Aeroporto do Montijo: Calheiros aponta dedo ao Governo

Por a 16 de Novembro de 2018 as 10:55

A construção de um novo aeroporto no Montijo e o peso do Turismo no Orçamento do Estado para 2019 estiveram no cerne das duras críticas tecidas por Francisco Calheiros ao Governo na manhã desta sexta-feira, dia 16. O  presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP) discursou no  último dia do 30º Congresso Nacional da Hotelaria de Portugal, organizado pela a AHP.

“Em Setembro, o primeiro-ministro garantiu que ‘aguardava unicamente a decisão em matéria de impacto ambiental  para poder tornar a decisão da Portela e Montijo absolutamente irreversível” relembra Francisco Calheiros que afirma que “a decisão continua adiada às portas de 2019, altura em que era suposto arrancarem as obras”.

Sem esperança numa decisão breve, o presidente da CTP não se mostra confiante sobre a construção do novo aeroporto. “Há muito que a CTP diz que tem dúvidas da abertura do Montijo em 2022. Neste momento temos dúvidas para 2023″, refere o presidente que já tinha expressado a sua preocupação em ocasiões anteriores.

Calheiros aproveitou a intervenção para sublinhar novamente o seu desagrado com o Orçamento do Estado para o próximo ano.”As medidas de apoio às empresas e de estímulo ao investimento privado, que bem sabemos serem essenciais ao crescimento económico do país  ficaram muito aquém das expectativas”, aponta.  Também a sobrecarga fiscal das empresas que lhes deixa “pouca folga para investir e para crescer num enquadramento a médio e longo prazo” é mote de preocupação para o responsável da CTP.

“Em suma, há cada vez mais Turismo na Economia e cada vez menos Turismo no Orçamento de Estado”, lamenta.

O presidente da CTP relembra que “o Turismo é responsável por uma fatia muito significativa do emprego em Portugal” e por isso mesmo “os benefícios fiscais de criação de emprego constituiriam um importante incentivo para as empresas do Turismo celebrarem e converterem contratos sem termo e reforçarem os vínculos laborais”, sugere, acrescentando que “as alterações constantes à legislação laboral não servem outros propósitos que não sejam os partidários”.

Efeitos do Brexit em Portugal

Sobre a saída do Reino Unido da União Europeia e as consequências para Portugal, como a diminuição de turistas britânicos, Francisco Calheiros é optimista. “Os abrandamentos da procura não devem ter para nós efeitos desmobilizadores, mas exactamente o seu inverso: devem representar oportunidades a serem exploradas com criatividade e inovação”, afirma,

Para o presidente da CTP  é importante “não descurar o crescimento de outros mercados emissores que vão ganhando expressão e dinamismo como é o caso dos Estados Unidos, Canadá, Brasil e China”, alerta.

“Temos massa crítica, bases sólidas e grandes profissionais para travar qualquer batalha, assim haja também vontade do poder político para estar do nosso lado”, refere.

Calheiros acredita que é altura de olhar para o futuro  “com responsabilidade e precaução” . O presidente acredita que há outros desafios que urgem actualmente. “Já não se trata apenas de continuar a captar mais turistas para o nosso país. Temos de assegurar ao Turismo a necessária sustentabilidade, reputação, qualidade, diversidade, inovação e criatividade”, conclui.

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