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“Temos a certeza que Vilamoura é um activo excepcional”

Por a 16 de Fevereiro de 2017


Juan Gómez-Vega é o CEO da Vilamoura World, a empresa que, juntamente com o fundo norte-americano Lone Star, comprou o resort português em Abril de 2015. O primeiro projecto já está em andamento. Mas o responsável revela os planos para este ano.
vilamoura world

»Com um investimento de cerca de dez milhões de euros, a fase II do empreendimento L’Orangerie é o primeiro projecto da Vilamoura World e teve início em Novembro de 2016. Em que fase se encontra o projecto? Relativamente à fase II do empreendimento L’Orangerie, 50% está construído e está a vender-se. Em Novembro, contratámos a empresa imobiliária Garvetur para fazer a venda destas unidades e, em Dezembro e Janeiro, venderam-se cinco unidades e nos seis meses anteriores tinha sido vendida uma unidade. O que significa que é um bom arranque, tendo em conta estes dois meses que são tipicamente maus para comercializar propriedades no Algarve. Venderam-se bem e a bons preços. O empreendimento engloba 32 unidades de alojamento, incluindo oito apartamentos de T1 a T3, 18 moradias T2 com jardim privado e pátios interiores e seis villas T3 com piscina privada. A sua conclusão está prevista para o final do primeiro semestre de 2017. No que se refere às unidades já vendidas da Fase II, tratam-se de quatro moradias e dois apartamentos.

»A quem foram vendidas as primeiras casas?
Dois suecos, dois portugueses e dois franceses.

»Para este ano, o que prevêem começar a construir? Estava previsto dar início à construção do Vilamoura Lakes.
O Vilamoura Lakes é um projecto ‘filet mignon’, temos previsto construir 4500 casas, dessas 1200/1500 estão no projecto Lakes. Neste momento, faltam dois passos administrativos: um com a Câmara de Loulé e outro com Agência Portuguesa do Ambiente (APA). Este ano, vamos trabalhar com a Câmara na engenharia dos lagos artificiais. O foco este ano é na parte do terreno que está mais preparada para construção.

»E além do Vilamoura Lakes?
Vilamoura tem outros dois novos empreendimentos a chegar ao mercado. Na zona noroeste irá surgir o projecto Uptown, com um total de 240 unidades residenciais (47 das quais turísticas), um hotel boutique e cerca de 7.000 m2 de área comercial complementar à zona da marina. Em Janeiro deste ano, foi lançado um concurso internacional de arquitectura, a que responderam quatro empresas (uma portuguesa e três estrangeiras), com o objectivo de definir o novo conceito de desenvolvimento e sustentabilidade deste projecto.
Além disso, a Vilamoura World está a trabalhar com consultores externos para definir a oferta comercial e turística. Fairways é um projecto residencial com uma localização privilegiada no coração de Vilamoura, rodeado pelos campos de golfe Millenium e Laguna. Integra um conjunto de 85 unidades residenciais projectadas segundo os mais elevados standards de qualidade e sustentabilidade. Estes dois novos projectos representam um investimento global de cerca de 90 milhões de euros, além da criação de mais de 1.000 postos e dão sequência à consolidação do masterplan de 400 hectares, que alia arquitectura contemporânea e design de interiores de qualidade num resort com elevado nível de infraestruturas comerciais e de animação, equipamentos de saúde, educacionais e desportivos. Esperamos iniciar a pré-comercialização de Uptown no Verão, e iniciar as obras mais para o final do ano (quarto trimestre). Junto a esse projecto, a Vilamoura World está a negociar com vários operadores de restauração para trazer dois ou três novos restaurantes para que se juntem ao Praia na Villa [restaurante do chef Olivier aberto no Verão de 2016], reforçando assim o hub alternativo à marina.

»Porque Vilamoura é muito mais que imobiliário?
Esse é o desafio. Os accionistas estão satisfeitos com este activo, mas o desafio é sempre pensar que somos um destino. Hoje, em Vilamoura, existem 14/15 mil vivendas, dessas quatro mil/ cinco mil estão ocupadas todo o ano e vivem dez mil habitantes. É quase uma cidade. A primeira coisa que temos de pensar muito bem é na promoção imobiliária. A promoção imobiliária pós-crise mudou na Europa e no mundo. Temos de ver primeiro o que querem as pessoas e depois é que construímos. Para que o projecto Vilamoura seja sustentável, que venda e venham mais pessoas, há que empurrar o destino.

»Como é que vão fazer isso? Que mercados é que vos interessam?
O mercado número um para nós, e por mais que possa parecer estranho, é Portugal. Seria um erro muito grande não nos focarmos no maior mercado e no mais fácil de chegar. Não temos de explicar aos portugueses o que é Vilamoura, simplesmente temos de dar-lhes novos motivos para virem, mostrar-lhes que é um destino renovado, moderno, pujante, aspiracional.
A nossa perspectiva é que o mercado português seja responsável por 40% a 50%, o Reino Unido por 25%, o francês, -um mercado que está muito forte-, responsável por 10% a 15% da procura. Depois irlandeses, alemães e suecos. Dependendo do produto, os mercados dividem-se. Os franceses querem algo de 100 metros quadrados, o português quer algo de 120, 150 metros quadrados, o britânico quer 70 metros quadrados. Um dos segredos, sobretudo quando se tem tanto para desenvolver, é ir fazendo coisas que chamem a atenção aos diferentes mercados.

»Qual é o posicionamento de Vilamoura?
Estamos a trabalhar no plano de acções para este ano. Hoje não podemos apenas enviar um press release. Acabámos de relançar uma associação de parceiros de Vilamoura como o Oceânico Golf, Hilton, Tivoli, estamos em contacto com a Câmara de Loulé e o Turismo do Algarve. Há muitas acções para irmos juntos a feiras, mesmo com a Associação Portuguesa de Resorts, do qual somos associados.

Marina de Vilamoura
»O que está planeado para a requalificação da marina de Vilamoura?
Há dois patamares. Por um lado, a parte mais funcional, que tem a ver com as solicitações do cliente. Estamos a melhorar a funcionalidade da marina. Temos três milhões de visitantes por ano na marina. Estamos a trabalhar em pequenas coisas que ajudam a melhorar a experiência dos visitantes. Melhorámos a segurança, o Wi-Fi, os decks de madeira estão a ser substituídos. Esta é a parte menos glamorosa, mas que faz diferença para os clientes da marina. Em paralelo estamos a trabalhar na criação do novo Yacht Club. Tendo em conta os timings, neste momento, está em standby para ser retomado após o Verão.
Ainda ligado à marina, estamos a tentar uniformizar os apoios de praia de forma a integrá-los cada vez mais na paisagem natural. Estamos a trabalhar com um dos concessionários, e também com um arquitecto paisagista, para dar uma imagem global à Praia da Rocha Baixinha Nascente que seja natural e pouco invasiva, não apenas no que se refere aos apoios de praia, mas também aos caminhos de madeira, às pontes e às zonas de descanso.

»Este projecto é ambicioso para ser desenvolvido em cinco anos. Julgam conseguir cumprir este prazo?
Se o desenvolvêssemos em cinco anos seria muito bom. Se olharmos para a quantidade de casas que temos para desenvolver, para fazê-lo em cinco anos teria de ser a um muito bom ritmo. Estamos a fazer tudo para que isso aconteça. Não vamos fazer tudo sozinhos. Vamos desenvolver algumas coisas mas também vamos trazer parceiros. Estamos a criar condições para isso. A mim não me serve que os parceiros depois não consigam vender os seus apartamentos ou moradias. Pode passar os cinco anos? Pode. Estamos muito optimistas. Creio que nós, os estrangeiros, somos muito mais optimistas que os portugueses.
Portugal tem as suas próprias características. O Algarve não tem tanta construção como uma parte de Espanha. Há cada vez mais pessoas que conhecem o destino. As obras de ampliação do aeroporto de Faro vão terminar este ano. O investimento do Tivoli Marina que vai ampliar o seu centro de conferências, o maior do Sul de Portugal. A Oeste de Vilamoura está a desenvolvido um W Hotel que vai abrir em 2018.

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»A política fiscal em Portugal é atractiva?
A política dos nossos accionistas é que o Governo faça o que tem de fazer. As regras são para todos. O Governo tem de trabalhar. Mas o sistema é muito atractivo, o crescimento do mercado francês acontece porque os incentivos fiscais são bons. No geral, há sempre um pouco de ruído quando a fiscalidade muda.

»O que vos atraiu em Vilamoura?
É um destino que existe, vive muita gente aqui, tem a maior marina de Portugal. Ao nível financeiro, tem uma combinação de activos líquidos e ilíquidos que agrada aos acionistas. E quando se vê um activo que por algum motivo não funcionou durante anos, perguntamos: é um problema do activo ou de gestão? Temos a certeza que Vilamoura é um activo excepcional. Consegue ainda ter uma natureza em estado puro. Uma das mensagens que passámos aos arquitectos do Projecto Uptown foi: toquem o menos possível no que se vê hoje.

»Quais são os desafios do produto Turismo Residencial em Portugal?
Portugal, e o Algarve em particular, tem duas mais-valias: uma que é natural é a comida, as praias, o clima. É um factor único competitivo. Devido aos problemas dos países da bacia do Mediterrâneo, para onde vão as pessoas? Vêm para cá, porque Espanha está saturada. Existem coisas feitas pelo homem muito importantes, acessos e conectividade, nomeadamente através do aeroporto de Faro. Os incentivos fiscais também são positivos. Pode ter havido um certo ruído este ano [inclusão do imposto sobre imóveis no Orçamento de Estado para 2017], mas ao nível dos vistos gold, isso é uma mais-valia. A segurança é também um ponto forte.
Quanto às debilidades, há que continuar a trabalhar nas acessibilidades e na comunicação do destino, comparativamente a outros destinos da Europa muito concorridos.

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