APAVT: “É um erro crasso a TAP afastar-se do diálogo”

Por a 1 de Maio de 2021 as 10:12

A Madeira foi o palco da primeira deslocação da direção da Associação Portuguesa de Agências de Viagens e Turismo (APAVT), que decorreu a 29 e 30 de abril, depois do início da pandemia. A repetição como Destino Preferido da APAVT em 2021 serviu de mote a esta deslocação, mas também o facto do arquipélago apresentar-se como um dos destinos melhor posicionado para as férias dos portugueses este verão.

A deslocação ao Funchal, que juntou os oito principais operadores turísticos nacionais (Abreu, Exoticoonline, Nortravel, Lusanova, Sonhando, Solférias, Soltrópico, Viajar Tours) a trabalhar o destino numa reunião com a APAVT e a Associação de Promoção da Madeira, serviu sobretudo para “clarificar as regras da operação e das condições da operação”, como indicou o presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira em conferência de imprensa, mas também para identificar aquele que é considerado o maior problema na operação para este verão: a TAP.
Para Costa Ferreira e os operadores turísticos presentes, a TAP tem “mantido inconsistência de operação ao contrário da concorrência”, além de que “a política da TAP tem mantido numa inflexibilidade tarifária brutal ao contrário da sua concorrência, o que provoca o afastamento dos grupos, do corporate e dos charters”. Com isto, o presidente da APAVT prevê que “a quota de mercado da TAP desça significativamente em Portugal, não apenas porque as rotas ou os aviões vão ser menos, mas porque em cada rota e avião que se mantiver o ‘load factor’ vai ser menor porque o da concorrência vai ser maior”.

A política da TAP tem mantido numa inflexibilidade tarifária brutal ao contrário da sua concorrência, o que provoca o afastamento dos grupos, do corporate e dos charters

Costa Ferreira denunciou que existe “falta de diálogo comercial” entre a companhia aérea e a operação turística nacional, que já não encontra na TAP responsáveis na estrutura de vendas com quem dialogar. “Deixámos de falar porque deixou de existir na TAP estrutura comercial que dialogava com o trade e que permitia que de mil milhões de passagens aéreas emitidas em Portugal pelos agentes de viagens em 2019 só em linhas aéreas regulares, quase 50% fossem da TAP”, recordou. Para o representante da distribuição turística nacional este número, além de refletir “o enorme significado do ponto de vista de dimensão bruta” da importância dos agentes de viagens, “direcionaria a política comercial da TAP a ter em atenção uma comunidade com tanta importância ao nível da emissão e em crescimento”. “Julgamos que é um erro crasso da parte da política da TAP afastar-se deste diálogo”, destacou Costa Ferreira, que deu como exemplo a ausência de resposta que os operadores turísticos presentes tiveram a todos os pedidos de cotação em voos para a Madeira e o Porto Santo.

Perante esta ausência de colaboração, Costa Ferreira deixou no ar a possibilidade dos operadores turísticos de juntarem para retomarem uma operação charter lançada para o destino com outra companhia aérea, à semelhança do que ocorre com as operações charter deste verão anunciadas para o Porto Santo com a Iberia e a SATA. “Acabámos a reunião a pensar se não será necessário os operadores turísticos unirem-se e fazerem um charter para a Madeira de modo a poderem trazer turistas nacionais a tarifas mais baixas do que aquelas que estão a ser oferecidas para Cancun”, realçou, numa crítica às tarifas pouco competitivas praticadas pela companhia aérea para o arquipélago.

Também Eduardo Jesus, secretário Regional da Cultura e Turismo da Madeira, sublinhou que os preços “mais baratos para ir a Cancun, no México, do que vir de Lisboa para a Madeira” são “incompreensíveis” e não são “aceitáveis”. “Uma decisão destas não faz parte de um processo integrado de desenvolvimento de um país e é nessa perspetiva que a Madeira reivindica uma postura diferente relativamente a este destino, tanto mais, e é público, que a linha da Madeira é a mais rentável da TAP depois das ligações internacionais à América Latina, segundo dados de 2018”, reforçou o responsável madeirense. Para Eduardo Jesus, a Madeira “não pode ser o mealheiro de uma companhia que depois precisa dos contribuintes nacionais da maneira como estão a contribuir para tê-la viva. Não pode ser a linha da Madeira a suportar tudo isto e a continuar a verificar este nível tarifário que ainda hoje observamos”, concluiu.

*A jornalista viajou a convite da APAVT e da APM.

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