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ASGAVT “desiludida” com fim de apoio a fundo perdido

Depois de publicado o despacho que dá conta da eliminação da parcela de apoio a fundo perdido e outros auxílios, a ASGAVT veio afirmar a sua “grande desilusão”.

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Depois de publicado o despacho que dá conta da eliminação da parcela de apoio a fundo perdido e outros auxílios, a ASGAVT veio afirmar a sua “grande desilusão”.

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Turismo mundial deverá valer 11,5 biliões de euros, em 2032
Análise

Foi com “grande desilusão” que a Associação de Sócios e Gerentes de Agências de Viagens e Turismo (ASGAVT) recebeu a decisão de eliminação da parcela de apoio a fundo perdido e outras medidas de auxílio à tesouraria de empresas afetadas pela crise no setor.

A “grande desilusão“ da ASGAVT vem na sequência do “último despacho que elimina a parcela de apoio a fundo perdido, bem como o prémio de desempenho da linha do Turismo de Portugal de apoio à tesouraria das micro e pequenas empresas”, afirmou a associação, em comunicado divulgado na segunda-feira, 3 de maio.

A ASGAVT sublinha que, apesar da reabertura da atividade económica, as agências de viagens “não têm um volume de faturação suficiente para fazer face às suas despesas, depois das restrições ao turismo, para conter a propagação de COVID-19, que, ainda se mantêm em quase todos os destinos”.

“A situação é muito grave, as agências de viagem precisam de apoios que lhes permitam a manutenção dos postos de trabalho e a sobrevivência a longo prazo; empréstimos que só contribuem para o endividamento das nossas empresas não são solução”, defende a associação no comunicado.

A ASGAVT lembra, ainda, uma vez terminadas as moratórias de crédito, a taxa de esforço das empresas “será enorme”, admitindo que, nessa altura, “o verdadeiro impacto social desta pandemia virá ao de cima”.

Fazendo referência à ajuda que a TAP irá receber para fazer face aos impactos da pandemia, a ASGAVT recorda que as agências de viagens “são o canal mais forte de receitas que a companhia dispõe”, pedindo que os apoios a fundo perdido do Turismo de Portugal “possam voltar a ser atribuídos, desta vez em maior proporcionalidade”.

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Turismo mundial deverá valer 11,5 biliões de euros, em 2032
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Turismo mundial deverá valer 11,5 biliões de euros, em 2032

Segundo contas da Custom Market Insights, o valor do turismo a nível global deverá atingir, em 2032, os 11,5 biliões de euros, com uma taxa de crescimento média anual na ordem dos 3,7%.

Depois do World Travel & Tourism Council (WTTC) ter avançado, no mais recente Economic Impact Research (EIR), que o valor da indústria do turismo a nível global deveria atingir os 14,8 biliões de euros, em 2034, com um peso de 11,4% no Produto Interno Bruto (PIB) mundial, a empresa de estudos de mercado Custom Market Insights (CMI) vem revelar que, em 2032, a indústria do turismo deverá gerar um valor de 11,5 biliões de euros, depois de, em 2023, ter atingido os 8,3 biliões de euros.

Segundo a CMI, “os principais intervenientes, como a Expedia, a Airbnb e as cadeias de hotéis, influenciam o mercado, enquanto tendências como as viagens sustentáveis, a transformação digital e as experiências locais moldam a sua trajetória” para a empresa, o mercado é “sensível às condições económicas, aos acontecimentos geopolíticos e às crises sanitárias.

Considerando que se trata de um setor “dinâmico” que evolui continuamente, impulsionado pelas “preferências dos consumidores, pelos avanços tecnológicos e por considerações ambientais, desempenhando um papel vital nas economias globais e no intercâmbio cultural”, a CMI aponta alguns fatores que irão moldar as oportunidades futuras para e no setor.

Transformação digital: A integração de tecnologias avançadas, incluindo plataformas de reserva online, aplicações móveis e experiências virtuais, melhora a experiência geral do viajante, simplificando e personalizando o processo de reserva e de viagem.

Aumento dos viajantes de classe média: O crescimento da classe média, particularmente nos mercados emergentes, alimenta o aumento da procura turística, uma vez que mais pessoas podem pagar viagens domésticas e internacionais, impulsionando o mercado global.

Turismo sustentável e experimental: A mudança para experiências de viagem sustentáveis e experienciais reflete a alteração das preferências dos consumidores, com os viajantes a procurarem destinos e atividades autênticos, amigos do ambiente e culturalmente imersivos.

Globalização e conetividade: A melhoria das infra-estruturas de transporte e o aumento da conectividade através de companhias aéreas e plataformas digitais contribuem para a globalização do turismo, tornando diversos destinos mais acessíveis a um público mais vasto.

Turismo de saúde e bem-estar: A crescente atenção dada à saúde e ao bem-estar representa uma oportunidade para o mercado do turismo. Os viajantes procuram destinos e experiências que promovam o bem-estar, incluindo retiros de spa, resorts de bem-estar e atividades centradas na natureza.

Turismo gastronómico: O turismo gastronómico oferece uma oportunidade para o setor do turismo capitalizar o interesse crescente pela gastronomia. Os viajantes dão cada vez mais prioridade a destinos conhecidos por experiências culinárias únicas, cozinhas locais e eventos relacionados com a comida, contribuindo para o crescimento deste segmento de mercado de nicho.

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Páscoa em março acelerou crescimento da atividade turística

Os bons resultados da atividade turística em Portugal verificados em março foram influenciados pelo efeito de calendário do período de férias da Páscoa, que este ano se repartiu entre março e abril, enquanto em 2023 se concentrou apenas em abril, realçam dados do INE conhecidos esta segunda-feira.

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De acordo com o INE, em março último, o setor do alojamento turístico registou 2,3 milhões de hóspedes e 5,7 milhões de dormidas, correspondendo a crescimentos de 12,2% nos hóspedes (+7,1% em fevereiro) e 12,8% nas dormidas (+6,4% no mês anterior). No período em análise, as dormidas de residentes cresceram 10,3%, correspondendo a 1,6 milhões, enquanto as de não residentes subiram 13,8%, totalizando 4,1 milhões.

De entre os estrangeiros que visitaram o nosso país durante o mês de março, o INE indica que o britânico foi o principal mercado emissor em março, tendo registado um crescimento de 9,3%, seguido da Alemanha, que cresceu 12,1%, e da Espanha, que registou o maior crescimento entre os principais mercados no mês analisado, com uma subida de +47,5%. No grupo dos 10 principais mercados emissores, que representaram 75,6% do total de dormidas de não residentes em março, destacaram-se ainda o irlandês, canadiano e norte americano pelos crescimentos mais significativos, +30,7%, +27,5% e +23,9%, respetivamente, face ao mesmo mês do ano anterior.

Já no que diz respeito às regiões, todas registaram acréscimo de dormidas, com maior expressão no Oeste e Vale do Tejo (+29,4%), Centro (+23,1%) e Alentejo (+21,0%). As subidas mais modestas tiveram lugar na Região Autónoma da Madeira (+4,1%) e na Grande Lisboa (+8,9%). As dormidas de residentes apresentaram crescimentos em todas as regiões, com exceção da Região da Madeira (-12,9%) e da Grande Lisboa (-2,4%).

A ocupação nos estabelecimentos de alojamento turístico aumentou em março, para 42,2% e 51,7%, nas taxas líquidas de ocupação cama e ocupação quarto, respetivamente.

Quando o INE analisa os resultados do primeiro trimestre de 2024 conclui que as dormidas aumentaram 7,1%, +3,9% nos residentes e +8,7% nos não residentes, enquanto os hóspedes cresceram 7,7%.

Nos primeiros três meses deste ano, entre os 10 mercados com maior número de dormidas, destacaram-se os crescimentos dos mercados canadiano (+24,2%), polaco (+22,7%) e norte-americano (+18,1%), enquanto os mercados francês e brasileiro registaram os maiores decréscimos (-8,3% e -4,5%, respetivamente).

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Negócios no setor das viagens e turismo caíram 14,9%

A GlobalData, empresa especializada em dados e análises, dá conta de que no primeiro trimestre de 2024 o setor das viagens e turismo registou uma descida no número de negócios celebrados face ao período homólogo. Se as maiores descidas foram verificadas na América do Norte e na Europa, o volume de negócios na região da Ásia-Pacífico permaneceu praticamente estável.

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Durante o primeiro trimestre de 2024 o setor das viagens e turismo registou 165 negócios a nível mundial, entre fusões e aquisições, private equity (PE) e negócios de financiamento de risco. Este valor representa uma queda de 14,9% face ao primeiro trimestre de 2023, altura em que se registaram 194 negócios, de acordo com a GlobalData, empresa especializada em dados e análises.

“A descida do número negócios na América do Norte e na Europa, que coletivamente representaram cerca de dois terços do número total de negócios anunciados globalmente durante o primeiro trimestre de 2024, impulsionou o declínio geral no volume de negócios”, refere Aurojyoti Bose, analista líder da GlobalData, em nota de imprensa.

Enquanto na América do Norte a descida do número de negócios foi de 26,2%, a Europa registou um declínio de 12,3% neste indicador durante o primeiro trimestre de 2024, em comparação com o primeiro trimestre de 2023.

As regiões da América do Sul e Central, bem como do Médio Oriente e África, também verificaram uma descida no volume de negócios durante o primeiro trimestre de 2024. Por outro lado, o volume de negócios na região da Ásia-Pacífico permaneceu praticamente estável.

Vários mercados-chave em todas as regiões mundiais registaram uma atividade de transações moderada, como foi o caso dos Estados Unidos da América, que registou uma descida de 21,7% no primeiro trimestre de 2024 face ao período homólogo, Reino Unido (descida de 30%), China (66,7%), França (27,3%) e Japão (28,6%).

Uma análise do banco de dados de negócios da GlobalData revelou que o volume de negócios para fusões e aquisições, bem como negócios de financiamento de risco, diminuiu 14,2% e 29,2%, respetivamente, durante o primeiro trimestre de 2024 em comparação com o primeiro trimestre de 2023, enquanto o número de negócios de private equity registou “algumas melhorias”.

Em comunicado, a Global Data ressalva que os dados podem sofrer alterações, caso algumas transações sejam acrescentadas a meses anteriores devido a um atraso na divulgação de informações no domínio público.

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Negócios no setor das viagens e turismo caiu 22,5%, revela a GlobalData

Nos primeiros dois meses de 2024, a atividade de negócios no setor das viagens e turismo passou de 120, no mesmo período de 2023, para os atuais 93.

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O setor das viagens e turismo registou 93 negócios globalmente durante os primeiros dois meses de 2024, uma quebra de 22,5% em comparação com o anúncio de 120 negócios durante o mesmo período em 2023, revela GlobalData.

Uma análise do Banco de Dados de Negócios da GlobalData revela que o número de fusões e aquisições (M&A) e negócios de financiamento de risco diminuiu, enquanto o volume de negócios de private equity apresentou melhora durante o período.

O número de negócios de fusões e aquisições diminuiu 25,8%, enquanto o volume de negócios de financiamento de risco registou um declínio anual de 22,2%. Enquanto isso, o volume de negócios de private equity aumentou de quatro durante janeiro-fevereiro de 2023 para seis durante janeiro-fevereiro de 2024.

Aurojyoti Bose, analista da GlobalData, refere que “a queda no sentimento de negociação em todos os setores e geografias face às condições voláteis do mercado também afetou a atividade de negociação no setor das viagens e turismo. Como resultado, o setor viu o anúncio de menos de 100 negócios durante os primeiros dois meses de 2024”.

A maioria das regiões e mercados-chave também registou um declínio no volume de negócios durante janeiro-fevereiro de 2024 em comparação com o mesmo período do ano anterior.

A América do Norte, Europa, Oriente Médio e África e região da América do Sul e Central registaram um declínio no volume de negócios, enquanto a região da Ásia-Pacífico apresentou uma melhoria marginal.

Já os mercados-chave como os EUA, o Reino Unido e a França registaram um declínio no volume de negócios durante janeiro-fevereiro de 2024 em comparação com o mesmo período do ano anterior, enquanto a Índia, a Coreia do Sul e a Austrália testemunharam alguma melhoria.

Bose conclui que, “apesar desta recessão, existem áreas de resiliência e oportunidade, particularmente em regiões como a Ásia-Pacífico. À medida que os mercados evoluem, a identificação de bolsas de crescimento e inovação torna-se fundamental para as partes interessadas do setor”.

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Eleições: E o aeroporto, resolve-se?

Outro dos temas que tem “andado por aí” há mais de 50 anos, é o Aeroporto de Lisboa. Todos reconhecem que a infraestrutura aeroportuária atual está esgotada. Analisadas que foram quase 20 localizações, será que existe decisão no próximo Governo?

Victor Jorge

Já foi na Ota, migrou para o Poceirão, depois veio Alcochete, mais recentemente Montijo. Estas são somente quatro das cerca de duas dezenas de localizações que já foram apontadas para o novo Aeroporto de Lisboa. Contudo, mais de meio século depois, a dúvida persiste. Será que é desta? Leia o que dizem os programas eleitorais dos oito partidos/coligações políticos nos seus programas eleitorais sobre o Aeroporto de Lisboa.

PS

  • “O Plano Ferroviário Nacional (PFN), elaborado nos últimos dois anos com ampla participação pública, deverá ser aprovado – passando a ser uma orientação para a ferrovia no futuro, ligando as principais cidades, portos e aeroportos do país”
  • “A decisão sobre a localização do futuro aeroporto da região de Lisboa é um dos temas mais duradouros no debate político nacional, levando já mais de cinco décadas. O contrato de concessão dos aeroportos nacionais coloca constrangimentos à decisão do Estado, como já identificado no próprio relatório da CTI. Desta forma, o Estado não deve abdicar de nenhum dos mecanismos de que dispõe para assegurar que tem a margem para decidir de acordo com o interesse nacional e garantir a execução, não só do novo aeroporto de Lisboa, como a continuação do desenvolvimento das restantes infraestruturas aeroportuárias”.
  • “Assim, uma vez concluído o trabalho da Comissão Técnica Independente (CTI) que servirá de base ao processo de decisão, o PS tomará rapidamente uma decisão sobre a localização do futuro aeroporto de Lisboa”.

AD

  • “Atrair Transporte Aéreo regular e diversificado nos aeroportos nacionais, e decidir rapidamente sobre a construção do novo aeroporto”.
  • “Os setores da aviação e aeroportuário têm sido dominados na última década por decisões e indecisões paralisantes: a falta de capacidade do Aeroporto Humberto Delgado e o adiamento da escolha da melhor opção de expansão”.
  • “Tomar uma decisão sobre o novo aeroporto de Lisboa”.
  • “Melhorar as condições de processamento de carga e passageiros nos aeroportos nacionais”.

CHEGA

  • “Concretizar o Plano Nacional de Ferrovia (PNF), concluir o processo relativo ao novo aeroporto e proceder a melhorias nos portos e transporte marítimo”
  • “Criar um novo sistema de transporte ferroviário regional- aeroporto que se estenda a todo o Algarve, servindo a população e os pólos turísticos de uma ponta à outra do Algarve, e servindo como cartaz turístico da região”.
  • “As novas ligações de alta velocidade devem ter passagem directa nos aeroportos-HUB de modo a trocar a transferência avião-avião por avião-comboio nos trajectos com cerca de três horas: as ligações Lisboa-Porto/Lisboa-Faro/Lisboa-Madrid”.
  • “Concluir o processo de escolha do Novo Aeroporto de Lisboa e iniciar com a maior brevidade possível a sua construção, bem como de outras infra-estruturas indispensáveis, nomeadamente a Ferrovia e o TGV (Alta Velocidade)”.

LIVRE

  • “Estudar alternativas de localização para os aeroportos atualmente em zonas urbanas e decidir sobre a construção de quaisquer novos aeroportos em zonas ambientalmente sensíveis, como é o caso da proposta de novo aeroporto para a região de Lisboa, após uma Avaliação Ambiental Estratégica sem condicionamento prévio de localização e com base num Plano Nacional Aeroportuário articulado com o Plano Rodoviário Nacional e com o Plano Ferroviário Nacional”.

BE

  • “Devem estar asseguradas ligações funcionais entre os vários sistemas logísticos – portos, aeroportos, plataformas logísticas regionais e fronteiras – por onde circularão os serviços ferroviários”.
  • “A construção da terceira travessia do Tejo, exclusivamente ferroviária, com serviço a várias valências ferroviárias (alta velocidade, rede nacional e regional ferroviária, metropolitanos e MLS da AML, transporte de mercadorias) visando eliminar o estrangulamento da rede ferroviária nacional constituído pela travessia do Tejo, para além de ser uma infraestrutura indispensável para uma acessibilidade sustentável ao futuro Aeroporto de Lisboa, em Alcochete”.
  • “O tram-train do Algarve, ligando Faro a Portimão, via aeroporto, e as diferentes cidades que se localizam junto à orla costeira algarvia, num total de 63km”.
  • “No final desse ano [2012], foi comprada pelo grupo francês Vinci a troco de 3080 milhões de euros; no entanto, 1200 milhões correspondem à concessão dos aeroportos por cinquenta, em regime de monopólio. Facto é que a ANA, em apenas dez anos, gerou lucros de 1.437 milhões de euros a favor da Vinci, que assim recuperou o dinheiro que investiu para a exploração dos aeroportos portugueses”.
  • “Na União Europeia, para além de Portugal, apenas Chipre, Hungria e Eslovénia tinham todos os seus aeroportos concessionados a entidades privadas. Esta é mais uma das áreas em que Governos passados desbarataram a soberania nacional em nome do negócio privado”.
  • “Em janeiro de 2024, o Tribunal de Contas apresentou um relatório que acusa o processo de privatização da ANA de ‘não ter salvaguardado o interesse público’ e ter sido assente em ‘deficiências graves’. O detalhe da acusação sublinha como foi feita esta privatização: abaixo do valor que tinha sido ‘oferecido e aceite’, após uma ‘avaliação intempestiva’ à empresa concessionária dos dez maiores aeroportos nacionais, sem uma ‘avaliação prévia’ para calcular o preço, como era ‘legalmente exigível’”.
  • “O aeroporto que não descola”.
  • “Fala-se de um novo aeroporto há 50 anos”.
  • “O aeroporto, uma decisão estratégica, não pode continuar a ser adiado e a sua localização ideal já está estudada”.
  • “Garantia de que a ANA prolonga a pista do aeroporto da Horta com vista à melhoria das condições de operacionalidade”.
  • “Programa para a melhoria da operacionalidade do Aeroporto da Madeira, incluindo investimento em meios tecnológicos e estudo dos ventos”.
  • “Conversão da Base das Lajes num aeroporto plenamente civil, exigindo aos EUA as indemnizações devidas pelos danos ambientais e sociais causados”.

PCP

  • “O Plano Nacional de Investimentos PNI2030 deve ser redefinido para dele excluir em definitivo o recurso ao modelo das PPP, e deve apontar como infraestruturas estratégicas: a construção faseada do Novo Aeroporto Internacional de Lisboa (NAL) no Campo de Tiro de Alcochete com o encerramento progressivo da Portela”.
  • “Retomar o controlo público sobre a ANA (para a gestão e expansão da rede aeroportuária, e a construção do Novo Aeroporto nos terrenos públicos do Campo de Tiro de Alcochete)”.

IL

  • “Dar rapidamente início ao processo de construção do novo Aeroporto”.
  • “Portugal não pode continuar a perder dinheiro porque não se decide sobre a localização do novo aeroporto. A Iniciativa Liberal considerará a viabilidade financeira e económica das principais opções, com base nas conclusões da Comissão Técnica Independente e no resultado da consulta pública, bem como nas questões de índole contratual implicadas na construção do aeroporto. Após o fim da consulta pública que decorre e posterior publicação do relatório final da Comissão Técnica Independente, a Iniciativa Liberal assume o compromisso de decidir sobre a localização do novo aeroporto no primeiro mês após a entrada em funções do novo Governo“.
  • “O Estado, as Regiões Autónomas e as Autarquias Locais dispõem de um vasto património, desde praias a praças e aeroportos, que está sujeito a legislação, pouco desenvolvida, fragmentária e muitas vezes desatualizada”.

PAN

  • “Defender a criação de uma linha ferroviária do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, em termos que assegurem a conexão com a rede de transportes públicos da Área Metropolitana do Porto”.
  • “Assegurar a avaliação da opção Aeroporto de Beja (seja como solução principal, seja como solução complementar) no âmbito da decisão política sobre o novo aeroporto e concretizar a opção estratégica que tenha menor impacto ambiental a nível local”.
  • “Pôr fim à realização de voos noturnos entre as 00h00 e as 06h00 da manhã em todos os aeroportos nacionais, exceto em caso de voos de emergência e de caráter humanitário”.
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Eleições: TAP: Pública ou Privada?

Mais um tema que tem vindo a ser arma de arremesso entre as diversas forças políticas. Mas aqui, a clivagem é bem reconhecível, já que à esquerda a TAP é para manter pública, enquanto à direita a companhia aérea deverá ser privatizada.

Victor Jorge

Os mais recentes resultados alcançados pela TAP Air Portugal lançaram, novamente, a dúvida sobre se a TAP deverá manter-se pública, se deverá ser privatizada e qual a percentagem que deverá passar para mãos privadas. Uma coisa parece certa: todos querem que o “hub” se mantenha em Portugal/Lisboa, mas aí a Comissão Europeia tem uma palavra a dizer.

PS

  • “Garantir que a TAP mantém ligações aéreas regulares e acessíveis com os países onde residem significativas comunidades da diáspora”.

AD

  • “Os setores da aviação e aeroportuário têm sido dominados na última década por decisões e indecisões paralisantes (…) atribulado processo de nacionalização da TAP, que deixa a companhia numa encruzilhada quanto ao futuro”.
  • “Lançar o processo de privatização do capital social da TAP”.
  • “A instrumentalização dos recursos públicos ao serviço do poder partidário, que se verificam desde as utilizações de meios públicos até aos negócios e nacionalizações ruinosas em nome de um certo projeto ideológico ou de negociações interpartidárias, como se verificou nas nacionalizações da TAP e da EFACEC”.

CHEGA

  • “Garantir transparência e eficiência na gestão do dossier TAP”.
  • “O Estado não caucionará qualquer decisão de aquisição da TAP pela Lufthansa ou Air France /KLM enquanto não estiver definitivamente decidida a queixa da Ryanair contra essas duas empresas, face ao risco de uma muito negativa repercussão financeira”.
  • “O Estado deverá procurar manter na TAP uma participação que lhe permita ter um assento no conselho de Administração”.
  • “Nas empresas industriais estratégicas para o cluster aeronáutico (TAP Enginnering e OGMA), o Estado deve manter uma posição accionista adequada à tipologia do negócio, no mínimo com um assento na Administração dessas empresas”.
  • “Assegurar os postos de trabalho dos trabalhadores da TAP”.
  • “Manter a Sede da TAP em Portugal, garantindo que os impostos continuam a ser pagos no nosso país”.
  • “Restituição de benefícios económicos e sociais aos colaboradores da TAP”.

LIVRE

  • “Manter o controlo público da TAP mesmo em caso de privatização da empresa, alterando o modelo anunciado para uma venda de menos de 50% da empresa, mantendo pelo menos 5% na posse dos funcionários e incluindo na sua privatização a definição de um plano estratégico para o futuro da TAP que prepare a empresa para a transição energética e para a aposta no ramo de investigação e desenvolvimento nas áreas de engenharia aeronáutica, engenharia de materiais e manutenção da TAP como forma de criação de valor científico e económico assente no desenvolvimento sustentável e ecológico. A estratégia para a TAP deve incluir o reforço da articulação entre o tráfego aéreo e o ferroviário, em forte articulação e a progressiva substituição de voos internos e ibéricos, incluindo transporte aéreo de carga e fornecedor de um setor logístico em crescimento e demasiado dependente do tráfego aéreo, e um programa de reconversão dos postos de trabalho suprimidos ou que se tornem obsoletos”.

BE

  • “A TAP é mais uma das empresas com um histórico de privatizações com maus resultados”.
  • “Enquanto empresa com valor estratégico para a economia portuguesa, a nacionalização da TAP não deve ser provisória. A TAP deve ter propriedade e gestão públicas, única forma de garantir os interesses do país”.
  • “Ponderação das necessidades das comunidades emigrantes nas decisões estratégicas das empresas públicas, nomeadamente a TAP e a Caixa Geral de Depósitos”.

PCP

  • “Retomar o controlo público sobre a ANA (para a gestão e expansão da rede aeroportuária, e a construção do Novo Aeroporto nos terrenos públicos do Campo de Tiro de Alcochete) e sobre a SPDH (que deve ser reintegrada na TAP); travar o processo de privatização da TAP”.

IL

  • “O Estado deve sair de onde não precisa de estar, por isso sempre defendemos a privatização da TAP”.
  • “Utilização racional do dinheiro dos portugueses ao invés de desbaratar milhares de milhões na TAP, bancos e em várias das outras centenas de empresas públicas”.
  • “Além das empresas públicas, há um universo de empresas intervencionadas das quais é suposto o Estado sair, sem que se veja uma saída: na TAP, investiram-se €3.200 milhões, sem qualquer expectativa concreta de retorno, com base em argumentos de importância estratégica e económica que não têm qualquer credibilidade técnica. A Iniciativa Liberal compromete-se a não colocar nem mais um euro na TAP”.
  • “Privatizar a TAP (que não deve receber nem mais um euro), a CGD e a RTP, entre outras empresas públicas a estudar”.
  • “Não se justifica o investimento público em soluções como a TAP, que não só é substituível pelo setor privado, como contribui tangencialmente para a coesão interna do país sem ter qualquer racionalidade ambiental”.

PAN

  • “Empreender uma consulta pública, de prazo alargado, sobre o futuro a dar à TAP, que não exclua a manutenção de uma participação relevante do Estado na empresa, considerando a injeção de dinheiros públicos ocorrida e o ativo estratégico para o país que a empresa representa, e que o resultado dessa consulta seja sujeito à análise técnica do Conselho de Finanças Públicas sobre o impacto orçamental de tal decisão”.

 

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Victor Jorge

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Quanto vale o Turismo numas eleições?

A 10 de março disputam-se mais uma eleições legislativas. Ninguém esperava ir a votos tão cedo, existindo uma maioria absoluta no Parlamento que acabou por cair em novembro do ano passado. Todos os partidos que iremos encontrar nos boletins de voto possuem a sua estratégia para ganhar votos junto do eleitorado. Aqui deixamos a questão: quanto vale o turismo nos programas eleitorais?

Victor Jorge

Neste primeiro texto, o jornal Publituris faz um resumo do que trazem os oito partidos/coligações políticos nos seus programas eleitorais no que diz respeito ao “Turismo”.

No PARTIDO SOCIALISTAS (PS), o Turismo aparece no programa eleitoral nos seguintes enquadramentos:

  • “Exportamos mais e melhor. As exportações de bens e serviços superaram, pela primeira vez na história, os 50% do PIB. Em 2015, representavam 40,6% e poucos anos antes apenas 35%. Hoje, são mais 46 mil milhões de euros exportados do que em 2015. E esta transformação não decorreu apenas do setor do turismo. Portugal soube abrir a economia a novas oportunidades de crescimento e de diversificação”.
  • “A CP deverá prosseguir e adaptar o seu Plano Estratégico 2030 preparando a operação de serviços ferroviários de Alta Velocidade e de turismo ferroviário”.
  • “O apoio público à captação de eventos desportivos internacionais deve, portanto, evoluir para uma ação coordenada entre o Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) e o Turismo de Portugal, ponderada em fatores como o impacto, retorno e territorialidade, bem como a sustentabilidade social e ambiental. A Conferência de Ministros do Desporto do Conselho da Europa 2024, que será realizada em Portugal, no Porto, protagonizará um dos mais relevantes momentos políticos do desporto internacional”.
  • “Concretizar a ‘Agenda do Turismo para o Interior’ promovendo um turismo mais equilibrado e uma transformação no modelo de desenvolvimento turístico do país, onde contam todas as geografias”.
  • “Apostar em ações de formação incentivando os residentes nas aldeias a investir no turismo, bem como em qualificação dos profissionais melhorando a qualidade dos serviços, informando os potenciais investidores dos apoios existentes”.
  • “Modernizar e internacionalizar as atividades tradicionais da economia do mar incluindo indústria dos produtos da pesca e aquicultura e o desenvolvimento de projetos de turismo costeiro e náutico sustentáveis e regenerativos”.
  • “Garantir a acessibilidade física, digital, de informação e comunicação, gerando mais inclusão e sustentabilidade, nos serviços públicos, infraestruturas, meios de transporte, parque habitacional, cultura, desporto, turismo e lazer”.
  • “No que respeita ao investimento e desenvolvimento de capacidades operacionais, com vista a garantir a manutenção de Portugal como um dos países mais seguros do Mundo como instrumento fundamental para a qualidade de vida dos portugueses, bem como para a atração de investimento estrangeiro e turismo”.

Na ALIANÇA DEMOCRÁTICA (AD), o Turismo é enquadrado nas seguintes formas:

  • “São atividades económicas centrais para o mundo rural contribuindo para a desejada coesão territorial, gerando dinâmicas que permitem dinamizar atividades de comércio, de turismo e de indústria”.
  • “Consolidar Portugal como destino turístico de excelência em tudo o que está ligado à economia azul, ao mar e às atividades náuticas, eixo fundamental para a nossa oferta”.
  • “Incentivar a criação de “Rota do Turismo Rural” em cada região, associando oferta
  • de dormidas, de experiências e de outras atividades em mundo rural”.
  • “Promover programas específicos de agroturismo em territórios de baixa densidade”.
  • “Compatibilizar a exploração racional dos recursos e usos do Espaço Marítimo Nacional com as atividades tradicionais existentes (pesca, turismo e outras) e respeitando a proteção do meio ambiente sob impacto e criando condições sustentáveis para a produção eólica offshore”.
  • “Para as empresas dos sectores transacionáveis como a indústria, agricultura ou turismo, é fundamental ganharem dimensão e aumentarem a sua presença em novos mercados e conseguirem integrar-se em cadeias de valor global, contribuindo para a internacionalização da economia e para o crescimento da produtividade”.
  • “Em termos de estrutura orgânica, reforçar a tutela do Ministério da Economia, de modo a agilizar decisões e facilitar a convergência nos processos e prazos com impacto nas empresas. Reforçar a articulação próxima com o Turismo de Portugal, nomeadamente no que toca a missões e ações externas”.
  • “Os setores do Turismo e Serviços em Portugal são fundamentais para a economia nacional. Em 2022, o peso do setor do Turismo na Economia atingiu 29,2 mil milhões de euros, 12,2% do PIB, um valor que representa um recorde em termos relativos e que conheceu novos aumentos”.
  • “No contexto de um conjunto de tendências no Turismo, Comércio e Serviços, as soluções de políticas públicas no Espaço Europeu, que Portugal deve acompanhar para ser competitivo, têm procurado acautelar modelos de crescimento de oferta turística que criem valor acrescentado, mas também integração com as economias locais”.
  • “Incrementar o valor das exportações associadas ao Turismo, Comércio e Serviços”.
  • “Incrementar o salário médio do setor Serviços, Comércio e Turismo, pelo aumento de produtividade e maior valor acrescentado”.
  • “Valorizar o ensino e formação contínua em Turismo e criar/consolidar uma rede nacional integrada de formação (hubs), com escala e qualidade, suportando conteúdos programáticos complementares que potenciam a oferta de qualidade”.

No CHEGA, o Turismo aparece da seguinte forma:

  • Turismo de Saúde. A permissividade da nossa Lei de Imigração e a gratuitidade do nosso Serviço Nacional de Saúde atraem cada vez mais grávidas estrangeiras que só se deslocam a Portugal para dar à luz”.
  • “Assumindo a nossa localização geográfica, a nossa especificidade, a nossa história e cultura, não podemos deixar de mencionar o turismo como uma das alavancas económicas de Portugal”.
  • “O turismo desempenha um papel fundamental na economia de Portugal e tem uma importância significativa para o país, representando perto de 12% no PIB, com elevada margem de progressão, sendo uma das principais fontes de receita nacional e empregando directa e indirectamente uma parcela considerável da população portuguesa”.
  • “Quando se pretende combater o êxodo rural, o turismo tem o potencial de impulsionar o desenvolvimento regional ao atrair visitantes para regiões fora dos principais centros urbanos. O turismo contribui para a fixação das populações e para a criação de novos negócios e empregos, atrai investimentos em infra-estruturas e serviços, o que contribui para o desenvolvimento geral do país como um todo. Através do turismo promove-se a imagem de Portugal e o seu conhecimento no estrangeiro, o que beneficia a reputação e a atractividade do país”.
  • “Promover o turismo como factor de progresso e de correcção de assimetrias internas”.
  • “Promover o turismo sustentável, partindo do princípio que o turista além de visitar lugares, pretende viver experiências, respeitando o meio-ambiente e as comunidades locais”.
  • “O turismo pode ter um papel muito relevante nesse aspecto, devendo promover-se uma sinergia entre ambos os sectores, em que um alimenta o outro e vice-versa”.
  • “Aflorar sinergias entre o turismo e o património cultural por forma a que ambos se promovam um ao outro”.
  • “Conceder apoio financeiro e logístico para projectos artísticos que valorizem e interpretem o património cultural português, tanto material quanto imaterial, numa lógica de interação com a indústria do turismo”.

No LIVRE, é desta forma que o Turismo aparece no programa eleitoral:

  • “A dependência económica que o país tem em relação ao investimento estrangeiro nas áreas do imobiliário e do turismo, fomentado por um enquadramento legislativo criado para o efeito, é acompanhada de diversas formas de especulação imobiliária que estão a alterar radicalmente as nossas casas, ruas e bairros”.
  • “Reforçar a exigência legislativa de adequação de habitações utilizadas para fins turísticos, nomeadamente o alojamento local, na qual se deve diferenciar a atividade profissional e a dos pequenos proprietários, estabelecer parâmetros urbanísticos que promovam a diversidade de usos nas cidades no licenciamento dos estabelecimentos hoteleiros, em articulação entre o Turismo de Portugal e as autarquias”.
  • “Recuperar os comboios noturnos em Portugal e na Península Ibérica, reativando, em 2024, dos serviços ferroviários noturnos Lusitânia e Sud-Expresso e garantindo a adoção dos serviços ferroviários noturnos como parte da estratégia ferroviária nacional, ibérica e de ligação aos restantes países europeus, através da articulação da CP e a IP com a RENFE, SNCF e outros operadores públicos ou privados, providenciando uma alternativa ecológica e de baixas emissões comparativamente ao transporte aéreo; promovendo o turismo sustentável e ligando Portugal a outros destinos no centro da Europa”.
  • “Restringir o turismo massificado e destrutivo em áreas protegidas, prevendo a capacidade de carga de cada uma destas, e incentivando um turismo de acordo com princípios sustentáveis e que beneficia as populações locais”.
  • “Apoiar financeiramente os municípios na criação de meios de transporte público alternativos que tenham um impacto mínimo nos ecossistemas, fomentando um turismo de natureza mais sustentável”.
  • “Este programa [Revive Natureza} deverá ter o seu âmbito de ação ampliado para além da área do turismo, permitindo projetos associados à conservação da natureza, à educação ambiental e ao empreendedorismo rural”.
  • “Incentivar a criação de emprego nas Áreas Protegidas e sítios da Rede Natura 2000, privilegiando setores relacionados com a manutenção da bio e geodiversidade, turismo sustentável, entre outros que permitam concretizar os planos de gestão destas áreas”.
  • “Revisão do Programa ‘REVIVE’, para que os seus concursos tenham como objetivo principal a fruição do património cultural por todas as pessoas, em vez de serem subordinados ao seu aproveitamento turístico”.

Analisemos agora como o Turismo aparece no programa eleitoral do BLOCO DE ESQUERDA (BE):

  • “A estratégia de crescimento económico assente no turismo e no imobiliário provocou uma crise na habitação”.
  • “A escalada histórica dos preços da habitação foi potenciada, primeiro, pelo período de taxas de juro historicamente baixas que tornaram o imobiliário num ativo atrativo pela sua rentabilidade e, depois, pelo processo inflacionista, que aumentou os custos do endividamento. No entanto, se estas são causas transversais a vários países, há elementos que justificam a particular gravidade da situação em Portugal: a promoção do turismo de massas e do turismo habitacional de luxo, com o regime do Residente Não Habitual ou os Vistos Gold”.
  • “Para baixar os preços das casas, é necessária a intervenção do banco público na quebra dos juros, a fixação de tetos para baixar as rendas, a proibição da venda de casas a não residentes e a limitação do seu desvio para alojamento turístico”.
  • “Por outro lado, as casas disponíveis estão a ser afetas a outros fins, como o turismo, o turismo residencial de luxo, a obtenção de vistos gold e a especulação financeira, sem qualquer tipo de controlo ou limites”.
  • “Um artigo recente do Jornal A Mensagem de Lisboa resumia a saturação a que Lisboa chegou: ‘A Baixa conta, atualmente, com 31 hotéis, 1411 quartos e mais unidades de Alojamento Local (AL) do que residentes. São 977 unidades de AL para 969 residentes no perímetro da Baixa Pombalina. Os dados são do Turismo de Portugal e do Censos 2021, filtrados para um perímetro que considera a planta ortogonal da Baixa Pombalina’”.
  • “Moratória a novos empreendimentos turísticos – Suspensão da emissão de títulos para novos empreendimentos turísticos nas zonas de pressão habitacional até 2030”.
  • “Na maioria dos casos, o alegado interesse nacional tem pouca ou nenhuma justificação. Basta olhar para a destruição de habitats protegidos e de áreas sensíveis para a construção de imobiliário de luxo ou de turismo, como ocorre agora nos megaprojetos da península de Tróia”.
  • “Não surpreende que os transportes para Tróia tenham um preço elevado e que vários empreendimentos imobiliários para turismo de luxo tenham sido considerados projetos PIN”.
  • “O encarecimento brutal da travessia fluvial pela SONAE é uma forma ardilosa de afastar os setubalenses de Tróia, restringindo-a a uma elite endinheirada. A mesma SONAE promove o Troiaecoresort, um empreendimento turístico que pretende vedar o acesso dos pescadores à Caldeira a partir de 2024”.
  • “Requisição de imóveis afetos ao alojamento local ou alojamento utilizado com fins turísticos, priorizando as habitações detidas por proprietários com elevado número de imóveis em alojamento local/turístico”.

E no PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS (PCP), como e quantas vezes aparece o turismo no programa eleitoral?

  • “Aposta nos circuitos curtos de comercialização com a primazia no fornecimento às cantinas de entidades públicas, a promoção do agroturismo e do turismo rural e a divulgação da qualidade dos sabores, cultura e tradições”.
  • “O Turismo e a sua integração numa estratégia de desenvolvimento nacional”
  • “Portugal tem condições excepcionais, em todo o seu território, para o desenvolvimento do Turismo. O Turismo – cujo crescimento foi particularmente significativo nos últimos anos – tem sido determinante no saldo da balança de bens e serviços, com um peso equivalente a 50% de toda actividade industrial”.
  • “A valorização do papel das entidades regionais de turismo e da sua articulação com as autarquias locais, a promoção de uma estratégia voltada também para o mercado interno e para o direito do povo português ao lazer”.
  • “São necessárias políticas viradas para a actividade produtiva com criação de emprego estável, onde se poderão ancorar e ampliar, de forma sustentável, outras actividades, nomeadamente o turismo e outros serviços e defender o mundo rural”.

A INICIATIVA LIBERAL (IL) “trata” o turismo da seguinte forma:

  • “Reformar a Lei de Bases do Turismo
  • “Despenalizar o turismo de Alojamento Local”
  • “Portugal enfrenta o desafio de reformular a sua Lei de Bases do Turismo para aproveitar ao máximo o potencial do seu setor turístico. Nos últimos anos, o turismo tem sido o principal motor do crescimento económico em Portugal, representando cerca de 15,8% do PIB nacional em 2022. É, portanto, imperativo criar as condições para que o turismo não estagne, mas sim se reinvente, gerando ainda mais riqueza para o país”.
  • “Tal como se investiu na promoção do alojamento local, é importante também reavaliar outros modelos, desde o turismo rural no Alentejo ao timesharing no Algarve, passando pelo Ecoturismo no Gerês e pelos Design Hotels nas grandes cidades”.
  • “Deve apostar-se na formação e qualificação dos recursos humanos no setor do turismo, adaptando as competências às novas procuras do mercado. Finalmente, deve fortalecer-se a representação internacional de Portugal no turismo, destacando as novas políticas liberais e sustentáveis do país”.
  • “Este ataque [Programa ‘Mais Habitação’] tem consequências na economia: em 2019, só o turismo de alojamento local representou 8,5% das exportações portuguesas e 40% das estadias. Se se considera que a economia portuguesa é hoje demasiado dependente do turismo, então deve ser o resto da economia que tem de crescer, e não o turismo que tem de encolher. A Iniciativa Liberal defende a reversão do agravamento fiscal introduzido nos últimos anos, passando o coeficiente de tributação do AL de 0,5% para o anterior de 0,35 na modalidade de apartamento ou moradia, como estava em vigor anteriormente. A Iniciativa Liberal recusa liminarmente a diabolização de sectores como o AL que fizeram muito pela recuperação estética, habitacional e económica das cidades portuguesas, promovendo o turismo e criando riqueza”.
  • “A vasta maioria de casos de AL surgiram como uma forma empreendedora de tirar proveito da liberdade de escolha dos turistas, tendo acrescentado um elevadíssimo número de camas sem as quais haveria uma enorme limitação no turismo nacional”.
  • “A Iniciativa Liberal quer implementar uma legislação turística que seja moderna, eficiente e responsável ambientalmente, posicionando o país como um destino de referência no cenário turístico europeu e mundial”.
  • “Queremos simplificar procedimentos administrativos e reduzir a burocracia, bem como numa coordenação mais eficiente das competências entre variadas entidades públicas, visando atrair mais investimentos nacionais e internacionais no setor turístico”.
  • “Reativação de linhas com interesse económico, social e turístico, como é o caso da linha do Douro até Barca d’Alva, ramal de Monção, linha Régua–Vila Real, linha Beja–Ourique e linha Pampilhosa–Cantanhede”.

Finalmente, o turismo no programa no PESSOAS – ANIMAIS – NATUREZA (PAN).

  • “Combater a poluição do turismo de cruzeiro por via da rápida implementação em todos os portos nacionais das obrigações previstas no Regulamento relativo à criação de uma infraestrutura para combustíveis alternativos, no que se refere ao fornecimento de eletricidade da rede em terra aos navios de cruzeiro até 2030, e da inclusão dos scrubbers de circuito fechado no âmbito da proibição da utilização de scrubbers em vigor nos portos nacionais”.
  • “Garantir, em parceria com a academia e as ONGA, a elaboração de um estudo sobre a capacidade de carga do país relativamente ao turismo de cruzeiro, avaliando em função dos resultados a possibilidade de implementar limites à entrada de grandes navios de cruzeiro em portos nacionais, designadamente relativos ao número de navios cruzeiros que possam atracar anualmente”.
  • “Portugal vive uma grave crise habitacional, causada pelos baixos salários, pela ausência de mecanismos que contrariem a especulação, por uma política de aposta cega no turismo que não acautelou os impactos na habitação e por uma falta de investimento na habitação pública, e que foi agravada por um contexto de subida desenfreada das taxas de juro”.
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Europeus estão dispostos a viajar este ano apesar do aumento do custo de vida, diz a Accor

A Accor, um dos maiores grupos hoteleiros mundiais, examinou as intenções e os fatores que influenciam as decisões de viagens, e concluiu que os europeus estão dispostos a viajar este ano, apesar da pressão de custo de vida.

Publituris

O relatório da Accor, baseado no estudo efetuado junto de oito mil viajantes de sete países europeus (Reino Unido, Polónia, Alemanha, Países Baixos, França, Espanha e Itália), revela que mais de metade (54%) acredita que terá mais dinheiro para gastar em viagens em 2024 do que em 2023, em comparação com apenas 11% que dizem que terão menos dinheiro para gastar.

Os residentes na Polónia foram os mais confiantes quanto ao seu poder de compra em viagens este ano, em comparação com o ano passado, com 64% que esperam um aumento do orçamento, contra 7% que esperam uma diminuição. Os residentes na Alemanha são os segundos mais confiantes (61% contra 13%) e, mesmo em Itália, o país menos confiante dos sete, o número de viajantes que preveem um aumento do orçamento (44%) é quase quatro vezes superior ao número dos que preveem uma redução do orçamento (12%).

O número de viagens de lazer no estrangeiro que as pessoas esperam fazer aumentou ligeiramente em relação ao ano passado, e as viagens internacionais “bleisure”, ou seja, viagens que combinam negócios e lazer, também registarão um aumento. Com padrões de trabalho cada vez mais flexíveis e empregadores cada vez mais dispostos a permitir uma maior latitude nas viagens de trabalho dos seus colaboradores, é de assinalar que um em cada cinco viajantes europeus (19%) espera fazer pelo menos uma viagem “bleisure” em 2024.

Os pontos de interesse do sul da Europa continuam no topo da lista dos viajantes europeus, com um em cada quatro (23%) a planear uma viagem a Espanha este ano, seguido de Itália (18%), França (16%), Portugal e Grécia (13%). Para fora da Europa, 16% dos viajantes europeus tencionam fazer uma viagem à América do Norte ou Central este ano, estando a mesma percentagem a planear uma viagem à Ásia.

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Análise

Bain & Company dá “longa vida ao luxo”, também nas viagens

O estudo anual Bain-Altagamma “Luxury Goods Worldwide Market Study” projeta um novo recorde à medida que os gastos com experiências recuperam para máximos históricos, alimentados por um ressurgimento das interações sociais e viagens.

Victor Jorge

Apesar das condições macroeconómicas desafiadoras, “Luxury Goods Worldwide Market Study”, estudo anual realizado pela Bain & Company e a Fondazione Altagamma (associação comercial dos fabricantes italianos de artigos de luxo) e que vai na 22.ª edição, estima que o mercado global de luxo atingiu 1,5 biliões de euros, em 2023, um crescimento de 8% a 10% em relação a 2022 nas taxas de câmbio atuais (11% a 13% nas taxas de câmbio constantes), estabelecendo um recorde para o setor e provando a sua resiliência incomparável.

A indústria de luxo global, monitorizada pela Bain & Company, compreende nove segmentos, liderados por automóveis de luxo, hotelaria de luxo e bens de luxo pessoais, que, em conjunto, representam mais de 80% do mercado total. O crescimento da despesa total foi consistente com a taxa de crescimento em 2022 e traduziu-se num aumento de quase 160 mil milhões de euros na despesa em todos os segmentos de luxo. Em particular, as despesas com experiências recuperaram para máximos históricos, alimentadas por um ressurgimento das interações sociais e das viagens.

O mercado de bens de luxo pessoais – o “núcleo do núcleo” dos segmentos de luxo e o foco da análise – continuou a crescer e é provável que tenha atingido 362 mil milhões de euros em 2023, 4% acima de 2022 às taxas de câmbio atuais (8% a taxas de câmbio constantes). No entanto, o desempenho do mercado abrandou trimestre a trimestre e a incerteza manteve-se no quarto trimestre, com sinais divergentes provenientes de um mercado chinês em reaceleração e de mercados em desaceleração nos EUA e na Europa.

Este abrandamento resultou numa crescente polarização do desempenho. Em 2023, a Bain & Company e a Fondazione Altagamma estimam que cerca de dois terços das marcas registaram crescimento (vs. 95% em 2022). A rentabilidade média estabilizou como resultado das forças de contrapeso da pressão inflacionária e do investimento contínuo para o futuro contra a elevação sustentada dos preços.

Ásia e Europa impulsionaram o luxo até 2023
As compras globais de turistas de luxo quase voltaram aos níveis pré-pandémicos em valor absoluto, mas o potencial de crescimento permanece (em particular, para recuperar a quota de mercado pré-Covid-19).

A Ásia marcou o ritmo de crescimento graças à forte procura interna e a um novo afluxo de turistas chineses em toda a região. O Japão registou uma forte expansão devido aos clientes locais e a um iene fraco que favoreceu os fluxos turísticos. A China continental, por sua vez, registou um bom desempenho após a reabertura do primeiro trimestre, mas abrandou progressivamente à medida que surgiam novas preocupações macroeconómicas.

Os países do Sudeste Asiático registaram uma dinâmica positiva devido ao forte turismo intra-regional e ao interesse crescente dos consumidores locais, especialmente na Tailândia. Em contrapartida, a Coreia do Sul enfrentou um ano difícil, com fatores macroeconómicos desfavoráveis que abrandaram o consumo local, uma moeda forte que levou os turistas a comprar noutros locais e saídas de turistas coreanos para destinos internacionais.

A Europa continuou a beneficiar da progressiva retoma do turismo, o que estimulou o crescimento em todos os países, com as estâncias turísticas a atraírem os grandes consumidores, a par das principais cidades de luxo. Apesar de a instabilidade macroeconómica ter afetado os clientes locais, os principais clientes mantiveram uma dinâmica positiva que impulsionou o crescimento do mercado.

Enquanto isso, a região das Américas desacelerou ao longo do ano, registando uma queda de 8% em relação a 2022, uma vez que a incerteza generalizada afetou os gastos dos clientes aspiracionais. Os clientes de topo permaneceram confiantes, mas transferiram as suas despesas para o estrangeiro, uma vez que o dólar americano permaneceu forte em relação ao euro e os diferenciais de preços favoreceram as compras no estrangeiro.

No resto do mundo, a Arábia Saudita acelerou, atraindo investimentos de grandes marcas de luxo, e a Austrália proporcionou um terreno fértil para o crescimento.

O que se segue para o luxo em 2024 e nos anos seguintes?
Assim, coloca-se a questão do que se seguirá para o mercado do luxo em 2024 e anos seguintes? A pesquisa da Bain & Company e da Fondazione Altagamma sugere “um desempenho relativamente suave dos bens de luxo pessoais em 2024, alcançando um crescimento baixo a médio de um dígito em relação a 2023, com base nos cenários atuais”.

Olhando para 2030, “os fundamentos sólidos estão preparados para continuar a impulsionar o crescimento do mercado, apesar de possíveis solavancos ao longo do caminho”, antecipa a análise.

“Num mercado cada vez mais concorrido, as marcas devem concentrar-se na criatividade e na inovação para aumentar a relevância para os consumidores, com o objetivo final de continuar a expandir as suas bases de clientes, cultivando simultaneamente os amantes da marca”, referem os autores do estudo.

“Num período de desaceleração do crescimento, as marcas terão também de prestar atenção aos níveis de lucro e controlar os custos em toda a cadeia de valor. Isto pode incluir iniciativas que visem uma maior precisão do planeamento empresarial e da previsão da procura com a ajuda da inteligência artificial, uma gestão de inventário mais rigorosa, a variabilidade dos custos e muito mais”, assinalam ainda.

Assim, antecipam “uma nova época de fusões e aquisições, nascida da necessidade de enfrentar os principais desafios da indústria – por exemplo, para apoiar o crescimento da categoria, expandir-se numa nova geografia ou assegurar o controlo de recursos críticos ou de know-how”.

A liderança em sustentabilidade e a adoção de tecnologia continuarão a ser fundamentais, em particular, para redesenhar as configurações da cadeia de fornecimento para uma maior transparência, agilidade, resiliência e uma menor pegada de carbono.

Olhando para o futuro, a Bain & Company e a Fondazione Altagamma esperam que as despesas globais com o luxo registem um crescimento sólido de 4% a 8% por ano, passando dos atuais 1,5 biliões de euros para 2,5 biliões de euros em 2030.

Os “luxos” de 2023

• O mercado global de luxo monitorizado pela Bain & Company inclui nove segmentos: automóveis de luxo, bens pessoais de luxo, hotelaria de luxo, vinhos e bebidas espirituosas de qualidade, comida gourmet e refeições requintadas, mobiliário e artigos para a casa de alta qualidade, arte requintada, jatos e iates privados e cruzeiros de luxo. Os automóveis de luxo, a hotelaria de luxo e os bens de luxo pessoais representam, em conjunto, 80% do mercado total. Estimamos que em 2023 o valor global das vendas a retalho do mercado de luxo tenha crescido para 1,51 biliões de euros, um aumento de 11% a 13% em relação a 2022 a taxas de câmbio constantes, em linha com a taxa de crescimento do ano passado de 12% em relação a 2021. Todos os segmentos de luxo cresceram e finalmente fecharam a lacuna com os níveis pré-Covid-19 (incluindo a hotelaria de luxo, que tem sido a mais lenta a recuperar). Desde 2019, as Américas e a Ásia têm sido as duas principais fontes de crescimento das despesas globais de luxo.
• As vendas de automóveis de luxo, a maior parte do mercado global, bateram um novo recorde, atingindo um valor estimado de 635 mil milhões de euros, mais 12% do que em 2022 às taxas de câmbio atuais e 15% acima de 2019. Após anos de crescimento limitado devido a perturbações na cadeia de abastecimento, os automóveis de luxo registaram uma expansão substancial em todos os segmentos, com base numa robusta carteira de encomendas. O segmento de luxo absoluto registou o crescimento mais rápido devido ao aumento da procura de soluções ultra-personalizadas, confirmando o interesse contínuo em grupos motopropulsores sustentáveis. O segmento de aspiração cresceu de forma constante, impulsionado pela crescente popularidade dos veículos elétricos. Nos segmentos acessíveis, os novos operadores do mercado asiático ganharam terreno devido à alteração da lealdade dos consumidores na região. Todas as marcas continuam a esforçar-se por estabelecer relações mais diretas com os seus clientes para melhorar as experiências de compra e pós-venda. O papel do comércio eletrónico expandiu-se, tornando-se um canal de compra cada vez mais relevante.
• O mercado da hotelaria de luxo aumentou para um valor estimado de 213 mil milhões de euros. Ultrapassou, finalmente, os seus níveis anteriores à COVID-19, impulsionado pelo aumento da ocupação e pela estabilização da taxa média diária. Os EUA e a América Latina registaram uma dinâmica positiva, impulsionada pelo turismo intrarregional. A China manteve-se abaixo dos níveis pré-pandémicos, apesar da reabertura das fronteiras. Em todas as regiões, as expectativas dos consumidores estão a aumentar à medida que as tarifas dos quartos se estabilizam em níveis mais elevados do que no passado. Assistimos a um aumento do apetite por experiências únicas, personalizadas e transformadoras que promovem uma “desconexão” da vida normal. Os indivíduos com um património líquido elevado e ultra-elevado têm expectativas de experiência mais elevadas do que as comodidades de luxo tradicionais. A consciência do impacto, particularmente entre as gerações mais jovens, favorece experiências mais autênticas e culturalmente imersivas e acelera as práticas sustentáveis. O aumento das expectativas de serviço exige novas soluções tecnológicas e a utilização de dados.
• As vendas de vinhos finos e bebidas espirituosas atingiram 100 mil milhões de euros, um aumento de 5 % em relação a 2022. Os vinhos finos registaram um crescimento moderado, com o ressurgimento das interações sociais e das ocasiões de convívio parcialmente prejudicado por uma diminuição dos consumidores aspiracionais. Os vinhos espumantes e rosés registaram a dinâmica mais forte. As bebidas espirituosas seguiram uma trajetória ascendente; no entanto, registaram-se variações acentuadas entre as bebidas espirituosas orientadas para a meditação (em casa), que desaceleraram, e as bebidas espirituosas orientadas para a mixologia (fora de casa), que aceleraram. Enquanto o conhaque e o uísque foram afetados pela redução do tempo passado em casa e pela normalização do consumo nos EUA, as bebidas espirituosas à base de agave mantiveram uma forte dinâmica, roubando “quota de garganta” aos gins em ocasiões de mixologia.
• Os produtos alimentares gourmet e a restauração requintada cresceram 10% às taxas de câmbio atuais, atingindo 69 mil milhões de euros. O forte crescimento da restauração requintada deve-se principalmente ao crescimento de um segmento de “entretenimento é a estrela”.
• O mercado do mobiliário e dos artigos para a casa de gama alta manteve-se estável em 53 mil milhões de euros. Após o hipercrescimento pós-pandemia, o segmento normalizou, com o arrefecimento do mercado imobiliário, embora os projetos residenciais de gama alta tenham continuado a demonstrar uma notável resiliência.
• O mercado das belas-artes cresceu 2% para 42 mil milhões de euros. Os leilões públicos sofreram uma quebra gradual, atribuível a um mercado letárgico nos EUA e às recentes perturbações geopolíticas, agravadas por um desempenho inconsistente na Ásia. Em contrapartida, os concessionários expandiram-se, alargando as suas localizações físicas à medida que os colecionadores procuram interações pessoais na era pós-Covid-19. É notória uma mudança para a Geração Y e para a clientela feminina, alimentando um interesse por temas relacionados com a diversidade, a equidade e a inclusão (DEI) e favorecendo o canal online. Após um aumento contínuo dos preços nos anos anteriores, apenas algumas obras-primas mantiveram as suas avaliações previstas em 2023.
• As vendas de iates e jatos privados aumentaram 11% às taxas de câmbio atuais em relação a 2022, atingindo 29 mil milhões de euros. Os iates de luxo continuaram a crescer, impulsionados por uma forte carteira de encomendas acumulada nos anos anteriores. A Europa confirmou o seu papel como região-chave, enquanto os EUA e a China registaram um crescimento mais lento devido a fundamentos macroeconómicos mais difíceis. O mercado dos jatos privados também continuou a crescer, impulsionado pelo crescente entusiasmo por designs de interiores personalizados e pelo interesse crescente em modelos de propriedade partilhada e combustíveis de aviação sustentáveis.
• O mercado de cruzeiros de luxo atingiu 4 mil milhões de euros, mais do que duplicando a partir de 2022, com o levantamento das restrições relacionadas com a pandemia. Os consumidores afirmaram interesse no novo segmento de ultra-luxo, bem como em viagens não convencionais. Vários operadores de hotelaria e viagens de luxo entraram progressivamente no segmento, com um navio já lançado e mais de cinco planeados para um futuro próximo.

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O que foi 2023 e o que será 2024 no setor dos transportes

Com a pandemia já ultrapassada, os transportes estão a regressar à normalidade e, no ano passado, tanto a aviação, como os cruzeiros ou o rent-a-car já apresentaram resultados mais parecidos com os de 2019. Por isso, as perspectivas para 2024 estão em alta, caso não haja mais instabilidade nacional ou internacional, ainda que muitos dos desafios de 2023 se devam manter em 2024.

Inês de Matos

Aviação, cruzeiros e rent-a-car viveram um ano positivo em 2023. Com a pandemia já ultrapassada, o Publituris foi ouvir as associações que representam companhias aéreas, empresas de rent-a-car e companhias de cruzeiros que operam em território nacional e que deixam a certeza de que a recuperação está em curso, com aumentos na oferta e também na procura. Não é, por isso, de estranhar que também as expectativas para 2024 estejam em alta e que as previsões sejam positivas, apesar dos muitos desafios que continuam a existir, alguns dos quais, como o esgotamento do Aeroporto de Lisboa, já com vários anos e que promete manter-se por mais alguns. Além do aeroporto, também o aumento da inflação e dos preços, a sustentabilidade, a instabilidade das guerras e na política nacional, são desafios que prometem manter-se e voltar a marcar também o ano de 2024.

Aviação com números encorajadores e boas perspectivas
Na aviação, 2023 foi um ano de “recuperação” e de “relançamento da atividade”, mas que ainda não permitiu falar num regresso à “normalidade”, diz ao Publituris Paulo Geisler, presidente da RENA – Associação das Companhias Aéreas em Portugal.

“Os números são encorajadores, demonstram que Portugal tem crescido bem, melhor até que outros destinos como Espanha e Itália, mas ainda não se pode falar de normalidade”, afirma o responsável. Por isso, Paulo Geisler diz que, em 2023, prefere focar-se “na resiliência e solidez do setor e na forma eficiente como reagiu à adversidade”, uma vez que, “em termos globais, os números demonstram que a oferta está a aproximar-se do nível de 2019 e que tem havido bastante procura pelo destino Portugal”.

2023 trouxe novas companhias e rotas para Portugal. É possível que, em 2024, a oferta seja melhor e maior, pois essa tem sido a trajetória”, Paulo Geisler, RENA

Apesar disso, o presidente da RENA lembra que a recuperação não tem sido homogénea, uma vez que há “reações a ritmos distintos”, ainda que a maioria das companhias aéreas que opera em Portugal já tenha reposto a oferta existente antes da pandemia.

Em Portugal, o maior desafio para as companhias aéreas continuou, em 2023, a ser o Aeroporto de Lisboa, com Paulo Geisler a defender que “operar numa infraestrutura congestionada como Lisboa” é “muito difícil e exigente”. “É uma operação de risco”, considera o responsável, que volta a criticar a saturação da infraestrutura e que se mostra ainda preocupado com o impacto da inflação e do aumento dos custos na aviação. “O segundo desafio diz respeito à inflação e à subida do custo das matérias-primas, algo que é generalizado e que não deixa também de afetar o nosso setor e as respetivas margens”, explica.

Apesar disso, o presidente da RENA considera que “Portugal continua a fazer um bom trabalho em termos de promoção do destino e é gratificante ver que o mercado está a responder positivamente”. Para Paulo Geisler, o país ainda tem “margem de crescimento, em especial no Porto”. “É importante que esta oportunidade seja aproveitada por todos os operadores para fazer crescer ainda mais o destino Portugal”, acrescenta.

Para 2024, o responsável mostra-se confiante e diz que as companhias aéreas representadas pela RENA esperam “uma subida moderada, caso não haja alterações no atual contexto económico e na situação geopolítica”. “2023 trouxe novas companhias e rotas para Portugal. É possível que, em 2024, a oferta seja melhor e maior, pois essa tem sido a trajetória”, explica o responsável, apesar de realçar que esta é “uma decisão que cabe a cada companhia aérea associada e sobre a qual a RENA não tem visibilidade”.  Ainda assim, o responsável explica que também a “previsão da IATA aponta para um crescimento moderado” da procura por transporte aéreo em Portugal.

Mas 2024 deverá trazer igualmente desafios à aviação, desde logo por causa do Aeroporto de Lisboa, com Paulo Geisler a prever dificuldades de “acesso à infraestrutura”, que está “congestionada e é cara”, pois também apresenta “taxas aeroportuárias muito acima do que seria desejável”, sem esquecer os desafios associados à “componente ambiental”. “A União Europeia (UE) impôs metas ambiciosas em termos de utilização de formas de combustível sustentável. É assim essencial criar condições para que Portugal possa responder a estas exigências”, defende Paulo Geisler, que espera, no entanto, que seja possível “continuar a trajetória de crescimento e aproveitar mais as sinergias criadas, evitando criar obstáculos e limitações à atividade dos operadores”.

Desafios múltiplos deixam rent-a-car apreensivo
Ano positivo viveu também o rent-a-car, com a ARAC – Associação Nacional dos Locadores de Veículos a fazer um balanço positivo de 2023. “Foi um ano praticamente ao nível de 2019, no que diz respeito a faturação, em que houve um ligeiro aumento, mas com menos carros, o que fez catapultar o aluguer para um preço médio por dia um pouco maior”, disse ao Publituris Joaquim Robalo de Almeida, secretário-geral da associação que representa o rent-a-car.

Apesar do aumento do preço dos novos veículos e dos custos com os recursos humanos, o rent-a-car viveu um ano positivo, que trouxe uma “faturação ligeiramente mais elevada do que em 2022”, ainda que o setor tenha também assistido à diminuição do período de aluguer. “Os turistas estão a alugar carros durante menos tempo”, admitiu Joaquim Robalo de Almeida, explicando que esta quebra foi essencialmente sentida durante o mês de agosto, o que se pode explicar com a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que trouxe a Lisboa mais de um milhão de peregrinos mas desmotivou a vinda dos turistas. “Os turistas não vieram por causa da JMJ, em que houve uma série de zonas da cidade condicionadas”, atribui o responsável.

[2024] Poderá ser um ano difícil porque, seguramente, vamos ter taxas de juro mais altas, porque os automóveis ficam mais caros e o turismo não deverá crescer muito porque o aeroporto de Lisboa está a rebentar pelas costuras”, Joaquim Robalo de Almeida, ARAC

Apesar da menor procura em agosto, o secretário-geral da ARAC diz que, “no resto do ano, o mercado voltou a animar”, sobretudo no Porto, que “continuou a ter uma ocupação bastante razoável e com preços mais atrativos para o fornecedor”.

Apesar dos bons resultados, 2023 ainda não permitiu resolver muitos desafios que se colocam a esta atividade, a exemplo da fiscalidade, o que leva Joaquim Robalo de Almeida a sublinhar que o “setor automóvel português continua a ter os impostos mais altos da Europa”, o que é uma desvantagem face às condições mais vantajosas existentes em Espanha, por exemplo, com o responsável a queixar-se ainda do IVA. “Já era tempo de passarmos para a taxa intermédia, só pedimos isto para os carros alugados num âmbito turístico”, explica.

Na falta de resposta a estes temas, Joaquim Robalo de Almeida prevê que estes sejam alguns dos desafios que se devem voltar a colocar ao rent-a-car já em 2024, que vai ficar ainda marcado pela escolha da localização para o novo Aeroporto de Lisboa. “Precisamos de um aeroporto mas a solução apontada pela Comissão Técnica Independente leva muito mais tempo e sai muito mais cara”, lamentou o responsável, que tal como todo o setor do turismo pede brevidade na solução deste tema.

Com tantos desafios, o rent-a-car está, por isso, apreensivo e o secretário-geral da ARAC diz mesmo que “não há assim perspectivas muito boas” para 2024. “Poderá ser um ano difícil porque, seguramente, vamos ter taxas de juro mais altas, porque os automóveis ficam mais caros e o turismo não deverá crescer muito porque o Aeroporto de Lisboa está a rebentar pelas costuras”, resume Joaquim Robalo de Almeida, que aponta ainda a instabilidade trazida pelas guerras na Ucrânia e em Gaza, assim como a situação política que também Portugal está a viver como problemas que podem ter impacto nos resultados de 2024.

Cruzeiros regressam à trajetória de crescimento
Nos cruzeiros, 2023 também trouxe notícias positivas. Segundo Nikos Mertzanidis, diretor de portos e destinos da CLIA – Associação Internacional de Companhias de Cruzeiros, “o setor dos cruzeiros continua a crescer e as perspectivas são excelentes”. “Após três anos de operações reduzidas, em 2023 regressámos à nossa trajetória de crescimento pré-pandemia. Prevê-se que o turismo de cruzeiros atinja 106% dos níveis de 2019 em 2023 – com 31,5 milhões de passageiros”, resume o responsável em declarações ao Publituris.

Nikos Mertzanidis diz que “a intenção de fazer viagens de cruzeiro é agora maior do que era antes da pandemia”, o que é um excelente indicador para este setor que, em 2023, cresceu dois pontos percentuais na quota de passageiros na Europa.

Os cruzeiros temáticos são uma certeza, tornaram-se locais onde os passageiros partilham paixões e interesses comuns entre si. Acredito que este tipo de segmentação e especialização continuará nos anos vindouros”, Nikos Mertzanidis, CLIA

Este crescimento foi comum aos portos portugueses, com destaque para o Porto de Lisboa, que terá terminado o ano com 360 ​​escalas e 720 mil passageiros, enquanto Leixões terá registado, no ano passado, 130 escalas de navios de cruzeiro, prevendo-se que, em 2024, mais de 35 diferentes operadores de navios de cruzeiro marítimos venham a instalar os seus navios no Porto de Leixões. Já na Madeira, os dados apontam para 300 escalas de navios de cruzeiro com quase 630 mil passageiros, com o responsável da CLIA a assinalar que, nesta região autónoma, a “indústria de cruzeiros é uma fonte estável de rendimento para os residentes das ilhas da Madeira, que deverão receber em 2023 um total de mais de 1,5 milhões de turistas”. Positivos foram ainda os números dos portos açorianos, que devem ter terminado 2023 com um total de 190 escalas e 160 mil passageiros.

A sustentabilidade e o maior envolvimento das comunidades visitadas foram, de acordo com Nikos Mertzanidis, os principais desafios que se colocaram, em 2023, aos cruzeiros, com o responsável a revelar que, no caso da sustentabilidade, a CLIA “está a tomar medidas práticas para reduzir as emissões dos navios, o que já está a fazer uma verdadeira diferença”, ao mesmo tempo que está a “explorar caminhos viáveis” ​​para alcançar as zero emissões até 2050.

Já no que diz respeito à relação entre os cruzeiros e os destinos visitados, o responsável alerta que, apesar dos cruzeiros ajudarem “a promover a região como destino”, é preciso ter uma estratégia sólida e a longo prazo, que envolva diversos atores e autoridades, para conciliar o crescimento dos cruzeiros com os destinos. “Serão necessários investimentos em infraestruturas, docas, terminais, abastecimento e receção e tratamento de resíduos para entrar nesta nova era nos próximos anos”, prevê o diretor da CLIA.

Nikos Mertzanidis estima que, em Portugal, os cruzeiros vão continuar a crescer, especialmente na região Norte, o que poderá levar ao “desenvolvimento de novas infraestruturas e comodidades, como a ampliação das instalações portuárias e melhores ligações de transporte”.

Para 2024, está já confirmada a chegada de oito novos navios de companhias de cruzeiros representadas pela CLIA – cinco dos quais movidos a Gás Natural Liquefeito (GNL) – e Nikos Mertzanidis revela que, nos próximos cinco anos, estão previstas mais 36 embarcações, num investimento total que chega aos 58,5 mil milhões de euros.
Em 2024, está ainda prevista a “implementação de uma série de regulamentos vinculativos para os operadores de cruzeiros na Europa”. “Por exemplo, a partir de 1 de janeiro de 2024, cada tonelada de CO2 emitida por uma companhia será tributada”, invoca Nikos Mertzanidis, congratulando-se com o facto de esta iniciativa permitir “estabelecer um quadro regulamentar comum muito preciso”. Segundo o responsável, “até ao momento, cada país ou cada companhia lidou com este assunto à sua maneira. A partir de agora, a regra é conhecida e os armadores poderão planear as suas operações em conformidade”.

2024 deverá ainda trazer oportunidades a este setor que, a exemplo de 2023, espera a afirmação de novas tendências. Se no ano que agora terminou o destaque foi para os cruzeiros familiares multigeracionais, que têm permitido reduzir a idade média dos passageiros, mas também para a ascensão dos cruzeiros de luxo, que oferecem experiências assentes na exclusividade, este ano devem ser os cruzeiros temáticos a conhecer maior afirmação. “Os cruzeiros temáticos são uma certeza, tornaram-se locais onde os passageiros partilham paixões e interesses comuns entre si. Acredito que este tipo de segmentação e especialização continuará nos anos vindouros”, concluiu.

Sobre o autorInês de Matos

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