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CEO do Trivago admite que regresso do turismo para níveis pré-pandemia só em 2024

Antevendo que em meados de 2022 a situação se normalize entre países com bons níveis de vacinação, o CEO do Trivago, admite que a recuperação total só acontecerá lá mais para 2024.

Victor Jorge
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CEO do Trivago admite que regresso do turismo para níveis pré-pandemia só em 2024

Antevendo que em meados de 2022 a situação se normalize entre países com bons níveis de vacinação, o CEO do Trivago, admite que a recuperação total só acontecerá lá mais para 2024.

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Numa entrevista à consultora McKinsey & Company, Axel Hefer, CEO do Trivago, motor de busca e comparador de preço de hotéis, admite que as receitas no setor do turismo só em 2024 deverão atingir níveis pré-pandemia.

A consultora refere que, embora os efeitos de longo prazo possam parecer esmagadores, “os líderes do setor estão a descobrir que muitas lições da crise da COVID-19 podem ajudar as empresas do turismo e viagens a voltar mais fortes do que eram antes da pandemia”.

“Vimos uma grande mudança para viagens domésticas e para países vizinhos”, diz Hefer, reconhecendo que se trata de “uma mudança e um afastamento das viagens continentais e intercontinentais”. “Essa mudança foi impulsionada predominantemente pelas restrições em vigor e pela incerteza das viagens. Os viajantes querem saber que, chegados a um local, poderão voltar para casa e não ficar presos devido às restrições de viagem que mudam rapidamente”, salienta ainda o CEO do Trivago.

Afirmando-se “menos otimista” relativamente às viagens intercontinentais de longa distância, mesmo a longo prazo, Hefer assinala que “quanto mais longe de casa se viaja, mais incerteza existe”. Excluindo quaisquer novas variantes, a esperança de Hefer é que “em meados de 2022, as medidas se normalizem entre os países à medida que os níveis de vacinação aumentam na maioria dos principais mercados e os viajantes se acostumam com algum nível de restrições e as considerem aceitáveis”. Mas recuperar a confiança que existia antes da pandemia “pode levar anos a reconstruir”, admite o responsável do Trivago.

Quanto às implicações para as agências de viagens no meio de tanta incerteza e à mudança no comportamento do consumidor, Axel Hefer diz que a pandemia “abriu nossos olhos para algumas coisas. Mostrou-nos, efetivamente, que o mercado de viagens pode sofrer mudanças abruptas, passando de um grande crescimento a nenhuma atividade em questão de dias”.

A primeira implicação para as operações das agências de viagens apontada por Hefer é ao nível dos “custos variáveis” que diz serem “muito caros”. “Quanto mais fixa for a estrutura de custos da empresa e quanto mais ativos existirem, mais difícil será lidar com esse tipo de volatilidade”, refere o executivo. “Se estivermos a olhar para um futuro com diversas vagas frequentes de pandemias semelhantes à crise da COVID-19, a maioria das empresas precisará ajustar a sua estrutura de custos”, salienta.

O outro grande desafio assinalado por Hefer, foi “o reembolso. Muitos agentes que haviam recebido pagamentos antecipados viram-se obrigados a reembolsar valores muito rapidamente”, destacando que “esse tipo de impacto no fluxo de caixa de uma empresa é um desafio enorme”.

Por último, os “ativos”. “Mover todos para uma configuração de trabalho completamente nova, enquanto eram atingidos por uma vaga de reembolsos que precisavam ser processados operacionalmente e, em seguida, financiados, foi a tempestade perfeita”, conclui.

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Europ Assistance reforça canal online dedicado a seguros de viagem de lazer

Com duas modalidades de subscrição – Move Me e Move Plus – a Europ Assistance reforça o canal digital com a disponibilização de um website onde é possível contratar as coberturas de proteção COVID-19.

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A Europ Assistance acaba de reforçar a sua oferta no universo digital ao lançar um novo website dedicado exclusivamente a seguros de viagem de lazer, pretendendo, assim, oferecer uma experiência de navegação intuitiva, simples e adaptada a todos os dispositivos.

Através do novo website da Europ Assistance é possível contratar as coberturas de proteção COVID-19, apresentadas em duas modalidades de subscrição: Move Me e Move Plus.

As coberturas incluem o pagamento de despesas médicas por Covid-19, consulta médica online, help line, aconselhamento médico e psicológico, repatriamento ou transporte sanitário de feridos ou doentes, vigilância médica no estrangeiro, bem como cancelamento antecipado ou interrupção da viagem.

“Queremos tornar a subscrição de um seguro de viagem o mais simples e intuitivo possível, pois sabemos que o cliente está cada vez mais preocupado em viajar seguro e protegido em consequência da pandemia. Criámos este novo produto para simplificar e, assim, ampliar também a nossa resposta nesta área. O objetivo passa por proporcionar viagens tranquilas ao disponibilizar todas as coberturas adequadas às necessidades do cliente e com uma assistência médica permanente em qualquer parte do mundo”, afirma João Horta e Costa, Chief Commercial Officer da Europ Assistance Portugal, em nota de imprensa.

“Este novo serviço integra a estratégia da Europ Assistance em reforçar a sua aposta e oferta no digital, ao mesmo tempo que estamos ainda mais disponíveis e próximos do cliente quando decide viajar e conhecer o mundo”, conclui.

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Viagens Tempo promovem Fim de Ano no Dubai

Programa das Viagens Tempo para o Fim de Ano no Dubai é válido para reservas até 9 de dezembro e inclui cinco noites de alojamento e entrada de um dia na Expo Dubai 2020.

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As Viagens Tempo estão a promover os últimos lugares para o Fim de Ano no Dubai, num programa que inclui voos pela Emirates e cinco noites de alojamento no destino, bem como a entrada de um dia na Expo Dubai 2020.

Com partida a 28 de dezembro e regresso no dia 2 de janeiro, o programa das Viagens Tempo para o Fim de Ano no Dubai é válido para reservas até 9 de dezembro e apresenta preços desde 1.725 euros por pessoa, incluindo taxas de aeroporto.

O alojamento de cinco noites é em APA e o programa das Viagens Tempo inclui ainda transferes in/out em viatura privada. Mais informações em viagenstempo.pt.

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Pedro Siza Vieira sugere que apoios a fundo perdido não são agora solução para o turismo

Pedro Siza Vieira sugeriu que os futuros apoios a fundo perdido para as empresas do turismo não são solução, mas sim de ajudas à reconstituição dos balanços, com um programa minimamente pensado, que prometeu deixar montado, antes das eleições.

O ministro da Economia, Pedro Siza Vieira sugeriu que os futuros apoios a fundo perdido para as empresas do turismo não são solução, mas sim de ajudas à reconstituição dos balanços, com um programa minimamente pensado. O governante espera deixar isso montado até às eleições legislativas agendadas para 30 de janeiro de 2022.

“Admito que possamos ter alguns apoios mais específicos. Já não estamos numa situação de não haver clientes. Por isso, mais do que propriamente dar apoios a fundo perdido para as empresas não fecharem a porta completamente, é ajudar à reconstituição do balanço das empresas que ficaram muito degradadas”, disse Pedro Siza Vieira no último dia do Congresso da APAVT, que decorreu de 01 a 03, em Aveiro.

A ideia, dirigida principalmente às micro e pequenas empresas do setor do turismo mais devastadas pela pandemia, como as agências de viagens, era que por cada euro que o empresário invista para reduzir a dívida, o Estado investisse um euro. “A ideia é fazer a redução do passivo, algo que pode ter um efeito grande”, disse o governante.

 

Não vale a pena ter um novo aeroporto sem a TAP

 

O ministro da Economia considerou “lamentável” a incapacidade de decisão sobre o novo aeroporto da região de Lisboa, mas reconheceu que “não vale a pena termos um aeroporto se não tivermos TAP”.

Pedro Siza Vieira realçou, numa amena conversa com Pedro Costa Ferreira, presidente da APAVT, que decorreu numa sessão do congresso em que o formato era falar dos temas mais quentes da atualidade, que “precisamos de um novo aeroporto até porque o tempo tem um valor cada vez maior, e foram anos perdidos”, mas na sua opinião, a construção dessa infraestrutura só deve existir se houver TAP, alertando, de seguida que “o país tem de preservar esta capacidade instalada para que haja recuperação”. Isto porque, “se deixarmos agora a TAP morrer seria uma perda muito grande para o país, que nos arrependeríamos nos próximos anos”.

O governante disse que a companhia aérea portuguesa “é provavelmente uma das empresas mais críticas para o nosso futuro coletivo”, mas lembrou que, sendo uma empresa exportadora, se a TAP desaparecesse o país sentiria “um impacto imediatamente negativo” no PIB, na balança comercial e dívida externa, empresa que representou em 2019 quase 2% da balança comercial portuguesa.

Além disso, Pedro Siza Vieira, recordou que 95% que chegam a Portugal é por via aérea e sem a TAP e o aeroporto de Lisboa corria o risco de se tornar secundário, para acrescentar que “o movimento aeroportuário cresceu em Lisboa, porque a TAP cresceu e isso motivou a que outras operadoras viessem para Portugal”.

Para que isso não aconteça, o ministro salientou que “o esforço que estamos a fazer na TAP deve ser visto como um investimento estratégico”, recordando que todos os Estados do mundo tiveram que meter dinheiro nas suas companhias aérea.

“O movimento aeroportuário cresceu em Lisboa, porque a TAP cresceu e isso motivou a que outras operadoras viessem para Portugal”, disse o ministro, recordando ainda que foi a facto de a TAP ter um hub em Lisboa que proporcionou o crescimento do investimento estrangeiro no país.

Estas declarações de Pedro Siza Vieira veem na sequência do que o Presidente da República tem vindo a dizer ao sector, tanto no Dia Mundial do Turismo, celebrado em Coimbra, numa conferência promovida pela CTP, como no Congresso da AHP, que decorreu em novembro, no Algarve.

Dizia Marcelo Rebelo de Sousa, na abertura do 46º Congresso da APAVT que “é muito importante que os concorrentes às eleições clarifiquem o que querem com a TAP, para que não haja angústias metafísicas no decurso da legislatura”.

É nesta linha de raciocínio que o governante considera necessário a existência de um consenso político para mudar a legislação e não ser possível bloquear decisões, lembrando que atualmente há sempre uma câmara que pode bloquear. Espera, assim, que saia uma solução do executivo que vier a governar os destinos de Portugal após as eleições legislativas de 30 de janeiro.

 

Instabilidade política não é bom para Portugal

 

O ministro fez questão de sublinhar que a instabilidade política não é bom para Portugal, pois das conversas que tem tido com investidores internacionais, o que valorizam mais em Portugal é a estabilidade que “tem mesmo um valor” que é mais mencionado do que temas como a fiscalidade. “As pessoas valorizam a segurança, a coesão nacional e a estabilidade. Espero que seja preservado”.

Siza Vieira justificou ainda a decisão de não viabilizar o Orçamento do Estado a qualquer custo porque o Governo não esteve disponível para aceitar matérias que não tinham a ver com o Orçamento e que afetariam a vida das empresas e das pessoas.

A crise política provocada pelo chumbo do Orçamento do Estado “foi um desperdício de oportunidades” porque as pessoas e as empresas esperam estabilidade do Estado, considerou o ministro da Economia, mas assegurou que o Governo mantém capacidade orçamental e flexibilidade jurídica para dar respostas, mas alertou o setor do turismo, em particular, para o grande “se não formos capazes de ter uma solução governativa no pós-eleições”.

O ministro da Economia respondeu ainda a várias questões e até deixou uma receita para acautelar a subida da inflação e das taxas de juro: “O que temos de fazer é evitar uma subida da dívida pública”.

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Congresso APAVT: “Apoios têm de continuar, porque há gente que não tem mais onde se agarrar, mas que continua a trabalhar e a resistir”

Terminado o 46.º Congresso da APAVT, a mensagem final do presidente da associação, Pedro Costa Ferreira, foi simples: “que os apoios continuem, que se clarifique e harmonize as restrições, que se reforce a promoção externa e que os políticos deste país saibam entregar uma solução política estável”.

Victor Jorge

No final de três dias de congresso, o presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo, Pedro Costa Ferreira, voltou a afirmar o que dissera no início dos trabalhos: “O apoio à retoma tem que continuar pelo menos até à Páscoa, o apoiar.pt tem que ser reativado, pagando desde já o período de abril a dezembro deste ano e projetando ainda as consequências destas novas restrições agora implementadas”, disse no final do 46.º congresso da associação

E justificou esses apoios com o facto de haver “gente que não tem mais onde se agarrar, mas que continua a trabalhar e a resistir. Essa gente são os agentes de viagens portugueses, que integram um setor que cresceu na última década, mais do que economia portuguesas, contribuindo decisivamente para o crescimento da economia portuguesa, para a geração de emprego e para o equilíbrio das contas externas do país”

E prosseguiu, referindo que “os agentes de viagens portugueses uniram-se e vieram [ao congresso] gritar que não desmobilizam, que não desistem, que não se entregam”, salientando, ainda que “são os agentes de viagens portugueses que liderarão a recuperação do turismo português, e com ele a economia nacional, ao venderem este maravilhoso destino turístico pelos principais mercados emissores”.

Antes de pedir estes apoios, ou melhor, a continuação dos mesmos, Pedro Costa Ferreira, agradeceu o papel da secretária de Estado do Turismo (SET), Rita Marques, admitindo que, sem ela, “tudo teria sido pior”, porque “foi ágil a perceber as necessidades, foi perseverante a procurar apoios, e foi hábil a construir soluções de financiamento.

O papel da SET foi destacado, até porque, “a resposta governamental não foi isenta de erros ou omissões”, além de não ter sido “constante e coerente”.

Para o setor, Pedro Costa Ferreira deixou a mensagem – apesar de reconhecer que a “retoma dependerá de alguns fatores não controláveis por nós [agentes], acima de todos a resolução da situação sanitária” – que “podemos antecipar a retoma e aumentar a sua velocidade, com a clarificação e harmonização das restrições à mobilidade, a entrega de uma oferta flexível ao longo de toda a cadeia de valor, a resolução do problema de recursos humanos, o prolongamento de um quadro de apoio robusto e coerente, bem como uma renovada aposta na promoção externa, através do reforço das dotações financeiras”.

Quanto à promoção externa, o presidente repetiu o que dissera no arranque dos trabalhos do 46.º congresso da APAVT: “Só precisamos de reforçar a capacidade financeira, o talento já lá está todo”.

Por isso, e no fim, Pedro Costa Ferreira espera que “o atual Governo tenha a criatividade e a vontade necessárias a reforçar de imediato o apoio à economia e às empresas, e que os políticos deste país nos saibam entregar uma solução política estável, que permita uma resposta global e efetiva à crise económica que foi reforçada pela crise política”.

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Flexibilização é palavra de ordem no 46º Congresso da APAVT

A flexibilização em toda a cadeia de valor do turismo, como fator fundamental para a recuperação do setor, foi a palavra-chave no painel sobre ‘Tendências do consumidor, capacidade da oferta e velocidade da retoma’, esta quinta-feira no Congresso da APAVT.

A flexibilização em toda a cadeia de valor do turismo, como fator fundamental para a recuperação do setor, foi a palavra-chave no painel sobre ‘Tendências do consumidor, capacidade da oferta e velocidade da retoma’ que teve lugar esta quinta-feira, no âmbito do 46º Congresso da APAVT, a decorrer em Aveiro.

Silvia Mosquera, CCRO da TAP, Frédéric Frére, CEO da Travelstore American Express GBT, Francisco Pita, CCO da ANA Aeroportos/Vinci, Joaquim Monteiro, diretor-geral da Luísa Todi DMC, a que se juntou ainda ao debate, Maria José Costa, da Eventivos DMC, foram categóricos em afirmar que a flexibilização, a continuação dos apoios ao setor, a diminuição da carga fiscal, a necessidade de reter talentos, bem como a clarificação de normas e a sua comunicação clara e atempada, são algumas das questões cruciais para a retoma do turismo.

Se por um lado, os intervenientes deste painel falaram de alguma recuperação com valores a aproximarem-se aos de 2019, da retoma do turismo em Portugal, da performance do mercado, da reafirmação pela TAP de que as agências de viagens são o seu parceiro privilegiado na distribuição, e dos aeroportos nacionais a conhecerem uma boa recuperação, por outro lado pairava o clima de incerteza que o setor está a viver face à nova vaga da pandemia.

Silvia Mosquera, admitiu que a nova variante Ómicron está a provocar um abrandamento das vendas de bilhetes, face à recuperação que se assistia desde setembro. “Estávamos muito otimistas porque a recuperação estava a ser muito boa. Com efeito, em novembro, e agora também em dezembro, estamos a operar 80% da capacidade dos voos que operámos em 2019. São bons números”, disse.

A responsável referiu que a recuperação se fez notar, sobretudo, “no mercado doméstico, étnico, e nas viagens de visita à família e amigos”, enquanto o corporate está a ter ainda algum atraso.

Prudência 

Prudente e conservador está igualmente Frédéric Frére em relação à retoma das viagens de negócios, realçando que não se pode fazer conjeturas a longo prazo, e acredita que há ameaças, mas também oportunidades. Reconhece que com novas atitudes de consumo surgem outras necessidades e motivos para viajar, e que o online apesar de ser importante, há necessidade dos contactos presenciais.

Já os DMC’s estimam um recomeço só a partir da Páscoa. Alertam que neste momento nada acontece, e que pretendem a retoma com eventos. Pedem mais apoios para poderem encarar a situação difícil que atravessam, com anulações e cancelamentos.

afirmou Francisco Pita no 46.º Congresso Nacional da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), em Aveiro.

Por sua vez, Francisco Pita disse que, dada a recuperação a que se assistiu no aeroporto de Lisboa, em novembro, “em muitos dias” já se assistiu ao mesmo número de movimentos na Portela que se verificava em 2019. “Temos, de facto, necessidade de um aumento rápido da capacidade aeroportuária na região de Lisboa se queremos continuar a crescer”, reafirmou.

De acordo com o responsável, os comportamentos são assimétricos entre aeroportos e alerta que a nova variante pode obrigar a rever previsões.

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Parceria APAVT/Deco é caso de sucesso

A APAVT e a Deco estabeleceram um novo compromisso para dinamizar um serviço prestado pela Deco de apoio e consultoria exclusivo e reservado às agências de viagens e turismo associadas da APAVT.

A APAVT e a Deco estabeleceram um novo compromisso para dinamizar um serviço prestado pela Deco de apoio e consultoria exclusivo e reservado às agências de viagens e turismo associadas da APAVT, anunciou Vasco Colaço, presidente da direção da Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor.

O que se pretende, segundo Vasco Colaço, que falava no Congresso da APAVT, que decorre em Aveiro, sobre o tema “Num mundo moderno, agências de viagens e consumidores reforçam parceria” é “ajudar os associados da APAVT a prestarem um serviço mais próximo, eficaz e transparente, que contribua para a melhoria da confiança entre o cliente e a sua agência e permita às agências de viagens estarem sempre atualizadas face ao desenvolvimento do mercado, anteciparem novas tendências e cumprirem rigorosamente com as normas aprovadas”.

Este trabalho conjunto, disse “permitirá que cada agência possa valorizar o relacionamento com os seus clientes através da publicitação de uma menção distintiva da Deco que irá reforçar a confiança dos consumidores quando contratam com as associadas da APAVT. Assim, convidou os agentes de viagens a contatarem a APAVT e a Deco para conhecer melhor este serviço, as suas vantagens e o seu potencial.

Conforme lembrou Vasco Colaço, começou por ser uma parceria “improvável porque junta duas associações que aparentemente têm causas e interesses antagónicos, mas que na verdade têm o objetivo comum que é servir o melhor possível os consumidores e clientes”.

Esta parceria entre a APAVT e a Deco nasceu em 2005 justamente com o objetivo de “dar uma melhor resposta às queixas dos consumidores de forma a tornar essas respostas mas rápidas, isentas e eficazes”, referiu o responsável, para acrescentar que o seu sucesso “é hoje inquestionável uma vez que 90% das queixas relativas às viagens organizadas passaram a ter uma resolução satisfatória.

Reconheceu ainda que “para este sucesso é justo realçar o papel fundamental desempenhado pelo Provedor do Cliente das agências de viagens e turismo, cuja criação em 2003, é o reconhecimento da importância que a APAVT dá à promoção da defesa dos direitos dos consumidores, mas é também o reconhecimento da importância que dá à criação de uma relação de confiança e de transparência entre o cliente e as agências de viagens”.

Vasco Colaço explicou que ao longo destes 16 anos de cooperação, a Deco e a APAVT “assumiram posições conjuntas relativas à proteção dos consumidores face a insolvências massivas, apresentaram iniciativas conjuntas relativamente à legislação do sector, e garantiram soluções aos consumidores face a disrupções do mercado”, e que esta parceria “tornou-se tão exemplar que foi considerada pelo Parlamento Europeu como um caso único internacional de relacionamento entre a indústria do turismo e os consumidores”.

A recente pandemia veio confirmar os benefícios dessa cooperação, assegurou Vasco Colaço, para recordar que, em fevereiro de 2020, numa altura em que se realizavam as viagens de Carnaval, que se pagavam as de finalistas, e se decidiam os destinos de verão a Deco foi submersa por uma avalanche de queixas dos consumidores que foram confrontados com cancelamentos de voos, encerramentos de hotéis e restrições sanitárias. A legislação não respondia com clareza a essas incertezas e tanto os consumidores como os operadores turísticos corriam o risco de não verem ou não serem reembolsados.

Assim, “durante esse período de emergência, a Deco e a APAVT trabalharam intensamente para encontrar soluções que salvaguardassem o mercado e defendessem os direitos dos consumidores”, destacou, para apontar que “vivemos momentos muito intensos e de grande incerteza, sujeitos a enorme pressão e, se foram ultrapassados, foi porque trabalhámos em conjunto, numa base de confiança e respeito.

No entanto, a indústria das viagens e turismo confronta-se com novos desafios e exigências. O presidente da Deco está convicto que “a confiança na responsabilidade e transparência são hoje aspetos muito importantes na tomada de decisão dos consumidores. A comunicação e a proximidade com o consumidor nunca foram tão importantes como hoje, sobretudo numa altura em que o mercado produz, de uma forma cada vez mais rápida, novos produtos e serviços de turismo”.

Para responder a todas essas novas exigências e desafios a APAVT e a Deco voltaram a trabalhar em conjunto para formalizar novo protocolo com o objetivo de reforçar a proteção dos direitos dos consumidores no que diz respeito à informação e à capacitação das agências de viagens. É neste quadro que se insere a dinamização deste apoio e consultoria exclusivo e reservado às agências de viagens e turismo associadas da APAVT por parte da Deco.

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Congresso da APAVT: Marcelo pede “clarificação” a quem concorre às eleições sobre aeroporto, TAP e ferrovia

A abrir os trabalhos do 46.º Congresso da APAVT, o Presidente da República deixou vários recados a quem concorre às próximas legislativas e pretende ser Governo.

Victor Jorge

No dia em que Portugal ultrapassou os 4.500 casos de infeção por COVID-19, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, abriu o 46.º Congresso da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) salientando que “o turismo é abertura”, destacando o “heroísmo das agências de viagem em 2020 e 2021”.

Admitindo que a decisão mais difícil dos últimos tempos foi a declaração do estado de emergência e a sua posterior renovação, Marcelo Rebelo de Sousa disse que “essa decisão foi mil vezes mais difícil que a dissolução da Assembleia da República”.

Respondendo a várias perguntas que foram deixadas no início dos trabalhos por Pedro Costa Ferreira, presidente da APAVT, e Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), a primeira foi: “Como vai a pandemia em Portugal?”. A diferença, segundo o Presidente da República, “não está nos números relativamente há um ano. A diferença está no número de internados, cuidados intensivos e mortos”.

Além deste facto, Marcelo Rebelo de Sousa salientou a vacinação, assinalando a posição (número 1) de Portugal na Europa e no mundo, referindo que, “enquanto alguns estão a tentar chegar à nossa posição, nós estamos a avançar já com a terceira dose”.

No que diz respeito à nova variante, o Presidente da República (PR) apelou à “serenidade”, pedindo que se “afaste qualquer alarmismo”, destacando que, “o que precisamos é de prevenção”.

À pergunta sobre o estado da economia, presente e futura, Marcelo Rebelo de Sousa, destacou os números avançados pela OCDE e outras entidades nacionais e internacionais, ou seja, “crescimento de 4,2% para o 3.º trimestre, 4,8% para o ano” e para 2022, um “crescimento de 5,8%”. Ou seja, “iremos crescer 10% nestes três anos”.

Neste capítulo, destacou ainda a “capacidade inventiva e de recriação das nossas empresas e empresários que é excecional”, frisando que se trata de “saber reconstruir e começar a reconstrução”. “No fundo, o turismo é isso”, assinalou Marcelo Rebelo de Sousa.

No que diz respeito ao papel das agências de viagem em todo este cenário, o PR classificou-a de “essencial no ressurgimento do turismo”, abordando ainda a problemática da falta de quadros, com destaque para a falta de pessoas, particularmente, no turismo”, embora reconheça que a mão-de-obra reajustou-se e partiu para outros setores”.

Confiante quanto aos números da inflação, nomeadamente, que se mantenham baixos, Marcelo assinalou que “o investimento externo está a subir, no ‘antigo’ e no ‘novo’ turismo”.

No âmbito político e, mais concretamente, no Orçamento de Estado (OE) para 2022, a convicção do PR é a de que “nunca Portugal possui tanto dinheiro para investir” com o PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) bem como os fundos provenientes programa 20-30 que não dependem do OE.

Marcelo deixou ainda a esperança de que o novo Governo “será rápido” na aprovação de um novo orçamento, convencido de que a “governabilidade e sustentabilidade estarão presentes na viabilização” do futuro documento.

Já quanto ao novo aeroporto, voltou a frisar o que já tinha dito afirmado em eventos anteriores, deixando, contudo, uma esperança: a de que, quem concorre às próximas eleições “clarifique a sua posição sobre o novo aeroporto para não haver mais surpresas”.

Indicando que “o país não suporta mais taticismos”; Marcelo deixou um “pedido”: “que se tome uma decisão e que seja ainda em 2022”.

Quanto à Ferrovia, esta “terá de ser uma aposta, seja no geral, seja na que tem potencial económico”, ou seja, alta velocidade, assinalando que, também aqui, “os concorrentes às eleições têm de tomar uma decisão”.

Outro tema a “precisar de clarificação”, é a TAP. “Sonhar com um ‘hub’ forte em Portugal, implica apostar na reforma da TAP e na viabilização da mesma. Não há alternativa”, frisou.

Deixando claro que “não há ninguém a vir de outra galáxia para salvar a TAP”, o Presidente da República assinalou, contudo, que “há parcerias que se podem fazer e a nível nacional”, mas, mais uma vez, “aqueles que querem governar o país têm de se pronunciar, concluindo que “estas são as virtualidades dos atos eleitorais e a grande ocasião de explicitar as posições”.

Presidente da CTP pede continuação da atual SET
Antes do discurso de Marcelo Rebelo de Sousa, Francisco Calheiros, presidente da CTP, agradeceu ao Presidente da República por ser “o grande aliado do setor do turismo”, pedindo até que a atual secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, continue no cargo, já que “estamos habituados a vê-la anunciar uma medida e a concluir dez, enquanto os políticos anunciam 10 e concluem uma”.

“Vai para dois anos que estamos em pandemia e temos de estar unidos e caminhar juntos”, desejando que “seja debelada o mais rapidamente possível para voltarmos à normalidade”.

Deixando claro que o país “não cresce há 20 anos”, Calheiros espera que, a seguir à saúde, o próximo Governo seja o Governo da “economia e das empresas, que reduza os impostos, que arrisque”, já que “estamos a falar de mais de 50 mil milhões de euros”.

Quanto ao aeroporto, também aqui, o presidente da CTP voltou a repetir o que vem dizendo: “não é aceitável que a principal infraestrutura aeroportuária esteja para decidir há 50 anos”. Até porque, concluiu, “o futuro do nosso país e da nossa economia passa pelo turismo”.

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Congresso APAVT: “Não estamos a pedir apoio. Estamos a exigir” afirmou Pedro Costa Ferreira

Pedro Costa Ferreira, abriu o 46º Congresso da APAVT, que decorre em Aveiro, a afirmar que “não estamos a pedir apoio. Estamos a exigir”, face à situação que o setor do turismo está a atravessar devido à pandemia, realçando que “é urgente que se confirme a continuação do apoio à retoma, pelo menos até à Páscoa”.

Pedro Costa Ferreira, abriu o 46.º Congresso da APAVT, que decorre em Aveiro, a afirmar que “não estamos a pedir apoio. Estamos a exigir”, face à situação que o setor do turismo está a atravessar devido à pandemia, realçando que “é urgente que se confirme a continuação do apoio à retoma, pelo menos até à Páscoa”.

“O setor chega ao dia de hoje com razões para festejar e com motivos para exigir”, disse o presidente da APAVT para adiantar que o setor da distribuição tem razões para festejar tanta capacidade de resistência, tanto sofrimento passado, tanto desafio vencido, nunca abandonando uma característica única que uniu e justificou tudo o resto, a vontade de servir o cliente, princípio e fim de toda a nossa atividade”.

Mas nem tudo foram ou são rosas para a economia e o turismo em geral, e o setor da distribuição em particular. “Desde logo, perdas absolutamente violentas, destruição dos capitais próprios, e endividamento das empresas e dos empresários, factos que representarão pesada herança nos próximos anos”, afirmou ainda Pedro Costa Ferreira no seu discurso de abertura do congresso da APAVT, que conta com a participação de mais de 600 pessoas.

Costa Ferreira fez justiça ao conjunto de apoios que o Governo disponibilizou ao turismo que, em sua opinião foram fundamentais, realçando que “o apoio à manutenção do emprego tem sido fundamental, assim como o apoiar.pt se revelou da maior importância, enquanto durou”. Por outro lado, no caso concreto das agências de viagens, a derrogação temporária da diretiva das viagens organizadas, que permitiu a gestão dos reembolsos, “foi sem dúvida da maior relevância”, num trabalho liderado pela secretária de Estado do Turismo, Rita Marques junto da Comissão Europeia, que permitiu que os reembolsos aos clientes se processassem, temporariamente, através de vales.

Mas também afirmou que esses apoios foram insuficientes, “frequentemente tardio o momento em que ocorreram, bem como, demasiadas vezes, foram difíceis os processos administrativos de acesso aos mesmos” disse o presidente da APAVT que apelou a que não acabem “sob pena de inutilizarmos os esforços já desenvolvidos, transformando então fundo pedido em saco roto. Por outras palavras, é imprescindível que não permitamos que o sector, e com ele a capacidade de recuperação do país, morram na praia, por interrupção dos apoios necessários”, frisou o dirigente associativo.

Em relação à retoma do turismo, Pedro Costa Ferreira lembrou que “será lenta, desigual e assimétrica. Por outro lado, será precisamente no momento do regresso, que as necessidades de tesouraria serão mais óbvias”, ou seja, “o momento de maior risco para o setor e para a recuperação económica do país”.

Daí que, ”esperamos preocupados, no momento mais crítico das nossas empresas, que os políticos se organizem e construam um diálogo urgente, um orçamento credível, e um quadro de apoios capaz de manter vivas, as oportunidades de crescimento do nosso país. O tempo está a fugir”, considerou ainda o presidente da APAVT, indicando ainda ser crítico que se reative o programa apoiar.pt

Na sua intervenção, Costa Ferreira enumerou as prioridades do turismo, colocando o problema da solução aeroportuária. “Todos sabemos que queremos chegar ao ano de 2027 com a performance turística prevista para esse ano, antes da eclosão da crise, mas também, todos sabemos, que, sem uma solução aeroportuária, é bem mais provável que cheguemos a 2027 com números turísticos inferiores aos de 2019”, evidenciou.

O dirigente considerou também decisivas as questões relacionadas com a sustentabilidade e, consequentemente o problema da ligação ferroviária de alta velocidade, bem como a flexibilidade e a união ao longo de toda a cadeia de valor e sentido de estratégia.

 

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ASGAVT considera “inadmissível” o atraso nos apoios ao turismo

A ASGAVT– Associação de Sócios Gerentes das Agências de Viagens e Turismo, considera “inadmissível” o atraso nos apoios ao turismo, atividade económica mais afetada por esta pandemia.

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A ASGAVT– Associação de Sócios Gerentes das Agências de Viagens e Turismo, considera “inadmissível” o atraso nos apoios ao turismo, atividade económica mais afetada por esta pandemia, “situação que esta a causar graves constrangimentos em todo o setor”.

Em comunicado de imprensa, a associação refere que “os fundos de apoio à tesouraria do Turismo de Portugal, que anteriormente eram de rápida aprovação e liquidação neste momento estão pendentes a meses as suas validações e posteriores liquidações”, enquanto “o IAPMEI, esta a demorar cerca de um mês a analisar os processos, que pela sua simplicidade deveriam ser analisados em dias”.

Diz ainda o mesmo comunicado que “a inoperância desta entidade (IAPMEI), faz com que tenhamos empresas com projetos aprovados e contratos assinados a aguardar há mais de 15 dias pela validação e libertação dos fundos”.

A ASGAVT lembra que “este ano o pico de época do inverno acabou por se tornar numa angústia para nos e para os nossos clientes. O Carnaval despareceu tal como metade das férias da Páscoa. Para o Natal já foram decretadas mais restrições. O aperto no controlo fronteiriço aliado as restantes restrições, que apesar de serem consideradas essenciais para a nossa proteção, acabaram com as já poucas reservas que íamos tendo. O receio de não poder concretizar as reservas já efetuadas, fez com que esta manhã se iniciasse um pedido massivo de cancelamentos”.

Assim, “resta-nos mais uma vez solicitar ao nosso governo que olhe para nosso sector com responsabilidade e de uma forma assertiva e rápida, correndo o risco, de caso não faça, criar uma onda de falências e desemprego nunca antes visto neste setor. Mais uma vez não seremos encerrados por decreto mas o decreto vai ditar a nossa impossibilidade de trabalhar, destaca a ASGAVT na sua nota.

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“Temos de ter a noção de que teremos de ser muito eficazes”

Analista, consultor, ex-governante, Paulo Portas estará no Congresso da APAVT para indicar alguns caminhos passados e futuros. As incertezas são grandes e conhecem atualizações constantes e nesta entrevista, feita antes de conhecidas as “novidades” da variante Omicron, Paulo Portas admite que “o mundo que gira à volta do turismo é enorme”, não percebendo “por que razão devemos dar um pontapé naquilo que nos ajuda a criar riqueza”.

Victor Jorge

Muito se tem falado na recuperação ou retoma do setor do turismo, da importância do mesmo para a economia do nosso país e o que se pode, deve e tem de fazer. Em entrevista, Paulo Portas, ex-vice-Primeiro-Ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros, jurista e empresário, dá a sua visão (crítica) relativamente a diversos temas. A começar pelo aeroporto e pelas “injustiças” cometidas contra o setor privado. Tudo isto em entrevista no âmbito do 46. Congresso da APAVT e antes de conhecidas as mais recentes novidades relacionadas à nova variante da COVID-19.

O título da sua intervenção no 46.º Congresso da APAVT é “Recuperação pós-Covid: tendências globais, europeias e nacionais – As questões do crescimento, as incertezas da retoma e o futuro da economia”. Já estamos em recuperação? E que incertezas existem ou poderão existir relativamente a essa mesma retoma no turismo?
Se compararmos 2021, como provavelmente vai terminar, com 2020, obviamente que estamos a recuperar e, felizmente, com bastante força e sustentação. É preciso termos a noção de que em 2020, o ano mais trágico de todos os pontos de vista, as dormidas, em Portugal, caíram, em hotéis, 65% face a um ano normal. Em Alojamento Local, a quebra foi de cerca 59% e mesmo em espaço rural, mais protegido, o decréscimo rondou os 35%. Por isso, comparando com 2020 estamos substancialmente melhores.

Se compararmos com o último ano normal das nossas vidas – 2019 – ainda não chegámos ao nível em que podemos dizer que recuperámos o ponto de partida.

Mas 2019 foi um ano recorde. Será que podemos bater recorde atrás de recorde?
Foi. Aliás, Portugal foi, sucessivamente, batendo recordes. 2019 é o último ano com o qual nos podemos e devemos comparar e não sou favorável a comparações deliberadamente pessimistas, porque acho que nós, como país, como setor privado, devemos ter ambição e essa é, sem dúvida, superar os anos melhores.

A verdade é que se olharmos para um bom indicador, que não é completo, mas que é bastante interessante, o tráfego dos aeroportos portugueses, fechará, tudo indica, o ano 2021 com um contributo bastante assinalável do último trimestre, portanto de outubro a dezembro, a correr manifestamente bem, fecharemos o ano entre 70 a 80% do nível de 2019.

É preciso ter a noção de que as projeções para o próximo ano, que poderíamos pensar como o ano da aterragem normal e definitiva, não são tanto assim porque apontam, se formos pessimistas, para cerca de pouco mais de 70% do nível de 2019 ou num cenário mais otimista um pouco mais de 80%. Isto porque há incertezas associadas a esta fase a que chamo transformação da pandemia em endemia. Ou seja, nós temos incertezas ainda do lado da saúde publica, porque temos incertezas relativamente à possibilidade de existência de variantes e ao peso que têm no bloqueio da sociedade no nível da não vacinação deliberada que, felizmente em Portugal, é relativamente baixo, mas que em vários países europeus, para não falar dos EUA, é altíssimo.

Quando uma parte da sociedade recusa a solução que a ciência lhe oferece para voltarmos a ter uma vida normal, isso impede os mercados e as administrações de funcionarem completamente abertos.

Temos visto países a aumentarem o número de casos, regresso de confinamentos e taxas de vacinação abaixo dos 30%.
Essa realidade é desastrosa. Todos os países europeus com menos incidência de vacinação estão a Leste. Não são todos, mas alguns são especialmente críticos. A permeabilidade dos sistemas ao negacionismo e às teorias de conspiração, esta gente que se dedica a inventar e não a trabalhar que é como estão as democracias na Europa, isso tem consequências económicas.

Em geral, devo dizer, uso sempre o conceito de assimetria para explicar as consequências económicas da pandemia. Esta pandemia é mundial, global, mas não é assimétrica. É preciso fazer esta distinção subtil, porque é muito importante. O mundo nunca esteve aberto ao mesmo tempo em todo o lado e o mundo nunca esteve fechado ao mesmo tempo em todo o lado. Isto tem consequências económicas enormes.

E mesmo atualmente ainda estamos longe dessa assimetria, 20 meses depois do início desta pandemia.
Sim, veja-se o Reino Unido e outros países europeus, a Ásia. A diferença entre a pandemia e a endemia é que na pandemia o vírus controla-nos a nós, na endemia somos nós que controlamos o vírus.

Numa, estamos sempre a fazer face ao desconhecido, na outra, habituamo-nos a gerir esta dificuldade.

O peso do turismo
Encontrei um comentário que fez a 11 de abril de 2020 [no espaço semanal na televisão] relativamente ao setor do turismo e à chamada de atenção que fez ao peso que o mesmo tinha na economia nacional. 1 em cada 5 euros que Portugal encaixava vindo do estrangeiro vinha do turismo. 20 meses depois, que turismo temos e, fundamentalmente, que turismo teremos no futuro em Portugal em termos de importância económica?
Sim, o turismo representa cerca de 20% das exportações portuguesas. É um quinto de uma economia que acelerou bastante a sua componente exportadora, felizmente, em tempos muito difíceis. Nem sempre as pessoas têm a noção de que economicamente, o turismo aparece na coluna das exportações. Parece importação de pessoas, mas é exportação de serviços.

Lembro-me do presidente da Confederação do Turismo de Portugal, Francisco Calheiros, referir, em março de 2020, que se tratava de salvar a Páscoa, em maio era salvar o verão, em outubro o Natal e o Ano-Novo, e por aí adiante. E estamos em finais de novembro de 2021 a pensar salvar 2022. Conseguiremos salvar o turismo em Portugal em 2022, apesar do que está a acontecer por esse mundo fora (novo aumento de casos, aumento dos combustíveis, instabilidades económicas, etc.)?
O turismo tem um peso especialmente relevante em países como Portugal, Espanha, Grécia, Itália, entre outros, na formação do PIB e no valor acrescentado da economia.

Tudo o que está à volta do turismo representa cerca de 20% das nossas exportações, a procura turística representa cerca de 15% do PIB e o turismo, em si mesmo, no último ano com estatísticas normais, representou quase 9% do valor acrescentado da nossa economia.

Outro “pequeno pormaior”, o turismo, entre 2018 e 2019, representava quase 450 mil empregos. É muita gente, muitas famílias, muitos jovens dependentes da atividade turística.

E quando digo atividade turística, volto à sua pergunta, sempre me pareceu óbvio que numa pandemia com esta intensidade, os setores que seriam mais afetados no tempo, ou seja, mais impactados direta e persistentemente, seriam todos aqueles que tivessem uma relação com a ideia de multidão.

Até as pessoas ganharem confiança para entrar num avião ou estarem junto com dezenas, senão milhares, num aeroporto, num hotel onde existem centenas de quartos, estarem em congressos e conferências com muitos participantes, isso depende de uma palavra que atualmente vale ouro: confiança.

Sempre me pareceu que pelo facto de em Portugal o turismo ter um peso especificamente mais forte …

Demasiado forte?
Não, acho que Portugal não tem de limitar as suas capacidades naturais nem as suas capacidades se recursos humanos.

Mas houve quem afirmasse que o turismo teria peso a mais na nossa economia.
Sim, houve. E não foi há demasiado tempo que ouvíamos meios bem-pensantes dizerem, às vezes com desdém, que havia turistas a mais. Recordo que em 2020 tivemos o custo de ter turistas a menos. De maneira que as pessoas, eventualmente, possam fazer agora uma avaliação mais justa.

Portugal tem enormes qualidades naturais, tem muito boas qualidades de recursos humanos, é um país comparativamente seguro, um país hospitaleiro, um país com um acesso e facilidade no uso das línguas estrangeiras mais natural do que outros, é um país que foi sabendo, sobretudo ao longo dos últimos 10 anos, construir uma marca do ponto de vista internacional, um país muito premiado do ponto de vista turístico. Por isso, por que razão devemos dar um pontapé naquilo que nos ajuda a criar riqueza e a superar níveis de desenvolvimento que são inferiores aos desejados?

Outros iriam agradecer?
Claro, tudo o que rejeitarmos, outros aproveitarão. Mas é preciso ter atenção que relativamente a 2022 há ainda alguns pontos de interrogação.

Para ser justo, mais uma vez, sabemos mais hoje sobre a pandemia do que sabíamos há um ano. Mas ainda não sabemos tudo. Um dos fatores que é ainda incerto tem a ver com a existência de variantes, embora a história das pandemias aponte para um número de vagas, cujos critérios de classificação vão variando, mas que durou mais ou menos o tempo que esta durou …

Influências externas
Já está a falar no passado?
Falo no sentido que estamos a fazer uma transição para a endemia. O facto de a pandemia passar a ser endemia não quer dizer que o vírus tenha desaparecido, quer apenas dizer que o sabemos controlar.

Por outro, existe uma assimetria económica por causa daquele princípio de que o mundo não está todo aberto ao mesmo tempo e não está fechado todo ao mesmo tempo.

Estamos a viver um conjunto de fatores que refletem alguma incerteza sobre o ano de 2022.

Os preços estão a subir e não é só o preço no supermercado. Tudo o que dependa dos preços da energia ou dos combustíveis, obviamente, vai refletir-se no desajustamento entre a oferta e a procura a que o mundo está a assistir.

Até as próprias cadeias de fornecimento e/ou de logística contribuem para isso?
Exato, as cadeias de fornecimento estão interrompidas em muitos casos e os prazos de entrega estão, às vezes, duplicados e os custos anormalmente altos.

Sabemos que não é um fenómeno definitivo, mas, em 2022, ainda teremos que conviver com o impacto destes fatores nas condições da oferta turística.

Na altura, defendia, igualmente, uma cooperação ou aliança entre Estado e setor privado, admitindo ser “determinante” no turismo, bem como “uma estratégia agressiva em termos internacionais”.
Não pode ser de outra maneira. Nós somos uma economia relativamente pequena, muito dependente, como é evidente, das conjunturas externas. É a única maneira de nos desenvolvermos. Não nos podemos fechar. Se nos fecharmos empobrecemos.

Em circunstâncias excecionais valem de muito pouco as receitas de manual, porque elas não são feitas para circunstâncias excecionais.

Para mim o turismo pode começar na fronteira terrestre ou na marítima, mas quando vemos a quantidade de turistas a chegar ao aeroporto, as agências de viagens, as reservas para os hotéis, os rent-a-car, os guias, a restauração que é beneficiária líquida da atividade turística. Ou seja, o mundo que gira à volta do turismo é enorme. Todo ele depende da restauração da confiança quanto à ideia de que se pode estar com mais gente num determinado local. Isso vai avançando.

Há sinais da recuperação do chamado turismo de convenções ou conferências onde sempre achei que Portugal poderia ser competitivo se fizesse o seu trabalho de casa.

Mas há um ponto de interrogação sobre um segmento muito importante: o turismo de negócios.

A pandemia gerou ou não gerou uma alteração estrutural no comportamento das empresas e quadros relativamente a viagens curtas? Portugal tem uma dependência do turismo corporativo mais elevada do que a média europeia. Aí, acho que os sinais de recuperação são mais tímidos. Alguma alteração veio para ficar.

A chamada digitalização ou transformação digital do trabalho?
É um problema de economia de meios, de poupança por parte das empresas. Os quadros poupam tempo e algumas coisas que antes eram feitas presencialmente e com uma viagem, hoje em dia serão menos feitas dessa maneira. Parece-me que alguma alteração estrutural veio para ficar. Há quem diga 20%, há quem diga que é 40%, ninguém sabe.

Mas volto a frisar que o turismo de convenções e conferências é uma das oportunidades absolutamente extraordinárias para um país que tem sol até ao fim de outubro.

O presidente do Turismo de Portugal Luís Araújo, sempre disse que era preciso manter os motores a trabalhar para que, quando fosse dado o tiro de partida, Portugal pudesse estar na linha da frente. Pergunto-lhe se Portugal está, de facto, na linha da frente comparando com os seus mais diretos concorrentes (Espanha, Itália, Grécia, Croácia, França)?
Portugal, sendo um caso genericamente semelhante a todos esses países que citou, tem circunstâncias absolutamente singulares. Os países são o que são e devem desenvolver o seu melhor. Ninguém é competitivo em todos os critérios, mas onde queremos ser competitivos, temos de ter a ambição de estar nos três primeiros da Europa.

Há muitos critérios de competitividade, mas nenhum país vai ser competitivo em todos. Mas se nós, naqueles em que queremos ser competitivos, tivermos a ambição de ser o 1.º, 2.º ou 3.º, tenho a certeza de que o modo de progresso é maior.

É mais fácil dizer no setor público que se liga a chave, do que no setor privado. Uma parte desse setor privado colapsou.

Se conseguirmos vencer as incertezas, se não tivermos hesitações quanto à 3.ª dose da vacinação, conseguiremos. Estamos a achegar ao inverno, período que já nos pregou partidas no passado, e estamos a atrasar-nos na 3.ª dose. Esta está a ser dada somente a pessoas com mais de 65 anos. Ora, a força de trabalho essencial do país está abaixo dessa idade. Temos de nos despachar nessa matéria, ser muito profissionais e, com toda a franqueza, não podemos dar um centímetro de espaço aos negacionismos e teorias da conspiração. Essa gente dá cabo das economias.

Mas disse que parte do setor privado colapsou. Pergunto, voltará a erguer-se?
Uma das grandes vantagens da economia de mercado é que nada se perde, tudo se transforma. De facto, há quem fique para trás, mas nascem outros projetos. Muitas empresas aproveitaram para fazer reestruturações, olharam para o seu modo de funcionar e tentaram melhorá-lo. O setor privado é, neste aspeto, muito mais ágil do que as administrações do Estado.

Gostaria, por exemplo, que o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) fosse muito mais orientado para o setor privado, pela simples razão, e não por um critério ideológico, que 80% do emprego e da riqueza criada em Portugal é pelo setor privado.

As (várias) incertezas
Acresce-se a incerteza política que em nada vem ajudar?
Temos um Governo que está em plenitude de funções. Não ponham na cabeça que o Governo caiu ou que está em gestão. Nem caiu, nem está em gestão.

Não é boa ideia para o país defender que o Governo não pode fazer nada, porque senão perdemos um trimestre, pelo menos. E um trimestre tem valor económico.

Como não temos riqueza para perder, não nos podemos dar ao luxo de perder um trimestre ou dois.

Acho que é preciso encontrar um equilíbrio entre o que o Governo deve poder fazer, porque está em funções, e aquilo que não é aconselhável que faça por, não sendo um Governo de gestão, ser em todo o caso um Governo que transita para um futuro Executivo seja ele qual for.

Mas não se deve nem pode defender que a Administração fique parada.

Não nos podemos esquecer que o PRR tem um prazo de execução curto e não podemos andar a deitar trimestres ou semestres pela janela ou que não o executamos em tempo. Não há tempo para prolongamento.

E é preciso não esquecer que isto acontece uma vez, não há segundas nem terceiras hipóteses, não há nenhum tesouro europeu. Apesar das dificuldades próprias do sistema político democrático, temos de ter a noção de que teremos de ser muito eficazes.

Quando falamos de turismo, 2020 e 2021 teve no turismo interno um eixo essencial.
Sim, de facto, ganhámos alguma intensidade no mercado ou turismo interno e eventualmente, alguma dela, não toda, perdure. Não toda, mas alguma.

E temos os mercados de proximidade que, ao contrário, dos transatlânticos assumem uma importância nos tempos mais próximos?
Sabemos, atualmente, do que dependemos. Isso não tem ciência. Se porventura, houvesse uma circunstância em que Reino Unido, Espanha, Alemanha, França estivessem fechados ao mesmo tempo, seria dramático.

Sabemos todos que dependemos desses mercados e que é preciso um esforço enorme para diversificar. Sabemos onde podemos crescer. Onde é? Em mercados que estão a crescer sustentadamente acima do crescimento global e que está a criar novas classes médias.

Incertezas TAP e aeroporto
É impossível falar em turismo, ou melhor, crescimento do turismo em Portugal sem abordar certas e determinadas infraestruturas como, por exemplo, o novo aeroporto para a área de Lisboa?
Não consigo entender a hesitação sobre o novo aeroporto. Sou favorável, como sempre fui, por economia de meios e porque a nossa divida é o que é, à solução Portela +1 e não consigo entender a exaustão de tempo que tudo isto tem demorado.

Naturalmente que agora haverá argumentos para o conforto, com a justificação de que só iremos recuperar em 2023 ou 2024.

Mas o aeroporto não se constrói em um ou dois anos?
Mesmo por isso, não podemos esperar. Sendo evidente que a Portela já estava a atingir um ponto de limite. Pode fazer obras, aumenta-se esse limite …

Há quem diga que esse limite já foi atingido em 2019?
Com as obras aumentaria, porque é sobretudo um problema de espaço para os aviões.

Não temos recursos para fazer um completamente novo, porque isso é muitíssimo mais caro.

Quando fala de novo, refere-se a Alcochete?
Seja o que for, um completamente novo, de raiz. A nossa dívida é quase 135% do PIB e é preciso que tenhamos a noção de que este problema virá ter connosco.

Basta que se verifique uma alteração na economia internacional, tendencial, que já se começa a notar, com os juros a não ficarem a zero nem neutrais.

Sou muito pragmático: preciso de mais infraestrutura aeroportuária? Sim! Tenho capacidade para fazer um aeroporto de raiz, novo? Gostaria de ter, mas não tenho! Há uma hipótese de o fazer? Sim! Então porque não começa?

Acho que o raciocínio é tão lógico que faz confusão.

Acredita nas datas avançadas pelo ‘chairman’ da ANA no Dia Mundial do Turismo ao dizer que teremos aeroporto em 2035 ou 2040?
Isso é estrita responsabilidade do decisor político. Ora decide-se, ora não se decide, ora são os ambientalistas, ora são os municípios, ora são os lobbies, ora são as pressões para que se construa noutro lado e com outros meios.

Sabe que há coisas que são difíceis de decidir, agora a equação é tão evidente: preciso, não tenho meios para fazer um completamente novo, tenho uma hipótese de fazer um que é complementar, era por aí que ia.

Fico baralhado com tudo isto, porque já sou pela solução Portela +1 há muitos anos. Este debate não começou ontem e é evidente que os atrasos têm como consequência aumentar a pressão para um aeroporto completamente novo.

Que vai adiar ainda mais a sua conclusão?
E, sobretudo, olhem para os custos. Somos a 3.ª maior dívida da UE.

Falar de turismo também é falar da TAP. Como vê a solução para a companhia nacional?
Há muitas coisas para além da TAP. O que me preocupa mais no caso do ano turístico que aí vem são os preços.

A aproximação que tenho da realidade é que, por exemplo, em viagens de curta duração de negócios, o preço está a duplicar.

Pessoas vs digital
E saída do capital humano do setor do turismo. Em sua opinião, quem saiu, irá regressar ao setor?
Ainda não voltou toda a gente. O turismo é um setor que em condições normais é crescente. Isto depende muito da resiliência das empresas e também da estabilidade e do prolongamento dos programas de apoio.

Sempre achei que os programas de apoio para o setor do turismo deveriam ser muito mais prolongados que para os outros setores.

A radicalidade do impacto é completamente diferente. Imagine-se o ano económico de um hotel que perde 2/3 dos clientes? O que é que isso significa em termos de recursos humanos, custos de manutenção, etc..

Há dois temas reforçados com a pandemia: sustentabilidade e digitalização. Portugal tem capacidade para se tornar num destino turístico interessante do ponto de vista sustentável aos olhos do turista internacional?
Acho que está entre os que demonstram maior capacidade. Sabe que desconfio muito da retórica dos grupos de protesto. O problema essencial da descarbonização não está na Europa. Saibamos olhar para os dados e em vez de convocar manifestações a protestar contra os europeus, talvez fosse mais útil, interessante e mais verdadeiro protestar com quem tem realmente responsabilidades muito sérias no agravamento na questão do carbono. E onde é que estão essas responsabilidades? Estão essencialmente na China, Índia, em parte ainda nos EUA, embora com melhorias.

Falamos do clima, protestar contra todos e culpar aqueles que mais se esforçaram para melhorar as coisas não me parece razoável. Ora, Portugal está na Europa, é um país que se soubermos proteger o nosso património, se soubermos proteger a nossa memória e a nossa história, se formos muito profissionais na formação dos quadros e dos colaboradores, se toda a gente quiser fazer mais e melhor o seu trabalho, teremos tudo para vencer.

No que diz respeito à digitalização, o maior problema está na Administração Pública. Se se vai investir milhares de milhões de euros na digitalização da Administração Pública, gostaria de ter resposta a uma questão que nunca ouvi ser levantada: e quantos processos é que isso simplificará para o cidadão que é cliente? E quantas pessoas serão necessárias?

A digitalização da Administração Pública é uma verdadeira transformação ou é um upgrade informático? E se é uma verdadeira transformação, têm de me dizer quanto tempo é que isso vai poupar?

O setor das agências de viagens foi um dos mais afetados dentro do todo do turismo?
Sobretudo, porque hoje em dia tem uma concorrência chamada digital.

Que caminho é que este setor terá de tomar?
Terá de ser um caminho paralelo à retoma ou recuperação como um todo, com as suas limitações e vantagens.

Penso que, no final da etapa da transição da pandemia em endemia, as pessoas voltarão a viajar e precisam do turismo. É evidente que algumas empresas terão ficado pelo caminho, outras reestruturaram-se, enfrentam hoje em dia um instrumento poderoso do ponto de vista de concorrência que são as reservas digitais, autónomas do sistema. Mas têm, a meu ver, um ‘plus’ na relação de confiança que não existe noutras alternativas.

É uma questão de confiança e personalização do serviço?
Continuo a reservar as minhas viagens por agência. Sabe porquê? Porque confio nas pessoas, não sei se confio no algoritmo.

E do lado do consumidor, houve ou registar-se-á uma alteração muito profunda?
Depende. O consumidor escolherá sempre a solução que lhe seja mais económica e favorável.

Como as viagens implicam muitas coisas ao mesmo tempo, sobretudo há que não ter surpresas e ter solução para as resolver. E nisso, as agências dão garantias.

Que Portugal teremos a nível turístico no final desta pandemia?
Os dados apontam para uma recuperação em 2023, mas esses dados são voláteis. Gostaria que 2022 já fosse um ano de recuperação completa face a 2019. Provavelmente haverá um défice, mas também é preciso dizer que 2021 teve mais recuperação do que muitos estimavam, sobretudo por causa do último trimestre.

É sempre um problema de expectativas. A transição de uma pandemia para endemia é, em si mesmo, um triunfo. Sei que há muitos críticos do capitalismo, da economia de mercado, dos privados. Mas coloco a seguinte questão: quem é que chegou às vacinas? Foi ou não a indústria privada em conjunto com a ciência pública e privada? Talvez sermos um pouco mais justos também ajudaria.

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