Equipas de turismo não estão suficientemente capacitadas para soluções no digital, diz estudo

Por a 29 de Julho de 2020 as 16:19

Numa altura de incerteza e crise económica, as questões colocam-se: qual o futuro do turismo em Portugal? Há espaço para a inovação e transformação digital neste segmento crucial? Estas são as questões às quais a consultora de inovação colaborativa Beta-i e o Turismo de Portugal pretendem responder, através de um estudo que identifica os desafios concretos e prioritários para o setor e do lançamento de programas de inovação que juntam startups e empresas turísticas para criarem soluções que venham capacitar o setor com novas competências tecnológicas e apoiar a sua retoma.

De acordo com o estudo realizado no âmbito do programa Tourism Now! pelo NEST – Centro de Inovação do Turismo de Portugal e pela consultora portuguesa, apesar de a digitalização já ser uma realidade presente no turismo, players do mercado consideram que, face aos desafios da pandemia, as suas equipas não estão suficientemente capacitadas para criar e gerir novas soluções no digital. O questionário realizado a operadores das várias áreas do turismo, incluindo hospitalidade, animação turística, transportes e agências, conclui que é urgente investir, não só na segurança sanitária, como no upskilling do setor e em formar os colaboradores com competências em ferramentas mais modernas e em novas tecnologias.

Segundo Roberto Antunes, Diretor Executivo do NEST – Centro de Inovação do Turismo de Portugal, “além de sermos um país orientado para o turismo, Portugal é também um país resiliente, inovador e sagaz na hora de criar oportunidades para se manter competitivo. Foi com base neste pressuposto que temos trabalhado com a Beta-i para identificar as urgências do setor, promover o empreendedorismo e a inovação, trocar conhecimento e ainda criar pontes entre empresas, PMEs e startups. Esta primeira análise mostra-nos que há uma preocupação clara do setor em implementar mudanças e fazer investimentos num momento em que a procura recuou de forma abrupta. Por isso o nosso foco consiste em preparar o futuro e criar soluções que garantam a recuperação do turismo em Portugal.”

Com base no estudo e de forma a estimular o empreendedorismo e a inovação, as duas entidades desenvolveram ainda um mapa de desafios concretos e prioritários com o intuito de desafiar startups a criarem soluções em colaboração com as empresas do setor. Em fase de mitigação de crise, a lista inclui necessidades sobre como dotar o setor de uma interação “low touch” em todos os pontos da jornada do turista; como criar uma certificação online de procedimentos de higienização com certificado reconhecido e estandardizado, e como criar soluções móveis de presença de risco por geolocalização sem centralização de dados. Já em fase de retoma, colocam-se os desafios de como passar todos os processos de atendimento pessoal para um atendimento mediado por tecnologia; como garantir informação em tempo real sobre a densidade de pessoas nos produtos turísticos; como criar jornadas detalhadas do turista com explicitação dos momentos com e sem contacto humano; como manter a humanização numa experiência cada vez mais mediada por tecnologia; e como otimizar fluxos de turistas de forma a aumentar a rentabilidade dos espaços. Neste momento, propostas de solução provenientes de startups early stage estão a ser recebidas pelo NEST numa parceria com a Startup Lisboa.

De acordo com Manuel Tânger, Co-Founder e Head of Innovation da Beta-i, “apesar de já termos vindo a trabalhar com o Turismo de Portugal em diferentes frentes estratégicas de inovação, seja através do programa The Journey ou do Lisbon Tourism Summit, face ao contexto atual os desafios mudaram radicalmente, levando à necessidade de criar novas parcerias e iniciativas que ajudem a reinventar o setor. A partir desta primeira análise, percebemos que o posicionamento de Portugal pode vir a ser reforçado, se a indústria do turismo reagir rapidamente às transformações exigidas pelo novo normal e colaborar com inovadores e empreendedores na criação de novas soluções. Como tal, através de programas de inovação, queremos mobilizar startups a colaborarem com os vários players e auxiliar a retoma urgente do setor”.

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