Ausência do Turismo de Portugal no WTM Londres preocupa regiões

Por a 5 de Novembro de 2018 as 23:08

As agências regionais de promoção turística estão preocupadas com a ausência do Turismo de Portugal (TP) no World Travel Market (WTM), devido a uma providência cautelar apresentada contra o concurso para a construção do stand que vai passar a representar o país em feiras internacionais, e temem que esse impedimento se arraste, em prejuízo da promoção do país .

“Aquilo que se está a passar, neste momento, em relação à demora da justiça, é inadmissível”, começou por dizer ao Publituris, Vítor Silva, presidente da Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo, considerando que a providência cautelar “metida antes do Verão devia ser despachada o mais rapidamente possível, porque estamos a falar dos interesses nacionais, de um sector estratégico”.

A providência cautelar de que fala Vítor Silva alega irregularidades no concurso lançado pelo TP para a construção do stand que vai passar a representar Portugal em iniciativas internacionais, pelo que, até à sua apreciação e respectiva decisão judicial, o instituto fica legalmente impedido de ter qualquer participação nestes eventos.

“O que me preocupa é que temos que ser liderados pelo Turismo de Portugal. O que deve estar aqui é um stand organizado pelo Turismo de Portugal, com o layout que foi escolhido para passar uma determinada imagem”, acrescentou, explicando que, “se as regiões não se tivessem organizado, a consequência seria Portugal não estar representado na feira”.

O WTM é a primeira feira que conta com uma representação portuguesa nestes moldes, mas não será a última, uma vez que o TP já comunicou às agências regionais de promoção turística “que vai acontecer o mesmo na Vakantiebeurs”, a principal feira de turismo holandesa, que decorre entre 10 e 13 de Janeiro.

“Já temos a informação que o Turismo de Portugal também não vai estar naquela que é a maior feira de Turismo da Holanda, logo a seguir é a FITUR e esta situação não se pode arrastar”, lamentou Vítor Silva, numa opinião partilhada por todas as agências regionais de promoção turística ouvidas pelo Publituris.

Na ausência do Turismo de Portugal, a organização e gestão da representação nacional no WTM foi entregue à Associação de Turismo do Algarve (ATA), por ser a região com “mais empresas expositoras” inscritas, num processo que, segundo Dora Coelho, directora executiva da ATA, “implicou muito trabalho e muitas horas sem dormir”.

“O Turismo de Portugal não está cá porque está impedido legalmente. É uma pena que estas coisas aconteçam, aquilo que realmente interessa é o bem do país e, numa feira desta dimensão, em que Portugal tem que estar representado, isso deveria ter sido tido em conta por quem decide”, considerou, pedindo igualmente uma decisão “o mais rapidamente possível”, até porque, “em termos de recursos humanos, é complicado para as agências organizar esta representação”, acrescentou.

Stand sem glamour mas focado no negócio

Mais diversas foram as opiniões sobre o stand português que, segundo Pedro Machado, presidente da Agência Regional de Promoção Turística do Centro de Portugal, está “mais modesto”, apesar de manter as “funcionalidades e ergonomia necessárias”.

“Falta-nos algum glamour, é certo, mas vamos tentar contornar isso com a nossa expectativa, com o nosso entusiasmo e com a simpatia dos portugueses”, referiu, considerando, no entanto, que essa é a tendência no WTM 2018, já que também “a Grécia e a Turquia, assim como outros stands, estão muito focados no business. Percebe-se que essa é a tendência”.

Já Paula Cabaço, secretária Regional de Turismo e Cultura da Madeira, defendeu que o mais importante foi o país ter conseguido estar representado na maior feira de turismo britânica, numa presença que considerou ter “muita dignidade”.

“Acima de tudo, estamos aqui presentes, que é o mais importante, e com muita dignidade. O que interessa é que se faça negócio”, afirmou, numa opinião partilhada também por Vítor Silva, para quem, “ao nível de negócio, este é um stand muito funcional”.

Já Dora Coelho diz ter recebido um feedback “positivo” sobre o stand português e explicou que o objectivo passou por “maximizar o espaço”, de forma a levar até Londres “mais empresas, porque havia uma lista de espera significativa”.

Entre os empresários presentes, as opiniões dividiam-se, com Mário Ferreira, CEO da DouroAzul, a queixar-se do pouco espaço disponível para que cada empresa pudesse fazer reuniões, enquanto Luís Santos, director comercial dos Turim Hotéis, considerou que o espaço estava “um bocado confuso”, além de ter “falta de visibilidade”.

Para António Trindade, presidente do grupo hoteleiro PortoBay, pelo contrário, os stands “não são montras”, principalmente no caso do WTM, que “não é uma feira de grande público, é fundamentalmente uma feira de negócio”.

Recorde-se que o WTM Londres arrancou esta segunda-feira, 5 de Novembro, em Londres, e decorre até à próxima quarta-feira, dia 7, contando com a participação de 98 empresas portuguesas, além das sete agências regionais de promoção turística.

 

 

 

 

2 comentários

  1. Jorge Noronha

    6 de Novembro de 2018 at 9:12

    A notícia deveria conter a informação da entidade que intentou o procedimento cautelar, para esclarecer os profissionais se se trata de uma empresa nacional ou estrangeira, pois daí poderiam ser tiradas outras ilações

  2. João Campos

    6 de Novembro de 2018 at 8:42

    Apesar de ser uma má notícia para o Turismo tenho que congratular-me pela capacidade, muito portuguesa, de dar a volta por cima.
    Igualmente felicitar a Associação de Turismo do Algarve por ter tomado a liderança na resolução deste enorme problema minimizando assim o que poderia ser dramático para o nosso Turismo e consequentemente para a Economia Nacional.

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