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Luis Henriques, director-geral da Bestravel, e Carlos Neves, administrador da rede

Distribuição

Vendas da rede Bestravel crescem 19% em 2017

A convenção da Bestravel juntou este fim-de-semana, em Ponta Delgada, mais de 200 pessoas, entre agências da rede, parceiros e fornecedores.

Carina Monteiro

Luis Henriques, director-geral da Bestravel, e Carlos Neves, administrador da rede

Distribuição

Vendas da rede Bestravel crescem 19% em 2017

A convenção da Bestravel juntou este fim-de-semana, em Ponta Delgada, mais de 200 pessoas, entre agências da rede, parceiros e fornecedores.

Carina Monteiro
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Distribuição

As vendas da rede de agências de viagens Bestravel cresceram 19% em 2017 face ao ano anterior, um resultado parcialmente influenciado pela alteração das emissões aéreas, que, até Julho de 2017, eram feitas fora da rede e que, a partir dessa data, passaram a ser feitas internamente. Sem este efeito, as vendas das agências da rede cresceram 11%. Já a margem cresceu ligeiramente acima dos 11%. Os resultados da rede foram revelados por Carlos Neves, administrador da Bestravel, em conferência de imprensa à margem da convenção da rede, que aconteceu este fim-de-semana, em São Miguel, nos Açores.

O ano de 2017 foi atípico para a Bestravel, uma vez que a rede fez oito aberturas de agências, um número que “não é normal” em anos anteriores. Dessas oito aberturas, duas foram segundas aberturas de franquias já existentes e as outras duas resultaram da transição de agências que já existiam no mercado (as agências da Turangra de Ponta Delgada e Angra do Heroísmo).

Questionado sobre o número de aberturas que a rede estima para 2018, Carlos Neves explica que a marca não tem um objectivo numérico, “até porque o nosso conceito é de grande proximidade com a rede”. “Um número excessivo de aberturas pode criar-nos problemas no nível de serviço que prestamos. Diria que não deveremos fazer nunca mais do que quatro ou cinco aberturas por ano”, admite.

Destinos mais vendidos
O destino mais vendido na rede em 2017 foi Portugal, uma aposta que a Bestravel quer manter. Em seguida, surgem Espanha, Caraíbas, Cabo verde e Marrocos nos destinos mais vendidos no ano anterior. Carlos Neves destaca ainda a Tailândia, que entrou no top 10 dos destinos da rede em 2017.

Em Portugal, o crescimento deu-se, sobretudo, nos Açores, que tiveram um desempenho “muito significativo”, assim como a região Centro, que registou uma subida de vendas.

Entre os fornecedores com maiores vendas na rede, a Soltour surge em primeiro lugar, depois a Soltrópico, Jolidey, Nortravel e TUI. No entanto, a rede também se caracteriza pelo produto próprio e, nesse sentido, os fornecedores de hotelaria também ganharam um peso significativo, nomeadamente a Turitravel.

“A maior parte das franquias da rede tem mais de dez anos e, por isso, sentem-se à vontade para fazer construção de produto próprio. Em alguns destinos, baixa o recurso ao operador e sobe o recurso à hotelaria e às centrais hoteleira”, explica o responsável.

Carlos Neves considera que os operadores “olham pouco para o mercado interno” e, por vezes, “nem sequer há muitas soluções dentro do mercado interno, se excluirmos as centrais hoteleiras, por isso digamos que é um caminho natural e também imposto pela falta de soluções”.

“A maior convenção de sempre”
A convenção da Bestravel juntou este fim-de-semana, em Ponta Delgada, mais de 200 pessoas, entre agências da rede, parceiros, fornecedores. O evento contou, ainda, com a presença do presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), Pedro Costa Ferreira, e dasecretária Regional da Energia, Ambiente e Turismo do Governo dos Açores, Marta Guerreiro. Da rede de 50 franquias apenas quatro não estiveram presentes, o que leva Carlos Neves a considerar que, em termos absolutos, esta foi a “maior convenção de sempre da Bestravel”. “Praticamente toda a rede esteve presente”, refere.

O tema principal da convenção foi a formação, com Carlos Neves a anunciar que, até ao final do primeiro trimestre, a rede vai replicar no Porto o centro de formação que inaugurou no ano passado em Lisboa. Em simultâneo, a Bestravel será certificada como entidade formadora junto da Direcção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho. Também a plataforma de e-learning da rede será certificada. “À saída do Verão teremos as plataformas certificadas”, garante.

A formação para a rede contará com a participação de parceiros comerciais e irá abranger todas as áreas operacionais, assim como áreas mais abrangentes, como a forma de atendimento, gestão de reclamações, entre outras.

No final da convenção foram ainda atribuídos diversos prémios às agências da rede referentes ao desempenho obtido em 2016 e 2017. O prémio carreira foi entregue a Júlio Mateus, sócio-gerente da Bestravel Carregado.

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Transportes

easyJet soma mais 5 novas rotas às 20 já apresentadas para o verão de 2023

O número de rotas operadas pela easyJet, no verão de 2023, ascenderá a um total de 89, fazendo com que o diretor-geral da companhia no nosso país, José Lopes, antecipe um novo recorde de passageiros: 11,2 milhões.

A easyJet anunciou esta terça-feira, 17 de janeiro, mais cinco novas rotas para o verão para o verão de 2023 que se juntam, assim, às 20 previamente anunciadas, totalizando 89 rotas a serem operadas em Portugal.

As novas rotas ligarão Lisboa a Glasgow (duas vezes por semana, a partir de 2 de junho), o Porto a Nápoles (2 voos por semana, a partir de 1 de abril) e Palermo (um voo semanal, a partir de 1 de julho), e Faro a Barcelona e Toulouse (ambos com dois voos semanais, com voos a partir de 26 de junho e 28 de junho, respetivamente).

Com este aumento da oferta, a easyJet passará a oferecer um total de 89 rotas, distribuídas pelos aeroportos de Lisboa, que conta agora com um total de 35 rotas (17 novas), o Porto com 26 destinos (3 novas) e Faro com 21 trajetos (2 novas). Já no Funchal, a easyJet conta com o total de 9 rotas (3 novas) e mantém duas rotas no Porto Santo.

Um recorde de 11,2 milhões de passageiros para 2023
Este aumento do número de rotas em Portugal faz crescer também a capacidade de lugares disponíveis, anunciando a companhia que, para 2023, estão previstos 11,2 milhões de lugares, que em comparação com o ano anterior representa um aumento de 36% face aos 8,2 milhões de lugares disponibilizados em 2022.

No encontro com a imprensa, José Lopes, diretor-geral da easyJet Portugal, destacou “o forte investimento da companhia no país, antevendo “o verão mais movimentado de sempre”, admitindo que “iremos fulminar o nosso recorde”.

Destacando o investimento “realmente forte” que a easyJet irá fazer em Portugal, José Lopes revelou que a estas cinco novas rotas agora anunciadas poderá ser somada mais uma, sendo que esta está dependente de ‘slot’ no mercado de destino e não em Portugal.

Este aumento de oferta é, de acordo com José Lopes, o último que deverá acontecer, reconhecendo que “no futuro não deverão existir mais ‘slots’ a disponibilizar no mercado nacional”, admitindo mesmo que “Lisboa não terá capacidade para aumentos nos próximos seis a oito anos”, ou seja, até a região de Lisboa conhecer uma nova infraestrutura aeroportuária.

Já no Porto, José Lopes referiu alguns constrangimentos que poderão existir, devido à repavimentação da pista que já deveria estar a decorrer, mas que sofreu atrasos. Esta obra será, segundo informação avançada pelo diretor-geral da easyJet Portugal, por troços, com o horário das obras a decorrer da meia-noite às seis horas da manhã.

Certo é que a operação da easyJet cresceu mais em Lisboa do que as ‘slots’ disponibilizadas pela Comissão Europeia, situação que resultou da transferência de ‘slots’ da TAP para o mercado, bem como por mais seis ‘slots’ que a companhia passou a ter por perda da concorrência.

Com 10 aeronaves baseadas em Portugal, não foi somente o número de aviões que cresceu, revelando José Lopes que, face ao período pré-pandemia, a companhia cresceu para 830 colaboradores, quando em 2019 eram 350 e há uma década esse número não ultrapassava a centena. “Isto tem impacto direto na economia e na vida das pessoas”, frisou José Lopes.

Relativamente à operação, o diretor-geral da companhia no nosso país admitiu que a easyJet “não se vê como companhia com um caráter exclusivamente de lazer, já que tem uma forte operação étnica (emigração)”, fazendo referência, por exemplo, ao grande fluxo de emigrantes que a easyJet transportou aquando da ida de portugueses para o Reino Unido, especialmente, para a região londrina.

“75% dos passageiros que transportamos vêm de fora para Portugal”, considerando que os “city-breaks assumiram um papel essencial na atual conjuntura. Contudo, o objetivo da easyJet “não é só trazer turistas de fora para Portugal, mas também proporcionar aos portugueses a possibilidade de realizarem as suas escapadas”.

Para tal, a o responsável da easyJet revelou que os preços não aumentaram, até porque, “não podemos aumentar preço e querer aumentar a oferta e apresentar preços atrativos para que o mercado seja estimulado”.

E se as rotas e a operação crescem, também o número de aeronaves aumentou, com Lisboa a ter mais um A320 e mais três A321 neo, enquanto no Porto passaram as estar disponíveis seis A320 neo e em Faro 3 aeronaves do mesmo tipo.

Normalização da situação nos aeroportos
Depois de um verão atribulado em grande parte dos aeroportos europeus, José Lopes antecipa que neste verão de 2023 a situação já esteja “regularizada”, considerando que as grandes disrupções aconteceram devido à “falta de pessoal, principalmente no handling, mas que tem vindo a ser colmatada com novas contratações”. Neste aspeto, José Lopes referiu que tem vindo a manter um diálogo não só com a empresa de handling parceira da easyJet (Portway), mas também com a ANA e as entidades oficiais.

“Em 2022, o mercado não teve o número de passageiros que registou em 2019. Por isso, há margem para melhorar, já que o desejo para viajar mantém-se, senão mesmo aumentou”, referiu José Lopes. O que esta instabilidade criou foi, segundo o diretor-geral da easyJet Portugal, “um aumento das reservas ‘last-minute’”, sendo, por isso, necessário “dar confiança para dar estabilidade ao consumidor”, para que “em 2024 já possamos navegar num ano normal”.

Quanto ao tipo de viagens que os turistas farão no futuro próximo, José Lopes admite uma predominância das viagens de curto e médio curso em detrimento das viagens de longo curso.

Assim, José Lopes deixou um pedido ao setor da hotelaria: “em virtude de Portugal ser um destino com muita procura e uma vez que as viagens de curto e médio curso ainda irão prevalecer, seria bom que os hoteleiros não ‘estiquem’ os preços e assim não afastar as pessoas que queiram vir visitar Portugal. Até porque essa realidade impactará a nossa oferta. Se os preços forem demasiados altos, ninguém quererá voar para Portugal”.

A terminar José Lopes conclui: “queremos ser a companhia aérea mais amada em Portugal. Logo temos de investir e estamos a investir de modo a manter-nos um passo à frente”.

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Aircraft, Aircrafts, American Airlines, plane, planes, Livery, Exterior

Transportes

American Airlines retoma voos entre Lisboa e Filadélfia a 27 de março

Segundo Victor Cortina, Manager Corporate e Channel Sales para Portugal e Espanha da American Airlines, a operação vai ser realizada num aparelho B787-900 Dreamliner, com capacidade para 285 passageiros, existindo a possibilidade de os voos passarem a ser anuais.

Inês de Matos

A American Airlines vai retomar, a 27 de março, a operação sazonal que liga Lisboa a Filadélfia, nos EUA, e que, este ano, vai ser operada num avião B787-900 Dreamliner, com capacidade para 285 passageiros.

Segundo Victor Cortina, Manager Corporate e Channel Sales para Portugal e Espanha da American Airlines, a operação da companhia aérea norte-americana vai voltar a contar com voos diários, ligando a capital portuguesa a Filadélfia, nos EUA, onde se situa um dos principais hubs da American Airlines.

“Está a começar a haver procura e as agências de viagens estão a começar a fazer reservas, vamos iniciar agora a promoção da rota Lisboa – Filadélfia, este ano, com um renovado avião B787-900 Dreamliner”, avançou o responsável ao Publituris, lembrando que, em 2022, a operação foi realizada com um aparelho B787-800 Dreamliner.

Victor Cortina revela que, em 2022, ano que marcou a retoma da operação depois do interregno devido à COVID-19, a procura pelos voos da American Airlines entre Lisboa e Filadélfia foi “muito satisfatória”, uma vez que o load factor foi elevado e foi acompanhado por “uma boa receita”.

“A maior parte da temporada registou overbooking”, indica Victor Cortina, explicando que a percentagem de passageiros dos EUA nos voos da American Airlines para Lisboa foi superior à de portugueses.

Este ano, Victor Cortina diz ter ainda melhores expetativas relativamente à rota Lisboa-Filadélfia, em grande parte devido à utilização do renovado avião B787-900 Dreamliner, existindo mesmo a esperança de que seja possível “manter ou aumentar” o load factor registado ao longo do ano passado.

Os voos da American Airlines entre Lisboa e Filadélfia vão decorrer até 28 de outubro, data que marca o final do verão IATA, mas Victor Cortina mostra-se confiante de que, caso a operação corra como previsto, os voos possam passar a anuais.

“Mantemos nossa rota sazonal a partir de 27 de março e até 28 de outubro. Talvez exista a possibilidade tornar o voo anual”, refere ainda o responsável da American Airlines.

O aparelho B787-900 Dreamliner que a American Airlines vai utilizar nos voos para Lisboa conta com capacidade para 285 passageiros, incluindo 30 lugares em business class, 21 em Premium Economy e 234 lugares em económica.

Sobre o autorInês de Matos

Inês de Matos

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Tecnologia

“A maior transformação digital no setor do turismo em Portugal começou com o próprio turista”

Com os processos de digitalização a decorrer, senão já implementados, nunca como antes a tecnologia assumiu um papel tão essencial no setor do turismo. Para António Neves, Industry Manager, Travel da Google Portugal, embora o setor tenha feito um grande progresso, “ainda há muito trabalho a fazer no que toca a melhorar a presença online não só de algumas empresas como dos próprios destinos”.

Victor Jorge

A tecnologia sempre fez parte do universo do turismo. A pandemia, no entanto, veio acelerar a necessidade de uma maior digitalização ou transformação digital em toda a cadeia. Em Portugal, de acordo com António Neves, Industry Manager, Travel da Google Portugal, houve uma “maior necessidade de aceleração dado não só o peso que o turismo tem na nossa economia, mas também o facto de anteriormente termos estado um pouco atrás da Europa em alguns aspetos digitais”. Para este manager da Google, a grande dificuldade apresentada pela maior parte das empresas no setor no nosso país foi, provavelmente, “a escassez de habilitações digitais”, acreditando, no entanto, que esta aceleração [da digitalização] “irá continuar”.

Ao fim de quase três anos de pandemia, quais foram as maiores transformações tecnológicas ou digitais ocorridas no setor do turismo em Portugal?
A maior transformação digital no setor do turismo em Portugal começou com o próprio turista. Os turistas, nacionais ou internacionais, nunca foram tão digitais como hoje. Grande parte dos viajantes utiliza touchpoints digitais para fazer as suas decisões de viagens. Ao mesmo tempo, vimos os diferentes stakeholders do turismo a lançar a sua jornada de Transformação Digital, não só como consequência do novo comportamento dos turistas, mas também para se tornarem mais eficientes na forma como desenvolvem os seus negócios.

Neste aspeto, o setor do turismo, em Portugal, teve um comportamento diferente de outros mercados europeus e mundiais?
O processo de transformação digital do setor turismo é uma tendência global. Não existe país ou região em que este setor não se esteja a digitalizar nas suas diferentes áreas. Penso que em Portugal houve uma maior necessidade de aceleração dado não só o peso que o turismo tem na nossa economia, mas também o facto de anteriormente termos estado um pouco atrás da Europa em alguns aspetos digitais – nomeadamente em e-commerce e na criação de plataformas online. Nos últimos anos, a indústria do turismo em Portugal tem feito grandes avanços nesta área. Em 2021, de acordo com a Siteminder, os websites hoteleiros foram o 2.º principal canal de reservas em Portugal (atrás do Booking.com) e fomos dos poucos países europeus com uma agência de viagens local – Abreu Online – no Top 10. Isto mostra de facto o grande trabalho que todo o setor está a fazer para se transformar.

Não existe país ou região em que este setor [turismo] não se esteja a digitalizar nas suas diferentes áreas

Quais foram as prioridades tecnológicas mais relevantes implementadas? E quais foram as maiores dificuldades, exigências, necessidades apresentadas pelas empresas?
Acho que podemos olhar para as prioridades em três áreas. A primeira é chegar a potenciais clientes. Aqui, vimos uma grande evolução naquilo que foi a criação de websites e outros conteúdos online por parte dos destinos turísticos, hotéis, fornecedores de atividades turísticas, etc. de forma a chegar aos diferentes turistas espalhados pelo Mundo. A própria promoção das diferentes áreas do turismo passou a ser mais digital, dado que a maior parte dos turistas recorre a plataformas online para se inspirar onde e como viajar.

Em segundo lugar, temos a recolha, medição e ativação de dados: perceber quem são os nossos clientes, quem entrou no nosso website, como devemos e podemos voltar a entrar em contacto com eles… Tudo isto passou a ser fulcral, especialmente com a importância que Privacidade e Segurança passaram a ter nos últimos anos.

Finalmente, temos a experiência do utilizador. Muitos stakeholders do setor implementaram tecnologias de forma a melhorar a experiência do utilizador: processos de marcação fluidos, pagamentos contactless, chatbots e muito mais.

A grande dificuldade apresentada pela maior parte das empresas no setor foi provavelmente a escassez de habilitações digitais. A transformação digital de uma empresa requer que se comece a pensar num novo conjunto de capacidades que antes não existiam: consultores analíticos, data scientists, marketeers digitais e muito mais. Para muitas empresas no setor, existem algumas dificuldades em recrutar este tipo de talento devido à sua dimensão. É aqui que entra a importância de encontrar parceiros externos – parceiros tecnológicos, agências digitais, etc. – para fazer outsourcing deste tipo de capacidades.

Dentro do universo do turismo, qual o setor/segmento que maior atualização ou transformação protagonizou?
Penso que esta adaptação foi transversal a todo o setor. Penso que a diferença está mais na fase de transformação digital em que cada segmento se encontra. As companhias aéreas bem como as grandes cadeias hoteleiras já vêm há alguns anos a fazer esta transformação dada a importância que as marcações nos seus websites têm tido, mesmo antes da pandemia. Estas empresas nos últimos anos focaram-se mais em arranjar formas de atrair mais pessoas para os seus websites (ex. através de marketing digital) e melhorando a sua experiência online.

Por outro lado, algumas pequenas e médias empresas, como hotéis independentes ou agências de viagem locais, começaram mais recentemente a sua jornada digital, alguns deles criando o seu website pela primeira vez.

Acredita que esta aceleração em direção a uma maior digitalização se vai manter no futuro ou, depois de passado o impacto da pandemia, vai esfriar?
Penso que esta aceleração irá continuar. Por um lado, a utilização de ferramentas digitais para planear e marcar viagens continua em forte crescimento. A própria Google tem feito uma aposta muito grande em criar novos e melhores produtos para ajudar os utilizadores no seu planeamento: Google Flights, Things to Do, Google Hotels Search e muito mais.

Por outro lado, a digitalização das empresas traz muitos benefícios em termos de negócio. De acordo com um estudo da BCG, as empresas com maior maturidade digital aumentaram suas vendas em média 18 pontos percentuais a mais do que seus pares menos maduros e aumentaram a eficiência de custo em média 29 pontos percentuais.

Uma das grandes dificuldades na transformação digital no setor do turismo é a capacidade de trazer as capacidades digitais para dentro de algumas empresas dado a sua dimensão e recursos

O que falta ainda fazer em termos de digitalização ou transformação tecnológica no setor do turismo em Portugal?
O setor tem feito um grande progresso, mas existem sempre áreas a melhorar. Antes de mais, penso que ainda há muito trabalho a fazer no que toca a melhorar a presença online não só de algumas empresas como dos próprios destinos. Por exemplo, nos últimos três meses, houve menos de metade das pesquisas no Google por acomodação nos Açores para turistas internacionais do que na Madeira. O turismo é um mercado global e por isso não estamos apenas a concorrer com outras marcas ou destinos locais, estamos a concorrer com os melhores players globais. É por isso crítico que as empresas e marcas do setor do turismo apostem cada vez mais na internacionalização e olhem para o marketing digital como uma ferramenta de aquisição de clientes e de promoção da sua marca

Em segundo lugar, penso que ainda é preciso trabalhar na análise de dados que é crítica para obter insights sobre as preferências e comportamentos dos viajantes, o que pode ajudar as empresas de turismo a adaptar suas ofertas e atender melhor às necessidades de seus clientes.

Finalmente, dada a importância que a sustentabilidade tem hoje em dia, é importante começar a utilizar-se a tecnologia de forma não só a promover a sustentabilidade, mas a garantir que a maior sustentabilidade também acrescenta algum tipo de valor à experiência do viajante.

Esta adaptação tecnológica foi maior a nível interno das empresas ou houve que tivesse optado por uma externalização dos processos?
Tal como referi anteriormente, uma das grandes dificuldades na transformação digital no setor do turismo é a capacidade de trazer as capacidades digitais para dentro de algumas empresas dado a sua dimensão e recursos. Nestes casos, os parceiros tecnológicos, as agências digitais e outros parceiros externos têm e vão continuar a ter um papel fulcral em trazer estas capacidades para dentro das empresas de uma forma escalável e sustentável.

O setor do turismo é uma das indústrias em que o capital humano é mais importante

É comum ouvir que toda esta transformação digital leva a que se necessite cada vez menos de pessoas. Concorda?
Penso que o setor do turismo é uma das indústrias em que o capital humano é mais importante. Afinal, quando vamos viajar em lazer, uma das coisas que mais apreciamos é a hospitalidade, seja ao entrar num avião, ao fazer o check-in num hotel ou ao ser servido num restaurante. À medida que avançam na sua transformação digital, as empresas do setor do turismo terão a oportunidade de decidir onde melhor alocar o seu capital de forma a melhorar a experiência dos clientes e atrair mais turistas, seja no front office a oferecer esta hospitalidade que todos procuramos, ou no back office, por exemplo a trabalhar na promoção através de marketing digital.

Quais foram as principais soluções implementadas pela Google no setor do turismo?
O setor do turismo é um dos setores mais relevantes para a Google dado a importância que os touchpoints digitais têm no planeamento de viagens para os turistas. Nos últimos anos, a Google tem-se focado em criar ferramentas tanto para os utilizadores que estão a planear a sua viagem, como para as diferentes empresas do setor do turismo.

Ao nível do utilizador, a Google possui toda uma plataforma dedicada a viagens – o Google Travel. O Google Travel incorpora diferentes ferramentas que ajudam no planeamento de uma viagem: o Google Flights, pesquisa de hotéis, coisas a fazer e muito mais.

Para além disso, a Google tem desenvolvido um conjunto de ferramentas para ajudar as diferentes empresas do setor do turismo. O Destination Insights por exemplo, permite analisar como estão a evoluir as pesquisas por viagens para Portugal (voos e hotéis) de diferentes países de origem, e perceber assim que mercados apresentam um maior potencial para promover os nossos produtos e serviços.

Se tivesse de indicar três pontos essenciais para o futuro desta transformação tecnológica, digitalização ou transição digital, quais seriam?
Foco no utilizador – qualquer processo de transformação digital tem de ser feito com o intuito de acrescentar valor ao utilizador final. Muitos viajantes experienciam alguns problemas nas suas viagens. É crítico que as empresas se coloquem nos sapatos dos seus clientes/utilizadores e experienciem como é fazer uma reserva no seu website, como é resolver um problema no call center, etc. Todos estes processos, ao serem digitalizados, devem ter como foco principal a melhoria da experiência do cliente.
Personalização – a habilidade de oferecer experiências e recomendações personalizadas aos viajantes será um diferencial fundamental no futuro do turismo. A utilização de dados e cada vez mais de inteligência artificial vai ser crítica para entregar conteúdo e recomendações personalizadas com base nas preferências e comportamentos passados dos viajantes.
Trazer novas capacidades – a transformação digital de uma empresa não é possível sem novos talentos e capacidades: desenvolvedores de aplicativos web, analistas de dados, especialistas em marketing digital, etc. As empresas devem apostar em contratar este tipo de talento ou colaborar com parceiros externos como parceiros tecnológicos e agências digitais para obter estas capacidades.

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Turismo

Rita Marques diz que “não tem condições de aceitar, nesta altura, o convite” da The Fladgate Partnership

Depois de instalada a polémica com o convite para administradora do grupo The Fladgate Partnership, Rita Marques revela que não tem condições para assumir o cargo, embora reconheça que “firmei a convicção de que nenhum obstáculo se colocava à assunção daquelas funções”.

Victor Jorge

Após a polémica instalada relativamente à ida da ex-secretária de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Rita Marques, para o grupo The Fladgate Partnership, a mesma anunciou, esta quinta-feira, 12 de janeiro, na rede social LinkedIn que “entende que não tenho condições de aceitar, nesta altura, o convite que me foi dirigido, e que previa que eu iniciasse funções a 16 de janeiro”.

Rita Marques afirma que “feita a análise do regime jurídico de incompatibilidades e impedimentos dos titulares de cargos políticos e altos cargos públicos (Lei n.º 52/2019, de 31 de julho), firmei a convicção de que nenhum obstáculo se colocava à assunção daquelas funções”.

Na publicação pode ainda ler-se que, “não tive, no desempenho das minhas funções, qualquer papel na atribuição de incentivos financeiros ou sistemas de incentivos e benefícios fiscais de natureza contratual a esta Sociedade; e não tive qualquer intervenção direta em matéria da qual tenha resultado um benefício concreto para aquela Sociedade, já que, como é público, limitei-me a confirmar a utilidade turística a um empreendimento turístico que goza de estatuto de ‘Projeto de Interesse Nacional – PIN’ e cuja utilidade turística tinha sido conferida antes de eu iniciar funções de Secretária de Estado”.

Recorde-se que no dia 6 de janeiro, o grupo The Fladgate Partnership tornou público que Rita Marques iria assumir as funções como administradora, com a responsabilidade sobre a divisão dos Hotéis e do Turismo, ficando à frente da gestão de importantes unidades como o WOW, o quarteirão cultural de Gaia.

Rapidamente começaram a surgir críticas a esta passagem da ex-secretária de Estado do Turismo, Comércio e Serviços para um grupo privado que tinha recebido benefícios fiscais através de um despacho onde reconheceu o seu estatuto de utilidade turística definitiva.

Depois de vários dias de discussão na praça pública, no Parlamento e tendo o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmado que a ex-secretária de Estado tinha violado “claramente” a lei, Rita Marques dá agora por terminado este processo que a levaria a administradora do quarteirão cultural de Vila Nova de Gaia, hotéis e restaurantes do grupo.

 

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Transportes

Transportes mostram-se otimistas para 2023, apesar da guerra, inflação e incerteza

O setor dos transportes turísticos faz um balanço positivo de 2022, que acabou por ser um ano de regresso à normalidade e mostra-se entusiasmado quanto ao futuro, apesar dos muitos desafios que deverão marcar 2023, com destaque para os aumentos nos preços dos combustíveis, a que os transportes estão particularmente expostos.

Inês de Matos

Por vezes, muita coisa muda em muito pouco tempo e o ano de 2022 é a prova provada disso mesmo. Há um ano, a grande ameaça à atividade turística continuava a ser a COVID-19. A pandemia que parou o mundo em 2020 e restringiu as viagens um pouco por todo o lado no ano seguinte, continuava, no início do ano passado, a ser vista como o principal desafio que o setor do turismo precisava de ultrapassar para regressar à normalidade.

No entanto, menos de dois meses depois do arranque do ano, estalou uma guerra na Ucrânia, com a invasão da Rússia ao país vizinho, num evento a que a Europa não assistia havia mais de sete décadas e que veio, mais uma vez, destabilizar a economia e, consequentemente, as empresas do setor do turismo, com especial destaque para as que se dedicam aos transportes, que passaram a lidar, também em consequência da guerra, com aumentos quase diários nos preços dos combustíveis, entre outras subidas de custos ditadas pela escalada da inflação.

Além da pandemia, que ainda não está completamente ultrapassada, da guerra e consequente inflação, as empresas de transportes turísticos têm de lidar ainda com a escassez de recursos humanos, que surgiu durante a pandemia e se agravou com a guerra, num cenário repleto de incerteza que torna difícil traçar expectativas concretas para 2023.

A todos estes problemas, é preciso juntar ainda a escassez de viaturas disponíveis no rent-a-car, assim como os desafios inerentes à sustentabilidade que, este ano, promete voltar a estar na linha da frente enquanto uma das principais preocupações dos transportes.

Mais uma vez o setor foi posto à prova e respondeu de forma positiva, Paulo Geisler (RENA)

Ainda assim, o otimismo parece estar em alta, uma vez que os clientes mantêm a vontade de viajar e isso tem-se vindo a traduzir no aumento das faturações e da rentabilidade nas várias áreas dos transportes turísticos em Portugal. Saiba que balanço de 2022 e que expectativas para 2023 traça a aviação, os cruzeiros, o rent-a-car e os autocarros de turismo.

Aviação
Na aviação, 2022 acabou por ser um ano “desafiante”, diz ao Publituris Paulo Geisler, presidente da RENA, associação que representa as companhias aéreas que operam em Portugal. “Mais uma vez o setor foi posto à prova e respondeu de forma positiva”, diz o presidente da RENA, considerando que, apesar dos problemas que a aviação enfrentou em 2022, este setor “mais uma vez deu mostras de preparação e resiliência”.

De acordo com o responsável, 2022 acabou por ser um ano positivo, como mostram “os números globais do turismo” e que provam que este é já “um sector fundamental para a economia portuguesa”, considerando que também a “união dos diversos operadores” foi um dos aspetos mais positivos do ano que agora terminou.

Tal como a RENA, também a easyJet faz um balanço favorável de 2022, com José Lopes, country manager da companhia para Portugal, a explicar que o ano foi “bastante positivo” porque a easyJet fechou “este ano fiscal com o melhor resultado de sempre em Portugal” no número de passageiros transportados. No total, a easyJet chegou aos 7.431.928 passageiros nas 71 rotas que realiza de e para o país, valor que, segundo José Lopes, “ultrapassa os níveis de 2019 e que se traduz num crescimento de 174%”. “Estamos a viver agora o inverno mais movimentado da nossa história em Portugal e somos a primeira escolha de passageiros que viajam entre Portugal e França, Portugal e Suíça e Portugal e o Reino Unido”, acrescenta.

Somos a companhia de aviação que mais vai investir e crescer em Portugal em 2023, José Lopes (easyJet)

José Lopes destaca os 18 slots conseguidos no aeroporto de Lisboa como um dos momentos mais positivos de 2022, desde logo porque isso permitiu que a transportadora se tornasse na segunda maior operadora no aeroporto da capital. Com esses slots, a easyJet abriu várias rotas em Lisboa, num total de 33 no conjunto dos aeroportos onde opera, incluindo a primeira ligação para fora da Europa desde Portugal, com destino a Marraquexe, em Marrocos, e os voos para o Porto Santo, desde Lisboa e Porto, “acabando com o monopólio nessas rotas”.

O aumento de capacidade em várias rotas, a passagem para o terminal 1 do aeroporto da capital e o aumento dos aviões baseados em Portugal foram também, segundo José Lopes, momentos positivos para a easyJet em 2022.

As expetativas para 2023 também são positivas, com José Lopes a mostrar-se convicto de que o ano será “de forte investimento e crescimento de capacidade da easyJet em Portugal”. “Continuaremos a estimular o mercado, para que as pessoas voltem a voar e a conhecer mais destinos. Fazer isto num momento em que ainda estamos a sair da pandemia, adicionalmente ao impacto da guerra nos custos de energia e combustível, é um desafio”, diz José Lopes, que acredita que a relação qualidade/preço oferecida pela easyJet será valorizada. “Somos a companhia de aviação que mais vai investir e crescer em Portugal em 2023. Daqui a um ano, estaremos de novo aqui a falar de mais um ano com resultado recorde”, acredita o responsável, indicando que a companhia vai continuar a investir na sustentabilidade.

Tal como a easyJet, também a RENA se mostra otimista, ainda que Paulo Geisler prefira chamar-lhe “otimismo (moderado)”, uma vez que se prevê que exista, ao longo deste ano, algum “crescimento sustentado”. No entanto, diz o responsável, o “cenário macroeconómico e inflação vão desempenhar um papel importante” para a aviação em 2023, “a par da guerra na Ucrânia” e também da sustentabilidade. “A expectativa é que o setor do transporte continue a recuperar e que haja uma preocupação maior com sustentabilidade e incentivos para que o setor possa avançar rumo ao “Net-zero””, conclui o presidente da RENA.

Rent-a-car
No rent-a-car, o balanço de 2022 é igualmente positivo, com Joaquim Robalo de Almeida, secretário-geral da ARAC – Associação Nacional dos Locadores de Veículos, que representa 96% das empresas de rent-a-car em Portugal, a considerar que 2022 foi “um ano memorável”.

A performance das empresas de rent-a-car em foi foi excelente, Joaquim Robalo de Almeida (ARAC)

No rent-a-car, acrescenta, foram atingidos “valores recorde de rentabilidade”, o que leva a que se perspetive que, “também nesta atividade, 2022 seja o seu melhor ano de sempre”, com uma faturação a rondar os 800 milhões de euros.

Apesar da escassez de viaturas que se mantém, por culpa da crise dos semicondutores, e que levou a que a frota de pico em 2022 tenha ficado 32 mil viaturas abaixo do que acontecia em 2019, Joaquim Robalo de Almeida revela que a procura esteve em alta, traduzindo um aumento da rentabilidade. “Apesar da frota disponível para aluguer ter sido menor, se tivermos em atenção a subida de preços operada pela forte procura, ter-se-á registado um crescimento da faturação face a 2019, que assim gerou uma melhor rentabilidade”, explica, sublinhando que “a performance das empresas de rent-a-car em 2022 foi excelente” e o seu “desempenho foi dos melhores de sempre”. Contudo, o aumento da rentabilidade foi acompanhado pela subida da inflação, que se traduziu num crescimento generalizada dos custos, que “atingiram valores nunca antes vistos”, acrescenta.

A somar à inflação, no ano passado, o rent-a-car teve também de lidar com a falta de recursos humanos e com uma fiscalidade automóvel que é “das mais elevadas da Europa”, o que leva a que o rent-a-car em Portugal perca competitividade face a outros países europeus. Por isso, a ARAC volta a insistir na “redução dos impostos aplicáveis ao automóvel”, a exemplo do ISV e do IUC, mas também do IVA para os 13%.

Foi um ano muito bom para a marca e, felizmente, os pontos positivos sobrepõem-se aos negativos, Paulo Pinto (Europcar)

E se 2022 acabou por ser mais positivo do que se previa, Joaquim Robalo de Almeida espera que também o próximo ano “venha na sua continuidade”, apesar da urgência na construção do novo aeroporto de Lisboa e dos desejos que a ARAC gostaria de ver realizados: o fim da guerra na Ucrânia e a continuação do combate às alterações climáticas.

E também a Europcar, uma das principais empresas de rent-a-car em território nacional, diz que 2022 foi um “ano muito positivo”, com Paulo Pinto, Head of Portugal do Europcar Mobility Group (EMG), a explicar que o grupo solidificou a sua posição, até porque “houve alguma renovação da estrutura” em Portugal, a exemplo da nomeação do próprio como responsável pela operação no país. Em Portugal, merece também destaque a transformação da estação da Maia em ‘hub profissional’ e a abertura da estação em Vila Real, investimento que deu “início a uma ambiciosa estratégia de expansão, com grande foco no Norte do país”.

A nível global, 2022 fica marcado pela integração do EMG na Green Mobility Holding, que veio trazer à empresa “novas perspetivas e um ciclo de expansão e inovação”. “Fazer parte deste consórcio está a ser um grande impulso do ponto de vista financeiro, o que está a permitir acelerar os projetos tecnológicos”, explica Paulo Pinto.

Apesar de positivo, Paulo Pinto admite que 2022 foi um ano “com muita instabilidade”, com um primeiro trimestre marcado pela pandemia e o início de uma guerra na Europa, que deu origem a “uma subida da inflação que ainda não estagnou e se perspetiva como um fator negativo também em 2023”, sendo mesmo vista pela empresa como o “maior desafio” que se deverá colocar ao rent-a- car. “Tem impacto direto nos orçamentos das empresas e das famílias, condicionando em larga medida a atividade económica”, explica Paulo Pinto, prevendo que os “condicionamentos na produção automóvel” voltem a dar dores de cabeça.

Paulo Pinto diz que “a verdade é que, mesmo com estas condicionantes, este foi um ano “muito bom para a marca e, felizmente, os pontos positivos sobrepõem-se aos negativos”.

A Europcar diz que “vai continuar focada em manter a liderança em mobilidade sustentável”: “Impulsionada pela inovação, tecnologia, dados e colaboradores, com uma frota ajustada às necessidades, que será cada vez mais “verde”, 2023 vai ser um ano decisivo”, conclui.

Cruzeiros
Nos cruzeiros, o balanço de 2022 volta a ser positivo, com Marie-Caroline Laurent, diretora-geral da CLIA – Associação Internacional de Companhias de Cruzeiros para a Europa, a explicar que “2022 foi um ano crucial de recuperação para a indústria” e que marcou o regresso a praticamente “100% de atividade”, o que demonstra a “força coletiva” dos cruzeiros.

Apesar da volatilidade da economia, podemos dizer que atingimos os objetivos a que nos tínhamos proposto, Eduardo Cabrita (MSC Cruzeiros)

Na CLIA, 2022 foi marcado pela sustentabilidade, pois, no início do ano, a associação estabeleceu o “compromisso de, até 2050, alcançar a meta de emissões carbónicas nulas” nas viagens de cruzeiros. A diretora da CLIA diz que a “indústria está a fazer progressos concretos para alcançar as suas ambições climáticas”, o que é visível pelo maior número de navios equipados para se ligarem à eletricidade em terra, enquanto “uma quantidade enorme de recursos está a ser investida” na viabilidade de combustíveis sustentáveis.

As preocupações com a sustentabilidade vão continuar a marcar este ano, com a responsável a explicar que as prioridades da associação para 2023 são a sustentabilidade e o envolvimento das comunidades. “Teremos de articular uma abordagem abrangente de sustentabilidade que mostre que estamos a tomar medidas práticas que já estão a fazer uma diferença real”, afirma, explicando, contudo, que estas ações “não se limitam aos navios”, pois estão a ser adotadas “práticas sustentáveis em terra para apoiar o turismo sustentável nos locais” visitados.

Além da sustentabilidade, a CLIA aponta como desafios as “incertezas relacionadas com a guerra” e “o preço da energia e a escassez de oferta” que, diz a responsável, “também podem afetar a capacidade de obter combustíveis alternativos”. Além disso, é preciso não esquecer que ainda há destinos com restrições devido à pandemia, nomeadamente na Ásia, o que leva a que as companhias tenham de trabalhar para garantir a “retoma segura” das operações.

Conseguimos estimular a antecipação do negócio a níveis ligeiramente superiores a 2019, Francisco Teixeira (Melair Cruzeiros)

Também as companhias se mostram satisfeitas com 2022 e confiantes para 2023. No caso da Melair, que representa em Portugal a Royal Caribbean International e a Celebrity Cruises, 2022 acabou por ser “bastante positivo, apesar das incertezas durante o primeiro trimestre”. Segundo Francisco Teixeira, director-geral da Melair, “a procura comportou-se muito bem”, o que levou a que toda a frota das companhias representadas pela empresa tenha regressado à operação. Além disso, acrescenta, a Melair conseguiu lançar para venda os cruzeiros para 2023 ainda no ano passado, “tendo já concretizado 37% do objetivo de negócio para este ano”. “Conseguimos estimular a antecipação do negócio, a níveis ligeiramente superiores a 2019”, revela.

O regresso da frota à operação foi, segundo o diretor-geral da Melair, o aspeto mais positivo para a empresa em 2022, enquanto o mais negativo foram as dificuldades de recrutamento.

E também a MSC Cruzeiros faz um balanço positivo, ainda que Eduardo Cabrita, diretor-geral da companhia para Portugal, diga que 2022 foi “desafiante” porque os primeiros meses foram de incerteza devido à pandemia e à guerra na Ucrânia. “Tivemos dois meses com uma incerteza tremenda, entre fevereiro e abril, ninguém sabia o que iria acontecer e o mundo parou perante esta atrocidade. Isso fez com que a inflação disparasse”, explica, revelando que só a partir de abril a companhia notou “algo muito mais positivo”. A partir daí, a MSC Cruzeiros viveu “três meses” de “vendas muito fortes e estimulantes para o verão”, que ditaram que 2022 tenha sido “um ano muito positivo”, praticamente em linha com 2019 nos passageiros.

Teremos de articular uma abordagem abrangente de sustentabilidade que mostre que estamos a tomar medidas práticas, Marie-Caroline Laurent (CLIA)

A ajudar ao balanço do ano, esteve ainda o lançamento do MSC World Europa, o primeiro navio da MSC Cruzeiros movido a GNL, que foi inaugurado em novembro, no Qatar, assim como os cruzeiros com partida e chegada a Lisboa que, pela primeira vez, a companhia promoveu no verão, entre junho e novembro, ao contrário do que acontecia noutros anos. “Apesar da volatilidade da economia, podemos dizer que atingimos os objetivos a que nos tínhamos proposto, agora está ainda mais consolidado e vamos para o segundo ano de cruzeiros em Lisboa, com este período de tempo”, explica Eduardo Cabrita, que espera que 2023 já seja um “ano bastante dinâmico e saudável” e “muito melhor que 2019”, até porque os recentes estudos da CLIA mostram que continua a existir predisposição para este tipo de viagem, já que 84% dos passageiros que já fizeram um cruzeiro querem voltar, enquanto 67% dos inquiridos que ainda não fizeram nenhum cruzeiro querem fazer, o que traduz aumentos face ao período pré-pandemia. “Estas são grandes notícias para o setor”, considera.

Quanto a desafios, para o responsável, a “economia mundial e a inflação continuam a ser dos aspetos mais difíceis de prever” e que podem afetar a dinâmica dos cruzeiros, ainda que acredite que vai ser possível “ultrapassar estes ventos menos favoráveis”, até porque, em maio, chega o MSC Euribia, o segundo navio a GNL da companhia.

Confiante está ainda a Melair, com Francisco Teixeira a revelar que “o objetivo para 2023 é voltar com as dinâmicas comerciais e marketing pré-pandemia, e conseguir elevar o volume de negócio face a 2019”, apesar de também a Melair estar preocupada com o impacto da guerra e do aumento das energias, entre outros desafios que podem “reduzir os fluxos da procura”.

Autocarros de turismo
Nos autocarros de turismo, o ano de 2022 começou com “um otimismo moderado”, diz Amaro Correia, diretor de Marketing e Comunicação da Iberobus, explicando que este sentimento levou a empresa a repensar a sua estratégia, ajustando o Plano de Marketing e de Negócios.

O responsável diz que a Iberobus apostou, em 2022, na formação interna e na oferta de experiências inesquecíveis nos seus autocarros, o que beneficiou a experiência do cliente.

O aumento exponencial dos combustíveis está a atingir o coração da empresa, Amaro Correia (Iberobus)

O ano ficou marcado pela certificação enquanto Biosphere Sustainable Life Style, que comprova que a empresa cumpre integralmente as práticas sustentáveis na indústria do turismo. “Foi uma aposta visionária e importante, até porque, cada vez é mais importante o turismo sustentável”, defende, considerando que 2022 foi ainda o ano da “reativação do mercado em força”, que existe “um forte potencial de crescimento para 2023” e para o “aumento do número de vendas efetivas”.

Como aspetos menos positivos, o responsável destaca os recursos humanos, que estão cada vez mais escassos, assim como a carga fiscal e o “aumento exponencial dos combustíveis”, que está a atingir o “coração da empresa”. Amaro Correia pede, por isso, que a tutela tome “soluções rápidas e sem dor”, sob pena de se alienarem, em pouco tempo, os ganhos de 2022.

Apesar de tudo, a Iberobus diz que as expectativas para 2023 são “positivas se a guerra acabar”, uma vez que, apesar da empresa já ter um aumento de 35% nas marcações prévias, em circuitos e viagens para 2023, as indefinições económicas ditadas pelo conflito armado são uma ameaça e trazem incerteza à gestão da empresa.

Para tomar o pulso ao mercado, a Iberobus vai participar na FITUR 2023, integrada no stand do Turismo do Porto e Norte de Portugal e, ao longo do ano, pretende apostar na inovação e tecnologia, assim como numa comunicação com “fluxos mais rápidos e simples” e num serviço “pós-venda útil e assertivo”, estratégias que visam “manter os clientes fidelizados”.

 

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Destinos

França voltará a ser o destino mais visitado por turistas internacionais em 2025

Depois de ser destronada em 2021 por Espanha, França regressa à liderança dos destinos mais visitados por turistas internacionais em 2025. Os dados da GlobalData apontam para que nesse ano, cerca de 94 milhões de turistas não residentes visitem terras francesas.

Victor Jorge

Segundo as contas realizadas pela GlobalData, França deverá voltar a ser o destino mais visitado por turistas internacionais, em 2025, ultrapassando a Espanha que ocupa esse lugar desde 2021. As estimativas da consultora apontam para que a França registe, em 2025, cerca de 93,7 milhões de turistas não residentes.

Antes da pandemia, ou seja, em 2019, França atraiu mais de 88 milhões de turista internacionais, sendo o destino mais visitado do mundo. Contudo, em 2021, Espanha ultrapassou França, para manter esse lugar, em 2022, com mais de 71 milhões de turistas, enquanto França não foi além de 66,6 milhões de turistas.

Os dados apontam para que França registe um crescimento de médio anual de 12,1% entre 2022 e 2025, chegando, assim, novamente ao topo dos destinos mais visitados anualmente em todo o mundo.

Hannah Free, analista de Viagens e Turismo da GlobalData, refere que, “a par de Itália e Espanha, França representa um segmento significativo do crescimento na Europa Ocidental. O país náo é só popular entre os viajantes na Europa, especialmente no Reino Unido, Alemanha e Bélgica, mas tem vindo a ganhar terreno em países emissores como China e EUA”. Hannah Free, considera mesmo que os EUA “são um dos destinos mais interessantes para os viajantes dos EUA”.

Relativamente a Espanha, a GlobalData estima um crescimento médio anual de 12,2%, entre 2022 e 2025, prevendo-se que no final do período em análise (2025), o país vizinho atinja os 89,5 milhões de visitantes não residentes.

A analista da GlobalData refere que “as visitas a França e Espanha manter-se-ão em alta nos próximos anos, com festivais, cultura e gastronomia a ser as principais atrações. Ambos os países têm muito para oferecer aos visitantes”, indicando ainda que, os dois destinos têm uma grande dimensão, com paisagens diversas e cada um oferece uma costa única”.

A análise da GlobalData indica os transportes como uma das grandes vantagens oferecidas por França, frisando que “viajar entre as grandes cidades francesas e espanholas, com comboios de alta velocidade a conectar as principais cidades”.

Hannah Free destaca, de facto, “a linha de comboio ultra-rápido como um dos grandes projetos de transporte na Europa Ocidental e que está a ser planeado pela Comissão Europeia para melhorar a conectivade entre Lisboa e Helsínquia (Finlândia)”.

Na realidade, o programa referido pela analista da GlobalData envolver a construção de mais de 8.000 quilómetros de linha ferroviária de alta velocidade que passará por Portugal, Espanha, França, Alemanha, Dinamarca, Estónia, Lituânia, Polónia e Finlândia.

 

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Distribuição

Distribuição aponta 2023 como ano da incerteza

Se 2022 foi o ano de recuperação das mazelas que a pandemia provocou ao setor das viagens e turismo, 2023 é apontado como o ano da incerteza por razões que vários players da área da distribuição explicaram ao Publituris.

“A única certeza, já sabemos, é a incerteza”. É assim que o presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira perspectiva, para o turismo, o ano que agora começou, isto porque, “a guerra é uma desolação com efeitos negativos em todos e a inflação pode gerar retração no consumo de viagens”. No entanto, conforme refere, comparando com o ano passado em que num trimestre, o primeiro, “estivemos todos fechados, não encontramos ainda retração efetiva na procura”.

Mesmo assim, Pedro Costa Ferreira julga que no final será “um ano positivo. Se pior ou melhor que 2022, eu esperaria pior, mas é verdade que tenho dialogado com gente absolutamente credível que, exatamente pelo facto de termos tido, em 2022, um trimestre perdido, ainda espera uma performance em 2023 muito semelhante a 2022”.

Já em relação aos principais desafios que o setor do turismo enfrentará em 2023, o presidente da APAVT destaca “a gestão da incerteza”, e interroga: “Para onde vai a guerra? Quais os efeitos da subida das taxas de juro? Como vão responder as empresas, ainda notoriamente fragilizadas, aos desafios da capitalização?”.

No entanto, sublinha que “como sempre, resta-nos esperar o melhor e prepararmo-nos sempre, como pessoas e como empresas, para o pior”.

Também Tiago Encarnação, diretor Operacional da Lusanova refere-se a um ano “cheio de incertezas e sabemos que as perspectivas não são tão otimistas”, apontando que “todos temos consciência que vai existir um abrandamento na procura no setor, motivado pela conjuntura económica”, mas acredita que o turismo conseguirá superar esta nova realidade.

O diretor Operacional da Lusanova relembra que, “por esta altura em 2021, também todos nós enfrentávamos incertezas. Claramente não as mesmas, mas certamente o mesmo estado de dúvida e de insegurança face ao futuro”.

Dificuldades geram oportunidades
Tendo em conta que o setor se mostrou resiliente e extremamente inovador no passado, “tenho esperança que continuará a sê-lo no futuro. Nesse sentido, procuro sempre ser otimista e mesmo com uma quebra na procura, acredito que dificuldades geram sempre oportunidades e novos desafios”, salientou, para acrescentar que “hoje o Turismo tem novas prioridades e para as entender é necessário perceber que não podemos voltar ao “velho normal” e esse será o principal desafio como sector”.

Para onde vai a guerra? Quais os efeitos da subida das taxas de juro? Como vão responder as empresas, ainda notoriamente fragilizadas, aos desafios da capitalização, Pedro Costa Ferreira (APAVT)

Na opinião de Tiago Encarnação, “se em 2022 o desafio era a retoma da confiança em viajar, em 2023 será a adaptação a esta nova normalidade, mais instável e exigente, mas também mais desafiante ao nível dos modelos de negócios”. Neste sentido, “a internacionalização das empresas e a procura de novos mercados serão fundamentais para que as empresas nacionais ganhem a economia de escala necessária para superar os desafios que se colocam”, realçou.

O responsável da Lusanova não esquece “as necessidades de qualificação dos recursos humanos, a retenção de talentos nas empresas, a promoção do património histórico e cultural e a sustentabilidade, que serão cada vez mais importantes se as empresas quiserem continuar a acrescentar valor aos seus serviços e se diferenciarem dos demais”.

Com os olhos postos na mensagem do último congresso da APAVT, “em 2023 temos de olhar para o lado positivo e “Fazer”! É necessário criar, ser autor desta nova realidade e o Turismo, pela importância que tem, não tem só essa necessidade, mas também obrigação de liderar este novo normal”, frisou Tiago Encarnação.

Para a rede de agências de viagens Airmet, segundo o seu diretor geral, Luís Henriques “temos todos a certeza de que será um ano totalmente incerto. Não sabemos de todo o que podemos esperar”, mas sendo um fervoroso otimista, julga que será igualmente um ano que “ajudará na recuperação do prejuízo que este mercado teve durante a pandemia”.

Luís Henriques acredita que a venda se fará mais perto da data de partida pois “toda a incerteza que paira na confiança dos consumidores assim ditará”. O diretor geral da Airmet sublinha que as viagens são já um bem de primeira necessidade, mas “com certeza que as famílias terão de avaliar o seu orçamento para poderem viajar”.

Prevemos um ano que nos vai colocar grandes desafios ao nível das empresas, Adriano Portugal (Mercado das Viagens)

Desafios para 2023 há muitos: “desde o aumento generalizado dos preços, à menor oferta aérea (que fez com que os preços aumentem também devido a este facto), à incerteza económica do país, à dificuldade de recrutamento que as empresas enfrentam…Será com certeza um ano difícil, mas como este setor já nos habitou, conseguiremos ultrapassar as dificuldades e os desafios que o ano nos trará”, frisou Luís Henriques.

Preparados para o que aí vem
É com alguma cautela que Álvaro Vilhena, General Manager do operador turístico Viajar Tours olha para 2023. No entanto, acredita que “continuará a haver muita procura, que a oferta será muitíssimo superior, mas a atual crise económica poderá servir de travão, e que a tendência será para a contratação de viagens menos dispendiosas, o que poderá condicionar os resultados globais”.

Refere que “uma família que não viajou durante dois anos e que gastou três ou quatro mil euros para ir de férias em 2022, irá certamente repensar o seu budget para as férias de 2023”, daí, adiantou, ser necessário ter todos estes fatores em consideração “e ajustar a nossa programação de forma a que a nossa oferta corresponda ao que os clientes procuram. Esperamos mais um ano atípico, mas também estamos mais bem preparados do que nunca”, apontou Álvaro Vilhena.

Adriano Portugal, diretor geral da rede Mercado das Viagens disse que “prevemos um ano que nos vai colocar grandes desafios ao nível da gestão das empresas e que vai implicar, no que se refere aos gastos destinados ao turismo e numa perspectiva mais macro-económica, uma maior taxa de esforço económico às famílias de uma forma geral”. Isto porque, “com a inflação que se tem vindo a verificar e o rendimento disponível a diminuir, o consumo destinado a produtos e serviços que satisfazem necessidades mais complementares como o turismo e o lazer pode traduzir-se em produções não tão interessantes como aquelas que verificamos no ano que agora termina”.

A atual crise económica poderá servir de travão e a tendência será para contratação de viagens menos dispendiosas, o que poderá condicionar os resultados globais, Álvaro Vilhena (Viajar Tours)

O diretor geral do Mercado das Viagens quer, todavia, manter um espírito otimista, considerando que o turismo apesar disso tudo tem vindo cada vez mais a aproximar-se do nível das necessidades básicas para o ser humano”.

Espera-se, por isso, “que continue a haver espaço para as férias e para as viagens de negócio, incentivos, congressos e outros tipos de turismo, onde cada orçamento deverá ser ajustado à necessidade do momento”, defendeu o responsável.

Balanço 2022 – a recuperação
Ao fazer o balanço de 2022, o presidente da APAVT classifica-o de “mais do que positivo”, realçando que “quer no outgoing como no incoming, a palavra-chave foi «recuperação» e, mesmo sabendo que o mercado incorpora respostas assimétricas, de um modo geral os resultados de 2019 «estão aí» outra vez”.

Para as agências de viagens, segundo Pedro Costa Ferreira, 2022 “trouxe ainda um momento significativo de credibilização do sector, o processo de reembolso dos vouchers. Foi possível validar todos os passos que foram dados em direção à satisfação dos direitos dos consumidores e à sobrevivência das empresas”.

Hoje o turismo tem novas prioridades e para as entender é necessário perceber que não podemos voltar ao ‘velho normal’ e esse será o principal desafio como setor”, Tiago Encarnação (Lusanova)

Álvaro Vilhena, General Manager do operador turístico Viajar Tours, considera que 2022 foi, à semelhança de 2020 e 2021, um ano atípico, mas por motivos diferentes. Refere que “os primeiros meses do ano seguiram a tendência dos anos anteriores, com uma procura ainda muito residual e muitas incertezas, até que são levantadas as restrições mais “pesadas” e entramos numa nova fase: a procura ultrapassa largamente a oferta”.

Esta disparidade, precisou, “refletiu-se não só em termos de procura de clientes / oferta disponível no mercado, mas também na falta de recursos humanos nas empresas turísticas. Esta falta foi uma das principais causas do cancelamento de centenas, se não mesmo de milhares de voos (e numa altura em que as frequências de voos ainda estavam claramente abaixo dos valores de 2019), do facto de muitos hotéis e restaurantes não estarem a operar a 100%, ou de haver autocarros parados por falta de motoristas. A procura disparou, mas a capacidade de resposta – que poderia ter contribuído para uma retoma gradual do nosso setor – foi claramente insuficiente, desequilibrada e desajustada”, explicou.

Custo das viagens disparou
Reconhece que as vendas, em termos de volume de faturação, dispararam e, em alguns casos, para números próximos de 2019, mas tal “deveu-se muito mais ao preço das viagens, do que propriamente ao número de viagens contratadas. Os custos anormalmente elevados, reflexo de uma oferta claramente insuficiente, e da tentativa – que em alguns casos classificaria quase como “descarada” – por parte de alguns fornecedores em tentarem recuperar durante estes últimos meses aquilo que não conseguiram produzir durante os últimos dois anos, inflacionaram o valor de venda, mas acabaram por ser os responsáveis por uma capacidade de resposta inferior ao desejável”.

Tiago Encarnação considera que o setor está de parabéns. “Depois de dois anos de pandemia, e a despeito de muitas dificuldades que os trabalhadores e empresas tiveram de ultrapassar, o sector mostrou que é resiliente, sólido e mais do que nunca unido”, declarou o diretor Operacional da Lusanova, defendendo que, numa indústria com players tão diversos, a crise sanitária acabou por impulsionar a integração necessária para que a recuperação fosse uma realidade que representa mais de 15% da riqueza gerada no país”.

Com certeza que as famílias terão de avaliar o seu orçamento para poderem viajar, Luís Henriques (Airmet)

Não esquece que existiram muitos desafios ao longo deste período. “Muitos destinos continuaram fechados, outros foram abrindo as suas fronteiras gradualmente e não nos podemos esquecer da guerra da Ucrânia, que para além de todo o drama humanitário, teve um impacto imediato em outros destinos europeus”, destacou.

No entanto, mesmo assim, segundo este responsável, “a procura não parou de crescer ao longo de 2022 e mesmo que os números de 2019 não tenham sido alcançados, a verdade é que o saldo foi claramente positivo”.

Por sua vez, Luís Henriques, diretor geral da Airmet apontou que o ano de 2022 “foi realmente surpreendente”. Iniciou de uma forma muito tímida, em sua opinião, mas “após o primeiro trimestre foi bastante generoso com um setor que estava completamente sedento de atividade”. E conclui que, mesmo com todas as dificuldades decorrentes da inflação e da guerra da Ucrânia, como o aumento do preço dos combustíveis, “o ano acabou por ser um espetacular tónico para as dificuldades que todos antecipamos para 2023”.

Adriano Portugal explicou que a marca “Mercado das Viagens” finalizou o exercício com um balanço muito positivo e de acordo com as previsões feitas internamente no início de 2022. Embora os três meses iniciais se tenham pautado por alguma incerteza de como se iriam processar as vendas, mercê da possibilidade de novos surtos de Covid19 e um possível novo confinamento e depois o início da guerra na Ucrânia, “o mercado respondeu bem àquilo que eram as expectativas de todos para o período de retoma, e depois de um período muito negro e inaudito para todos os sectores da atividade económica”, evidenciou.

“Notamos que a “Mercado das Viagens” esteve acima dos números verificados em 2019, mas há fatores importantes a ter em conta nesta análise que nos permitiu chegar a conclusões muito interessantes: houve menos produto e também, mas não menos importante nesta análise, menos pessoas a viajar. Isto permitiu-nos concluir que o rácio de rentabilidade por venda pautou-se por um incremento muito positivo, o que resultou em melhorias óbvias nas contas de resultados da nossa rede”, explicou o diretor geral da rede.

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Destinos

EUA como principal ‘driver’ das viagens em 2023

O mercado dos EUA aparece, segundo a ForwardKeys, como o mercado de origem com maior potencial no setor das viagens para 2023. Depois do Caribe, os turistas norte-americanos viram-se para a Europa, demonstrando um interesse especial por destinos com história, cultura e natureza.

Victor Jorge

Antes da pandemia, a China era considerada o mercado de origem mais valioso para destinos devido à dimensão, alto poder de compra e propensão para bens de luxo. Agora, com a ausência dos turistas provenientes da China, os destinos devem tentar envolver e atrair novamente os viajantes americanos, que ajudaram a revigorar o setor de turismo em dificuldades, primeiro em 2020 com o Caribe e o México, e agora em todo o mundo, da Europa à Ásia, revela uma análise da ForwardKeys.

De acordo com a consultora, “os viajantes dos Estados Unidos estão ansiosos para viajar desde que as restrições de viagem foram suspensas”, indicando que foram “essenciais para a recuperação do turismo regional em 2021”, com destaque para o Caribe que teve sucesso em 2021 em grande parte devido ao mercado dos EUA, mas que, com a abertura do mundo em 2022, necessita de repensar a estratégia nos EUA agora que estão enfrentando maior concorrência.

As partidas internacionais dos EUA, em 2022, representaram apenas 19% dos números de 2019, com destinos de sol e praia no Caribe e na Europa a impulsionar essa recuperação.

No entanto, atualmente, não são apenas o México e o Caribe que prosperam graças a este mercado de origem, reconhecendo a ForwardKeys que “há um claro interesse nos norte-americanos para viajar por todo o mundo”, admitindo que “os voos de longo curso estão de volta”.

História, natureza e cultura atraem turistas norte-americanos
A Europa está a aproximar-se rapidamente da recuperação total, devendo-se a recuperação em grande parte ao levantamento dos EUA da proibição de entrada de viajantes europeus em novembro de 2021, o que normalizou os fluxos bilaterais de viajantes.

Além disso, as taxas de conversão favoráveis do dólar americano para o euro estão a impulsionar a procura por viagens para a Europa, fundamentando a ForwardKeys estes fatores como elementos importantes no processo de tomada de decisão dos viajantes norte-americanos, considerando “o custo das passagens aéreas, alojamento e atividades, bem como preocupações com a inflação e a recessão iminente”.

“2022 viu o regresso das viagens de longo curso para a Europa durante a temporada de verão”, indicando a consultora que “a procura reprimida revelou uma preferência por destinos de sol e praia no Mediterrâneo”, destacando-se a Turquia, Grécia, Portugal e Espanha.

No entanto, os dados da ForwardKeys mostram um interesse crescentepor outros tipos de escapadas da natureza, com destinos como Suíça, Irlanda e Islândia a registarem, igualmente, um influxo de chegadas dos EUA. Certo é que “a cultura, a história e as paisagens de toda a Europa atraem os viajantes dos Estados Unidos”, salienta a ForawrdKeys.

Evitar repetir a confusão do verão de 2022
Mas também as perspectivas para a região da Ásia-Pacífico são promissoras por vários motivos, revelando a consultora que “o interesse em viajar é alto após três anos de restrições de viagens”. A alta do dólar americano e a ausência de viajantes chineses, significam custo de vida mais baixo e destinos menos movimentados, revelando-se perfeitos para trabalhadores remotos e para quem quer passar um tempo em paraísos tropicais como a Tailândia ou Bali durante os meses mais frios do Hemisfério Norte.

Muitos destinos na região estão a esperar para ver os números de chegadas nesta temporada – época alta no Sudeste Asiático – e o impacto da reativação das viagens locais face à COVID-19 antes de adotar uma abordagem mais flexível ao turismo, frisando a ForawrdKeys que este panorama tem “o potencial de reativar ainda mais as viagens na região”.

No entanto, a Ásia-Pacífico “ainda tem seus desafios”, apontando a consultora o aumento do custo do combustível e a inflação global como razões para “tarifas aéreas mais altas e menor disponibilidade de voos”.

“As companhias aéreas precisam retomar a conectividade de longa distância, pois os viajantes atualmente dependem de aeroportos centrais na Europa e no Oriente Médio para se conectar à Ásia”, considerando aeroportos como Istambul e Doha como centros de conexão populares para os viajantes dos EUA.

Assim, com a crescente procura por viagens, aeroportos, companhias aéreas e o ecossistema de viagens mais amplo “devem preparar-se para um ‘boom’ para evitar os problemas enfrentados por vários destinos europeus no verão passado”, considera a análise da ForwardKeys.

Como nota, a consultora revela que as equipas dos aeroportos “devem estar devidamente preparadas, as companhias aéreas devem exigir capacidade suficiente de lugares e as partes interessadas do setor de viagens precisarão de dados para tomar decisões de negócios mais refletidas”.

Em resumo, a ForwardKeys conclui que os EUA são, atualmente, “o mercado emissor de origem com maior potencial mundial na recuperação de viagens, com um grande número de viajantes ansiosos para explorar e gastar o dinheiro em novas experiências”. Certo é que os destinos que dependiam desses turistas no passado enfrentam agora uma “concorrência mais global” e não podem contar com uma “abordagem genérica”, enquanto destinos que dependiam mais de mercados como China e Rússia “devem mudar o seu foco para uma comunicação mais aberta com o público americano ávido por viagens”, finaliza a análise da ForwardKeys.

 

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Otimismo cauteloso

O Publituris ouviu Eduardo Santander, diretor-executivo da European Travel Commission (ETC), e Julia Simpson, CEO e presidente do World Travel & Tourism Council (WTTC), que fizeram um balanço positivo relativamente a 2022, com as devidas “cautelas” para 2023.

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Com o final de 2022 a ditar uma recuperação do turismo a nível internacional, embora ainda longe dos números de 2019, o gradual levantamento das restrições referentes à COVID-19 fizeram com que “o mundo regressasse às viagens”.

Eduardo Santander, diretor-executivo da European Travel Commission (ETC), admite que “o turismo europeu enfrentou com sucesso os desafios que foram sendo colocados”, salientando que muitos destinos na Europa registaram “uma forte recuperação”, indicando que o Velho Continente deverá ficar, em 2022, “a 75% dos volumes de 2019”. Contudo, admite que “este ainda foi um ano difícil para o setor”, com a recuperação a ser impactada pela “guerra na Ucrânia, falta de pessoal e aumentos nos custos de vida”.

A Europa tem de reconstruir um setor que coloque as comunidades locais e o ambiente no centro do desenvolvimento, Eduardo Santander (ETC)

Também Julia Simpson, CEO e presidente do World Travel & Tourism Council (WTTC), destaca “o bom ano de 2022 para o setor do turismo e viagens”, referindo que, com algumas exceções, “o mundo voltou a viajar”. No entanto, frisa que “a pandemia ensinou-nos que não podemos descansar sob os bons resultados obtidos”, sendo necessários “planos sustentáveis para construir uma resiliência a longo prazo”. Assim, admite que o setor do turismo e das viagens está “ciente das suas responsabilidades quando se trata de sustentabilidade”, até porque considera que “a nossa atividade depende de pessoas a visitar locais bonitos, sendo que o nosso futuro está inextricavelmente ligado”.

Recuperação mais lenta
Quanto ao futuro, mais concretamente, ao ano de 2022, Eduardo Santander diz-se “otimista, mas cauteloso”, admitindo que a recuperação na Europa “continuará, mas a um ritmo mais lento”, já que questões como a inflação poderá influenciar os gastos do consumidor e na procura turística na Europa”.

No entanto, é “encorajador ver que os europeus ainda continuam ansiosos para viajar, apesar das preocupações financeiras”, salientando que a ETC espera que “as viagens de curta distância sejam uma tábua de salvação para o setor, já que mais viajantes podem escolher viagens mais curtas e próximas”. Isso pode até ser “benéfico” para a Europa, já que as férias dentro da Europa e domésticas “tendem a ser mais baratas do que as alternativas distantes”, salientando ainda que “as viagens dos EUA, impulsionadas pelo dólar forte e maior conectividade, também continuarão a apoiar os destinos europeus”.

Do lado do WTTC, o fim das restrições às viagens é apontado como um fator crucial, embora reconheça que países como a China continuem a limitar essas mesmas viagens e que, por isso, “impeçam uma recuperação mais acelerada”.

A pandemia ensinou-nos que não podemos descansar sob os bons resultados obtidos, Julia Simpson (WTTC)

Catalisador de mudança
Para 2023, Julia Simpson indica que o setor deverá a utilizar a sua posição única para produzir “ações positivas para restaurar a natureza e ser um catalisador de mudança”. A responsável pelo WTTC destaca que “as viagens e a natureza estão intimamente ligadas”, já que milhões de pessoas viajam para explorar essa mesma natureza, frisando os “mais de 340 mil milhões de dólares (cerca de 320 mil milhões de euros) e 21 milhões de empregos que este tipo de turismo sustenta a nível mundial”.

Do lado europeu, Eduardo Santander salienta que o principal desafio passa por “incentivar destinos e empresas na Europa a manter a sustentabilidade em mente”. Assim, conclui que, “à medida que continuamos a navegar pelos riscos trazidos pela incerteza global, é crucial cumprir as promessas feitas durante o COVID-19. A Europa tem de reconstruir um setor que coloque as comunidades locais e o ambiente no centro do desenvolvimento. O turismo deve esforçar-se para ser uma força para o bem de todos – viajantes, trabalhadores e cidadãos”, termina.

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Noites reservadas online em AL subiram 9% no verão de 2022

O verão foi positivo para as reservas online em Alojamento Local. O Eurostat revela que, no terceiro trimestre de 2022, as reservas efetuadas nas plataformas online subiram 24% face a 2021. Portugal foi, contudo, dos países que maior quebra registou.

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Durante o terceiro trimestre de 2022, que incluiu os tradicionais meses de férias de verão de julho e agosto, os hóspedes passaram cerca de 251 milhões de noites em acomodações de aluguel de curta duração na União Europeia (UE), reservadas via Airbnb, Booking, Expedia Group ou TripAdvisor, correspondendo a um aumento de cerca de 24%, face ao período homólogo de 2021.

Com este valor, o turismo nas plataformas ultrapassou os níveis (+9%) registados no verão de 2019, antes da pandemia de COVID-19, quando as plataformas registaram cerca de 230 milhões de dormidas, avança o Eurostat.

Após uma recuperação gradual dos números de reservas durante o segundo semestre de 2021, no primeiro semestre de 2022, as reservas atingiram e superaram os níveis pré-pandêmicos pela primeira vez. Nos primeiros seis meses, foram reservadas 199,4 milhões de noites, que comparam com 83,8 milhões no mesmo período de 2021 (período ainda afetado por restrições de viagens devido à COVID-19) e 193,3 milhões de noites em 2019, um modesto aumento de 3,2%. O aumento tornou-se muito mais pronunciado no terceiro trimestre, com 250,9 milhões de dormidas, face a 202,3 milhões em 2021 e 230,4 milhões em 2019.

Embora as comparações com 2021 registem uma recuperação robusta em todos os 31 países (países da UE e da EFTA), houve diferenças em relação a 2019. As noites passadas na Bélgica, Suécia e França no terceiro trimestre de 2022 aumentaram cerca de 30%, mas 12 dos Estados-Membros ainda ficaram aquém dos níveis de 2019: Portugal (-4%) foi o país de destino mais proeminente com uma queda significativa.

Os destinos tradicionais de férias costeiras permaneceram populares no segundo trimestre de 2022. As regiões mais populares foram a Andaluzia na Espanha com 6,5 milhões de noites, Jadranska Hrvatska na Croácia com 5,5 milhões de noites e Provence-Alpes-Côte d’Azur na França com 5,2 milhões noites de convidados. Estas três regiões, assim como a Catalunha em Espanha e a Île de France em França, registaram mais de 4 milhões de dormidas cada uma.

O Eurostat conclui que França e Espanha tiveram seis regiões (cada um) nas 20 principais regiões, a Itália teve cinco regiões, Portugal duas e a Croácia uma.

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