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APAVT: Sector está de parabéns mas ainda existem problemas por resolver

A transposição da Nova Directiva Europeia dos Pacotes Turísticos e as desigualdades fiscais marcaram o discurso de Pedro Costa Ferreira na abertura do 42ª Congresso Nacional da APAVT.

Carina Monteiro
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APAVT: Sector está de parabéns mas ainda existem problemas por resolver

A transposição da Nova Directiva Europeia dos Pacotes Turísticos e as desigualdades fiscais marcaram o discurso de Pedro Costa Ferreira na abertura do 42ª Congresso Nacional da APAVT.

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O presidente da Associação Portuguesa de Agências de Viagens e Turismo (APAVT), Pedro Costa Ferreira, afirmou esta quinta-feira, dia 8 de Dezembro, que apesar do sector atravessar um momento de “óbvia dinâmica positiva”, nem por isso deixa de estar em aberto “dossiers fundamentais para o nosso futuro, bem como problemas cruciais que continuam a afectar o nosso presente”. O responsável, que discursava na cerimónia de abertura do 42ª Congresso Nacional da APAVT, que decorre em Aveiro, referia-se à transposição da Nova Directiva Europeia dos Pacotes Turísticos e à fiscalidade aplicada aos eventos em Portugal.
Começando pela Directiva e, com a secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho,  na plateia, Pedro Costa Ferreira garantiu que “os trabalhos de transposição da directiva prosseguem de acordo com a agenda estabelecida entre nós. O próximo ano conhecerá a evolução mais decisiva deste processo, com a elaboração do texto jurídico em concreto que representará a transposição efectiva da directiva”.
A este respeito, o responsável comparou a actual situação portuguesa com os restantes países europeus: “Não conheço nenhum país europeu onde tenha já sido entregue uma proposta conjunta, da associação do sector e da associação de defesa dos consumidores, como aconteceu em Portugal”.
Pedro Costa Ferreira enumerou ainda dois pontos “cruciais” e “determinantes” para o desfecho do processo: “Em primeiro lugar, é fundamental que o mecanismo de garantia financeira permaneça inalterado. Por um lado, o Fundo de Garantia das agências de viagens está bem e recomenda-se, aproximando-se, contra ventos e marés, dos 4 milhões de euros.  Por outro lado, o sector uma vez mais, deu demonstração cabal da sua proactividade e coerência, produzindo desde já um seguro que responde tecnicamente às exigências da nova directiva. Em segundo lugar, «fora de cena quem não é de cena». As viagens profissionais não são objecto de defesa por parte do legislador europeu, logo não poderão ser objecto de defesa no âmbito do direito português.”
Já quanto à fiscalidade que, segundo o responsável, penaliza o sector do incoming, Pedro Costa Ferreira voltou a questionar o IVA a 23% nos eventos. “Não encontramos uma explicação para que se mantenha a possibilidade de tantos países europeus organizarem eventos, no âmbito do MICE, 23 % mais baratos que em Portugal.”
Pedro Costa Ferreira afirmou que a APAVT está a ultimar “uma série de propostas, no âmbito jurídico, para entregar a Secretaria de Estado do Turismo e lembrou, também que este assunto “não é um assunto do sector do incoming das agências de viagens, é um assunto que diz respeito ao País”.
Nesse âmbito, fez um apelo ao presidente da nossa Confederação do Turismo Português, Francisco Calheiros, que também estava na plateia: “Tome nas suas mãos, em definitivo, um assunto que é vital, não para um dos seus associados, a APAVT, mas para todos os seus associados, para todo o sector turístico do nosso País”.
O congresso da APAVT termina no Domingo, dia 11 de Dezembro. De acordo com Pedro Costa Ferreira, o congresso ficará na história recente como o congresso que maior adesão provocou por parte do sector. “Seria preciso recuar 15 anos, a 2001 e à liderança do nosso colega João Pombo, que reencontro hoje com grande satisfação, para nos depararmos com um congresso tão concorrido e com tanta representatividade”.

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Governo mantém obrigatoriedade de testes em voos internacionais para Portugal

Além dos testes em voos internacionais, o Governo mantém também a obrigatoriedade de certificado digital nos hotéis, restaurantes e eventos culturais, enquanto discotecas e bares continuam encerrados até 14 de janeiro.

O primeiro-ministro António Costa revelou esta quinta-feira, 6 de janeiro, após o Conselho de Ministros, que a obrigatoriedade de apresentar um teste negativo nos voos internacionais com destino a Portugal se vai manter no âmbito do combate à COVID-19, assim como as multas para passageiros e companhias aéreas que transportem para o país quem não tenha a testagem realizada.

“Relativamente às fronteiras, vamos manter o controlo das fronteiras como tem existido até agora, continuando a exigir teste negativo obrigatório para todos os voos que cheguem a Portugal e continuaremos a aplicar as sanções, quer a passageiros quer a companhias de aviação que embarquem passageiros sem que o teste tenha sido realizado”, explicou o primeiro-ministro, na conferência de imprensa no final do Conselho de Ministros.

Além da obrigatoriedade de testes nos voos internacionais com destino a Portugal, que segundo o explicitado no comunicado do Conselho de Ministros vai vigorar até 9 de fevereiro de 2022, António Costa anunciou ainda que o acesso a restaurantes e estabelecimentos hoteleiros ou de alojamento local também vai continuar a estar sujeito à apresentação de um certificado digital, assim como acontece com os espetáculos culturais, eventos com lugares marcados e ginásios.

As pessoas já vacinadas com a dose de reforço vão, no entanto, deixar de necessitar de apresentar um teste negativo nas visitas a lares de idosos ou a doentes internados, enquanto quem ainda não tiver recebido essa dose terá de apresentar a testagem.

Já as discotecas e bares vão permanecerem encerrados até 14 de janeiro, sendo que, a partir dessa data, podem reabrir mas com exigência de apresentação de teste negativo à entrada, medidas que são ainda acompanhadas pela proibição de consumo de bebidas alcoólicas na via pública.

Até dia 14 de janeiro, mantém-se ainda obrigatório o teletrabalho, que passará a ser recomendado a partir dessa data, enquanto a reabertura das escolas acontece já na próxima segunda-feira, 10 de janeiro.

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Termas Centro vão dinamizar novas atividades e programa de animação

Com o alargamento do Provere Termas Centro até 30 de Junho de 2022, as estâncias termais que fazem parte desta rede vão poder, este ano, dinamizar as atividades inicialmente previstas e que foram inviabilizadas pela pandemia nos últimos dois anos, bem como o programa de animação.

A rede Termas Centro, através do Provere, – Programa de Valorização Económica dos Recursos Endógenos com o mesmo nome, vai manter, em 2022, a dinamização de novas atividades, bem como o programa de animação das estâncias termais.

Iniciado em 2019, o Provere Termas Centro tinha conclusão prevista para 2021, mas o prazo foi alargado para 30 de junho de 2022, de forma a poderem ser realizadas as atividades inicialmente previstas e que foram inviabilizadas pela pandemia nos últimos dois anos, refere comunicado da rede.

Refira-se que este programa, criado com o objetivo de valorizar as estâncias termais da Região Centro, tem permitido a valorização de projetos-âncora como “Animação”, “Comunicação e Marketing”, “Inovação e Estruturas de Animação Permanente” e “Aldeias do Conhecimento”.

Adriano Barreto Ramos, coordenador da rede Termas Centro, explica que “este prolongamento permite concretizar as iniciativas que não puderam ser realizadas em 2020 e 2021, nomeadamente as referentes ao ciclo de eventos de animação em rede ‘Viva Termas Centro’, ao Projeto de Inovação e à própria comunicação, inviabilizada pelo encerramento das Termas, devido à situação pandémica, que impossibilitou a realização de ações já programadas e contratualizadas, e que agora se irão concretizar”.

 

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BIT Milão adiada. FITUR confirma datas

O “momento de incerteza”, devido às restrições em vigor por toda a Europa, levou a organização da BIT Milão a adiar o evento para abril. Já em Espanha, a IFEMA Madrid (re)confirma a realização da FITUR 2022 nas datas anunciadas.

Victor Jorge

Depois da ITB Berlin, agora é a vez da BIT Milão. Não que tivesse sido cancelada, tal como aconteceu no evento da capital alemão, mas no caso italiano, a feira foi adiada e em vez de acontecer de 13 a 15 de fevereiro, acontecerá, presume-se, de 10 a 12 de abril.

Os organizadores da Fiera Milano afirmam que os operadores turísticos que participam, normalmente, neste evento, “pediram mais tempo” para o setor do turismo “encontrar um equilíbrio”, já que a indústria vive, atualmente, um momento de incerteza devido à, restrições em vigor

Já a IFEMA Madrid confirma a realização da FITUR 2022, de 19 a 23 de janeiro, revelando que o Governo de Espanha, a Comunidade de Madrid, o Ayuntamiente da capital espanhola, a Organização Mundial do Turismo, bem como o setor privado, “avaliaram, por unanimidade, a realização nas datas previstas da Feira Internacional do Turismo”.

Na reunião convocada pelo presidente do Comité Executivo da IFEMA, José Vicente de los Mozos, todos os intervenientes afirmaram que “a realização da FITUR é a maior garantia do apoio ao setor do turismo num momento crítico para a sua total reativação e para recuperar os níveis de atividade e negócios anteriores à pandemia.

De los Mozos afirma, ainda, que “esta edição da FITUR irá marcar um ponto de infleção na atividade turística e, mais uma vez, marcará o arranque de um ano em que se depositam grandes esperanças para a retoma do negócio turístico a nível global”.

Para a realização do evento, a IFEMA Madrid reforçará os controlos sanitários e todas as medidas de segurança. Neste sentido, e num contexto marcado por altos níveis de vacinação em Espanha, a FITUR 2022 exigirá a todos os participantes dos países integrados no Certificado Digital COVID Europeu a apresentação do mesmo, enquanto aos participantes de países terceiros, os mesmos requisitos solicitados na fronteira para obter o “QR Spain Health” que permita a entrada em território espanhol.

Além disso, a organização anuncia outras medidas que garantem a segurança de todos os participantes da FITUR 2022.

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Governo da Madeira cancela festas de Carnaval na região

O Executivo madeirense considera que, cancelar os eventos de Carnaval, previstos de 26 de fevereiro a 2 de março, é “a decisão mais acertada”.

Publituris

As festividades de Carnaval na Madeira, programadas para decorrer entre os dias 26 de fevereiro e 2 de março, foram canceladas, devido à evolução da situação pandémica da COVID-19 na região, anunciou o Governo insular.

“O Governo Regional da Madeira entende não estarem reunidas as condições de segurança em termos de saúde pública para que o evento se realize”, lê-se na informação divulgada pelo gabinete do secretário do Turismo e Cultura do arquipélago.

Assim, o Executivo “decidiu cancelar as festas que teriam lugar entre os dias 26 de fevereiro e 2 de março”, acrescenta.

As 19 trupes que iriam desfilar no cortejo de Carnaval, o principal evento deste cartaz, que é assistido por milhares de residentes e visitantes, já estão a ser informadas desta decisão.

O Executivo madeirense assegura ter sido “sensível às preocupações dos grupos envolvidos que transmitiram dificuldades na organização dos ensaios, pelo receio manifestado por parte dos participantes relativamente ao perigo de contágio”, cita a agência Lusa.

Também argumenta que, “ao contrário do que aconteceu na Festa da Flor”, cuja programação, em 2020 e 2021, pôde ser “deslocada para outras alturas do ano sem prejuízo do seu propósito, as Festas de Carnaval não podem ser adiadas”.

Devido à atual situação pandémica, o Executivo regional considera que cancelar os eventos de Carnaval previstos é “a decisão mais acertada”.

O Governo madeirense aponta que, “a nível nacional e mesmo internacional, as celebrações do Carnaval em 2022 estão a ser canceladas ou estão envoltas em indefinição”, nomeadamente na Nazaré e Torres Vedras.

No Brasil, exemplifica, “a maioria dos desfiles e festividades de Carnaval já foi cancelada, com destaque para o conhecido Carnaval da Bahia”, e, na Europa, pela incerteza causada pelo aumento de casos de COVID-19 devido à variante Ómicron, Veneza ainda não confirmou a realização presencial das festas de Carnaval.

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“Teremos uma FITUR que se equipara às nossas feiras pré-pandêmicas”

Depois de uma FITUR que, em 2021, ficou aquém das expectativas pelas razões óbvias da pandemia, a incerteza voltou a assolar uma das maiores feiras do setor do turismo do mundo. Em entrevista ao Publituris, a diretora da FITUR, Maria Valcarce, acredita que esta edição “gerará números que ficarão apenas 15% abaixo do seu melhor histórico”.

Victor Jorge

Se o setor do turismo e viagens levou “pancada” ao longo destes (quase) dois anos, as feiras deste universo levaram por tabela. De eventos, primordialmente, presenciais, passou-se para um modelo virtual e depois para o híbrido. A FITUR, a realizar de 19 a 23 de janeiro de 2022, em Madrid, será a primeira das feiras a nível mundial do setor e, por isso, servirá de “cobaia” nestes tempos que, de certos, nada possuem. A não ser o desejo por viajar, de um lado e do outro.

Que FITUR iremos ter no próximo ano de 2022? Voltaremos a ter um evento mais parecido com 2019?
É verdade que a edição de 2021 da FITUR, realizada em maio, foi excecional e diferente, mas acho que superou todas as expectativas, já que o simples facto de ter sido realizada foi uma conquista extraordinária.

Dadas as circunstâncias, o nível de participação nacional e internacional foi um sucesso notável, e foi uma grande conquista para todos os destinos, empresas e profissionais da indústria que conseguimos reunir em Madrid nessa altura.

Em 2022, teremos uma FITUR que se equipará às nossas feiras pré-pandêmicas – altamente representativas da indústria do turismo internacional e com um nível de participação muito próximo dos nossos eventos recordes. A FITUR 2022 ocupará novamente os oito pavilhões da Avenida Central no Centro de Exposições IFEMA Madrid e estimamos que gerará números que ficarão apenas 15% abaixo do seu melhor histórico.

Um misto de pessoas e digital
Relativamente à FITUR 2021, destacava, em entrevista ao Publituris, em maio de 2021, que o evento seria “uma feira presencial”. A edição de 2022 mantém essa vertente ou terá um aposta mais digital/virtual?
Sim, a feira de 2021 foi um evento presencial, mas também tínhamos uma plataforma digital, o que nos permitiu oferecer um formato híbrido, enriquecendo a proposta de valor da feira com o componente online.

O formato será o mesmo na FITUR 2022. A feira decorrerá em Madrid de 19 a 23 de janeiro e, paralelamente – mas também alargando o âmbito geográfico e temporal da FITUR – a nossa plataforma FITUR LIVE CONNECT decorrerá de 20 de dezembro a 4 de fevereiro, oferecendo ferramentas de networking e matchmaking para expositores e visitantes para que eles possam preparar e acompanhar o evento físico e ampliar os horizontes de negócios.

No World Travel Market London 2021, realizado de 1 a 3 de novembro, muitos dos expositores presentes queixaram-se de que a componente digital prejudicou o evento presencial, levando a que muitos visitantes profissionais não se deslocassem ao evento. Não teme esta situação na FITUR?
Já testámos o formato combinado do evento presencial mais uma plataforma online e os resultados têm sido positivos. A proposta de valor deste formato híbrido é mais forte, porque o evento presencial e a plataforma online reforçam-se e complementam-se.

Mas que complementaridade é possível ter entre um evento físico/presencial e a parte digital/virtual? Que aspetos é preciso ter em conta, de modo a não defraudar o público de um e outro?
Acho que são propostas de valor diferentes e, ao oferecer aos clientes um mecanismo duplo com reuniões presenciais e online, isso pode gerar sinergias.

Na minha opinião, a participação online não é um substituto da participação presencial, mas uma ferramenta para fortalecê-la, quando usada para preparar reuniões, identificar procuras e requisitos, ver propostas de concorrentes, etc.. Também é útil para rastrear todas as atividades realizadas em reuniões e eventos presenciais.

As pessoas foram confrontadas com uma realidade que as levou a um universo cada vez mais digital e virtual. Isto torna a tarefa de eventos como a FITUR mais difícil? Como atrair públicos, ou melhor, novos públicos para este tipo de eventos que são maioritariamente B2B?
Vejo mais oportunidades do que ameaças na transformação digital. Obviamente, a digitalização oferece ferramentas que devem ser usadas por qualquer pessoa que pretenda manter-se competitiva. No caso das feiras, utilizamos uma gama de ferramentas digitais há anos para todo o processo de marketing, promoção e atendimento ao cliente, mas isso não significa que a nossa proposta de valor como um evento presencial não seja mais válido. Acho que esta pandemia mostrou-nos o quanto os seres humanos precisam de socializar e encontrar-se cara a cara, e que esse tipo de encontro é insubstituível.

Que diferenças existem entre as principais feiras do setor do turismo e viagens ao longo do ano? Temos a FITUR, uma BTL (Portugal), uma ITB (Alemanha), um WTM (Reino Unido e América Latina), uma ABAV (Brasil), além de eventos de dimensão mais reduzida, mas importantes para algumas empresas e Turismos dos países?
Do ponto de vista da abrangência, não há muitos eventos que sejam feiras globais como a FITUR. É realmente uma lista muito curta – eu diria apenas três eventos: FITUR, ITB e WTM London. Mas também existem muitas outras feiras comerciais que são altamente valiosas para os mercados locais ou regionais e que desempenham o seu papel em mercados localizados numa ampla gama de áreas geográficas.

Paralelamente, a FITUR é uma feira que engloba o B2B nos dias úteis e o B2C ao fim-de-semana e abrange todo o espetro da indústria do turismo nos seus diversos segmentos.

Existem outras feiras que atendem apenas parte do mercado – apenas B2B ou apenas B2C – ou que focam um único segmento de mercado – turismo MICE, por exemplo. São modelos diferentes, todos válidos e escolhidos pelo destino ou empresa de acordo com os seus interesses comerciais.

Do ponto de vista da abrangência, não há muitos eventos que sejam feiras globais como a FITUR. É realmente uma lista muito curta – eu diria apenas três eventos: FITUR, ITB e WTM London”

Como é que se prepara uma feira como a FITUR ainda em plena pandemia e com as incertezas que ainda persistem? É mais fácil a organização para o evento de 2022 do que foi em 2021?
O facto de termos realizado a FITUR em 2021 abriu o caminho, porque os nossos clientes sabem que somos capazes de gerir a feira, que funciona e que temos tratado de forma adequada as atuais circunstâncias excecionais para garantir que a FITUR seja um evento seguro e lucrativo para os seus participantes.

A FITUR 2022 vai ser uma grande feira de negócios, em linha com os seus melhores anos e com um elevado nível de participação e presença internacional.

E Portugal?
Quanto expositores e empresas esperam para este evento na totalidade?
Ainda não podemos dar números definitivos porque os grandes expositores, assim como os destinos, ainda estão a informar-nos sobre as empresas que estarão nos seus stands. Como estimativa, esperamos mais de 600 expositores principais e 8.000 empresas participantes.

E de Portugal, que feedback têm tido quanto à participação? Já têm números de participantes que nos podem avançar?
Portugal vai ter um grande stand numa excelente localização. Para além do stand do Turismo de Portugal, haverá também várias cidades com espaços de exposição próprios. Ainda não tenho todos os dados sobre o número de empresas que estarão representadas nesses stands. Normalmente existem muitas empresas portuguesas que estão sob a égide do país, região ou cidade, mas teremos de esperar um pouco mais antes de podermos fornecer esta informação em detalhe.

Que importância possui o mercado português para uma FITUR e como olham para o país quando, em 2022, a proximidade ainda será relevante?

Ano após ano, Portugal é o destino internacional com maior stand na FITUR e um dos mais importantes stands pelo elevado número de empresas e quantidade de conteúdos que acolhe. Portugal é um dos destinos mais procurados pelos turistas espanhóis, onde procuram e apreciam a cultura, a riqueza e a variedade dos recursos turísticos do país.

Várias FITUR dentro da FITUR
Indicam que uma das chaves que marcaram a evolução da FITUR tem sido a capacidade para reconhecer as tendências do mercado e para as trasladar à sua oferta. Que tendências são essas que serão apresentadas no evento de 2022?
Cada um dos espaços FITUR apresentará tendências, mas é um pouco difícil resumir porque a FITUR agora tem 12 seções além do seu programa geral. Falaremos sobre tecnologia, sustentabilidade, transformação ecológica e os diferentes segmentos especializados que impulsionam a procura.

Haverá também uma nova seção dedicada a cruzeiros e o observatório de sustentabilidade, FITURNEXT, estará de regresso aos holofotes para o desafio da acessibilidade. Tudo o que impulsiona o turismo global tem lugar na FITUR e todos os que fazem parte da cadeia de valor do setor encontrar-se-ão na FITUR.

Apontam a sustentabilidade, tecnologia e especialização como principais eixos condutores. Presumo, então, que serão essas as tendências para o futuro a apresentar na FITUR?
Sim, de facto, inovação e sustentabilidade são duas áreas-chave, ao lado da visão global deste mercado, com foco específico em muitos dos seus segmentos.

Revelam, igualmente, que esta edição continuará a apostar no crescimento de algumas seções, como FITUR CINE e FITUR FESTIVALS, além da criação de espaços monográficos, como FITUR GAY (LGBT +) e FITUR SALUD, e FITURTECHY e FITUR KNOW HOW. Além disso, terão, também, o Observatório FITUR NEXT, FITURTECH e FITURGREEN. Que importância possuem estas seções paralelas e que diferenciação proporcionam?
Esta é a forma da FITUR abranger todas as formas de turismo e protagonizar áreas específicas da atividade turística, seja porque proporcionam inovação ou sustentabilidade, seja porque impulsionam o mercado.

Estas seções são, tal como os eixos condutores, uma forma de atrair novos públicos à FITUR?

São áreas fundamentais para atrair visitantes para a FITUR, mas também trazem tendências e inovação, impulsionam a sustentabilidade e recebem novos segmentos, além de conectar os setores que impulsionam o turismo com os profissionais envolvidos na cadeia de valor do turismo.

Que ações, eventos, conferências, seminários, workshops terão em paralelo e subordinados a que temas?
Cada seção da FITUR tem o seu próprio programa de eventos e também hospedamos outros programas e atividades, como aqueles convocados pela OMT (Organização Mundial do Turismo) ou CIMET (Conferência Iberoamericana de Ministros e Empresários do Turismo).

Regresso ao futuro
Como analisam o atual panorama do setor do turismo e viagens e que expectativas têm relativamente ao mesmo para este ano de 2022?
Como mencionei anteriormente, as nossas expectativas para a FITUR são muito positivas e espero que isso reflita o facto de o setor ter iniciado uma forte recuperação e que a FITUR servirá para acelerar essa recuperação.

As perspetivas para o turismo certamente serão analisadas em profundidade ao longo dos congressos e encontros que a feira oferece.

Estou convencida de que a Espanha recuperará a sua posição de liderança (…) Esperamos mais de 600 expositores principais e 8.000 empresas participantes”

Será que teremos a tão desejada retoma já em 2022 ou só acontecerá em 2023? Ou será que essa análise acontecerá por regiões e mais por segmentos de mercado?
A minha impressão é que a recuperação está em curso e continuará a evoluir durante 2022 e 2023. Mas existem outros especialistas com acesso aos dados que esta análise requer que poderão responder a esta questão melhor do que eu.

Da mesma forma, no que diz respeito às regiões e segmentos, sinto que esta evolução não é uniforme, nem a pandemia afetou a todos igualmente. Em qualquer caso, prefiro deixar isso para os especialistas.

E como vê a recuperação do turismo em Espanha?
A indústria do turismo espanhola soube responder a inúmeros desafios ao longo da sua história e proporcionou a este país riquezas e empregos como nenhum outro setor. Estou convencida de que a Espanha recuperará a sua posição de liderança e será capaz de usar a experiência desta terrível pandemia como uma oportunidade para implementar melhorias em campos como a produtividade e sustentabilidade.

Que impacto económico esperam que a FITUR possa vir a ter na dinamização dos setores vinculados ao turismo em Madrid. Serão os 330 milhões de euros anunciados?
Espero que possamos chegar a esse número, pois o nível de participação já está próximo dos níveis pré-pandêmicos. Mas vamos ter de esperar para ver os números de participação dos visitantes antes de conseguirmos estimar o respetivo impacto.

As Fitur dentro da FITUR

FITUR MICE é a seção destinada ao turismo MICE, com potenciais clientes em empresas, associações, empresas de incentivo, empresas de viagens de negócios e organizadores de eventos e conferências.

FITUR FESTIVALS tornou-se na FITUR ENTERTAINMENT, para refletir o seu foco expandido. Esta seção apresenta festivais de música e eventos culturais e desportivos como motores do turismo e oferece um ponto de encontro entre os seus organizadores e destinos, transportes, hotéis e alojamentos, operadores turísticos e grossistas.

FITUR SCREEN conecta o turismo e a indústria cinematográfica, divulgando informações sobre o turismo cinematográfico, promovendo o intercâmbio comercial entre os diferentes atores do seu ecossistema, apresentando propostas futuras para o desenvolvimento do setor.

FITUR LGBT+ reúne destinos, empresas, cadeias hoteleiras, companhias aéreas e operadores turísticos com ofertas específicas para o segmento de clientes LGBT +, caracterizadas por um elevado nível de receitas disponíveis despendidas em viagens e turismo menos sazonais.

FITUR LINGUA aposta no turismo linguístico, segmento com grande potencial de crescimento e importante não só para Espanha, mas também para outros destinos que atraem visitantes para a aprendizagem da sua língua.

FITUR TECHY é uma área dedicada à disseminação do conhecimento e inovação através de um extenso programa de seminários técnicos.

FITUR KNOW HOW & EXPORT é organizada pela SEGITTUR com a colaboração da ICEX, ambas organizações governamentais espanholas. Este espaço apresenta a inovação e o conhecimento na indústria turística espanhola, com especial destaque para a estratégia de destinos turísticos inteligentes, com o objetivo de promover a inovação e a sustentabilidade no turismo e a internacionalização das PME turísticas espanholas.

FITUR TALENT foca-se nas pessoas e no seu talento como a componente central da competitividade empresarial, especialmente importante num momento de transição digital, quando a adoção de novas tecnologias requer o desenvolvimento de aptidões e competências tanto por parte dos líderes como das próprias equipas. Apresenta a formação especializada para a indústria do turismo dos dias de hoje e as melhores práticas de empresas líderes para a incorporação de talentos nas organizações.

FITURNEXT é o observatório de sustentabilidade da FITUR, que visa apresentar uma série de iniciativas turísticas que impactam positivamente os visitantes, residentes, destinos e o planeta, além de gerar métricas sobre esse impacto para manter a indústria do turismo informada sobre as melhores práticas para um futuro sustentável.

FITUR WOMAN é uma seção dedicada a promover e destacar a liderança feminina na indústria do turismo.

FITUR HEALTH tem como foco o turismo de saúde, uma área do turismo que atrai milhões de viajantes e conecta entidades do mundo da saúde à cadeia de valor da indústria do turismo.

FITUR CRUISES traz o turismo de cruzeiros ao público da FITUR numa seção inédita para este ano, que certamente atrairá bastante interesse na feira.

Sobre o autorVictor Jorge

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Candidato: Helder Martins quer uma AHETA mais dinâmica e interventiva *

Helder Martins, candidato à presidência da AHETA, cujas eleições estão marcadas para o próximo dia 21 de janeiro, quer uma associação mais dinâmica, interventiva e a falar a uma só voz, fatores que diz se foram perdendo nos últimos anos, mas que hoje são fundamentais não só como forma de apoiar os associados que se debatem com uma série de desafios, mas também o turismo do Algarve no seu todo.

O empresário Helder Martins, candidato a presidente da AHETA, cujas eleições estão marcadas para o próximo dia 21 de janeiro, quer uma associação mais dinâmica, fato que diz ter perdido nos últimos anos, mais interventiva por forma a ajudar os associados a resolver as fragilidades com que o Algarve se debate, não só ao nível da hotelaria e empreendimentos turísticos, como de todas as restantes atividades do setor do turismo, mas, principalmente, a necessidade de se falar a uma só voz.

Helder Martins, antigo presidente da RTA – Região de Turismo do Algarve, e proprietário do Hotel Rural Quinta do Marco, em Tavira, assume que a situação inédita de grande vulnerabilidade e imprevisibilidade em que o setor turístico se encontra, e em especial os empresários da hotelaria e restauração, o motivou a avançar com esta candidatura.

O candidato, em declarações ao Publituris, aponta que os principais desafios da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve neste momento, passam por questões ligadas aos recursos humanos, fiscais, estruturais, “problemas que já vinham de trás”, a acrescentar “como enfrentar, superar e sair desta crise”.

O importante, segundo Helder Martins, é “como nos vamos apresentar aos nossos clientes no futuro, sendo certo que os concorrentes do Algarve vão estar com campanhas muito agressivas, com muito dinheiro por trás a promover os seus destinos, e sabemos todos, e não temos pejo em o dizer, que o Algarve não tem orçamentos muito dignos para essa situação”.

A união é uma das bandeiras da candidatura de Helder Martins. “Foi com esses propósitos que aceitei candidatar-me”, referiu, para acrescentar que “se não estivermos no mesmo barco, se não remarmos todos na mesma direção, é evidente que se torna mais difícil. Quem conhece as fragilidades do setor vai explorá-las e quem sofre com isso é o Algarve. Por isso, todos têm de trabalhar na mesma direção”.

O candidato à presidência da AHETA recorda que o Algarve estava a caminhar para uma recuperação “fantástica, quando cai tudo aos pés com a pandemia, e depois, cada um teve a sua maneira de reagir perante o processo. Quem estava melhor organizado conseguiu sobreviver”, disse.

E organizar a AHETA é objetivo desta candidatura, ouvir todos os parceiros públicos e privados, mas também ser ouvidos. “Se for essa a vontade dos associados, a AHETA irá bater à porta dessas pessoas e instituições e dizer que estamos aqui, queremos e exigimos ser parceiros, exigimos ser ouvidos, e também daremos o nosso contributo pela positiva e pela resolução dos problemas do Algarve. É esse papel importante que a AHETA já teve, que hoje não tem, mas espero que volte a ter”, destacou Helder Martins, frisando que a Associação “tem quer ter uma participação ativa nas políticas nacionais de turismo, sendo inconcebível que não seja vice-presidente da CTP, porque o atual presidente, que está demissionário, foi-se afastando desses órgãos todos”.

*Esta entrevista pode ser lida na íntegra na próxima edição do Publituris no dia 07 de janeiro.

Sobre o autorCarolina Morgado

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10 tendências das viagens para 2022

O IPDT – Turismo e Consultoria reuniu, para a edição 65.ª edição do Barómetro do Turismo IPDT, um conjunto de 10 tendências que vão impactar o setor das viagens em 2022.

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Após um ano de 2021 onde os avanços e recuos da atividade turística foram constantes, motivados pelo surgimento de novas variantes da COVID-19, as empresas e os destinos encaram a vacinação da população mundial – dinamizada este ano – como uma importante alavanca para que o setor das viagens possa retomar a normalidade.

2022 é, pois, apontado, pela maioria dos organismos da especialidade, como o ano da retoma do turismo internacional. É expectável que os resultados de 2022 ainda não alcancem os números pré-pandemia, mas dever-se-á sentir um crescimento relevante face a 2021.

O IPDT – Turismo e Consultoria reuniu um conjunto de 10 tendências que irão impactar o setor do turismo e das viagens em 2022. Conheça-as aqui:

TENDÊNCIA 1
Testes à COVID-19 integram a check-list da viagem
Os turistas vão estar mais predispostos à realização de testes à COVID-19 para poder viajar e/ou fruir de experiências e atividades de forma mais livre e segura. Testes PCR, antigénio ou autotestes vão fazer parte da check-list do viajante, estando este mais disponível para os efetuar com frequência. Para o turista, o teste será considerado um elemento rotineiro para que possa fruir na plenitude da viagem.

Sobretudo quando o turista integra grupos com outros agregados familiares (que desconhece), a testagem no início da viagem/atividade deverá ser um requisito valorizado pelos participantes. Esta prática poderá ser ainda mais valorizada nos momentos das refeições quando, por norma, se encontram mais expostos.

TENDÊNCIA 2
Gestão da pandemia determina o destino
No primeiro trimestre 2021, o mundo viveu um dos momentos mais marcantes da sua história, com imagens de hospitais lotados com filas de ambulâncias à entrada, motivado por um elevado número de casos de COVID-19. A forma como os países souberam, ao longo destes últimos 2 anos, gerir a crise sanitária, garantindo a segurança das pessoas – residentes e visitantes, é muito decisiva para o processo de escolha do próximo destino de férias.

O sucesso do processo de vacinação em Portugal – que foi notícia em todo o mundo – é um elemento crucial para posicionar, hoje, o nosso país no top of mind dos consumidores, reconhecendo-o como um destino seguro. Num momento em que o turismo internacional retoma a sua atividade de forma gradual, mas em que as dúvidas quanto às novas variantes são muitas, a forma como o destino gere (e geriu) a pandemia é um fator chave para a decisão do turista.

TENDÊNCIA 3
Continuar à descoberta do próprio país
Esta é uma tendência que veio para ficar. Um dos pontos positivos da pandemia, que permitiu dar a conhecer aos turistas tesouros – até então – pouco explorados.

Em 2022 o número de viagens internacionais deverá aumentar, contudo os turistas vão continuar a optar por realizar mais viagens pelo país, de forma a descobri-lo, quer de carro, de mota, ou autocaravana. As escapadinhas de 2/3 dias devem ser mais frequentes ao longo do ano.

Um elemento a considerar pelas empresas do turismo são os 10 fins de semana prolongados e/ou com possibilidade de ponte que o ano de 2022 terá.

TENDÊNCIA 4
Viagens internacionais mais planeadas
Enquanto no passado muitas viagens internacionais eram marcadas de forma espontânea, por vezes aproveitando promoções last minute, em 2022 esse impulso deve ser substituído por um processo de maior planeamento da viagem, considerando outros elementos como o processo de entrada no país ou o procedimento a adotar na eventualidade de testar positivo à COVID-19 no destino. Além do tradicional roteiro de visita, o turista deve munir-se de um conjunto amplo de informação (ex: contactos das embaixadas ou hospitais), antes de marcar a viagem.

O turista deverá, contudo, manter o lead time da reserva mais próximo da data da partida, porém quando fizer a reserva já terá feito o planeamento mais detalhado da viagem.

Os seguros de viagem devem ser – cada vez mais – uma opção válida para os turistas, que encontram nesse mecanismo um fator adicional de segurança.

TENDÊNCIA 5
‘Friendscation’
Os últimos dois anos privaram-nos do contacto e dos momentos em família e com amigos. Em 2022, as viagens entre amigos ou em família deverão ser uma tendência a considerar pelos destinos e empresas turísticas. Estes momentos pretendem aproximar os laços familiares e/ou de amizade, pelo que as atividades procuradas podem assumir diferentes tipologias desde mais aventureiras na natureza, a momentos culturais, dependendo do grupo em questão.

Ainda assim, as atividades na natureza que promovam a adrenalina devem ser muito procuradas pelos turistas em 2022, nomeadamente pelos grupos de amigos.

Para muitos esta será a primeira viagem pós-pandemia, pelo que as expectativas serão elevadas: assim – sempre que possível – a personalização da experiência deverá ser considerada, de forma a elevar o grau de satisfação do grupo.

TENDÊNCIA 6
É tempo para as GOAT
Uma das tendências de 2022 deverão ser, mesmo, as GOAT – “Greatest of All Trips”.

Se por um lado, as restrições de viagens que sentimos nestes últimos 2 anos, despertaram a vontade de viajar e “concretizar sonhos”, por outro as poupanças familiares – em muitos agregados – aumentaram fruto do menor consumo, fatores que proporcionam uma maior abertura para a realização das GOAT.

Os influencers digitais têm um papel cada vez mais determinante nas viagens. São cada vez mais o número de influencers que organizam, comercializam viagens e acompanham-nas, proporcionando uma experiência de maior proximidade com os seus seguidores. Muitas dessas viagens são, efetivamente, para “destinos de sonho”. Muitas GOAT, sobretudo as realizadas pelos Millennials, devem ser realizadas com o acompanhamento de influencers.

TENDÊNCIA 7
“Beautification trips”
Viajar para realizar tratamentos de beleza especializados, é uma tendência em evolução para homens e mulheres, de todas as idades, sendo que o número de pessoas que procuram tratamentos de estética (harmonização facial e ‘beautificação’) tem crescido consideravelmente em todo o mundo.

Os turistas viajam para vários países à procura de cirurgias estéticas e tratamentos de beleza. Da rinoplastia e lipoaspiração, a Botox e preenchedores, os destinos e as empresas de saúde e beleza podem aproveitar estas tendências, oferecendo, a um mercado alargado, alternativas muito mais convenientes, seguras e eventualmente mais económicas, para procedimentos de beleza fora do seu país de residência.

Esta tendência justifica-se por várias razões – procura de melhor qualidade, tratamentos não cobertos por seguros, períodos de espera mais curtos, a atração por conhecer um lugar novo e, eventualmente preços mais baixos.

Além disto, quem não deseja voltar de férias rejuvenescido? Uma promessa e uma aposta a não descurar por parte de empresas e destinos.

TENDÊNCIA 8
Viajar com comportamento sustentável
Embora seja um tema sempre presente nos artigos de tendências de viagens, a verdade é que o turista procurará – com mais frequência – viajar de forma responsável, assegurando que a sua viagem tem um impacto ambiental reduzido, privilegiando empresas e destinos que tenham essa atitude incutida e que a demonstrem de forma transparente.

A COP26 foi um momento que impactou a sociedade a nível mundial, sobretudo pela mensagem transmitida: é o momento de implementar medidas concretas, de passar do papel à ação. Como tal, também o turista irá estar mais atento aos comportamentos das empresas e dos destinos. Não basta promover-se como “sustentável”, é crucial que as ações sejam visíveis, e o turista irá validar essa mensagem durante a sua experiência.

Outro tema em crescimento, é a compensação da pegada carbónica. Os turistas procuram optar por atividades e serviços que possibilitem diminuir o impacto da sua viagem, bem como encontrar formas que permitam compensar a sua pegada carbónica (ex: incentivo à plantação de árvores).

TENDÊNCIA 9
Mapa e Telemóvel: check! Estamos preparados para a viagem
Longe vão os tempos em que os turistas viajavam com várias malas, mapas, bilhetes, fotocopias de reservas de alojamento, máquinas fotográficas, GPS… O turista viaja mais “leve” e com menos coisas, uma vez que o seu telemóvel reúne todas as informações e as ferramentas necessárias para a viagem.

O telemóvel é, pois, a principal ferramenta da viagem do turista, que o utiliza para orientar nos destinos, captar fotografias, partilhar a sua experiência nos canais digitais, comprar bilhetes, ler ementas, traduzir informação turística, procurar sugestões de visita no destino e – naturalmente – comunicar. É a partir do telemóvel que a experiência do turista se desenvolve. Assim, é crucial que os destinos e as empresas considerem este comportamento e se adaptem a ele (ex: o turista precisa sempre de bateria, rede e internet no telemóvel).

Outro elemento a considerar é a maior procura por processos automáticos. Sobretudo nos destinos mais urbanos, o turista vai valorizar a presença destes procedimentos que permitem diminuir o tempo de espera (ex: em filas para a compra de bilhetes; ou check-in no alojamento) e lhes assegure mais tempo livre para descobrir o destino.

TENDÊNCIA 10
A afirmação das criptomoedas no turismo
As criptomoedas são solução para cada vez mais pessoas. Se em tempos a dúvida pairava quanto à sua utilização e segurança, essas preocupações parecem já dissipadas e a sociedade está mais atenta a estes movimentos. As transações e os pagamentos com moedas virtuais são mais frequentes e são já várias as empresas do setor do turismo (sobretudo alojamento) que aceitam pagamentos desta forma.

O expectável é que as transações em criptomoedas se tornem cada vez mais regulares e um meio de pagamento rotineiro nos próximos anos.

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“Todo o setor do turismo deu uma enorme lição à economia portuguesa”

Chegado o mês de dezembro, a região da Madeira entra na sua época alta, com o fim de ano a levar, normalmente, muitos viajantes à ilha. 2021 não será exceção, segundo Eduardo Jesus, secretário Regional de Turismo e Cultura da Madeira, que acredita, tal como indica a campanha mais recente, num fim de ano “À Madeirense”.

Victor Jorge

Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) dão conta que a Madeira apresentou, em outubro de 2021, dados equivalentes aos de 2019. O responsável pelo turismo e cultura da Região Autónoma, Eduardo Jesus, acredita que o cenário irá manter-se para o final do ano. Para 2022, admite que “não vale a pena entrar em histerismos e dramatismos” e que há que ter “muita racionalidade nas decisões”.

Que turismo teremos na Madeira neste Ano Novo?
Penso que vamos ter a continuação daquilo que tem sido o turismo durante este ano de 2021. Temos uma presença muito forte no mercado nacional, que passou a ser o mercado com maior expressão no turismo da Madeira. Temos uma operação muito forte com o Reino Unido, contávamos com uma operação igualmente forte com a Alemanha, mas percebemos rapidamente que não vai atingir os níveis que estávamos a aguardar. Depois, teremos ainda os outros mercados, muito dispersos, desde França, mercados de Leste que foram uma grande aposta e que chegaram a valer, no mês de agosto, cerca de 8% do nosso turismo, operações essas que continuaram, mas que se foram reduzindo.

No fundo, vamos ter um pouco de tudo o que temos tido até agora. Essa e a nossa expectativa.

A APM lançou também uma nova campanha promocional exclusiva para plataformas online em 17 mercados internacionais para um Natal e Fim de Ano “À Madeirense”. Que esperanças deposita nessa campanha e que números espera atingir?
Nós temos uma circunstância que mudou com esta nova realidade da pandemia. Começámos a registar as reservas muito mais em cima das viagens, o que faz com que não exista o tal planeamento tradicional de três ou seis meses. O que está a acontecer é que, no início de cada mês, temos uma expectativa do que será a ocupação durante esse mês e a verdade é que nalguns meses essa taxa cresceu mais de 50% até ao final desse mesmo mês. Isso significa que, nesta fase, é muito importante termos uma vaga de comunicação muito forte.

Sentimento de pretensa
E essa nova vaga é no digital?
Sim, tem de ser, porque é o canal que mais facilmente chega a mais pessoas e com maior cobertura, é mais impactante. Esta nova campanha “À Madeirense” sucede a uma que tivemos – “Eu sei onde” – e ainda outra que foi dirigida ao território nacional – “Portugal Tropical”. Isto são tudo momentos em que queremos relembrar e reafirmar o destino Madeira por vários atributos que estão, todos eles, em linha com as competências da nova marca que lançámos em abril.

Ou seja, apelar a uma diferenciação que o próprio destino tem, mas, ao mesmo tempo, a uma inclusão do viajante naquele espaço com um grande sentimento de pretensa.

Experiências, portanto?
Através das experiências e da experimentação, o visitante fica a fazer parte daquele território e mesmo que saia, no seu regresso, leva um pouco do território consigo. É um pouco este compromisso sentimental que andamos a comunicar e a explicar por via da experiência, da vivência no espaço.

E faz o turista regressar?
Exatamente, é a lógica da fidelização. Esse também é um dos objetivos. Esta campanha “À Madeirense” é quase o abrir da porta de cada madeirense para receber as pessoas e para que as pessoas possam se sentir como qualquer um dos locais.

No fundo, é uma campanha para tornar o visitante mais um dos nossos a viver com a mesma intensidade que vivemos este período de festa do Natal e Fim de Ano.

Esta ligação que concretizámos com os EUA virou a página das acessibilidades da Madeira e abre-nos uma possibilidade de trabalhar um mundo novo

Uma aposta nas Américas
De indiscutível importância foi terem ganho um voo direto dos EUA para o Funchal. Este é o primeiro passo para ter mais voos dos EUA para a Madeira?

Nós acreditamos que sim. Em 2020, com a aprovação do orçamento em 2019, já tínhamos alocado uma verba significativa para um mercado diversificado como os EUA e Canadá e o reforço do Brasil. Não foi possível por causa da pandemia, mas surgiu agora esta grande oportunidade.

Esta ligação que concretizámos agora, virou a página das acessibilidades da Madeira e abre-nos uma possibilidade de trabalhar um mundo novo.

Os EUA têm mais de 300 milhões de habitantes, pessoas com gostos muito variados, com apetências muito diferentes, mas onde temos alguns atributos que são bem-vindos como, por exemplo, o vinho Madeira. Só para ter uma ideia da importância desta ligação ao vinho Madeira, promovemos este voo também através dos distribuidores do vinho da Madeira nos EUA e chegámos a milhares e milhares de pessoas também por essa via, complementarmente a toda a companha que foi criada. Mas sim, acreditamos que é uma viragem.

A Madeira já teve uma operação com os EUA nos anos 1970, mas não era voo direto. A TAP tinha uma rota conhecida por “Rota Colombo” que saia dos EUA em direção a Lisboa e em Lisboa distribuía para a Madeira e para a Gran Canária.

E novos mercados emissores?
Estamos com uma aposta, assim que seja permitido na origem, muito grande no Brasil. Gostaríamos de ter uma ligação direta do Brasil, e temos, também, o mercado do Canadá.

Seria ter toda a América do Norte?
Sim, a América do Norte toda e na América do Sul, o Brasil é o que tem mais apetência. É um visitante que gosta da oferta portuguesa e da madeirense em particular. Por isso, para aquele lado do globo, estas constituem as nossas apostas.

No espaço europeu, com a operação que fechámos com a Ryanair, permite-nos acesso a países e cidades muito importantes e às quais não tínhamos ligação direta.

Ficámos muito órfãos das ligações diretas com a decisão da TAP de acabar com elas há alguns anos. Recordo, por exemplo, a ligação direta de Londres para a Madeira, desde 1975, que funcionou sem qualquer interrupção até 2015. Foram 40 anos a voar diretamente de Londres para a Madeira.

Terminar essa rota fez, naturalmente diferença. Com esta operação da Ryanair, vamos ter ligações de Marselha, Milão, Dublin, um conjunto de ligações que são reforçadamente importantes por serem diretas e ligações que ainda não são satisfeitas hoje. Ou seja, interessa-nos muito ter ligações que não canibalizem aquilo que já temos.

Michael O’Leary, CEO da Ryanair, admitiu recentemente que tinha mudado de ideias relativamente à Madeira. O que fez a Ryanair mudar de ideias quanto à Madeira?
Penso que acima de tudo foi um melhor conhecimento da Ryanair relativamente ao destino que, admito, não tenha sido o mais completo em 2016 quando se começou a falar neste processo. Depois houve uma convergência de interesses bastante grande, porque nessa altura (2016) o CEO da Ryanair alertava para as taxas aeroportuárias que se praticavam e praticam no aeroporto da Madeira.

E que continuam elevadas?
Sim, e que continuam, em nosso entender, demasiado altas e têm merecido a nossa parte uma luta sem tréguas para que sejam revistas. Aliás, todo o modelo que está subjacente à concessão dos aeroportos colocou as taxas da Madeira a convergir com as taxas de Lisboa, admitindo-se que iam descer quando o que está a acontecer é as taxas da capital estarem a subir e nós a convergir em alta em vez de convergir em baixa. Isso deita por terra todo o modelo económico da concessão no que diz respeito à Madeira.

Mas a verdade é que a conjugação de esforço, envolvendo o Turismo da Madeira, a Associação de Promoção, o Turismo de Portugal e a própria ANA, permitiu esbater esse efeito das taxas e julgo que se conseguiu um compromisso que foi ao encontro das preocupações de todos.

Há uma concorrência muito diferente, não diria desleal porque não se regem pelas mesmas leis, mas muito desigual por parte de determinados destinos que retiram fluxo turístico à Madeira e Portugal Continental

Do ar para o mar
Mas estamos a falar somente de quem chega à Madeira por via aérea. Há, contudo, um determinado número de turistas que chega por via marítima. Que importância têm os cruzeiros para a Madeira?

Sim, sem dúvida. Têm uma importância fulcral e representam cerca de 600 mil passageiros por ano para a Madeira.

Que expectativas tem relativamente a esse segmento, não só agora para o fim de ano, mas para 2022?
A Madeira tem uma posição estratégica nesta altura do ano, quase indispensável aos armadores que operam no Atlântico. Por isso, existem várias companhias a operar com modelos de exploração que envolvem triangulações com as Canárias, Açores, Norte de África ou sul da Europa. Existem uma série de combinações que permitem um conjunto diferente de operações.

O que digo é que a indústria ainda está refém da pressão pandémica. Tem-se evoluído imenso com vários esquemas de garantia de bem-estar aos passageiros, mas é uma indústria que está à procura de uma solução, embora já esteja organizada. Temos tido paquetes todos os dias na Madeira há dois meses.

E para este fim de ano?
Para este fim de ano temos já 10 paquetes confirmados. A indústria dos cruzeiros está a animar e encontrou no Funchal, por força das medidas implementadas, uma garantia de confiança para os seus passageiros e hoje todo o modelo adotado dá essa confiança. Mas diria que a solução ou as garantias estão mais na dependência da própria indústria do que do destino.

Cabeça vs coração
Teme mais medidas e restrições, que se feche mais?
Tivemos ao longo do tempo oportunidade de ouvir vários especialistas, vozes essas que devem ser amplificadas de forma significativa, porque deve ser a ciência a mandar nesta fase da pandemia e não qualquer outro tipo de decisão baseada no medo. O medo não é boa companhia.

Percebemos, claramente, que estamos a entrar numa fase muito diferente, a sair de uma pandemia para entrar numa endemia e isso significa, provavelmente, um acréscimo de infeções, porque também estamos a testar muito mais, mas que não significa necessariamente cuidados intensivos, mortes.

Este é um paradigma mental que tem de ser operado. Temos de saber viver com esta realidade que perdurará por mais alguns meses. Mas temos de olhar para tudo isto com alguma tranquilidade. Não vale a pena entrar em histerismos e dramatismos e, acima de tudo, repetir medidas de quase desespero, quando não há pressão sobre os cuidados intensivos e quando não há número de mortes que justifique essa mesma preocupação.

Diria que é preciso alguma calma e, acima de tudo, muita racionalidade nas decisões.

Regresso ao futuro
Passando do negativo para o positivo, o INE revelou que a Madeira foi uma das regiões que, em outubro, já apresentou dados equivalentes aos de 2019. Acredita na manutenção desses níveis?
Desde julho que estamos a ter uma performance muito positiva no setor turístico. É preciso não esquecer que a primeira parte do ano foi muito má. Por isso, não é o facto de estarmos bem neste momento que faz recuperar o ano.

Julho cresceu muito relativamente aos meses anteriores, mas em agosto batemos o recorde de proveitos do setor de qualquer mês de agosto da história do turismo na Madeira. Em setembro, voltámos a bater o recorde dos proveitos de alojamento de qualquer mês de setembro de que há memória na Madeira. Em outubro crescemos 5,8% face a 2019, tendo o mercado nacional crescido 78%.

Ou seja, tudo indica que esta consistência no crescimento nos dá confiança relativamente às decisões que tomámos e apostas que fizemos, à forma como estamos a comunicar e que poderá estar a fazer evoluir uma dinâmica que nos leve a acreditar que novembro e dezembro serão meses nesta linha e que vão ajudar, objetivamente, o cenário do turismo na Madeira.

A indústria dos cruzeiros está a animar e encontrou no Funchal (…) uma garantia de confiança para os seus passageiros

Isso anima-o para o próximo ano?
Sim, claramente, se bem que temos consciência que 2022, com a solução da endemia e alguma tranquilidade que daí virá, também os nossos concorrentes mais diretos acordarão. E são concorrentes com práticas que nós na União Europeia não estamos autorizados a praticar. Por isso há uma concorrência muito diferente, não diria desleal porque não se regem pelas mesmas leis, mas muito desigual por parte de determinados destinos que retiram fluxo turístico à Madeira e Portugal Continental. Praticamente pagam para ter turismo e isso vai ter consequências.

E como se combate? O que vai fazer a Madeira?
O que temos vindo fazer. Penso que o grande desafio que qualquer destino possui neste momento não é só a gestão tática que passou a ser o dia-a-dia, mas, acima de tudo, criar condições para que a dinâmica da atividade se possa projetar para a frente. E isso, no fundo, significa, boas parcerias com as acessibilidades, com as companhias, boas parcerias com os operadores que fazem a distribuição e um enorme reforço da notoriedade do destino junto daqueles que decidem individualmente.

Perante esta realidade, desafios, incertezas, uma estratégia é desenhada a quanto tempo?
Quando definimos uma estratégia temos sempre uma expectativa de cinco anos. Nessa estratégia definimos, fundamentalmente, a nossa visão estratégica e, acima de tudo, a assunção do que é o nosso posicionamento.

Devo dizer-lhe que estamos, neste momento, na discussão para 2022-2027, porque terminámos agora 2017-2021, e posso garantir-lhe que a nossa visão e o nosso posicionamento não se alteram rigorosamente nada em relação ao que pensámos anteriormente.

O fundamental é ter flexibilidade e adaptabilidade, é ter capacidade de reação ao dia. Montamos operações à semana que anteriormente demoravam seis meses a um ano, infletimos relativamente às apostas semana para semana, reforçamos orçamento rapidamente, apostamos e acreditamos em quem quer trabalhar connosco. É esta agilidade que tem de tomar conta do decisor.

Uma agilidade que não existia?
Penso que existia, estava era adormecida porque não era necessária. Todo o setor do turismo deu uma enorme lição à economia portuguesa na grande capacidade que teve de se adaptar a todos os momentos e oportunidades e agarrou-os muito bem. E foram muitos.

O setor do turismo resistiu porque acreditou sempre que essas decisões do dia-a-dia eram capazes de deixar alguma coisa. Esse natural inconformismo e essa saudável teimosia e querer vencer, foi o que mais caracterizou este setor e é determinante para os anos que aí vêm.

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TAP, Portugália e Cateringpor em ‘situação económica difícil’ até 31 de dezembro de 2022

Em está desde janeiro deste ano, esta medida é considerada “instrumental” para o futuro da TAP e poderá ir até ao final do ano de 2024.

Renato Leite

A renovação por mais um ano, até 31 de dezembro de 2022, da declaração da TAP, Portugália e Cateringpor em situação económica difícil foi publicada esta quarta-feira, 29 de dezembro, permitindo reduzir condições de trabalho e suspender instrumentos de regulamentação coletiva.

No diploma, o executivo argumenta que” o estatuto de empresa em situação económica difícil vai permitir à TAP manter postos de trabalho, que em outras circunstâncias deixariam de poder ser suportados, num contexto em que os concorrentes estão a implementar agressivos programas de restruturação e de redução de custos, preparando-se para um período de acrescida intensidade competitiva”.

A Resolução n.º 185/2021 do Conselho de Ministros publicada prolonga para 2022 a declaração das empresas em situação económica difícil, que está em vigor desde janeiro deste ano, considerando tratar-se de uma medida que, até ao final do ano de 2024, é instrumental para o futuro da TAP, contribuindo para a sua sobrevivência e sustentabilidade através de poupanças de custos e reduzindo as necessidades de caixa, bem como as necessidades de apoio à TAP por parte do Estado Português.

No diploma publicado em janeiro deste ano, que declarou as empresas em situação económica difícil, o executivo tinha determinado que a TAP, a Portugália e a Cateringpor iriam dar início, no primeiro trimestre de 2021, ao processo negocial para a revisão dos instrumentos de regulamentação coletiva de trabalho, na sequência da apresentação das linhas gerais do plano de reestruturação aos sindicatos, adaptando aqueles instrumentos à nova realidade competitiva das empresas e do setor.

No diploma agora publicado, esta determinação é também prolongada, definindo agora que aquele processo negocial aconteça “durante o primeiro semestre de 2022”.

Recorde-se que recentemente, o ministro das Finanças, João Leão, anunciou uma injeção de cerca de 530 milhões de euros para a TAP, depois de Bruxelas ter dado ‘luz verde’ ao plano de reestruturação da transportadora.

Na mesma semana, o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, esclareceu que os apoios à TAP vão atingir o limite de 3.200 milhões de euros, devido a valores já pagos e outros a aprovar.

Sobre o autorRenato Leite

Renato Leite

Managing Director da Global Blue em Portugal
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