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“Se o setor do turismo não resistir, Portugal não vai recuperar economicamente”

Depois de um ano de interregno, o Congresso da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) está de regresso para o “reencontro” do setor. Em entrevista, Pedro Costa Ferreira, presidente da associação, explica o que esperar desta reunião, mas também fala de reembolsos, aeroporto, TAP, sustentabilidade, digitalização e prefere antes falar “não de regresso, mas de retoma”.

Victor Jorge
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“Se o setor do turismo não resistir, Portugal não vai recuperar economicamente”

Depois de um ano de interregno, o Congresso da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) está de regresso para o “reencontro” do setor. Em entrevista, Pedro Costa Ferreira, presidente da associação, explica o que esperar desta reunião, mas também fala de reembolsos, aeroporto, TAP, sustentabilidade, digitalização e prefere antes falar “não de regresso, mas de retoma”.

Victor Jorge
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Depois da “travessia do deserto” e de balanços destruídos, a Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) reúne-se para o seu 46.º congresso. Pedro Costa Ferreira, presidente da APAVT, espera que o evento, mais do que reunião, seja uma união do setor. Consciente de que as dificuldades ainda perduram e irão perdurar, pede a quem apoiou o setor do turismo, que continue a fazê-lo, seja qual for o Governo. Até porque, admite, “se não existirem apoios, o setor do turismo não vai resistir”.

A APAVT realiza o seu 46.º Congresso, com o título “Reencontro”. Que “reencontro” espera depois de 20 meses de pandemia?
Esperemos que seja o reencontro de todo o setor. O nosso congresso tem uma grande tradição, exatamente de reencontro do setor, é um congresso que é organizado por agentes de viagens, mas não é o congresso das agências de viagens e, neste momento, diria que mais do que nunca é importante que o setor, mais do que se reúna, se una.

Vamos sair, enquanto agências de viagens, com muitas fragilidades, balanços destruídos, capitais próprios esgotados, mas também com uma grande oportunidade. Muitos consumidores perderam dinheiro em processos de reserva distantes das agências de viagens neste período, além de ter ficado sublinhada a grande mais-valia das agências de viagens, a diferença entre informação e conhecimento.

Perante esta saída da crise, há uma palavra-chave que é flexibilidade. Esta flexibilidade tem de ser da cadeia de valor e não só das agências de viagens. Mais vale, neste momento, ter reservas que possam ser canceladas do que não ter reservas.

Se a aviação, um hotel, um restaurante ou uma agência de viagens não forem flexíveis, o produto não vai ser flexível.

Queremos acionar, para o próximo ano, este diálogo e chamar a atenção para ele muito vivamente neste congresso.

Quais foram os principais desafios enfrentados ao longo destes 20 meses?
Não gosto de recordar estes 20 meses. Foram meses de sobrevivência, de grandes perdas e endividamento para as empresas e empresários, foi um tempo de apoios do Governo absolutamente fulcrais. Temos de ser humildes e a objetividade de reconhecê-lo. Mas também foram, naturalmente, insuficientes.

Do ponto de vista da APAVT, focamo-nos em vários planos de atuação. Talvez salientasse, desde logo e por ordem cronológica, o facto de termos tido de tratar de imediato dos reembolsos aos nossos clientes e, portanto, tentámos e conseguimos derrogar a diretiva no que aos reembolsos concerne e, provavelmente, fizemos a melhor lei dos vouchers da Europa. Melhor pela conjugação de dois fatores: pelo período relativamente ao qual foi possível não pagar diretamente, mas reembolsar através de um voucher, bem como pela data a partir da qual esse vale, se não for viajar, tem de ser pago. A conjugação destes dois fatores fez, provavelmente, da lei portuguesa a melhor lei da Europa.

Isso foi fundamental para dar confiança?
Deu confiança, salvou as empresas e ao salvar as empresas salvou os interesses e direitos dos consumidores. E há aqui uma nota que é preciso salientar: esta lei não teria sido possível sem o verdadeiro empenhamento da nossa secretária de Estado do Turismo (SET), Rita Marques. Foi uma lei que precisou de diálogo com a Comissão Europeia (CE), precisou de conflito e resolução de conflito com a CE e temos a perfeita noção de que se a SET tivesse desistido, e lutou muito e mais do que possa parecer ou imaginar, não teríamos conseguido.

Espelho desta situação foram os reembolsos que a APAVT e as agências trataram e terão ainda de tratar com os seus fornecedores, já que o dinheiro tinha ficado do lado de lá.

De referir eventualmente e neste capítulo, a importância da negociação com a TAP. Fomos reembolsados, enquanto setor, em cerca de 10 milhões de euros. Foi um passo em frente muito grande, num processo que se mantém e que ainda possui muitos processos em aberto. Há muitas dívidas das companhias de aviação. Mas trata-se de “ongoing processes” que, com exceção da Ryanair, temos diálogo com todas as companhias.

Mas vê uma solução a breve trecho?
Sim, é uma solução que vai sendo encontrada. Os problemas vão diminuindo e o bolo de processos por resolver também.

Os desafios: passados e futuros
Mas esses são problemas vindos do passado. Que desafios ainda existem no e para o futuro?
Antes disso, ainda referir que a APAVT não esteve só empenhada na relação com os agentes e com os fornecedores. A APAVT também esteve empenhada nos apoios ao setor, na sua clarificação, na sua negociação, na perceção da sua capacidade de execução, tivemos de trabalhar na Europa na harmonização das restrições de viagens. Começámos a olhar para o futuro e ao longo destes 20 meses produzimos a atualização do “Economics” do setor com a EY e iniciámos um processo de pensamento estratégico para o futuro, entre outros.

Relativamente aos desafios da saída desta crise pandémica, o primeiro desafio será a incerteza de estarmos, de facto, de saída da crise. A incerteza parece estar a voltar e esse é, sem dúvida, o maior desafio. O facto de não conseguirmos perceber se do lado do consumo vai haver abertura ou não.

O que é que aprendemos nestes pequenos raios de sol que apareceram no meio desta chuva toda? Sempre que existe a perceção de que a pandemia está a diminuir, as reservas surgem como chuva nas agências de viagens. Não escondo que nos últimos meses, sobretudo na área do incoming tivemos essa noção como, também, no verão tivemos essa noção no outgoing.

Hoje, já começámos a falar em cancelamentos de reservas, sobretudo de grupos, e em dúvidas para o futuro. Portanto, voltamos a ter a incerteza como pano de fundo.

E ter a incerteza como pano de fundo significa o quê?
Ter a incerteza como pano de fundo significa ter a certeza de que vamos continuar a precisar de apoios. Sabemos que o apoio à retoma, no que diz respeito à defesa do emprego, poderá continuar e esperemos que sim, de modo a evitar uma rutura nessa área. Mas temos de discutir com o próximo Governo, seja ele qual for e quando aparecer, a manutenção dos apoios a fundo perdido, nomeadamente, do programa Apoiar.pt. Isto por uma razão muito objetiva, é que o programa Apoiar.pt foi pago até abril, a crise ainda existe e, portanto, se houve razões por parte do Governo para apoiar uma crise há seis meses, mais razões há para fazê-lo agora, já que as empresas, com a continuação da crise, estão ainda mais fragilizadas.

A incerteza parece estar a voltar e esse, é sem dúvida, o maior desafio. Ter a incerteza como pano de fundo significa ter a certeza de que vamos continuar a precisar de apoios

Em outubro de 2020, com sete meses de pandemia, admitia ao Publituris que, por causa dos balanços destruídos, a necessidade brutal de recapitalização e tesouraria seria o grande desafio dos próximos anos? Mantém essa afirmação?
Acho que está ainda mais sublinhada. Começámos por ter dúvidas relativamente ao futuro quando achámos que iriamos ter três meses de pandemia. Nessa altura, falava com sete meses de pandemia, agora falo com 20 meses.

Diria que, se há um ensinamento para o futuro, ele tem a ver com dois aspetos do lado das agências de viagens: robustecer os balanços, porque é nos balanços que está a resposta à próxima crise; e rodear-nos dos melhores recursos humanos, porque são esses recursos humanos que vão robustecer os balanços.

O que devia ter sido feito que não foi feito?
Da parte de quem?

De todos!
Vou ser sincero, quer nas agências de viagens, quer na APAVT, quer no Governo, de um modo geral, foi feito tudo o que era imaginável ser feito. Da parte das agências de viagens, depois de 20 meses de crise, verificamos que, tanto em 2020 e, previsivelmente, em 2021, teremos dois anos com menos falências que em 2019. Isso diz tudo relativamente à capacidade resistência das nossas agências de viagens.

Relativamente à APAVT, clientes, reembolsos, trabalho na ECTAA, os projetos editoriais do Economics do setor, o pensamento estratégico para o mesmo, o aumento do apoio jurídico, o aumento dos apoios aos apoios, isto é, a clarificação, a perceção de quem poderia aderir e por aí fora, o apoio às restrições às viagens, a sua clarificação, a APAVT fez a sua parte.

O Governo, penso que é justo dizer, sem os apoios colocados em cima da mesa, não havia setores das agências de viagens e turístico.

Dito isto, o que as agências de viagens fizeram foi suficiente? Foi tudo o que poderia ter sido feito.

Se a APAVT fez o suficiente? Julgo que ficaram sempre coisas por resolver, nos apoios aos agentes, reembolsos dos fornecedores, reembolsos aos clientes.

Se o Governo fez o suficiente? Claro que os apoios foram insuficientes.

Julgo que temos de ter a humildade de pensar que fizemos todos o possíveis, mas que há momentos como uma pandemia em que temos de reconhecer que nada é suficiente.

Incertezas políticas que não ajudam
Tem falado de apoios por parte do Governo, de apoios essenciais para a sobrevivência do setor, não só das agências como do turismo. O certo é que estamos a ser confrontados com uma incerteza política, com eleições a 30 de janeiro, que levará a termos Governo só lá para março. O que teme relativamente a esta indefinição política e de políticas?
Não temo, porque já tenho a certeza de que o que aconteceu foi muito mau para as empresas. Tivemos do Estado uma resposta insuficiente face aos constrangimentos económicos. Agora juntámos uma condicionante política que, em meu entender, é menos compreensível. Isto é, para além dos recursos parcos da nossa economia ou do nosso Estado, temos agora um Governo que não pode agir por circunstâncias de condicionalismo político.

É perfeitamente natural que o Governo agora não queira tomar decisões que impliquem ou condicionem o orçamento do próximo Executivo.

Por isso, mais do que temer quanto ao futuro, tenho muita pena, mas parece haver um sentimento de quase abandono por parte dos políticos quando assistimos à cena da não aprovação do Orçamento de Estado 2022.

Relativamente ao próximo Governo, espero que se resolva rapidamente.

Se houve razões por parte do Governo para apoiar uma crise há seis meses, mais razões há para fazê-lo agora


Não teme uma interrupção dos apoios?
Nem me passa pela cabeça. Se não existirem apoios, o setor do turismo não vai resistir. Se o setor do turismo não resistir, Portugal não vai recuperar economicamente.

Portanto, é demasiado irracional para podermos pensar em tal possibilidade. E se há erro que às vezes sinto é pensar que alguns comentários políticos dão a ideia de que se trata do Orçamento para a crise.

A partir de um determinado momento não se trata de um Orçamento para a crise. É a crise que tem de caracterizar o que tem de ser o Orçamento exatamente para apoiar as empresas e a economia na crise.

O Orçamento não pode apoiar a crise até aos limites do Orçamento. A crise tem de definir os limites do Orçamento, o que é uma coisa completamente diferente.

Concluindo, espero que, seja qual for a cor ou cores políticas que ganhe ou ganhem, que compreendam isso antes sequer do primeiro dia.

Há momentos como uma pandemia em que temos de reconhecer que nada é suficiente


Espera que o próximo Governo tenha mais “foco”, como chegou a pedir?
Espero que o próximo Governo tenha muito foco logo de início nestas questões, porque os apoios são questões também de timing.

TAP a fazer parte da solução
Já falou da questão dos reembolsos e de conversações que existiram entre a APAVT e a TAP. Houve conversações com a nova administração da TAP. Pergunto se a TAP já não faz parte do problema e passou a fazer parte da solução?
A TAP tem de fazer sempre parte da solução, não por causa das agências de viagens, mas por causa do turismo português e da economia nacional.

O grande desafio português são os mercados transatlânticos, são eles que permitem crescer. São eles que permitem ter mais território e mais meses de turismo. É o mercado norte-americano, o brasileiro, é ou será um dia o mercado chinês.

Esticar a sazonalidade?
Sim, esticar para além de agosto e ir para além dos grandes centros de turismo.

Ora, o êxito relativamente a esses mercados para um país como Portugal vai depender do hub. Se a TAP não for solução e não conseguir aguentar o hub, estará em causa o crescimento do turismo a médio longo prazo no país. E se isso acontecer, está em causa a dívida pública, mais impostos, emprego. Um país mais pobre também significa mais custos para as pessoas. Não podemos criticar os apoios à TAP apenas porque são apoios do povo. Comparado com o quê, com pobreza? Comparado com pobreza, prefiro o apoio à TAP. Comparado com menos crescimento, prefiro apoiar a TAP.

Claro que um dia, e esperemos em breve, a TAP tem de corresponder com resultados.

Do ponto de vista do diálogo com os agentes de viagens, a nova administração imprimiu uma nova dinâmica, existe confiança, apesar de haver também a perceção das dificuldades que temos todos resolver.

E com as outras companhias, retirando a Ryanair?
Com a Ryanair não há diálogo possível e é uma decisão da Ryanair. Com as outras companhias, há muito tempo que a concorrência do nosso setor é definida ao longo da cadeia de valor. Isto é, as companhas aéreas não só são nossas fornecedoras como são, também, concorrentes relativamente aos clientes pelas estratégias que a tecnologia permitiu implementar.

Nós temos sempre momentos de aproximação, porque o nosso cliente é o mesmo e temos sempre focos de tensão, porque disputamos esse mesmo cliente.

Esta crise veio fazer com que todos os ‘stakeholders’ passassem a olhar para a cadeia de valor como um todo?
Não necessariamente. Luto por isso e espero que aconteça. Um dos grandes objetivos do congresso da APAVT é, precisamente, fazer um ‘kick-off’ para uma tentativa de resposta coerente por parte da cadeia de valor.

 

A TAP tem de fazer sempre parte da solução, não por causa das agências de viagens, mas por causa do turismo português e da economia nacional

 

Uma “novela” Aeroporto
E como olha para a “novela” do aeroporto?
Acho que utilizou a definição certa: “novela”. Se há pouco disse que me sentia um pouco abandonado pelos nossos políticos neste curto prazo por causa da “novela” do orçamento, sinto-me completamente abandonado pelos políticos a longo prazo por causa do aeroporto.

A questão do aeroporto é estratégica. Existe um plano que prevê chegarmos a 2027 com determinados números.

Mais concretamente, 27 mil milhões de euros em receitas e 80 milhões de dormidas.
Exato. E depois temos os representantes do aeroporto a referir que, com esta infraestrutura aeroportuária e os novos limites de navegação aérea por causa do ruído, provavelmente, não passaremos dos números de 2017.

Diria, um, organizem-se, dois, dêem-nos uma solução aeroportuária. Qualquer que seja, o país precisa dela.

O país económico precisa do país turístico.

Quando se fala que estamos demasiado dependentes do turismo, em termos económicos, isso é “bullshit”, até parece que é uma decisão governamental ou política.

Não se trata de uma decisão, é a competitividade internacional do setor que interessa. Se impedirmos que o setor mais competitivo da economia nacional, por razões de política económica pura, seja travado, penso que é um crime lesa-pátria e espero que todos os intervenientes sejam apontados.

Entre as opções que estão em cima da mesa, qual a preferida da APAVT?
Não fazemos comentários. Há quem defenda a solução mais rápida por razoes óbvias, há quem defenda uma solução estratégica por razões de longo prazo. Há ainda quem esteja imerso na confusão.

Não sou especialista ambiental ou aeroportuário, mas se me perguntar por soluções para a sua próxima viagem, sou capaz de lhe dar. Espero que, neste caso, os especialistas tenham as soluções.

Mas neste caso, voltamos a bater na questão da indefinição política e nos atrasos consecutivos de processos e decisões. Será mais um projeto para a gaveta e/ou iniciar-se de novo?
É verdade, mas espero que não. O quer que aconteça para além de 30 de janeiro, espero que haja foco na vida das pessoas.

Os temas do congresso

Antes do Congresso da APAVT marcou presença na 6.ª Cimeira Mundial dos Presidentes das Associações de Agências de Viagens, em Leon. Quais foram as principais conclusões, tendências, estratégias, diretrizes saídas dessa reunião?

As conclusões, do ponto de vista geral, passam por atualizarmos uma voz mais próxima uns dos outros enquanto setor das agências de viagens. É muito um território de associação, o que cada um anda a fazer, como responder aos problemas e à crise, como os diversos Governos apoiaram quem deveria ser apoiado e, claro, um olhar para o futuro.

Há a perceção geral no mundo que, os destinos turísticos que tiverem propostas flexíveis são os que irão comandar a procura na saída da crise.

Voltando ao congresso da APAVT, haverá um painel – “Porque é que a EY Parthenon e os Agentes de Viagens estão a olhar para o Futuro”. Que futuro é esse para onde estão a olhar? Há um novo futuro, um futuro com um consumidor diferente ou com um ‘mindset’ diferente?
Sinceramente, não acho que exista um consumidor pós-pandemia. Houve, penso, uma aceleração de tendências que já eram conhecidas antes da pandemia, já faziam parte do nosso mercado. Autenticidade, digitalização, sustentabilidade, ‘slow-tourism’, comércio justo, tudo isto são tendências mais visíveis hoje, mas tendências que já existiam. Eventualmente, os nómadas digitais é um fenómeno saído da pandemia e, por circunstância de datas, o turismo espacial tenha tido mais destaque, mas não nasceu na pandemia.

Foi um reforço de tendências?
Foi uma aceleração. Não surpreende e não vejo quer em Portugal, enquanto destino turístico, quer na natureza da atividade das agências de viagens, problemas advindos desta aceleração. Pelo contrário, a sustentabilidade é uma área onde Portugal, enquanto destino turístico, está a responder bem e até apresenta alguns ‘case studies’ importantes. A sustentabilidade do lado das agências de viagens é muito mais uma oportunidade do que um problema.

A sustentabilidade não é um estado de alma. Numa atividade económica, é um conjunto de ações tendentes a reduzir determinadas pegadas, nomeadamente, a ambiental.

As agências de viagens em Portugal e no mundo têm já incorporadas, sobretudo no ‘business travel’, critérios de medição da pegada de carbono. Em muitos contratos essa pegada tem de estar explícita para que o cliente possa escolher uma maior ou menor.

As agências, e estamos a fazer um trabalho na ECTAA, estão empenhadas em harmonizar esta medição, clarificando-a e tornando-a mais eficiente e, através das plataformas certas, dinamizar a compensação da pegada pelos clientes que a realizam.

Mas concorda ou não com aqueles que afirmam que a pandemia trouxe um consumidor com um ‘mindset’ renovado ou mesmo novo?
Não, com sinceridade não. Acho que são entusiasmos de curto prazo. É muito cedo para se fazer essa apreciação. Recordo-me da crise económica brutal recente e não foi ela que definiu a evolução, foi um passo na evolução.

Portanto, teremos de esperar mais tempo para se fazer uma análise mais racional do que está a acontecer.

Julgo que esses novos clientes, novas características são um pouco emocionais. Se alguma coisa caracteriza o mercado das viagens e o setor das agências em Portugal e no mundo, é muito mais a diversidade do que as novas tendências.

Sustentabilidade, digitalização e capital humano são dos grandes temas abordados em qualquer fórum quando se fala de turismo e estão no congresso da APVT. A APAVT assinou a declaração de Glasgow para “desenvolver planos” para “a aceleração da ação do turismo, no sentido da redução das emissões no setor”. O que é que isto significa e como é que a APAVT e os seus associados irão contribuir para esta redução de emissões? O que significa isto no concreto?
Nós temos algum histórico recente relativo a ações no foro da sustentabilidade e, concretamente da sustentabilidade ambiental. Em primeiro lugar, estamos num processo de adesão à SUSTOUR – projeto europeu que vai fazer formação em sustentabilidade ambiental em mais de 180 mil empresas europeias. Depois, assinámos um protocolo com a “Travellife” que certifica empresas consoante as suas práticas ambientais. Ora, se há uma certificação, logo é tudo mais voltado para a ação e não para o compromisso.

No seio da ECTAA há um trabalho relacionado com a estandardização da medição para melhor poder clarificar e sermos mais efetivos.

No nosso congresso, a sustentabilidade vai estar presente.

Por isso, diria que assinámos o compromisso de Glasgow, porque está de acordo com a nossa prática.

Curiosamente, a APAVT, foi, julgo, no setor do turismo em Portugal, a única associação assinar a declaração de Glasgow e no seio da ECTAA só duas associações de todo os países europeus foram “launch partners”: a APAV T e a associação holandesa.

Curiosamente, no painel da sustentabilidade do próximo congresso, um dos speakers será, precisamente, o presidente da associação holandesa.

A sustentabilidade é um dos eixos de atratividade de Portugal junto dos turistas. É por aqui que Portugal se poderá diferenciar?
Absolutamente. É uma oportunidade para o país como é uma oportunidade para as agências de viagens. Aliás, em meu entender, é uma oportunidade que veio para ficar.

 

Se a TAP não for solução e não conseguir aguentar o ‘hub’, estará em causa o crescimento do turismo a médio longo prazo no país

 

Se a sustentabilidade é chave, o capital humano também assumiu uma relevância fulcral. Saíram muitas pessoas, fazem falta muitas pessoas, os que saíram irão regressar, é preciso ir buscar pessoas a outros lados, setores, países? Como é que olha para este desafio do capital humano?
Sabemos que, sobretudo, na hotelaria e restauração falta gente. Se essas pessoas vão regressar, esperemos que sim. Sabemos, contudo, que não basta que regresse quem saiu. Julgo que hoje é mais ou menos aceite que precisamos de uma política de migração que apoie o desenvolvimento do turismo, entre outros aspetos.

Do ponto de vista das agências de viagens, não tivemos despedimentos, até porque tivemos acesso e adesão aos processos de apoio ao emprego. Por isso, se há coisa que não existiu durante esta pandemia – ainda – foram grandes despedimentos. Não há uma fuga de recursos humanos das agências de viagens.

Mas disse “ainda”?
Disse ainda porque estamos cá. E talvez não o espere. Porquê? Se olharmos para os “Economics” do setor e para a sua atualização, o setor com maior percentagem de licenciados ou acima de licenciados é, do ponto de vista do turismo, o das agências de viagem.

Os nossos recursos humanos estão muito mais longe dos ordenados mínimos e do serviço básico do que outros dentro desta cadeia de valor.

Isso, contudo, não quer dizer que não existam problemas de recursos humanos. Houve porque tiveram de sair dos locais de trabalho, porque trabalharam isolados e com dúvidas relativamente ao futuro, tal com o regresso dos recursos humanos também tem sido um problema depois de estarem 20 meses a trabalharem em casa.

Adquiriram-se novos hábitos, houve gente a trabalhar menos porque não havia trabalho, houve pessoas que passaram a levar os filhos à escola, realidade que não conheciam. Adquiriram-se novas perceções de uma realidade que agora terão de ser trabalhadas.

Por todos, até pelo próprio colaborador?
Absolutamente. Esta história de acharmos que as responsabilidades estão nas empresas e os direitos estão nos colaboradores, é uma coisa antiga.

Em vez de fuga de recursos humanos, preocupa-nos a gestão de recursos humanos.

Já na digitalização ou transformação tecnológica, a questão, presumo, não se coloca no setor das agências de viagens?
Em termos de tecnologia, as agências de viagens são dos maiores utilizadores em Portugal e no mundo. Há bastantes anos que qualquer trabalhador com um telemóvel pode resolver qualquer problema que um cliente possa enfrentar na sua viagem em qualquer lugar a qualquer hora.

Os processos de digitalização não são fins estratégicos em si, são processos de melhoria da eficiência e devem ser integradores de uma estratégia.

Como definidores de uma estratégia, acho-os fracos, porque uma estratégia tem de estar muito mais próxima das necessidades do cliente e da sua perceção e como vão evoluir, do que um mero processo de digitalização.

Quantos ‘players’ ficaram pelo caminho? E quantos ainda vão ficar? Que setor teremos no pós-COVID?
É um pouco dual. Os balanços estão destruídos, os capitais próprios evaporaram-se. Do ponto de vista da situação macro-económica do setor, provavelmente, estamos a atravessar, à saída da crise, um dos piores momentos do setor.

Sempre dissemos nos primeiros três meses da crise que o principal problema de liquidez se ia colocar no momento do regresso e da retoma, porque os custos têm um comportamento dual – zero ou um – e as receitas vão chegar gradualmente.

Se se confirmar que este regresso ténue que estamos a viver é o início de uma retoma, diria que estamos à beira do processo mais complicado de resistência por parte das agências de viagens e do turismo em geral. Desse ponto de vista é natural que haja mais quebras do que tem sido histórico.

Entre a resiliência que temos vindo a demonstrar e a evidencia dos balanços, julgo que vamos encontrar um caminho em que vamos provavelmente, uma vez mais, no início da retoma, ter alguns incidentes desagradáveis enquanto setor, mas a execução da oportunidade que aí está vai permitir a recuperação a muitos.

Quando tivermos, efetivamente, a falar não de regresso, mas de retoma, nessa altura o nosso principal objetivo será sempre o de superarmos os números de 2019 e que foram os melhores de sempre.

2019 foi o melhor ano de sempre para o turismo. Há condições para continuarmos a bater recordes com uma crise pandémica, instabilidade política, sem aeroporto, com falta de recursos humanos, entre outros?
Portugal tem todas as condições naturais para o fazer, enquanto destino turístico. Temos um dos melhores turismos do mundo, enquanto instituição. O Turismo de Portugal tem feito um trabalho notável. Temos grandes empresários, temos um conjunto de trabalhadores capacitados no setor das agências de viagens, temos um país estável, clima, um povo acolhedor. Temos tudo a nosso favor, mas estamos, neste momento, condicionados por algumas decisões políticas que têm de ser resolvidas. Com a evolução e o crescimento do turismo no mundo e a olhar para nós próprios e nossos concorrentes, diria que o recorde de 2019 ser ultrapassado é fácil-fácil.

Inicia o mandato em 2021, em plena pandemia. Pergunto-lhe se, apesar de ainda não ter terminado o primeiro ano, se ainda tem forças e vontade para ir a uma nova corrida?
[Risos] Nem vou responder. Espero chegar a este mandato vivo e com consciência de dever cumprido. Peter Drucker [professor, consultor e escritor de origem austríaca] dizia que as pessoas são mais felizes no cumprimento do dever. Espero chegar ao final do mandato feliz.

O que aprendeu com esta crise e que ensinamentos retira dela a nível pessoal e profissional?
Aprendemos sempre algo. A crise não me apanhou de surpresa. A crise é o acentuar do primado da incerteza.

A nível profissional diria que aprendemos uma vez mais que temos de robustecer os nossos balanços, que é na robustez deles que vai estar a resposta à próxima crise.

Finalmente, que temos de nos rodear dos melhores recursos humanos, porque eles vão robustecer os nossos balanços.

A nível pessoal, somos todos muito pequenos por maior que nos possamos sentir.

No dia 3 de dezembro quando fechar o congresso, que conclusão gostaria que saíssem dos três dias de trabalho?
O congresso é um capítulo da nossa atuação, não é um fim em si mesmo. Espero que saia a classificação da nossa agenda para o próximo ano. Até pela data que é realizado, o congresso é um ponto de situação e um olhar para o futuro e os fins de ano são sempre ótimos para que isso aconteça.

Mais do que olhar para o passado, espero que nos ajude a clarificar, enquanto APAVT e turismo português, a agenda para o ano 2022.

Agenda só para 2022 ou mais além?
Digamos que teremos um olhar mais além, mas temos uma agenda definida para um ano. Ajuda termos uma visão de mais longo prazo, mas é importante termos uma definição da concretização dessa agenda no curto prazo.

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Agências de viagens sem capacidade para reembolsar clientes são casos “absolutamente residuais”, diz APAVT

Presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira, deixa uma mensagem de “tranquilidade” e garante que “todos os consumidores, que a tal tenham direito, serão reembolsados”.

Publituris

A Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) veio esta quinta-feira, 27 de janeiro, deixar uma mensagem de “tranquilidade”, garantindo que os casos em que as agências de viagens não têm capacidade para reembolsar os seus clientes são “absolutamente residuais, quer em número de casos, quer em valor envolvido, quer em número de agências envolvidas”.

De acordo com um comunicado enviado à Lusa, Pedro Costa Ferreira, presidente da APAVT, diz que a resposta do setor na questão dos reembolsos por viagens que não aconteceram devido à pandemia, tem sido “efetiva, mas naturalmente assimétrica, com algumas agências a serem incapazes de cumprir com os reembolsos”.

No entanto, o responsável deixa uma mensagem de “tranquilidade” e garante que “todos os consumidores, que a tal tenham direito, serão reembolsados”, a exemplo dos alunos finalistas, cuja devolução dos valores pagos tem sofrido incumprimentos por parte da agência Xtravel.

Pedro Costa Ferreira diz, contudo, que, por enquanto, apenas pode comentar o número de incidentes que já chegaram ao Provedor do Clientes das Agências de Viagens, e que confirmam, segundo o responsável, que estes casos são “absolutamente residuais, quer em número de casos, quer em valor envolvido, quer em número de agências envolvidas”.

A Lusa recorda que os consumidores que ainda não tenham recebido o reembolso de viagens canceladas em 2020, ultrapassado o prazo de 14 dias que a lei dá às agências, podem acionar o fundo de garantia de viagens e turismo, dispondo para isso de dois mecanismos: ou requerem a intervenção da comissão arbitral, junto do Turismo de Portugal, ou recorrem ao Provedor do Cliente das Agências de Viagem e Turismo sempre que a agência seja associada da APAVT.

“A totalidade dos casos recebidos no Provedor do Cliente não ultrapassa os 300. Sendo certo que a nossa sensibilidade é de que este número vai aumentar de forma que poderá ter significado, é também nossa sensibilidade que os valores envolvidos, se comparados com a nossa estimativa de valor inicial, cerca de 100 milhões de euros, será efetivamente residual, e concentrada num número igualmente residual de agências de viagens”, acrescenta o presidente da APAVT.

A associação defende ainda que o sistema de garantia do setor, que é responsabilidade das agências que o compõem, e que inclui apólices de seguro e um fundo de garantia, “responde com absoluta segurança” aos problemas de reembolsos, sendo ainda mais significativo fazê-lo numa “conjuntura absolutamente especial, que é a atual situação pandémica”.

O presidente da APAVT lembra também que os processos de reembolso carecem de ser escrutinados pelas vias legais colocadas ao dispor dos consumidores, nomeadamente o Provedor do Cliente da associação.

“É isso que sempre aconselhamos”, afirma, esclarecendo que denúncias nas redes sociais “não conferem, por si só”, direito a reembolso de uma viagem cancelada e ainda não reembolsada pela agência.

Recorde-se que, ainda na semana passada, a APAVT tinha informado que os vales emitidos pelas agências por viagens canceladas até final de setembro de 2020 atingiam 100 milhões de euros e estavam praticamente resolvidos, com os litígios a não serem “materialmente relevantes”, uma vez que não chegaram muitas reclamações aos tribunais arbitrais, provedor do cliente e Deco.

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Singles Travel promove cruzeiro para solteiros no Mediterrâneo

Viagem vai decorrer entre 4 e 11 de junho, a bordo do navio Costa Firenze, e passa por Espanha, Itália e França.

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A Singles Travel vai promover, entre 4 e 11 de junho, um cruzeiro para solteiros no Mediterrâneo, numa viagem a bordo do navio Costa Firenze, com escalas em Espanha, Itália e França, informou a empresa que é especialista em viagens para pessoas descomprometidas.

Na nota divulgada esta quinta-feira, 27 de janeiro, a Singles Travel explica que “os participantes serão acompanhados a bordo por um Coordenador de Grupos” e que a viagem inclui “diversas atividades exclusivas para o grupo como um cocktail de boas vindas, jogos, noites temáticas, torneios desportivos e vários meeting points ao longo da semana”.

A Singles Travel explica que o navio Costa Firenze, da Costa Cruzeiros, é “um gigante dos mares”, que tem capacidade para 5.200 passageiros e que oferece variadas opções de entretenimento, como casino, discoteca, bares, ginásio, piscinas, jacuzzis, teatro, Spa, campo desportivo, minigolfe, restaurantes, lojas, biblioteca e sala de jogos.

As reservas para este cruzeiros para solteiros no Mediterrâneo decorrem até 5 de fevereiro e os preços começam nos 765 euros.

Além deste cruzeiro, a Singles Travel vai também organizar mais duas viagens para solteiros e propõe o programa Leiria Singles Weekend, que consiste num fim-de-semana com diversas atividades na zona de Leiria, entre 25 e 27 de março, bem como a viagem Isla Cristina Singles Break, que decorre por ocasião do feriado do 25 de Abril e comtempla cinco noites de alojamento num hotel de quatro estrelas, no Sul de Espanha.

Todos os programa para solteiros da Singles Travel estão disponíveis através do site www.singlestravel.pt.

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RAVT encerra atividade de grupo de gestão a partir de 1 de março

A RAVT anunciou ao mercado, esta quarta-feira, que, a partir do próximo dia 01 de março, dará por encerrada a atividade de grupo de gestão das agências de viagens, convida as suas aliadas a integrarem o grupo GEA, mas indica que vai manter as suas restantes áreas de atuação, como sejam, de consultoria, investigação e formação em turismo.

A RAVT anuncia ao mercado que, a partir do próximo dia 01 de março, dará por encerrada a atividade de grupo de gestão das agências de viagens, convidando as suas aliadas a integrarem o grupo GEA.

Em comunicado de imprensa, a CEO da RAVT, Maria José Silva salienta que “não acabamos, não desistimos, adequamo-nos às circunstâncias globais e evoluímos”, considerando que desde março de 2020 “há necessidade de se criar maior força no setor das agências de viagens, altamente fragilizadas, que impera a necessidade de repensar atuações, com eventuais parcerias, que possam aportar mais valias a todos os intervenientes e ao setor”.

A responsável indica ainda que a RAVT vai manter as suas restantes áreas de atuação, como sejam, de consultoria, investigação e formação em turismo.

Maria José Silva justifica ainda esta decisão pela necessidade de mudança e de união que se impõem neste momento, destacando que “o futuro é significativamente desafiante e que 2022/2023 são anos em que o setor necessita de demonstrar vitalidade, força, poder negocial, para permitir manter e melhorar contratações e serviços, amenizando perdas de rentabilidade e de estruturas, mantendo acesso a assessorias diversas que isoladamente são mais difíceis de obter”.

Convenção marcada para 19 de fevereiro

A RAVT vai realizar a sua convenção no próximo dia 19 de fevereiro, no Hotel Cristal Praia da Vieira.

O evento terá início às 14h30, com convenção reservada às agências associadas, e às 17h30 decorrerá o Forum RAVT com diversos fornecedores, seguido de jantar de comemoração do 17º aniversário da rede, às 20h00.

Reconhecendo que o turismo tem que iniciar a retoma, reajustando-se e redesenhando-se nos objetivos, nos planos, nas estratégias, nas atuações, no modelo comercial, e nas operações, a RAVT pretende responder a esta premissa a partir de 2022, neste fórum de discussão.

Dos temas a serem abordados destacam-se a caraterização de 2019 a 2021, o raio x da operação e da distribuição turística, apresentação da performance da rede RAVT e dos fornecedores. Serão apresentados os novos modelos comerciais, novas plataformas, informações de vendas e de emissões.

De acordo com comunicado de imprensa, a RAVT garante que a convenção foi redesenhada de forma a poder realizar-se cumprindo as regras sanitárias e as medidas de prevenção para pequeno evento, ou seja, com menos de 80 pessoas em simultâneo.

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Saiba quais são os 12 principais canais de reservas geradores de receita em 2021 em Portugal

A lista portuguesa da plataforma SiteMinder é liderada pela Booking, com as reservas diretas a ganharem terreno, concluindo-se que, “à medida que as condições do mercado se alteram, é vital que as unidades hoteleiras analisem e avaliem, continuamente, as suas estratégias de comércio online”.

Victor Jorge

A plataforma SiteMinder divulgou a lista de canais de distribuição que, ao longo do último ano, geraram a maior receita de reservas de hotéis em Portugal e em mais de 20 destinos turísticos populares em todo o mundo.

A lista de Portugal – em linha com as tendências globais – revela que o setor hoteleiro, “está a adotar uma estratégia de comércio online mais global, baseada, tanto em novos métodos, como nos já estabelecidos, de forma a alcançar novos clientes e a gerar receitas”.

Além disso, esta estratégia comercial holística, consiste num “maior equilíbrio entre os fluxos de receitas diretas e indiretas”, sendo que, de acordo com a análise feita pela SiteMinder “as reservas diretas – pelo segundo ano consecutivo – são ainda o segundo maior motor de receitas para os hotéis portugueses, impulsionado pelo aumento de investimentos nos motores de reserva, website de hotéis, metasearch, pagamentos com contactless, apoio de consultores hoteleiros e aplicações especializadas e desenhadas para a conversão”.

De resto, o ano de 2021 registou o crescimento sustentado das reservas diretas para hotéis ao nível global, verificando-se que, em 20 dos 21 mercados analisados, as reservas diretas mantiveram ou aumentaram a sua posição, subindo nos rankings em 10 ocasiões. Em 12 mercados, as reservas diretas estão agora classificadas como o segundo maior gerador de receitas de reserva para hotéis locais, ultrapassando os cinco mercados no ano passado e dos apenas dois de 2019. É o caso da África do Sul, Austrália, Áustria, França, Alemanha, Irlanda, Itália, Holanda, Nova Zelândia, Portugal, Espanha e Reino Unido.

Além disso, a plataforma conclui ainda que a maior adoção de uma estratégia global de comércio hoteleiro em Portugal, inclui “a contínua relevância dos canais regionais, principalmente em locais com redução constante de viagens internacionais”. Em Portugal, destaca-se a Abreu online, que saltou do sétimo para o quinto lugar, valendo-lhe a designação de ‘High Riser’, assim como a EC Travel e a Portimar, que mantiveram o oitavo e o décimo primeiro lugar da lista, respetivamente.

Também a constante importância dos distribuidores e outros fornecedores de canais de distribuição B2B, com os Bedbanks Hotelbeds, a liderar novamente o Top 12 em Portugal e em cada destino analisado é destacado pela SiteMinder.

A operadora turística Traveltino também continuou a ganhar impulso, alcançando, pela segunda vez, a designação ‘High Riser’ da SiteMinder, enquanto o DMC OTS Globe manteve a sua posição entre os 12 melhores.

De acordo com James Bishop, diretor sénior do ecossistema global da SiteMinder, “vivemos numa nova era de hóspedes hoteleiros, dominada pelo que identificamos como o ‘viajante dinâmico’, que se caracteriza por ter comportamentos e preferências de reserva mais evoluídos”.

Os dados da plataforma destacam, de resto, “a vontade que as unidades hoteleiras têm em adotar e estabelecer novos métodos para atrair esses mesmos clientes, à medida que procuram uma estratégia comercial mais global para vender, comercializar, gerir e expandir o seu negócio”, afirma James Bishop.

O executivo refere ainda que “o aumento das reservas diretas, reflete os crescentes investimentos que assistimos entre os hotéis e os seus websites – incluindo os seus motores de reserva e opções de pagamento, e as ferramentas de conversão especializadas com as quais se conectam – bem como as suas estratégias de metasearch e apoio local dos seus consultores. Enquanto isso, um novo grupo de 29 canais, mostra a abertura das empresas hoteleiras em adotar uma abordagem mais ampla e multicanal, como forma de se conectar com mais nichos ou segmentos de clientes mais difíceis de alcançar”.

A nível nacional, André Gois, gerente da SiteMinder em Portugal, acrescenta que a “relevância dos canais regionais é, particularmente notável, uma vez que o World Hotel Index da SiteMinder apontou Portugal como um dos primeiros destinos europeus a ultrapassar o número de reservas hoteleiras de 2019 e a assistir aos hóspedes internacionais voltarem a ser a maioria das chegadas aos hotéis em 2021”.

Isto mostra a “importância duradoura” dos especialistas nacionais, mesmo em mercados recuperados, salientando Gois que, “à medida que as condições do mercado se alteram, é vital que as unidades hoteleiras analisem e avaliem, continuamente, as suas estratégias de comércio online e garantam que estejam informados sobre quais os canais de distribuição mais eficazes para garantir reservas e receitas para negócios locais”.

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Solférias lança programação de verão para Porto Santo

O operador turístico Solférias já tem disponível no mercado a sua programação de verão 2022 para o Porto Santo em voos especiais com saídas às segundas-feiras tanto de Lisboa como do Porto.

O operador turístico Solférias já tem disponível para venda a sua programação em voos especiais para férias de verão 2022 em Porto Santo.

A operação para a Ilha Dourada, em colaboração com a Sonhando, vai decorrer de 06 de junho a 10 de outubro 2022 (último regresso), em voos diretos da Sata Internacional – Azores Airlines, com direito a bagagem e catering, com partidas de Lisboa e do Porto, às segundas-feiras.

O pacote, de sete noites de alojamento, inclui seguro, serviço de assistência e transferes. Os preços anunciados pela Solférias tem como base a ocupação dupla, destacando-se 530€ por pessoa no Hotel Praia Dourada em regime de só alojamento e 807€ por pessoa no Porto Santo Hotel & Spa em regime de meia pensão. Em regime de tudo incluído os preços vão desde os 659€ por pessoa no Hotel Vila Baleira e desde 932€ por pessoa no Hotel Pestana Colombos.

O operador turístico indica, em comunicado de imprensa, que a ilha do Porto Santo “tem vindo a aumentar a sua relevância junto dos viajantes nacionais, graças a uma oferta hoteleira de excelente qualidade, que acompanha na perfeição os atrativos naturais deste destino: sol, praia, gastronomia, simpatia, acolhimento, segurança e um magnifico clima. Tudo a uma curta distância de voo desde Portugal continental.

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Destinos já tem preços para verão e lança campanha de vendas antecipadas

O operador turístico Destino acaba de anunciar os seus preços para o próximo verão, e o lançamento de uma campanha de reservas antecipadas.

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O operador turístico Destinos já tem disponíveis os preços para o verão deste ano para consulta e reserva na sua plataforma, ao mesmo tempo que lança uma campanha de reservas antecipadas online.

A Destinos indica que, para além da forte e habitual contratação no Algarve e restantes regiões do continente, também aumentou o número de hotéis disponíveis nos Açores e Madeira.

As ofertas com descontos de reserva antecipada, integram unidades de diversas categorias, incluindo 156 no Algarve, com descontos entre os 30% e os 35%. No Alentejo, a oferta abrange quatro unidades, com descontos entre 30% e 40%, enquanto, no Co Centro de Portugal, seis hotéis fazem parte da campanha de reservas antecipadas, com 15% de desconto.

Na região de Lisboa e Vale do Tejo, o operador turístico oferece descontos de 33% num conjunto de mais de meia centena de unidades hoteleiras, e no Norte, os preços baixam até 40% em 13 hotéis que estão incluídos na vasta contratação.

Por sua vez, 20 unidades nos Açores integram a campanha, com descontos entre os 20% e os 25%, e na Madeira, mais de meia centena de unidades estão em oferta de até 30% de desconto.

 

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Bestravel abre nova agência na Maia

Nova agência representa o regresso da marca Bestravel ao município da Maia.

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A Bestravel abriu uma nova agência de viagens no distrito do Porto, localizada na Maia e que foi inaugurada esta segunda-feira, 17 de janeiro, informou o grupo de agências de viagens em comunicado.

“É com grande satisfação que assinalamos esta abertura, não só pelo regresso da marca Bestravel a um Município que identificamos como de elevado potencial, como também, por toda a luta que travámos enquanto rede e sector nos últimos dois anos. Trata-se de mais um reforço da marca a norte do país e numa região periférica ao Grande Porto”, refere Carlos Baptista, administrador da Bestravel.

A nova agência da Bestravel na Maia é dirigida por Sérgio Rocha, que se afirma “muito satisfeito” com esta nova etapa e “por fazer parte deste projeto de referência que é a Bestravel”, aponta, citado no comunicado divulgado pelo grupo de agências de viagens.

“Contamos com um enorme entusiasmo para prestar o melhor e mais personalizado serviço na área das viagens. Em nome da Bestravel da Maia convido todos a visitar-nos e a reservar as suas férias de sonho”, acrescenta Sérgio Rocha.

 

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Ricardo Teles é o novo diretor Comercial da Bestravel

A Bestravel acaba de nomear Ricardo Teles para o cargo de diretor Comercial da rede, funções que acumulará com a área de expansão da marca.

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Ricardo Teles acaba de ser nomeado diretor Comercial da rede de agências de viagens Bestravel, acumulando a área de expansão da marca.

O novo responsável comercial da marca conta com uma carreira na área turística de mais de 25 anos, tendo, no passado, exercido o mesmo cargo na marca Bestravel, bem como no operador turístico EgoTravel.

Ricardo Teles, Diretor Comercial, afirma que “assumo este novo desafio com o objetivo de reforçar o crescimento recente da rede e a sua melhoria operacional na procura da criação constante de valor para as nossas franquias e clientes, em estreita articulação com os nossos parceiros.”

Por sua vez, Carlos Baptista, administrador da Bestravel, acredita que a nomeação do Ricardo Teles como diretor Comercial “nos trará proximidade com os parceiros e determinação naquilo que é a estratégia comercial da Bestravel. Será, certamente, uma aposta ganha”.

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Vouchers em litígio não são “materialmente relevantes”, garante APAVT

Prazo para que os clientes pedissem o reembolso por viagens canceladas na sequência da pandemia terminou esta sexta-feira, 14 de janeiro.

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O presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira, afirmou à Lusa que a questão os vouchers emitidos em 2020, devido às viagens que foram canceladas na sequência da pandemia e que se estima que valham cerca de 100 milhões de euros, está praticamente resolvida e que os litígios que se verificam não são “materialmente relevantes”.

“Na altura, não havendo valores concretos, porque pertencem aos negócios de cada empresa e não há um registo oficial de todos os inquéritos que fizemos, estimamos que possam ter sido emitidos vales na ordem dos 100 milhões de euros”, disse à Lusa Pedro Costa Ferreira.

De acordo com o responsável, parte dos vouchers acabou por ser utilizada em viagens, enquanto outra parte foi reembolsada “sob as mais diversas formas”, com Pedro Costa Ferreira a explicar que, apesar de não ser possível apresentar números exatos dos reembolsos, “há um valor que é possível calcular” e que “é o valor da linha de crédito que era exclusiva para pagamento de vales”.

Segundo o presidente da APAVT, este instrumento era “tão exclusivo que, para quem aderisse a essa linha de crédito, o banco emprestava o dinheiro pagando diretamente aos clientes dos vales. E foi utilizada em 37 milhões de euros”, ou seja, no mínimo houve reembolsos deste valor, sublinhou.

Em relação a questões mais sensíveis, que deram origem a litígios, Pedro Costa Ferreira garantiu que “não são visíveis litígios materialmente relevantes, no sentido em que nos tribunais arbitrais, no provedor do cliente, na Deco, não são conhecidas muitas reclamações”, existindo “até menos do que num período normal de vendas, se calhar”.

“A nossa sensibilidade é que a partir de dia 14 de janeiro [prazo final para a resolução desta questão] não vai haver um problema materialmente relevante, a maioria dos vales estará viajada ou reembolsada ou mesmo acordado o seu pagamento para mais tarde”, explicou, salientando que “há liberdade entre agência de viagens e os consumidores” e que, em muitos casos, há um acordo para que a viagem aconteça “mesmo com o fim do vale”.

“São acordos entre duas entidades livres do ponto de vista económico”, assegurou o presidente da APAVT, reconhecendo, no entanto, que possam existir “incidentes de incumprimento”, uma vez que “a resposta é assimétrica quando há milhares de empresas”.

Pedro Costa Ferreira recordou, no entanto que “os clientes que não forem reembolsados podem sê-lo através do fundo de garantia do setor que responde em nome das agências que não cumprirem”, sendo que “se as empresas não pagarem ao próprio fundo, deixam de ter autorização para atuar como agência de viagens”.

“É uma falha que acaba com a própria agência”, alertou, detalhando que este fundo “não é dinheiro público, nem dos contribuintes, é das agências de viagens, por lei só elas alimentam este fundo”, acrescentando que, por ser hoje o último dia, podem “vir à tona os litígios”.

Recorde-se que os vouchers de viagens canceladas durante a pandemia eram válidos até final de 2021, sendo que, após esse prazo, os clientes tinham 14 dias para solicitar o seu reembolso caso a viagem não tivesse sido reagendada até 31 de dezembro.

 

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Travelplan lança vendas antecipadas para verão nas ilhas espanholas

A pensar já no verão, o operador turístico Travelplan, lançou no mercado vendas antecipadas para as ilhas espanholas das Canárias e Baleares.

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O operador turístico Travelplan acaba de lançar no mercado, em venda antecipada, as suas ofertas de verão para as ilhas espanholas: Canárias e Baleares.

Com avião mais hotel, a programação incide sobre Maiorca, Menorca e Ibiza, nas Baleares, e Tenerife, Gran Canaria, Lanzarote, Fuerteventura e La Palma, nas Canárias.

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