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APAVT: Sector está de parabéns mas ainda existem problemas por resolver

A transposição da Nova Directiva Europeia dos Pacotes Turísticos e as desigualdades fiscais marcaram o discurso de Pedro Costa Ferreira na abertura do 42ª Congresso Nacional da APAVT.

Carina Monteiro
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APAVT: Sector está de parabéns mas ainda existem problemas por resolver

A transposição da Nova Directiva Europeia dos Pacotes Turísticos e as desigualdades fiscais marcaram o discurso de Pedro Costa Ferreira na abertura do 42ª Congresso Nacional da APAVT.

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O presidente da Associação Portuguesa de Agências de Viagens e Turismo (APAVT), Pedro Costa Ferreira, afirmou esta quinta-feira, dia 8 de Dezembro, que apesar do sector atravessar um momento de “óbvia dinâmica positiva”, nem por isso deixa de estar em aberto “dossiers fundamentais para o nosso futuro, bem como problemas cruciais que continuam a afectar o nosso presente”. O responsável, que discursava na cerimónia de abertura do 42ª Congresso Nacional da APAVT, que decorre em Aveiro, referia-se à transposição da Nova Directiva Europeia dos Pacotes Turísticos e à fiscalidade aplicada aos eventos em Portugal.
Começando pela Directiva e, com a secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho,  na plateia, Pedro Costa Ferreira garantiu que “os trabalhos de transposição da directiva prosseguem de acordo com a agenda estabelecida entre nós. O próximo ano conhecerá a evolução mais decisiva deste processo, com a elaboração do texto jurídico em concreto que representará a transposição efectiva da directiva”.
A este respeito, o responsável comparou a actual situação portuguesa com os restantes países europeus: “Não conheço nenhum país europeu onde tenha já sido entregue uma proposta conjunta, da associação do sector e da associação de defesa dos consumidores, como aconteceu em Portugal”.
Pedro Costa Ferreira enumerou ainda dois pontos “cruciais” e “determinantes” para o desfecho do processo: “Em primeiro lugar, é fundamental que o mecanismo de garantia financeira permaneça inalterado. Por um lado, o Fundo de Garantia das agências de viagens está bem e recomenda-se, aproximando-se, contra ventos e marés, dos 4 milhões de euros.  Por outro lado, o sector uma vez mais, deu demonstração cabal da sua proactividade e coerência, produzindo desde já um seguro que responde tecnicamente às exigências da nova directiva. Em segundo lugar, «fora de cena quem não é de cena». As viagens profissionais não são objecto de defesa por parte do legislador europeu, logo não poderão ser objecto de defesa no âmbito do direito português.”
Já quanto à fiscalidade que, segundo o responsável, penaliza o sector do incoming, Pedro Costa Ferreira voltou a questionar o IVA a 23% nos eventos. “Não encontramos uma explicação para que se mantenha a possibilidade de tantos países europeus organizarem eventos, no âmbito do MICE, 23 % mais baratos que em Portugal.”
Pedro Costa Ferreira afirmou que a APAVT está a ultimar “uma série de propostas, no âmbito jurídico, para entregar a Secretaria de Estado do Turismo e lembrou, também que este assunto “não é um assunto do sector do incoming das agências de viagens, é um assunto que diz respeito ao País”.
Nesse âmbito, fez um apelo ao presidente da nossa Confederação do Turismo Português, Francisco Calheiros, que também estava na plateia: “Tome nas suas mãos, em definitivo, um assunto que é vital, não para um dos seus associados, a APAVT, mas para todos os seus associados, para todo o sector turístico do nosso País”.
O congresso da APAVT termina no Domingo, dia 11 de Dezembro. De acordo com Pedro Costa Ferreira, o congresso ficará na história recente como o congresso que maior adesão provocou por parte do sector. “Seria preciso recuar 15 anos, a 2001 e à liderança do nosso colega João Pombo, que reencontro hoje com grande satisfação, para nos depararmos com um congresso tão concorrido e com tanta representatividade”.

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United Airlines lança voos diários entre Ponta Delgada e Nova Iorque no verão de 2022

Operação da United Airlines para os Açores vai decorrer entre maio e final de setembro, e arranca com três voos por semana, passando a ligações diárias entre junho e agosto.

Publituris

A United Airlines anunciou esta quinta-feira, 14 de outubro, que vai passar a oferecer voos diários entre Ponta Delgada, em São Miguel, Açores, e o aeroporto de Nova Iorque/Newark, nos EUA, no verão do próximo ano, numa operação com voos diários, que arranca a 13 de maio e decorre até final de setembro.

De acordo com um comunicado da companhia aérea norte-americana, a rota para Ponta Delgada é uma das novidades que a United Airlines anunciou esta quinta-feira e que contemplam 10 novas ligações e cinco novos destinos, naquela que é a “maior expansão transatlântica da United na sua história”.

Os voos para Ponta Delgada arrancam a 13 de maio de 2022, em aviões Boeing 737 MAX 8, com 16 lugares em classe business, 54 em economy plus e 96 em económica, e a saída de Nova Iorque/Newark decorre pelas 22h55, enquanto a chegada está prevista para as 08h40 (+1). Em sentido contrário o primeiro voo decorre a 14 de maio, com partida da capital micaelense às 10h45 e chegada aos EUA pelas 12h55, sempre em horários locais.

Os voos vão ser operados até final de setembro, com a última ligação desde Nova Iorque/Newark a decorrer no dia 28, enquanto o último voo à partida de Ponta Delgada está previsto para 29 de setembro.

No entanto, os voos não são diários ao longo de toda a temporada, já que, entre 13 de maio e 3 de junho, bem como entre 6 e 28 de setembro, os voos desde Nova Iorque/Newark decorrem três vezes por semana, tal como acontece em sentido contrário, entre 14 de maio e 4 de junho, e de 7 a 29 de setembro.

De acordo com o comunicado da companhia aérea, a nova rota para Ponta Delgada junta-se aos voos que a United Airlines já oferecia para território nacional e que a tornam na companhia aérea com maior número de voos entre os EUA e Portugal, já que a transportadora conta com voos diários entre Lisboa e Nova Iorque/Newark e opera um serviço sazonal entre o Porto e Nova Iorque/Newark, assim como de Lisboa para Washington Dulles, cujos voos vão ser retomados em 2022.

“Sendo a única companhia aérea dos EUA a ligar os Açores à área metropolitana de Nova Iorque, o novo voo reforça a nossa rede de rotas internacionais e oferece aos nossos clientes de Portugal uma maior escolha de viagens e ligações com uma única escala através do nosso hub de Nova Iorque/Newark para outros destinos nas Américas”, destaca Marcel Fuchs, diretor executivo internacional de vendas  da United.

Além da nova rota para os Açores, a United Airlines anunciou também novos voos para Amã, Jordânia; Bergen, Noruega; Maiorca, nas Ilhas Baleares; e Tenerife, nas Ilhas Canárias, ambas em Espanha.

“Todas as novas rotas, cujo início está programado para a primavera de 2022, não são realizadas por qualquer outra transportadora da América do Norte”, acrescenta a United Airlines, que anunciou ainda o reforço de voos para Berlim, Dublin, Milão, Munique e Roma, assim como o regresso das ligações para Bangalore, Frankfurt, Aeroporto de Haneda em Tóquio, Nice e Zurique, que tinham sido interrompidas devido à pandemia.

Todas as rotas, incluindo os voos entre Ponta Delgada e Nova Iorque/Newark, estão ainda sujeitas a aprovação governamental.

 

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Turismo espacial e subaquático: Da promessa à realidade em dois anos

A Les Roches Marbella voltou a ser palco, entre 22 e 24 de setembro, do debate sobre o turismo espacial e subaquático, dois produtos que passaram de promessa a realidade em apenas dois anos e que prometem revolucionar o futuro do turismo.

Inês de Matos

A Les Roches Marbella voltou a ser palco, entre 22 e 24 de setembro, do debate sobre o turismo espacial e subaquático, dois produtos que passaram de promessa a realidade em apenas dois anos e que prometem revolucionar o futuro do turismo.

Há dois anos, quando a Les Roches Marbella organizou a primeira edição da SUTUS – Space & Underwater Tourism Universal Summit, a cimeira dedicada ao turismo espacial e subaquático, tanto o espaço como o fundo do mar continuavam a ser mundos inexplorados e praticamente inacessíveis. Hoje, dois anos depois e com uma pandemia pelo meio, muita coisa mudou e aquilo que era apenas uma promessa, é agora uma realidade, como foi possível comprovar na mais recente edição desta cimeira, que voltou a decorrer nas instalações da Les Roches Marbella, em Espanha, entre 22 e 24 de setembro, e que reuniu, mais uma vez, cientistas, especialistas e representantes de empresas que estão a tornar possível fazer do espaço e do fundo do mar os próximos grandes destinos turísticos.
É que, nos dois anos que mediaram a primeira e segunda edição da SUTUS, os voos espaciais com fins turísticos tornaram-se uma realidade, com o início das viagens privadas da Virgin Galactic, Blue Origin e Space X, enquanto a oferta de submarinos para passeios ao fundo do mar conheceu um crescimento sem precedentes.
Ao Publituris, Carlos Diaz de La Lastra, diretor-geral da Les Roches Marbella, explicou que, mais que os avanços dos dois últimos anos, a segunda edição da SUTUS pretendeu mostrar que, além das empresas mais mediáticas, há muito trabalho a ser feito para tornar o espaço e o fundo do mar nas novas fronteiras do turismo, como indica o tema da cimeira “Turismo além das fronteiras naturais”. “O nosso compromisso com a SUTUS era fazer o encontro mais importante de turismo espacial em Espanha. Isso não estava relacionado com o momento da indústria, mas porque queríamos debater as duas facetas do turismo que nos faltavam explorar e que tinham de fazer uma evolução”, resumiu o responsável, explicando que “as pessoas apenas conhecem esses dois ou três projetos que já são realidade – a Space X, a Blue Origin e a Virgin Galactic. Mas, a verdade é que é mais provável que tenhamos a oportunidade de ir ao espaço ou ao fundo do mar com outros projetos mais económicos “.
A segunda edição da SUTUS contou com a participação de 26 empresas e das principais agências espaciais internacionais, como a russa, a americana, a europeia, a chinesa, a indiana ou a japonesa, uma vez que, acrescentou o responsável, o objetivo era ter, nesta edição, “representado todo o leque de projetos que existem nestas áreas e mais agências espaciais”, de forma a fazer da SUTUS “a melhor montra para as empresas que também têm projetos espaciais e subaquáticos mas não são tão conhecidas”.

Muito mais que uma moda

”” Simon Jenner, Axiom Space

Se há dois anos o turismo espacial era apenas uma promessa, atualmente já é possível viajar até ao espaço por motivos de lazer, uma vez que, em julho, o milionário britânico que é dono da Virgin Galactic, Richard Branson, inaugurou as viagens espaciais com fins turísticos. Em poucos dias, também Jeff Bezos, da Blue Origin, viajou até à órbita da terra e, mais recentemente, foi a vez da empresa de Elon Musk, a Space X, se lançar nas viagens espaciais com astronautas privados. Estava dado o pontapé de saída na corrida a um tipo de turismo que, até há poucos meses, não passava de uma miragem, mas que tem tudo para mudar para sempre o conceito de turismo que conhecemos, até porque a oferta tem vindo a crescer e conta, hoje, com muitos outros intervenientes, alguns dos quais marcaram presença na SUTUS 2021 que, decorreu em formato híbrido, com debate presencial no primeiro dia e online a 23 e 24 de setembro.
Logo no dia inaugural, no qual o Publituris esteve presente, ficou bem patente que o turismo espacial está a crescer, assim como a procura que, segundo Simon Jenner, Spaceflight Business Development da Axiom Space – empresa que está a construir a nova Estação Espacial Internacional, que deverá estar operacional em 2028, e que se prepara para entrar também na corrida aos voos privados ao espaço, tendo já a primeira missão à atual Estação Espacial Internacional agendada para janeiro do próximo ano-, “está a aumentar e há muitas pessoas interessadas”.
Para Simon Jenner, o turismo espacial é mais do que uma moda e os últimos desenvolvimentos vieram provar que é possível tornar o espaço no próximogrande destino turístico. “O turismo espacial não é uma moda. Se é uma moda, é uma moda que está a crescer. Há muitas décadas que se está a trabalhar para tornar possíveis os voos espaciais privados e, agora, estamos a atingir um ponto de inflexão”, congratulou-se o responsável ao Publituris, mostrando-se convencido de que o turismo espacial “é algo que veio para ficar”.
Além do exemplo da Axiom Space, também Bernard Foing, diretor do projeto “Euro Moon Mars”, da Agência Espacial Europeia, marcou presença no primeiro dia da SUTUS 2021 e deu conta dos mais recentes desenvolvimentos no projeto “Moon Village”, que pretende colonizar a lua. No mesmo projeto, está envolvido também Marc Heemskerk, que apresentou os habitats lunares ‘Chill-Ice’, que estão a ser criados para tornar possível a colonização da lua e, quem sabe, também de Marte, numa experiência que será fundamental para desenvolver o conceito de turismo espacial, mas que, segundo o responsável, apresenta ainda lacunas, nomeadamente ao nível do conforto. “Se queremos fazer crescer o turismo espacial, temos de aumentar o conforto destes habitats”, afirmou, comparando os habitats atuais a laboratórios científicos.

Obstáculos ao turismo espacial

”” Marc Heemskerk, habitats Chill-Ice

Tal como Marc Heemskerk, também Simon Jenner concorda que o conforto é um dos obstáculos que se colocam ao turismo espacial e dá o exemplo da atual Estação Espacial Internacional, que “é perfeita enquanto laboratório, mas não é um lugar incrível para dormir”. “Estamos a construir uma estação espacial para ser confortável”, sublinhou, explicando que os módulos habitacionais da nova estação espacial foram projetados pelo designer Philippe Starck e vão oferecer todo o “conforto e luxo”, além de contarem todos com janelas com vista para a Terra, já que a imagem do planeta visto do espaço é, a par da ausência de gravidade, uma das principais atrações das viagens espaciais.
O conforto é, tal como o preço, um dos obstáculos que se colocam ao turismo espacial, mas, tal como a questão do conforto já está a ser trabalhada, também a descida do preço será uma questão de tempo, com Simon Jenner a explicar que, “como em qualquer outro produto tecnológico, como os telemóveis, por exemplo, o arranque é sempre dispendioso”, mas espera-se que o preço venha descer à medida que aumente a oferta. “Precisamos de desenvolver mais a tecnologia e precisamos de maior concorrência ao nível do lançamento dos foguetões para reduzir os custos”, indicou, defendendo, no entanto, que uma viagem espacial nunca será tão barata quanto uma viagem de avião, ainda que o preço possa descer ao ponto de atrair muito mais interessados. Em quantas décadas poderá isso acontecer? Isso é que “é mais complicado de adivinhar”, disse, sublinhando, no entanto, que será tudo uma questão de tempo e que, há 12 meses, por exemplo, ninguém esperava que, hoje, as viagens espaciais já fossem uma realidade.
No que diz respeito à Axiom Space, Simon Jenner garante que, se a procura continuar a crescer, a empresa vai aumentar o número de missões – atualmente estão previstas duas por ano a partir de 2022 – ainda que isso também esteja dependente da possibilidade de acoplar na Estação Espacial Internacional, o que está limitado com as atuais instalações, mas que deverá mudar com o lançamento da estação da Axiom Space, em 2028.

Democratizar o fundo dos oceanos

”” Scott Waters, Pisces VI

Se a parte da manhã do primeiro dia da SUTUS 2021 foi dedicada ao espaço, na parte da tarde mergulhámos no que de mais inovador se está a fazer para levar turistas a conhecer os cerca de 70% da Terra que ainda são desconhecidos e que ficam no fundo dos oceanos.
Scott Waters, project manager do submarino Pisces VI, que já tinha participado na primeira edição da SUTUS, em 2019, regressou a Marbella para dar conta dos novos projetos em que o submarino está envolvido. É que, a par do turismo espacial e apesar de ser menos mediático, também o turismo subaquático tem conhecido um grande desenvolvimento, com o surgimento de veículos subaquáticos com diferentes capacidades e capazes de mergulhar a cada vez maiores profundidades, como é o caso do Pisces VI, que pode descer até aos dois mil metros de profundidade e tem capacidade para quatro passageiros.
E se, há dois anos, Scott Waters dizia que a procura turística era ainda residual, uma vez que estes submarinos continuavam a ser procurados por motivos científicos, a realidade é que também nesta área a motivação turística está a aumentar, de tal forma que o próprio Scott Waters se mudou para as Canárias e está atualmente envolvido numa série de projetos que visam levar turistas a conhecer o fundo do oceano. “Estamos a trabalhar em alguns projetos interessantes nas Canárias. Espero que, no próximo ano, tenha mais novidades, mas posso dizer que vai ser possível conhecer melhor a nossa história”, adiantou o responsável, explicando que as Canárias, por ser um arquipélago de origem vulcânica, contam com atrações que fazem destas ilhas um autêntico ‘hotspot’ subaquático.
Além das Canárias, os submarinos da Pisces têm várias missões agendadas até 2023, incluindo Mar Vermelho, Peru e Antártica, com preços que variam entre os dois e os seis mil euros. “O turismo espacial e subaquático continua a ser caro”, lamentou o responsável.
Além da Pisces, várias outras empresas estão a trabalhar para levar turistas a conhecer o fundo dos oceanos, como a Triton Submarines, que conta com 23 submarinos e está a construir veículos de maiores dimensões, até 60 pessoas, que prometem democratizar as viagens subaquáticas. “Este tipo de oferta vai revolucionar o turismo e a nossa forma de nos relacionarmos com o oceano”, explicou ao Publituris Héctor Salvador, operations director da Triton Submarines e que foi um dos primeiros humanos a ir até ao fundo da fossa das Marianas, em abril. De acordo com o responsável, a oferta “está a crescer”, de tal forma que já “se começa a perceber o potencial do turismo subaquático”. “Muitos países têm um grande potencial. A história marítima de Portugal e Espanha, por exemplo, é vasta e tem navios espalhados por todo o mundo, há também recifes de coral e criaturas marinhas que as pessoas querem ver. Por enquanto, isto está a ser apenas explorado à superfície, mas, quando as pessoas mergulharem e se derem conta do que podem ver, vai haver uma maior aposta neste turismo, sobretudo nas regiões que não têm outros atrativos”, defendeu.

Potencial e vantagens do turismo subaquático

”” Héctor Salvador, Triton Submarines

Com o crescimento da oferta, também a procura turística tem aumentado, com Héctor Salvador a explicar que, a cada ano, “a maior percentagem vem de clientes privados, para uso privado ou charter de megayachts”, ainda que, recentemente, se tenha notado que “está a começar a existir também procura por submarinos 100% turísticos, de maiores dimensões e com mais de 20 passageiros”. Segundo o responsável, estes submarinos registam procura por parte de hotéis de luxo, que olham para estes veículos como forma de oferecer um produto diferenciado. “Penso que isto vai ser um elemento muito atrativo para os hotéis que queiram oferecer uma experiência única aos clientes, algo que mais ninguém oferece”, indicou, revelando que a Triton Submarines já entregou o primeiros destes submarinos maiores a um complexo hoteleiro no sudeste asiático, que “viu no submarino um elemento diferenciador para vencer a concorrência”, uma vez que “apenas os hóspedes desse hotel têm a oportunidade de fazer uma viagem de submarino e ter esta experiência”.
Além de única, Héctor Salvador espera que os turistas que visitam o fundo do mar tenham também uma experiência pedagógica, já que este tipo de turismo permite “educar as próximas gerações sobre a importância do oceano”. “Espero que esta seja uma experiência educativa e que as pessoas deixem de ter aquários e passem a viajar de submarino para ver a vida marinha no seu habitat e tenham consciência de todo o ecossistema. Quando mergulhamos, é espetacular ver como numa rocha vivem 20 espécies de peixes, como se relacionam e o equilíbrio que existe. Só assim percebemos o frágil que é esse equilíbrio e como o ser humano, por desconhecimento, o está a destruir”, indicou.
Outra vantagem do turismo subaquático é a geração de riqueza para as comunidades locais, algo em que este produto se diferencia do turismo espacial, uma vez que, explicou o responsável, o turismo subaquático “é capaz de gerar riqueza local para as comunidades, enquanto o turismo espacial só tem cinco pontos de lançamento em todo o mundo”.
O principal problema continua, tal como nas viagens ao espaço, a ser o preço, ainda que, também nesta área, esteja em curso uma democratização do acesso ao fundo do mar. “Tudo é uma questão de exclusividade e quanto mais oferta houver, mais acessível se vai tornar este tipo de turismo”, disse, explicando que tudo depende do tipo de mergulho, porque “baixar a pouca profundidade, num submarino de 24 ou 60 lugares, é muito acessível”, enquanto um mergulho à fossa das Marianas, a 10 mil metros de profundidade, tem preços mais elevados. “Estamos a falar de preços de 50 ou 60 euros para viagens de uma hora, o que é comparável a muitas das experiências turísticas que podemos ter atualmente”, exemplificou, considerando que “as operações costeiras, a pouca profundidade e com um grande número de passageiros, é algo que será muito acessível”.
Para convencer os mais receosos, Héctor Salvador garante que “o submarino é o meio de transporte mais seguro que existe” e realça que esta é uma “experiência que transforma qualquer pessoa”, porque ninguém resiste aos encantos que o fundo do mar esconde.

Balanço positivo deverá ditar continuidade da SUTUS
No final do primeiro dia da SUTUS 2021, Carlos Diaz de La Lastra mostrava-se satisfeito com a organização da segunda edição da cimeira dedicada ao turismo espacial e subaquático e, apesar da pandemia da COVID-19 – que levou a que esta edição estivesse em dúvida até seis meses antes da sua realização – ter reduzido a assistência presencial do evento, o balanço foi claramente positivo. “Há seis meses não sabíamos se conseguíamos fazer a SUTUS. Nessa altura, era impossível fazer esta edição, porque não poderíamos ter aqui pessoas da NASA ou de outras agências e nacionalidades, mas decidimos ser valentes e tentar. E tivemos muita sorte porque nos últimos meses a situação melhorou muito e estamos muito contentes por estamos aqui”, admitiu o responsável.
Por isso, acrescentou em declarações ao Publituris, a Les Roches Marbella está já a ponderar a realização da terceira edição. “Ainda estamos a pensar nisso, mas aquilo que queremos é ter, a cada ano, uma edição da SUTUS”, admitiu, explicando que, apesar da continuidade não estar decidida, a organização pretende apostar na “diversidade” e ter “toda a área representada” na próxima edição. “Ainda há muito por explorar e muito para mostrar sobre o que se está a fazer nestas fronteiras do turismo”, acrescentou.

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Delta Air Lines retoma voos entre Lisboa e Boston no verão de 2022

No verão de 2022, a Delta Air Lines vai operar até 160 voos diários sem escalas para 55 destinos, o que corresponde a um aumento de mais de 20% na capacidade face a outubro de 2019.

Inês de Matos

A Delta Air Lines vai retomar, no verão do próximo ano, os voos entre Lisboa e Boston, que eram operados antes da pandemia da COVID-19, informou a companhia aérea norte-americana em comunicado, sem adiantar, no entanto, mais pormenores sobre a operação.

O regresso dos voos de Lisboa é uma das novidades anunciadas pela Delta Air Lines esta terça-feira, 12 de outubro, para o próximo verão, para o qual estão também previstas cinco novas rotas, assim como o regresso de outros tantos destinos, sendo que, além de Lisboa, a companhia aérea norte-americana vai também retomar a operação para Dublin, Edimburgo, Londres e Paris.

No total, no próximo verão, a Delta Air Lines vai operar até 160 voos diários sem escalas para 55 destinos, o que corresponde a um aumento de mais de 20% na capacidade face a outubro de 2019, que tinha sido o mês com maior capacidade disponibilizada pela transportadora.

Entre as novas rotas, o destaque vai para os voos para Telavive, em Israel, e Atenas, na Grécia, que passam a contar com voos da transportadora norte-americana desde Boston a partir de 26 e 27 de maio de 2022, respetivamente, ambos com três ligações por semana.

De acordo com o comunicado da companhia aérea, os voos de Atenas e Telavive vão complementar a oferta que a companhia já disponibiliza para Roma e Amesterdão, assim como o regresso dos voos para Lisboa, Dublin, Edimburgo, Londres e Paris.

No próximo verão, a Delta Air Lines vai também manter os voos entre Boston e Cancun, no México, e, este inverno, conta com voos adicionais para Aruba (AUA), Montego Bay (MBJ), Nassau (NAS), Punta Cana (PUJ) e St. Thomas (STT).

A companhia vai ainda aumentar as ligações dentro dos EUA e, a partir de 11 de julho, passa a voar para Baltimore (BWI) e Denver (DEN), contando também introduzir novos voos para San Diego (SAN), enquanto Charlotte e Dallas/Fort Worth passaram a contar com voos diários desde 10 de outubro.

 

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Roadshow das Viagens arranca na Figueira da Foz com mais de duas dezenas de expositores

São 23 os expositores confirmados no Roadshow das Viagens do Publituris, no evento que conta com mais de 500 inscrições.

Publituris

Tem início esta terça-feira, 12 de outubro, o Roadshow das Viagens do Publituris, 6.ª edição que marca o encontro entre Agente de Viagens, Operadores Turísticos, Companhias Aéreas, GSA, Cruzeiros, Hotéis e Delegações Oficiais de Turismo para mostrarem a sua oferta numa iniciativa que potencia o conhecimento, o negócio e o networking.

O Roadshow das Viagens do Publituris mantém a aposta da realização em três cidades, com o arranque marcado para o Eurostars Oasis Plaza (Figueira da Foz) no dia 12 de outubro, seguindo-se Vila Nova de Gaia, no Holiday Inn Porto Gaia no dia 13 de outubro, terminando no Vila Galé Sintra, Resort Hotel, Conference & Spa, a 14 de outubro.

São 23 os expositores que marcam presença nesta iniciativa do Publituris. Confirmados estão: Lufthansa, Latam Airlines, Air France-KLM, Transavia, Turkish Airlines, Abreu Online, ASL Partners, Avis, Avoris, Bedsonline, Consolidador, In Sure Brokers, Mapfre, Europcar, MSC, Melair Cruzeiros, Pine Cliffs Luxury Collection Resort Algarve, DIT Portugal, Pestana Hotel & Resorts, Unlock Boutique Hotels, Solução Perfeita e Hotel Roma Lisboa, além do patrocínio do Turismo do Centro (também expositor), a parceria da Iberobus e apoio da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT).

Contando com habitual workshop, a 6.ª edição do Roadshow das Viagens do Publituris terá, também, um programa social, com jantares exclusivos e animação que promovem o networking entre os participantes.

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“O modelo da TAP precisa de uma escala mínima. Sem ela, a TAP não terá sucesso”

Conversar com Antonoaldo Neves, sem abordar a TAP e aeroporto de Lisboa seria (quase) impossível. O CEO e fundador da P2D Travel falou sobre ambos com o Publituris.

Victor Jorge

Se no caso da companhia de bandeira nacional, “a TAP estava destinada a crescer”, relativamente ao (novo) aeroporto, “discuti-lo sem primeiro resolver o problema da Portela, é uma perda de tempo”, considera Antonoaldo Neves, CEO e fundador da P2D Travel e ex-CEO da TAP.

Olhando, de fora, para um universo que conhece ou conheceu bem – TAP – como analisa essa sua “velha conhecida?
Quando chegámos à gestão da TAP, a companhia estava muito endividada. A dívida era 10 vezes o EBITDA da companhia. Antes da pandemia estávamos com um sistema de alavancagem da TAP, tendo reduzido o endividamento da empresa de forma drástica, para cerca de 4 vezes o EBITDA. A empresa estava bem e, como é público, antes da COVID tínhamos uma proposta firme da Lufthansa para investir na TAP. Por isso, a companhia estava saudável.

Acha que essa proposta da Lufthansa se mantém?
Não sei, não tenho acompanhado bem essa matéria. Sei que o nosso processo negocial com a Lufthansa demorou cerca de um ano e ninguém sabia. Mas penso que ainda é possível no futuro, depende muito da TAP. O impacto da pandemia em todas as companhias aéreas foi muito grande e acredito que a TAP vai recuperar, tem aeronaves muito boas. Se pensar bem, a TAP hoje é uma TAP completamente diferente daquela que existia no passado. Vi a rentabilidade das aeronaves e é extraordinária.

Mas é sabido que a TAP vai reduzir frota. Isso vai refletir-se nalgumas rotas?
O modelo da TAP precisa de uma escala mínima. Sem ela, a TAP não terá sucesso. Em 2019, estávamos ainda abaixo do que acreditávamos ser a escala adequada para a TAP. Uma TAP com menos escala, mais pequena, precisa de outro modelo. Não consigo imaginar que modelo será esse. O que sei é que a TAP, em 2019, estava destinada a crescer. É preciso recordar que o aeroporto de Lisboa estava congestionado e a forma como a TAP ia crescer era pelo tamanho dos aviões. Havia crescimento contratado para a TAP e o modelo escolhido para a TAP precisava de escala.

Mas escala precisa de aeronaves e rotas?
Precisa de aeronaves, rotas, pilotos, mecânicos, comerciais. E precisa ter foco. Outra questão passa por ter “slots” no aeroporto e por defender esses “slots”, ter um grupo de pilotos treinado e pronto para voar e, fundamentalmente, crescer. Ou então, pensar, parar e partir para outro modelo. Pode ser que exista outro modelo. Não estudei outro modelo, mas não duvido que possa existir.

Mas na atual realidade não terá de se pensar noutro modelo?
Pode até ser, mas há que acreditar, igualmente, que o aeroporto cresça. Estamos há anos a falar do aeroporto sem nada acontecer.

Mas o aeroporto terá de crescer ou o aeroporto terá de nascer?
A médio prazo tem de nascer, mas para já tem de crescer. Sempre disse que o foco tem de ser na ampliação da capacidade do atual aeroporto de Lisboa, que tem muito espaço para crescer.

Mas faz sentido fazer crescer o atual aeroporto ou construir um novo?
Discutir um novo aeroporto, sem primeiro resolver o problema da Portela, é uma perda de tempo. A pergunta que sempre fiz enquanto estive na TAP foi: o que vamos fazer pela Portela? É como ter um filho que já nasceu e só querer falar de um filho que ainda não nasceu. Não nos podemos esquecer que o aeroporto da Portela é dos piores aeroportos da Europa, não mudou nada. Nos últimos 18 meses continua exatamente igual.

Concorda, por isso, com quem afirme que esta paragem, devido à pandemia, deveria ter sido aproveitada para se ter feito algo no atual aeroporto, já que, quando o turismo regressar, vamos ter problemas?
Sim, sem dúvida. A Portela já estava no seu limite. Lembro-me que estava definido não realizarmos voos charters porque não havia espaço na Portela. As pessoas têm memória curta.

Não sei o que foi feito neste período, mas espero que tenha sido feito muita coisa.

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Victor Jorge

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Destinos

Reino Unido revê lista de países sujeitos a quarentena obrigatória

São 47 os países e territórios que saem da “lista vermelha” do Reino Unido, ficando livres da quarentena obrigatória de 10 dias num hotel, além de testes no segundo e oitavo dia. Sete países ainda permanecem com restrições.

Publituris

A lista de países sujeitos a quarentena em hotel na chegada a Inglaterra ficou reduzida a sete países e territórios, anunciou recentemente o Governo britânico através do seu ministro dos Transportes, Grant Shapps.

Ao todo, saem da lista 47 países e territórios, cujos viajantes deixam de estar sujeitos a quarentena de 10 dias num hotel designado a um custo de 2.285 libras (2.672 euros), além de testes no segundo e oitavo dia.

Angola, Moçambique, Brasil e Cabo Verde estão entre os países a sair na próxima semana da “lista vermelha” de países sujeitos a quarentena em hotel na chegada a Inglaterra, com a mudança a entrar em vigor na segunda-feira, dia 11 de outubro, a tempo das férias escolares intercalares, na última semana de outubro.

Colômbia, República Dominicana, Equador, Haiti, Panamá, Perú e Venezuela são os únicos países que permanecem na “lista vermelha” por serem considerados de maior risco para conter a pandemia da COVID-19.

O Governo britânico anunciou também que outros 37 países, incluindo o Brasil e a Índia, passam também a ter as suas vacinas reconhecidas para a entrada no país, eliminando a necessidade de testes pré-partida.

Nova Deli tinha manifestado indignação contra Londres por não reconhecer a versão da vacina AstraZeneca produzida na Índia, pelo que retaliou e impôs várias restrições aos visitantes do Reino Unido.

No entanto, este alargamento não inclui os restantes países lusófonos (Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor Leste e Guiné Equatorial), cujos cidadãos continuam sem as vacinas reconhecidas.

O ministro dos Transportes, Grant Shapps, disse que o alívio das restrições vai permitir o reencontro de famílias e amigos e viagens para destinos turísticos com estações diferentes, “em parte graças ao aumento dos esforços de vacinação em todo o mundo”.

“Restaurar a confiança das pessoas nas viagens é a chave para reconstruir a nossa economia”, acrescentou.

As regras na Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte são decididas pelos respetivos governos autónomos, que se têm alinhado com o sistema inglês.

Desde segunda-feira que está em vigor um sistema simplificado de restrições, que eliminou testes pré-partida na entrada no Reino Unido.

Todos os viajantes, exceto crianças menores de 5 anos, continuam obrigados a pagar um teste de PCR nas primeiras 48 horas após a chegada, o qual deverá passar a ser teste antigénio, mais barato, antes do final do mês.

Os viajantes dos países que não estão na “lista vermelha” que não estão vacinados, estão só parcialmente vacinados ou não têm as vacinas reconhecidas pelas autoridades britânicas estão obrigados a apresentar testes pré-partida, fazer testes no segundo e oitavo dia e cumprir quarentena de 10 dias, que pode ser na própria residência ou outro local à escolha.

 

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Alojamento Local em Lisboa e Porto perde milhares de reservas diárias com pandemia

A perda de 2.000 e 5.200 reservas diárias nas cidade do Porto e Lisboa, respetivamente, durante a pandemia, fizeram com que, em valor, as receitas caíssem cerca de 136 milhões de euros nas duas cidades.

Victor Jorge

A COVID-19 impactou fortemente o setor do Alojamento Local (AL) nas duas principais cidades de Portugal, indicando um recente estudo da Nova SBE que no Porto e Lisboa se perderam uma média de 2.000 e 5.200 reservas diárias, respetivamente, desde a pandemia.

O estudo “Impact of Covid-19 on Tourism and Hospitality: Evidence From Airbnb”, sobre o impacto da COVID-19 nas estadias em Alojamento Local, compara a performance do Airbnb nas cidades de Lisboa e do Porto, entre os anos de 2019 e 2020, sob coordenação do professor Qiwei Han. Para o efeito, foram recolhidos dados históricos relevantes sobre o número de reservas, preços médios e receita para mais de 50.000 propriedades.

Além das perdas já indicadas, o estudo revela, igualmente, que, mesmo nos meses de verão de 2020 – época alta turística em Portugal – o número de reservas não conseguiu atingir o nível do ano anterior, balizado entre as 13.611 (Lisboa) e 5.839 (Porto) reservas diárias registadas em 2019.

No que diz respeito à taxa de ocupação por freguesias nas cidades de Lisboa e Porto, o estudo indica uma quebra média de 28% para a capital e 25% para a “Invicta”, salientando ainda que as zonas mais centrais das respetivas cidades foram as mais afetadas devido à falta de turistas.

O estudo aponta que, durante a pandemia, “o número de reservas foi negativamente correlacionado com o nível de rigidez das medidas de contenção à pandemia, ou seja, quanto mais rígidas as medidas do Governo, menos reservas eram realizadas”.

O estudo, desenvolvido no contexto do Nova SBE Data Science Knowledge Center, a partir de outubro de 2020, revela ainda que houve uma descida média de 4 euros nos preços das reservas, desde a pandemia.

Como resultado, e segundo o cálculo baseado na combinação de reservas e preços, as receitas do Airbnb nas cidades de Lisboa e do Porto apresentam um padrão de perda semelhante.

Desta forma, o estudo estima uma perda de receitas superior a 113 milhões de euros para a cidade de Lisboa, no ano de 2020, enquanto para a cidade do Porto, a perda total de receitas é estimada em 23 milhões de euros para o mesmo ano.

Além da perda de receitas do Alojamento Local, também os municípios de Lisboa e Porto sofreram uma grave perda na cobrança do imposto de ocupação. Se a perda na receita fiscal está calculada em um milhão de euros, em 2020, para a cidade do Porto, o valor sobe quando analisada a cidade de Lisboa, estimando-se em -2,8 milhões de euros, no ano passado.

 

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Eurodeputada portuguesa pede prolongamento dos apoios para o turismo

A eurodeputada portuguesa e presidente da “Task Force” de Turismo na Comissão dos Transportes e Turismo, Cláudia Monteiro, considera ser “necessário prolongar as moratórias, criar apoios diretos”, e deu Portugal como exemplo.

Publituris

Durante a sua intervenção no plenário, a eurodeputada e presidente da “Task Force” de Turismo na Comissão dos Transportes e Turismo, Cláudia Monteiro, juntamente com os colegas socialista húngaro, István Ujhelyi e espanhol dos liberais, José Ramón Bauzà, pediu à Comissão Europeia (CE) um “sinal claro” de apoio a um dos sectores mais afetados pela crise pandémica. “O apoio ao setor não deve esgotar-se em dois ou três instrumentos da União. É urgente apoiar os Estados-Membros, considerando os que maior impacto sofreram”, referiu Cláudia Monteiro.

A responsável portuguesa pela “Task Force” do turismo na Comissão Europeia, destacou ainda que “é necessário prolongar as moratórias, criar apoios diretos”, dando como exemplo Portugal, onde a indústria “clama apoios que ainda não chegaram”. É preciso um prolongamento do SURE, incentivar a descida da taxa intermédia do IVA”, referiu Cláudia Monteiro.

A deputada do PSD fez questão de referir Portugal, do “esforço colossal” das empresas para sobreviverem à crise e deu o exemplo da Região Autónoma da Madeira pela retoma do turismo neste verão que agora se encerra apontado como uma das regiões com “taxas de ocupação a níveis pré-pandemia. Muito graças à promoção do turismo interno, mas fruto também de medidas e instrumentos que permitiram coordenação, segurança e simplificação de documentos em espaço europeu”, salientou Cláudia Monteiro. Por isso, justificou ainda que é importante que a União aprenda com as falhas desta crise para agir de forma mais célere e eficiente”.

Em nome da “Task Force” do Turismo, Cláudia Monteiro de Aguiar apontou ser de “elementar justiça enaltecer o facto da Comissão ter executado duas das propostas do Parlamento, cuja aplicabilidade se traduziu na redução da descoordenação e insegurança que se vivia, em plena crise pandémica: refiro o certificado digital da União e o selo de segurança COVID-19”.

A eurodeputada aproveitou ainda para sublinhar que esta pandemia teve um “efeito acelerador na transição digital e ambiental”, tida como “prioridades da União”. “Conhecemos e saudamos o empenho de regiões, destinos, empresas, agentes do turismo, que em momento de sufoco, investiram nesta dupla transição”.

Por último, e tendo em conta a situação atual quer de operadores turísticos quer das agências de viagens e de todos quanto viajam, a deputada social-democrata lembrou que “o turismo faz-se de e para pessoas”. Assim, considera ser “urgente que se cumpram com as obrigações do direito dos passageiros”, concluindo que “não podemos exigir mais a uns que a outros”.

Recorde-se que, segundo contas da União Europeia, o setor do turismo da UE foi severamente afetado pela crise decorrente da pandemia de COVID-19, que provocou um défice de investimento de 161 mil milhões de euros em 2020, afetando negativamente todo o ecossistema do turismo, em particular os 27 milhões de pessoas que direta e indiretamente trabalham neste setor.

Ficam as questões deixadas no debate no Parlamento Europeu:

1.Nesta fase, que conclusões pode a Comissão apresentar sobre a introdução do Certificado Digital COVID-19 da UE e o seu impacto no setor do turismo durante a época de verão de 2021? Em relação ao mesmo período do ano anterior, é possível quantificar o êxito do certificado tendo em conta o número total de viagens realizadas? Quais foram as dificuldades encontradas pelos Estados-Membros e pelos viajantes? A Comissão identificou algumas diferenças geográficas significativas entre os Estados-Membros e as regiões no que se refere ao impacto dos certificados no setor do turismo?

2.Pode a Comissão apresentar uma panorâmica sobre a aplicação do selo de segurança COVID-19 para o setor do turismo europeu? Quantas empresas no setor do turismo receberam este selo? De que modo a Comissão apoiou a introdução do selo entre as empresas do setor do turismo em termos de recursos financeiros e técnicos especializados? Que iniciativas foram adotadas para promover e divulgar o selo?

3.Na sequência das conclusões sobre o recomeço das viagens durante o verão, que medidas tenciona a Comissão adotar para apoiar o ecossistema do turismo, em particular para evitar as incertezas com que se deparam as empresas do setor e os viajantes no que diz respeito às restrições às viagens?

4.Pode a Comissão apresentar uma panorâmica sobre o apoio prestado até à data, em consonância com o Pacto Ecológico, às empresas do setor do turismo na sequência da pandemia, bem como sobre o seu montante total? Como pode ser facilitado o acesso das microempresas e das PME ao financiamento da UE? Qual é a atual taxa de desemprego no setor do turismo e quantas pessoas perderam os seus postos de trabalho durante a pandemia?

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O épico regresso da Norwegian Cruise Line ao Mediterrâneo

Aceitámos o convite da Norwegian Cruise Line (NCL) para viajar no primeiro cruzeiro para vacinados do Norwegian Epic, um dos navios que marcaram o grande regresso da companhia de cruzeiros norte-americana ao Mediterrâneo.

Inês de Matos

Aceitámos o convite da Norwegian Cruise Line (NCL) para viajar no primeiro cruzeiro para vacinados do Norwegian Epic, um dos navios que marcaram o grande regresso da companhia de cruzeiros norte-americana ao Mediterrâneo.

”” Norwegian Getaway e Norwegian Epic, no porto de Civitavecchia, Roma.

Civitavecchia, porto de Roma, 8 de setembro de 2021. Depois de mais de 500 dias de suspensão da atividade devido à COVID-19, a Norwegian Cruise Line (NCL) assinalou com uma cerimónia na capital italiana o regresso aos cruzeiros no Mediterrâneo, com o encontro no porto de Civitavecchia dos navios Norwegian Epic e Norwegian Getaway. Além do regresso dos navios à operação – respetivamente o quarto e quinto da frota da NCL a retomarem os cruzeiros – a cerimónia, que contou com a presença de Eamonn Ferrin, vice-president of International Business da NCL e Kevin Bubolz, vice-president e managing director Europe da companhia, bem como de Pino Musolino, responsável pelo porto italiano, marcou também a retoma dos itinerários por mais do que um país, algo que não tem sido fácil devido às restrições na sequência da pandemia.
O regresso à atividade, sublinhou Eamonn Ferrin, só foi possível porque a NCL estabeleceu um programa de saúde e segurança, denominado SailSAFE, com base nas recomendações de um painel de especialistas, que tem sido seguido à risca e que assenta em três pilares: segurança para tripulantes e passageiros, segurança a bordo e segurança em terra. Foi por isso que a companhia tornou obrigatória a vacinação de tripulantes e passageiros, assim como a realização de um teste rápido antes do embarque, reduziu a capacidade dos navios e criou um sistema de excursões em bolha, que vigora nos países onde os passageiros ainda não estão autorizados a deixar o navio e visitarem os destinos por sua iniciativa, como Itália. “Não tínhamos o objetivo de sermos os primeiros a regressar, tínhamos era o objetivo de fazer as coisas bem. Preferimos esperar um pouco mais, houve momentos em que poderíamos ter recomeçado, mas pensámos que não era a altura certa. Agora que estamos de regresso, é com a certeza de que temos tudo pronto”, explicou Kevin Bubolz.
Devido às restrições, a NCL foi obrigada a adaptar os itinerários, mas esta foi uma das poucas mudanças ditadas pela COVID-19, já que, a bordo, a experiência pouco se alterou, tal como o Publituris testemunhou entre 5 e 8 de setembro, durante uma press-trip no Norwegian Epic entre Barcelona e Roma, que contou com a participação de nove jornalistas de várias partes do mundo. Venha connosco descobrir o Norwegian Epic e conhecer a experiência num cruzeiro apenas para vacinados.

Segurança

O encontro com o Norwegian Getaway aconteceu quatro dias depois da partida do Norwegian Epic de Barcelona, em Espanha, e que marcou o regresso do navio ao porto onde estava baseado antes da pandemia. A partida da capital catalã – mais de 500 dias depois do início da pandemia – foi, também por isso, um momento marcante, que muitos passageiros fizeram questão de imortalizar em vídeo e fotografia.
Mas, para outros tantos, a emoção começou logo no terminal portuário, com os procedimentos de embarque, de que muitos passageiros tinham já saudades. “Obrigada por voltarem a navegar”, ouvia-se frequentemente entre os passageiros que, ansiosos, aguardavam a chamada para o teste rápido antes do embarque. “O teste é um pequeno preço que todos têm de pagar para poderem estar a bordo e viver a experiência de um cruzeiro”, explicou Nélson Martins, hotel director do navio, sublinhando que a principal preocupação da NCL é garantir a segurança de todos a bordo. Caso algum passageiro tenha um resultado positivo antes do embarque, é encaminhado para os hotéis-COVID-19, para uma quarentena de 14 dias e que será suportada pela companhia, caso o passageiro tenha um teste que comprove que estava negativo antes da chegada ao porto.
Como este era um cruzeiro apenas para vacinados – como tem acontecido com todos os cruzeiros da NCL desde o regresso, que aconteceu em julho, com itinerários no Norwegian Jade pelas Ilhas Gregas -, antes do teste foi preciso apresentar o certificado de vacinação, já que apenas os passageiros completamente vacinados há mais de 14 dias e com uma das quatro vacinas aprovadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) – Pfizer, Moderna, AstraZeneca ou Janssen – são autorizados a embarcar.
Certificado apresentado e teste realizado – com resultado negativo confirmado – era hora de subir a bordo do Norwegian Epic e começar a desfrutar de tudo o que este navio, com capacidade para 4.100 passageiros e 1.400 tripulantes, tem para oferecer e com toda a segurança, já que, além do uso obrigatório de máscara, a bordo é também mantido o distanciamento social de forma fácil, pois a ocupação do navio não ultrapassa, nesta fase, os 70%. Além destas medidas, a NCL reforçou também a limpeza e desinfeção, o que leva a que o Norwegian Epic, assim como os restantes navios da NCL, “sejam o sítio mais seguro do mundo”, como diz Nélson Martins, que considera que “nenhum outro destino é tão seguro quanto um cruzeiro”. “Não digo que os outros sítios não são limpos, mas não têm as medidas sanitárias que nós temos”, reforça, considerando que “o importante é que as pessoas continuem a ter umas férias fantásticas mas seguras”.

Experiência

Com tanta preocupação com a segurança, era de esperar que também a experiência dos passageiros pudesse ser afetada, mas tal não poderia estar mais longe da realidade, já que ela continua muito fiel à original. E Nélson Martins diz mesmo que, se alguma coisa mudou, terá sido até para melhor, pois a companhia reduziu o número de passageiros, mas não o de tripulantes. “Como reduzimos a ocupação, a experiência a bordo está até melhor, porque mantivemos o mesmo número de tripulantes para menos passageiros, o que quer dizer que o rácio entre passageiros/tripulantes aumentou”, afirma, revelando que os 1.400 tripulantes do Norwegian Epic foram vacinados no porto de Civitavecchia, ao abrigo de um acordo de cooperação entre as autoridades italianas e a companhia de cruzeiros.
Além dos tripulantes do Norwegian Epic, também os do Norwegian Gateaway foram vacinados em Civitavecchia, num total que rondou os três mil tripulantes da NCL e que ascendeu a perto de seis mil tripulantes, contabilizando as outras companhias de cruzeiros.
A bordo e além da redução da ocupação, foram feitos apenas pequenos ajustes, a exemplo dos turnos de refeições, que foram alargados até às 22h00, já que tudo o resto se encontra a funcionar em perfeita normalidade, dos restaurantes buffet ao Spa, passando pelas piscinas, casino e outras atividades de entretenimento.
Diferentes continuam, no entanto, as excursões em vários países europeus. Devido à COVID-19, países como Itália ou França continuam a exigir que as excursões sejam realizadas em ‘bolha’, de forma a restringir os contactos dos passageiros em terra, o que é visto como uma dificuldade acrescida pelas companhias. “Preferíamos que os passageiros pudessem visitar os destinos por sua própria iniciativa. Espero que isso venha a mudar, porque é uma dificuldade”, indica Nélson Martins, explicando que a situação é diferente em cada país e que, por isso, o regresso do Norwegian Epic ao Mediterrâneo é ainda mais especial, pois é o primeiro navio a realizar um itinerário por mais do que um país e com embarques em dois (Espanha e Itália, com saídas de Barcelona ou Civitavecchia). “Somos o único navio no Mediterrâneo a fazer mais do que um país e somos o único a fazer embarques em dois países. Nenhuma outra companhia está a fazer isso”, congratula-se.
Ainda assim, houve algumas adaptações no itinerário, uma vez que, acrescenta Kevin Bubolz, com as restrições em França, a NCL optou por aumentar as escalas em portos espanhóis – a exemplo de Palma de Maiorca, onde o Norwegian Epic se estreou a 6 de setembro -, em detrimentos dos portos franceses. É que, em Espanha, as excursões não têm necessariamente de decorrer em ‘bolha’ e os passageiros podem sair livremente do navio.

Futuro

A segurança e o facto da experiência a bordo se ter mantido praticamente te inalterada, têm levado muitos cruzeiristas a retomar as suas férias nestes navios. Ao Publituris, Kevin Bubolz explicou que a companhia de cruzeiros tem recebido um feedback positivo dos passageiros, que dizem ter escolhido a NCL para viajar porque a companhia conta com “um produto seguro, com regras consistentes” e porque optou por “realizar apenas cruzeiros onde toda a gente a bordo está vacinada”. “Sabemos que este é o sítio mais seguro da terra. Onde mais podemos ir e toda a gente está 100% vacinada e ainda por cima foi testada também? Creio que as pessoas estão a reconhecer o nosso esforço e é por isso que as reservas para o próximo ano estão muito acima do que alguma vez estiveram. A perspetiva é muito boa para o próximo ano”, admite o responsável, reconhecendo que a opção de tornar a vacinação obrigatória colocou a NCL em vantagem face a outras companhias, onde a garantia de segurança não conta com o conforto da vacina. “As hipóteses de apanhar COVID-19 dentro de um navio são 0,01%. Claro que não conseguimos controlar tudo, mas temos muitos procedimentos para garantir que isso não acontece”, acrescenta.
Por isso, revela ainda o responsável, as vendas para o próximo ano “estão a correr muito bem”, também porque “as pessoas acreditam que a situação vai estar melhor e que os governos vão levantar as restrições e deixem de impor quarentenas”. A única exceção são as Caraíbas, uma vez que muitos passageiros ainda aguardam que os EUA reabram as fronteiras aos turistas provenientes da Europa.
Mas a procura mostra, acrescenta o responsável, que o futuro dos cruzeiros deverá ser dourado, até porque, anualmente, existiam 30 milhões de cruzeiristas, que estarão agora desejosos de recuperar o tempo perdido. “Portanto, em dois anos de pandemia, são já cerca de 60 milhões de pessoas que deixaram de fazer um cruzeiro e isso nota-se, vemos que as pessoas têm muita vontade de viajar e ter uma experiência inesquecível”, explica Kevin Bubolz, considerando, por isso, que a NCL retomou a operação “na altura certa”.

Lisboa volta a entrar nas contas da NCL em 2022 e 2023

Tal como os restantes mercados, também Portugal tem dado uma boa resposta nas reservas e, como revela Kevin Bubolz, a NCL conta com várias reservas de cruzeiristas nacionais para os itinerários que assinalam a retoma. Apesar de ter uma pequena dimensão, o mercado português “tem vindo a crescer e é um mercado muito interessante”, onde a
companhia quer ganhar quota, motivo pelo qual tem vindo a fazer uma aposta no reforço da comunicação e promoção em território nacional.
Além da importância do mercado em termos de vendas, Portugal tem ganho também relevância para a NCL enquanto porto de escala e, no próximo ano, a companhia tem já prevista uma escala do Norwegian Star em Lisboa, a 27 de novembro, num transatlântico com destino ao Rio de Janeiro, Brasil. No ano seguinte, a NCL vai aumentar o número de
itinerários com escala em Portugal e conta que oito dos seus navios realizem escala na capital portuguesa, incluindo o Norwegian Prima, novo navio da companhia, que deverá entrar em operação em agosto de 2022.

Norwegian Epic, um navio especial

Inaugurado em 2010, o Norwegian Epic é, ainda hoje, um navio único e especial. Com mais de 329 metros de comprimento e capacidade para 4.100 passageiros, é o único da sua classe na frota da NCL e o único construído em França.
Além da dimensão, o Norwegian Epic conta também com características que fazem dele um navio especial, como o parque aquático que contou com o primeiro tobogã em alto mar, o bar de gelo, o espaço reservado a adultos Spice H2O, que é inspirado na ilha de Ibiza, ou Mandara Spa, que promete relaxar até os mais tensos. O navio conta ainda com mais de 20 restaurantes e bares, café Starbucks, casino e teatro, com espetáculos todas as noites.
No ano passado, o Norwegian Epic foi submetido a um processo de renovação, que aumentou para 75 o total de suites The Heaven, área de luxo que funciona sob o conceito de um hotel boutique e que conta com restaurante próprio, solário e piscina privada

 

 

 

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Recuperação do transporte aéreo desacelerou em agosto, indica a IATA

Dados da IATA mostram que o impacto da COVID-19 nas viagens domésticas levou a que a recuperação das viagens aéreas tivesse sido interrompida em agosto.

Inês de Matos

A procura global por viagens aéreas caiu 56% em agosto, descida que foi decisiva para a desaceleração da recuperação do transporte aéreo face a julho, quando este indicador apresentava uma quebra de 53% em comparação com igual mês de 2019, indica a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), num comunicado divulgado esta quinta-feira, 30 de setembro.

“Os resultados de agosto refletem o impacto das preocupações sobre a variante Delta nas viagens domésticas, mesmo que as viagens internacionais continuem num ritmo lento em direção a uma recuperação total que não pode acontecer até que os governos restaurem a liberdade para viajar. Nesse sentido, o recente anúncio dos Estados Unidos de suspender as restrições de viagem a partir do início de novembro para viajantes totalmente vacinados é uma notícia muito boa e trará certeza a um mercado importante. Mas os desafios permanecem”, alerta Willie Walsh, diretor-geral da IATA.

De acordo com os dados divulgados pela associação, a descida da procura por viagens aéreas foi “totalmente impulsionada” pelos mercados domésticos, que apresentaram uma descida de tráfego aéreo 32,2% face a agosto de 2019, o que traduz “uma grande deterioração em relação a julho de 2021, quando o tráfego caiu 16,1% em relação a dois anos atrás”.

“O pior impacto foi na China, enquanto a Índia e a Rússia foram os únicos grandes mercados a mostrar uma melhoria mensal em comparação com julho de 2021”, destaca o comunicado da IATA.

Na procura internacional, agosto trouxe uma descida de 68,8% face a agosto de 2019, o que, ainda assim, representa uma melhoria face à quebra apresentada em julho, quando este indicador tinha caído 73,1%, com a IATA a revelar que “todas as regiões apresentaram uma melhoria, que foi atribuída ao crescimento das taxas de vacinação e às restrições de viagens internacionais menos rigorosas em algumas regiões”.

Por regiões, foi na Ásia-Pacífico que a descida do tráfego aéreo internacional foi mais expressiva em agosto, chegando a uma queda de 93,4% em comparação com agosto de 2019, praticamente sem melhoria face a julho, quando a descida tinha sido de 94,5%. A IATA lembra que a região continua a ter “apertadas medidas de controlo de fronteiras”, o que ditou também uma descida de 85,7% na capacidade e de 44,9 pontos percentuais no load factor, que ficou nos 37,9%, “de longe o mais baixo entre todas as regiões”.

Já no Médio Oriente o tráfego aéreo desceu 69,3% em agosto, valor que representa uma melhoria face a julho, quando a quebras tinha sido de 73,6%. A capacidade, por sua vez, caiu 55%, enquanto o load factor ficou 26,2 pontos percentuais abaixo do de igual mês de 2019, situando-se nos 56,2%.

Na América Latina, o tráfego aéreo apresentou uma quebra de 63,1%, o que também indica uma melhoria face ao mês anterior, quando este indicador tinha descido 68,3%. Já a capacidade recuou 57,3% e o load factor caiu 11,4 pontos percentuais, ficando nos 72.6%, o “mais elevado entre todas as regiões pelo 11.º mês consecutivo”.

Na América do Norte, o tráfego desceu 59%, o que traduz uma melhoria face aos 61,7% que tinha descido no mês anterior, enquanto a capacidade caiu 48,5% e o load factor perdeu 18,0 pontos percentuais, situando-se nos 70,3%.

Em África, a descida do tráfego aéreo foi de 58,5%, também com uma recuperação face a julho, quando a quebra tinha sido de 60,4%. Já a capacidade caiu 50,1% e o load factor desceu 12,7 pontos, para 63,0%.

Já a Europa foi a região onde o tráfego aéreo apresentou o melhor desempenho em agosto, com o tráfego a cair 55,9%, “significativamente melhor” do que a descida de julho, que tinha chegado aos 63,2%. A capacidade desceu 45,0% e o load factor perdeu 17,7 pontos percentuais, fixando-se nos 71,5%.

Segundo Willie Walsh, “a rápida desaceleração na recuperação do tráfego doméstico, em agosto, devido a um pico da variante Delta, mostra como as viagens aéreas continuam expostas aos ciclos da COVID-19”, o que deve levar os governos a manter o apoio à indústria.

 

 

 

 

 

 

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