Opinião| Jorge Mangorrinha “Planeamento e Desenvolvimento do Turismo”

Por a 9 de Agosto de 2017 as 9:27

Os meus alunos têm sido confrontados, no início das aulas, com um conjunto de planos, relatórios e intenções de desenvolvimento turístico que faz parte da história do Turismo. Mas nem sempre e de forma manifesta a relação do planeamento com as ações concretas do investimento turístico se fez corretamente, desde a articulação entre as diferentes escalas e especialidades, à capacidade de carga dos territórios e aos níveis de sustentabilidade.
E, então, para que serve o planeamento turístico? Pergunta pertinente que faz parte de uma mesa-redonda de reflexão e debate no início de cada semestre. Muitas das vezes aconteceu que o planeamento dos produtos turísticos é concretizado em desarticulação com o planeamento dos destinos ou, então, que o planeamento de maior escala não teve a devida correspondência com as políticas locais. Apesar de os planos nacionais e regionais apresentarem um conjunto de preocupações com a qualidade e a sustentabilidade do turismo, nem sempre atingiram os objetivos propostos, até pela falta de continuidade das ações políticas.
Saber ver o território é uma condição dos planeadores (técnicos e políticos), tendo em vista satisfazer as necessidades económicas e culturais e a preservação dos recursos. E os que estão mais perto veem mais nítido.
A proximidade das eleições autárquicas justifica falarmos destas matérias, sabendo-se como se torna importante que um município defina linhas básicas de atuação, no pressuposto de que qualquer território tem potencial turístico, seja ele para consumo, contemplação ou ligação entre polos de desenvolvimento turístico e projetos-âncora. Convém que cada município proceda à identificação dos produtos turísticos estratégicos, à articulação desses produtos com os respetivos públicos-alvo, sem esquecer a realidade das práticas de lazer associadas aos residentes locais; a seleção dos protagonistas atuantes; a definição de um programa global de investimentos, com a discriminação orçamental, as fontes possíveis de financiamento e os responsáveis pela execução das várias ações; e a listagem das medidas e das ações propostas, com a sistematização adequada ao nível das grandes áreas de intervenção – valorização dos recursos turísticos, desenvolvimento e organização da oferta, serviços e equipamentos de apoio, papel da animação turística, promoção turística, investimento e recursos humanos e profissionalismo.
Querer planear é necessário, mas tanto ou mais importante é saber defini-lo com prazos e investimentos exequíveis, depois pô-lo em prática e, sobretudo, ter a capacidade de lidar com os aspetos adversos: a imprevisibilidade do futuro, a pressão investidora e a falta de sensibilidade de alguns agentes. Mas já estamos muito melhor do que nas décadas de 1980 e 1990, aspeto que se reflete, inegavelmente, no ordenamento do território, nas arquiteturas (incluindo a paisagista) e nos serviços. E o Ensino faz parte integrante disto, designadamente quando demonstramos que o binómio entre o Turismo e o Território é mais do que aquilo que se vê.
*Por Jorge Mangorrinha, professor universitário.

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