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Opinião

A (des)igualdade de género

O problema existe e está claramente identificado: a igualdade de género é o quinto de um conjunto de 17 objetivos que as Nações Unidas definiram para transformar o mundo até 2030.

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A (des)igualdade de género

O problema existe e está claramente identificado: a igualdade de género é o quinto de um conjunto de 17 objetivos que as Nações Unidas definiram para transformar o mundo até 2030.

Sílvia Dias
Sobre o autor
Sílvia Dias

Na indústria da hospitalidade assistimos, em 2022, à aceleração dos processos digitais, a uma maior consciencialização do tema da sustentabilidade e sobrevivemos a uma crise de falta de mão-de-obra, que as empresas tentaram ultrapassar através da revisão de condições de trabalho e oferta de novas regalias aos seus colaboradores.

Porém, numa visão muito pessoal, e não me referindo apenas à área do turismo, existe um tema que continua a carecer de atenção: a evolução da igualdade de género nas organizações.

De acordo com o estudo #BreakTheBias – Gender Equity at Work do ManpowerGroup, conclui-se que “85% das empresas estão a medir a paridade de género a algum nível – quer se trate de equidade salarial ou do número de mulheres ou colaboradores diversos na liderança”. Porém o foco tem-se mantido na parte remuneratória com cerca de 57% das organizações a analisarem este tema. A análise de indicadores como as posições de liderança e temas subjacentes não chegam aos 30%, ou seja, não existe uma abordagem holística que permita uma evolução estruturada. E as notícias para as mulheres que trabalham na área de hotelaria e restauração não são as melhores, pois o sector é o que apresenta valores mais baixos na medição do progresso da paridade de género.

Num sector dominado por mulheres, com 54% da força de trabalho, de acordo com o último Relatório Global sobre Mulheres no Turismo (UNWTO, 2020), e no qual há diferença significativa de género, com rendimentos menores e onde uma minoria ocupa cargos estratégicos ou altamente qualificados importa endereçar este tema de uma forma séria e comprometida.

O problema existe e está claramente identificado: a igualdade de género é o quinto de um conjunto de 17 objetivos que as Nações Unidas definiram para transformar o mundo até 2030. Porém, e creio que esta não será uma perceção individual, estamos muito longe da sua concretização.

Não basta fazer estudos ou ações isoladas. É imperativa a definição clara e inequívoca de políticas públicas locais e planos de ações concretos que comprometam efetivamente o Estado com o reconhecimento do problema e com a sua resolução. E subsequentemente que estas medidas sejam aplicadas ao setor privado para que possamos efetivamente atingir resultados.

Ao escrever este artigo vieram-me à cabeça vários nomes de mulheres incríveis que têm feito percursos notáveis no turismo em Portugal. Sem especificar quais, porque certamente correria o risco de deixar alguém de fora, dirijo o meu reconhecimento a todas as minhas colegas da Savoy Signature. Desde as governantas, passando pelo F&B, cozinha, copa, lavandaria, spa, front-office e serviços centrais, são o exemplo de que as mulheres são elementos fundamentais para o sucesso de uma organização.

Sobre o autorSílvia Dias

Sílvia Dias

Diretora de Marketing da Savoy Signature
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