estudantes da OMT e a nomeação do secretário-geral da OMT para o período 2022-2025.

A Assembleia Geral também anunciará os vencedores do concurso “Best Tourism Villages” da OMT.

Paralelamente, e em linha com a ênfase cada vez maior da OMT nas comunicações digitais e na narrativa visual, os vencedores do Concurso de Vídeo de Turismo da OMT 2021, que visa reconhecer vídeos promocionais dos Estados-membros e Membros Afiliados que destacam a resiliência do setor e suas contribuições para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, (ODS) também será anunciado em Madrid.

Reiniciar o turismo juntos
A 24.ª Assembleia-geral da OMT servirá, igualmente, para o secretário-geral apresentar o seu relatório sobre a implementação do Programa de Trabalho da OMT, ações e novas iniciativas implementadas desde a última reunião em 2019. A agenda inclui a seleção dos membros do Conselho Executivo da OMT para 2022, o Comité Mundial de Ética do Turismo, para além de escolher o local e as datas da próxima sessão da Assembleia-geral, estando o Egipto, Portugal e o Uzbequistão dispostos a apresentar propostas.

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