“Procura turística não está a acompanhar aumento da oferta hoteleira”

Por a 28 de Maio de 2019 as 14:46

A Associação Portuguesa de Hotelaria, Restauração e Turismo (APHORT) está preocupada com o facto do aumento da procura turística não acompanhar o crescimento da oferta hoteleira e alerta para as eventuais consequências que a não valorização de indicadores como a taxa de ocupação ou a estada média possa trazer para a economia nacional.

“Os dados demonstram que o aumento da procura turística não está a acompanhar o aumento da oferta hoteleira, a nível nacional, o que pode ser um sinal preocupante”, considera Rodrigo Pinto Barros, presidente da APHORT, alertando para os mais recentes indicadores divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Os mais recentes dados do INE mostram que a taxa de ocupação-cama nos estabelecimentos de alojamento turístico tem vindo a cair de forma contínua, face aos valores registados no ano passado, tendo recuado 1,8 pontos percentuais em março, depois de já ter diminuído 1,5 pontos percentuais em fevereiro, o que resultou numa descida de 1,1 pontos percentuais no primeiro trimestre do ano.

Já a estada média, que segundo o INE tem vindo também a cair, situou-se nas 2,48 noites em março, o que, aponta a APHORT, correspondeu a uma redução de 3,6% face ao ano anterior. Em fevereiro, este indicador já tinha descido 3,9%, para 2,42 noites, tendência que também se refletiu nos resultados do trimestre, em que a estada média desceu 3,2% face a igual período de 2018.

“Aparentemente, indicadores como a taxa de ocupação-cama ou a estada média nos estabelecimentos de alojamento turístico são números de que ninguém quer falar”, acrescenta o presidente da APHORT.

Apesar de até admitir que o Carnaval e a Páscoa podem ter tido alguma interferência nos resultados, já que o Carnaval se assinalou em março, quando em 2018 se comemorou em fevereiro, enquanto a Páscoa foi, este ano, festejada em abril, quando no ano passado tinha sido em março, o presidente da APHORT defende que esta é uma realidade a que “todos os agentes económicos precisam de estar atentos”.

“Não queremos ser alarmistas, mas também não nos podemos deixar condicionar por uma leitura apenas parcial dos dados que nos são apresentados. A taxa de ocupação e a estada média são indicadores que precisam de ser acompanhados de forma atenta e permanente. Não nos interessa continuar a abrir novos hotéis se depois não conseguimos ocupar todas as camas que disponibilizamos. A não valorização destes dados pode conduzir-nos a uma nova crise no setor, mais do cedo do que possamos pensar”, alerta ainda Rodrigo Pinto Barros.

 

 

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