À descoberta da aventura em São Miguel

Por a 27 de Dezembro de 2018 as 10:00

A propósito do 44.º Congresso da APAVT, que decorre este mês, em Ponta Delgada, o Publituris aceitou o convite para experimentar algumas das actividades que os participantes no evento vão poder realizar. O resultado foi uma viagem descontraída, cheia de diversão, que nos fez apaixonar ainda mais por São Miguel.


Com perto de 40 metros de altura e águas cristalinas, a cascata do Salto do Cabrito, junto à Ribeira Grande, já se tornou num ponto de visita incontornável na ilha de São Miguel, Açores. O cenário é deslumbrante, já que a ajudar à beleza da própria cascata, está a natureza luxuriante que a rodeia e que é um dos principais atractivos turísticos do arquipélago açoriano.
Acessível através da estrada que segue para a Lagoa do Fogo, localizada na montanha mais alta da ilha, o Salto do Cabrito integra um pequeno trilho pedestre de forma circular, com início e fim na zona das Caldeiras da Ribeira Grande, e é também um dos dois locais em São Miguel onde a empresa de animação turística Picos de Aventura realiza a actividade de canyoning, desporto que consiste na exploração progressiva de um curso de água, transpondo os obstáculos verticais e anfíbios, através de diversas técnicas e equipamentos.
Com mais de 15 anos de experiência, a Picos de Aventura é uma das poucas empresas em São Miguel a disponibilizar canyoning, uma actividade que é cada vez mais procuradas pelos turistas que visitam esta ilha açoriana e que o Publituris foi experimentar, no início de Novembro, a convite da empresa, que nos desafiou a praticar algumas das actividades que podem ser realizadas à margem do 44.º Congresso Nacional da Associação Portuguesa de Agências de Viagens e Turismo (APAVT), que vai decorrer em Ponta Delgada, capital micaelense, entre 21 e 25 de Novembro.
Avisamos, desde já, que deixámos de lado os típicos passeios de barco para ver e nadar com baleias e golfinho, actividade que a Picos de Aventura também disponibiliza e que é, actualmente, um dos principais cartões de visita do destino. Optámos por um programa mais activo e até radical, em pleno contacto com a natureza e que apela à adrenalina. Venha connosco descobrir a face mais destemida de São Miguel.

Do cozido à Lagoa das Furnas

Chegámos a São Miguel pela hora do almoço e seguimos directos para as Furnas, onde nos esperava – a mim e ao repórter fotográfico – um cozido típico, daqueles que são cozinhados debaixo da terra, ao longo de seis horas, nas fumarolas das Furnas. O Tony’s é um dos muitos restaurantes da vila das Furnas que fazem do cozido a sua especialidade e que nos recebeu com simpatia e uma dose que mais parecia ser destinada a um batalhão. Fica o aviso, nas Furnas come-se bem e muito, por isso, não estranhe o tamanho quase industrial dos pratos.
Depois de devidamente apreciado o cozido, seguimos para junto da Lagoa das Furnas, onde as fumarolas se anunciam ao longe. Destas manifestações vulcânicas brotam águas em ebulição, cujo fumo branco contrasta com a paisagem verdejante que circunda a lagoa e que lhe confere um ar quase mágico. Foi este cenário idílico que nos acompanhou na primeira actividade que realizámos com a Picos de Aventura, empresa credenciada e que conta com diversos técnicos especializados nas várias actividades disponibilizadas, e que nos proporcionou um agradável passeio de bicicleta à volta da lagoa. O percurso é fácil e as dicas do técnico que nos acompanhou fizeram a diferença, no sentido de seguirmos o caminho mais seguro ou o mais desafiante.
A Lagoa das Furnas é visitável ao longo de toda a margem e, pelo caminho, vão-se descobrindo pequenos tesouros, como a Capela de Nossa Senhora das Vitória, em estilo gótico, e na qual é difícil deixar de reparar pela imponência do edifício, sem esquecer o Centro de Monitorização e Investigação das Furnas (CMIF),  que tem por objectivo implementar e divulgar as acções de recuperação  ecológica da qualidade da água e do ecossistema da Lagoa.
E já que estávamos pela lagoa, decidimos entrar na água e dar continuidade às actividades, com mais um passeio, desta vez a bordo de uma canoa. Devo dizer que a actividade parece mais fácil do que, na realidade, se revelou, visto que sincronizar a remada com o nosso parceiro de canoa nem sempre é simples, o que nos valeu largos minutos a andar apenas à roda, em vez de progredirmos em distância. Apesar disso, o passeio de canoa valeu bem a pena, além da diversão que proporciona, a vista das montanhas e das fumarolas a partir da água é ainda mais deslumbrante.

Chá e sunset na praia

Apesar de termos optado por actividades mais físicas e até radicais, houve também espaço para momentos mais calmos e relaxantes, como a visita à Fábrica de Chá Gorreana, localizada no lugar homónimo e no concelho da Ribeira Grande. Esta fábrica de cariz familiar, a mais antiga da Europa e a única ainda em funcionamento, produz chá verde e chá preto desde 1883, contando com uma plantação que se estende por 75 hectares.
A visita à Fábrica de Chá Gorreana é curta, o suficiente para explicar o que cada uma daquelas máquinas centenárias faz às folhas de chá, que são colhidas unicamente por mulheres, já que a delicadeza das mãos femininas é a mais indicada para esse trabalho. Durante a visita, ficámos a saber que o chá verde e o chá preto provêm da mesma folha e que a única coisa que difere é o seu tratamento: enquanto o chá preto resulta da oxidação da folha, no verde é necessário proceder à sua esterilização. No final, os visitantes têm oportunidade de provar o chá, tanto o preto como o verde, além de uma variedade fria, ideal para refrescar os dias quentes.
Quando saímos da Fábrica de Chá Gorreana, o sol já ameaçava pôr-se e, por isso, corremos para a Praia de Santa Bárbara, que possui um dos maiores areais da ilha e que é muito procurada por surfistas, mas que oferece também o melhor pôr-do-sol da costa Norte da Ilha de São Miguel. Quando lá chegámos, o sol já praticamente tinha desaparecido, mas agradecemos igualmente a visita, já que a beleza da paisagem, com destaque para o negro das rochas e da areia da praia, em conjunto com o som relaxante da rebentação das ondas do mar, nos proporcionou um momento bem agradável, de tal forma que decidimos, logo ali, regressar no dia seguinte para captar, atempadamente, as melhores fotografias do pôr-do-sol na Praia de Santa Bárbara.


Canyoning e Lagoa do Fogo

O segundo dia em São Miguel começou com uma visita à Lagoa do Fogo. O previsto era realizarmos uma caminhada até às margens da lagoa, mas a meteorologia não ajudou. Quem já esteve em São Miguel sabe que, num único dia, a ilha pode atravessar as quatro estações do ano e que, quando as nuvens cobrem a montanha, o melhor é mesmo deixar a visita ao Fogo para outro dia. Foi o que nos aconteceu, à medida que íamos subindo a montanha as condições meteorológicas foram-se degradando, ao ponto de encontrarmos um autêntico dia de Inverno. A caminhada teve, por isso, que se transformar num curto passeio.
Mas não desanimámos, menos tempo na Lagoa do Fogo significava mais tempo para explorar o Salto do Cabrito, a cascata que fica a poucos minutos de outro importante monumento natural da ilha de São Miguel, a Caldeira Velha, e onde nos esperava o canyoning.
Devo dizer que esta foi a minha parte favorita de toda a viagem. Há muito que queria experimentar esta actividade e, ainda para mais nos Açores, um dos destinos mais bonitos que, até hoje, tive oportunidade de visitar. Foi, por isso, muito entusiasmada que vesti o fato de neoprene que me entregaram, calcei umas botas especiais e ouvi atentamente o briefing de segurança dos experientes técnicos da Picos de Aventura que nos acompanharam, já que o canyoning é uma actividade que implica algum risco, ainda que reduzido, pois a Picos de Aventura é uma empresa credenciada e todo o material é certificado. Mesmo assim, convém ouvir com atenção os conselhos dos especialistas, para garantir que todos tiram o máximo partido da actividade.
Uma vez equipados a rigor, subimos as escadas que dão acesso à Central Hidroeléctrica do Salto do Cabrito e que nos levam também ao topo da cascata, e foi só desfrutar. Toda a descida é feita em rapel, a primeira etapa através da água, enquanto estamos apenas suspensos por cordas. É aqui que notamos que a adrenalina começa a subir, culminando numa incrível sensação de liberdade com a última etapa, que consiste num salto de poucos metros para a água, cuja temperatura estava surpreendentemente agradável.
E foi ainda com a adrenalina a correr-nos nas veias que seguimos para o Arquipélago, o centro de artes contemporâneas da Ribeira Grande, construído há dois anos e que ocupa uma antiga fábrica de tabaco, cujo edifício é uma autêntica preciosidade. Só pela infraestrutura valeria a pena visitar o Arquipélago, mas o espaço é muito mais do que isso, já que além da interessante exposição “Geometria Sónica”, patente ao público até 13 de Janeiro de 2019, inclui também residências artísticas onde são desenvolvidas as obras, assim como uma black box destinada a vários tipos de espectáculos, oficina de escultura e centro de produção audiovisual. Dedique algum tempo à cultura, vai ver que o Arquipélago é um espaço surpreendente.
Antes do dia terminar, regressámos à Praia de Santa Bárbara, desta vez ainda a tempo de apanharmos o pôr-do-sol, que fechou com chave de ouro esta curta, mas muito animada visita à Ilha de São Miguel. P

Deixe aqui o seu comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *