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Portugal com ‘luz verde’ no Reino Unido

Finalmente, uma boa notícia para o turismo nacional: Portugal foi incluído na lista de países sob o semáforo verde” do Reino Unido.

Victor Jorge
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Portugal com ‘luz verde’ no Reino Unido

Finalmente, uma boa notícia para o turismo nacional: Portugal foi incluído na lista de países sob o semáforo verde” do Reino Unido.

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Análise

Portugal foi incluído pelo Governo do Reino Unido na lista de países que recebem luz verde para os britânicos viajarem a partir do próximo dia 17 de maio.

Assim, quem visitar o nosso país não necessitará de fazer quarentena à chegada ao Reino Unido, sendo suficiente o teste PCR negativo realizado nas 72 horas antes.

De referir que, segundo a imprensa britânica, registou-se uma corrida aos bilhetes de avião com destino a Portugal, mais concretamente, a Faro, como antecipação a esta decisão anunciada pelo Executivo britânico.

A imprensa avança que não só a corrida a voos com destino ao nosso país aumentou, como, também, o próprio número de voos cresceu.

Isto no dia em que o Reino Unido registou a morte de 15 pessoas e 2.490 novos casos nas últimas 24 horas, com o Governo britânico a subir o alerta relativamente a uma nova variante do novo coronavírus.

A direção geral de Saúde de Inglaterra (Public Health England, PHE) anunciou que o número de infeções com a variante B.1.617.2 mais do que duplicou, de 202 para 520 numa semana, pelo que está a causar apreensão.

A inclusão de Portugal na “lista verde” do Reino Unido é uma boa notícia para o setor do turismo nacional, esperando-se, a partir de agora, uma gradual normalização da situação.

Previsivelmente, será o Algarve a região mais beneficiada com esta decisão do Governo de Boris Johnson, mas, globalmente, hotelaria, restauração e demais atividades do universo do turismo receberam esta notícia com natural agrado.

Além de Portugal, também Gibraltar e Israel foram chamados (num total de 12) pelo secretário dos Transportes, Grant Shapps. Ao contrário, França, Espanha e Grécia não foram incluídos no “semáforo verde”, enquanto países como Turiquia, Maldivas ou Nepal receberam “luz vermelha”.

O Governo de Boris Johnson adverte, contudo, que a listagem se mantém em constante atualização e revisão.

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Aviação

Novo aeroporto de Lisboa: Comissão técnica vai estudar cinco soluções

A comissão técnica que vai fazer a avaliação ambiental estratégica para o novo aeroporto de Lisboa terá em mãos cinco soluções, mas podem ainda propor mais caso entenda, revelou aos jornalistas o ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos no final do Conselho de Ministros desta quinta-feira.

Em causa, segundo o governante citado pela Lusa, está a solução em que o aeroporto Humberto Delgado fica como aeroporto principal e Montijo como complementar, uma segunda em que o Montijo adquire progressivamente o estatuto de principal e Humberto Delgado de complementar, uma terceira em que Alcochete substitui integralmente o aeroporto Humberto Delgado, uma quarta em que será este aeroporto o principal e Santarém o complementar e uma quinta em que Santarém substitui integralmente a Portela.

Já na quarta-feira à noite, em entrevista à RTP3, Pedro Nuno Santos, havia avançado que a comissão técnica do novo aeroporto de Lisboa, com responsabilidade de apresentar um estudo de avaliação ambiental estratégica com conclusões até final de 2023, vai poder estudar mais localizações, além de Montijo, Alcochete e Santarém, lembrando que em 50 anos já foram analisados 17 locais.

A comissão técnica vai poder “incluir, se o entender, outras localizações na avaliação ambiental estratégica”, além das “que se conhecem”, disse, lembrando que “todo o trabalho que foi feito antes ao longo dos últimos anos será também utilizado”, estimando-se terem sido gastos cerca de 70 milhões de euros em estudos para a localização do novo aeroporto.

Ainda segundo o ministro, a comissão técnica vai ser liderada por um coordenador geral escolhido pelo primeiro-ministro, António Costa, mas sob a indicação do presidente do Conselho Superior de Obras Públicas, do presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas e do presidente do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento sustentável. “Estas três personalidades vão sugerir um coordenador geral que depois vai constituir seis equipas que vão trabalhar em seis dossiers diferentes”, acrescentou.

Refira-se que o Governo aprovou esta quinta-feira, em Conselho de Ministros, uma resolução que determina a avaliação ambiental estratégica para escolher a localização do novo aeroporto de Lisboa, através de uma comissão técnica independente que terá um coordenador geral, sob proposta de três personalidades.

Além disso, foi aprovada uma proposta de lei que clarifica a intervenção dos municípios nos “procedimentos de construção, ampliação ou modificação de um aeródromo, de forma a clarificar que no procedimento de apreciação prévia de viabilidade relativa à construção de aeroportos os pareceres das câmaras municipais não são vinculativos”, adiantou André Moz Caldas, secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, também citado pela Lusa.

Portela precisa de obras “já” diz Nuno Pedro Santos

O ministro das Infraestruturas e Habitação, declarou também aos jornalistas, no final do Conselho de Ministros desta quinta-feira, que o aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, precisa de obras “já”, não permitindo aumentar a sua capacidade, mas pelo menos a sua fluidez operacional e conforto do passageiro, tendo em conta que o novo aeroporto “vai demorar”.

Como esta iniciativa implica investimento alteração das bases da concessão com a ANA – Aeroportos de Portugal, detida pelo grupo Vinci, Pedro Nuno Santos indicou que é nesse quadro que é possível “chegar a um valor” para este investimento, chegando a um “entendimento” com a concessionária.

Sobre o autorCarolina Morgado

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Alojamento

Projeto turístico de rendimento “Conceição 123” marca estreia da Maya Capital em Lisboa

A JLL acompanha o Maya Capital, um fundo de investimento imobiliário, na comercialização, em regime de exclusividade, do seu primeiro projeto imobiliário em Lisboa, o Conceição 123. O projeto foi alvo de um investimento de 65 milhões em ativos residenciais.

Através do departamento “Residencial”, a JLL acompanha o Maya Capital, um fundo de investimento imobiliário, na comercialização, em regime de exclusividade, do seu primeiro projeto imobiliário em Lisboa, o Conceição 123. O projeto foi alvo de um investimento de 65 milhões em ativos residenciais.

Vocacionado para investidores que procuram novas oportunidades de rendimento, este projeto do Maya Capital é elegível para Golden Visa e localiza-se na Baixa, acrescentando ao mercado 13 novas frações de uso turístico.

Situado no número 123 da rua da Conceição, “este é um empreendimento de uso turístico pensado de raiz como um produto de investimento numa ótica de rendimento, garantindo aos compradores um rendimento fixo anual por um período de cinco anos”, como a JLL explica em comunicado. Os 13 apartamentos estão disponíveis nas tipologias T0 a T2 e serão entregues para exploração turística, com gestão a cargo da Lisbon Serviced Apartments.

Em nota de imprensa é ainda referido que todas as unidades deste projeto do Maya Capital serão equipadas com mobília, sendo que algumas incluem varanda. Os apartamentos têm áreas entre os 30 e os 104 metros quadrados e distribuem-se por cinco pisos.

Maya Capital

“O Conceição 123 será um sucesso em termos de ocupação turística e, por essa razão, irá captar a atenção de muitos investidores, nacionais e internacionais. Além de ser um produto que garante um retorno sólido, é também elegível para a atribuição de Golden Visa, sendo por isso especialmente atrativo para investidores oriundos do exterior da União Europeia”, assegura Patrícia Barão, Head of Residential da JLL Portugal.

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Emprego e Formação

Ana Mendes Godinho quer posicionar Portugal como país para viver e trabalhar

A ministra do Trabalho e da Solidariedade Social, Ana Mendes Godinho afirmou que “quer posicionar Portugal como país para trabalhar” e o turismo é um dos setores em que o Governo pretende aliciar trabalhadores vindos de fora porque “com as pessoas que temos em Portugal não chega”.

A governante, que falava no painel “Como atrair profissionais para o Turismo”, durante a VI Cimeira do Turismo Português, promovida em Lisboa, no âmbito do Dia Mundial do Turismo, destacou que este “foi o setor que mais postos de trabalho perdeu durante a pandemia”100 mil trabalhadores, tendo já recuperado cerca de 40 mil, mas ainda faltam 60 mil,, ”um problema que urge resolver até porque o turismo vive de pessoas”, frisou.

Ana Mendes Godinho, que conhece bem este setor, realçou que “o turismo precisa de pessoas, cada vez mais o mundo do trabalho é aberto na Europa, e a pandemia também abalou todos de forma sísmica até do ponto de vista de motivações dos trabalhadores, que são hoje diferentes”, e lembrou que “o turismo compete não só com outras atividades, como com empregos noutros países”.

Assim, a ministra do Trabalho e Solidariedade Social sublinha que o “grande desafio é atrair os nossos jovens a trabalharem no turismo, mas também abrir o mercado de trabalho aos que vêm de fora”.

É neste âmbito que se insere o acordo de mobilidade nos países da CPLP, e a simplificação na obtenção de vistos a cidadãos desses países que queiram vir trabalhar para Portugal.

É também neste quadro que o Governo vai promover, de 20 a 22 de outubro, uma Feira de Empregabilidade em Cabo Verde, que Ana Mendes Godinho espera que os empresários do turismo se juntem a esta iniciativa, que pretende “mostrar quais são as ofertas de emprego no nosso país, e as condições”, disse.

“As condições são atrativas e temos o quadro para que isso aconteça, assumindo que temos que dar um valor diferente ao trabalho. É peça chave do nosso futuro coletivo”, apontou a ministra, que destacou ainda o sucesso do visto criado este mês para nómadas digitais e trabalhadores remotos em Portugal. “Estamos a ter imensos pedidos, de pessoas que querem saber se conseguem por esta via ficar com número da Segurança Social”.

A ministra do Trabalho também explicou o objetivo de atrair em Portugal mais jovens e trabalhadores para o turismo, entre outros sectores, através do acordo de rendimento e competitividade que está à mesa das negociações em sede de Concertação Social.

Referindo a atual taxa de desemprego “historicamente baixa” de 5,9%, neste caso um “problema bom”, a ministra lembrou que o desafio perante a falta de mão de obra é fixar as pessoas em Portugal, fazer com que se sintam valorizadas, melhorar os contratos, sendo “evidente” que isso significa melhorias nos salários, implica também uma série de outras condições.

“Tenho a certeza que as empresas são as principais interessadas” em criar condições atrativas e dar um “valor diferente ao trabalho”, frisou ainda ministra adiantando que, também com Marrocos, o Governo assinou esta semana um acordo de mobilidade, e para que a formação seja em intercâmbio com empresas portuguesas.

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Transportes

António Costa assegura aprovação quinta-feira da metodologia para decidir sobre o novo aeroporto de Lisboa

O Primeiro-Ministro, António Costa, assegurou aos empresários do Turismo, mas também ao país que o Governo vai aprovar, na próxima quinta-feira, em Conselho de Ministros, a resolução que ditará a metodologia da avaliação ambiental estratégica para decidir a solução para o novo aeroporto de Lisboa.

Refira-se que essa resolução foi negociada com o líder da oposição, Luís Montenegro, presidente do PSD. O Chefe do Executivo que discursava na abertura da VI Cimeira do Turismo Português, promovida, em Lisboa, no âmbito das celebrações do Dia Mundial do Turismo disse que “verifiquei sempre da parte do líder do maior partido da oposição a vontade efetiva de procurar um acordo”.

António Costa considerou que o PSD demonstra vontade efetiva de chegar a um acordo sobre o novo aeroporto de Lisboa, mas enalteceu que usará a maioria PS se no final do processo estabelecido se verificarem divergências.

Numa longa intervenção dedicada quase toda ela à problemática da decisão sobre a localização da nova infraestrutura aeroportuária para a região de Lisboa, o Chefe do Governo defendeu que “perguntam-me se tenho a certeza que vai haver acordo sobre a solução. Eu não posso responder pelo líder da oposição. Mas há uma coisa que tenho a certeza: É que o facto de ter sido possível um entendimento com o PSD sobre a metodologia é um primeiro passo decisivo para podermos ter um acordo sobre a solução final”.

O Primeiro-Ministro anunciou o fim do polémico veto das autarquias às estruturas com interesse nacional e a equipa que vai coordenar a avaliação ambiental estratégica.

As novidades vão ser conhecidas e aprovadas já no próximo Conselho de Ministros, na quinta-feira, onde será nomeado o coordenador do estudo, sob proposta do presidente do Conselho Superior de Obras Públicas, do presidente do Conselho de Reitores e pelo presidente do Conselho Nacional do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, que compõem a estrutura.

“O coordenador vai escolher seis coordenadores de seis áreas temáticas, que exigem ser estudadas na avaliação ambiental estratégica, dentro de um painel de peritos designado pelo Conselho de Reitores das Universidades portuguesas”, acrescentou.

Minutos antes, já o presidente da CTP, Francisco Calheiros tinha afirmado que “a entrada de mais turistas em Portugal

significa mais receitas para o país”, por isso, a Confederação do Turismo de Portugal “continua a bater-se para que haja uma decisão final sobre o novo aeroporto”, para acrescentar que “só com uma nova infraestrutura aeroportuária poderemos dar ainda mais a Portugal. Desde logo na fase da sua construção, já que se fomentará a atividade de vários setores económicos e se criará mais emprego. E isto significa mais receitas para o Estado, logo, um maior contributo para todo o País”.

Por isso, segundo Francisco Calheiros “é urgente decidir já! Não podemos perder mais tempo. O País não pode perder mais dinheiro com todas estas incertezas e não decisões”, lembrando um estudo recentemente apresentado pela CTP: “A não decisão sobre o novo aeroporto, terá no mínimo um custo de quase 7 mil milhões de euros; menos 28 mil empregos e uma perda de receita fiscal de 2 mil milhões de euros”.

Por sua vez, o presidente da Câmara Municipal da capital, Carlos Moedas, avisou, durante a Cimeira do Turismo Português, que o futuro aeroporto de Lisboa “tem de estar próximo” da capital e a decisão não se pode arrastar para lá de 2023.

Durante os próximos dias daremos, no nosso site, mais pormenores sobre outras questões que mereceram destaque nesta cimeira, bem como contamos publicar uma reportagem na próxima edição do Publituris.

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Destinos

Governo cria Programa Festivais Acessíveis

Este programa visa distinguir “os festivais que apresentem condições de acessibilidade para todos os que tenham mobilidade condicionada, como pessoas com deficiência física ou sensorial, grávidas, crianças ou pessoas idosas”.

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O Governo criou, através uma parceria entre o Turismo de Portugal I.P. e o Instituto Nacional de Reabilitação (INR), o Programa Festivais Acessíveis para distinguir “os festivais que apresentem condições de acessibilidade para todos os que tenham mobilidade condicionada, como pessoas com deficiência física ou sensorial, grávidas, crianças, pessoas idosas, entre outros”.

Este programa, que nasce através do Despacho Conjunto n.º 11448/2022 da Secretária de Estado do Turismo, Comércio e Serviços e da Secretária de Estado da Inclusão, de 26 de setembro de 2022, contempla, ainda, “a atribuição anual do Prémio “Festival + Acessível”, ao evento mais acessível do conjunto dos festivais reconhecidos, em cada ano”.

O programa está aberto a candidaturas de entidades públicas ou privadas, assim como de organizadores de festivais nas tipologias previstas, devendo as candidaturas ser realizadas três meses antes do início do festival.

“As entidades interessadas em candidatar o seu festival devem consultar o regulamento constante do Despacho Conjunto n.º 11448/2022, assim como o Manual de Apoio que contém informação detalhada sobre o preenchimento do Formulário de Candidatura”, indica uma nota da Secretaria de Estado do Turismo, Comércio e Serviços.

Toda a documentação para as candidaturas está disponível através do site do Turismo de Portugal, numa página dedicada exclusivamente a este Programa Festivais Acessíveis.

“Portugal é já hoje reconhecido, tanto por portugueses como estrangeiros, pela diversidade e qualidade da sua oferta de festivais, em todo o território e ao longo de todo o ano. Damos agora um passo deveras significativo no caminho da fruição destas experiências por todos, sem exceção. E este é também o papel do turismo e no qual estamos fortemente empenhados: construir um mundo mais justo, inclusivo e sustentável”, considera Rita Marques, secretária de Estado do Turismo, Comércio e Serviços

Este programa enquadra-se nos objetivos do Programa “All for All – Portuguese Tourism”, que visa contribuir para o incremento da oferta turística acessível, assim como para a promoção de Portugal como destino para todos, no âmbito do qual foram já apoiados 129 projetos visando a adaptação da oferta nas várias tipologias da cadeia turística, com destaque a melhoria das condições de acessibilidade física e comunicacional dos equipamentos culturais.

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Chegadas internacionais de turistas ficaram a 57% do período pré-pandemia no acumulado até julho

Apesar da recuperação de quase 60% dos níveis pré-pandemia até julho, a OMT está preocupada com o impacto da guerra e da inflação, que podem atrasar para 2024 ou mais a recuperação total do setor para níveis de 2019.

Inês de Matos

Nos primeiros sete meses de 2022, as chegadas internacionais de turistas praticamente triplicaram face a igual período do ano passado, num crescimento que chegou aos 172% e que, em comparação com igual período de 2019, o que, segundo a Organização Mundial do Turismo (OMT), significa que o “setor recuperou quase 60% dos níveis pré-pandemia”.

Segundo o último Barómetro Mundial de Turismo, divulgado esta segunda-feira, 26 de setembro, pela OMT, esta recuperação “reflete a forte procura reprimida por viagens internacionais, bem como a flexibilização ou levantamento das restrições de viagem até ao momento”, uma vez que, a 19 de setembro, já existiam 86 países sem restrições relacionadas com a COVID-19.

“O turismo continua a recuperar de forma constante, mas continuam a existir vários desafios, desde geopolíticos a económicos. O setor está a trazer de volta esperança e oportunidades para as pessoas em todo o mundo. Agora também é a hora de repensar o turismo, para onde ele está indo e como isso impacta as pessoas e o planeta”, afirma Zurab Pololikashvili, secretário-geral da OMT.

Nos primeiros sete meses de 2022, a OMT estima que tenham sido mais de 474 milhões os turistas que realizaram viagens internacionais, número que compara com os 175 milhões contabilizados em igual período do ano passado, quando a COVID-19 e as restrições relacionadas com a doença eram ainda um entrave às viagens.

Apenas nos meses de junho e julho, foram contabilizadas 207 milhões de chegadas internacionais, número que, indica a OMT, representa mais do dobro do ano passado e 44% de todas as chegadas apuradas nos acumulado desde o início do ano.

“A Europa recebeu 309 milhões dessas chegadas, representando 65% do total”, destaca a OMT, sublinhando que a Europa e o Médio Oriente registaram a recuperação mais rápida no período em análise, com as chegadas a atingirem os 74% e 76% dos níveis de 2019, respetivamente.

No que diz respeito à Europa, a OMT refere ainda que, entre janeiro e julho, o território europeu recebeu três vezes mais chegadas internacionais do que tinha acontecido no ano passado, num crescimento de 190%, o que se justifica pelo facto dos resultados terem sido “impulsionados pela forte procura intra-regional e pelas viagens dos Estados Unidos”.

A OMT diz que a Europa viveu um “verão movimentado”, ficando apenas 21% e 16% abaixo de junho e julho de 2019, respetivamente, tendo as chegadas subido para 85% dos níveis de 2019 em julho.

“O levantamento das restrições de viagem num grande número de destinos também alimentou esses resultados”, acrescenta a OMT, revelando que 44 países na Europa já não tinham restrições relacionadas com a COVID-19, a 19 de setembro de 2022.

Já o Médio Oriente viu as chegadas internacionais aumentarem quase quatro vezes em relação ao ano anterior em janeiro-julho de 2022, num crescimento de 287%, tendo mesmo superado os níveis pré-pandemia em julho em 3%, o que se deveu aos resultados da Arábia Saudita, onde este indicador subiu 121% devido à peregrinação do Hajj.

No continente americano, as chegadas aumentaram 103% e no africano houve uma subida de 171% entre janeiro e julho, ficando a 65% e 60% dos níveis de 2019, respectivamente.

Já na Ásia-Pacífico houve um aumento de 165%, com as chegadas a subirem mais do dobro face aos primeiros sete meses de 2019, ainda que tenham permanecido 86% abaixo dos níveis de 2019, “pois algumas fronteiras permaneceram fechadas para viagens não essenciais”, segundo a OMT.

A OMT destaca que a recuperação do turismo também pode ser vista através do aumento dos gastos dos vários mercados, que tem vindo a subir, com destaque para a França, onde este indicador subiu para -12% em janeiro-julho de 2022 em comparação com 2019, enquanto os gastos da Alemanha subiram para -14%. Os gastos com turismo internacional ficaram em -23% na Itália e -26% nos Estados Unidos.

Tal como os gastos, também o tráfego aéreo internacional de passageiros está a subir e, entre janeiro e julho, aumentou 234%, ficando 45% abaixo dos níveis de 2019, o que traduz uma recuperação de cerca de 70% dos níveis de tráfego pré-pandemia em julho, indica a OMT, citando a IATA – Associação Internacional de Transporte Aéreo.

Guerra e inflação geram incerteza na recuperação

Apesar da recuperação dos vários indicadores, a OMT está preocupada com as ameaças à recuperação, a exemplo da escassez de funcionários que levou ao caos nos aeroportos, mas também da guerra na Ucrânia, que, segundo a organização, “representa um grande risco de queda”.

Além disso, “a combinação de taxas de juros crescentes em todas as principais economias, aumento dos preços de energia e alimentos e as perspectivas crescentes de uma recessão global, conforme indicado pelo Banco Mundial, são grandes ameaças à recuperação do turismo internacional até o final de 2022 e 2023”, refere a OMT.

A OMT diz mesmo que o seu último Índice de Confiança já reflete uma “perspectiva mais cautelosa” e que também as reservas mostram que existe preocupação com o futuro, uma vez que estão a mostrar “sinais de crescimento mais lento”.

“As perspectivas para o restante do ano são cautelosamente otimistas”, aponta a organização, revelando que existe um abrandamento dos níveis de confiança, uma vez que 47% dos indivíduos que compõem o Painel de Especialistas da OMT manifesta perspectivas positivas para o período entre setembro e dezembro de 2022, enquanto 24% não espera mudanças específicas e 28% considera que poderia ser pior.

Os especialistas da OMT mostram-se ainda confiantes em 2023, pois 65% acreditam num melhor desempenho do turismo do que em 2022, ainda que a incerteza económica tenha revertido as perspectivas de regresso aos níveis pré-pandemia no curto prazo.

“Cerca de 61% dos especialistas agora veem um potencial retorno das chegadas internacionais aos níveis de 2019 em 2024 ou mais tarde, enquanto aqueles que indicam um retorno aos níveis pré-pandemia em 2023 diminuíram (27%) em comparação com a pesquisa de maio (48%)”, indica a OMT.

A conjuntura económica continua a ser o principal motivo da incerteza, uma vez que a subida da inflação, assim como dos preços da energia têm levado ao aumento dos preços dos transportes e alojamento, “ao mesmo tempo que pressionam o poder de compra e a poupança dos consumidores”.

 

Sobre o autorInês de Matos

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Transportes

2+1 = 3: Santarém entra em jogo para localização do novo aeroporto

Depois da reunião entre o primeiro -ministro, António Costa, e o líder do PSD, Luís Montenegro, Lisboa ganhou mais uma localização a estudar para o novo aeroporto. As reações não se fizeram esperar, embora todos reconheçam a urgência e necessidade desta infraestrutura.

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No final da reunião entre o primeiro-ministro, António Costa, e o líder do Partido Social Democrata (PSD), Luís Montenegro, realizada na sexta-feira, 23 de setembro, soube-se que, afinal, há (pelo menos) mais uma localização a considerar para a futura localização do novo aeroporto de Lisboa: Santarém.

O primeiro-ministro afirmou, depois da reunião com Luís Montenegro, que há “convergência com o PSD sobre a metodologia para a decisão relativa ao novo aeroporto” e adiantou que a futura comissão técnica estudará “várias localizações”, além do Montijo e Alcochete, incluindo Santarém.

Em conferência de imprensa, o primeiro-ministro disse que há acordo com o PSD sobre a metodologia a seguir até uma decisão “definitiva” sobre a localização do novo aeroporto regional de Lisboa, adiantando que, em breve, o Conselho de Ministros aprovará uma resolução para a criação de uma comissão técnica independente e de uma comissão de acompanhamento.

“Quanto às opções que estarão em avaliação, vão ser mais do que essas [Montijo e Alcochete]. Acolhemos uma sugestão do PPD/PSD de que a própria comissão, se assim o entender, possa proceder ela própria à avaliação de outras soluções que considere tecnicamente fundamentadas”, esclareceu António Costa no final da reunião com Luís Montenegro, admitindo que Santarém é uma dessas novas localizações a estudar neste processo.

António Costa registou “com muita satisfação que foi possível uma convergência quanto à metodologia a adotar. Vamos agora contactar as diferentes entidades que contribuirão para a composição da comissão técnica e da comissão de acompanhamento que farão a Avaliação Ambiental Estratégica (AAE), que deve estar concluída até ao final do próximo ano, tendo em vista que possa haver uma decisão final e definitiva sobre esta matéria”.

Contando também com a participação do ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santo, e o vice-presidente social-democrata, Miguel Pinto Luz, António Costa reiterou a posição de que “é fundamental” que a decisão sobre o novo aeroporto “tenha o consenso político mais alargado possível”.

“Trata-se de uma infraestrutura que servirá o país nas próximas décadas e que não deve ser sujeita a mais impasses nem a contingências com mudanças de Governo”, acrescentou.

Do lado do PSD, Luís Montenegro salientou a existência de um “acolhimento generalizado” do Governo das preocupações do partido quanto ao futuro aeroporto, considerando que há condições para que, dentro de um ano, o executivo possa tomar uma decisão final nesta matéria.

Sem se pronunciar sobre a preferência relativamente a qualquer localização para a nova infraestrutura, o líder do PSD frisou que “se vamos fazer um estudo e uma AAE comparativa, essa opção só será legitimada se tivermos em conta as conclusões do estudo”.

Montenegro não quis, assim, comprometer-se com uma posição do PSD caso o Governo decida mudar a lei que, atualmente, dá aos municípios poder de veto quanto a um futuro aeroporto, frisando que, se o Governo vier a apresentar uma proposta de lei nesse domínio, o PSD “vai fazer a sua análise e, nessa ocasião, no parlamento, tomará uma posição”.

As outras posições
Mais tarde, o Chega requereu a marcação de um debate de urgência sobre o novo aeroporto da região de Lisboa, para que todos os partidos “possam analisar, escrutinar” e o tema possa ser debatido.

Ventura salientou que “esta é uma decisão que afeta gerações, afetará múltiplos governos e múltiplos ciclos parlamentares”.

Do lado oposto do Parlamento, o secretário-geral do PCP acusou o PS e PSD de estarem novamente a adiar a localização e a construção do novo aeroporto de Lisboa, indo contra a expectativa do Presidente da República sobre o início das obras.

Com o adiamento da decisão da localização para 2023, o líder do PCP defendeu que a multinacional Vinci “continua a ganhar dinheiro”, havendo “consequências para o desenvolvimento económico não acelerando o processo”, quando o país e a TAP estão “numa situação mais difícil”.

Também a líder do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, acusou o Governo de usar estudos para o novo aeroporto como “manobras” para uma “grande prenda à multinacional” francesa que comprou os aeroportos portugueses ainda no tempo do Governo do PSD e CDS-PP”.

Segundo defendeu, “não há nenhuma novidade, a não ser aquilo que já se sabia”, acusando o Executivo de estar “sempre à procura da solução mais barata e este adiar de tomar de decisões ou de querer tomar decisões do ponto de vista ambiental é inaceitável”.

Outra acusação veio de João Cotrim Figueiredo, líder da Iniciativa Liberal (IL), referindo que “os dois partidos [PS e PSD] do costume decidem os destinos do país entre quatro anos, entre quatro paredes, como se fossem donos do país. Não são. São donos apenas da responsabilidade do país estar no estado em que está”.

Neste sentido, João Cotrim Figueiredo salientava que os dois líderes presentes na reunião “nem souberam dizer quais são as opções de localização que esta comissão técnica independente irá analisar”, questionando a razão porque “Santarém será uma delas”.

Já a Plataforma Cívica Aeroporto BA6-Montijo Não acusou o Governo e o PSD de quererem incluir soluções de localização para o novo aeroporto “a pedido”, defendendo que a opção Alcochete é a “verdadeira e estratégica”.

Em comunicado, a Plataforma Cívica Aeroporto BA6-Montijo Não refere que os intervenientes nesta reunião (Governo e PSD) “aceitaram incluir na Avaliação Ambiental Estratégica (AAE)” uma “solução de localização de um aeroporto a pedido”. O movimento cívico acusa ainda o Governo e o PSD de “coligação negativa”, de deixar o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) de fora da execução dos estudos, considerando tratar-se de uma “desconsideração e desvalorização das instituições públicas, isentas e independentes”.

Do lado da Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa saudou a convergência entre Governo e PSD quanto ao método de decisão sobre a nova solução aeroportuária para a região de Lisboa, considerando que “é uma boa notícia”.

Do outro lado do Atlântico, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que espera terminar o mandato, em março de 2026, “com a alegria de ver não só escolhida uma localização, não só começada a obra do aeroporto, como até porventura já uma solução transitória, se não a definitiva, em marcha”.

O chefe de Estado lembrou que “já há muito tempo” tem apelado ao diálogo político sobre esta matéria, salientando que o entendimento “é fundamental, porque o aeroporto não vai ser para este Governo, vai ser para o país e, portanto, é para este Governo, para o Governo a seguir a este Governo, para o Governo a seguir ao Governo a seguir a este Governo”.

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Regresso dos turistas estrangeiros proporciona melhor performance dos negócios

A faturação dos negócios por cartões estrangeiros aumentou 82,5% entre 1 de julho e 15 de setembro, quando comparado com o mesmo período de 2021.

Victor Jorge

O regresso dos turistas estrangeiros a Portugal foi responsável por proporcionar uma melhor performance dos negócios portugueses, tendo a faturação dos negócios por cartões estrangeiros aumentado 82,5% no período entre 1 de julho e 15 de setembro, quando comparado com o mesmo intervalo de 2021, revelam os dados mais recentes do REDUNIQ Insights, relatório da REDUNIQ.

Segundo o relatório que analisa a evolução dos pagamentos por cartão efetuados no país, a faturação dos negócios em Portugal aumentou 32,2% este Verão face ao mesmo período do ano passado. Depois de um primeiro semestre em que o turismo impulsionou uma subida de 45% da faturação com cartões nacionais e estrangeiros, em comparação com o período homólogo, a recente época de férias mantém a mesma tendência de recuperação, com a faturação por via de cartões nacionais a aumentar 19,6%.

Franceses lideram nos gastos
De entre o grupo de estrangeiros, destaque para os franceses que, apesar de terem diminuído 7 pontos percentuais (p.p.) de peso no total da faturação estrangeira, continuam a representar a maior fatia do consumo estrangeiro em Portugal (18% do total). Atrás surgem o Reino Unido (com 14% do total da faturação estrangeira), a Irlanda (com 11%), os Estados Unidos da América (com 10%), e Espanha (com 9%).

A REDUNIQ refere que os números apresentados “acompanham as estimativas recentemente divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística e pelo Banco de Portugal, que revelam, só no mês de julho, um aumento de 205,2% no número de hóspedes não residentes em Portugal face ao a julho de 2021”, um cenário que contribuiu para que julho de 2022 se tornasse o melhor mês de sempre, em número de hóspedes e de dormidas em Portugal.

Já quando analisado o valor médio de compra, os dados da REDUNIQ demonstram que são os irlandeses aqueles que gastam mais nas férias em Portugal, numa média de 112€ por transação. Os Estados Unidos são o segundo país com o valor de compra médio mais elevado, cerca de 71€. Reino Unido, França e Espanha apresentam um perfil de compra semelhante nestes meses, com um valor de compra média de 48€, 46€ e 40€, respetivamente.

Hotelaria é a única no negativo
Já quando analisada a performance dos diferentes setores de atividade, e considerando a faturação total dos negócios (via cartões nacionais + internacionais), o REDUNIQ Insights demonstra um aumento generalizado da faturação nos negócios tipicamente associados ao turismo. Enquanto o rent-a-car cresceu 85% face ao período homólogo, a hotelaria e a restauração aumentaram a sua faturação em 71% e 50%, respetivamente. Tal como registado nos resultados globais dos negócios em Portugal, também o elevado aumento da faturação das atividades turísticas está associado ao regresso dos turistas estrangeiros a Portugal, tendo estes contribuído para aumentar em 117% a faturação da hotelaria, em 110% a faturação do rent-a-car, e 98% a faturação da restauração.

Em contrapartida, o consumo nacional em hotelaria registou um decréscimo de 6% face ao período homólogo, um resultado que, segundo Tiago Oom, diretor Comercial da UNICRE e porta-voz oficial do REDUNIQ Insights, “se poderá justificar com uma contenção dos gastos das famílias portuguesas face ao crescimento da inflação”.

Lisboa e Açores faturam mais
Numa análise geográfica, os distritos mais turísticos, nomeadamente Lisboa, Açores, Faro, Madeira e Porto, apresentam todos valores de faturação superiores ao mesmo período do ano passado, com crescimentos de 43%, 36%, 36%, 32% e 28%, respetivamente. Especificamente quanto ao consumo estrangeiro, o destaque vai para Lisboa e Açores, que apresentam uma variação mais significativa, registando um aumento de faturação de 125% e 103%, respetivamente.

Tiago Oom salienta que “os resultados obtidos pelos negócios durante os meses de Verão são o reflexo de um conjunto de fatores impulsionadores do aumento da faturação. Desde logo, o facto de este ter sido o primeiro Verão sem a aplicação de restrições à circulação de cidadãos entre países derivado do controlo da pandemia de Covid-19, o que originou uma maior confiança dos consumidores (nacionais e estrangeiros) a regressar aos principais pontos turísticos do país”.

De resto, o diretor Comercial da UNICRE refere que, em paralelo, Portugal “está neste momento a colher os frutos de uma forte aposta, a nível de investimento e de promoção, no turismo, sobretudo para atrair o turismo externo”.

Por fim, Tiago Oom frisa que o próprio cenário inflacionista tem “promovido o aumento generalizado de produtos e serviços ligados ao setor turístico, o que acaba por também contribuir para o crescimento da faturação destes negócios”.

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“O turismo tem dois ingredientes que são comuns à sustentabilidade: pessoas e território”

O “Planetiers World Gathering” reunirá, em outubro, ‘changemakers’, ‘stakeholders’ – privados e públicos -, que estão a impulsionar a inovação sustentável. Sérgio Ribeiro, co-fundador da iniciativa, referiu ao Publituris que para o turista atual a sustentabilidade é “chave”.

Victor Jorge

Durante a apresentação do “Planetiers World Gathering”, evento que decorrerá em Lisboa, de 24 a 26 de outubro, e que juntará changemakers, stakeholders – privados e públicos -, que estão a impulsionar a inovação sustentável, Sérgio Ribeiro, co-fundador da iniciativa, referiu ao Publituris que, atualmente, “todo o mundo ainda tem um grande percurso a percorrer no que diz respeito à sustentabilidade”.

“Hoje fundamentalmente, e no turismo também, já se fala em regeneração, já que os objetivos globais que temos de atingir estão difíceis de atingir”, admitiu Sérgio Ribeiro, salientando que a pergunta que se coloca hoje é, “como é que as atividades podem regenerar os territórios e os locais?”. A resposta que o co-fundador da iniciativa dá é simples: “o turismo tem dois ingredientes que são comuns à sustentabilidade: pessoas e território”

Assim, defende que o papel do turismo é ”fundamental não só na experiência que se dá a quem vem de fora, mas como a experiência de quem cá está pode fazer esta diferença”. Ou seja, “como cuidar do território, das florestas, dos oceanos, da natureza onde estamos a viver e que, no fundo, proporciona qualidade de vida. No fundo, a sustentabilidade é isto”, refere, adiantando ainda que é essencial “preservar a qualidade de vida nos dias de hoje, mas principalmente mantê-la para os dias futuros”.

Sérgio Ribeiro recorda, também que a sustentabilidade “não é só ambiental, mas também social, económica e financeira” e que “tudo está interligado”, admitindo que “é este equilíbrio que faz a diferença”. Por isso, e com base no modelo sueco, “não há decisão nenhuma que não tome todas estas variáveis em consideração”, frisando que mesmo a vertente económica “não pode tomar decisões sem ter em conta as vertentes sociais e ambientais”.

Relativamente às consequências da pandemia, o co-fundador da “Planetiers World Gathering” admite que veio criar “extremos”. Ou seja, tanto criou grupos de pessoas muito dedicadas a deixar um legado positivo, seja nas suas organizações seja na sua vida pessoal” como, por outro lado, diz existirem entidades que estão a “ceder muito à necessidade de acelerar e abrir a torneira económica”, o que, considera, ser “uma falsa perspetiva”.

Assim, antecipa que, “se abrirmos rapidamente a torneira económica para sistemas anteriores, vai criar problemas mais à frente muito mais difíceis de recuperar”, destacando problemas como a falta de água e as alterações climáticas e que “não são bons para nenhum setor”.

No que diz respeito ao setor do turismo, Sérgio Ribeiro salienta a liderança que “temos tido. Temos visto que a liderança no turismo em Portugal e mesmo a nível governamental tem sido muito pragmática e séria naquilo que é a estratégia de sustentabilidade e está provado no mundo inteiro que uma organização sem a liderança focada na sustentabilidade não funciona”.

 

Os turistas estão, cada vez mais, à procura de uma experiência que, acima de tudo, esteja ligada a um contacto muito mais próximo com a natureza e, consequentemente, cuide da natureza. Este sim, é um dos efeitos da pandemia”

 

Além disso, faz referência à “rapidez” com que se tem de difundir junto dos stakeholders, neste caso do turismo, o que é, na realidade, a sustentabilidade, o que é a regeneração e a forma como podem adaptar o negócio a esta nova realidade que vai continuar.

Já quanto à crise económica que se avizinha e como esta poderá influenciar ou contrariar as políticas de sustentabilidade, Sérgio Ribeiro refere que tudo depende da “capacidade de visão que a liderança das organizações públicas e privadas – governos e empresas – produzem em conjunto e perceber que têm de se ser sistémicos na ação e dos stakeholders”. Contudo, garante que vai haver um “buraco à frente” e que poderá ser “muito maior do que atualmente estamos a ver”. Por isso, diz, “é preciso que a visão lá esteja”.

Por fim, do lado do turista, Sérgio Ribeiro destaca que, cada vez mais, a sustentabilidade é “chave”. “Estatisticamente está comprovado que os turistas estão, cada vez mais, à procura de uma experiência que, acima de tudo, esteja ligada a um contacto muito mais próximo com a natureza e, consequentemente, cuide da natureza. Este sim, é um dos efeitos da pandemia.”

“As pessoas querem um local onde possuam o verde, porque já relacionam isto com a saúde e bem-estar, e depois experiências genuínas com os locais, envolvendo as pessoas, as comunidades”, frisa o co-fundador da “Planetiers World Gathering”, concluindo que “passou-se do global para o local, passou-se a dar menos importância ao comercial e mais ao autêntico. E aí, não há nada mais autêntico do que a natureza”.

Já Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal, salientou a estratégia que o instituto definiu em 2016 para os próximos 10 anos, admitindo que “fomos dos primeiros países a perguntar o que deveríamos ser no futuro. E a resposta foi clara: sustentáveis”.

Considerando que a aposta passa por ser “um dos destinos mais sustentáveis do mundo”, Luís Araújo frisou, no entanto, que “sustentabilidade sem pessoas não existe”.

“Queremos crescer, ter receitas, mas tudo de forma sustentável. Depois da pandemia percebemos que temos de alterar algo para ter um resultado diferente e melhor”, concluindo que “não conseguimos alcançar os nossos objetivos sem inovação”.

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Nome, morada e ‘e-mail’ de passageiros entre os dados expostos após ataque à TAP

Embora não existam indícios de que dados de pagamento tenham sido exfiltrados dos sistemas, os dados pessoais dos clientes da TAP divulgados pelo grupo cibercriminoso Ragnar Locker vão do nome, morada, ‘e-mail’, data de nascimento até data de registo e número de passageiro. Para já a TAP diz que o acesso ao serviço Miles&Go ou à área reservada dos clientes não foi comprometido.

Publituris

Os dados pessoais dos clientes da TAP divulgados pelo grupo de cibercriminosos Ragnar Locker, que atacou a companhia aérea em agostos, vão do nome, morada, ‘e-mail’, data de nascimento até data de registo e número de passageiro.

“Lamentavelmente, queremos informar que as categorias de dados pessoais de clientes TAP divulgadas consistem nas seguintes: nome, nacionalidade, sexo, data de nascimento, morada, e-mail, contacto telefónico, data de registo de cliente e número de passageiro frequente”, adiantou a TAP em comunicado.

A companhia aérea indicou que a informação divulgada relativamente a cada cliente pode variar, reiterando que “não há indícios de que dados de pagamento tenham sido exfiltrados dos sistemas”.

“Embora os ciberataques constituam uma ameaça constante para muitas empresas, a TAP tomou imediatamente medidas para a contenção e resolução do incidente, de forma a proteger todos os dados detidos ou geridos”, salientou.

No documento intitulado “Aviso Importante aos Clientes”, a TAP recomendou ainda a “verificação das condições de segurança que os (…) clientes utilizam para aceder à sua área reservada, nomeadamente através da utilização de uma senha forte e da sua alteração frequente”, embora o acesso ao serviço Miles&Go ou à área reservada dos clientes não tenha sido comprometido.

A TAP pediu ainda para que os clientes “se mantenham cautelosos” face “a comunicações não solicitadas que requeiram informações pessoais” e que “evitem clicar em ligações ou descarregar anexos enviados a partir de endereços de ‘e-mail’ suspeitos”.

Além disso, a companhia aérea informa que “não enviará mensagens diretamente a clientes individuais sobre este assunto, por qualquer meio”.

A 20 de setembro, terça-feira, a companhia aérea tinha garantido que conseguiu conter o ataque informático de que foi alvo em agosto numa fase inicial e diz não ter indicação de que os piratas tenham acedido a informações sensíveis, como dados de pagamento.

“Em agosto de 2022, os sistemas internos de cibersegurança da TAP Air Portugal (TAP) detetaram o acesso não autorizado a alguns sistemas informáticos. A TAP está preparada para este cenário e mobilizou de imediato uma equipa de especialistas internos e externos de TI e de peritos forenses para investigar em detalhe o sucedido e prevenir danos adicionais”, explicou a companhia aérea.

Recorde-se que o grupo de cibercriminosos Ragnar Locker publicou na segunda-feira, 19 de setembro, 581 gigabytes (GB) de dados que diz serem relativos a 1,5 milhões de clientes da TAP, garantido, numa mensagem publicada na Dark Web, que “continuam a ter acesso aos sistemas informáticos da TAP”.

Num email enviado aos clientes na semana passada, a TAP alertou os clientes afetados pelo ataque informático, cujos dados foram publicados, de que esta divulgação “pode aumentar o risco do seu uso ilegítimo”, pedindo atenção a comunicações suspeitas.

No email, a transportadora recordou que o ciberataque foi “prontamente comunicado às diversas autoridades competentes”, reiterando que “foram desencadeadas as medidas e procedimentos apropriados de cibersegurança para este tipo de eventos com o apoio de uma empresa internacional especializada e líder da indústria” e que “as medidas adotadas permitiram garantir a integridade dos dados e a operacionalidade, em segurança, de todos os sistemas” da companhia.

“Lamentamos muito que dados pessoais seus tenham sido incluídos nesta divulgação e por qualquer inconveniente que isso lhe possa causar”, disse a TAP, reafirmando ainda o seu “compromisso” com a proteção dos dados pessoais e adiantando que estão “a ser desenvolvidas medidas de reforço da segurança” dos dados.

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