Seguros de viagem adaptam-se e respondem a novas necessidades

Por a 16 de Junho de 2021 as 17:41

Intempéries, atentados terroristas, cancelamentos de última hora, falências de operadores turísticos, acidentes durante a viagem, entre outros tantos motivos que ao longo do tempo reforçaram a importância de contratar um seguro de viagem antes de fechar as malas para uma viagem. Estes motivos apresentados continuam mais do que válidos para adquirir um seguro de viagem nos dias-de-hoje, mas a pandemia da COVID-19 e a questão da segurança sanitária vieram intensificar esta necessidade de se viajar em segurança.

Os seguros de viagem, à semelhança de outras tantas áreas, tiveram de se adaptar à situação pandémica, sobretudo porque os mesmos não contemplavam a questão de pandemia. Como explica Rogério Gabriel, diretor comercial da SGS Seguros, “no mundo inteiro, a esmagadora maioria dos contratos de seguro e resseguro excluem pandemias, pelo que tiveram que ser revisitados para poderem ajudar a reduzir os impactos da pandemia da COVID-19”.

Adaptar em tempo recorde para responder às necessidades que advieram da pandemia e dar resposta à procura que surgiu com este novo cenário foi uma das prioridades também da Intermundial. José Manuel Mariano, diretor de vendas para Portugal da Intermundial, refere que na seguradora “todas as equipas fizeram um esforço imenso para poder incluir em todos os seguros do nosso portefólio as garantias COVID-19 que garantem proteção necessária para os viajantes”.
Para a Mapfre Seguros, a adaptação às circunstâncias foi o principal desafio da seguradora, particularmente por ter de apoiar digitalmente os seus clientes, contrariamente ao acompanhamento físico que realizavam. Luís Sousa Lobo, Diretor Comercial e de Marketing da MAPFRE Assistance, indica que, além disso, um dos desafios experienciados passou por “flexibilizar o cancelamento de seguros das viagens que já não se realizariam, com o reembolso dos prémios a 100%, e disponibilizámos a nossa linha de apoio médico para que clientes e parceiros pudessem esclarecer todas as dúvidas”. “Os agentes de viagem, connosco, souberam sempre com o que podiam contar e também lhes foi dito de forma muito clara quais as nossas limitações”, salienta.

“A pandemia foi, “e continua a ser, um desafio à inovação, à criatividade e à tecnologia”, João Horta e Costa

Esta situação despoletou muitos outros desafios no mundo das seguradoras. João Horta e Costa, Chief Commercial Officer da Europ Assistance Portugal, indica que a pandemia foi, “e continua a ser, um desafio à inovação, à criatividade e à tecnologia, no sentido em que a indústria teve inevitavelmente de acelerar a sua capacidade em continuar a apresentar novas soluções digitais, inovadoras que dão resposta às necessidades dos clientes e estejam vocacionadas, em grande parte, para áreas como a saúde, o lar, a proteção, a segurança e a mobilidade”.

Também Rogério Gabriel explica que existiram vários desafios aos seguros de viagem e, consequentemente, aos agentes de viagens nestes últimos meses. Desde a regularização de sinistros, ao surgir de “muitas novas variáveis do novo mundo em ambiente COVID19”, mas também ao desenvolvimento de seguros de viagens adequados às novas necessidades do viajante preencheram a agenda dos ‘players’ no setor. Para o responsável, foram várias as variáveis que tiveram impacto nos agentes de viagens como os “largos meses de interrogação sobre como iria o transporte aéreo responder às obrigações ao abrigo da convenção 261 de reembolsar os viajantes; o destino e futura estratégia da TAP; evolução de produção legislativa em vários países incluindo Portugal sobre as responsabilidades dos agentes de viagens; instrumentos financeiros de apoio indispensáveis a quem teve que encerrar atividade por tempo indeterminado; evolução do caminho até existir vacina e agora o processo de vacinação com ritmos diferentes pelo mundo fora; cartão europeu de vacinação e como se vai estabelecer a bilateralidade de aceitação fora do espaço Shengen para o verão de 2021, são, entre muitos outros, grandes desafios que se colocam a uma Indústria que representa 10% do PIB Nacional”.

José Manuel Mariano considera que já em 2020 a assistência médica, que sempre foi fundamental nos seguros de viagem, “teve na raíz da pandemia uma nova dimensão”. O responsável da Intermundial recorda que outro tipo de necessidades ganhou protagonismo, como “o prolongamento de estadia por quarentena, a cobertura de gastos derivados da realização de teste de diagnóstico de coronavírus (PCR), assim como a anulação em caso de diagnóstico positivo de COVID-19”.

Produtos
A pandemia obrigou assim a rever a oferta de produtos disponibilizados pelas seguradoras, sobretudo para auxiliar a garantia de se poder efetuar uma viagem de forma segura.

Na Intermundial foram desenhados, e continuam a ser, vários produtos, coberturas e garantias que “se adaptem com facilidade às necessidades dos viajantes”. Neste âmbito, José Mariano indica que foram lançados produtos específicos como o seguro Easy Trip, próprio para viagens de curta distância, que o responsável acredita que vai registar mais procura nos próximos meses. Esta solução da Intermundial apresenta, por um lado, “a possibilidade de cancelar a viagem no caso de um resultado positivo por COVID-19, não só estará coberto o assegurado, mas também os seus acompanhantes e familiares”, e, por outro lado, “o prolongamento da estada em caso de quarentena por COVID-19”.

No caso da SGS Seguros, Rogério Gabriel indica que foi lançado em junho de 2020 uma solução com “garantias COVID-19 por derrogação da exclusão pandemias no seguro de viagem e CIV, e foi talvez a única solução no mundo segurador, e não só em Portugal, que conseguiu garantir COVID-19 no PVFM (Por Motivos de Força Maior) para viagens nacionais”. A SGS Seguros manteve registos até ao final de setembro, mês em que se interrompeu a continuidade deste risco devido ao surgimento de números crescentes e novas variantes de propagação. “Prevemos  retomar o risco COVID-19 no PVFM para viagens nacionais em 01 de julho, e estamos em fase de revisitar as soluções atuais e implementar alterações relevantes para a proteção dos viajantes e dos agentes de viagens”, salienta o diretor comercial. A oferta inicial vai sofrer alguns ajustes, adianta o responsável, exemplificando que o capital seguro adicional para despesas médicas que permite garantir COVID-19 passa a ser de 100.000€. A SGS Seguros prevê também retomar a comercialização de um seguro de cancelamento sem motivos, mas também vai disponibilizar um novo seguro de viagem com o alargamento da proteção do viajante ampliando garantias contratuais atuais. Com um novo site a ser lançado em breve, Rogério Gabriel acrescenta que a “centralidade da atuação da SGS vai ser implementar ferramentas operacionais que tornem a venda do seguro de viagem mais facilitadora a que o agente de viagens concretize vendas de viagens”, como são as formações e a disponibilidade de apoio logístico permanente ao agente de viagens.
Entre as mais-valias da solução da SGS Seguros, o responsável indica também que as “garantias de cancelamento e interrupção de viagem são amplas quando a origem da impossibilidade do viajante usufruir da viagem é ter COVID-19”. “Sobre flexibilidade no cancelamento antecipado, ter uma solução que permite cancelar porque já não me apetece viajar é o limite do que se pode garantir e está para muito breve retomar esta solução à comercialização”, complementa.

Quanto à Europ Assistance, esta lançou um novo produto de férias, o Carry On, que “junta à assistência em viagem do seguro automóvel as garantias adicionais de viagem relacionadas com a COVID-19, que permitem ao consumidor desfrutar das suas férias com maior tranquilidade, pois as conclusões do estudo apontam para que, preferencialmente, o cliente opte este ano por viajar dentro do país e de automóvel”. Este oferece “uma diversidade de coberturas importantes para o momento que atravessamos, assim como para as viagens atuais e no futuro”, nas quais se incluem a consulta médica online, para eventuais despistes de sintomas relacionados com a COVID-19, e outras garantias adicionais em caso de infecção por COVID-19, tais como gastos irrecuperáveis de arrendamento de casa ou estada em hotel, cancelamento ou interrupção de viagem, entre outros.
Além disso, a seguradora desenvolveu também o Safe Travel, um produto de férias que “oferece, além das garantias tradicionais de um seguro de viagem, coberturas de proteção para a Covid-19 e que permite ao cliente desfrutar das suas férias no estrangeiro com a segurança e tranquilidade que o momento exige”. O Safe Travel permite ainda “o cancelamento antecipado de viagem segura por motivo de infeção por COVID-19, marcação de consulta médica online, bem como aconselhamento médico ou psicológico”. Brevemente, vai também ser lançado o site www.segurodeviagem.pt, o novo site de viagem da Europ Assistance, “fortemente orientado para o comércio eletrónico, intuitivo, de fácil subscrição e dedicado a seguros de viagem de lazer com coberturas adicionais de proteção COVID-19”, acrescenta o responsável.
Na Mapfre Assistance a oferta foi reforçada e, atualmente, dispõe de “várias soluções com coberturas e capitais diferenciados, com uma condição especial que protege os segurados em caso de contaminação por COVID-19”. A grande novidade, diz Luís Sousa Lobo, é o “acelerado processo de transformação tecnológica, na digitalização de todos os seus serviços e a primeira grande novidade que temos para anunciar é a nossa nova Plataforma de emissão P&GO que deverá estar disponível já no próximo mês de julho”. Além dos gastos de cancelamento, despesas médias, prolongamento da estada e repatriamento, uma das mais-valias “fundamentais para os nossos parceiros é o equilíbrio entre o prémio e os riscos que se seguram, tão importante para manterem a competitividade nesta fase mais difícil”, atesta.

Uma das mais-valias “fundamentais para os nossos parceiros é o equilíbrio entre o prémio e os riscos que se seguram, tão importante para manterem a competitividade nesta fase mais difícil”, Luís Sousa Lobo

Incerteza do futuro
A pandemia veio demonstrar que não é possível delinear planos ou adivinhar o futuro. A imprevisibilidade é também factor crítico no que aos seguros na sua generalidade diz respeito. A única certeza que existe é que “mais vale prevenir do que remediar”.

“A necessidade de segurança sanitária nos próximos anos reforçará, ainda mais a importância de incluir um seguro de viagem em qualquer saída”, José Manuel Mariano

Neste sentido, os intervenientes são cautelosos nas suas previsões. No lado da Intermundial, José Manuel Mariano perspetiva uma “reativação paulatina das viagens”. Para o responsável, a vacinação e progressiva reabertura de fronteiras vão dotar os viajantes de confiança para retomar as suas viagens. Uma coisa é certa, “a necessidade de segurança sanitária nos próximos anos reforçará, ainda mais a importância de incluir um seguro de viagem em qualquer saída. Cremos que, agora mais do que nunca, o viajante é plenamente consciente de que deve viajar com um bom seguro de viagem que lhe garanta a tranquilidade e a proteção necessária”. Quanto ao futuro do negócio, o responsável admite que se vive uma situação de incerteza “com distintas realidades sanitárias em cada destino”. “Confiamos que, pouco a pouco, a realidade vai regressar ao cenário turístico. A vontade de viajar continua aí e, quando for possível e as restrições sanitárias se levantarem, assistiremos a um novo despertar do setor”, defende.

Uma opinião partilhada pelo responsável da Europ Assistance, João Horta e Costa. O Chief Commercial Officer da Europ Assistance Portugal acredita que os seguros de viagem vão ser “cada vez mais requisitados e mais necessários, porque existe atualmente uma maior preocupação com a saúde, a segurança e a proteção”. E fundamenta com o estudo ‘Vacation Rental’, promovido pelo Grupo Europ Assistance, que conclui que as “coberturas mais privilegiadas pelos entrevistados no que respeita a um seguro de viagem são o cancelamento de viagem, o reembolso de dias não utilizados em caso de interrupção da estadia devido, por exemplo, à contaminação por COVID-19 e as coberturas de assistência médica em viagem”.

Quanto ao futuro, o responsável aponta que a incerteza é transversal a todos os setores de atividade. “Oferecer produtos de viagem mais completos e competitivos, com uma forte componente digital será uma das tendências e também um dos desafios do setor para que o cliente viaje sem preocupações e em segurança”, perspetiva. Neste sentido, e nesta fase, as “soluções digitais vão ser as mais requisitadas e as que vão ganhar mais terreno, porque a tecnologia está cada vez mais presente no setor, na forma como operamos e nos produtos que oferecemos”.
Segundo o diretor comercial e de Marketing da MAPFRE Assistance, já se verifica um crescimento no número de seguros emitidos à medida que a procura por viagens também aumenta. “A tónica para a retoma deste setor, como de quase todos, é a evolução do processo de vacinação. A confiança do consumidor vai aumentando, conforme o número de vacinados também cresce”, realça. Para Luís Sousa Lobo é cada vez mais claro que “não se pode viajar sem seguro de viagem”, dando como exemplo que a própria atenção dos viajantes já está mais focada nos riscos que os seguros cobrem e não apenas a “ter” um seguro de viagem. “Paralelamente, mas não menos importante, estão os profissionais de turismo. Neste momento sabem que o fecho de uma venda está também dependente de oferecerem um seguro de viagem que cubra o risco COVID-19”, acrescenta.

“Por pressão da necessidade do viajante, o agente de viagens vai ter que ser proeficiente na venda do seguro de viagem, porque sem isso não vai conseguir vender a viagem”, Rogério Gabriel (SGS)

Por sua vez, Rogério Gabriel sublinha que na SGS “estamos atentos às necessidades e vamos tentar responder com a celeridade possível às necessidades nas quais possamos interferir positivamente”. No entanto, admite que “uma solução de um seguro de viagem credível e preparado para responder aos tempos que vivemos é sem dúvida a questão mais relevante que se coloca ao viajante e ao seu agente de viagens”. O desafio que se impõe atualmente é, para Rogério Gabriel, facilitar a venda do seguro de viagem pelo agente de viagens. “Por pressão da necessidade do viajante, o agente de viagens vai ter que ser proeficiente na venda do seguro de viagem, porque sem isso não vai conseguir vender a viagem”, uma proficiência que “vai ser atingida com formação, apoio logístico eficiente por parte da SGS e assistência na escolha da combinação de produtos mais adequados para cada Agente de Viagens em função do seu nicho de negócio específico”.

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