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Turquia cede a pressão dos EUA e veta reabastecimento de aviões russos

A Turquia cedeu à pressão dos Estados Unidos da América e deixará de abastecer aviões russos em seu território. No entanto, trata-se de uma concessão parcial, já que manterá as ligações aéreas com a Rússia, principal mercado emissor de turistas.

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O Ministério de Alfândega e Comércio da Turquia informou que o abastecimento de combustível e trabalho de manutenção para qualquer aeronave que opere de ou para a Rússia que tenha 25% de peças de origem norte-americana -as produzidas pela Boeing, mas também as Airbus equipadas com motores americanos – passa a ser proibido.

Desta forma, as empresas afetadas por esta nova medida de pressão sobre o Estado russo devido à invasão da Ucrânia são Aeroflot, Azur Air, Pegas Fly, Rossiya, S7 Airlines, Utair e Yamal. Além disso, a companhia aérea bielorrussa Belavia e a iraniana Mahan também serão proibidas de reabastecer na Turquia.

Este anúncio do Governo turco ocorre alguns meses depois da subsecretária de Comércio dos EUA, Thea Rozman, ter alertado, durante uma visita à Turquia, que aqueles que prestam serviços como abastecimento ou fornecimento de peças para aviões americanos que voam para ou da Rússia e Bielorrússia enfrentariam penas de prisão, multas e perda de direitos de exportação.

Recorde-se que entre as sanções e restrições que os Estados Unidos e a União Europeia impuseram à Rússia, destacam-se o encerramento do espaço aéreo às companhias aéreas russas e a proibição de alugar ou vender aeronaves, motores e peças a empresas russas. Essas sanções entraram em vigor em março de 2022 e ainda estão em vigor, embora a Turquia não tenha aderido às mesmas.

 

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Turismo

Obrigado, André Jordan

Faleceu esta sexta-feira, 9 de fevereiro, o empresário André Jordan. Ao longo dos 90 anos que esteve entre nós, ficou conhecido por ser o “Pai do Turismo” em Portugal. Em 2007 foi distinguido com o “Prémio Carreira” nos “Portugal Travel Awards” do Publituris, ano em que foi diretor convidado da edição 1.000 do jornal.

Nasceu a 10 de setembro de 1933, em Lwów (antes Polónia e agora Ucrânia) de onde partiu para fugir ao regime Nazi que invadiria o país, em 1939, dando início à II Guerra Mundial.

Fundador, idealizador e promotor dos empreendimentos Quinta do Lago, Belas Clube de Campo, Vilamoura XXI, entre outros, foi considerado, em 2014, uma das 12 personalidades mais influentes no turismo a nível mundial.

Na última entrevista dada à PUBLITURIS HOTELARIA, em março de 2021, André Jordan afirmaria que “o país tem de ter a coragem de fazer alguma coisa que salve e consolide o país”.

O PUBLITURIS presta homenagem a André Jordan, precisamente, com a republicação dessa última entrevista.

Até sempre e obrigado André Jordan!

“O país tem de ter a coragem de fazer alguma coisa que salve e consolide o turismo”

O empresário André Jordan analisa a atual conjuntura e defende a promoção como medida urgente para a retoma do turismo nacional. A descida do IVA para 10% para todo o setor ou a criação de um Conselho Consultivo do Turismo também ficam em cima da mesa.

“Eu, que ando há muitos anos por aí, não me lembro de nenhuma situação assim em lugar nenhum”. O desabafo é feito por André Jordan, a propósito da atual conjuntura pandémica que amordaçou o turismo. Os muitos anos a que se refere, são 87 de uma vida feita de somas: de países, projetos, cargos, empresas, distinções e prémios. E de histórias que foram compiladas em 2019 num pesado livro de quase 800 páginas que exige ser segurado por duas mãos. “Uma viagem pela vida” foi reeditado no ano passado, porque, afinal, há sempre mais uma palavra a acrescentar, e as de André Jordan não se esgotam. E de entre tudo o que é, é também um exímio conversador. Discorre com facilidade pelos caminhos da memória e não há pergunta que não o faça revisitar uma história que o guia a outra e facilmente atracamos num destino longe da partida. Das suas quase nove décadas de vida, que começaram na Polónia, fazem parte mais de 30 cargos relevantes, cuidadosamente enumerados no seu currículo oficial. Desta longa lista, não consta o título informal pelo qual mais é conhecido: o de pai do turismo português. Deu vida à Quinta do Lago, ao Vilamoura XXI, a nove campos de golfe e ao Belas Clube de Campo. É neste último que se encontra na tarde desta conversa, realizada à distância e com os computadores a servirem de intermediários. Cenário diferente do vivido em 1974, ano em que deu a primeira entrevista em Portugal, ao Publituris, conduzida pelo seu fundador, o falecido jornalista Nuno Rocha.

Apesar das imposições tecnológicas, a sua companhia é acolhedora. “Estou olhando as janelas aqui à volta da minha sala e só vejo verde”, conta, com a melodia brasileira na voz, que nunca perdeu, orgulhoso do Belas Clube de Campo, no concelho de Sintra, que diz ser simbiose perfeita entre a vida urbana de Lisboa que está a dois passos e a tranquilidade da natureza.

A atualidade foi o tema de conversa. Apostar e aprimorar a promoção do país são estratégias urgentes. A baixa do IVA para todo o setor ou a criação de um Conselho Consultivo do Turismo foram outras ideias deixadas em cima da mesa. Isto porque, para salvar o turismo é preciso ouvir quem dele perceba, defende.

Que impacto terá a pandemia na forma como se faz turismo no mundo?
Também estou muito interessado em saber a resposta (risos). Estamos perante uma situação sem precedentes, em relação a um inimigo oculto. O turismo é a vítima inocente de todas as crises mundiais, é sempre o primeiro afetado. Penso que vai haver um surto de uma ilusão realista; vão aparecer muitas pessoas que querem viajar de repente e retomar a sua atividade turística. Mas mesmo que isto apareça com força, não significa que vá perdurar.

Teremos um ‘boom’ apenas momentâneo?
Uma explosão. Mas depois vai acalmar. Não há dúvida que muita gente está afetada economicamente e não vai ter meios para fazer turismo.

Acabou de ser aprovado o passaporte verde europeu. Considera que este é um instrumento fundamental para a retoma das viagens entre países?
Tudo o que for feito no sentido de haver um maior cuidado é importante. A existência deste passaporte faz uma certa pressão para as pessoas se vacinarem. Quem viaja sem passaporte será prejudicado na sua liberdade de movimento. Há dúvidas também sobre as vacinas, que ainda não têm um historial – não se sabe quanto tempo duram, qual o efeito que têm. É tudo um pouco duvidoso por enquanto. Por exemplo, esta situação em relação a uma das vacinas, que foi suspensa na Europa. E vem alguém dizer: ‘’Em Portugal está ótimo, ontem só morreram 90 pessoas” (risos). O ser humano passou a ser uma estatística.

Esta questão da AstraZeneca veio beliscar a confiança na vacinação…
Estou no grupo de risco. Tenho 87 anos e sou cardíaco. Estou à espera da Pfizer, porque não aceitaria que me dessem a AstraZeneca porque não é recomendada para pessoas velhas. Até agora não me chamaram.

Mas é também um cético nesta questão das vacinas.
A solução só chega no dia em que encontrarem uma cura. Claro que a vacinação pode prolongar o tempo de vida. Por exemplo, a poliomielite paralisava os membros inferiores e era uma verdadeira epidemia. Houve muita gente que passou a vida numa cadeira de rodas, como o presidente do Estados Unidos, Franklin Roosevelt. E a doença já foi completamente erradicada. Há algumas vacinas que acabaram com a doença.

Apelidou o Plano de Recuperação, desenhado pelo Professor António Costa e Silva, de tese académica. Qual é a sua opinião sobre as considerações relativas ao turismo apresentadas no documento?
Praticamente não há nada a respeito do turismo neste plano. Os economistas portugueses têm pena e vergonha que Portugal não seja a Alemanha, que não seja um país industrial a fabricar milhões de automóveis e de tecnologia. Somos um pequeno país e mais equilibrado do que se possa pensar; socialmente e até economicamente. Apesar de haver pobreza, não há miséria.

Que leitura faz da ação do governo relativamente ao turismo, neste último ano de pandemia? Os apoios têm sido ajustados?
Deram agora 300 milhões de euros para a área do turismo que é uma espécie de esmola. Não quero falar sobre este assunto, isto é uma situação pontual e as coisas têm de ser pagas e vão ser muito dificilmente pagas. Quando as moratórias acabarem vamos ver como é que isto fica. É preciso que o governo invista em promoção depois; agora, no auge da pandemia, não valia a pena.

Promoção e marketing
Sempre defendeu que a promoção do país é insuficiente.
A infraestrutura do turismo é muito boa, o que é fraco é o marketing e a promoção. Tem de haver uma promoção feita pelas empresas e não pelo governo, porque o governo não conhece o negócio do turístico. Quem o conhece é quem vive dele. Tivemos em Portugal um fenómeno económico muito interessante com números altos de turismo, mas rentabilidade quase inexistente. Isso criou uma ilusão. Dizermos que recebemos tantos milhões de turistas, mas depois o resultado desse movimento foi muito fraco porque sempre falhámos na promoção, sempre fizemos a promoção errada. Não criámos atrações para o turista com melhores meios económicos e não aproveitámos as potencialidades turísticas do país.

Proponho uma baixa do IVA para todo o setor turístico para 10% – para hotéis, restaurantes, rent-a-car, golfe etc. O país tem de ter a coragem de fazer alguma coisa que salve e consolide o turismo. A não ser que não queira ter turismo. Há quem não queira.

O segmento do golfe pede que seja reposta a anterior taxa de 6% de IVA.
Sou mais a favor de haver uma baixa de IVA para todo setor turístico. E era preciso haver uma aceitação da importância do turismo para a economia do país. Grande parte do desenvolvimento dos Estados Unidos, por exemplo, é feita através do estímulo fiscal. Não só na indústria e no comércio, mas na cultura, educação, saúde… O instrumento para impulsionar o turismo é o IVA. Não é preciso o governo dar dinheiro, mas sim deixar o usar o dinheiro que o próprio turismo gera para a sua promoção e desenvolvimento. Sobre o golfe, acho que há uma grande necessidade de desenvolver o golfe nacional, com escolas, repartições públicas, militares… Não é caro e iria aumentar muito a sustentação do golfe a nível interno. Atualmente, isso não é possível.

Afirma que a responsabilidade da promoção do país cabe às empresas. Mas nos próximos tempos estarão fragilizadas e sem capital para fazer esta aposta…
Por isso é que proponho que possa ser utilizado metade do valor do IVA para programas de marketing e promoção. Aí não obriga o governo a aumentar a dívida e essa receita, aparentemente diminuída, vai voltar com o aumento do turismo. É preciso coragem para revalorizar o turismo. Se não o fizermos vamos ser destruídos pela guerra de preços.

É preciso olhar para o turismo com seriedade?
Há zonas simpáticas no interior do país e este turista e este mercado vão acabar por se encontrar. Precisamos de ter um determinado volume de receitas para que isso seja significativo para a economia do país, para o emprego e para criar empresas fortes. O turismo nunca foi levado realmente a sério, sempre foi uma coisa assim meio envergonhada. O turismo é serviçal, há esse complexo que não há, por exemplo, nos Estados Unidos, na Inglaterra, na França, na Itália e em Espanha, que investem pesadamente no turismo.

Acusou o Turismo de Portugal de estar mais preocupado com as estatísticas e não avaliar o verdadeiro impacto económico que o turismo representa. É uma estratégia que deve mudar?
Quando o Turismo de Portugal faz um filme de promoção com locais maravilhosos de Portugal, só há um problema: são todos inacessíveis, ninguém consegue chegar lá no alto da montanha ou na praia deserta num canto qualquer (risos). Isso é muito bonito mas o Turismo de Portugal deve promover Portugal e os empresários devem promover o produto.

Estes últimos anos de crescimento foram uma oportunidade desperdiçada, nesta ótica da promoção?
Concordo. Devíamos, nessa altura, ter feito um trabalho das empresas com o governo e ter promovido a qualidade do turismo, a qualidade do produto para atrair, na retoma, um cliente mais sofisticado e mais exigente. Portugal foi eleito – de verdade, não é naqueles prémios que não são bem independentes – como segundo melhor destino para viver no mundo. E temos de saber aproveitar, transformar isso numa campanha.

Preços
Para nos sabermos vender ao mercado certo? Até agora Portugal é conhecido por ser bom e barato.
As pessoas descobriram que a relação qualidade/preço em Portugal é imbatível. O Alojamento Local é um brinco; limpo, de boa qualidade, com móveis corretos, etc. Se for para a Áustria ou para Alemanha [o AL] é uma porcaria. Não há qualidade nem atração nenhuma. O português é muito caprichoso, gosta de fazer as coisas corretas, simpáticas e limpas.

É difícil comer mal e dormir mal em Portugal.
É impossível comer mal em Portugal a não ser nos hospitais (risos).

Falou do perigo de sermos destruídos pela guerra de preços.
Já tivemos isso em Portugal. Em várias épocas de crise a recuperação foi com a guerra de preços. Quando Adolfo Mesquita Nunes era secretário de Estado do Turismo, começaram a convidar a imprensa estrangeira para vir cá. Vieram todos. Deram a passagem e pagaram a hospedagem e veio o mundo inteiro, bons e maus. Há uns que disseram que escreviam para um jornaleco qualquer e vieram cá também (risos). Vi dezenas de publicações e nenhuma deixou de frisar o facto de Portugal ser barato. Isto foi muito prejudicial.

Como é que se começa a despir esta capa do preço baixo para atrair um segmento mais alto?
Precisamos de agências de marketing e de promoção de alta qualidade. Não se pode comprar publicidade ou marketing barato, porque o barato sai caro: eles não têm qualidade nem acesso aos meios, é dinheiro deitado fora. É preciso criar eventos de qualidade, de nível, a área desportiva é muito atraente, temos condições desportivas naturais para atrair ténis, golfe, caça, iatismo, etc. Criar eventos de participação. Porque eventos de assistência vai ser mais difícil; infelizmente o MICE vai ser difícil. As empresas descobriram que não precisam de fazer aqueles congressos que deslocam centenas de pessoas durante dois ou três dias. Este segmento vai sofrer muito. Por exemplo, numa prova de competição desportiva, todos os dias, nos vários países, estão ser comunicados, na comunicação social, os resultados. É uma forma de utilizar o próprio atleta e a sua presença para promover Portugal no país dele.

Os eventos são o único gatilho possível para elevar o segmento do turista que atraímos?
Temos de ir também pela cultura – já defendi a construção do Museu dos Descobrimentos várias vezes. Temos alguns museus contemporâneos muito bons. O Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto, é uma grande atração e que tem uma altíssima qualidade. Eventos musicais. E temos de contratar agências e pessoas que nos ajudem a pensar nesta promoção e que nos ajudem a perceber o que é que temos de fazer. Sou a favor da criação de um Conselho Consultivo de Promoção Turística que reúna pessoas não só ligadas ao turismo, mas também pessoas da aviação, do desporto, do comércio de luxo, que nos venham ajudar a pensar na promoção do turismo.

Pessoas de fora do país?
De dentro e de fora. Temos um português que foi presidente da Publicis Groupe, que é uma das maiores agências do mundo, e que é apaixonado pelo turismo. Nunca ninguém falou com ele. Há pessoas que têm muito a contribuir, a nível de criatividade, e não só,e que não são convocadas nem ouvidas.

Potencial e crescimento
Defendeu, em tempos, a criação de um Ministério do Turismo. Mantém esta opinião?
Um Ministério do Turismo iria ajudar, principalmente, porque transmitiria aos outros ministérios a visão e o interesse do turismo, que eles não têm. Basta ver como o professor António Costa e Silva ignorou o turismo, por que não sabe o que é o turismo. Essa coisa do turismo de qualidade é uma coisa que ainda ninguém percebeu.

As Secretarias de Estado não se têm sabido posicionar?
Não vou dizer que não têm estado à altura, mas não há uma estratégia e não há apoio de verdadeiros profissionais de marketing, de promoção e de hotelaria. Por isso é que defendo a criação deste Conselho. Seria útil à própria Secretaria de Estado, teria o apoio de um grupo especializado. É preciso lembrar uma coisa: o turismo é um negócio de grande importância para o país e temos de o tratar desta forma.

Depois da última crise, o setor cresceu exponencialmente. Que diferenças assinala entre a conjuntura atual e esta última crise?
São duas crises completamente diferentes. A anterior foi uma crise económica e financeira, não parou o turismo – diminuiu, mas não parou. Esta paralisou o turismo por imposição dos próprios governos. Eu, que ando há muitos anos por aí, não me lembro de nenhuma situação assim em lugar nenhum. Portugal tem todas as condições para ser bom, mas tem de aspirar a outro nível. Não sou contra o turismo barato, mas não é economicamente viável.

Dispomos de oferta hoteleira para este segmento mais alto?
Absolutamente. Portugal não quer sheiks árabes. Não precisamos de bilionários que querem suites de mil metros quadrados. Um piloto de uma grande companhia aérea, um médico de sucesso, um engenheiro. Esse é o nosso turista, de boa situação financeira. E que gosta de Portugal porque é discreto e sóbrio, que tem bom clima. Para este mercado os hotéis são absolutamente aceitáveis, têm bom serviço, têm conforto. Não têm é torneiras de ouro e essas coisas. Nós temos a infraestrutura.

Vê a Comporta como um possível destino para este segmento?
Não conheço a estratégia, não posso opinar. A Comporta já não é uma zona com potencial, é hoje uma empresa e um negócio que tem os seus parâmetros, que desconheço. Mas penso que é uma zona muito atraente e que tem uma promoção muito longa, que durou muitos anos, com personalidades como o Christian Louboutin que pouco a pouco foi atraindo uma clientela para a Comporta. A Comporta tem o seu futuro, com certeza. Mas não posso opinar sobre o ‘business plan’, não conheço.

Que outros destinos têm potencial?
Como empresa e grupo, estamos dedicados a um conceito que demorou a atingir a maturidade. O Belas Clube de Campo é uma combinação do urbano com a natureza. Agora com a pandemia o mercado vem mais ao nosso encontro. O Alentejo e o Ribatejo, têm futuro, bem como Almada.

Ainda ninguém olhou para a margem sul de Lisboa com olhos de ver?
Almada tem um projeto do arquiteto Fonseca Ferreira que salvou Lisboa, porque a cidade estava no caminho para ser ocupada de uma forma selvagem. Ele fez um masterplan para Almada, dos antigos estaleiros com uma grande marina, muito atraente. Mas não chegou ainda o momento. Para já, a prioridade é potenciar a mudança das empresas e dos empresários para Portugal, e é preciso compatibilizar a habitação de nível com a habitação subsidiada para os trabalhadores e para as pessoas que não têm capacidade para pagar.

No Algarve, por exemplo. Não há habitação para os trabalhadores.
Não há margem de lucro suficiente para construir habitação para os trabalhadores, não compensa. Tem de ser algo subsidiado pelo governo, tem de haver um acordo entre o setor privado e o setor público de gerar habitação para as classes trabalhadoras.

O turismo residencial é outro dos eixos que defende para o futuro do setor. Como vê as novas regras aprovadas sobre os ‘golden visa’, que visam migrar o investimento imobiliário para o interior e ilhas?
(risos) Isso parte do princípio que as pessoas vêm para Portugal para se esconder. Eles não vêm para se esconder, vêm para viver numa comunidade compatível com o seu estilo de vida. Haverá um ou outro que vai para o interior, mas a maioria não irá. Isso vai acabar com os vistos dourados e é uma falha.

O Porto tem sido o destino com maior crescimento nos últimos anos. Como olha para este crescimento?
O Porto foi muito prejudicado até existir a autoestrada. Quando cheguei a Portugal, era muito complicado ir para o Porto, a estrada era muito má. O Porto tem tido um desenvolvimento muito positivo. A Casa da Música e Serralves são duas peças muito importantes. Nos últimos 10 a 15 anos tem tido um desenvolvimento muito elegante e interessante.

Aeroporto e TAP
Qual a sua opinião relativamente à construção do novo aeroporto complementar à Portela?
Não sou especialista, apesar de já ter sido administrador de uma companhia aérea na Argentina. Desde 1972, quando o governo emitiu um concurso para o projeto de um aeroporto em Rio Frio, tem-se discutido o novo aeroporto de Lisboa. Há 50 anos que andamos nisto. Quanto à necessidade de um novo aeroporto, também não sou especialista. Quando viajo vejo que há muitas horas mortas nas chegadas e nas partidas de Lisboa. A meio da tarde, entre a hora de almoço e o final da tarde não se vê um avião a chegar ou a sair. Não acho muito saudável ter um aeroporto a poluir o centro da cidade. Já morei mais do que uma vez em lugares onde quase que se podia tocar no avião. Tem de haver um consenso sobre a localização. Aonde? Também não sei dizer.

Nem o Montijo nem Alcochete seriam soluções viáveis?
Não sei. Claro que há uma vantagem comercial grande em ter o aeroporto perto da cidade, em pouco tempo chega-se ao hotel. Não é a melhor solução do ponto de vista da saúde e do ambiente.  Também não seria bom para o turismo se o aeroporto fosse muito longe, como em Alcochete, acho um bocado longe.

Então é mais favorável ao Montijo?
Se me convocassem para opinar, teria de estudar o assunto. Em Portugal temos um problema: falta de conhecimento e excesso de opinião. Se o turismo for prejudicado pela falta de possibilidade de viajar para Lisboa isso é muito preocupante.

Como vê a atual situação da TAP?
Não há dúvida de que a TAP é um retrato bastante interessante daquilo que é Portugal e os portugueses. A TAP tem comissárias de bordo veteranas, que eu conheço. É sempre uma situação engraçada, quando chego ao avião sou recebido com beijinhos. A TAP é um objeto de afeto e de carinho dos portugueses, até porque é uma excelente companhia em termos de segurança e de serviço – sobre o conforto, já não vou tão longe (risos). Sempre foi uma boa companhia. Da parte da população há uma visão um bocado emocional sobre a TAP. Não sei avaliar qual é o interesse nacional do ponto de vista do governo em ter uma companhia própria. O hub de Lisboa foi muito importante para o surto do turismo e principalmente em relação ao Brasil. O facto de ter sido gerida por uma administração brasileira permitiu que fossem criadas muitas ligações que trouxeram brasileiros a Lisboa. Isto foi tudo muito útil. Agora, se se justifica o investimento? Não sei dizer.

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ALEP denuncia em Bruxelas conflitos do Mais Habitação com a legislação europeia

A Associação do Alojamento Local em Portugal (ALEP) apresentou, recentemente, em Bruxelas, uma nova reclamação oficial contra as medidas do Programa Mais Habitação, com impacto no Alojamento Local.

Em 2023, a associação já tinha enviado uma reclamação preliminar à Comissão Europeia, antes da entrada em vigor das medidas do Mais Habitação. Agora com a lei publicada e sentidos os primeiros impactos, a ALEP, em parceria com a European Holiday Home Association (EHHA), regressou a Bruxelas para apresentar a versão definitiva e atualizada da reclamação. O processo foi suportado por um parecer jurídico detalhado, tornado público, que evidencia as inúmeras incompatibilidades e o conflito entre as medidas do Mais Habitação no Alojamento Local (AL) e a legislação europeia.

Entre as diversas medidas do Mais Habitação para o AL que entram em conflito com a legislação comunitária, a ALEP destaca a intransmissibilidade de registos, que impede a venda de apenas 1% das quotas de uma empresa dedicada ao AL ou a transmissão do registo para o cônjuge em caso de divórcio, que não tem qualquer relação com o problema da habitação.

Além disso, também a proibição de novos registos, mesmo que em frações de serviços ou na habitação permanente do titular, uma restrição que não tem nenhum efeito prático para a habitação; a proibição cega de novos registos em todo o litoral, incluindo regiões onde a presença do AL é insignificante e cujo coeficiente de pressão urbanística apresentado pelo Governo é baixo ou próximo de zero; a limitação da validade dos registos, que afeta também os titulares que já estão a operar, deixando-os sujeitos a uma reavaliação em 2030, sem que seja dada nenhuma garantia de renovação, bem como os critérios para a mesma; e, finalmente, os tributos extraordinários (CEAL) que prejudicam fortemente certos segmentos do Alojamento Local e favorecem outras ofertas de alojamento turístico, como a hotelaria, criando assim um ambiente de concorrência desleal.

Recorde-se que, Portugal foi dos primeiros países a criar uma regulamentação nacional e municipal para o Alojamento Local, que serviu de referência na União Europeia. Para a ALEP, o Programa Mais Habitação, “ao invés de melhorar essa regulamentação já existente, trouxe medidas extremas e cegas a nível nacional, ignorando por completo o papel e o conhecimento técnico e local das Câmaras Municipais”.

Para o presidente da ALEP, Eduardo Miranda, “Portugal passou de melhor a pior exemplo a nível europeu, trocando uma legislação equilibrada e alinhada com as regras comunitárias, por uma legislação restritiva, com medidas injustificadas, cegas e desproporcionais”.

O responsável acrescenta “conforme a ALEP tem defendido e fez saber junto da Comissão Europeia, estas medidas, não trazem soluções para o problema da habitação, elas desvirtuam a concorrência e prejudicam os pequenos operadores do AL, favorecendo os grandes operadores urbanos da hotelaria, cuja oferta continua a crescer em grande ritmo”.

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Pestana abre 4.º hotel nos EUA

O maior grupo hoteleiro multinacional de origem portuguesa reforça a sua aposta nos EUA, mercado onde está presente há mais de uma década. Depois de Nova Iorque, onde conta com dois hotéis) e Miami, é a vez de Orlando (Flórida) receber mais um Pestana.

O Pestana Hotel Group vai expandir a sua operação a mais uma cidade nos EUA. Depois de ter inaugurado, em 2013, o seu primeiro hotel em Miami, na zona de South Beach, com o Pestana Miami South Beach, um boutique hotel art déco, em 2020 foi a vez de abrir o Pestana Park Avenue, localizado no coração de Manhattan, nas proximidades do Empire State Building. No ano seguinte, em 2021, o grupo alcançou um marco significativo com a abertura do Pestana CR7 Times Square, que se tornou o hotel número 100 da cadeia hoteleira do Pestana Hotel Group.

Agora, o Pestana Orlando Suites – Lake Buena Vista, torna-se o 4.º hotel do grupo nos EUA, reforçando a presença do Pestana Hotel Group no continente americano, tornando-se na 109.ª unidade da cadeia hoteleira.

Com a aquisição desta nova unidade hoteleira em Lake Buena Vista, uma das zonas mais prestigiadas de Orlando, o Pestana Hotel Group reforça a sua presença nos EUA, aumentando para 500 o número total de quartos do grupo no mercado norte-americano.

José Roquette, Chief Development Officer (CDO) do Pestana Hotel Group destaca que “a abertura do Pestana Orlando Suites é mais um passo significativo na nossa estratégia de diversificação geográfica”.

Considerando que o mercado norte-americano “continua a ser um pilar estratégico para o Pestana Hotel Group”, José Roquette salienta que esta nova aquisição “é um reflexo vivo da nossa estratégia asset right, que se concentra em manter a propriedade dos ativos nos mercados com maior potencial reconhecido”, acrescentando ainda que “esta expansão não só reforça a presença global do Pestana Hotel Group, mas destaca o nosso crescimento contínuo e sustentado, que nos leva a estar hoje presentes em 16 países”.

O hotel Pestana Orlando Suites – Lake Buena Vista fica localizado a cerca de 15 minutos dos principais parques temáticos da Walt Disney World, da Universal Studios e do Sea World, bem como do importante Centros de Convenções de Orlando, um dos maiores dos EUA, mas também muito próximo dos melhores outlets, com inúmeras lojas e restaurantes.

O novo Pestana Orlando Suites – Lake Buena Vista oferece 127 suites com mais de 40 m2, vocacionado para viagens em família, constituindo, também, tendo em conta a sua localização privilegiada, próxima do Centro de Convenções, uma opção para viagens de negócios.

O hotel dispõe de várias comodidades incluindo restaurante, bar, jardim, piscina exterior, ginásio, business center e estacionamento.

Orlando é um dos destinos turísticos mais procurados nos EUA, depois de Nova Iorque e Las Vegas, sendo um dos destinos mais populares do mundo. Prevê-se que em 2025 possa vir a receber 100 milhões de visitantes, com a abertura do novo parque temático da Universal Studios, o “Epic Universe”, que será o maior parque da marca nos EUA. Além de ser um forte polo de turismo de lazer, Orlando destaca-se também como um dos principais destinos de congressos dos EUA.

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Porto e Terceira recebem GLEX Summit 2024

Portugal volta a ser o palco da maior cimeira de exploradores do mundo. Com início no Porto, a Global Exploration Summit (GLEX Summit) segue viagem para a ilha Terceira, nos Açores.

Entre os dias 15 e 19 de junho, a Global Exploration Summit (GLEX Summit) volta a reunir a elite da exploração em Portugal e, desta vez, a cidade do Porto acolhe o programa do primeiro dia da cimeira que reúne a elite mundial de exploradores e cientistas. Depois da estreia na Invicta, a GLEX Summit viaja, pelo segundo ano consecutivo, até à ilha da Terceira, para mais dois dias de partilha de algumas das mais extraordinárias histórias da exploração e ciência associadas ao Espaço, Oceanos e conservação do Planeta.

Organizada pela Expanding World, com a chancela e curadoria do The Explorers Club, a GLEX Summit estreia-se na cidade do Porto, a 15 de junho, com a GLEX Ignition Session. O dia inaugural da quinta edição da cimeira vai ser totalmente dedicado à evolução da exploração espacial. Nos dias 18 e 19 de junho, com sessões abertas ao público, a GLEX Summit regressa aos Açores com um programa inspirador onde vão ser partilhadas as mais recentes descobertas, as tecnologias mais inovadoras e as novas missões que estão a revolucionar o futuro do planeta.

Sob o mote “What’s Next?”, um dos destaques da edição deste ano vai ser dedicado à revolução da próxima década de exploração lunar, com destaque para a missão Artemis, que vai levar uma tripulação de astronautas a pisar a Lua, pela primeira vez, desde 1972, incluindo a primeira mulher.

Esta missão da NASA representa um ponto de viragem na consolidação da exploração espacial, já que para além de pretender abrir portas para futuras missões, tem como grande objetivo estabelecer uma presença humana sustentável e duradoura na Lua.

A Alfândega do Porto e o Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo vão ser o palco onde a linha da frente dos exploradores e cientistas vão apresentar e partilhar as descobertas mais recentes, as mais recentes tecnologias e as futuras missões que estão a revolucionar o futuro do Espaço, dos Oceanos e do Planeta.

E como as alterações climáticas também ditam o futuro, este vai ser outro tema em grande destaque na GLEX Summit, onde vai ser abordado o papel do Espaço e dos Oceanos para a recolha de dados que permitam investigar e mitigar os efeitos dessas alterações.

Manuel Vaz, responsável da Expanding World salienta o “orgulho e privilégio” de trazer para Portugal o maior encontro de exploradores do nosso planeta. “O GLEX Summit 2023 foi uma experiência inspiradora e enriquecedora que nos trouxe a linha da frente de exploradores em todas as áreas, desde o Alasca até a floresta Amazónica, incluindo os oceanos e os confins do espaço. Para além dos oceanos e da conservação da natureza, um dos tópicos em foco desta edição é a próxima década na lua com a missão Artemis que levará os primeiros europeus à Lua”, refere Manuel Vaz.

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Governo italiano prepara-se para procurar alternativa à Lufthansa para a ITA Airways

O Governo italiano está a preparar um plano alternativo para o caso de a aquisição da ITA Airways pela Lufthansa fracassar. Para o efeito, a primeira-ministra Meloni parece querer recorrer a um velho conhecido na corrida à companhia aérea.

O Governo italiano, liderado pela primeira-ministra Geórgia Meloni, está a preparar um plano B caso a aquisição da ITA Airways pela Lufthansa não seja aprovada. De acordo com o jornal “La Repubblica”, Meloni reuniu-se na semana passada com a companhia de cruzeiros MSC.

Na reunião com Gianluigi Aponte, o armador e fundador da MSC garantiu que reconsideraria a aquisição da ITA Airways se os planos de aquisição por parte do grupo alemão falhassem.

A razão das preocupações de Meloni prendem-se com os organismos de controlo anti-trust da União Europeia (UE) iniciaram uma análise mais aprofundada da oferta da Lufthansa. As medidas de correção propostas pela Lufthansa não foram, por conseguinte, suficientes para dissipar as preocupações em matéria de concorrência. Os observadores da concorrência da UE consideraram que a aquisição poderia restringir a concorrência no mercado dos voos de passageiros em várias rotas de curto e longo curso.

A Itália receia agora que as concessões para a planeada aquisição da Lufthansa possam ser demasiado grandes e pouco atrativas.

A MSC não é alheia à corrida ao concurso para a ITA Airways. Inicialmente, a Lufthansa pretendia adquirir a companhia aérea italiana em dificuldades juntamente com a MSC. Contudo, a empresa de cruzeiros tinha anteriormente retirado a sua proposta de aquisição conjunta da ITA Airways e da Lufthansa.

De referir que a MSC tem vindo a tentar entrar no mercado da aviação comercial há já algum tempo.

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Prémios

Falta 1 semana para terminarem as votações para os “Portugal Trade Awards by Publituris @BTL 2024”

Lançadas a 22 de janeiro, as votações para a 12.ª edição dos “Portugal Trade Awards by Publituris @BTL” terminam dentro de uma semana, a 16 de fevereiro. Há 96 nomeados em 16 categorias.

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Pela 12.ª vez, o jornal Publituris organiza os “Portugal Trade Awards”, iniciativa que se destina a premiar as melhores empresas, instituições, serviços e profissionais que se destacaram no Trade no setor do Turismo.

Neste ano de 2024, voltamos a colocar a votação o que de melhor se fez no trade do setor do Turismo no ano de 2023.

Recorde-se que, face às edições anteriores dos “Publituris Portugal Trade Awards” existem categorias que transitaram para os “Publituris Travel Awards” que se realizarão em julho de 2024.

As categorias que transitaram para os “Publituris Portugal Travel Awards” foram todas as categorias relacionadas com a hotelaria, rent-a-car, cruzeiros, parques temáticos, animação turística e marinas.

A votação online decorre no site dos prémios – https://premios.publituris.pt/trade/2024 – entre os dias 22 de janeiro e 16 de fevereiro de 2024.

Para validar o voto é exigida a introdução do e-mail, que terá de ser idêntico ao de registo na newsletter do Publituris.pt.

Os vencedores resultarão de uma média ponderada entre os votos do júri (45%), dos assinantes do jornal do Publituris (45%) e subscritores da newsletter diária (10%), sendo que os membros do Júri também votam online.

O júri é constituído por diversas personalidades: representantes de associações do setor, ex-secretários de Estado do Turismo, empresários, profissionais.

De referir que, desde 2022, os “Portugal Trade Awards” assumiram a denominação “Portugal Trade Awards by Publituris @BTL”, numa parceria com a Bolsa de Turismo de Lisboa – BTL.

Os vencedores serão conhecidos no próximo dia 28 de fevereiro de 2024, a partir das 11h00 na BTL 2024, em Lisboa.

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Destinos

Depois da Alemanha, o destino preferido dos alemães é Espanha

Num inquérito feito pela alemã Stiftung für Zukunftsfragen, os resultados apontam para uma diminuição na escolha do mercado doméstico, embora continue na liderança, e uma preferência clara por Espanha.

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A Stiftung für Zukunftsfragen (Fundação para os Estudos do Futuro, numa tradução literal) foi perceber, recentemente, o sentimento dos alemães para as próximas férias de verão. Embora a Alemanha continue a ser o principal destino de viagem dos alemães, representando 37% das principais viagens de férias, a quota de mercado diminuiu em três pontos percentuais (p.p.). Na Alemanha, a maioria dos turistas, 5,8% de todos os viajantes, viaja para a Baviera (-2,2%), enquanto 5,7% (-0,3%) são atraídos para Mecklenburg-Vorpommern. Seguiram-se a Baixa Saxónia com 4,9% (+1,1%), Baden-Württemberg com 4,2% (+0,4%) e Schleswig-Holstein com 3,3% (-1,3%).

Já quanto aos mercados externos, a análise conclui que Espanha, Itália e Escandinávia estão entre os países que registaram ganhos.

A análise, que se baseia num inquérito representativo a 3.000 pessoas com 18 anos ou mais na Alemanha, revela que a Espanha tem uma quota de mercado de 9% (+0,9% em relação a 2022) e a Itália de 7% (+0,5%). A Escandinávia atrai pouco menos de 5% (+1%) dos visitantes alemães, seguida da Turquia com 4,6% (-0,7%), Áustria com 3,2% (+0,4%) e da Grécia com 3% (-1,2%).

Viagens de longa distância ainda abaixo do valor de 2019
Segundo a mesma análise, 16,4% dos inquiridos foram atraídos para lugares distantes, representando mais 3 p.p. do que em 2022, mas ainda um pouco menos de 1% do que em 2019. A Ásia-Extremo Oriente tem a maior quota com 3,5% (+1,3%), à frente da América do Norte com 2,6% (+0,2%) e do Norte de África com 2,3% (+0,1%). O Médio Oriente representou 1,4% (+0,4%), enquanto a América Central e as Caraíbas atraíram 1,3% dos turistas alemães em 2023 (+0,2%).

De um modo geral, os números da Stiftung für Zukunftsfragen diferem significativamente dos da DRV e dos analistas de mercado da Travel Data + Analytics (TDA). Isto aplica-se, em particular, a destinos como a Turquia e Grécia, que registam um desempenho significativamente melhor neste último. Isto deve-se provavelmente, em grande parte, ao facto de a DRV e a TDA apenas analisarem as reservas efetuadas através de agências de viagens e operadores turísticos, enquanto este inquérito também inclui viagens auto-organizadas. Em países como a Turquia, a percentagem de turistas que reservam viagens organizadas é significativamente mais elevada do que em Itália ou na Escandinávia, por exemplo.

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Transportes

Tráfego aéreo na Alemanha a recuperar mais lentamente do que na Europa

O número de voos na Europa regressou aos níveis anteriores à pandemia, mas o tráfego aéreo doméstico na Alemanha, em particular, continua em crise. De acordo com a BDL, tal deve-se em parte a uma transferência para o transporte ferroviário.

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O tráfego aéreo na Alemanha continua a recuperar muito mais lentamente do que noutros países europeus. “No ano passado, atingimos 79% da capacidade de lugares de 2019 na Alemanha, enquanto no resto da Europa a capacidade voltou aos 96%”, afirmou Jost Lammers, presidente da Associação Alemã de Aviação (Bundesverbands der Deutschen Luftverkehrswirtschaft – BDL).

Lammers criticou, em particular, os custos/taxas estatais. Na Alemanha, por exemplo, estes são cinco a dez vezes mais elevados do que noutros países europeus para um voo com um Airbus A320 Neo. “A situação vai continuar a agravar-se com novos aumentos da taxa de tráfego aéreo e das taxas de segurança aérea”, admite o mesmo.

Os custos impactam mais a oferta do que a procura, explica o diretor-geral da BDL, Matthias von Randow. “As companhias aéreas estão a reduzir os seus serviços a fim de utilizar melhor a capacidade dos aviões. Por conseguinte, os viajantes são frequentemente obrigados a mudar para destinos em países vizinhos. E dá o exemplo: “a companhia aérea low cost Ryanair, a maior companhia aérea da Europa em termos de número de passageiros, evita os aeroportos alemães devido aos custos de localização”.

De acordo com Lammers, duas tendências estão a estabilizar no que diz respeito à capacidade de lugares em 2024: a recuperação do tráfego intercontinental continua, com a capacidade de lugares a crescer de 87% para 96% do nível de 2019. No tráfego europeu, a BDL espera um aumento menor para 91% do nível de 2019.

A evolução do tráfego aéreo doméstico alemão é diferente. Enquanto o número de lugares disponíveis em voos domésticos alemães através dos hubs de Frankfurt e Munique aumentou 14%, em 2023, em comparação com 2022, o número de lugares disponíveis em voos domésticos alemães que não tinham estas duas cidades como origem ou destino diminuiu 2%, de acordo com a BDL.

Segundo a associação, Frankfurt e Munique beneficiaram da recuperação do tráfego intercontinental. Em contrapartida, os chamados voos domésticos descentralizados na Alemanha estão a ser cada vez mais substituídos pela comunicação digital e pelo tráfego ferroviário, por exemplo.

Em consonância com este facto, a distância média percorrida pela Deutsche Bahn [o equivalente à nossa CP] tem crescido fortemente nos últimos anos. Em 2022, registou-se um aumento significativo para 316 quilómetros.

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Transportes

Tribunal-Geral da UE anula auxílio dos Países Baixos de 3,4 MM€ à KLM

O Tribunal-Geral da União Europeia anulou a aprovação de um auxílio de Estado dos Países Baixos no montante de 3,4 mil milhões de euros a favor da KLM dado em 2020.

Victor Jorge

O Tribunal-Geral da União Europeia acaba de tomar uma decisão relativamente à aprovação de um auxílio de Estado dos Países Baixos no montante de 3,4 mil milhões de euros a favor da KLM dado em 2020 no contexto da COVID-19 anulando a mesma.

“Quando existem motivos para recear os efeitos na concorrência de uma acumulação de auxílios estatais no âmbito de um mesmo grupo, cabe à Comissão exercer uma vigilância especial no exame das relações entre as empresas pertencentes a esse grupo”, pode ler-se na decisão publicada esta quarta-feira, dia 7 de fevereiro, pelo referido tribunal.

Recorde-se que, em 2020, a Comissão Europeia aprovou um auxílio estatal neerlandês a favor da KLM, que consistia numa garantia estatal para um empréstimo bancário e um empréstimo estatal. O orçamento total do auxílio foi de 3,4 mil milhões de euros. O objetivo da medida consistia em fornecer à KLM com liquidez temporária no contexto da pandemia de Covid-19.

No entanto, em 2021, o Tribunal-Geral da União Europeia anulou a decisão da Comissão com o fundamento de falta de fundamentação no que respeita à determinação do beneficiário da medida em causa. Além disso, o tribunal decidiu suspender os efeitos da anulação até à adoção de uma nova decisão pela Comissão.

Posteriormente, em 16 de julho de 2021, a Comissão adotou uma nova decisão, na qual considerou que o auxílio estatal era compatível com o mercado interno e que a KLM e as suas filiais eram os únicos beneficiários do auxílio, excluindo as outras empresas do grupo Air France-KLM.

No âmbito do recurso interposto pela companhia aérea Ryanair, que já veio saudar a decisão, o Tribunal-Geral anula novamente, através do acórdão proferido, a aprovação do auxílio em causa.

O Tribunal-Geral considera que a Comissão cometeu “um erro ao definir os beneficiários do auxílio de Estado concedido, ao excluir destes beneficiários a holding Air France-KLM e a Air France, duas sociedades que fazem parte do grupo Air France-KLM”.

A este respeito, o Tribunal de Justiça examina as relações de capital, orgânicas, funcionais e económicas entre as sociedades do grupo do grupo Air France-KLM, o quadro contratual com base no qual a medida em causa foi concedida, bem como o tipo de medida de auxílio concedida e o contexto em que foi concedida.

Conclui, nesta base, que “a holding Air France-KLM e a Air France estavam em condições de beneficiar, pelo menos indiretamente, da vantagem concedida pelo auxílio estatal em causa”.

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Governo autoriza concurso para serviços aéreos regulares na rota Bragança/Vila Real/Viseu/Cascais/Portimão, por 4 anos

A resolução do Conselho de Ministros n.º 25/2024, de 7 de fevereiro, procede à autorização da realização da despesa relativa à adjudicação da prestação de serviços aéreos regulares, em regime de concessão, na rota Bragança/Vila Real/Viseu/Cascais/Portimão. O período da concessão será de quatro anos, até ao montante máximo de 13.500.000 euros.

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O Governo, após resolução do Conselho de Ministros n.º 25/2024, de 7 de fevereiro, autoriza a realização da despesa relativa à adjudicação da prestação de serviços aéreos regulares, em regime de concessão, na rota Bragança/Vila Real/Viseu/Cascais/Portimão, pelo período de quatro anos, que correspondem à totalidade do período de concessão, até ao montante máximo de 13.500.000 euros, a que acresce o Imposto sobre Valor Acrescentado (IVA) à taxa legal em vigor, caso nenhuma transportadora aérea da União Europeia pretenda dar início à prestação de serviços aéreos regulares sustentáveis, sem contrapartida financeira, e de acordo com as obrigações de serviço público impostas para a mesma rota.

De acordo com a publicação em Diário da República, os encargos com a despesa referida não podem exceder, em cada ano económico, os seguintes montantes, aos quais acresce o IVA à taxa legal em vigor: 2024 – 937.500 euros; 2025 – 3.750.000; 2026 – 3.750.000 euros; 2027 – 3.750.000 euros; 2028 – 1.312.500.

De referir que, a partir de dezembro de 2012, o Governo procedeu à liberalização do transporte aéreo entre Lisboa e o nordeste transmontano, sem a atribuição de qualquer contrapartida por parte do Estado às transportadoras aéreas que operassem nas regiões periféricas em desenvolvimento, nas rotas aéreas de fraca densidade de tráfego e nas rotas aéreas em desenvolvimento, constituindo os serviços de transporte aéreo um importante fator de crescimento económico e social para aquelas regiões.

Não obstante a liberalização do acesso ao mercado, a oferta dos serviços foi descontinuada devido à falta de interesse das transportadoras aéreas em explorar os serviços em causa, sem qualquer compensação financeira prevista pelo Estado. Em 2014, decorridos dois anos sobre a liberalização do acesso ao mercado na rota em causa, sem que tivessem surgido operadores aéreos na sua exploração, o Governo determinou um novo modelo de obrigações de serviço público. Desde 2015, o serviço de transporte aéreo regular na rota Bragança/Vila Real/Viseu/Cascais/Portimão tem sido objeto de contratos de concessão sujeito a obrigações de serviço público.

Este modelo pretendeu garantir a diminuição do distanciamento geográfico e social e assegurar a mobilidade dos cidadãos residentes no interior e nordeste transmontano ao sul do País com horários, tempo de viagem e preços competitivos, salvaguardando deste modo o interesse público e a não discriminação das populações aí residentes.

Caso nenhuma transportadora aérea da União Europeia dê início ou provar que vai dar início à prestação de serviços aéreos regulares de acordo com as obrigações de serviço público impostas para a rota em apreço, nos termos do n.º 9 do artigo 16.º do Regulamento (CE) n.º 1008/2008, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 24 de setembro de 2008, prevê-se a possibilidade de o Estado português limitar o acesso aos serviços aéreos regulares nessa rota a uma só transportadora aérea da União Europeia, por um período não superior a quatro anos, através do procedimento de concurso público.

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