IATA lembra que suspensão de voos “em ampla escala” traz consequências económicas negativas

Por a 12 de Março de 2020 as 17:24

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, sigla em inglês) veio esta quinta-feira, 12 de março, reagir à decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de suspender a entrada de passageiros provenientes do espaço Schengen no país, alertando os governos para a necessidade de estarem preparados para o impacto económico negativo que essas medidas podem trazer e para os seus efeitos na situação financeira das companhias aéreas.

“Estes são tempos extraordinários e os governos estão a tomar medidas sem precedentes. A segurança – incluindo a saúde pública – é sempre uma prioridade de topo. As companhias aéreas estão a cumprir esses requisitos. Os governos devem reconhecer que as companhias aéreas – que empregam cerca de 2,7 milhões de pessoas – estão sob uma extrema pressão operacional e financeira. Elas precisam de apoio”, afirma Alexandre de Juniac, diretor geral e CEO da IATA, citado num comunicado enviado à imprensa.

A IATA aconselha os governos que estão a tomar medidas restritivas para conter o Covid-19 a estarem preparados para o impacto económico que estas medidas podem vir a ter, até porque a “dimensão do mercado EUA-Europa é enorme”, alerta a associação.

A associação lembra que, no ano passado, realizaram-se cerca de 200 mil voos entre os EUA e países do espaço Schengen, o equivalente a perto de 550 voos por dia e a 46 milhões de passageiros, 125 mil por dia.

Apesar da decisão norte-americana reconhecer que é necessário manter as relações comerciais transatlânticas, a IATA estima que esta medida venha a ter “amplas” consequências económicas.

“Os governos devem impor as medidas que considerem necessárias para conter o vírus. E devem estar totalmente preparados para fornecer apoio no sentido de amortecer o deslocamento económico que isso causará”, acrescenta a IATA, lembrando que “a suspensão de viagens numa escala tão ampla vai trazer consequências negativas para toda a economia” e que os governos devem reconhecer esta realidade e estar preparados para dar o apoio necessário.

A IATA diz ainda que as companhias aéreas já estão a enfrentar sérias dificuldades económicas devido ao Covid-19 e, a 5 de março, estimava que este surto do novo coronavírus pudesse levar a uma descida de mais de 113 mil milhões de dólares nas receitas das transportadoras, cenário que, no entanto, não incluía medidas como a tomada agora pelos EUA e outros países.

Para a IATA, as restrições norte-americanas vão adicionar uma maior pressão financeira às companhias aéreas, até porque o mercado EUA-Europa apresentou, em 2019, um valor total de 20,6 mil milhões de dólares.

“Isto vai criar uma enorme pressão sobre o cash-flow das companhias aéreas”, refere ainda a IATA, destacando o caso da Flybe, que entrou em liquidação devido aos efeitos do surto, o que, segundo a IATA, pode funcionar como um empurrão para que outras companhias aéreas sigam na mesma direção.

“As companhias aéreas vão precisar de medidas urgentes para ultrapassarem esta crise. Os governos devem procurar todas as medidas possíveis para apoiar a indústria nestas circunstâncias extremas”, conclui a IATA, defendendo a extensão de linhas de crédito, a redução dos custos com infraestruturas e um alívio fiscal como medidas que os governos podem adotar para ajudar as companhias aéreas.

Recorde-se que, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou esta quarta-feira, 11 de março, a suspensão da entrada no país de passageiros provenientes do espaço Schengen por um período de 30 dias, medida que foi anunciada para conter o surto de Covid-19, que está a afetar fortemente os EUA.

 

 

 

 

 

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