“Fim do lay-off simplificado é erro estratégico”

Por a 28 de Setembro de 2020 as 16:53
Cimeira do Turismo V Fundação Calouste Gulbenkian /Fotos: Vítor Machado/bluepeach

O presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), Francisco Calheiros, considera que o “fim do lay-off simplificado é um erro estratégico”, uma vez que a crise provocada pela COVID-19 “ainda não terminou nem vai terminar tão cedo”, assim como os seus efeitos para as empresas e o emprego no setor, que necessita de mais apoio.

“Os recursos das empresas de turismo estão canalizados para a sobrevivência do negócio”, alertou Francisco Calheiros, durante a sessão de abertura da ‘V Cimeira do Turismo Português – turismo pós-covid’, esta segunda-feira, 28 de setembro.

Na opinião do presidente da CTP, o Governo esteve bem no início da pandemia, mas cometeu um erro estratégico ao determinar o fim do lay-off simplificado, numa altura em que deveria “centralizar-se num esforço conjunto para não deixar o país mergulhar numa forte crise”.

Apesar das várias medidas que foram lançadas além do lay-off simplificado, Francisco Calheiros considera que Portugal vai viver “uma crise económica com reflexos no mercado de trabalho” e alertou mesmo para o efeito de arrastamento que o turismo pode ter sobre outros setores da economia, cuja recuperação não deverá acontecer antes de 2022.

“2020 está perdido, 2021 pode trazer alguma recuperação, mas a retoma só em 2022”, estimou o presidente da CTP, revelando que, nas empresas de turismo, a quebra chega já a 80% face ao ano passado, exemplo de que os “desafios são inúmeros e exigem elevado compromisso”, motivo pelo qual pediu ao governo que desenvolva mais esforços na diplomacia económica e crie mais apoios “à medida das circunstâncias”.

Em relação aos fundos europeus, Francisco Calheiros afirmou que continua a manter-se “um quadro de indefinição sobre quando chega o apoio financeiro a Portugal”, aproveitando também a ocasião para voltar a insistir na criação de uma linha de apoio específica para o turismo e de forma a “apoiar a coesão europeia”.

A terminar a sua intervenção, Francisco Calheiros abordou ainda o tema do aeroporto do Montijo, infraestrutura na qual voltou a insistir, defendendo que “a margem para adiar o projeto já terminou e não há mais tempo a perder”.

 

 

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