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Setor terciário diz que 58% dos negócios não são elegíveis para o IVAucher

Com o IVAucher já em aplicação, os profissionais do setor terciários admitem que 26% encerrarão nos próximos três meses, caso a conjuntura económica atual se mantenha

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Setor terciário diz que 58% dos negócios não são elegíveis para o IVAucher

Com o IVAucher já em aplicação, os profissionais do setor terciários admitem que 26% encerrarão nos próximos três meses, caso a conjuntura económica atual se mantenha

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Os profissionais do setor terciário querem que o Governo isente todos aqueles que apresentaram prejuízos nos seus negócios devido à pandemia, ou no limite, reduzam em 50% a taxa de valor acrescentado (em relação aos períodos de confinamento) até final de 2021, revela a Fixando num inquérito realizado junto de 5.600 prestadores de serviços inscritos na plataforma, entre os dias 31 de maio e 3 de junho.

O inquérito, que visa saber o impacto do IVAucher nos negócios, revela que a medida não vai ter qualquer impacto nos negócios deste setor, e os profissionais consideram insuficientes as medidas do Executivo, revelando que 58% dos negócios não são elegíveis.

Porém, os empresários do setor terciário acreditam que a extensão do IVAucher a todos os prestadores de serviços também não seria significativa, pois o prejuízo registado entre 2020 e 2021 nunca poderia ser compensado com esta medida.

O inquérito conclui, igualmente, que 26% dos empresários terá mesmo que encerrar o seu negócio nos próximos três meses, caso a conjuntura económica atual se mantenha.

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As propostas para o turismo de Lisboa

Constituindo a principal porta de entrada para os turistas de visita ao nosso país, Lisboa é peça-chave em muitas vertentes do turismo. O Publituris foi ouvir as propostas de quem pretende ocupar o lugar cimeiro da câmara da capital do país.

Victor Jorge

À quarta ronda pelas principais cidades turísticas de Portugal, terminamos na capital do país, Lisboa. No próximo fim de semana, os/as portugueses/as elegem os/as presidentes para as 308 câmaras que compõem o mapa autárquico em Portugal.

Depois de ouvir o que os/as candidatos/as de Albufeira, Funchal e Porto têm a propor para as respetivas cidades, chegou a vez de Lisboa.

Leia as propostas dos/as candidatos/as à Câmara Municipal de Lisboa às eleições do próximo dia 26 de setembro :

Nota: O Publituris contactou, igualmente e por diversas vezes, os/as candidatos/as à Câmara Municipal de Lisboa,  Fernando Medina (PS+Livre), Beatriz Gomes Dias (BE), e Nuno Graciano (Chega). Contudo, até ao fecho do artigo não obteve quaisquer respostas por parte das referidas candidaturas.
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As propostas de Carlos Moedas, candidato pelo PSD + CDS-PP + PPM + MPT + Aliança

As propostas do ex-comissário europeu e candidato pelo PSD + CDS-PP + PPM + MPT + Aliança à Câmara Municipal de Lisboa.

Victor Jorge

Que importância possui o turismo para a cidade de Lisboa?
O turismo é fundamental para milhares de lisboetas, para a economia da cidade, para a projeção internacional de Lisboa e para a capacidade de atrairmos investimento que gerem riqueza para os lisboetas. O meu compromisso é relançar o setor do turismo envolvendo os vários agentes do setor.

Que medidas merecem a sua aprovação e o que foi feito que, sob a sua liderança, não seria realizado? O que teria feito de diferente durante este período pandémico e como antevê o regresso à tão desejada “normalidade” do turismo na cidade de Lisboa e quais os principais desafios esperados?
O problema desta governação é que mesmo as boas ideias pecam sempre por má execução. A taxa turística seguiu o exemplo de outras cidades muito procuradas, mas não fazia sentido cobrar durante a pandemia, o que dificultou a nossa competitividade num momento complicado. Usar os fundos da taxa turística para reabilitação de património também é uma boa ideia, mas faria mais sentido investir noutras centralidades da cidade, para evitar concentrar todos os turistas da cidade na Rua da Betesga. Não há necessidade nenhuma de ter o turismo histórico, cultural, de diversão noturna e de arte urbana a confluir todo nos mesmos escassos quilómetros quadrados. Para além disso, deixa muitas partes da cidade esquecidas. Para mim, o dinheiro do turismo deve servir para tornar mais partes da cidade atrativas para turistas.

Questões como a sustentabilidade, overtourism, segurança, digitalização e mobilidade, estão na ordem do dia no turismo. Que propostas tem para estes pontos (e outros) em concreto?
Percebo a ideia do overtourism, mas a verdade é que estamos longe desse ponto. Uma gestão mais eficaz das centralidades ajudava-nos muito nesse campo. Na sustentabilidade, há uma medida que depende pouco de mim, mas que vejo como muito importante, que é ligar melhor Lisboa à Europa através de caminhos de ferro para evitar que se fizessem tantas viagens de avião. Isso a juntar ao aeroporto complementar da Portela, que podia evitar que os aviões andassem tão em cima da cidade. Fernando Medina ainda é um político muito analógico, em 2021 não podemos continuar a ter responsáveis políticos que não percebam a importância da digitalização.

O que falta fazer na cidade de Lisboa no que diz respeito ao turismo e que já deveria estar ou ter sido feito?
Acho que há muito potencial a ser desperdiçado. Temos uma cidade que tem o elétrico como cartão de visita e não investe nele. Que tem Alfama como jóia da coroa, mas está a deixar que o bairro se descaracterize totalmente. Faz falta a Lisboa ser menos uma cidade de iniciativas com nomes estrangeiros e tentativas de uniformização. Não tenho nada contra estrangeirismos, até sou conhecido por eles, mas a cidade, neste momento, precisa de se focar em manter alguma identidade, sob pena de perder a graça que têm bairros como a Graça (‘pun intended’, cá está um estrangeirismo). Serei um presidente focado em não matar a galinha dos ovos de ouro que é a tradição de Lisboa, ao contrário de Fernando Medina, que a quer depenar e por na panela o mais rápido possível.

Eleito presidente, quais as primeiras e principais medidas a tomar em benefício do e para o turismo da cidade de Lisboa?
As medidas serão sempre no sentido de melhorar a cidade para os lisboetas ao nível das condições de mobilidade, de investimento no comércio local, de atratividade da cidade. Vou estabelecer um rumo ambicioso para o relançamento do turismo envolvendo os vários agentes do setor. Vou potenciar o crescimento da cidade do ponto de vista turístico, para outras zonas e para a Área Metropolitana de Lisboa, promovendo concertadamente os destinos nos vários municípios da região. Tenho um programa que irá aumentar a estada média de cada visitante, aumentando a oferta de experiências culturais da cidade. A cultura será um dos pontos estruturais e centrais desta nova ambição turística dinamizando a oferta cultural da cidade. Assim como irei potenciar o turismo de negócios e conferências com aumento de infraestruturas, construindo o Novo Centro de Congressos de Lisboa. E tudo farei para manter a identidade bairrista que Lisboa ainda tem e que é um fator de atração único no Mundo.

 

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As propostas de Bruno Horta Soares, candidato pela Iniciativa Liberal, para o turismo de Lisboa

A Iniciativa Liberal concorre pela primeira vez à Câmara Municipal de Lisboa, Conheça as propostas do candidato Bruno Horta Soares para o turismo de Lisboa.

Victor Jorge

Que importância possui o turismo para a cidade de Lisboa?
A cidade de Lisboa é uma cidade vibrante, capaz de combinar tradição e inovação e por isso é por definição uma cidade de eleição para turistas de todo o mundo e assim espero que continue por muitos anos. Adicionalmente, a indústria do turismo tem um efeito multiplicador pelas interdependências que tem em diversos setores da economia e no desenvolvimento físico da cidade, tendo sido visível os impactos económicos positivos que criou no pré-COVID-19. No entanto, como qualquer indústria está a ser afetada por diversos desafios de contexto, obrigando a que a administração e gestão do turismo de uma cidade tenha de ter competências para planear, implementar e monitorizar as oportunidades e responder às ameaças que a incerteza dos próximos tempos certamente trará. Também a indústria do turismo terá de ser bem mais resiliente, mas Lisboa não pode recuar e deverá sempre manter o foco na inovação e a capacidade de agilidade para se adaptar às dinâmicas de procura existentes.

Que medidas merecem a sua aprovação e o que foi feito que, sob a sua liderança, não seria realizado? O que teria feito de diferente durante este período pandémico e como antevê o regresso à tão desejada “normalidade” do turismo na cidade de Lisboa e quais os principais desafios esperados?
A beleza natural e humana de Lisboa leva a que a administração da cidade tenha de ter como principal princípio orientador: não estragar! Destaco como algo que ficou bem feito a recuperação da zona ribeirinha. O turismo vive de emoções e a zona ficou sem dúvida mais agradável para quem a visita. A visão que tenho para a cidade assenta numa menor intervenção direta da CML na recuperação da cidade. Quer isto dizer que procurarei sempre um maior envolvimento com o setor privado, desenvolvendo verdadeiras parcerias de dinamização turística e não apenas aquisição de serviços externos a fornecedores privados. Com a Iniciativa Liberal no executivo não teria existido o ataque agressivo e anacrónico que houve a diversas atividades que foram fundamentais para a recuperação e desenvolvimento da cidade nos últimos anos, nomeadamente o Alojamento Local.

Questões como a sustentabilidade, overtourism, segurança, digitalização e mobilidade, estão na ordem do dia no turismo. Que propostas tem para estes pontos (e outros) em concreto?
O investimento da CML na cidade tem passado essencialmente pelo cimento, razão pela qual não foi capaz de ter a visão de lançar plataformas digitais que permitissem a Lisboa ser uma cidade muito mais inteligente. A oferta turística terá cada vez mais de se adaptar à procura e como tal Lisboa necessita de ter uma visão verdadeira de ecossistema, onde os diferentes intervenientes possam partilhar capacidades, nomeadamente digitais, que os permitam ser mais ágeis e flexíveis em tempos de incerteza. Como exemplo, a indústria está cada vez mais orientada à experiência e à jornada do viajante e a CML pode e deve promover uma plataforma integrada onde o visitante, ao invés de andar a saltitar de site em site ou de app em app, é capaz de aceder de forma integrada à oferta de serviços, promovendo uma evolução de modelos económicos de captura de valor para novos paradigmas de partilha de valor.

Gostaria de ver também a mobilidade muito mais centrada na jornada do cidadão e daí considerar mais estratégico um pensamento de interligação da rede urbana com a rede suburbana de transportes, por exemplo à parte ocidental da cidade, com todo o ecossistema de mobilidade a “falar” entre si.

Na mobilidade, na higiene urbana, mas também na segurança, a digitalização, modernização o aumento significativo no investimento em tecnologias relacionadas com uma Cidade Inteligente é essencial para a melhoria destas áreas.

O que falta fazer na cidade de Lisboa no que diz respeito ao turismo e que já deveria estar ou ter sido feito?
A modernização da CML é crítica para esta visão de turismo moderno, pois a informação administrativa e os dados da cidade serão uma matéria-prima fundamental para garantir o bom funcionamento do ecossistema.

Eleito presidente, quais as primeiras e principais medidas a tomar em benefício do e para o turismo da cidade de Lisboa?
A candidatura da Iniciativa Liberal já assumiu que está nestas eleições para conseguir eleger o primeiro vereador Liberal. Acreditamos que a presença de um vereador Liberal no executivo da câmara permitirá uma visão diferente e mais positiva sobre o turismo, mais focada no futuro do turismo, mais centrada na jornada do visitante e com uma muito maior colaboração com o ecossistema de empresas e pequenos empresários.

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As propostas de Manuela Gonzaga, candidata pelo PAN, para o turismo de Lisboa

As propostas de Manuela Gonzaga, candidata pelo PAN, para o turismo de Lisboa.

Victor Jorge

Que importância possui o turismo para a cidade de Lisboa?
Neste momento falar de turismo não é o mesmo que falar de turismo antes de março de 2020. Apesar dos efeitos negativos que o turismo teve na cidade, em particular no legado histórico, no que respeita à dinâmica da habitação ou quanto à poluição causada pelos navios de cruzeiro, ou ainda os quarteirões tomados por hotéis e hostels, o turismo teve uma importância inegável em Lisboa, existindo milhares de pessoas, empregos, vidas que dele dependem. Devemos aproveitar este momento para planear o turismo que queremos para Lisboa, apostando num turismo de qualidade, que não contribua para a descaracterização da cidade e que permita harmonizar com as diferentes vivências, seja de quem cá vive, seja de quem cá trabalha.

Que medidas merecem a sua aprovação e o que foi feito que, sob a sua liderança, não seria realizado? O que teria feito de diferente durante este período pandémico e como antevê o regresso à tão desejada “normalidade” do turismo na cidade de Lisboa e quais os principais desafios esperados?
Para falarmos em turismo temos de referir dois pontos: por um lado, a democratização do turismo, o que permitiu que pessoas que há 20 anos não viajavam hoje viajem e conheçam novas culturas, tendo trazido também investimento, empregos e pessoas. Por outro lado, como sabemos, não houve um planeamento atempado e de repente quase que vimos as cidades a perderem a sua identidade, como aconteceu nos centros históricos.

Em 2018 o PAN propôs na Assembleia Municipal a realização de um estudo de capacidade turística de Lisboa, que permitisse aferir a capacidade para receber turistas e o seu impacto ao nível da qualidade de vida. Apesar desta proposta ter sido aprovada, o executivo de Fernando Medina nunca executou este estudo, que nos permitiria hoje, num momento de crise, planear o turismo de Lisboa para que este não desequilibrasse o ecossistema da nossa cidade. Esta crise demonstrou-nos que não devemos diabolizar o turismo, mas também que não podemos ficar inteiramente dependentes desta atividade, e ainda que temos de conseguir harmonizar o turismo com quem vive em Lisboa.

Questões como a sustentabilidade, overtourism, segurança, digitalização e mobilidade, estão na ordem do dia no turismo. Que propostas tem para estes pontos (e outros) em concreto?
Caiu-se no erro de apostar todas as fichas numa só atividade. O turismo era uma das principais atividades de Lisboa e não se encontrou uma alternativa para apoiar todas as pessoas que dele dependiam para viver durante a pandemia. Não antevejo que vá haver um regresso total à “normalidade” porque hoje temos comportamentos distintos do que tínhamos antes da COVID-19. Agora é essencial termos a capacidade de planear em conjunto (decisores políticos e operadores turísticos) e (re)pensarmos o turismo, para que este seja de qualidade, com menor impacto ambiental e para que respeite os direitos humanos e dos outros seres vivos.

O que falta fazer na cidade de Lisboa no que diz respeito ao turismo e que já deveria estar ou ter sido feito?
Precisamos de cidades mais resilientes, quer do ponto de vista económico, quer do ponto de vista social, laboral e ambiental. E é por isso que para esta candidatura é fundamental que se faça não só o estudo que tenho vindo a referir, como que não se cometam erros em matérias fundamentais como a mobilidade, que tem de ser promovida de forma intermodal e com uma forte aposta no transporte público. Bem sabendo que aquando do boom turístico os transportes públicos foram um dos setores também bastante pressionados. Mesmo em relação à sustentabilidade, a descaracterização de Lisboa, com uma visão da betonização dos espaços públicos, com as constantes podas e abates abusivos de árvores, só vieram retirar valor à cidade e ao que precisamente também contribui para a tornar mais atrativa para quem nos visita.

Eleita presidente, quais as primeiras e principais medidas a tomar em benefício do e para o turismo da cidade de Lisboa?
A pressão que o turismo causou na habitação ou na fruição dos espaços públicos tem de ser uma lição a aprender para que não se cometam os mesmos erros no futuro e para que se consiga a desejável convivência entre locais e turistas. Agora, para melhorar, temos a obrigação de planear. Vêm aí os fundos do Plano de Recuperação e Resiliência e não podemos permitir que sejam perdidos ou mal empregues, como aconteceu por diversas vezes ao longo da história de Portugal.

É essencial que o Turismo seja pensado em conjunto com a população. Lisboa carece em várias matérias de participação cidadã, que é essencial para melhorar a convivência entre todos. Também é necessário pensar o turismo em conjunto com os concelhos limítrofes, para que se criem novos circuitos turísticos e se deixe de pressionar sempre as mesmas áreas do território e as mesmas populações.

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As propostas do candidato da CDU, João Ferreira, para o turismo de Lisboa

As propostas de João Ferreira, candidato da CDU, para o turismo de Lisboa.

Victor Jorge

Que importância possui o turismo para a cidade de Lisboa?
Se considerarmos que ao setor do Turismo corresponde (dados 2019, último ano “normal” antes da pandemia) 8,5% do VAB nacional, se no quadro nacional o concelho de Lisboa regista 15% da capacidade total de alojamento, gera 20% do total de dormidas e 24% do total dos proveitos nos estabelecimentos de alojamento turístico, não será difícil concluir da importância económica que a atividade turística em Lisboa, nos seus variados segmentos, assume, quer ao nível da cidade, quer ao nível nacional e com uma dimensão macroeconómica.

Deve ainda ser reconhecido o efeito positivo que a dinâmica turística tem tido na modernização e na inovação do próprio setor hoteleiro, bem como semelhantes efeitos de inovação e de modernização, designadamente, no aparelho comercial e da restauração, bem como nos serviços de apoio ao turismo o que tem contribuído para uma inquestionável afirmação da cidade de Lisboa no mapa turístico das cidades europeias.

Deve destacar-se, ainda, o papel social do turismo no efeito que tem na promoção de relações de amizade e de paz entre populações e povos: a promoção de um clima de tolerância e valorização da diferença, a promoção e a valorização do conhecimento e da descoberta “do outro”. Este é um lado da questão.

Que medidas merecem a sua aprovação e o que foi feito que, sob a sua liderança, não seria realizado? O que teria feito de diferente durante este período pandémico e como antevê o regresso à tão desejada “normalidade” do turismo na cidade de Lisboa e quais os principais desafios esperados? Questões como a sustentabilidade, overtourism, segurança, digitalização e mobilidade, estão na ordem do dia no turismo. Que propostas tem para estes pontos (e outros) em concreto?
Entramos no outro lado da questão. Se o Turismo é uma atividade económica que tem um potencial impacto positivo sobre, neste caso, as economias das cidades, o impacto real não é, contudo, indiferente ao modelo de desenvolvimento do setor promovido, nomeadamente, pelas opções de política de gestão urbana. A pandemia demonstrou à exaustão, mas já antes da pandemia era muito evidente o carácter insustentável, do ponto de vista social e territorial, que o desenvolvimento do turismo na cidade de Lisboa atingiu.

E esta dimensão de insustentabilidade social e territorial tem nos resultados preliminares dos Censos de 2021 uma expressão que é uma síntese perfeita do problema: as freguesias que registaram níveis máximos de desenvolvimento do turismo, isto é, as freguesias do centro histórico, são as freguesias que na última década viram a respetiva população diminuir numa dimensão bastante significativa, evidenciando uma relação de causa-efeito que nos parece inquestionável: a freguesia da Misericórdia perde, numa única década, 26% da sua população, Santa Maria Maior, 22% e São Vicente 10%.

Tomando estes dados como a síntese da questão, parece-nos evidente que o modelo de desenvolvimento turístico que tem sido prosseguido, nas suas várias dimensões, está em claro conflito com os interesses da cidade e dos lisboetas.

As dificuldades que queremos destacar são as dificuldades relacionadas, por um lado, com o encerramento das empresas e do emprego do setor hoteleiro e de todos os setores que formam o sistema empresarial de suporte e dinamização do turismo: comércio, restauração, cultura, transportes. Por outro lado, destacamos também o impacto que a pandemia teve na vida social dos bairros, designadamente, dos bairros históricos.

Esperamos que o regresso “à normalidade” não seja um regresso ao passado recente. O modelo de desenvolvimento do turismo deve ser seriamente reequacionado e consequentemente revisto. Neste sentido, consideramos que este é o tempo oportuno para dar sequência à proposta com vista à elaboração de um diagnóstico e avaliação de impactos do turismo ao nível local, principalmente nas freguesias centrais de Lisboa, com o objetivo de elaborar uma ‘Carta do Turismo de Lisboa’ e introduzir um adequado conceito de “Capacidade de Carga Turística”.

O que falta fazer na cidade de Lisboa no que diz respeito ao turismo e que já deveria estar ou ter sido feito? Eleito presidente, quais as primeiras e principais medidas a tomar em benefício do e para o turismo da cidade de Lisboa?
A questão central constitui, de facto, o desafio que se coloca à cidade nos próximos anos neste domínio.

Um desafio que passa pela promoção de um desenvolvimento turístico urbano que reequilibre a economia urbana através da geração de dinâmicas e atividades novas, potenciando a regeneração urbana em várias dimensões da vida social urbana, mas mitigando os impactos negativos introduzidos nas comunidades de destino. Na cidade de Lisboa, este desafio implica a integração equilibrada do turismo com outros setores da economia e sociedade urbanas em geral, mas, sobretudo, exige que as políticas para o turismo urbano sejam concebidas e integradas no quadro de uma política de desenvolvimento urbano sustentável, equilibrado e que garanta uma cidade para todos.

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“É crucial que gestão autárquica mantenha aposta na melhoria contínua do turismo”, diz estudo do IPDT

Ser um pelouro da vereação, ter maior orçamento municipal, apostar na comunicação e capacitação humana, posicionar-se como referência na sustentabilidade, são as prioridades apontadas para o papel do turismo na gestão autárquica.

Victor Jorge

O setor do turismo assumiu, nos últimos 10 anos, um crescimento que trouxe mais-valias significativas para Portugal, sendo prova disso o papel que desempenhou na retoma económica, pós crise financeira de 2008 e que, no contexto pré-pandemia, contribuiu para o PIB nacional com cerca de 15%, em 2019 (INE, Conta Satélite do Turismo), e onde cerca 21% dos portugueses estavam empregados (direta e indiretamente).

Sendo indiscutível a importância que o turismo assume na ótica do desenvolvimento territorial, o IPDT – Turismo e Consultoria analisou o impacto que o setor teve nas políticas autárquicas no mandato 2017/2021 e identificou algumas das apostas a considerar para o horizonte pós-eleitoral 2021/2025.

No estudo, o IPDT considera que “os municípios desempenham um papel fundamental no campo do turismo” e que é através “da sua visão e das suas políticas que os destinos – mesmo aqueles com menor população – podem alcançar um papel central e de destaque na oferta turística nacional”. Por este motivo, admite o António Jorge Costa, presidente do IPDT, “é crucial que a gestão autárquica possa manter a aposta na melhoria contínua do setor do turismo, priorizando investimentos-chave que potenciem os recursos existentes e qualifiquem a experiência dos visitantes, tornando-a única”.

Assim, as prioridades apontadas pelo IPDT no e-book “10 prioridades para o turismo no mandato 2021/2025”, o instituto começa por considerar que a uma das principais apostas dos municípios deverá estar na “comunicação e promoção”, sobretudo na digital, mas que deverá ser “combinado com as ações offline”. De acordo com os inquiridos é essencial que este processo de comunicação e promoção possa ser devidamente integrado com as políticas de atuação que se encontram a ser implementadas pelo Turismo de Portugal, pelas Entidades Regionais/Associações Regionais e pelas Comunidades Intermunicipais.

A segunda prioridade dos municípios deve ser o “planeamento estratégico” e a implementação das medidas previstas. O planeamento, diz o estudo, permite “indicar o rumo estratégico” que o destino deve assumir para potenciar, ao máximo, os seus recursos turísticos, pelo que a sua execução reveste-se como “um mecanismo essencial para todos os municípios”. Segundo os inquiridos, deve haver uma aposta maior na implementação das medidas previstas no planeamento, visto ser nesta fase que, normalmente, se verificam as maiores lacunas (várias ideias/projetos não saem do papel por incapacidade interna dos municípios para as colocar em prática).

“Capacitar os profissionais de turismo” é, igualmente, chave para elevar o padrão de qualidade da experiência turística nos destinos. A “formação dos recursos humanos” em áreas base (ex: línguas, atendimento) é “crucial para garantir esse objetivo”. Em simultâneo, é muito importante promover formações em áreas emergentes que possam melhorar o desempenho das empresas (ex: marketing digital, revenue management, big data, blockchain, etc.).

Os municípios devem, também, apostar na “estruturação de novos produtos turísticos” e/ou na “atualização do portfólio atual”, considerando-se “crucial” que a oferta turística dos destinos “acompanhe as principais tendências do mercado” e que possa potenciar os recursos existentes.

As iniciativas de valorização de produtos locais (ex: gastronomia, artesanato) devem ser outra das prioridades de intervenção dos municípios, considerando o estudo que “os turistas procuram, cada vez mais, atividades relacionadas com estes elementos”.

Atrair investimento, organizar eventos, qualificar as infraestruturas de visita, fomentar a inovação das empresas ou priorizar a participação dos municípios em projetos e redes internacionais que permitam aumentar a notoriedade dos destinos, em segmentos específicos e que possam trazer mais valias, são as restantes prioridades apontadas pelo estudo do IPDT.

Assim, para 2021-2025, o estudo conclui que “o turismo deve ser pelouro de uma vereação”, e que o orçamento municipal dos destinos deve dedicar uma “maior fatia de investimento” que permita implementar “novas soluções e tornar os territórios mais atrativos”. Comunicação, estratégia e capacitação de recursos humanos devem ser as principais áreas de aposta que os executivos devem considerar para o mandato dos próximos quatro anos, considerando, ainda que, “sobretudo, a comunicação deve ser vista como um elemento-chave para o sucesso dos destinos”.

Finalmente, os inquiridos revelaram um desejo de que os seus destinos tenham, em 2025, recuperado totalmente do impacto da COVID e se posicionem como “referências ao nível do turismo sustentável”, encontrando um equilíbrio entre o crescimento turístico e as necessidades das comunidades locais.

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As propostas da candidata Bebiana Cunha (PAN) para o turismo do Porto

As propostas da candidata Bebiana Cunha (PAN) para o turismo do Porto

Victor Jorge

Que importância possui o turismo para a cidade do Porto?
Diríamos que o turismo tem uma marca significativa quer pelo que traz para a economia da cidade e da região, quer pela pegada ecológica e social que nos deixa. O papel do turismo, deve ser reconhecido, mas não pode politicamente ser visto como tábua de salvação da cidade, por variadíssimos motivos. Logo, um equilíbrio tem de ser encontrado, não se pode perseguir um turismo desregrado e de exploração desenfreada como o que já aqui tivemos antes da crise sanitária.

Que medidas merecem a sua aprovação e o que foi feito que, sob a sua liderança, não seria realizado? O que teria feito de diferente durante este período pandémico e como antevê o regresso à tão desejada “normalidade” do turismo na cidade do Porto e quais os principais desafios esperados?
A taxa turística foi uma medida que defendemos como forma de financiamento das políticas municipais e que veio a ser implementada. Porém, não foi implementado nem desenvolvido o cálculo de uma carga turística no Porto, nem o turismo foi pensado no médio e longo prazo. Não houve uma estratégia de diversificação turística, nem uma seleção de turistas, apostou-se no turismo em modo fast-food, no qual não nos revemos, transformando o Porto num palco ‘low cost’, isto quando o Porto merece ser tratado de forma diferente, com outra dignidade. Desta perspetiva liberal do turismo que nos foi vendida como sinónimo de liberdade, demarcamo-nos dela e não a faríamos assim, porque liberdade significa respeito por todos, inclusive pelos que querem morar no Porto.

Durante o período pandémico, o executivo deveria ter planeado com o setor uma forma diferente de fazer turismo, numa perspetiva plurianual 2021-2025, um plano estratégico para este regresso à dita normalidade. Este tem de ser também ambientalmente adequado. Acontece que o turismo pensado à moda do século XX é uma política demasiado frágil. O Porto precisa de um executivo com um plano estratégico de turismo pensado para os diferentes segmentos turísticos, que nos vêm visitar. O executivo abdicou de fazer o regulamento do alojamento local, mas também abdicou de construir uma cidade turística que não a transforme num local amorfo.

Questões como a sustentabilidade, overtourism, segurança, digitalização e mobilidade, estão na ordem do dia no turismo. Que propostas tem para estes pontos (e outros) em concreto?
Para o PAN é claro que nenhuma atividade económica poderá ser sustentável se não respeitar os limites do planeta. O turismo, no Porto, não pode crescer infinitamente. Crescer assim nunca será sustentável pois os nossos recursos são finitos.

Logo, terá de haver, desde logo, um limite de visitantes. Em especial se usarem meios de transporte que deixem uma enorme pegada ecológica (meios aéreos e marítimos).

Paralelamente, deveremos incentivar o turismo interno, da Península e da UE, em especial aquele que nos pode chegar via ferrovia e por isso temos defendido ligações nacionais e internacionais eficientes, respostas estas que são necessárias para ontem.

Um plano estratégico para o turismo tem de incluir critérios ambientais, a mobilidade turística, a inovação e a cultura, isto numa visão de ordenamento de território, enfim, Barcelona começou a fazer isso em 2020 depois do caos instalado durante muitos anos. Os modelos de gestão turística têm de contemplar aspetos como o ambiente, a mobilidade, a habitação, caso contrário serão políticas ocas e artificiais que irão inchar até estourar. A própria taxa turística pode servir como regulador desta atividade. Por exemplo, ser mais elevada para quem vem ficar apenas de 2 a 4 dias, sendo mais baixa para quem ficar mais de cinco dias.

O que falta fazer na cidade do Porto no que diz respeito ao turismo e que já deveria estar ou ter sido feito?
Falta planeamento estratégico também neste aspeto. Aliás no Porto falta, em geral, isso mesmo. Analisar e planear estrategicamente.

Queremos apostar num turismo de qualidade e num turismo responsável. Assim, propomos um pelouro especificamente para o efeito. Sabemos que temos de apostar num turismo diversificado, o que não aconteceu. Sabemos que a inovação e a cultura serão fatores determinantes no selecionar de determinados públicos-alvo. Queremos um turismo que beneficie a cidade e os portuenses e não um turismo que beneficie apenas alguns. É a isso que nos propomos quando dizemos que queremos um gabinete específico para trabalhar políticas para o “turismo responsável”, ou seja, para encontrarmos o equilíbrio necessário.

Eleito presidente, quais as primeiras e principais medidas a tomar em benefício do e para o turismo da cidade do Porto?
Segundo os últimos dados divulgados, o período do verão tem marcado o regresso do turismo às cidades da região do Porto e Norte de Portugal, onde a taxa de ocupação nos empreendimentos turísticos estará a rondar os 50%, Sabemos também que há uma ambição do setor de “voltar à normalidade de 2019”, mas, desafiamos o setor a aceitar que se faça um estudo de capacidade de carga turística no Porto, estando disponíveis para co-construir um plano estratégico de turismo responsável, inovador e diversificado na cidade. Queremos co-construir a estratégia para o turismo, com o setor, com a participação cívica, queremos reorientar as ações de promoção turística do município para territórios próximos e em regiões acessíveis por comboio, e com enfoque em atividades com baixo impacto ambiental. Queremos estabelecer, quer no município, quer em articulação com os concelhos limítrofes, um roteiro turístico diversificado em toda a região investindo num turismo de longa duração/sustentável e não num turismo “fast food”. Queremos criar um programa municipal de auxílio aos profissionais ligados ao setor do turismo que estejam em situação de desemprego há mais de um ano. É verdade que defendemos um turismo com limites, e para isso terá de haver regras, a própria taxa turística como referi pode ser mais elevada nos primeiros dias e baixar a partir do quinto dia. Terá de haver limites ao número de alojamentos turísticos por área na cidade, pois sem um Porto real, habitado, esse será só um turismo faz de conta, ou seja, a cidade não pode deixar de estar deserta de habitantes, para estar cheia de turistas. Acresce ainda a necessidade de regular o turismo fluvial e valorizar o rio Douro, assim como para tal, queremos que saia da gaveta o plano de gestão do estuário do Douro e a retoma da travessia fluvial Porto-Gaia, em barco elétrico, que servirá residentes e turistas.

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As propostas do candidato Tiago Barbosa Ribeiro (PS) para o turismo do Porto

As propostas do candidato Tiago Barbosa Ribeiro (PS) para o turismo do Porto

Victor Jorge

Que importância possui o turismo para a cidade do Porto?
Muita. O turismo deu mais mundo ao Porto e deu mais Porto ao mundo. Foi importante para manter à tona a economia local durante os anos mais agudos da crise e evitou a emigração de muitos jovens. Foi o rastilho de uma vaga de reabilitação urbana e aumentou a auto-estima dos portuenses.

Dito isto, é essencial uma aposta num turismo de qualidade, mais do que na quantidade; na sustentabilidade e no médio e longo prazo, em vez do apoio ao negócio do curto prazo, bem como no equilíbrio nos direitos de uso da cidade, desde logo no respeito por quem vive e quer viver no Porto.

Isto é particularmente evidente no centro histórico, que tem vindo a perder habitantes e tem registado um aumento exponencial dos preços na habitação e uma oferta turística cada vez mais massificada. Inevitavelmente, isto prejudica a criação de valor para o turismo no Porto, na medida em que nenhum turista vem ao Porto para ver o turista do alojamento local ao lado, nem para frequentar espaços comerciais padronizados, que se podem encontrar em qualquer cidade.

Que medidas merecem a sua aprovação e o que foi feito que, sob a sua liderança, não seria realizado? O que teria feito de diferente durante este período pandémico e como antevê o regresso à tão desejada “normalidade” do turismo na cidade do Porto e quais os principais desafios esperados?
Numa fase inicial, a Câmara tardou em aprovar regulamentação adequada para o transporte turístico, o que contribuiu para a proliferação desordenada de tuk-tuks, minitrains e autocarros de “sightseeing”. Depois foi criada a taxa turística justificada com a mitigação da pegada do turismo, mas apesar da enorme receita que daí adveio ao município, a verdade é que não se vê mitigação nenhuma. Não serviu sequer para apoiar o comércio local e a restauração durante os períodos de confinamento, em que ficaram praticamente ao abandono por parte do município.

O problema é que o atual executivo revê-se num modelo baseado na massificação turística e na especulação imobiliária. Não surpreende, por isso, a sua permissividade, inclusive perante projetos turísticos que atentam contra a integridade e dignidade do património mundial da humanidade.

Sob a minha liderança, o Porto não seria uma das cidades do mundo com o maior número de alojamentos locais por 100.000 habitantes, mais do que Paris ou Barcelona. Teria aprovado medidas que evitassem o excesso de alojamento local, que prejudica o próprio negócio e, ao mesmo tempo, impede que haja mais oferta de habitação, como se verifica hoje em dia. E note-se que não há qualquer tipo de medida de contenção e gestão da oferta de alojamento local ou hotelaria, como há noutras cidades portuguesas e na generalidade da Europa. A criação dessa estratégia de gestão é essencial, não só para tornar a cidade menos dependente do turismo, mas também para assegurar a viabilidade económica do setor.

Questões como a sustentabilidade, overtourism, segurança, digitalização e mobilidade, estão na ordem do dia no turismo. Que propostas tem para estes pontos (e outros) em concreto?
Estão na ordem do dia há muito na Europa. Parece que só a pandemia fez acordar o Porto para isso, mas só no discurso. É essencial articular com o Turismo do Porto e Norte de Portugal, com os municípios envolventes e com os agentes económicos uma estratégia onde o turismo seja parte de uma estratégia para a economia e a promoção da qualidade de vida. Além das medidas que temos vindo a anunciar no combate ao ‘overtourism’ e na sustentabilidade da oferta turística, temos também apresentado medidas para a mobilidade que está um caos na cidade, para a segurança e no âmbito da digitalização da autarquia. 

O que falta fazer na cidade do Porto no que diz respeito ao turismo e que já deveria estar ou ter sido feito
Há muito a fazer em várias áreas: Limitação ao alojamento local e medidas de apoio à transição do alojamento local em arrendamento de média e longa duração para habitação; Estabelecimento de protocolos com municípios vizinhos para limitação do número e dimensão de unidades hoteleiras; Defesa vigorosa e proativa da autenticidade e integridade do edificado histórico; Definição de uma estratégia metropolitana de turismo que não seja apenas de promoção, mas que seja orientada para o desenvolvimento sustentável da atividade, envolvendo toda a Região Norte. 

Eleito presidente, quais as primeiras e principais medidas a tomar em benefício do e para o turismo da cidade do Porto?
A primeira iniciativa é simples: terei uma reunião com o meu amigo Luís Pedro Martins, presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal, com quem de resto já reuni neste contexto de campanha eleitoral, para articular com o setor a implementação da nossa estratégia para a sustentabilidade do turismo no Porto que beneficie todas as partes.

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As propostas do candidato independente pelo BE, Sérgio Aires, para o turismo do Porto

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Victor Jorge

Que importância possui o turismo para a cidade do Porto?
Acidade do Porto, pela sua localização, história e outras características, é um território com especial aptidão para atrair visitantes.

Que medidas merecem a sua aprovação e o que foi feito que, sob a sua liderança, não seria realizado? O que teria feito de diferente durante este período pandémico e como antevê o regresso à tão desejada “normalidade” do turismo na cidade do Porto e quais os principais desafios esperados?
Apesar das insuficiências da resposta municipal às situações sociais do período pandémico, a criação da taxa turística, que o Bloco de Esquerda propôs como compensação à cidade de impactos negativos do turismo nas infraestruturas urbanísticas, na limpeza das ruas ou no património edificado, foi um elemento positivo na política municipal.

Mas a atuação do Executivo de Rui Moreira de entregar a gestão do centro da cidade à “mão invisível do mercado” e a abertura, sem controlo do município, de dezenas de unidades hoteleiras e outras formas de alojamento, fez aumentar brutalmente o preço do solo urbano, agravou a crise do alojamento para as classes populares, levou ao despovoamento e encerramento de comércio de proximidade, acelerou a saída da população local para áreas mais periféricas.

Questões como a sustentabilidade, overtourism, segurança, digitalização e mobilidade, estão na ordem do dia no turismo. Que propostas tem para estes pontos (e outros) em concreto?
A procura da cidade do Porto por visitantes nacionais e estrangeiros deve ser um dado incontornável na definição das políticas municipais. Pelo que as situações ocorridas noutras cidades como Florença ou Veneza, decorrentes duma gestão inadequada da pressão turística, devem servir de alerta para a implementação de medidas pelo município. A sustentabilidade de uma cidade como o Porto só acontecerá com a diversidade das atividades económicas, sociais e culturais, pelo que é imprescindível afastar da gestão municipal a visão do turismo como mero negócio. O Porto tem que ser um território vivo, com mistura social e que proporcione uma intensa troca cultural, razão de ser do turismo.

O que falta fazer na cidade do Porto no que diz respeito ao turismo e que já deveria estar ou ter sido feito?
A regulação pelo município do uso do solo e da distribuição espacial das atividades económicas, impedindo a excessiva concentração em pequenas áreas territoriais dos serviços ligados ao alojamento tem que ser o caminho. E para isso todos os instrumentos de intervenção municipal como o planeamento, os licenciamentos das operações urbanísticas e as medidas fiscais (impostos e taxas municipais), devem ser mobilizados.

Eleito presidente, quais as primeiras e principais medidas a tomar em benefício do e para o turismo da cidade do Porto?
Para além de uma maior regulamentação do alojamento local e da contenção na instalação de novos equipamentos de hotelaria nas zonas mais críticas da cidade, impõe-se a criação dum Observatório para avaliar os impactos do turismo na habitação, nas infraestruturas urbanísticas, no património arquitetónico e cultural e nas condições de vida dos habitantes da cidade do Porto com a decorrente formulação de novas políticas municipais.

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As propostas da candidata Ilda Figueiredo (CDU) para o turismo do Porto

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Que importância possui o turismo para a cidade do Porto?
É uma importantíssima atividade económica, da qual não podemos depender tanto como dependemos e que precisa de existir com peso e medida. É necessário prevenir o que aconteceu com a excessiva concentração na zona histórica, o que prejudicou moradores, incentivou a especulação imobiliária e contribuiu para a autêntica expulsão de moradores e comerciantes tradicionais dessa zona.

Que medidas merecem a sua aprovação e o que foi feito que, sob a sua liderança, não seria realizado? O que teria feito de diferente durante este período pandémico e como antevê o regresso à tão desejada “normalidade” do turismo na cidade do Porto e quais os principais desafios esperados?
Faltou um planeamento turístico que tivesse em conta a necessidade de manter os moradores com o seu modo de vida no centro histórico e na zona central, com criação atempada, como a CDU propôs, de zonas de contenção de alojamento local unidades hoteleiras e outros serviços turísticos, incluindo transportes. Faltou criar mecanismos de facilitação da possibilidade de dispersão do turismo por toda a cidade, disponibilizando roteiros culturais ligados à história, às lutas, ao património cultural, incluindo as tradições do povo portuense, o rio Douro e um maior diálogo com as autarquias vizinhas. Faltou acabar, ou no mínimo, suspender, a taxa turística durante a pandemia, e uma intervenção mais dirigida aos moradores, ao pequeno comércio, restauração e serviços mais atingidos pela pandemia.

Questões como a sustentabilidade, overtourism, segurança, digitalização e mobilidade, estão na ordem do dia no turismo. Que propostas tem para estes pontos (e outros) em concreto?
Impõe-se apostar no planeamento do turismo em diversos aspetos, em diálogo com moradores, comerciantes, organizações representativas desta área, incluindo empresariais e sindicais. O turismo é importante, mas não pode pôr em causa a vida normal da cidade nos seus mais diversos aspetos. Cabe à autarquia planear, programar e coordenar o turismo, usando os meios legais disponíveis para que a cidade não fique tão dependente desta atividade e esta não sirva de pretexto para continuar a pôr em causa a vida dos moradores na cidade.

O que falta fazer na cidade do Porto no que diz respeito ao turismo e que já deveria estar ou ter sido feito?
Falta fazer quase tudo para impedir o completo descontrolo que chegou a existir no centro histórico e zona central da cidade do Porto. O planeamento e a contenção são questões centrais, aliadas à criação de roteiros alternativos, de programas culturais dispersos pela cidade, tendo em conta o seu património material e imaterial.

Eleita presidente, quais as primeiras e principais medidas a tomar em benefício do e para o turismo da cidade do Porto?
Elaborar e executar um plano e programa de apoio à dispersão do turismo por toda a cidade e criando medidas de contenção diversas no centro histórico e na zona central.

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