Turiscópio: O cinquentenário de Publituris e a importância de Lisboa como preferência de cruzeiristas internacionais

Por a 6 de Março de 2018 as 9:43

Nas últimas semanas a cerimónia dos 50 anos do Publituris não me saem da cabeça, marcada em parte pelo texto que escrevi no anterior Turiscópio intitulado «50 anos a valorizar E divulgar as maravilhas paisagísticas, culturais e turísticas de Portugal» e da colaboração que dedico ao Publituris. Por outro lado, na minha geração era costume trabalhar-se toda a vida numa empresa, mas eu com família inglesa e tendo estudado e vivido no Reino Unido, não segui esse costume. Perante este cinquentenário relembrei as nove empresas britânicas e portuguesas onde colaborei desde 1949, com acesso a experiências diferentes entre estaleiros navais, agência de navegação representando nove grandes armadores internacionais.
Depois leccionei nas primeiras escolas superiores e profissionais de Turismo; e, como jornalista de 1955 a 1998, em três editoras de imprensa, incluindo o Publituris e outras duas editoras de jornais generalistas.
Esta variada experiência ajudou-me e a primeira recompensa recebida foi de um texto em inglês sobre o programa de renovação da nossa marinha mercante entre 1945 e 1961. Uma parte dos 56 navios construídos foram em estaleiros britânicos, e o diário Glasgow Herald estava interessado neste tema.
ESPECIALIZAÇÃO INTERNACIONAL – A primeira viagem foi em 1947 de Lisboa a Liverpool, a bordo de um navio britânico. Oito anos depois entrei na Pinto Basto como agente de navegação, onde durante 19 anos trabalhei para os seguintes armadores: ITALIAN LINE – nos mais belos paquetes da época, na linha entre Trieste, Veneza, Palermo e Nápoles, Málaga e Lisboa, para Halifax e Nova Iorque. Conheci excelentes armadores, destacando Umberto Nordio, que presidiu depois à Alitalia; e trabalhei nos paquetes: Vulcania, Saturnia, Conte Biancamano, Cristoforo Colombo, Leonardo da Vinci, Michelangelo, Raffaello, e Augustus e Giulio Cesare, estes ligavam Génova, Nápoles e Lisboa ao Rio de Janeiro, Santos, Montevidéu e Buenos Aires.
AMERICAN EXPORT LINES – A bordo dos paquetes Independence, Constitution, Atlantic, etc. e do primeiro paquete nuclear Savannah. Estes navios já faziam itinerários de cruzeiros internacionais, escalando Lisboa com frequência.
UNION CASTLE LINE – Foi a companhia com o primeiro navio dedicado a cruzeiros, o REINA DEL MAR vinha a Lisboa de 15 em 15 dias em cruzeiros para a Madeira, Canárias e Açores, por vezes às Baleares; mantendo a linha de Inglaterra para a África do Sul, com escalas na Madeira e algumas em Lisboa, lembro os navios Windsor Castle, Edinburgh Castle, Capetown Castle, etc.
ORIENT LINE – Na linha Reino Unido-Austrália com os navios britânicos Orcades e Oronsay, que vinham a Lisboa, e o Oriana veio na viagem inaugural com o congresso da ABTA, voltando em viagens seguintes.
ROYAL MAIL LINES – A empresa inglesa com a mais antiga linha para a América do Sul com escalas frequentes em Vigo, Lisboa, e Funchal, os seus navios mais conhecidos foram o Andes, Alcântara, Amazon, e a classe HIGHLAND: Princess, Monarch, Chieftain, e Brigade; LLOYD TRIESTINO – a linha italiana para a Austrália cujos navios Marconi e Galileo foram em 1979 deslocados para a rota Itália-América do Sul com itinerários de cruzeiros.
DFDS – Companhia dinamarquesa com linhas de mercadorias em cargueiros e ferries para passageiros e automóveis entre a Escandinávia e portos do Reino Unido e Benelux, com a experiência em 1970 das linhas Génova-Málaga-Tânger, e Brindisi-Patras, esta entre a Itália e a Grécia, com os navios Dana Corona e Dana Sirena, que transportavam passageiros com automóveis, em simultâneo com programas de cruzeiro.
P&O – NORMANDY FERRIES – Em finais da década de 60, o grupo britânico P&Orient Lines lançou a popular linha semanal de ferries Southampton-Lisboa-Tânger ou Casablanca, com os navios Leopard, Dragon, e Eagle, numa parceria francesa e inglesa que o grupo P&O pretendeu alargar à Sociedade Geral (do grupo CUF), que não aceitou, pois a sua frota de cargueiros foi ampliada para passageiros na rota Continente-Guiné-Bissau. Uma oportunidade perdida para a nossa internacionalização em cruzeiros europeus, que italianos e espanhóis continuam a dominar.
MELHOR DESTINO EUROPEU – O EAGLE trazia semanalmente para Lisboa cerca de 500 passageiros e mais de uma centena de automóveis, e o percurso Lisboa-Marrocos-Lisboa era programado como curto cruzeiro mais dois dias seguintes na volta a Southampton de britânicos e franceses, com ligação em Le Havre nos navios da mesma empresa. Foi uma linha semanal de grande sucesso, desativada devido ao PREC. Aliás, nos meses seguintes os navios estrangeiros desistiram de Lisboa, até ao novo surto de cruzeiros no século XXI, quando Lisboa ganhou o título de melhor porto e destino turístico para visitas de cruzeiristas. Os paquetes nas escalas em Lisboa entre 1955 e 1975 desembarcavam e embarcavam centenas de passageiros, enquanto nos navios de cruzeiros o movimento reduzia-se às visitas organizadas para os cruzeiristas embarcados no porto de partida e chegada.
OPORTUNIDADE – O cinquentenário do Publituris permite-me escrever sobre a evolução do Turismo. Espero que seja útil para quem queira saber além da importância e dinamismo dos «automóveis clubes europeus» e da categoria do SudExpress, tendo Lisboa sido preferida a Madrid em 1880 devido às frequentes escalas de paquetes estrangeiros em Lisboa. Falta-me escrever sobre as pessoas com quem trabalhei e com quem aprendi muito.

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