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Revelados os vencedores dos Publituris Portugal Trade Awards 2020

Os vencedores foram eleitos através da votação dos assinantes do Publituris e do júri dos prémios.

Carina Monteiro
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Revelados os vencedores dos Publituris Portugal Trade Awards 2020

Os vencedores foram eleitos através da votação dos assinantes do Publituris e do júri dos prémios.

Carina Monteiro
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Publituris cancela entrega dos Trade Awards
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A 10ª edição da cerimónia de entrega  dos Publituris Portugal Trade Awards estava agendada para esta terça-feira, dia 17 de março, n'O Clube - Monsanto Secret Spot.  Devido aos últimos acontecimentos relacionados com o Covid-19, a cerimónia foi cancelada, mas os vencedores são revelados hoje no site dos prémios aqui.

Recordamos que os vencedores resultaram de uma média ponderada entre os votos dos assinantes da newsletter do Publituris (40%) e dos votos do Júri (60%). A votação decorreu entre os dias 28 de fevereiro e 10 de março. A todos, agradecemos a participação neste processo de eleição e informamos que oportunamente os vencedores receberão os seus troféus.

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Distribuição

Rui Alves (Flytour Gapnet): “A experiência negativa dos consumidores com o suporte na venda on-line levou a uma valorização do papel do intermediário”

Para o diretor da consolidadora brasileira Flytour Gapnet, Rui Alves, a previsão passa por “um retorno aos modelos de uso de ‘hubs’ para receção de voos longos e distribuições regionais com mais escalas, tudo em nome de maior produtividade”.

Rui Alves, diretor da consolidadora brasileira Flytour Gapnet, não prevê tempos fáceis e admite um “redesenho de oferta de voos e uma busca de melhoria de performance, de modo a alcançar economia de custos”. Certo é que foi dado ao agente de viagens “um papel relevante de consultor e solucionador de problemas não só para os passageiros, como também para as próprias companhias aéreas”.

Conhecido o impacto que a pandemia teve no setor da aviação, que preocupações passaram a ter as companhias aéreas que anteriormente não tinham ou que eram secundárias? Mais segurança, mais proximidade, mais e melhores serviços, mais rotas, aviões mais sustentáveis, etc.?
Entendo que a indústria de aviação ao mesmo tempo que teve de encontrar alternativas de sobrevivência neste duro período da pandemia, teve ainda de olhar para dentro e repensar o negócio no momento em que começou a existir alguma retoma de atividade. A mudança do perfil de comprador com predominância do passageiro de lazer e com advance purchase curto, deixa a indústria com a difícil tarefa de refazer o seu preço que, na maioria dos players, contava com o passageiro corporativo como determinante na sua receita.

O cenário inverte-se e projeta uma diminuição do segmento corporativo em viagens. Alguns falam em quebras de 25 a 30%, mas pouco se sabe ainda de como será o hábito de compra deste segmento. Nalguns mercados existe mesmo a projeção de um cenário de 50% de passageiros de lazer e 50% de passageiros corporativos o que levará a um redesenho de oferta de voos e a uma busca de melhoria de performance, de modo a alcançar economia de custos. Não prevejo mais rotas, mas sim um retorno aos modelos de uso de hubs para receção de voos longos e distribuições regionais com mais escalas, tudo em nome de maior produtividade. Um bom exemplo desta tendência foram os recentes aproveitamentos dos A380 que estavam condenados a serem encostados.

Como vê o futuro da consolidação aérea depois da pandemia?
Vejo espaço na continuidade da consolidação aérea com as companhias norte-americanas como principais players, pois estão a sair em primeiro do momento mais crítico e fortalecendo-se graças a retoma do seu mercado doméstico. Na Europa, parece ser mais difícil esta tendência, agora com a maior presença do Estado como investidor. Já as companhias do Médio Oriente e Ásia encontram-se num momento de redefinição dos seus projetos.

Que mudanças espera no e para o turismo de forma geral e quais são, efetivamente, os maiores ensinamentos que retira desta crise para o futuro da sua atividade e negócio?
A experiência negativa dos consumidores com o suporte na venda on-line, seja das OTA´s, seja das próprias companhias aéreas durante o período da pandemia, levou a uma valorização do papel do intermediário, reforçando o Agente de Viagens, dando-lhe um papel relevante de consultor e solucionador de problemas não só para os passageiros, mas para as próprias companhias aéreas que muito e bem viram e compreenderam esta atuação dos agentes.

Talvez isto seja uma tendência daqui para a frente, com mais projetos de distribuição omnichannel e atendimento mais humanizado pelas OTA’s.

 

*Para participar no webinar de dia 20 de outubro, basta inscrever-se aqui.

Sobre o autorVictor Jorge

Victor Jorge

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Transportes

Movimento de passageiros dispara nos aeroportos nacionais em agosto mas continua 40% abaixo dos níveis pré-pandemia

Aeroportos nacionais contabilizaram 3,9 milhões de passageiros em agosto, crescimento de 76,3% face a igual mês do ano passado, mas que, face aos níveis pré-pandemia, continua a traduzir uma quebra de 39,9%.

No passado mês de agosto, o movimento de passageiros nos aeroportos nacionais cresceu 76,3%, chegando aos 3,9 milhões de passageiros, indica o Instituto Nacional de Estatística (INE), que realça, no entanto, que este indicador continua 39,9% abaixo dos níveis pré-pandemia.

Segundo o INE, agosto trouxe também um crescimento do número de aeronaves que aterraram nos aeroportos nacionais, num total de 17,4 mil aparelhos, o que indica uma subida de 39,9% face a agosto do ano passado.

"Neste mês atingiram-se os níveis mais elevados de aeronaves aterradas e passageiros movimentados desde o início da crise pandémica COVID-19", indica o INE, no comunicado divulgado esta terça-feira, 19 de outubro.

Ainda assim, face a igual mês de 2019, os números continuam a traduzir descidas, que chegaram aos 25,0% no número de aeronaves aterradas e aos 39,9% nos passageiros movimentados, embora menos expressivas do que tinham sido em julho, quando a quebra no número de aeronaves aterradas e no movimento de passageiros chegava aos 33,2% e 55,8%, respetivamente, face a julho de 2019.

Entre os passageiros que chegaram aos aeroportos nacionais em agosto, 74,4% corresponderam a tráfego internacional, quando em período homólogo essa percentagem era de 76,4%, tendo a maioria sido proveniente de aeroportos europeus (65,0%), enquanto entre os passageiros que embarcaram em território nacional, 75,6% corresponderam a tráfego internacional (77,2% no período homólogo), com os aeroportos europeus a serem também o destino da maioria destes passageiros (67,6%).

Já no acumulado do ano até agosto, os dados do INE indicam que houve uma diminuição de 9,2% no número de passageiros movimentados nos aeroportos nacionais face ao período homólogo do ano anterior, o que traduz uma recuperação significativa depois da quebra de 67,1% que tinha sido apurada no acumulado até agosto do ano passado.

No entanto, o INE indica que, "comparando com o mesmo período de 2019, a redução foi de 70,1%", até porque, no acumulado até agosto de 2019, o movimento de passageiros nos aeroportos nacionais tinha crescido 7,1%.

Até agosto, o aeroporto de Lisboa movimentou 44,9% do total de passageiros, o que corresponde a 5,5  milhões de passageiros, o que traduz um decréscimo de 22,3% face a igual período do ano passado. Já o aeroporto de Faro apresentou uma trajetória diferente e cresceu 3,8% no acumulado do ano, contabilizando 1,5 milhões de passageiros, com o INE a referir, contudo, que o valor está "ainda distante do registado no mesmo período em 2019 (6,3 milhões de passageiros, representando um decréscimo de 76,3%)".

Nos voos internacionais, França a foi o principal país de origem e de destino dos voos, registando, no entanto, decréscimos de -5,3% no número de passageiros desembarcados e de -8,2% no número de passageiros embarcados face ao mesmo período de 2020, seguindo-se o Reino Unido e a Alemanha, ainda que com "um volume significativamente mais reduzido de passageiros desembarcados e embarcados".

 

 

Sobre o autorInês de Matos

Inês de Matos

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Distribuição

Decius Valmorbida (Amadeus): “O setor mudará o foco de volume para valor, à medida que procuramos reconstruir as viagens”

Em resposta a três questões colocadas pelo Publituris, em antevisão ao webinar da Airmet, Decius Valmorbida vice-presidente da Amadeus e responsável pela área da distribuição mundial, admite que a pandemia “pode levar a mudanças positivas a longo prazo”.

Victor Jorge

Decius Valmorbida, vice-presidente da Amadeus e responsável pela área da distribuição mundial, foca o impacto que a COVID-19 teve em toda a indústria das viagens. Em resposta a três perguntas do Publituris, o responsável da Amadeus destaca que “a pandemia forçou todos no universo das viagens a voltar à estaca zero e considerar o seu papel na cadeia de valor enquanto reconstruímos o setor”.

Que tipo de soluções e experiências passaram agora e no futuro a ser mais valorizadas pelo cliente/viajante/turista? Que peso têm questões como a sustentabilidade nesta “nova realidade”? Há, efetivamente, um novo tipo de consumidor?
Nos últimos anos, passamos por uma evolução gradual para atender às necessidades em constante mudança dos viajantes experientes e aproveitar as tecnologias e inovações mais recentes que estão a transformar a sociedade como um todo. Personalização, tecnologia móvel e sem fricção, chatbots, inteligência artificial e robótica são apenas algumas das tecnologias relacionadas que estão a alimentar esta evolução das viagens.

Com a COVID-19, vimos algumas dessas tendências acelerarem para que possamos dar aos viajantes a confiança para viajar de uma maneira nova e melhor.

Impulsionado pela necessidade de fazer as coisas de forma diferente como uma resposta à COVID-19, a aceleração de padrões como NDC e OneOrder e uma convergência de tecnologias, incluindo nuvem pública, identidade digital e plataformas abertas, está a tornar-se possível entregar esta visão end-to-end.

Não estamos a falar de uma oferta premium que começa quando embarca no avião e termina quando desembarca. Em vez disso, os operadores de viagens estarão mais interconectados do que nunca e cada vez mais considerarão o seu papel como parte da viagem no seu todo.

Como é que se posicionam, nesta retoma das viagens, em termos de mercado, produtos e operações?
Um dos primeiros passos que estamos a dar para reconstruir as viagens, é reunir os vários negócios focados na viagem. Isso significa os nossos canais de viagens, companhias aéreas, TI em aeroportos e pagamentos estão a tornar-se uma única unidade dedicada a cumprir essa visão end-to-end para as viagens.

Dentro desta unidade de viagens, continuaremos a nossa evolução tecnológica e construiremos uma nova geração de sistemas subjacentes que não são limitados por processos históricos da indústria. Isso faz com atendamos às necessidades dos viajantes por uma experiência totalmente personalizada em toda a sua jornada. Isso dá aos nossos clientes a capacidade de escolher a combinação de soluções mais correta. Além disso, ajuda nos ossos clientes a colaborar, identificar e entregar os serviços de maior valor através da colaboração.

Considere, por exemplo, a identidade biométrica no aeroporto, uma experiência de serviço emergente que envolve cooperação íntima entre companhias aéreas e aeroportos. Num futuro próximo, uma experiência totalmente biométrica pode tornar-se a norma. Ao remover a complexidade com soluções em nuvem que conectam totalmente companhias aéreas e aeroportos, pretendemos desbloquear esse tipo de valor para nossos clientes e viajantes. Este exemplo também pode ser estendido ao aluguer de automóveis, comboios e até mesmo check-in em hotéis, mas somente se realmente pensarmos end-to-end.

Outro exemplo é o conteúdo. Hoje, existe uma grande riqueza de conteúdos de viagens. Com tantas opções, a melhor aposta para qualquer grande retalhista que procura chamar a atenção do consumidor, é estar em qualquer lugar, seja online ou offline. Ao trazer todos os diferentes tipos de conteúdos de viagens para uma única plataforma - seja companhia aérea, hotel, automóvel, comboio, transferências ou destinos – os próprios vendedores de viagens, clientes corporativos e os próprios viajantes serão capazes de personalizar a viagem a seu gosto. Isso é o que estamos a fazer na Amadeus com a nossa plataforma de viagens.

Que mudanças espera no e para o turismo de forma geral e quais são, efetivamente, os maiores ensinamentos que retira desta crise para o futuro da atividade e negócio?
Seja qual for o local para onde possa estar a olhar, a COVID-19 vai ao encontro da definição do “cisne negro”. Imprevisível, raro e com um impacto significativo, esses eventos causam estragos, mas também podem levar a mudanças positivas a longo prazo.

Naturalmente, todos os envolvidos na indústria de viagens estão a perguntar quando as reservas voltarão a algo próximo do que poderíamos considerar níveis "normais". Não posso responder a esta pergunta com certezas, pois existem muitas variáveis em jogo, mas, em minha opinião, essa não é a única questão que as empresas de viagens devem considerar. Pessoalmente, acho que o setor mudará o foco de volume para valor, à medida que procuramos reconstruir as viagens.

Em comparação com outras indústrias, é notável o quão pouco valor é atribuído ao produto da viagem, apesar da maioria das pessoas concordar que viajar enriquece as suas vidas. As cafeterias são especialistas em merchandising, tanto que agora é aceite que uma chávena de café possa custar cinco dólares. A questão para a indústria das viagens é: como podemos ajudar os viajantes a valorizar mais o nosso produto? Assim, à medida que as viagens recuperem, serão mais sustentáveis a longo prazo.

Neste caso, a indústria precisa analisar atentamente a experiência oferecida. Será que a experiência de viajar, em 2019, foi realmente convincente? E onde podemos criar valor adicional? Os players individuais da indústria trabalharam arduamente nas suas próprias ofertas, com companhias aéreas a adicionar planos premium e aeroportos a introduzir fast track services, mas nunca houve um foco em ‘toda’ a viagem do viajante. Pensar além dos silos individuais e pegar na visão end-to-end é a oportunidade de a viagem melhorar a experiência e desbloquear o equivalente aos cinco dólares pelo tal café.

A pandemia forçou todos no universo das viagens a voltar à estaca zero e considerar o seu papel na cadeia de valor enquanto reconstruímos o setor.

Para participar no webinar de dia 20 de outubro, basta inscrever-se aqui.

Sobre o autorVictor Jorge

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Destinos

UE gera mais de 590 milhões de certificados digitais e admite juntar mais 28 países aos atuais 43

Considerado uma das ferramentas essenciais para a recuperação da economia, viagens e turismo, a União Europeia quer juntar mais países à norma. Para já, são 28 os países que podem ligar-se, embora a Comissão ter sido contactada por 60 países terceiros.

Victor Jorge

 

A União Europeia (UE) já gerou mais de 591 milhões de certificados digitais COVID-19, avançando um relatório da Comissão que o certificado europeu tem sido “um elemento crucial da resposta da Europa à pandemia”.

De acordo com Bruxelas, o certificado, que abrange a vacinação, teste e recuperação da COVID-19, “facilita a realização de viagens seguras para os cidadãos, tendo também sido fundamental para apoiar a indústria do turismo, mais duramente atingida na Europa”, salientando que “estabeleceu uma norma mundial, sendo atualmente o único sistema operacional a nível internacional”.

Atualmente, estão integrados 43 países de quatro continentes no sistema e outros se seguirão nas próximas semanas e meses, adianta a Comissão no site institucional.

Tal como afirmou a presidente Ursula von der Leyen no seu discurso de 2021 sobre o estado da União, o Certificado Digital COVID da UE mostra que “quando atuamos em conjunto, conseguimos fazê-lo rapidamente”.

Dos 43 países ligados ao sistema da UE, 27 são Estados-Membros da UE, 3 são países do Espaço Económico Europeu (EEE), além de Suíça e 12 outros países e territórios.

No total, a Comissão foi contactada por 60 países terceiros interessados em aderir ao sistema europeu, avançando que, para além dos países já ligados, “estão em curso negociações de natureza técnica com 28 destes países”.

A importância do Certificado Digital COVID da UE foi, de resto, destacada pelo setor dos transportes aéreos que beneficiou da entrada em funcionamento mesmo a tempo para a época alta das viagens de verão. A Associação do Conselho Internacional dos Aeroportos (ACI Europe) comunicou, em julho de 2021 um volume total de passageiros superior ao dobro de julho de 2020, atribuindo esta mudança à implantação do Certificado Digital COVID da UE, em conjunto com a flexibilização das restrições de viagem.

Segundo um inquérito Eurobarómetro do Parlamento Europeu, cerca de dois terços (65 %) dos inquiridos concordaram que o Certificado Digital COVID da UE é o meio mais seguro para viajar livremente na Europa durante a pandemia de COVID-19.

20 Estados-Membros da UE também utilizam o Certificado Digital COVID da UE a nível interno, nomeadamente para o acesso a grandes eventos, restaurantes, cinemas e museus, dispondo de uma base jurídica nacional suplementar.

Declarações dos membros do Colégio de Comissários:

Para o comissário responsável pela Justiça, Didier Reynders, “o sistema de Certificados Digitais COVID da UE deu aos viajantes a confiança necessária para viajarem em segurança na UE e aumentou as viagens este verão. Num momento de crise, a Europa estabeleceu rapidamente e com êxito uma norma mundial inovadora e respeitadora da privacidade, havendo muitos países em todo o mundo interessados em aderir a este sistema”.

Já o comissário responsável pelo Mercado Interno, Thierry Breton, adianta que a União Europeia criou um sistema “seguro e interoperável em tempo recorde” que tem sido “um motor essencial para a recuperação do ecossistema turístico e das suas muitas pequenas empresas familiares em toda a Europa”.

Além disso, salienta ainda que o sistema da UE foi adotado por países de todo o mundo, demonstrando como a Europa “pode estabelecer normas mundiais através de uma ação decisiva e coordenada”.

Por fim, Stella Kyriakides, comissária responsável pela Saúde, destaca o facto do certificado ser um instrumento europeu “forte, que nos permitiu avançar no sentido da reabertura das nossas economias e sociedades e do exercício da liberdade de circulação de forma segura e coordenada”.

Para o futuro, a Comissão revela que “continuará a acompanhar de perto a validade dos certificados de vacinação e recuperação”, além de prosseguir os esforços para ligar mais países ao sistema da UE e trabalhar com os Estados-Membros a nível técnico para aplicar o regulamento relativo ao Certificado Digital COVID da EU.

Certo é que até 31 de março de 2022, a Comissão apresentará um novo relatório sobre a aplicação do regulamento que poderá ser acompanhado de uma “proposta legislativa destinada a prorrogar o período de aplicação do regulamento, tendo em conta a evolução da situação epidemiológica”, pode ler-se na declaração da Comissão no site.

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Victor Jorge

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Transportes

VINCI aumenta ligeiramente tráfego de passageiros até setembro

O tráfego de passageiros nos aeroportos em Portugal continua a recuperar no terceiro trimestre, embora continua muito longe dos valores de 2019.

Victor Jorge

O tráfego de passageiros nos aeroportos geridos pela VINCI Aeroportos – Lisboa, Porto, Faro, Madeira e Açores – aumentou 2,3% no acumulado dos nove meses de 2021 face a igual período de 2020, totalizando 15,3 milhões de passageiros.

Este número positivo fico, contudo, aquém dos valores de 2019, indicando a entidade que gere os aeroportos em Portugal que, quando comparado com os três trimestres de 2019, a quebra é de 66,7%.

Por aeroportos, a maior subida no acumulado do ano foi registada nos Açores, onde se verificou uma evolução de 64,9 face a 2020 no que diz respeito ao mesmo período de 2020, mas que equivale a uma quebra de 40,9% face aos nove meses de 2019.

Situação idêntica foi vivida nos aeroportos de Faro e Madeira, onde a evolução foi de 14,5% e 41,2% no acumulado do ano de 2021 face a igual período de 2020, respetivamente. Já face a 2019, nestes dois aeroportos, as quebras foram de 71,8% e 40%, respetivamente.

Os aeroportos de Lisboa e Porto, por sua vez, registaram menos 8,8% e 2,2% de tráfego de passageiros no acumulado do ano 2021 face a 2020, respetivamente. Comparado com os três trimestres de 2019, o registo piora, com Lisboa a descer 70,2% e o Porto a cair 64,2%.

Já na variação do tráfego de passageiros no terceiro trimestre, face ao mesmo período de 2019, a VINCI indica que Lisboa caiu 50,3%, o Porto registou menos 40,1%, Faro decresceu 56%, enquanto as ilhas caíram 12,4% (Madeira) e 18,8% (Açores).

Isto faz com que, segundo os dados fornecidos pela VINCI Aeroportos, o tráfego de passageiros no terceiro trimestre tenha suplantado por pouco os 10 milhões de passageiros, enquanto no acumulado dos três trimestres de 2021, o valor totalizou 15,3 milhões de passageiros.

No que diz respeito ao movimento comercial por aeroporto, todos os aeroportos registaram subidas no acumulado de 2021 quando comparado com o mesmo período de 2020, indicando a VINCI uma subida global de 12,1%. Assim, Lisboa cresceu 3,1%, Porto registou mais 3%, enquanto Faro, Madeira e Açores subiram 29,4%, 35,7% e 41,4%, respetivamente.

Já quando se analisa os nove meses de 2021 com os mesmos meses de 2019, a situação é diferente, verificando-se uma quebra de 51,8%. Nesta análise, as quebras foram as seguintes: Lisboa (-57,2%), Porto (-53,5%), Faro (-52,8%), Madeira (-37,5%) e Açores (-18,6%).

A situação melhorou ligeiramente no terceiro trimestre, quando comparado com os mesmos três meses de 2019, com Lisboa a descer 36,3% no movimento de voos comerciais, enquanto todos os outros aeroportos caíram 31,6% (Porto), 29,3% (Faro), 5,4% (Madeira) e 7% (Açores).

Na globalidade da operação da VINCI, a companhia revela, em comunicado que foram “cerca de 30 milhões os passageiros que viajaram através da rede VINCI Airports no terceiro trimestre de 2021, ou seja, o dobro (98% mais) do que no terceiro trimestre de 2020” Já em comparação com o terceiro trimestre de 2019, o número de passageiros “diminuiu 59%”.

“A recuperação do tráfego no verão de 2021 confirmou que a tendência é o regresso aos níveis pré-crise”, refere a VINCI, acrescentando que “os números subiram acentuadamente em França, Portugal, Sérvia, Irlanda do Norte, Brasil e Chile e voltaram mesmo aos níveis de 2019 na Costa Rica e na República Dominicana”.

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Luís Henriques (Airmet): “Teremos de continuar a valorizar os serviços que prestamos”

A comemorar o 15.º aniversário, a Airmet irá realizar um webinar luso-brasileiro, com o objetivo de debater os desafios pós-COVID para a distribuição e aviação. O Publituris entrevistou os convidados dos painéis.

Victor Jorge

Em antecipação ao webinar que a Airmet irá realizar no próximo dia 20 de outubro, para comemorar o seu 15.º aniversário, o Publituris, media partner do evento, juntamento com o brasileiro Panrotas, irá publicar algumas entrevistas feitas aos convidados deste evento digital.

O primeiro entrevistado é, precisamente, Luís Henriques, diretor-geral da Airmet Brasil e Portugal.

Possuindo operação dos dois lados do Atlântico, que mudanças antevê para operadores e agências de viagens para o futuro próximo? Existe, efetivamente, uma alteração do paradigma operacional e do negócio? Que diferenças antevê na atuação nos dois mercados e que tipo de respostas terão de passar a dar em função da alteração do cliente?
Não creio que haja uma mudança de paradigma, mas há com certeza uma grande necessidade de evolução na forma de comunicar com os nossos clientes. Em ambos os mercados verifica-se uma cada vez maior exigência por parte dos clientes. Será fundamental que as agências se adaptem a estas novas exigências uma vez que a facilidade de acesso à informação que o cliente tem hoje é consideravelmente superior. Sabemos que em muitos setores a intermediação está claramente posta em causa e teremos de continuar a valorizar os serviços que prestamos para que a confiança dos nossos clientes nas agências seja reforçada. Consideramos também importante a especialização e diferenciação das agências.

Este tema, abordado e comentado há anos sem ser concretizado, será fundamental para o crescimento do negócio das agências. O cliente está cada vez mais exigente e nós teremos de ser cada vez mais informados e focados no “acrescentar valor” ao cliente.

Que mudanças espera no e para o turismo de forma geral e quais são, efetivamente, os maiores ensinamentos que retira desta crise para o futuro da sua atividade e negócio?
Acreditamos que as principais alterações serão ao nível das necessidades dos clientes. Vamos ter uma grande evolução em programas alternativos, uma maior preocupação com o ambiente e sustentabilidade e a necessidade de os atores terem cada vez mais criatividade, pois os clientes pretendem “algo único” com as suas viagens, pretendem sentir que é algo preparado para eles de forma única e exclusiva.

A pandemia trouxe igualmente uma maior preocupação com a saúde e a segurança em viagem, algo que as agências dão importância há muitos anos e que, antes do COVID, não era totalmente valorizado. Será importante passar essa mensagem e acreditamos que neste ponto estamos claramente bem posicionados para que consigamos inverter a tendência da desintermediação do sector.

Para participar no webinar de dia 20 de outubro, basta inscrever-se aqui.

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Nova edição: Azul, Geoparque Algarvensis e Lisboa

A segunda edição de outubro do Publituris faz capa com a Azul – Linhas Aéreas Brasileiras, que já está a sentir um forte aumento na procura por viagens entre Portugal e o Brasil, na sequência da reabertura das fronteiras entre os dois países. Em resposta, a companhia prepara-se para retomar os voos diários para Lisboa já em dezembro.

Publituris

A nova edição do Publituris, a segunda do mês de outubro, faz capa com a Azul - Linhas Aéreas Brasileiras, que se prepara para retomar os voos diários entre Lisboa e São Paulo-Campinas já em dezembro. Ao Publituris, Giuliano Ponzio, gerente comercial regional da Azul para a Europa, revela que a companhia aérea, que disponibiliza atualmente quatro ligações entre os dois lados do Atlântico, está a sentir um forte aumento da procura na sequência da reabertura de fronteiras entre Portugal e o Brasil, e quer recuperar rapidamente a oferta que tinha antes da pandemia na capital portuguesa.

Nesta edição, publicamos também um dossier sobre Lisboa. Como está a recuperar a atividade turística na capital apesar do impacto da pandemia, qual é o cenário nas diferentes atividades, assim como as perspetivas para o futuro e as novidades que estão a chegar à oferta lisboeta, são alguns dos temas que exploramos e que pode conhecer neste trabalho.

Saiba também quais são as expetativas da distribuição e da aviação para quando a pandemia estiver ultrapassada. Em véspera do seminário luso-brasileiro, organizado pela Airmet, para debater os desafios pós-COVID, o Publituris quis saber, junto de alguns participantes, como olham para o futuro dos setores da distribuição e da aviação dos dois lados do Atlântico.
Este fim-de-semana, termina a 4.ª edição do Portugal Air Summit. Ao longo de cinco dias, este evento reúne a indústria da aviação em Ponte de Sor, o, num certame que tem também vantagens para a promoção económica e turística.

Conheça também o Geoparque Algarvensis Loulé-Silves-Albufeira, que é candidato a Geoparque Mundial da UNESCO e que conta 350 milhões de anos de história da região algarvia. Criar maior coesão territorial e contribuir para tornar o Algarve num destino ao longo de todo o ano, são alguns dos objetivos do novo geoparque.

Os artigos de opinião nesta edição são assinados por Pedro Machado (presidente da Turismo Centro de Portugal), Mariana Calaça Baptista (Centro de Portugal Film Comission) e Luiz S. Marques (investigador do Dreams, Universidade Lusófona).

A versão completa desta edição é exclusiva para subscritores do Publituris. Pode comprar apenas esta edição ou efetuar uma assinatura do Publituris aqui obtendo o acesso imediato.

Para mais informações contacte: Carmo David | [email protected] | 215 825 430

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Edição Digital: Azul, Geoparque Algarvensis e Lisboa

A segunda edição de outubro do Publituris faz capa com a Azul – Linhas Aéreas Brasileiras, que já está a sentir um forte aumento na procura por viagens entre Portugal e o Brasil, na sequência da reabertura das fronteiras entre os dois países. Em resposta, a companhia prepara-se para retomar os voos diários para Lisboa já em dezembro.

Publituris

A nova edição do Publituris, a segunda do mês de outubro, faz capa com a Azul - Linhas Aéreas Brasileiras, que se prepara para retomar os voos diários entre Lisboa e São Paulo-Campinas já em dezembro. Ao Publituris, Giuliano Ponzio, gerente comercial regional da Azul para a Europa, revela que a companhia aérea, que disponibiliza atualmente quatro ligações entre os dois lados do Atlântico, está a sentir um forte aumento da procura na sequência da reabertura de fronteiras entre Portugal e o Brasil, e quer recuperar rapidamente a oferta que tinha antes da pandemia na capital portuguesa.

Nesta edição, publicamos também um dossier sobre Lisboa. Como está a recuperar a atividade turística na capital apesar do impacto da pandemia, qual é o cenário nas diferentes atividades, assim como as perspetivas para o futuro e as novidades que estão a chegar à oferta lisboeta, são alguns dos temas que exploramos e que pode conhecer neste trabalho.

Saiba também quais são as expetativas da distribuição e da aviação para quando a pandemia estiver ultrapassada. Em véspera do seminário luso-brasileiro, organizado pela Airmet, para debater os desafios pós-COVID, o Publituris quis saber, junto de alguns participantes, como olham para o futuro dos setores da distribuição e da aviação dos dois lados do Atlântico.

Este fim-de-semana, termina a 4.ª edição do Portugal Air Summit. Ao longo de cinco dias, este evento reúne a indústria da aviação em Ponte de Sor, o, num certame que tem também vantagens para a promoção económica e turística.

Conheça também o Geoparque Algarvensis Loulé-Silves-Albufeira, que é candidato a Geoparque Mundial da UNESCO e que conta 350 milhões de anos de história da região algarvia. Criar maior coesão territorial e contribuir para tornar o Algarve num destino ao longo de todo o ano, são alguns dos objetivos do novo geoparque.

Os artigos de opinião nesta edição são assinados por Pedro Machado (presidente da Turismo Centro de Portugal), Mariana Calaça Baptista (Centro de Portugal Film Comission) e Luiz S. Marques (investigador do Dreams, Universidade Lusófona).

Leia a edição aqui.

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United Airlines lança voos diários entre Ponta Delgada e Nova Iorque no verão de 2022

Operação da United Airlines para os Açores vai decorrer entre maio e final de setembro, e arranca com três voos por semana, passando a ligações diárias entre junho e agosto.

Publituris

A United Airlines anunciou esta quinta-feira, 14 de outubro, que vai passar a oferecer voos diários entre Ponta Delgada, em São Miguel, Açores, e o aeroporto de Nova Iorque/Newark, nos EUA, no verão do próximo ano, numa operação com voos diários, que arranca a 13 de maio e decorre até final de setembro.

De acordo com um comunicado da companhia aérea norte-americana, a rota para Ponta Delgada é uma das novidades que a United Airlines anunciou esta quinta-feira e que contemplam 10 novas ligações e cinco novos destinos, naquela que é a "maior expansão transatlântica da United na sua história".

Os voos para Ponta Delgada arrancam a 13 de maio de 2022, em aviões Boeing 737 MAX 8, com 16 lugares em classe business, 54 em economy plus e 96 em económica, e a saída de Nova Iorque/Newark decorre pelas 22h55, enquanto a chegada está prevista para as 08h40 (+1). Em sentido contrário o primeiro voo decorre a 14 de maio, com partida da capital micaelense às 10h45 e chegada aos EUA pelas 12h55, sempre em horários locais.

Os voos vão ser operados até final de setembro, com a última ligação desde Nova Iorque/Newark a decorrer no dia 28, enquanto o último voo à partida de Ponta Delgada está previsto para 29 de setembro.

No entanto, os voos não são diários ao longo de toda a temporada, já que, entre 13 de maio e 3 de junho, bem como entre 6 e 28 de setembro, os voos desde Nova Iorque/Newark decorrem três vezes por semana, tal como acontece em sentido contrário, entre 14 de maio e 4 de junho, e de 7 a 29 de setembro.

De acordo com o comunicado da companhia aérea, a nova rota para Ponta Delgada junta-se aos voos que a United Airlines já oferecia para território nacional e que a tornam na companhia aérea com maior número de voos entre os EUA e Portugal, já que a transportadora conta com voos diários entre Lisboa e Nova Iorque/Newark e opera um serviço sazonal entre o Porto e Nova Iorque/Newark, assim como de Lisboa para Washington Dulles, cujos voos vão ser retomados em 2022.

"Sendo a única companhia aérea dos EUA a ligar os Açores à área metropolitana de Nova Iorque, o novo voo reforça a nossa rede de rotas internacionais e oferece aos nossos clientes de Portugal uma maior escolha de viagens e ligações com uma única escala através do nosso hub de Nova Iorque/Newark para outros destinos nas Américas", destaca Marcel Fuchs, diretor executivo internacional de vendas  da United.

Além da nova rota para os Açores, a United Airlines anunciou também novos voos para Amã, Jordânia; Bergen, Noruega; Maiorca, nas Ilhas Baleares; e Tenerife, nas Ilhas Canárias, ambas em Espanha.

"Todas as novas rotas, cujo início está programado para a primavera de 2022, não são realizadas por qualquer outra transportadora da América do Norte", acrescenta a United Airlines, que anunciou ainda o reforço de voos para Berlim, Dublin, Milão, Munique e Roma, assim como o regresso das ligações para Bangalore, Frankfurt, Aeroporto de Haneda em Tóquio, Nice e Zurique, que tinham sido interrompidas devido à pandemia.

Todas as rotas, incluindo os voos entre Ponta Delgada e Nova Iorque/Newark, estão ainda sujeitas a aprovação governamental.

 

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Turismo espacial e subaquático: Da promessa à realidade em dois anos

A Les Roches Marbella voltou a ser palco, entre 22 e 24 de setembro, do debate sobre o turismo espacial e subaquático, dois produtos que passaram de promessa a realidade em apenas dois anos e que prometem revolucionar o futuro do turismo.

Inês de Matos

A Les Roches Marbella voltou a ser palco, entre 22 e 24 de setembro, do debate sobre o turismo espacial e subaquático, dois produtos que passaram de promessa a realidade em apenas dois anos e que prometem revolucionar o futuro do turismo.

Há dois anos, quando a Les Roches Marbella organizou a primeira edição da SUTUS - Space & Underwater Tourism Universal Summit, a cimeira dedicada ao turismo espacial e subaquático, tanto o espaço como o fundo do mar continuavam a ser mundos inexplorados e praticamente inacessíveis. Hoje, dois anos depois e com uma pandemia pelo meio, muita coisa mudou e aquilo que era apenas uma promessa, é agora uma realidade, como foi possível comprovar na mais recente edição desta cimeira, que voltou a decorrer nas instalações da Les Roches Marbella, em Espanha, entre 22 e 24 de setembro, e que reuniu, mais uma vez, cientistas, especialistas e representantes de empresas que estão a tornar possível fazer do espaço e do fundo do mar os próximos grandes destinos turísticos.
É que, nos dois anos que mediaram a primeira e segunda edição da SUTUS, os voos espaciais com fins turísticos tornaram-se uma realidade, com o início das viagens privadas da Virgin Galactic, Blue Origin e Space X, enquanto a oferta de submarinos para passeios ao fundo do mar conheceu um crescimento sem precedentes.
Ao Publituris, Carlos Diaz de La Lastra, diretor-geral da Les Roches Marbella, explicou que, mais que os avanços dos dois últimos anos, a segunda edição da SUTUS pretendeu mostrar que, além das empresas mais mediáticas, há muito trabalho a ser feito para tornar o espaço e o fundo do mar nas novas fronteiras do turismo, como indica o tema da cimeira “Turismo além das fronteiras naturais”. “O nosso compromisso com a SUTUS era fazer o encontro mais importante de turismo espacial em Espanha. Isso não estava relacionado com o momento da indústria, mas porque queríamos debater as duas facetas do turismo que nos faltavam explorar e que tinham de fazer uma evolução”, resumiu o responsável, explicando que “as pessoas apenas conhecem esses dois ou três projetos que já são realidade – a Space X, a Blue Origin e a Virgin Galactic. Mas, a verdade é que é mais provável que tenhamos a oportunidade de ir ao espaço ou ao fundo do mar com outros projetos mais económicos “.
A segunda edição da SUTUS contou com a participação de 26 empresas e das principais agências espaciais internacionais, como a russa, a americana, a europeia, a chinesa, a indiana ou a japonesa, uma vez que, acrescentou o responsável, o objetivo era ter, nesta edição, “representado todo o leque de projetos que existem nestas áreas e mais agências espaciais”, de forma a fazer da SUTUS “a melhor montra para as empresas que também têm projetos espaciais e subaquáticos mas não são tão conhecidas”.

Muito mais que uma moda

Simon Jenner, Axiom Space

Se há dois anos o turismo espacial era apenas uma promessa, atualmente já é possível viajar até ao espaço por motivos de lazer, uma vez que, em julho, o milionário britânico que é dono da Virgin Galactic, Richard Branson, inaugurou as viagens espaciais com fins turísticos. Em poucos dias, também Jeff Bezos, da Blue Origin, viajou até à órbita da terra e, mais recentemente, foi a vez da empresa de Elon Musk, a Space X, se lançar nas viagens espaciais com astronautas privados. Estava dado o pontapé de saída na corrida a um tipo de turismo que, até há poucos meses, não passava de uma miragem, mas que tem tudo para mudar para sempre o conceito de turismo que conhecemos, até porque a oferta tem vindo a crescer e conta, hoje, com muitos outros intervenientes, alguns dos quais marcaram presença na SUTUS 2021 que, decorreu em formato híbrido, com debate presencial no primeiro dia e online a 23 e 24 de setembro.
Logo no dia inaugural, no qual o Publituris esteve presente, ficou bem patente que o turismo espacial está a crescer, assim como a procura que, segundo Simon Jenner, Spaceflight Business Development da Axiom Space - empresa que está a construir a nova Estação Espacial Internacional, que deverá estar operacional em 2028, e que se prepara para entrar também na corrida aos voos privados ao espaço, tendo já a primeira missão à atual Estação Espacial Internacional agendada para janeiro do próximo ano-, “está a aumentar e há muitas pessoas interessadas”.
Para Simon Jenner, o turismo espacial é mais do que uma moda e os últimos desenvolvimentos vieram provar que é possível tornar o espaço no próximogrande destino turístico. “O turismo espacial não é uma moda. Se é uma moda, é uma moda que está a crescer. Há muitas décadas que se está a trabalhar para tornar possíveis os voos espaciais privados e, agora, estamos a atingir um ponto de inflexão”, congratulou-se o responsável ao Publituris, mostrando-se convencido de que o turismo espacial “é algo que veio para ficar”.
Além do exemplo da Axiom Space, também Bernard Foing, diretor do projeto “Euro Moon Mars”, da Agência Espacial Europeia, marcou presença no primeiro dia da SUTUS 2021 e deu conta dos mais recentes desenvolvimentos no projeto “Moon Village”, que pretende colonizar a lua. No mesmo projeto, está envolvido também Marc Heemskerk, que apresentou os habitats lunares ‘Chill-Ice’, que estão a ser criados para tornar possível a colonização da lua e, quem sabe, também de Marte, numa experiência que será fundamental para desenvolver o conceito de turismo espacial, mas que, segundo o responsável, apresenta ainda lacunas, nomeadamente ao nível do conforto. “Se queremos fazer crescer o turismo espacial, temos de aumentar o conforto destes habitats”, afirmou, comparando os habitats atuais a laboratórios científicos.

Obstáculos ao turismo espacial

Marc Heemskerk, habitats Chill-Ice

Tal como Marc Heemskerk, também Simon Jenner concorda que o conforto é um dos obstáculos que se colocam ao turismo espacial e dá o exemplo da atual Estação Espacial Internacional, que “é perfeita enquanto laboratório, mas não é um lugar incrível para dormir”. “Estamos a construir uma estação espacial para ser confortável”, sublinhou, explicando que os módulos habitacionais da nova estação espacial foram projetados pelo designer Philippe Starck e vão oferecer todo o “conforto e luxo”, além de contarem todos com janelas com vista para a Terra, já que a imagem do planeta visto do espaço é, a par da ausência de gravidade, uma das principais atrações das viagens espaciais.
O conforto é, tal como o preço, um dos obstáculos que se colocam ao turismo espacial, mas, tal como a questão do conforto já está a ser trabalhada, também a descida do preço será uma questão de tempo, com Simon Jenner a explicar que, “como em qualquer outro produto tecnológico, como os telemóveis, por exemplo, o arranque é sempre dispendioso”, mas espera-se que o preço venha descer à medida que aumente a oferta. “Precisamos de desenvolver mais a tecnologia e precisamos de maior concorrência ao nível do lançamento dos foguetões para reduzir os custos”, indicou, defendendo, no entanto, que uma viagem espacial nunca será tão barata quanto uma viagem de avião, ainda que o preço possa descer ao ponto de atrair muito mais interessados. Em quantas décadas poderá isso acontecer? Isso é que “é mais complicado de adivinhar”, disse, sublinhando, no entanto, que será tudo uma questão de tempo e que, há 12 meses, por exemplo, ninguém esperava que, hoje, as viagens espaciais já fossem uma realidade.
No que diz respeito à Axiom Space, Simon Jenner garante que, se a procura continuar a crescer, a empresa vai aumentar o número de missões - atualmente estão previstas duas por ano a partir de 2022 - ainda que isso também esteja dependente da possibilidade de acoplar na Estação Espacial Internacional, o que está limitado com as atuais instalações, mas que deverá mudar com o lançamento da estação da Axiom Space, em 2028.

Democratizar o fundo dos oceanos

Scott Waters, Pisces VI

Se a parte da manhã do primeiro dia da SUTUS 2021 foi dedicada ao espaço, na parte da tarde mergulhámos no que de mais inovador se está a fazer para levar turistas a conhecer os cerca de 70% da Terra que ainda são desconhecidos e que ficam no fundo dos oceanos.
Scott Waters, project manager do submarino Pisces VI, que já tinha participado na primeira edição da SUTUS, em 2019, regressou a Marbella para dar conta dos novos projetos em que o submarino está envolvido. É que, a par do turismo espacial e apesar de ser menos mediático, também o turismo subaquático tem conhecido um grande desenvolvimento, com o surgimento de veículos subaquáticos com diferentes capacidades e capazes de mergulhar a cada vez maiores profundidades, como é o caso do Pisces VI, que pode descer até aos dois mil metros de profundidade e tem capacidade para quatro passageiros.
E se, há dois anos, Scott Waters dizia que a procura turística era ainda residual, uma vez que estes submarinos continuavam a ser procurados por motivos científicos, a realidade é que também nesta área a motivação turística está a aumentar, de tal forma que o próprio Scott Waters se mudou para as Canárias e está atualmente envolvido numa série de projetos que visam levar turistas a conhecer o fundo do oceano. “Estamos a trabalhar em alguns projetos interessantes nas Canárias. Espero que, no próximo ano, tenha mais novidades, mas posso dizer que vai ser possível conhecer melhor a nossa história”, adiantou o responsável, explicando que as Canárias, por ser um arquipélago de origem vulcânica, contam com atrações que fazem destas ilhas um autêntico ‘hotspot’ subaquático.
Além das Canárias, os submarinos da Pisces têm várias missões agendadas até 2023, incluindo Mar Vermelho, Peru e Antártica, com preços que variam entre os dois e os seis mil euros. “O turismo espacial e subaquático continua a ser caro”, lamentou o responsável.
Além da Pisces, várias outras empresas estão a trabalhar para levar turistas a conhecer o fundo dos oceanos, como a Triton Submarines, que conta com 23 submarinos e está a construir veículos de maiores dimensões, até 60 pessoas, que prometem democratizar as viagens subaquáticas. “Este tipo de oferta vai revolucionar o turismo e a nossa forma de nos relacionarmos com o oceano”, explicou ao Publituris Héctor Salvador, operations director da Triton Submarines e que foi um dos primeiros humanos a ir até ao fundo da fossa das Marianas, em abril. De acordo com o responsável, a oferta “está a crescer”, de tal forma que já “se começa a perceber o potencial do turismo subaquático”. “Muitos países têm um grande potencial. A história marítima de Portugal e Espanha, por exemplo, é vasta e tem navios espalhados por todo o mundo, há também recifes de coral e criaturas marinhas que as pessoas querem ver. Por enquanto, isto está a ser apenas explorado à superfície, mas, quando as pessoas mergulharem e se derem conta do que podem ver, vai haver uma maior aposta neste turismo, sobretudo nas regiões que não têm outros atrativos”, defendeu.

Potencial e vantagens do turismo subaquático

Héctor Salvador, Triton Submarines

Com o crescimento da oferta, também a procura turística tem aumentado, com Héctor Salvador a explicar que, a cada ano, “a maior percentagem vem de clientes privados, para uso privado ou charter de megayachts”, ainda que, recentemente, se tenha notado que “está a começar a existir também procura por submarinos 100% turísticos, de maiores dimensões e com mais de 20 passageiros”. Segundo o responsável, estes submarinos registam procura por parte de hotéis de luxo, que olham para estes veículos como forma de oferecer um produto diferenciado. “Penso que isto vai ser um elemento muito atrativo para os hotéis que queiram oferecer uma experiência única aos clientes, algo que mais ninguém oferece”, indicou, revelando que a Triton Submarines já entregou o primeiros destes submarinos maiores a um complexo hoteleiro no sudeste asiático, que “viu no submarino um elemento diferenciador para vencer a concorrência”, uma vez que “apenas os hóspedes desse hotel têm a oportunidade de fazer uma viagem de submarino e ter esta experiência”.
Além de única, Héctor Salvador espera que os turistas que visitam o fundo do mar tenham também uma experiência pedagógica, já que este tipo de turismo permite “educar as próximas gerações sobre a importância do oceano”. “Espero que esta seja uma experiência educativa e que as pessoas deixem de ter aquários e passem a viajar de submarino para ver a vida marinha no seu habitat e tenham consciência de todo o ecossistema. Quando mergulhamos, é espetacular ver como numa rocha vivem 20 espécies de peixes, como se relacionam e o equilíbrio que existe. Só assim percebemos o frágil que é esse equilíbrio e como o ser humano, por desconhecimento, o está a destruir”, indicou.
Outra vantagem do turismo subaquático é a geração de riqueza para as comunidades locais, algo em que este produto se diferencia do turismo espacial, uma vez que, explicou o responsável, o turismo subaquático “é capaz de gerar riqueza local para as comunidades, enquanto o turismo espacial só tem cinco pontos de lançamento em todo o mundo”.
O principal problema continua, tal como nas viagens ao espaço, a ser o preço, ainda que, também nesta área, esteja em curso uma democratização do acesso ao fundo do mar. “Tudo é uma questão de exclusividade e quanto mais oferta houver, mais acessível se vai tornar este tipo de turismo”, disse, explicando que tudo depende do tipo de mergulho, porque “baixar a pouca profundidade, num submarino de 24 ou 60 lugares, é muito acessível”, enquanto um mergulho à fossa das Marianas, a 10 mil metros de profundidade, tem preços mais elevados. “Estamos a falar de preços de 50 ou 60 euros para viagens de uma hora, o que é comparável a muitas das experiências turísticas que podemos ter atualmente”, exemplificou, considerando que “as operações costeiras, a pouca profundidade e com um grande número de passageiros, é algo que será muito acessível”.
Para convencer os mais receosos, Héctor Salvador garante que “o submarino é o meio de transporte mais seguro que existe” e realça que esta é uma “experiência que transforma qualquer pessoa”, porque ninguém resiste aos encantos que o fundo do mar esconde.

Balanço positivo deverá ditar continuidade da SUTUS
No final do primeiro dia da SUTUS 2021, Carlos Diaz de La Lastra mostrava-se satisfeito com a organização da segunda edição da cimeira dedicada ao turismo espacial e subaquático e, apesar da pandemia da COVID-19 - que levou a que esta edição estivesse em dúvida até seis meses antes da sua realização - ter reduzido a assistência presencial do evento, o balanço foi claramente positivo. “Há seis meses não sabíamos se conseguíamos fazer a SUTUS. Nessa altura, era impossível fazer esta edição, porque não poderíamos ter aqui pessoas da NASA ou de outras agências e nacionalidades, mas decidimos ser valentes e tentar. E tivemos muita sorte porque nos últimos meses a situação melhorou muito e estamos muito contentes por estamos aqui”, admitiu o responsável.
Por isso, acrescentou em declarações ao Publituris, a Les Roches Marbella está já a ponderar a realização da terceira edição. “Ainda estamos a pensar nisso, mas aquilo que queremos é ter, a cada ano, uma edição da SUTUS”, admitiu, explicando que, apesar da continuidade não estar decidida, a organização pretende apostar na “diversidade” e ter “toda a área representada” na próxima edição. “Ainda há muito por explorar e muito para mostrar sobre o que se está a fazer nestas fronteiras do turismo”, acrescentou.

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