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Viagens Tempo oferece ao mercado mais de 57 destinos

Apostando numa programação diversificada, o operador turístico Viagens Tempo tem mais de 57 países publicados que cobrem o mundo inteiro, mas numa vertente maioritariamente cultural, em circuitos ou combinados com praias. Açores e Madeira tem sido uma surpresa.

Carolina Morgado
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Viagens Tempo oferece ao mercado mais de 57 destinos

Apostando numa programação diversificada, o operador turístico Viagens Tempo tem mais de 57 países publicados que cobrem o mundo inteiro, mas numa vertente maioritariamente cultural, em circuitos ou combinados com praias. Açores e Madeira tem sido uma surpresa.

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Gosta de se apresentar ao mercado como um operador turístico pequeno, composto por 17 pessoas, familiar, credível, antiga no mercado, com 28 anos de existência, e sede no Porto. É assim a Viagens Tempo, conforme declarou ao Publituris, o seu diretor Comercial, Ricardo Gordo, apontando que “cada produto que vendemos é um produto especial”.

“Não nos preocupamos com os números, nas sim em cada cliente e na qualidade que colocamos ou cada produto que colocamos no mercado, dando sempre o nosso cunho pessoal” disse o responsável, para lembrar que “uma coisa que damos muito valor é que temos um booking com cinco pessoas com 25 anos de casa, pessoas que estão connosco desde os primeiros anos da empresa, pessoas com muito know-how em relação aos destinos que vendemos, e hoje vendemos o mundo inteiro”.

Ricardo Gordo faz questão de realçar que “só vendemos os destinos que conhecemos, e isso é muito importante no pré-venda, na venda e damos também muita atenção ao pós-venda, ou seja, no apoio que damos ao cliente quando já está no destino”.

Flexibilidade e diversificação
Conta o diretor Comercial que o operador turístico começou com meia dúzia de destinos, hoje “já colocamos no mercado mais de 57 países. Temos produtos já formatados, mas tentamos ser sempre flexíveis e ir ao encontro daquilo que o cliente pretende. Não queremos vender em massa, mas com a máxima qualidade e profissionalismo, com uma programação diferente e não em charter”.

Desde o início que “nunca entrámos no segmento charter, sempre fugimos aos produtos de risco, trabalhamos sim com allotments na parte aérea, e com partidas especiais para alguns produtos, sempre em voos regulares, numa programação muito diversificada”, explicou o responsável, apontando que, diversificar e flexibilizar são os objetivos. “Tentamos abarcar o maior número de produtos desde que seja um destino que conhecemos, que achamos que podemos dar o nosso contributo e acrescentar valor”.

Em termos de novidades ao mercado, muitas ficaram para trás devido à guerra na Ucrânia, referiu Ricardo Gordo. “Tínhamos algumas coisas programadas para aquela zona, mas tiveram de ficar em carteira”. No entanto “lançámos Costa Rica em combinados de aventura com praia, diferente da programação que existe no mercado, temos também o Nepal, que esteve parado, mas que se começou a vender, uma surpresa interessante, a Colômbia e S. Tomé que retomámos, e Malta, apesar de este ano não haver voos diretos”.

Açores e Madeira – surpresa em volume de vendas
O diretor Comercial da Viagens Tempo revelou ainda que, durante a pandemia “não fizemos nada em relação a Portugal Continental, mas apostámos muito nos Açores e na Madeira, e este ano vão ser de novo as nossas apostas, em viagens de grupos, e temos tido bastantes resultados. Temos acordos com os maiores grupos e redes de agências de viagens em Portugal. 30% a 40” da nossa faturação é de grupos, e Açores e Madeira, neste momento, é o maior, com grupos fechados”

O responsável explicou que “quando surgimos, em 1994, tínhamos os Açores e a Madeira na nossa programação, bem como praias em Portugal e as costas espanholas, mas ao longo do tempo fomos reformulando os produtos, ou seja, em 2019, começámos a vender tudo, menos o que tínhamos no início. Com a pandemia, e como não havia alternativas de sair de Portugal, voltámos a apostar nas Regiões Autónomas. Como correu bem decidimos continuar com a aposta. O resto foi, praticamente, reformular a programação que existia”.

O grande desafio neste momento é, segundo Ricardo Gordo, “é esperar que alguns destinos reabram. Conforme vão reabrindo, a nossa ideia é ir colocando-os no mercado e tentar voltar à normalidade”, para acrescentar que “muitos países como os EUA/Canadá e o Japão, para onde tínhamos muitas vendas, neste momento temos algumas dificuldades, bem como a Índia e a China. O Vietname, por exemplo, reabriu recentemente, mas mesmo os que já permitem a entrada de turistas internacionais sem grandes restrições, demora algum tempo até estabilizar. Por isso, a nossa programação não está fechada”.

Assim, o operador turístico está a recolocar na sua programação, o Vietname, a Indonésia em circuitos e combinados com cultura e praia, e a Tailândia. “A necessidade de um ou outro teste será aceitável. Quarentena é que não”, defende.

Quatro tipos de programação
Refira-se que a Tempo Viagens oferece quatro tipos de programação: Circuitos Culturais na Europa, com uma grande oferta, em saídas semanais (já esteve mais complicado, mas agora já se está a conseguir confirmar); Grandes Viagens também culturais para África, Ásia, Américas e Oceânia; as Praias do Índico como Maurícias, Seichelles, Maldivas, e também a Tailândia (só praias), voltados para as luas de mel; e grupos fechados. ”Não entramos na guerra dos destinos de praias operados em charters à partida de Portugal”, disse o diretor Comercial da Viagens Tempo.

Ricardo Gordo considerou ainda que “a nossa atividade é muito sazonal e não é possível fugir a isso, mas há destinos que se vendem durante todo o ano, tais como a Argentina, o Peru e as Maldivas. Nós acabamos por vender o ano inteiro, com menos sazonalidade em relação aos operadores turísticos que apostam mais em operações charters de maio a setembro.

Moderadamente satisfeitos
De todas as formas, para este ano “estamos moderadamente satisfeitos, porque tínhamos previsto uma recuperação das vendas de 2019 a três anos e já o atingimos em 2022. Ainda não estamos aos níveis de 2019, mas acima do orçamentado. Acho que fomos conservadores, mas este ano conseguiremos a estabilidade da empresa. Isto está conseguido, mas ainda muita coisa pode acontecer. A previsão é superar o nosso orçamento, o que é bom. O objetivo era atingir os 70%, mas acredito que vamos ultrapassar essa percentagem, devendo andar acima dos 80%”, considerou.

De acordo com Ricardo Gordo, os destinos de longo curso que estão a vender mais são as praias do Índico, como aconteceu durante a pandemia, mas, “atenção, estamos a vender muito mais do que o ano passado, e muito mais ainda do que em 2020”. Em 2019, este operador turístico faturou 10 milhões de euros. Quem escolhe os seus produtos, que na maior parte ronda os mil euros por pessoa, são os segmentos médio e médio-alto.

“A Europa está a sentir uma grande pressão por causa da guerra, e as pessoas estão a fugir para outros continentes e mais o produto praia”, destacou o responsável, para salientar que, uma vez que muitos destinos são contratados em dólares, com a África, as Américas e a Ásia, os preços estarão mais caros 5% a 7%, mas “a maior parte dos produtos mantiveram os preços que eram praticados antes da pandemia”, concluiu.

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Tecnologia

merytu responde ao novo paradigma da empregabilidade no turismo

Pensada em 2020 e lançada em 2021, a plataforma merytu pretende dar resposta a uma problemática do setor do turismo: os recursos humanos. Facilitadora de contactos entre quem emprega e quem procura emprego liberal e flexível, a plataforma nasceu com incidência na hospitalidade. Contudo, o objetivo é abranger todo o turismo a nível nacional, possuindo já outros setores de atividade em vista.

Victor Jorge

De acordo com os dados do World Travel & Tourism Council (WTTC), Portugal regista uma escassez de mão-de-obra, estimando a entidade internacional que faltam preencher cerca de 50.000 empregos no setor do turismo. Num setor que funciona 24 horas, sete dias por semana, 365 dias por ano, o problema dos recursos humanos nunca foi tão premente como agora, com a pandemia a “agudizar uma questão que, contudo, já existia há muito tempo”, admite João Silva Santos, COO da empresa portuguesa merytu, solução tecnológica que une profissionais independentes e empresas da área da hospitalidade de forma inovadora, simples e eficaz, e um dos quatro sócios fundadores, a quem se junta a Portugal Ventures.

Conhecidas as dificuldades em recrutar colaboradores para funções essencialmente operacionais, principalmente na hotelaria e restauração, é neste universo que a merytu se posiciona, neste momento, oferecendo, através da plataforma tecnológica, o melhor “match” entre quem necessita de preencher uma vaga e quem procura, de forma flexível, ter uma ocupação, sem colocar “em risco” o “novo” modo de vida que a pandemia trouxe.

Centrado no turismo, mas não só
A atuar no mercado há pouco mais de um ano, a merytu possui 260 empresas a confiar no modelo apresentado pela plataforma de emprego e mais de 1.300 perfis de profissionais independentes inscritos e uma média de 60 registos diários, oferecendo, neste momento, 18 funções, abrangendo perto de 80% das funções na hotelaria e restauração. “O objetivo é ampliar a oferta e possuímos um roadmap de desenvolvimento muito rápido, de modo a chegar ao turismo na sua plenitude”, salienta o responsável pela empresa. Segundo João Silva Santos, “a ideia é estarmos em todas as frentes do turismo”, admitindo que “existem outros setores que já demonstraram o interesse pela plataforma”, como, por exemplo, a construção ou saúde.

“Compreendemos que o nosso time to market seria muito mais veloz, já que a nossa rede está muito bem estabelecida e vai ao encontro das atuais necessidades do mercado. Compreendemos, também, que seria necessário adaptar as necessidades das empresas à ‘nova’ realidade de quem procura emprego e vice-versa e onde a flexibilidade e disponibilidade são fatores chave”, considera o COO da merytu.

A pandemia trouxe novos desafios, nomeadamente, no equilíbrio que estas gerações mais novas pretendem dar à sua vida pessoal e profissional”

“A pandemia trouxe novos desafios, nomeadamente, no equilíbrio que estas gerações mais novas pretendem dar à sua vida pessoal e profissional”. Daí não é de estranhar que é, sobretudo, na “Geração Z” que a plataforma tem a sua incidência mais concreta, evidenciando João Silva Santos as novas tendências da empregabilidade com que se aceita um compromisso profissional em qualquer parte do país. Contudo, frisa que a merytu “não exclui ninguém”, revelando que existem pessoas na faixa dos 50 e poucos que, de repente, ao perderem um vínculo de longa duração, se registam na plataforma para dar seguimento à experiência que adquiriram e onde “têm realmente uma oportunidade de estar em pé de igualdade com os outros”, admitindo que a idade “não é um fator, mas antes a performance. Hoje pode estar-se a trabalhar durante três ou quatro semanas no Porto, depois duas ou três semanas no Algarve. Atualmente, as pessoas já não querem horários das nove às cinco. Esse agora é o novo paradigma dos recursos humanos no setor do turismo”.

Eventualmente, a classificação mais correta para a merytu é vê-la como um “marketplace” para o emprego flexível e onde as urgências de última hora encontram resposta. “Não vimos substituir os contratos de trabalho, estamos cá para complementá-los”, frisando João Silva Santos que “os gestores de recursos humanos estão cada vez a utilizar-nos mais como uma ferramenta para suprir necessidades que de outra forma talvez não conseguiriam, já que o tempo de aferir, num processo de seleção, um profissional ou de ter o work assembly, é demorado”. Ou seja, “somos uma ferramenta, não somos uma agência, nem nos substituímos à expertise do profissional de recursos humanos. Complementamos com tecnologia uma necessidade do mercado de trabalho na área do turismo”.

João Silva Santos refere que a fundação da merytu “foi realmente algo circunstancial que veio trazer uma oportunidade e uma pertinência superior”. Se antes da pandemia já havia, por parte de muitos decisores, alguma necessidade de pensar diferente, com a pandemia “houve uma aceleração”. Certo é que para o COO da empresa, “as pessoas não desapareceram”, o que acontece agora é que as pessoas “necessitam de ser valorizadas de uma forma muito diferente”.

Ajustar procura e oferta
É aqui que entram os três pilares fundamentais pelas quais a merytu se rege: rendimentos, tempo e flexibilidade. “Pagando mal ou bem, há comparativos com outros setores”, destacando João Silva Santos a taxa de licenciados (cerca de 40%) que abandonam o setor do turismo e, especialmente, o da hospitalidade. “Isto dá-nos pistas de que alguma coisa tem de mudar”, admite, colocando, igualmente, enfâse no desenvolvimento de carreiras. Ou seja, “se invisto o meu tempo a tirar uma licenciatura e em conhecimentos académicos também procuro um plano de carreira concreto e não teórico”.

A empresa, através da aplicação, indica uma referência remuneratória “20% acima da média do que as funções ganhariam em contexto tradicional”, salientando que “não controlamos nem queremos controlar as remunerações”.

Os pilares do tempo e da flexibilidade estão interligados, frisando João Silva Santos que “valorizamos o tempo das pessoas, trazendo uma oportunidade de equilibrar o fator pessoal e profissional de uma forma inédita. E dá um exemplo: “Se um profissional de sala quiser manter a prática do surf todos os dias de manhã e conseguir na aplicação aceitar convites numa unidade que regularmente o convoca a partir do turno da tarde, naturalmente que quererá o melhor de dois mundos”. Ou seja, consegue encaixar o trabalho na vida pessoal e vice-versa.

Do lado das empresas, o “segredo” passa por suprimir uma necessidade urgente e temporária, sem existir um vínculo laboral que traria custos à empresa, podendo contar com um profissional à medida, num modelo aberto, no que João Silva Santos diz ser um “abrir de porta”. “Não somos intermediários, somos facilitadores e é realmente este matching que acontece e é uma mais-valia para todos. A rapidez de identificação, podendo existir um compromisso em dez minutos, traz uma agilidade inédita para um setor que anda sempre à velocidade da luz”.

De acordo com João Silva Santos, é o “contexto realtime que muda as regras do jogo”, não se tratando somente de uma plataforma onde se “despeja” o CV. “A nossa forma de estar no mercado responde efetivamente aos atuais desafios do setor do turismo, pelo facto de ser verdadeiramente atrativo para os profissionais e empresas”, refere o responsável da empresa, admitindo que a proposta de valor baseia-se no “equilíbrio e na cooperação e é totalmente ajustada às expetativas de ambas as partes. Por um lado, as empresas encontram na merytu uma solução ágil de reforçarem as suas equipas, com profissionais qualificados e motivados, à medida das suas necessidades. Por outro, os profissionais deste ramo conseguem finalmente encontrar a liberdade e flexibilidade de horários, que tanto necessitam para equilibrar a vida pessoal e profissional”.

Complementamos com tecnologia uma necessidade do mercado de trabalho na área do turismo”

Expansão nacional
A atuar em todo o território nacional, o trabalho do departamento comercial da merytu desenvolve-se não junto de quem procura colocação, mas sim junto das empresas que colocam essas vagas, ou melhor, “gigs”, na plataforma. João Silva Santos destaca, de resto, o fator humano que “não é muito comum em tecnologia”. Cada empresa que se regista recebe um follow-up através do customer service que funciona sete dias por semana, referindo o responsável que “muitas empresas ficaram surpreendidas por serem contactadas por profissionais de uma aplicação que instalaram num telefone, situação que nunca tinha acontecido antes”. Contudo, refere, “isto é fundamental para que as pessoas tenham confiança, já que se surgir algum problema, sabem que existe alguém para ajudar”.

“A tecnologia não vai substituir o fator humano”, considera João Silva Santos, frisando que “o trabalho que temos com os nossos clientes é de compromisso total”.

Presente nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, a merytu ambiciona crescer a curto prazo para outros pontos do país, nomeadamente Algarve e lha da Madeira. A expectativa é chegar até ao final do ano de 2022 com mais de 2.000 perfis profissionais inscritos na plataforma, assim como contar com 300 empresas ativas.

Como funciona a merytu?

A ligação entre empresas e profissionais acontece da seguinte forma: as empresas submetem os seus convites de compromissos profissionais, de acordo com as respetivas necessidades, indicando as funções e níveis de experiência pretendidos, datas, horários, duração dos serviços e ainda, outras competências necessárias para o desempenho das funções pretendidas.
De forma automática, a merytu faz o match entre as empresas e os profissionais com o perfil desejado, disponíveis para aceitar os convites. Após a prestação do serviço, as empresas avaliam o desempenho do profissional de acordo com vários parâmetros definidos, garantindo desta forma a transparência e, em simultâneo, os profissionais avaliam as respetivas experiências nessas empresas. Esta avaliação permite aos profissionais evoluírem de acordo com o seu mérito, podendo aumentar o seu valor por hora e, por outro lado, permite às empresas encontrar profissionais com as qualificações que desejam, bem como diferenciarem-se em termos de Employer Branding, através da classificação que recebem.
Trata-se de uma solução win-win, que responde às tendências do setor, através da qual os profissionais poderão encontrar oportunidades de trabalho flexíveis e construir as suas carreiras autonomamente, com possibilidades de evolução baseadas no desempenho. Para as empresas as mais valias também são notórias. Através da plataforma o processo de identificação de profissionais é contínuo – 24/7 – não havendo trabalho administrativo envolvido, nem dependência de intermediários. O acesso ao perfil dos profissionais é feito de forma imediata e em minutos é efetuada a correspondência entre profissional e empresa. A seleção é feita pelo nível de experiência pretendido, assim como pelo feedback de performance detalhado e, por essa razão, o match é, em regra, eficaz. Por sua vez, este método é também uma mais-valia para profissionais juniores, experientes ou até mesmo pessoas que desejem mudar radicalmente de área, ajudando-as a perceber o seu verdadeiro potencial, promovendo o seu desenvolvimento pessoal e profissional, adquirindo conhecimentos e competências técnicas on-the-job.

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Montebelo Mosteiro de Alcobaça Historic Hotel planeia soft opening para outubro

A unidade pretende ser um polo para a organização de eventos, numa lógica de bleisure.

Carla Nunes

Após vários avanços e recuos, o Montebelo Mosteiro de Alcobaça Historic Hotel prevê a abertura em soft opening ainda durante este mês de outubro. A garantia é dada por Jorge Costa, vice-presidente do conselho de administração da Visabeira Turismo, que em entrevista à Publituris Hotelaria fala sobre o investimento feito na região e as valências deste novo hotel de cinco estrelas localizado num dos claustros do Mosteiro de Alcobaça.

A unidade já soma um investimento que ronda os 22,5 milhões de euros, num total de 91 unidades de alojamento, entre quartos singles e duplos, quartos familiares, suites e uma master suite.

Das valências do novo hotel fazem parte um spa e uma piscina interior “cénica”, integrada entre os pilares do mosteiro, um bar e um restaurante. Neste será apresentado “o melhor que a gastronomia portuguesa tem para oferecer, mantendo uma ligação natural à gastronomia de Alcobaça e da região, fortemente marcada pela excelência dos produtos locais e da doçaria conventual”, como explica Jorge Costa, não adiantando ainda quem será o chef deste espaço.

Somam-se ainda “salas de reuniões e espaços para congressos e casamentos com atmosferas únicas”, sendo que Jorge Costa atribui especial destaque “para a sala localizada na antiga biblioteca”.

Um espaço para diversos eventos

O projeto de arquitetura, bem como o de interiores, é assinado pelo arquiteto Eduardo Souto Moura, Prémio Pritzer de Arquitectura, e integra peças não só deste profissional como de Siza Vieira. Aliás, é através deste pormenor que a unidade pretende ser integrada “nos roteiros mundiais de turismo de arquitetura”, além de ambicionar tornar-se um polo para a organização de eventos, sejam eles corporativos, educacionais, científicos, culturais ou religiosos.

“Este é um hotel que vai combinar as estadias de lazer com eventos, sem que essa convivência cause constrangimentos a ambos, desde reuniões empresariais, congressos científicos e lançamentos de marcas ou produtos, até cerimónias oficiais e casamentos, aproveitando as excelentes relações e sinergias com o Mosteiro de Alcobaça”, enumera Jorge Costa.

A proximidade do mosteiro à costa da Nazaré é ainda vista pelo vice-presidente como um ponto que torna o “hotel atrativo para quem quer combinar uma estada mais ativa”.

O processo de recrutamento para este hotel ainda está a decorrer, privilegiando-se “bons profissionais que se enquadrem na filosofia dos Montebelo Hotels & Resorts: formação, experiência, compromisso, respeito pela região e envolvimento com o espaço onde o hotel se enquadra e um foco muito importante no serviço e no cliente”.

Construção do Montebelo Vista Alegre Chiado Hotel segue focado no mercado de lazer

Também ainda em processo de construção encontra-se o Montebelo Vista Alegre Chiado Hotel, em Lisboa. Apesar de não se querer comprometer com uma data definitiva, Jorge Costa afirma que no grupo “estamos confiantes que conseguiremos ter a obra terminada até final deste ano”. No entanto, o vice-presidente não esconde a apreensão relativamente à conjuntura atual, com “atrasos no fornecimento de alguns materiais”.

“O facto de ser um edifício com valor patrimonial e numa zona classificada fizeram desta obra um projeto mais complexo do que o esperado, mas o resultado também nos tem surpreendido pela positiva”, afirma.

Com um investimento previsto de cerca de 9,5 milhões de euros, este cinco estrelas terá à volta de 58 unidades de alojamentos, entre quartos, suites e “uma fantástica suite master, repleta de elementos arquitetónicos únicos”.

O “universo visual e decorativo da marca Vista Alegre” emprestará a sua identidade ao hotel, cuja obra e decoração são assinadas por Paula Nunes e Tiago Araújo, a dupla responsável pela arquitetura e decoração de uma outra unidade do grupo, o Montebelo Vista Alegre Ílhavo Hotel.

Também o restaurante será “enquadrado no espírito da marca Vista Alegre, combinada com a tradição e qualidade da cadeia Montebelo Hotels”. Por enquanto, não são adiantados nem a proposta gastronómica, nem o chef que irá assumir o espaço.

A presença do grupo em Lisboa com uma segunda unidade é justificada com o facto de Lisboa continuar “a ser a grande porta de entrada para o mercado internacional e uma referência para os portugueses”.

“O sucesso do Montebelo Lisbon Downtown Apartments, localizado na Rua da Prata, foi um excelente teste para o que representa a presença em Lisboa. Qualquer marca que queira ter uma presença relevante a nível nacional, tem de ter uma presença forte e marcante [na capital]”, defende o vice-presidente.

Numa nota final, Jorge Costa explica que, dadas as características do edifício e a sua localização, no Chiado, este “será um hotel mais direcionado para o mercado de lazer, com uma forte componente de clientes internacionais”. O processo de recrutamento para a unidade já está a decorrer, sendo que o grupo está a contratar “para todas as áreas” do setor.

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Colômbia inova nas estratégias turísticas para recuperar

Para ultrapassar os efeitos da pandemia, a Colômbia desenhou um plano de recuperação, que passa por: liderar a reabertura da conetividade; promover o destino numa perspetiva de regiões turísticas; consolidar a sua posição como um centro internacional para eventos; posicionar o país como destino número um em termos de sustentabilidade; continuar com a transição do sistema de comercialização B2C; e apoiar a promoção de projetos de infraestruturas turísticas.

Antes da pandemia a Colômbia estava a desfrutar da sua melhor época turística”, segundo a presidente da ProColombia, Flávia Santoro. Em 2019, o destino recebeu 4,5 milhões de turistas estrangeiros. “Foi um resultado histórico para o nosso país, o que permitiu consolidar o setor como fundamental para a economia colombiana, representando 4,3% do PIB nesse ano, enquanto no que respeita à conetividade internacional conseguimos 17 novas rotas”.

Mas chegou a pandemia, e a responsável, que falava em videoconferência no XIII Fórum do Turismo Portugal-América Latina, organizado pelo IPDAL (Instituto para a Promoção da América Latina e Caraíbas), em Lisboa, e que teve precisamente a Colômbia como pais convidado, Flávia Santoro reconhece, “teve as suas consequências”, mas “conscientes do imenso potencial do país, de tudo o que conseguimos, e cada um dos seus destinos turísticos únicos, pensamos que a Colômbia está a desenhar todo um plano de recuperação focado nos esforços e em mudanças inovadoras, mas também facilitando a conetividade dos viajantes aéreas, fortalecendo a confiança  nos nossos turistas internacionais para visitarem os nossos destinos de forma segura”

Olhos postos na retoma
Nessa medida, destacou Flávia Santoro, “vamos apostar com muita determinação em várias linhas estratégicas: liderar a reabertura da conetividade, posicionar a Colômbia como um líder híbrido na América Latina, promover o país, e estamos a fazê-lo numa perspetiva de regiões turísticas, posicionar a Colômbia como destino número um na região em termos de sustentabilidade, manter essa transição do sistema de comercialização B2C, e apoiar a promoção de projetos de infraestruturas turísticas”.

A presidente da ProColombia realçou ainda que, em matéria de capacitação “decidimos migrar o nosso programa de formação exportadora para um formato virtual possibilitando a formação de mais de 21 mil empresários do nosso país”.

Assim, os olhos estão postos na recuperação turística. Já em 2021, com o início da retoma a Colômbia alcançou dois milhões de visitantes estrangeiros e mais de três mil milhões de dólares em divisas, o que representou uma recuperação de 50% em relação aos resultados de 2019 nos dois indicadores”, deu conta a responsável.

Além disso, em matéria de conetividade, nos anos 2020 e 2021 “abrimos 35 novas rotas, para dizer que duplicámos o número alcançado em 2019”, realçou, para acrescentar que, no que se refere a toda a reativação do MICE “decidimos lançar eventos híbridos e presenciais. Desde fevereiro de 2020 traçámos um propósito: reter e reprogramar os eventos de dimensão internacional, e evitar cancelamentos”. Em 2020 o país conseguiu reter 75% dos eventos que estavam programados, ou seja, 250. Para 2021 foram captadas 90 realizações provenientes de 18 países.

Em 2022, apesar da pandemia, a Colômbia está “quase a igualar os recordes de 2019, um ano que foi histórico para o turismo no país”, sublinhou Santoro.

A responsável deu nota que, até maio deste ano o destino contabilizou 1,594 milhões de chegadas de turistas estrangeiros, o que representa um aumento de 240% comparativamente ao mesmo período do ano anterior. No que toca à conetividade, já registou mais de 1.220 frequências semanais, com uma oferta total de 211.600 lugares, ou seja, um incremento de 6%, sendo 91 dessas rotas aéreas diretas.

Deste modo, a presidente da ProColombia sublinha que “o setor turístico colombiano tem demonstrado a sua imensa resiliência, a sua capacidade de adaptação e tenacidade, por isso, estou segura, vai-nos levar a um novo nível”.

Sustentabilidade e biodiversidade
A nova estratégia de promoção da Colômbia assenta nas seis regiões turísticas que o destino oferece, projeto planeado em parceria com tour operadores, empresas, entidades regionais e entidades governamentais da indústria turística, uma vez que o país pretende ter “uma oferta mais organizada, sustentável e mais competitiva”.

Conscientes do imenso potencial do país, de tudo o que conseguimos, e cada um dos seus destinos turísticos únicos, pensamos que a Colômbia está a desenhar todo um plano de recuperação focado nos esforços e em mudanças inovadoras”

As seis regiões são: as Grandes Caraíbas Colombianas, o Pacífico Colombiano, os Andes Ocidentais Colombianos, os Andes Orientais Colombianos, o Maciço (uma grande oferta de arqueologia, história, e culturas vivas) e o Amazónia-Orinoquá (o grande coração verde da Colômbia, repleta de biodiversidade).

Para Flávia Santoro, a Colômbia tem muito para oferecer em matéria de sustentabilidade, porque “é o país mais biodiverso do mundo por metro quadrado, mas também somos um destino líder em diversidade de borboletas e orquídeas, somos o segundo em diversidade de plantas, terceiro em répteis, e quarto no mundo em maior diversidade de mamíferos. Além disso, estamos entre os 15 países a nível mundial com maior área de cobertura vegetal”.

Ter tudo isso, segundo a Santoro “temos que ser responsáveis. Assumimos essa responsabilidade com compromisso e atos concretos. Por essa razão colocamos em marcha políticas em favor da sustentabilidade e da conservação. A Colômbia avança com pessoas firmes nesse sentido”.

A responsável esclareceu ainda, neste âmbito, que o seu país conta com 1.327 áreas protegidas que equivalem a 30% do território nacional. Por outro lado, a ProColombia está a acompanhar o Ministério do Comércio, Indústria e Turismo na implementação da política de turismo sustentável, sendo um dos 12 países mundiais a contar com medidas concretas nesse sentido.

Mas há mais, “A Colômbia foi um dos primeiros países do mundo a ubir.se para a condição do futuro no turismo, uma condição criada por organizações internacionais como a Greens Destinations. Essa condição proporciona parâmetros para construir uma indústria turística mais sustentável, que proteja os destinos e as pessoas que dependem desta atividade”.

A presidente da ProColombia declarou ainda na sua intervenção dirigida aos empresários portugueses ligados ao turismo, que “estamos plenamente conscientes que a sustentabilidade já não é uma tendência, mas uma exigência em todos os setores”.

No que respeita à diversificação da oferta, o objetivo daquela entidade passa por acompanhar os empresários no seu processo de adaptação âs novas tendências mundiais e de um novo perfil dos viajantes, que “gostam de ter experiências sustentáveis, em destinos responsáveis, e que contemplam um impacto nas comunidades locais”.

Para finalizar a sua intervenção, Flávia Santoro afirmou que a ProColombia “está comprometida e encaminhada em concentrar a Colômbia em destino número um em sustentabilidade na região. Esta é, precisamente, uma das seis apostas estratégicas que visam posicionar o nosso país como destino de alta qualidade, com experiências turísticas baseadas na observação ambiental e de exaltação na riqueza cultural e natural”.

 

NÚMEROS

4,3%
do PIB em 2019, + de 4,5 milhões de turistas estrangeiros, e um total de 17 novas rotas aéreas

+ de 2 milhões
de visitantes internacionais em 2021, + de 3 mil milhões de dólares em divisas, recuperação de 50% face a 2019 e 35 novas rotas aéreas

1,590 milhões
Até maio de 2022, + de 1,590 milhões de chegadas internacionais, aumento de 240% face ao mesmo período do ano anterior, + de 1.220 frequências semanais com uma de 211.600 lugares, que corresponde a subida de 6%

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Surf é o Cristiano Ronaldo do turismo português e continua a somar golos

Uma década depois do mundo ter descoberto as ondas grandes da Nazaré, o surf tornou-se num importante produto turístico que veio tornar mais ‘cool’ a imagem turística de Portugal e contribuir para diminuir a sazonalidade.

Inês de Matos

Em novembro de 2011, o norte-americano Garrett McNamara surfou a maior onda de que havia registo até à data e colocou definitivamente Portugal e a Nazaré no mapa do surf mundial. Por esta altura, Portugal já recebia uma etapa da World Surf League, que se realiza todos os anos em Peniche, e já contava com um surfista entre a elite mundial, uma vez que Tiago Pires – mais conhecido por Saca – já disputava o World Championship Tour (WCT).

Mas tudo mudou com a chegada do norte-americano à Nazaré, com a onda de mais de 20 metros que McNamara surfou na Praia do Norte e que deu a conhecer ao mundo o Canhão da Nazaré. Daí até à campanha que o Turismo de Portugal lançou e que mostrou em Times Square o real tamanho das ondas da Nazaré, foi um instante.

Desde então, o surf e as atividades ligadas ao surf não mais pararam de crescer e, hoje, este é um produto turístico que representa mais de 400 milhões de euros, atrai turistas estrangeiros das mais diversas nacionalidades e que levou a uma mudança na imagem turística do país.

“Costumo dizer que o surf é o Cristiano Ronaldo do turismo português”, diz ao Publituris Rodrigo Machaz, diretor-geral dos Memmo Hotels, que há 15 anos abriu o Memmo Baleeira Hotel, em Sagres, numa altura em que os hotéis ligados ao surf eram ainda uma miragem.

Apesar de admitir que nunca quis fazer um hotel para surfistas, Rodrigo Machaz não tem dúvidas que, “se não houvesse ondas em Sagres, o hotel valia menos de metade”. É que grande parte dos clientes desta unidade hoteleira de quatro estrelas procura o Memmo Baleeira Hotel justamente pelos desportos de ondas, com o surf à cabeça.

É por isso que o hotel disponibiliza um ‘surf centre’, tendo sido mesmo o primeiro a nível nacional a dispor desta facilidade, bem como cacifos e uma área especifica onde os praticantes da modalidade podem guardar e lavar os seus equipamentos.

Quando faço esta comparação com o Cristiano Ronaldo é porque houve uma quebra geracional. O futebol era uma coisa antes do Cristiano e, depois, apareceu um grande jogador que mudou tudo. Com o surf aconteceu o mesmo”, Rodrigo Machaz, diretor-geral Memmo Hotels

De acordo com o responsável, “o surf foi muito importante não apenas para o hotel mas para a região” de Sagres, uma vez atraiu novos públicos e contribuiu para mudar a dinâmica turística desta vila algarvia, numa realidade que se tem vindo a alargar a cada vez mais destinos nacionais, validando a comparação de Rodrigo Machaz com o futebol. “Quando faço esta comparação com o Cristiano Ronaldo é porque houve uma quebra geracional. O futebol era uma coisa antes do Cristiano e, depois, apareceu um grande jogador que mudou tudo. Com o surf aconteceu o mesmo”, defende o responsável, que considera mesmo que, pela procura que lhe está associada, “o surf é o nosso melhor ponta-de-lança”.

Melhor destino do mundo
Além da Nazaré e de Sagres, destinos que contam com condições únicas para a prática do surf, Portugal dispõe de vários outros ‘spots’ de surf, que têm afirmado o país neste segmento.

Ao Publituris, Francisco Rodrigues, presidente da Associação Nacional de Surfistas, que organiza provas e competições a nível nacional, explica que o país oferece uma “larga panóplia de tipos de ondas” e outras características que levam a que Portugal seja já visto como “um dos principais destinos de surf no mundo”.

“Enquanto destino de Surf, Portugal é completo e muito equilibrado”, diz o presidente da Associação Nacional de Sufistas, apontando, além da diversidade de ondas, fatores como a centralidade geográfica, segurança, clima e hospitalidade dos portugueses.

De acordo com o responsável, por todo o país é possível encontrar diferentes spots de surf para todos os tipos de surfistas. Atualmente, os destinos de surf nacionais mais visitados são a Ericeira e Peniche, que têm ondas de classe mundial, ainda que também a costa da Figueira da Foz até Aveiro ofereça ondas de grande qualidade, assim como “mais alguns segredos e aventura”. Já no Porto e em Matosinhos há procura por um tipo de surf “mais urbano”, enquanto o Algarve e as ilhas, nomeadamente os Açores – onde São Miguel “tem desempenhado um papel liderante” -, têm ainda “muito por descobrir”.

A opinião de Francisco Rodrigues é partilhada pelos outros responsáveis ouvidos pelo Publituris, já que também Walter Chicharro, presidente da Câmara Municipal da Nazaré, defende que Portugal já é um dos melhores destinos de surf do mundo, que dispõe de diversos “surf spots de grande qualidade e variedade em 300 kms de costa de fácil acesso e de grande versatilidade”, algo que, sublinha, “não se encontra em mais nenhum país do mundo”.

Enquanto destino de Surf, Portugal é completo e muito equilibrado”, Francisco Rodrigues, presidente da Associação Nacional de Surfistas

E também Vitor Costa, presidente da Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa (ERT-RL) partilha da opinião de que a posição de Portugal no surf já é de liderança, uma vez que o país “tem uma oferta muito diversificada na área do surf e cada vez mais infraestruturas e serviços que permitem tornar o destino como uma das primeiras escolhas dos amantes e praticantes de surf, bem como dos amigos e familiares que por norma os acompanham”.

Vitor Costa dá o exemplo da região de Lisboa, que é “muito rica em condições para a prática do surf, quer a um nível exigente e profissional – na costa a norte de Sintra e Ericeira (Reserva Mundial de Surf, a primeira e única reserva de surf na Europa), quer ao nível do ensino/aprendizagem – na Costa do Estoril e nas praias da Costa de Caparica”.

O responsável considera que “esta é uma oferta muito diversificada e relevante, pois a procura não se faz apenas de pessoas já com muita experiência na modalidade, mas também por aqueles que se encontram a aprender a praticar o surf”.

A ERT-RL tem vindo, aliás, a promover o desenvolvimento de um polo de surf sustentável na Ericeira, uma vez que o Plano Estratégico para o Turismo da Região de Lisboa 2020/2024, “contempla o surf como um produto complementar da região”. Ao abrigo deste plano, a entidade regional tem vindo a promover o “desenvolvimento de várias infraestruturas de apoio e atividades” ligadas ao surf e, atualmente, adianta Vitor Costa, é necessário “dinamizar ainda mais o alojamento de referência com destaque para modelo de surfcamps – oferta integrada de alojamento, escola de surf e atividades em parceria com operadores turísticos”.

O polo de surf da Ericeira tem vindo a ser promovido pela entidade regional a nível internacional através de uma parceria com agências de comunicação de Espanha, França, Itália, Reino Unido, Alemanha e EUA, assim como através de “um trabalho muito próximo com os operadores turísticos e investidores”, com o responsável a explica que a expetativa é que a Ericeira “continue a ter um forte contributo para a diferenciação e desenvolvimento da região, especialmente dos polos onde tem mais incidência”.

O balanço desta aposta é, no entanto, positivo, com Vitor Costa a explicar que, apesar de não existirem dados concretos sobre o impacto económico do surf, “é inegável o efeito positivo que este produto teve no desenvolvimento recente da oferta de alojamento de Mafra”, que passou de 800 para 2.300 camas em apenas cinco anos, assim como no aumento do “número de atividades a si ligadas”, como passeios, outros desportos aquáticos, escolas e divertimento, o que trouxe “consequências positivas, quer ao nível da receita, quer do emprego”.

Imagem e Sazonalidade
Os efeitos positivos do surf são inegáveis e vão muito além do impacto direto na economia, já que este produto turístico permite também atrair novos públicos, reduzir a sazonalidade e tornar mais atrativa a imagem do país enquanto destino turístico.

“Portugal e o Algarve estavam muito conectados com um turismo tradicional, mais sénior, muito ligado ao mercado britânico e mais pesado. Era um turismo pouco cool. Penso que o surf foi uma lufada de ar fresco, trouxe gente bonita a Sagres, pessoas mais jovens e isso tornou o nosso turismo muito mais sexy”, considera Rodrigo Machaz.

Com refere Rodrigo Machaz, o surf trouxe a Portugal um tipo de turismo mais jovem e dinâmico, cosmopolita, que em grande parte é proveniente do Norte da Europa, mas também do Brasil ou EUA, e que vê o surf como “um estilo de vida”, o que contribuiu para mudar a realidade do turismo que Sagres passou a oferecer. “Com a vinda para Sagres destas pessoas, a vila mudou e tem hoje um cenário muito diferente e isso tem levado também muitos estrangeiros a quererem ir viver para lá”, acrescenta o diretor-geral dos Memmo Hotels.

Vitor Costa é da mesma opinião e considera mesmo que “o surf tem contribuído para uma imagem mais forte de Lisboa como destino “cool” – jovem, dinâmico e culturalmente atual”.

E também na região de Lisboa o surf tem levado a “um crescimento de visitantes estrangeiros com esta motivação”, o que traz vantagem ainda ao nível da sazonalidade dos destinos. “O surf é também relevante porque se pratica também – e, sobretudo – em época baixa”, acrescenta Vitor Costa, indicando que, na região de Lisboa, este produto tem atraído ainda “muitos residentes temporários – sejam eles estudantes ou digital nomads – e isso é importante para fazer desenvolver as economias locais ao nível do alojamento, restauração, ofertas de lazer, entre outras. Essa fixação de “novos residentes” também fomenta as visitas a familiares e amigos, com impacte positivo na economia turística”, defende.

Tal como em Lisboa, também na Nazaré o surf tem levado a uma redução da sazonalidade, com Walter Chicharro a explica que, apesar da Nazaré ser “um importante ponto turístico há mais de um século”, tinha um tipo de turismo que “estava circunscrito ao verão e a outros momentos pontuais”, algo que o surf veio mudar. “A época de ondas gigantes, que se estende entre outubro e março, acaba por trazer um turismo que não existia, o que contribui significativamente para reduzir a sazonalidade, própria das zonas balneares”, defende o autarca, indicando que também neste destino há “vários negócios a abrir portas todos os anos” devido ao surf, motivando igualmente “cada vez mais portugueses e estrangeiros a comprar casa na Nazaré”, o que acaba por “dinamizar a economia” da região.

A aposta neste segmento foi, por isso, natural para o executivo municipal que tomou posse em 2013 e que, segundo Walter Chicharro, optou pela “abertura da Praia do Norte a mais surfistas” e apostou “numa comunicação muito forte para a Nazaré”. E os resultados estão à vista: o Forte de S. Miguel Arcanjo, que em 2014 recebia apenas 40 mil visitas, passou a integrar um museu dedicado ao surf e a estar aberto ao público ao longo de todo o ano, o que ditou um exponencial aumento de visitantes, de tal forma que o espaço deverá chegar, ainda este ano, à marca dos dois milhões de visitantes.

O surf tem contribuído para uma imagem mais forte de Lisboa como destino “cool” – jovem, dinâmico e culturalmente atual”, Vitor Costa, presidente da ERT-RL

Ou seja, como afirma o presidente da Associação Nacional de Surfistas, “a importância do surf para Portugal é muito significativa não só pelas cadeias de valor endémicas criadas mas também pelo que estas geram nas outras indústrias conexas”.

Preservar é fundamental
Não existem dúvidas de que o surf é um segmento fundamental para o turismo português e, por isso, para o presidente da Câmara Municipal da Nazaré, é necessário manter “o investimento feito e a promoção inteligente e global”, a exemplo da ação levada a cabo pelo Turismo de Portugal que mostrou o real tamanho das ondas da Nazaré em Times Square.

A promoção é fundamental, concorda Rodrigo Machaz, que considera, no entanto, que, nesta fase, a prioridade deve passar muito mais pela preservação e por garantir a sustentabilidade dos destinos. “O maior receio que tenho é que se destrua Sagres. O turismo não pode crescer infinitamente, isso é muito desafiante e o surf está muito ligado à natureza, por isso, acho que o maior desafio que temos enquanto destino turístico é muito mais a requalificação e preservação do que a construção”, considera o responsável, defendendo que Portugal tem feito uma promoção eficiente no que ao surf diz respeito e que, por isso, “em vez de fazer mais, Portugal está agora na fase e que pode fazer melhor”.

Francisco Rodrigues partilha a opinião do diretor-geral dos Memmo Hotels e também considera que, “de agora em diante, é preciso saber gerir”. “Não só de crescimento se trata. É importante ter uma visão cuidada do processo para que as características naturais que nos trouxeram até aos dias de hoje permaneçam intactas”, alerta o presidente da Associação Nacional de Surfistas, que pede que a opinião dos praticantes desta modalidade seja tida em conta, uma vez que a experiência dos agentes ligados ao surf “deve ser relevada no processo sustentável que é muito importante ter em conta”.

Foi, aliás, com essa preocupação que o Turismo de Portugal se associou à Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, que decorreu em Lisboa, este verão, e promoveu a ação “Let’s Sea – The Waves for the future”, com o objetivo de destacar o papel do surf na proteção dos oceanos e relembrar como todo o ecossistema que envolve empresas, atletas e instituições se deve mobilizar em torno deste desígnio. Pois como lembrou Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal, “a sustentabilidade é um dos pilares do turismo do futuro, um propósito incontornável para a atividade turística a nível mundial. Criando um turismo mais sustentável, mais responsável e mais consciente, cria-se um melhor amanhã”.

 

NÚMEROS

400M€
Apesar de ser um valor que já estará desatualizado, calcula-se que o surf e as atividades ligadas a esta modalidade tenham um impacto económico em Portugal acima dos 400 milhões de euros por ano.

15
Há 15 anos, os Memmo Hotels abriram o Memmo Baleeira Hotel, uma unidade de quatro estrelas em Sagres, que foi pioneira por apostar no surf e disponibilizar várias valências para os seus praticantes, como Surf Center, cacifos e áreas para lavar os equipamentos.

2.300
Em cinco anos, o município de Mafra passou de 800 para 2.300 camas de alojamento turístico, num crescimento que está relacionado com a aposta no surf e com a criação de um polo turístico de surf sustentável na Ericeira.

Sobre o autorInês de Matos

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“Este é um segmento [enoturismo] altamente estratégico para Portugal”

Quem o afirma é Frederico Falcão, presidente da ViniPortugal, entidade que “pretende ser um parceiro na capacitação, qualificação e formação do enoturismo no país” e, sobretudo, “unir o setor nesta matéria”.

Em entrevista ao Publituris, o presidente da ViniPortugal, Frederico Falcão, faz uma resenha do setor do enoturismo no nosso país, do seu crescimento, das suas mais valias nas diversas regiões do país, e do que está a ser feito ao nível da sua promoção, através da marca Wines of Portugal.

Como é que a ViniPortugal através da marca Wines of Portugal encara o segmento do enoturismo?
A Wines of Portugal leva Portugal a mais de 20 mercados em todo o mundo, destacando o nosso país como um produtor de referência, mas também para o posicionar enquanto um destino de referência mundial no enoturismo. Este é um segmento altamente estratégico para Portugal, especialmente por estar em crescimento ano após ano e por se tratarem de turistas com um elevado poder de compra.

Atualmente o nosso país é conhecido no mundo por produzir vinho de excelência, por isso, quando é o momento de escolher um destino turístico, no caso de Portugal, os vinhos e a gastronomia são determinantes na escolha. A somar a estes fatores está a curiosidade dos turistas pelas quintas dos produtores nacionais que os conduzem a visitas e ao enoturismo. São estes alguns dos argumentos que apresentamos além-fronteiras e que nos fazem crer, com certezas, que somos também um país de enoturismo de excelência.

A crescente importância deste segmento reflete-se também nos resultados das exportações dos vinhos nacionais, uma vez que os enoturistas, depois das experiências memoráveis nas quintas, adegas e caves do nosso país tencionam ter os vinhos de Portugal à sua mesa para degustar e reviver.

Promover para reforçar posição do país
O que está feito em termos de promoção deste segmento contemplado no vosso plano de marketing?
O plano de promoção da ViniPortugal inclui uma estratégia de comunicação no âmbito do enoturismo, onde temos o intuito de reforçar a posição do nosso país neste segmento. Neste sentido, marcamos presença assídua nos principais eventos internacionais do setor, iniciativas onde participam especialistas desta área e onde divulgamos o que de melhor se faz em Portugal, também neste segmento. Comunicamos vinhos sim, mas é através deles que apresentamos também o vasto património vitivinícola das diversas regiões do nosso país, os produtores nacionais, as suas adegas e convidamos a viver experiências turísticas memoráveis, como é o caso da participação nas vindimas onde é possível, por exemplo, vivenciar o pisar das uvas.

É um tipo de turismo que pode ajudar a combater a sazonalidade?
Sim, sem dúvida. Nos dias de hoje, os consumidores de vinho de todo o mundo querem saber mais sobre o processo de transformação da uva até à garrafa. Este tipo de consumidor quer envolver-se e participar numa próxima vindima, transformando um simples processo de compra e venda numa verdadeira experiência de enoturismo. Um cliente de vinho passa assim a ser um turista, porque tem interesse em conhecer o local da vinha, quer apreciar a cultura local e saber mais sobre a história daquele produto em particular. Este é um interesse que surge na maioria das vezes na época das vindimas, mas que se prolonga ao longo de meses e pode impulsionar o enoturismo, seja em turismo rural ou urbano, em qualquer altura do ano.

Qual tem sido o papel das entidades do turismo, designadamente do Turismo de Portugal, com vista ao desenvolvimento do enoturismo? A que patamar se pretende chegar?
A ViniPortugal faz parte do Conselho Estratégico Nacional do Enoturismo para delinear, com o Turismo e demais entidades relevantes, estratégias a assumir para o futuro do enoturismo. Este conselho foi também criado para reforçar a captação de eventos internacionais ligados ao enoturismo, onde a ViniPortugal, através da Wines of Portugal, marca presença.

O desenvolvimento da oferta de enoturismo em todo o território está a ser trabalhado por produtores, distribuidores, enólogos, operadores turísticos e negócios locais, em comunicações regulares junto dos consumidores. O Turismo de Portugal tem um papel relevante, mas não é o único neste âmbito. Também as Comissões Vitivinícolas Regionais são importantes neste segmento e têm vindo a dinamizar, com frequência, programas com diversas iniciativas ao longo de todo o ano.

A ViniPortugal pretende ser um parceiro na capacitação, qualificação e formação do enoturismo no país e queremos, sobretudo, unir o setor nesta matéria.

O que é que este segmento já representa ao nível dos produtores em Portugal?
É com satisfação que vemos os produtores nacionais a conseguirem alargar as suas vendas à esfera do enoturismo e a tirar partido das particularidades das suas quintas e adegas para proporcionar novas experiências para os apreciadores deste tipo de turismo. De momento não temos dados suficiente neste segmento, mas faz parte da estratégia fazer um estudo aprofundado sobre o enoturismo em Portugal.

Um cliente de vinho passa assim a ser um turista, porque tem interesse em conhecer o local da vinha, quer apreciar a cultura local e saber mais sobre a história daquele produto em particular”

Produtores são verdadeiros guias turísticos
O que é que as adegas têm de fazer, em termos de investimentos, para tornar este produto mais apelativo? Deviam criar também alojamento turístico?
O mercado mundial de vinhos e o segmento do enoturismo encontram-se em constante crescimento, pelo que a diferenciação é um fator muito relevante para captar a atenção do consumidor. Os produtores nacionais estão já um passo à frente, com a inovação dos seus vinhos, onde recuperam castas antigas e as utilizam enquanto ingredientes ‘secretos’ para os diferenciar dos demais. Este foi um primeiro passo em que atraíram novos consumidores e consolidaram os atuais clientes.

Este segmento pressupõe, acima de qualquer outro fator, a qualidade do vinho, pois, é o produto que vai levar este tipo de turistas à região e promover o destino.

Atualmente estamos perante uma exigência cada vez maior, seja porque o consumidor está mais atento à origem do produto, porque está preocupado com as questões ambientais ou mais predisposto à digitalização. Os produtores de vinho estão a adaptar-se às tendências de consumo, a adotar estratégias de transformação digital nas suas empresas e a implementar práticas mais sustentáveis nas suas adegas, desde a produção até aos processos de distribuição.

Desde cedo, destacam nos seus produtos a origem, onde mostram o percurso da garrafa entre a vindima e a mesa do consumidor e esta mudança fez com que o consumidor quisesse saber mais e transformasse a venda num interesse pelo enoturismo.

Foi assim que os produtores demonstraram que sabem contar a sua história. Comunicam-na de forma eficiente e proporcionam aos turistas experiências e atividades como visitas guiadas, apanha da uva, workshops e provas comentadas nas caves, lagares ou adegas, almoços e jantares enogastronómicos, circuitos aos processos de produção e/ou visita a pontos de interesse nas suas propriedades. Com autenticidade, confiança e singularidade partilham o local da vinha e todos os detalhes dos seus produtos, promovendo a região vitivinícola que representam e, também, Portugal.

Temos produtores que convidam os turistas para os seus alojamentos turísticos, outros que sugerem estabelecimentos de referência da região, todos eles impulsionam o turismo da sua zona, levando os turistas às principais atrações locais, e sugerindo restaurantes regionais para provarem a harmonização dos seus vinhos. Os produtores nacionais são verdadeiros guias turísticos.

Mas a inovação tem de ser constante, por parte do produtor, para que consiga acompanhar o consumidor que está em igual transformação. Nesta matéria pressupõe também a digitalização e a automação nos seus processos, realidades que chegaram com a evolução tecnológica e que vieram para ficar.

Nos dias de hoje, o enoturismo já vai muito além das atividades que os produtores disponibilizam. Os turistas querem vivenciar a cultura e a tradição de cada região, as novas experiências passam pela criação do seu próprio vinho, recriando os processos tradicionais da vindima aliado à inovação, querem conhecer o modo de vida dos habitantes locais e visitar lugares fora do comum. Os produtores têm de criar uma oferta que responda à necessidade que existe.

Sobre o autorCarolina Morgado

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Portugal tem lugar no pódio no enoturismo

A qualidade do enoturismo coloca Portugal no pódio das regiões vinícolas mais famosas em todo o mundo, quer pela produção de vinhos, da cultura da vinha e das experiências relacionadas com estes setores. O enoturismo está a crescer a olhos vistos no nosso país e o seu desenvolvimento, em praticamente todas as regiões, permite criar um turismo diferenciador e possível de ser usufruído durante todo o ano.

Portugal é o segundo melhor país para os amantes de vinho visitarem nas férias, posição que ocupa pelo segundo ano consecutivo, destronado apenas pela Itália. Um recente estudo da Bounce destaca ainda países como Espanha, França, Nova Zelândia, Grécia, Chile, Argentina, Austrália e a Hungria no ranking dos 10 melhores.

O trabalho, que analisa fatores como o consumo e produção de vinho, a área dos vinhedos face à dimensão do país, as visitas de enoturismo e o custo médio da garrafa de vinho, visa dar a conhecer as melhores localizações para quem gosta de vinho visitar nas suas férias.

A Itália ocupa o primeiro lugar, sendo o maior produtor com 82 milhões de hectolitros por 100.000 pessoas e com cerca de 400 variedades de vinhas nativas no país, seguindo-se Portugal com o maior número de visitas de enoturismo.

Muitas pessoas adoram a experiência de experimentar coisas novas, o que é especialmente verdade com o vinho. De passeios em vinhedos e degustações de vinhos a novas misturas criadas por enólogos inovadores, o mundo do vinho oferece infinitas possibilidades para explorar. Os amantes do vinho levam isso ainda mais longe, viajando pelo mundo para vivenciar novas experiências.

Segundo a análise, Portugal tem duas regiões produtoras de vinho designadas como património mundial da UNESCO, uma das quais produz o vinho mais reconhecido de Portugal, o Porto, em homenagem à cidade do Porto. Esta reputação internacional de produzir vinhos únicos pode ser a razão pela qual este país também tem o maior número de tours de vinho. Esta designação da UNESCO tornou locais como o vale do Douro, berço do Porto, em atrações turísticas populares para os amantes do vinho, levando a um elevado número de passeios e provas de vinho.

O enoturismo representa um excelente veículo para quem quiser descobrir uma região através do vinho e conhecer todos os seus aspetos culturais e turísticos, e neste caso, as rotas do vinho desempenham um papel importante de organização e divulgação deste segmento.

Ao descobrir-se o vinho no seu meio natural, compreende-se que este não é uma bebida qualquer, mas sim um produto tradicional, cheio de história. Portugal é, todo ele, uma mancha vitícola pelo que o enoturismo representa um veículo para que as pessoas que visitam uma região possam descobrir, através do vinho, todos os aspetos culturais da mesma, do artesanato ao património paisagístico, arquitetónico e museológico, passando pela gastronomia.

Vinho é sinónimo de alegria, de amizade, de celebração. Nos últimos tempos, tem sido também sinónimo de crescimento no turismo, sobretudo com o setor a recuperar de um dos piores momentos de sempre, e com as pessoas a procurar cada vez mais destinos rurais.

Produto estruturante
Portugal, mais propriamente o Alentejo (Reguengos de Monsaraz), foi palco, o ano passado, da Conferência Mundial de Enoturismo, sob a égide da OMT – Organização Mundial do Turismo, com o mote “Enoturismo – um motor do desenvolvimento rural”, onde foi destacado o contributo deste segmento para o desenvolvimento regional e o seu potencial para gerar inovação e negócio para os territórios e para as empresas.

A Conferência incluiu apresentações e debates sobre as diversas dimensões do enoturismo, nos quais se incluem os temas relacionados com a inovação, a sustentabilidade, a gestão de destinos turísticos, bem como o cruzamento com a gastronomia e o reforço do conhecimento da procura e das tendências do consumidor.

É nesta perspetiva que a OMT olha para este segmento, como motor do crescimento das economias locais e de mudança social: “Este é um setor que pode liderar uma mudança positiva, especialmente em muitas comunidades rurais, criando empregos e oportunidades nas áreas mais despovoadas, impulsionando o crescimento económico e preservando o ambiente natural e cultural”, conforme testemunhou, no Alentejo, o seu secretário-geral, Zurab Pololikashvili.

Identificado na Estratégia Turismo 2027 (ET27) como um dos ativos qualificadores do destino, o enoturismo, pelas suas caraterísticas e valências, possui uma capacidade de atração e retenção de um público altamente qualificado e com elevado poder de compra, permitindo múltiplas âncoras de atração em todo o território e durante todo o ano, contribuindo assim para a coesão territorial da atividade turística e para a redução da sazonalidade, indica o Turismo de Portugal, que empenhado em manter o destino no topo das preferências dos turistas, lançou um programa de ação para o enoturismo.

Este programa implementa-se na prática através de ações de promoção e formação com o objetivo de potenciar o cross-selling entre ‘vinho’ e ‘turismo’, induzir boas práticas nos agentes do setor, contribuir para a estruturação e valorização de destinos e rotas de enoturismo e valorizar os territórios vinhateiros.

No que se refere à projeção internacional do enoturismo, sob a marca “PortugueseWineTourism”, têm sido desenvolvidas várias ações de promoção de Portugal enquanto destino de enoturismo nos mercados externos.

Este segmento assume centralidade nas iniciativas junto do trade internacional, bem como na captação de eventos internacionais, como foi o caso desta Conferência Mundial de Enoturismo da OMT.

Igualmente, a plataforma digital www.portuguesewinetourism.com que agrega a oferta de enoturismo nacional, conferindo-lhe maior escala e notoriedade nos mercados interno e externo e funcionado também como âncora na vertente de promoção internacional, tem tido um papel importante.

Foi também a Conferência de Reguengos de Monsaraz que deu o pontapé de saída para a criação do Conselho Estratégico Nacional do Enoturismo, com vista a alargar o compromisso deste segmento a outras entidades, públicas e privadas, em todo o território nacional.

O Conselho Estratégico Nacional do Enoturismo, coordenado pelo Turismo de Portugal, assume-se como um grupo de reflexão, debate e concertação sobre o enoturismo nacional, competindo-lhe também a formulação de recomendações com base nas prioridades estratégicas definidas.

Refira-se que 10% daqueles que nos visitaram em 2019, num universo global de 27 milhões de turistas, vieram pelo enoturismo e pelo vinho, mas o Governo acredita que “conseguimos mais”.

Sobre o autorCarolina Morgado

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“O que nos distingue não é o autocarro, mas o serviço de excelência que procuramos dar ao cliente”

Depois de dois anos em suspenso devido à pandemia, a DP Tours Plus já está a operar em pleno, oferecendo tours e transferes de excelência. Em entrevista ao Publituris, Diamantino Pereira, fundador e diretor-geral da empresa, faz um balanço positivo do arranque e revela os planos para o futuro, que, apesar dos desafios, passam pelo crescimento.

Inês de Matos

Nascida em janeiro de 2020, a DP Tours Plus não teve vida fácil nos primeiros meses. À pandemia e à paragem da atividade turística, juntou-se a falta de apoios, fazendo com que o arranque desta empresa de tours e transferes, que foi fundada e é dirigida por Diamantino Pereira, profissional bem conhecido do trade turístico nacional, só começasse verdadeiramente a operar em abril/maio deste ano.

Apesar do início conturbado, a espera por melhores dias compensou e, atualmente, DP Tours Plus está já a pensar em adquirir mais viaturas para conseguir dar resposta aos diversos pedidos, isto apesar dos desafios que também o mercado dos tours e transferes enfrenta, com destaque para o aumento do preço do combustível. Depois, há a velha questão do aeroporto de Lisboa, que também para estes profissionais há muito deixou de ter condições, o que leva o responsável a pedir “rapidez” na decisão sobre o futuro aeroporto.

O que é a DP Tours Plus, quando nasceu e como sobreviveu a empresa à pandemia da COVID-19?
Desde logo, quero explicar que o nome DP Tours Plus tem este ‘Plus’ porque queremos dar aos clientes em serviço extra, um serviço suplementar e distinto.

Nascemos mal, lançámos a empresa em janeiro de 2020, na FITUR, e, logo em março, levámos com a COVID-19 e estivemos parados dois anos.

Foram dois anos com as viaturas paradas, com custos fixos e não tivemos apoios nenhuns porque éramos uma empresa muito recente. Por isso, foram dois anos muito difíceis.

Mas, apesar das dificuldades, não vendemos nem trocámos veículos e esperámos que surgisse uma nova oportunidade, o que aconteceu agora, em abril e maio, em que já posso dizer que as coisas estão a correr bem.

Que serviços disponibiliza a DP Tour Plus?
Somos uma empresa de transportes. Não somos DMC, somos uma empresa de transportes B2B puro e os nossos clientes-alvo são as agências de viagens, DMC e hotéis. Fazemos muitos serviços para hotéis.

Portanto, não somos um DMC e não vendemos diretamente ao público, ao contrário do que, por vezes, o mercado pensa.

Quanto aos serviços, fazemos tours e transferes. Estamos a especializar-nos muito em alguns tours, nomeadamente em três, que são: Portugal com Santiago de Compostela, num tour de 10 dias; Portugal e Andaluzia; e temos também muitos tours que começam em Portugal e terminam em Espanha ou vice-versa. Estes são os tours em que somos especialistas.

Além destes, que são também aqueles que vendemos mais, criámos três tours que ainda não têm grande procura porque ainda não são conhecidos mas que foram criados em consequência de viagens de inspeção. São tours que fogem um pouco do resto que fazemos, um é sobre as raízes do povo judeu em Portugal, num tour de seis dias; outro é a EN2 – não é um tour original, a estada já lá está, mas fui lá experimentar e escolher os melhores locais para realizar paragens, para alojamento e para viver algumas experiências. Depois, temos ainda um tour dos Templários, que explora a história dos Templários em Portugal, além de Tomar e Almourol.

Temos um catálogo com alguns tours definidos e, depois, também fazemos tours à medida do cliente. Ou seja, se um DMC nos pedir, por exemplo, um tour em Marrocos, também fazemos.

Fazemos igualmente transferes – o grosso do negócio são os tours, mas também fazemos transferes, principalmente para a hotelaria.

Mas queria deixar claro que somos transportistas, não somos um DMC.

Esta empresa não é um hobby. É uma empresa séria, profissional, não é apenas uma coisa para estar entretido, ao contrário do que uma parte do setor possa pensar”


Porque optou pela área dos tours e transferes quando pensou em criar a sua própria empresa?
É um negócio que conheço. Fui admitido na Agência Abreu, como guia, com 25 anos. Trabalhei como guia durante muitos anos, até me convidarem para ficar no escritório. Estive quase 40 anos na Abreu e uma das funções que tinha eram as excursões de autocarro. Adquiri todo um ‘know how’ que me permite, hoje, saber do negócio, saber o que o cliente quer e permite-me antever e antecipar alguns problemas, o que acaba por contribuir para que possamos dar um melhor serviço porque conseguimos pensar em pormenores que escapam a muita gente. Por exemplo, devido ao facto de não termos condições no aeroporto de Lisboa, arranjámos umas placas de dimensões maiores para que os clientes nos vejam quando chegam. E funciona, felizmente não tenho ‘no shows’, mas é um detalhe de que só quem já conhece este mundo se lembra.

A escolha desta área de negócio foi intuitiva, atendendo à experiência que já tinha em autocarros?
Quando pensei em criar a empresa, pensei em dois ou três negócios, porque me sentia com capacidade para continuar a trabalhar. Este negócio foi um pouco intuitivo, porque é aquilo que honestamente sei fazer. Também fiz muitos charters, creio que foram centenas, mas não tinha capacidade para criar um operador, é preciso uma grande capacidade financeira. Os charters são muito caros e o risco é muito grande e, por isso, foi uma ideia que ficou logo de parte e percebi que aquilo que, de facto, está no meu ADN são os autocarros.

Mas esta empresa não é um hobby. É uma empresa séria, profissional, não é apenas uma coisa para estar entretido, ao contrário do que uma parte do setor possa pensar. Quando decidi avançar com este projeto foi com muita convicção e, agora, o objetivo é que o negócio cresça.

Enquanto empresa de transportes B2B, têm parcerias com DMC´s, agências e hotéis?
Sim, temos várias parcerias. Não nego que o facto de ter estado muitos anos no mercado – primeiro na Abreu e, depois, na Ávoris -, é uma vantagem, consegui angariar muitas amizades e, acima de tudo, muita confiança. Aquilo que sempre caracterizou a minha atuação foi a honestidade. Ao longo da minha carreira profissional, sempre fiz bons negócios sem mentir ou enganar, sempre fiz negócios com transparência e honestidade. Por isso, conquistei essa imagem no mercado e as pessoas associam a minha pessoa a essa imagem, o que acaba por ser uma mais-valia e uma responsabilidade muito grande.

Queremos diversificar e sentimos necessidade de ter, pelo menos, uma viatura de 26/28 lugares e outra de 45/48 lugares. Este é o nosso propósito a médio prazo”


Serviço e viaturas
Que tipo de viaturas tem a DP Tours Plus?
Neste momento, temos três Mercedes Sprinter de 15 lugares e uma de nove, e temos motoristas próprios. Ou seja, estamos especializados em serviços para pequenos grupos, de 10, 12 e até um máximo de 15 pessoas. Mas queremos diversificar e sentimos necessidade de ter, pelo menos, uma viatura de 26/28 lugares e outra de 45/48 lugares. Este é o nosso propósito a médio prazo, porque já houve algumas situações em que não conseguimos corresponder aos pedidos porque não tínhamos capacidade, embora estejamos associados a um ‘pool’ que tem viaturas maiores e às quais podemos recorrer, mas que não são nossas.

Os tours da DP Tours Plus contam com serviço de guia?
Sim, temos uma seleção de guias – quatro ou cinco – que não trabalham exclusivamente para nós. Hoje em dia, há muito poucas empresas em Portugal com guias efetivos. Nós também não temos, mas trabalhamos com uma seleção de guias que conheço muito bem e que são excelentes.

Que características têm as vossas viaturas, nomeadamente em termos de conforto e mais-valias para os passageiros? Têm, por exemplo, internet Wi-Fi?
A Mercedes Sprinter é uma viatura que tem a carroçaria feita em Portugal e isso permite-nos dizer aquilo que queremos, ou seja, é como fazer um fato à medida. Introduzimos uma série de upgrades que não são estandardizados. Por exemplo, na versão original, o frigorifico tem capacidade de 20 litros, nós aumentámos para 65 litros. Além disso, o degrau não baixava até ao chão, o que poderia ser complicado para pessoas com dificuldade de locomoção e pedimos para que assim fosse.

No caso da internet, também temos Wi-Fi a bordo e que funciona. Mas não é só, os bancos também se podem movimentar lateralmente, a bagageira tem maior capacidade – até porque trabalhamos muito com o mercado brasileiro, que vem duas ou três semanas de férias para a Europa e costuma trazer muita bagagem. Como tivemos oportunidade de ajudar a desenhar o veículo, aumentámos 20% a 25% a bagageira.

Depois, são veículos automáticos que são, de facto, muito cómodos e seguros e, por isso, posso dizer que não vamos mudar de marca, estamos muito satisfeitos, são veículos excelentes.

O conforto das viaturas também contribui para a diferenciação do serviço?
Não me parece que seja por aí, em Portugal há muitas empresas com muito bons veículos. Quando temos autocarros, ficamos viciados e damos por nós a olhar para os veículos da concorrência e, por isso, tenho noção de que há muita qualidade e, embora os nossos sejam veículos muito evoluídos, não é isso que diferencia o serviço.

Então o que é que diferencia o serviço da DP Tours Plus?
A diferença está no próprio serviço e na confiança que existe entre nós e os clientes. Para dar um exemplo, no nosso profile, está o meu número de telefone pessoal e quando dizemos que temos assistência 24h, é mesmo 24h. O meu telefone está sempre ligado e os clientes sabem disso, como também sabem que temos backups, e isso é importante porque os autocarros avariam, há acidentes e estamos muito bem preparados para responder a qualquer problema.

Portanto, esta confiança é muito importante e, depois, também é fundamental que exista cordialidade. O nosso lema é “we are professional and friendly” e é isso que procuramos dar aos nossos clientes. Temos de ser cordiais e humildes, as pessoas que trabalham connosco sabem que temos uma política de tolerância zero, ou seja, o cliente tem sempre de ser bem tratado, se não os tratamos bem corremos risco de abrir falência.

Por isso, a grande diferença não está no autocarro e é preciso ver que o nosso cliente não é o passageiro, é o DMC ou a agência que nos enviou esse passageiro. Portanto, quando prestamos um bom serviço, fidelizamos um cliente para nós e para a agência. E isso também é muito gratificante. Lutamos para fazer o melhor e para o cliente ficar satisfeito, oferecendo um bom produto, um bom atendimento e um bom pós-venda. O que nos distingue não é o autocarro, mas o serviço de excelência que procuramos dar ao cliente.

Perspetivas e desafios
No início desta entrevista disse que o arranque da DP Tours Plus foi complicado devido à pandemia, mas que, agora, já existe procura. Como está a correr o negócio?
Em relação ao verão, estamos bem. Quanto ao inverno, prefiro esperar, não posso dizer como vai correr porque ainda não temos histórico.

O que posso dizer é que o verão está a correr muito bem, até um pouco melhor do que eram as nossas expectativas, o que também nos dá algum alento de que, pelo menos, possamos enfrentar o inverno com aquilo que fizemos no verão. Para quem viveu as dificuldades dos últimos dois anos, posso dizer que estamos satisfeitos.

É muito difícil quando começamos de novo, é preciso começar a ganhar tração, mas posso dizer que as coisas estão a correr bastante bem e que estamos a lutar para que também o inverno possa correr bem. Não estamos à espera de que as coisas aconteçam e, por isso, já estamos a trabalhar no inverno para termos uma temporada aceitável.

É muito difícil quando começamos de novo, é preciso começar a ganhar tração, mas posso dizer que as coisas estão a correr bastante bem e que estamos a lutar para que também o inverno possa correr bem”


Ao nível de mercados, quais são os que estão a registar maior procura pelos serviços da DP Tours Plus?
Todas as empresas têm mercados preferenciais e os nossos são aqueles onde tenho algumas raízes, nomeadamente na América Latina. Trabalhei muitos anos na Argentina, Chile, México, Colômbia, Uruguai e Bolívia. Depois, também temos o Brasil, que é um excelente mercado para nós, assim como a Argentina e o Uruguai. Às vezes é preciso conhecer os mercados para os conseguirmos trabalhar e, felizmente, fruto da minha experiência e de ter trabalhado muitos anos com esses mercados, adquiri algum ‘know how’ e sei como tratar esses clientes.

Além desses mercados, há outro que também trabalhamos muito bem, que é o mercado espanhol.

Não teve cancelamentos desses mercados da América Latina, nomeadamente do Brasil, devido à guerra na Ucrânia?
No início, houve o receio de que o facto da guerra ser na Europa pudesse levar alguns mercados, como o brasileiro, a terem receio de vir para a Europa. Eu próprio ouvi os comentários e também, até certo ponto, pensei que isso pudesse acontecer, mas agora posso dizer que estava completamente enganado.

Na DP Tours Plus, não tivemos problemas de cancelamentos e, ainda esta semana estivemos em Évora com um grupo e 80% eram brasileiros. É um mercado que trabalhamos bem.

Mas a guerra está a trazer também outros problemas, nomeadamente inflação e aumento dos custos. No caso da DP Tours Plus, este aumento de custos vai ser um problema?
Já está a ser um problema. A maioria das empresas de transportes já está a pagar mais 30% ou 40% no combustível e não estamos a refletir esses aumentos nos preços finais. Portanto, é um problema que nos afeta imenso, admito que alguns transportistas tenham força para refletir na conta final esse aumento, mas também conheço muitos que não e eu sou um deles.

Como é que se consegue gerir uma empresa de transportes com o combustível a aumentar semanalmente?
É muito complicado. Há seis meses, um litro de gasóleo custava 1,30 euros e, agora, custa 2,23 euros. Ou seja, quando enchemos o depósito de uma sprinter custa 130 euros e não há crédito.

Admito que a maioria das empresas não está a refletir na fatura final estes aumentos, nós, por exemplo, não temos essa capacidade mas, se esta tendência se mantiver, mais cedo ou mais tarde, isso vai ter de acontecer.

Tenho a esperança que a guerra acabe rápido e que o preço dos combustíveis volte a normalizar mas, se a subida se mantiver, não conseguimos manter os preços. Ou temos capacidade de refletir isso na conta do cliente – o que também nos vai prejudicar porque o preço final fica mais alto e o cliente, depois, já não quer – ou esta subida não será suportável por muito tempo. Mantenho a esperança que a guerra acabe antes do inverno e que o gasóleo possa descer.

Aeroporto
Outro problema, que é, aliás, uma questão que se arrasta há décadas, é o aeroporto de Lisboa e, há poucas semanas, foi proposta a solução de dois aeroportos – Montijo e Alcochete. Como vê esta hipótese, poderia ser a solução que o setor do turismo precisa?
Acerca dessa proposta de dois aeroportos, nem faço comentários porque penso que foi um absurdo. Mas o certo é que, nesta questão do aeroporto, andamos atrasados 50 anos.

Acho que a melhor solução seria Alcochete, porque seria um aeroporto para o futuro. Mas, acima de tudo, o que peço, assim como o setor do turismo, é que seja rápido.

O problema da Portela é que só dá para metade dos passageiros. Para as pessoas que vêm de fora do espaço Schengen, e nós temos muitos clientes brasileiros, é um problema porque são horas de espera. Posso dar um exemplo, há pouco tempo tive um grupo de 13 pessoas que chegou a Lisboa e, depois, fez um tour pela Andaluzia. Era um grupo que vinha de Salvador, no Brasil, e estava previsto chegar às 11h00, mas o voo até chegou antes, às 10h35. Sabe a que horas os clientes saíram do aeroporto? Às 18h10, e ainda fomos para Córdoba, em Espanha, onde só chegámos às 03h30.

Portanto, acho sinceramente que as pessoas que andam a protelar esta decisão nunca viveram estes problemas. O nosso prazo de validade já terminou e acho que as pessoas que decidem não têm essa noção.

E Beja, qual é a sua opinião sobre a utilização deste aeroporto em complemento de Lisboa?
Há cerca de cinco anos fiz uma inspeção ao Aeroporto de Beja com outros operadores e não nos convenceu. Não há autoestrada, não há comboio, não tem condições nenhumas.

As condições do aeroporto até são boas e, apesar de ser pequeno, o aeroporto funciona. O problema é a distância a que está de Lisboa, além da concorrência, como se explicaria que uns voos partissem de Lisboa e outros de Beja? Nessa altura, estava na operação turística e percebi que um operador que colocasse um charter em Beja só venderia quando os charters que partissem da Portela estivessem cheios e é preciso ver que o risco de um charter é muito grande.

Portanto, estamos atrasados e não temos grande alternativa à construção do aeroporto em Alcochete. O que gostaria era que fosse rápido porque estamos muito carentes.

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“A atual recuperação do setor será mais digital, muito mais sustentável e a adoção da tecnologia será fundamental”

Num momento em que as empresas recuperam, a facilitação de processos e a criação de melhores experiências, tornam-se imprescindíveis. João Carvalho, Head of SAP Concur | Southern Europe and Francophone Africa, falou com o Publituris e deu a conhecer as mais-valias da nova solução SAP.

Victor Jorge

Muitas empresas utilizam soluções digitais para simplificarem a reserva de viagens, outras utilizam software de gestão de despesas para ajudarem os colaboradores a simplificarem o processo de envio de despesas e aceleração de reembolsos. No entanto, para criarem experiências excecionais de colaborador e, ao mesmo tempo, controlarem os custos, as empresas têm de encontrar formas de integrarem as suas abordagens à gestão de viagens e despesas (T&E) numa única estratégia coesa.

Por isso, João Carvalho, Head of SAP Concur | Southern Europe and Francophone Africa, salienta que “as empresas estão cada vez mais interessadas em soluções que ajudem os gestores de viagens e os responsáveis de Recursos Humanos a avaliar e gerir o risco das viagens”, sendo essencial “facilitar e desburocratizar cada vez mais os processos empresariais, tendo em conta o impacto ambiental das deslocações”.

A SAP apresentou, recentemente, a solução SAP Concur. No que consiste esta solução e que mais-valia traz ao setor do turismo e respetivos atores?
A SAP Concur é uma solução que pode definir-se como uma solução integral de gestão de viagens de empresa e de reembolso de despesas do colaborador. Graças a esta solução, um processo que, tipicamente, sempre foi manual passa agora a ser digital e possível de o fazer numa única plataforma e que está nas mãos do colaborador, que gere e/ou realiza essa deslocação e que com isso acaba por gerar despesas para liquidar.

Neste momento, o setor do turismo de negócios está a viver uma recuperação relevante e tanto as empresas como os seus colaboradores requerem cada vez mais soluções digitais de fácil utilização para realizar a gestão completa das suas deslocações profissionais da mesma forma que o fazem nas suas deslocações de âmbito pessoal. Na situação atual, onde ainda existem restrições e as empresas, em geral, estão a repensar todo o programa de viagens, contar com uma solução deste estilo gera por sua vez um sentimento de confiança no colaborador e, ao mesmo tempo, de controlo, na organização, facilitando assim o regresso das viagens corporativas gerando desta forma um impacto positivo no setor turístico.

Trata-se de uma solução end-to-end que dizem diferenciar-se da concorrência em Portugal. Em que aspetos?
Quando nos referimos ao processo end–to–end falamos da conjugação, numa única aplicação, dos processos de viagens e de despesas. Ou seja, o colaborador pode fazer diretamente, na aplicação, todo o processo de aprovação e reserva online, em tempo real, dos diversos serviços que vai precisar para a sua viagem (aéreo, hotel, rent-a-car, etc…). À posteriori, e na mesma app, fará o upload dos recibos referentes às despesas associadas a essa viagem ou deslocação. Após esta fase, os documentos estarão sujeitos ao processo de aprovação que a empresa tenha pré-definido, seguindo depois para a área financeira de forma a ser realizado o reembolso correspondente ao colaborador. A nível organizacional, estes dois processos sempre ocorreram de forma separada – as viagens acabavam por ser geridas por uma equipa e as despesas, que acabam por ser o impacto desta ação, por outros elementos da empresa (obviamente que cada empresa tem a sua organização interna).

Esta solução permite juntar estes dois “mundos” tornando-se num processo único, end-to-end, para o colaborador. Assim, a SAP Concur permite uma gestão integral e digital de todo o processo.

Em relação ao mercado português temos vindo a constatar que os processos são ainda muito manuais, baseados em papel e em aprovações (via email) e que existem ainda organizações onde é requerida, por exemplo, uma assinatura manual das chefias. Sentimos, por isso, que havia uma janela de oportunidade para melhoria de todo este processo. Melhoria esta que tem vindo a ser pedida pelos próprios colaboradores, uma vez que facilita não só a sua vida como a do back office.

O setor do turismo de negócios está a viver uma recuperação relevante e tanto as empresas como os seus colaboradores requerem cada vez mais soluções digitais de fácil utilização

 

Futuro (obrigatoriamente) digital
A tecnologia ou digitalização entraram, definitivamente, no léxico do setor do turismo. Que maiores dificuldades ou desafios são colocados na explicação da necessidade dos players do turismo enveredarem por este tipo de soluções?
No que se refere ao turismo de negócios, o impacto da tecnologia segue o mesmo caminho que o turismo de lazer. Neste sentido a adoção de ferramentas tecnológicas para otimizar a relação entre o viajante e a empresa fornecedora do serviço (seja a agência de viagens ou outros) é, claramente, uma prioridade e uma linha de ação chave para a otimização dos processos internos. Muitos dos processos de back office de gestão dos fornecedores são ainda bastante manuais e, sem dúvida alguma que uma parte desses serviços deverá ser otimizada recorrendo, naturalmente, à tecnologia.

A atual recuperação do setor será mais digital e, sem dúvida, muito mais sustentável, e a adoção da tecnologia será fundamental.

A par da solução há a fase técnica e de formação. Como é que se processa esta questão. Dão formação aos vossos clientes? Como e em que base? É uma formação contínua?
A formação é parte intrínseca do processo de implementação das nossas soluções. Esta formação pode ser realizada com foco no “Train the trainer” ou diretamente ao utilizador final. Os nossos parceiros de implementação definem com o cliente que tipo de formação é requerida de forma a garantir a correta adoção da ferramenta. Ao longo da vida de utilização das soluções, por parte dos clientes, a SAP Concur comunica de forma regular as inovações que as soluções vão sofrendo de forma a maximizar a utilização por parte dos clientes.

De salientar que se trata de uma solução intuitiva e de fácil utilização. A aplicação móvel SAP Concur está disponível para iOS e Android e é uma das poucas aplicações corporativas com níveis de aceitação semelhantes ao consumo de massa como WhatsApp ou Spotify.

Quais são os maiores entraves ao processo de digitalização das empresas no e do setor do turismo?
No caso das soluções da SAP Concur, o processo de digitalização, que é o que nos permite entrar em contacto direto com as empresas do setor turismo, assenta na distribuição, emissão e faturação dos serviços. Por vezes, o que acontece é depararmo-nos com algumas dificuldades nos processos de integração com as soluções das próprias empresas turísticas. Muitas dessas empresas utilizam sistemas desenvolvidos taylor made e que vão requerer integração com outras ferramentas que existem no mercado, como é caso da SAP Concur. Estas situações têm impacto na velocidade na qual se pode ativar o serviço, aportando algum esforço adicional.

Por outro lado, é certo que cada vez mais as empresas estão a adotar soluções tecnológicas mais modernas, tipicamente em cloud, o que permitirá, no futuro, uma maior agilidade e capacidade de adaptação e resposta às necessidades do mercado corporativo que são, sem quaisquer dúvidas, cada vez mais digitais.

Concur X2
Dividem as soluções Concur em “Travel” e “Expense”. O que caracteriza estas sub-soluções?
Ainda que se tratem de uma única plataforma, as soluções específicas da SAP Concur podem de facto ser ativadas e consumidas de forma autónoma. As nossas soluções podem dividir-se em dois grandes grupos: Concur Travel e Concur Expense.

A primeira refere-se a todo processo de reserva, aprovação e emissão online de bilhetes dos diferentes serviços requeridos pelo colaborador e que cumprem com a política da empresa. Trata-se de um motor de busca muito similar ao de um de viagens comumente usado pelo grande público, mas com uma grande diferença, garante que as opções oferecidas pela solução, ao colaborador, são aquelas definidas pela empresa de acordo com a sua política de viagens.

Já a “Concur Expense”, refere-se a todos os processos relacionados com a gestão de despesas desde a captura digital (fotografia) dos recibos em papel; o processo de aprovação dos mesmos; os centros de custo aos quais serão imputados; as ajudas de custo; adiantamentos e, ainda, aos processos de auditoria interna e integração com os movimentos dos cartões de crédito. Todos estes processos são suportados pela solução de Expense em conjunto com a solução de Travel.

Estas soluções ou sub-soluções destinam-se a que setores de atividade dentro do universo do turismo?
As soluções de Travel têm uma integração direta com a Agência de Viagens que, por sua vez, presta um serviço ao cliente final. Na prática, a maior parte dos conteúdos / inventariado chega, à Concur Travel, através da agência que está conectada ao Global Distribution System (GDS), sendo assim possível analisar todo o inventário existente.

Também existem outras integrações, com o mundo hoteleiro, que dão a possibilidade de utilizar os serviços diretos de plataformas ou agregadores como booking.com ou HRS. Diria, então, que os principais conteúdos consumidos pelo Concur Travel são o aéreo, os hotéis e os rent-a-car, tornando-se assim um canal digital para o mundo corporativo e para qualquer empresa que atue nestes setores.

No mercado português temos vindo a constatar que os processos são ainda muito manuais, baseados em papel, em aprovações (via email) ou uma assinatura manual das chefias


Como integrar as soluções nas atuais estruturas e de que forma facilitam o dia-a-dia das mesmas?

Um dos principais pontos de integração é, sem dúvida, o Global Distribution System (GDS) que acaba por alimentar todo o setor de distribuição de viagens (agências de viagens). As que prestam serviço, ao segmento corporativo, estão cada vez mais integradas com o Concur e com os modelos de booking online. À medida que este modelo vai sendo adotado pelas empresas, as próprias agências de viagens também farão as restantes otimizações nas integrações necessárias para assim poder captar os benefícios e eficiências organizacionais gerados pelo volume de bookings online.

Que integração existe com as restantes soluções SAP?
Todo o processo de viagens e despesas termina como um input na contabilidade da empresa e, por isso, contamos com uma integração nativa com os módulos financeiros de SAP ERP, o que permite uma contabilização sem esforço e uma comunicação bidirecional entre ambos sistemas. Também de referir que a estrutura organizativa, a nível de recursos humanos, que está suportado no SAP ERP também está integrada nativamente com SAP Concur facilitando, assim, a atualização dos perfis dos colaboradores de uma forma otimizada. Existem outras integrações disponíveis, como por exemplo, com a plataforma analítica da SAP.

De referir que, a Concur, foi adquirida pela SAP, em 2014, e por isso contamos, no nosso portfólio, com um set importante de integrações com outros sistemas financeiros, RH e CRM de mercado.

Que outras soluções poderão ou deverão ser tidas em conta pelo universo do turismo (de forma geral), de modo a melhorar a gestão e eficiência do negócio?
O portfólio da SAP é bastante amplo e, de forma geral, as empresas do universo do turismo podem adotar essas soluções, quer no âmbito da eficiência interna quer na gestão dos seus clientes ou fornecedores. A digitalização e a melhoria de eficiência do setor do turismo é relevante e equivalente a outros setores de atividade.

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Edição Digital: Sustentabilidade, Go4Travel, Visit Valencia e SAP Concur

A nova edição do Publituris faz capa com a sustentabilidade. Apesar de não se tratar de um tema novo, a verdade é, que com a pandemia da COVID-19 e as novas tendências, passou-se a ouvir falar cada vez mais de sustentabilidade no setor do turismo. Além disso, há a reportagem sobre a Convenção da Go4Travel, a aposta de Valência em Portugal e as novidades da SAP Concur para as viagens.

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A nova edição do Publituris faz capa com um tema que não é propriamente novidade, mas que, com a pandemia da COVID-19 e as novas tendências passou a ouvir falar-se cada vez mais de sustentabilidade no setor do turismo.

Além de ficar a saber o que várias áreas do setor estão a fazer para se tornarem mais sustentáveis, o Publituris entrevistou Naut Kusters, diretor da ECEAT, a propósito do projeto SUSTOUR, que admitiu que “a tendência é muito clara no sentido da sustentabilidade.

Também Pedro Costa Ferreira, presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), salienta que “as agências e os operadores turísticos têm um papel preponderante na promoção da sustentabilidade no setor do turismo”.

O Publituris viajou até à Madeira para marcar presença na Convenção da Go4Travel. Na sessão de abertura da “Summit4Travel 2022”, João Matias, presidente do Conselho de Administração da Go4Travel, apontou que o agrupamento de agências de viagens está com uma agenda “bem carregada”.

Capital Mundial do Design e Capital Europeia do Turismo Inteligente, em 2022, Valência acredita no potencial do mercado português, motivos pela qual o Visit Valência tem prevista uma série de atividades de promoção em Portugal.

Admitindo que o mercado português “não é muito relevante”, Ángel Pérez, Brand & Markets Director do Visit Valencia, disse ao Publituris “acreditar que existe um grande potencial com a excelente conectividade aérea que existe no momento”.

Na “Tecnologia”, João Carvalho dá a conhecer as mais-valias da nova solução SAP Concur. O responsável revela que “as empresas estão cada vez mais interessadas em soluções que ajudem os gestores de viagens e os responsáveis de recursos humanos a avaliar e gerir o risco das viagens”, sendo essencial “desburocratizar cada vez mais os processos empresariais, tendo em conta o impacto ambiental das deslocações”.

Além do “Check-in”, as opiniões são de Carlos Torres (ESHTE), Sílvia Dias (Savoy Signature), Pedro Castro (SkyExpert), António Abrantes (ISCE) e Amaro Correia (Atlântico Business School).

Leia a edição aqui.

Boas leituras”!

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Edição Digital: Turismo da Suíça, Centenário do Turismo e dossier de Turismo Religioso

A nova edição do Publituris, a última do mês de abril, faz capa com uma entrevista a Martin Nydegger, CEO do Switzerland Tourism, que destaca os diversos argumentos do destino que se quer “livrar” da sazonalidade do inverno.

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A nova edição do Publituris, a última do mês de abril, faz capa com uma entrevista a Martin Nydegger, CEO do Switzerland Tourism, que destaca os diversos argumentos do destino que se quer “livrar” da sazonalidade do inverno.

“Para a Suíça, é essencial que exista uma mistura equilibrada de visitantes”, diz o responsável, que veio a Portugal para estabelecer uma parceria com o Turismo de Portugal e mostrar que o país não é “apenas” neve.

Nesta edição, destacamos ainda o Centenário do Turismo em Portugal quando passa uma década das comemorações, que aconteceram em 2011 e 2012. Em entrevista, Jorge Mangorrinha, que foi o presidente da Comissão Nacional do Centenário do Turismo em Portugal, fala sobre o estado atual do setor e sobre a evolução que conheceu nos últimos anos.

O Turismo da Jamaica, que nomeou Nuno Costa para representante em Portugal, é outro dos destaques. Com o fim dos charters para esta ilha das Caraíbas, Nuno Costa explica que a sua principal missão é voltar a atrair os portugueses e colocar de novo a Jamaica no imaginário dos turistas lusos.

Já o dossier desta edição é dedicado ao Turismo Religioso, um segmento que é uma das apostas do Turismo de Portugal e cuja oferta a nível nacional inclui diversas temáticas, desde o Culto Mariano (Caminhos de Fátima Altares Marianos), Caminhos de Santiago, Herança Judaica e Legado Islâmico.

Além das novidades e do atual estado da procura por programas de Turismo Religioso, este dossier inclui também uma entrevista a Luís Miguel Albuquerque, presidente do Município de Ourém, onde se localiza o Santuário de Fátima.

Nos ‘Transportes’, temos ainda um artigo sobre a Veltagus, uma das mais antigas empresas de animação marítimo-turística de Lisboa e que está já em plena recuperação, depois do impacto da pandemia. A procura voltou em força, principalmente pelos cruzeiros no Tejo, de tal forma que a empresa está já a pensar no aumento da sua frota.

Na secção da ‘Distribuição’, há ainda uma entrevista a Miguel Jesus, diretor-geral da Image Tours, operador turístico que garante que, apesar do efeito da pandemia, não vai mudar o seu posicionamento no mercado português, com programação para destinos do Médio Oriente e asiáticos.

Nesta edição, as opiniões são assinadas por Francisco Jaime Quesado (Economista, gestor  e especialista em Inovação e Competitividade), Susana Mesquita (docente do ISAG – European Business School) e Edgar Bernardo (professor Adjunto do ISCE).

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