Turismo, sustentabilidade e economia circular unem territórios do Norte e Alentejo

Por a 7 de Dezembro de 2020 as 10:06

A Serra do Alvão e do Monfurado, assim como Cabrela, no Norte e Alentejo, passaram a estar ligadas por um projeto que alia o turismo à sustentabilidade e à economia circular, e que visa o reconhecimento destes territórios como exemplos de boas práticas de turismo responsável.

Nascido no final de outubro, o projeto SECTUR – Sustentabilidade e Economia Circular no Turismo tem como objetivo a “sensibilização para a importância da implementação de medidas e ações concretas que visem a sustentabilidade dos destinos” e, numa primeira fase, abrange os municípios de Vila Real, Vila Pouca de Aguiar, Mondim de Basto e Ribeira de Pena, no Norte do país, bem como os concelhos alentejanos de Montemor-o-Novo, Alcácer do Sal, Viana do Alentejo e Évora, no Alentejo.
“Com este projeto o que se pretende, antes de mais, é a sensibilização para a importância da implementação de medidas e ações concretas que visem a sustentabilidade dos destinos em causa, seja ela económica, ambiental ou social”, explica ao Publituris, Sandra Teixeira, diretora da VERde NOVO, empresa que, conjuntamente com a MARCA – Associação de Desenvolvimento Local, é responsável pelo desenvolvimento do projeto, cujo financiamento é garantido pelo Fundo Ambiental.

Numa fase inicial, acrescenta a responsável, o SECTUR procurou “conhecer quem está no terreno e a fazer o quê e quais os ativos e recursos existentes e de que forma estes estão a ser usados”, nomeadamente ao nível do turismo, de forma a que fosse possível proceder à “ativação inicial de comunidades práticas de partilha de experiências e conhecimento com vista à adoção das medidas e ações referidas, quer a nível individual, quer ao nível coletivo”. Essas práticas, explica Sandra Teixeira, têm por base os ‘Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas’ e abrangem temáticas tão diversas como a erradicação da pobreza e da fome, questões da saúde e educação, energias renováveis, água potável e saneamento, bem como a produção e consumo sustentáveis. “Naturalmente que as práticas que vierem a ser definidas ou consideradas como prioritárias dependerão daquele que é o ponto de partida das entidades e organizações pertencentes ao sistema turístico nestas temáticas, mas diria que passarão inevitavelmente por ações que promovam uma gestão sustentável e uso eficiente dos recursos naturais, a redução de desperdício alimentar, redução de resíduos, a salvaguarda do património natural e cultural”, aponta. O SECTUR está direcionado para territórios rurais e de valor natural reconhecido, já que, revela a diretora da VERde NOVO, o projeto resulta de um desafio que foi colocado à empresa pela MARCA – Associação de Desenvolvimento, com a qual já tinha existido uma colaboração no passado, no âmbito do projeto de turismo criativo Creatour, que “consistia em estruturar um projeto focado nas temáticas da sustentabilidade e economia circular nos territórios em que cada uma das entidades tem desenvolvido a sua atividade, partilhando metodologias, instrumentos e estratégias”.

Foi desta forma que foi escolhida a Rede Natura 2000, onde os territórios da Serra do Alvão e do Monfurado, assim como a Cabrela, estavam integradas.

Vantagens no turismo
Segundo Sandra Teixeira, além de tornar estes destinos mais responsáveis e sustentáveis, o projeto deverá também trazer vantagens para a afirmação turística dos territórios abrangidos, até porque, como refere, já “é reconhecida a tendência crescente na procura por destinos e ofertas turísticas que se apresentem como sustentáveis, responsáveis e éticos”.
“Questões como as desigualdades, a emergência climática, os impactos negativos do turismo de massas, etc., estão cada vez mais presentes no momento da tomada de decisão relativamente à próxima viagem ou destino. Neste sentido, será cada vez mais fundamental que os destinos e ofertas traduzam essa preocupação que já existe do lado da procura”, destaca a responsável, sublinhando que “um sistema turístico local com práticas implementadas e reconhecidas no que diz respeito à sustentabilidade e economia circular atrairá, sem dúvida, mais e “melhores” turistas e visitantes, também eles alinhados com as preocupações e valores dos territórios”.
Ao abrigo do SECTUR, foram realizadas ações de capacitação para empresários, autarquias e outras entidades públicas, que tiveram lugar no Norte e também no Alentejo, a 11 e 19 de novembro, e vai ainda ser lançado um manual de apoio à implementação de estratégias e práticas de sustentabilidade e economia circular no turismo, assim como um guia informativo sobre ofertas e agentes dos territórios que corporizam boas práticas a este nível, ferramentas que vão ser apresentadas e divulgadas até ao final do ano e que deverão servir de suporte, “tanto do lado da oferta como da procura turística”. “Um turista/viajante terá à sua disposição um guia que lhe permitirá conhecer as ofertas do território e o seu trabalho no âmbito destas temáticas. Um agente turístico terá um manual muito prático que ajudará na definição, implementação e monitorização de estratégias e ações de sustentabilidade e economia circular”, aponta a responsável.
O projeto, que prevê um investimento superior a 21 mil euros, 20.150 dos quais apoiados pelo Fundo Ambiental, deverá ter a primeira fase terminada no final de novembro, no entanto, como refere Sandra Teixeira, existe o objetivo de dar continuidade ao projeto, tornando os resultados desta primeira fase numa base “para um trabalho futuro, em comunidade e em rede, de procura e melhoria contínua de soluções que visem o reconhecimento destes destinos como exemplos de boas práticas de turismo responsável e sustentável”.

Outros territórios
Apesar de se ter focado nos territórios da Serra do Alvão, no Norte do país, assim como na Serra do Monfurado e na Cabrela, ambos no Alentejo, Sandra Teixeira vê condições para que o SECTUR venha a ser estendido para outros destinos, até porque “a forma como o SECTUR foi pensado permite uma rápida e fácil adaptação a qualquer território que pretenda estudar, organizar e estruturar práticas de sustentabilidade e economia circular nos seus sistemas turísticos”, explica.Por isso, diz, “é perfeitamente possível o alargamento a outros territórios” e aponta como prioritários territórios que, devido à atual conjuntura de pandemia, têm vindo a ser “alvo de uma maior procura” e que, em consequência disso, se encontram na “necessidade de estruturar uma maior e melhor oferta, mais sustentável e preventiva de impactos negativos”.

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