Opinião| O Turismo como um dos pilares do “Movimento pelo Interior”

Por a 10 de Julho de 2018 as 12:32

A temática do Interior do País tem sido um tema recorrente nos meus artigos no Jornal Publituris. Em tempos escrevi sobre a necessidade de pensarmos “Portugal por inteiro”. Mais tarde, voltei ao tema, com o artigo “Sou feliz, vivo no interior do País”. Sei que é um tema que preocupa autarcas, empresários, universidades, populações e outras instituições que optaram, por vicissitudes várias, por escolher o Interior do País como local para viverem. E são muitos os casos de sucesso que nele podemos encontrar, casos de inovação, qualidade, diferenciação.
No nosso “Vê Portugal”- 5.º Fórum de Turismo Interno, realizado na Guarda, nos dias 7 e 8 de maio (cidade do “Interior” e que juntou mais de 500 congressistas, numa das edições de maior sucesso deste fórum), dedicamos um painel à discussão do “Turismo de Interior”, como uma alternativa aos tradicionais destinos de sol e praia. Abordaram-se questões como a inovação, a sustentabilidade, a qualidade, a diferenciação, casos de sucesso de empresas e empresários que criaram “destino”, e que dão, diariamente, prova de formas eficazes de combate ao despovoamento e ao desemprego. Destaco o depoimento de João Paulo Catarino, coordenador da Unidade de Missão para o Interior, que elogiou as vantagens competitivas que o Interior pode oferecer.
“Quando visitamos as cidades europeias, verificamos que a homogeneização é evidente. No interior, oferecemos autenticidade. (…) Para aumentarmos os visitantes em Portugal, temos de alargar o território que recebe turistas para zonas menos visitadas. Os turistas que vêm cá procuram a natureza, a biodiversidade. (…) Poucos países no mundo podem oferecer tanto como nós. Falta-nos ensinar o caminho para o interior a quem chega a Lisboa e Porto. Se pudermos acelerar esse processo, ganharemos todos com isso”.
É, portanto, um tema que nos é muito caro, tendo sido com muito agrado que recebi nota da iniciativa “Movimento pelo Interior”, tendo como proponentes um conjunto de personalidades, bem representativas e transversais do panorama político, económico e académico nacionais. A iniciativa, com o Alto Patrocínio da Presidência da República, resultou num documento, já entregue ao Governo, e que apresenta medidas divididas em três pilares: Política Fiscal, Ocupação do Território, e Educação.
É, verdadeiramente, importante, e tal como já defendi anteriormente, aqui mesmo no Publituris:
“(…) uma estratégia de planeamento, coordenação e implementação de redes regionais que trabalhem em conjunto as oportunidades dos territórios e minimizem os impactos negativos. Projetos inovadores e de estruturação de produto como as Aldeias Históricas, as Aldeias do Xisto ou as Aldeias de Montanha são exemplo disso mesmo. (…) Cabe, por isso, papel essencial aos vários agentes do desenvolvimento: às autarquias, de coordenação, qualificação, ordenamento, mobilidade, acessibilidades, equipamentos urbanos, sinalética, iluminação pública, etc.; aos agentes privados, a operação de comercialização e venda do produto; às universidades e politécnicos, a introdução da inovação, conhecimento e tecnologia ao serviço destes desafios.”

Reforcei, igualmente, um segundo pressuposto fundamental e incontornável, a competitividade e coesão:
“Importa lembrar que a promoção da competitividade e da coesão para estes territórios com problemas graves que agudizam ao longo de décadas, passa por encontrar um conjunto de medidas integradas e “corretivas dessas assimetrias” onde o custo da acessibilidade, as políticas fiscais, o povoamento, a diminuição do IRC, do IRS, do IMI, devem ser conjugadas com políticas nacionais públicas que promovam a fixação, a manutenção e retenção do investimento nestes territórios.” Em 2010, “atrevi-me” a desafiar a que se olhasse para o resto do País, inclusive para os territórios de baixa densidade, onde também existem empresas e empresários que dão o melhor de si próprios na consolidação dos seus negócios e, criam as tais condições de crescimento muitas vezes de forma pouco reconhecida. Se ao Centro, ao Porto e Norte e ao Alentejo, juntarmos o esforço proporcional que é investido nos programas de promoção e animação muitas vezes focalizados, nalguns destinos mais “notáveis” a par dos esforço coletivo que todos pagamos para os voos Low-Cost servirem uma parte do destino Portugal, seguramente que atingiremos maiores e melhores indicadores, como ultimamente, as estatísticas oficiais têm vindo a demonstrar, no crescimento de dormidas de nacionais e estrangeiros, no numero de turistas e das respetivas receitas que estes destinos têm vindo a demonstrar.
A questão que se coloca é, como articular esta visão com o reforço da competitividade territorial de Portugal e a sua inserção nos espaços ibérico, europeu e atlântico? Como promover o desenvolvimento policêntrico dos territórios e reforçar as infraestruturais de suporte á integração e coesão territoriais? Como assegurar a equidade territorial no provimento de infraestruturas e de equipamentos coletivos promovendo a coesão social?
Frequentemente ouvimos que é possível ser feliz vivendo no Interior de Portugal. De que devemos adotar uma nova atitude perante elementos absolutamente qualificados como a paisagem, a diversidade gastronómica, os equipamentos disponíveis, culturais, desportivos, sociais que hoje o País tem um pouco por todo lado e que podem conferir novas oportunidades de vida para os portugueses fora dos grandes aglomerados urbanos. Essa nova atitude pressupõe valorizarmos “o que é nosso, acrescentar valor económico, aumentar rentabilidade e criar condições para novas oportunidades de emprego e de fixação de novos residentes. Já todos nós sabemos que o interior do país não tem apenas um problema de desertificação, mas também, um problema de despovoamento – ambos com uma ligação fortemente simbiótica – que se combate criando condições reais que promovam o emprego e, por consequência, fixem pessoas.
E é por tudo isto, que louvamos o “Movimento pelo Interior”, e apelamos ao governo que aceda e analise, seriamente, a possibilidade de aplicar (a curto prazo) as medidas propostas, que reúnem, na sua essência, a resposta a muitas destas questões.
credito na evidência inequívoca de uma revisão da Estratégia Turismo 2027, que promova especificamente o Interior do País. Como muitos afirmam, não há um plano nacional para o Turismo no Interior. A minha disponibilidade, e a da Turismo Centro Portugal, será a de contribuir, ativamente, nesta matéria, assumindo-a, nos seus princípios, como prioritária. Porque continuo a acreditar num “Portugal por inteiro”!

*Por Pedro Machado, presidente da Turismo do Centro de Portugal
O artigo foi publicado na edição do Publituris de 8 de Junho.

Um comentário

  1. Ana Maria Pinto Ribeiro

    11 de Julho de 2018 at 12:18

    O maior desafio no interior é acabar com as pulverizações dos pomares junto das zonas onde se faz turismo.. Não há turista nem Turismo, nem população local que resista a este desrespeito pela saúde pública e pelo ambiente.

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