Menos ingleses e alemães ditam desaceleração da atividade turística em setembro

Por a 15 de Novembro de 2019 as 15:10

Em setembro, o alojamento turístico em Portugal registou 2,9 milhões de hóspedes e 7,6 milhões de dormidas, subidas de 5,2% e 3,3%, respetivamente, mas a performance global traduz uma desaceleração face ao mês de agosto, muito por culpa dos não residentes, especialmente dos mercados britânico e alemão, apurou o Instituto Nacional de Estatística (INE), cujos dados relativos à atividade turística foram divulgados esta sexta-feira, 15 de novembro.

De acordo com os dados do INE, o crescimento de 5,2% nos hóspedes ficou abaixo do registado em agosto, quando este indicador tinha crescido 6,7%, ainda que o total de dormidas tenha subido 3,3%, superior aos 2,9%  de crescimento do oitavo mês do ano.

O aumento das dormidas explica-se essencialmente pelas dormidas dos residentes, que somaram 2,2 milhões e apresentaram o maior crescimento, num aumento de 4,4%, depois de já terem subido 3,6% em agosto. Já as dormidas dos não residentes totalizaram 5,4 milhões e, em setembro, subiram 2,9%, crescimento que ficou ligeiramente acima do apurado em agosto, quando o aumento tinha sido de 2,5%.

Por mercados, o INE realça que “os dezasseis principais mercados emissores representaram 87,4% das dormidas de não residentes nos estabelecimentos de alojamento turístico em setembro”, ainda que se tenham registado diferentes comportamentos, já que o mercado britânico, que representou 20,9% do total das dormidas de não residentes em setembro e se manteve como o principal mercado internacional para Portugal, “registou um aumento marginal de 0,1% em setembro”, tendo crescido apenas 0,8% desde o início do ano.

Mais preocupante foi o desempenho do mercado alemão que, em setembro, apresentou uma descida de 8,1% e representou 13% do total, numa queda que se vem arrastando desde o início do ano, já que, como assinala o INE, “no conjunto dos nove primeiros meses do ano, este mercado recuou 6,8%”.

A descer, em setembro, esteve também o mercado francês, que representou 8,9% do total de dormidas, depois de uma diminuição de 1,9%, que chega aos 1,2% no acumulado dos nove primeiros meses do ano.

Apesar destas descidas, também houve notícias positivas, já que, refere o INE, “o mercado norte-americano foi o quinto principal mercado em setembro”, representando 6% do total de dormidas e depois de um aumento de 21,1%, num crescimento que, desde o início de 2019, soma já 19,4%.

Além dos EUA, também os mercados chinês (+23,8%), brasileiro (+14,2%), irlandês (+13,3%) e canadiano (+11,2%) apresentaram performances positivas, com o INE a destacar, desde o início do ano, “os crescimentos observados nos mercados chinês e brasileiro (+16,2% e +13,8%, respetivamente)”.

Apesar do aumento dos hóspedes e dormidas, a taxa de ocupação desceu 1,9 pontos percentuais, para 57,1%, depois de em agosto já ter recuado 2,2 pontos, enquanto a estada média caiu 1,8%, para 2,64 noites, o que se deveu à redução da estada média dos não residentes, que caiu 3%, ainda que a estada dos residente até tenha subido 0,7%.

De acordo com o INE, a maior redução da estada média “verificou-se na RA Madeira (-4,2%)”, indicador que, ainda assim, continua muito superior ao total nacional, com 5,18 noites, seguindo-se o Algarve, onde a estada média foi de 4,11 noites em setembro.

Já os proveitos evidenciaram um crescimento mais moderado, aumentando 6,7%, para 498,7 milhões de euros, quando em agosto tinham crescido 7,3%. Nos proveitos por aposento, também houve uma desaceleração, uma vez que o aumento de 6,4%, para 378,5 milhões de euros, ficou abaixo da subida de 7,1% que tinha sido apurada em agosto.

O RevPar, por sua vez, ficou nos 66 euros, depois de uma subida de 1,2%, quando em agosto tinha aumentado 1,7%, enquanto o rendimento médio por quarto ocupado (ADR) atingiu os 97,5 euros, mantendo o crescimento de 3,0% que já se tinha registado no mês anterior.

As dormidas na hotelaria somaram 82,6% do total e registaram um aumento de 1,7%, mas foi nos estabelecimentos de alojamento local (peso de 14,4% no total) que se registou o maior crescimento, num aumento de 13,0%, enquanto as dormidas em unidades de turismo no espaço rural e de habitação (quota de 3,0%) aumentaram 5,8%.

Por regiões, foi no Norte que se registou o maior crescimento das dormidas, com um aumento de 8%, enquanto a Madeira foi a única região nacional a apresentar um decréscimo, com este indicador a descer 4,1% em setembro, enquanto Lisboa e Albufeira concentraram um terço do total de dormidas dos não residentes, com a capital a recolher 22,9% destas dormidas e Albufeira 14,1%.

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