Testes à COVID-19: “Comissão Europeia falhou redondamente ao não assumir o controlo na origem”

Por a 22 de Maio de 2020 as 17:09

A partir de 1 de julho, os passageiros que viajem para a Região Autónoma da Madeira vão ter de apresentar o resultado de um teste de despiste à COVID-19 realizado nas últimas 72 horas da sua chegada ao destino ou, na ausência deste, submeter-se a um teste à chegada a um dos dois aeroportos do arquipélago, cujo custo será da responsabilidade do Governo Regional madeirense.

Já este mês de junho, os passageiros que cheguem ao destino vão estar dispensados do isolamento profilático, exigido até então, desde que apresentem o resultado negativo a um teste PCR e fiquem sujeitos à monitorização pelas autoridade de saúde através de uma aplicação. Aqueles que não apresentarem um teste PCR são obrigados a cumprir quarentena em unidades hoteleiras.

Esta foi a solução encontrada pelo destino para começar a abrir portas ao Turismo, uma decisão tomada esta quinta-feira no conselho do Governo Regional e cuja definição do fluxograma deste procedimento será definido até à próxima semana, garantiu Eduardo Jesus, secretário Regional de Turismo e Cultura da Madeira e presidente da Associação de Promoção da Madeira, na Web Conferência do Publituris “Madeira: Preparar o futuro”.
De forma a dar continuidade ao facto de ter sido um destino com poucos casos de COVID-19 e de utilizar esta mais-valia como um ativo para se posicionar como um  “destino seguro em termos sanitários”, a Madeira quer continuar a controlar quem chega ao arquipélago. Para Eduardo Jesus, os testes PCR aos passageiros que chegam foi a solução encontrada para garantir a quem chega que todos foram testados e onde não existem casos positivos do novo coronavírus.  “Julgo que isto é uma enorme valia, mensagem de bem-estar para que as pessoas possam cá vir”, defende.

A região pretende que o procedimento da realização do teste a quem chega “não seja [um momento] de constrangimento para quem cá chega. Vamos transformar esse momento numa coisa agradável, de conforto, porque vai aferir logo à partida aferir o seu estado de saúde e permite ganhar essa confiança que é o grande desafio”. O tempo que irá ser necessário para o resultados dos respectivos testes vai depender da evolução da ciência, realçando o responsável que  o objectivo é que este não seja demorado e que, caso negativo, os turistas possam imediatamente usufruir das suas férias no destino. Caso o resultado seja positivo, a região assegurará o cuidado do passageiro como fez durante o Estado de Emergência a outros turistas.  “Se der positivo vamos assegurar esse tratamento como asseguramos a todos aqueles que foram infectados durante o período de contágio aqui na Madeira”.

A Madeira segue assim o exemplo de destinos como a Islândia e a Grécia, “da realização dos testes à chegada” que “não tem qualquer custo para o passageiro, porque a região assume a totalidade desse custo”. Esta “é uma atitude igual ao que faz a Grécia, a Islândia e isto por uma razão muito simples”, ou seja, a dependência das acessibilidades aéreas, uma das únicas portas de entrada de destinos insulares. “Há aqui um cuidado muito grande no que diz respeito ao restabelecer da confiança e estes destinos que são destinos insulares na dependência directa de uma acessibilidade, neste caso a aérea. Tem que tomar estas medidas sob pena de não conseguirem manter os níveis de confiança que se impõem neste momento”, justifica.

Contudo, para o governante madeirense seria bem mais simples e prático se a realização dos testes fosse obrigatória nos destinos de origem dos voos, uma medida que o Governo Regional apelou que a Comissão Europeia tomasse.  “Mantivemos uma posição durante todo este processo, ainda a defendemos, apesar de vencidos, que o controlo devia ser sempre na origem. Manifestámos isto à Comissão Europeia, ao Governo da República, mas a UE decidiu não atender a este tipo de preocupações. É por isso que defendo que a Comissão Europeia falhou redondamente ao não assumir o controlo na origem”, salienta.  E adverte que “se o controlo fosse feito na origem e se todos os passageiros controlassem na origem os níveis de confiança em toda a Europa seriam necessariamente diferentes”.

Não sendo feito o controlo na origem, a probabilidade de o risco aumentar é superior, refere: “Claro que sim e ainda aumenta muito mais o risco em não se fazer nem na origem nem no destino, pelo menos ficamos a meio entre uma situação e a outra, procurando minimizar o efeito que é a Comissão Europeia se ter demitido dessa responsabilidade”.

Porém, para o responsável, é mais negativo “imaginar um destino que não tenha esse controlo à chegada e possam entram pessoas infectadas sem saber que estão infectadas e o efeito que terá sobre o destino. Penso que será bastante pior”.

Quanto à reabertura dos mercados turísticos emissores, o secretário Regional de Turismo recorda que esta não depende exclusivamente da Madeira,  “se assim fosse podíamos rapidamente reativar as coisas. Temos de estar sempre na dependência e com muita atenção à evolução epidemiológica” dos mercados emissores como o Reino Unido, a Alemanha, França e Espanha.

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