WTTC apela a que não se estigmatizem turistas chineses devido ao Covid-19

Por a 27 de Fevereiro de 2020 as 11:43

A presidente do Conselho Mundial das Viagens e Turismo (WTTC, sigla em inglês), Gloria Guevara, defende que o novo Covid-19 deve ser combatido com uma higiene correta “e não com o pânico” e apelou a que não se estigmatizem os turistas chineses, porque “estigmatizar e dizer que estão todos infetados” tem um impacto negativo num setor turístico que ronda 10% do produto interno bruto (PIB) mundial.

De acordo com a Lusa, Gloria Guevara, que foi também ministra do Turismo do México, pediu à sociedade que se concentre “nos factos e não nos rumores”, e não associe esta doença com determinadas nacionalidades, até porque o mercado chinês é “o segundo mais relevante do mundo”, cujos turistas “gastam muito quando viajam”, cerca de 5.500 a 6.500 euros quando visitam a Europa.

“Se estigmatizarmos os chineses, eles não vão esquecer”, alertou Gloria Guevara, criticando também o encerramento das fronteiras como solução à propagação massiva do novo coronavírus, porque “não se conhece o tempo de incubação nem de contágio”.

Para a presidente do WTTC, o encerramento de fronteiras como forma de conter a propagação do surto “pode ser contraproducente”, uma vez que se concebe “uma incubadora de vírus sem poder determinar quem foi o doente zero”.

Gloria Guevara defende também que não é necessário cancelar as viagens programadas e acrescentou que a situação deve ser analisada numa perspetiva “sensata e pragmática”, que coloque no contexto o risco de contágio.

Todos os anos, entre três e cinco milhões de pessoas são contagiadas com algum tipo de gripe severa. Deste número, morrem entre 290.000 e 650.000”, exemplificou, para recordar que a taxa de mortalidade do novo coronavírus (2%) se situa muito abaixo da SARS – Síndrome respiratória aguda grave (9,5%) ou do MERS – Síndrome respiratória do Médio Oriente (35%).

A presidente do WTTC propõe que a população siga as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e dos governos, e cumpra as condições básicas de higiene, como lavar as mãos com frequência, para que o vírus não seja transmitido através do contacto.

No entanto, “não é necessário que todas as pessoas usem uma máscara”, uma proteção que, em princípio, apenas está prevista “para as pessoas em contacto com os doentes ou pessoas que estão doentes”, acrescentou.

 

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