Opinião| Procrastinar. O Turismo está a mudar.

Por a 16 de Agosto de 2018 as 15:30

As necessidades dos agora denominados “viajantes” não são as mesmas, e nem sempre temos sabido / conseguido acompanhar as alterações profundas que este setor tem vivido.

As mudanças podem e devem ser encaradas como um desafio, mas é necessário que tenham uma base sustentável. No nosso caso, e seja no incoming ou no outgoing, essa base passa por infraestruturas funcionais, por profissionais informados e competentes, e pela necessária adaptação e compreensão das novas exigências.

2017 foi um ano de crescimento, mas com muitos problemas de fundo que se mantiveram e até agravaram nestes primeiros sete meses de 2018.

Temos, por um lado, aeroportos sem a adequada capacidade de resposta, hotéis a praticarem preços que raiam o absurdo e uma evidente falta de formação em algumas áreas da nossa atividade, sendo necessária e urgente uma séria intervenção por parte dos nossos Governantes. Não podemos continuar a “brincar” ao país à beira-mar plantado, que recebe os turistas de braços abertos, porque isso não chega. Temos de ser profissionais, exigentes connosco próprios, atuar e fiscalizar, sob pena de perdermos muito mais do que aquilo que já ganhámos. É sempre prestigiante sermos distinguidos com prémios, mas quando esses prémios escondem ou disfarçam uma realidade caótica e completamente desgovernada, rapidamente são esquecidos.

Por outro lado, a União Europeia presenteou-nos com um novo RGPD e ainda com uma nova Diretiva que regula a nossa atividade. E, mais uma vez, não nos soubemos preparar para as alterações que se avizinhavam, alterações profundas e que, se levadas a sério (como se pretende e impõe), implicam mudanças drásticas em termos de procedimentos e de organização. O que nos é exigido neste momento é muito mais do que aquilo que conseguimos dar, mas a adaptação teria sido relativamente simples, se feita em devido tempo.

Não estamos a saber acompanhar a mudança, porque caímos vezes sem conta nos mesmos erros. Identificamos os problemas, mas vamos tapando o sol com a peneira, adiando decisões que urge tomar. Precisamos de pessoas competentes no turismo, pessoas pragmáticas, bem formadas e informadas, pessoas com capacidade para decidir e agir, seja a nível de empresas, seja a nível estatal. O tempo dos “profissionais-pavão”, aqueles que nada fazem, mas que continuam a ter um papel de destaque, os que que bebericam de festa em festa, que prometem ventos de mudança, mas que vão colhendo e distribuindo tempestades, tem de acabar. É preciso “descruzar” os braços, passar da teoria à prática, optar por bem fazer em vez de bem falar, acabar com os lobbies que minam há anos o nosso setor e afastar de vez os figurões “da vida” que tanto nos têm prejudicado.

Não há razões para adiar o inevitável, e todos temos um papel a cumprir numa mudança que é fundamental, necessária e urgente. Arregacemos as mangas, e deixemo-nos de procrastinações!

Por Álvaro Vilhena, director-geral do operador turístico Viajar Tours.
Artigo publicado na edição de 3 de Agosto do Publituris.

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