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Verão de 2020 deverá repetir-se em 2021

A Oxford Economics estima que a indústria do turismo nos países mediterrânicos registe uma “recuperação significativa” durante 2021, mas continuará ainda muito dependente do turista doméstico.

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Verão de 2020 deverá repetir-se em 2021

A Oxford Economics estima que a indústria do turismo nos países mediterrânicos registe uma “recuperação significativa” durante 2021, mas continuará ainda muito dependente do turista doméstico.

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Foto: Vasco Célio/Stills

A realidade vivida no verão de 2020 nos países mediterrânicos, com o setor do turismo a “sobreviver” com base no turismo interno, deverá repetir-se neste verão de 2021. De acordo com as últimas estatísticas da Oxford Economics, o verão de 2021 será “semelhante ou ligeiramente superior ao do ano passado”, mas “continuará a ser apoiado por uma parcela doméstica mais forte do que o normal, já que as restrições internacionais serão as últimas a serem removidas e as pessoas permanecerão relutantes em viajar para o exterior”.

Os analistas da Oxford Economics admitem mesmo “não esperar uma recuperação total das exportações de serviços, incluindo turismo, aos níveis anteriores à crise até pelo menos o início de 2023”.

O mais recente briefing reforça que o setor do turismo foi um dos mais atingidos pela crise do coronavírus, com as chegadas de turistas aos países mediterrânicos a registar quebras entre os 60% e 80%, em 2020. Com a atividade a verificar uma recuperação parcial durante o verão de 2020 quando algumas restrições foram amenizadas, “o colapso do turismo contribuiu para quedas massivas do PIB de 8%-11% em Itália, Espanha, Portugal e Grécia em 2020, ficando acima da descida média de 6,8% da zona do euro.

Com os números a demonstrarem que a atividade turística representa uma parte considerável da economia na Itália, Espanha, Portugal e Grécia, o setor do turismo é responsável por entre 6% e 8% do PIB destes países diretamente e por mais 8% a 13% indiretamente, representando uma componente importante das exportações de serviços.

“Esperamos alguma recuperação na atividade turística do final do segundo trimestre e início do terceiro trimestre de 2021, como as restrições são gradualmente atenuadas, permitindo a retomada da mobilidade, mas a perspetiva de recuperação para o setor de turismo permanece turvo”, salientam os analistas. O serviço de turismo da Oxford Economics, antevê “um crescimento anual substancial nas chegadas internacionais à Europa durante 2021, que são muito relevantes para os países mediterrânicos, mas o total de noites na região continuará a permanecer mais de um terço abaixo dos níveis de 2019”.

Viagens domésticas recuperaram primeiro e dão suporte à recuperação do setor
Esta análise não é, contudo, uma novidade, já que recentemente a Oxford Economics já tinha destacado a importância da componente doméstica das viagens na recuperação do turismo em 2021. “Na verdade, os países com maior resiliência tendem a ser mais dinâmicos em 2021 e 2022”, admitem os analistas. Mas as preferências dos consumidores em relação a viagens, uma vez levantadas as restrições, também terão um grande papel na recuperação dos gastos com turismo, esperando a Oxford com “os padrões de consumo normalizem rapidamente”, embora reconheça que “para os países mediterrânicos as oportunidades de crescimento são limitadas este ano”.

Com a parcela doméstica de viagens a aumentar significativamente de janeiro a novembro de 2020, em comparação com os anos anteriores, “os países mediterrânicos são mais vulneráveis, pois enfrentam riscos maiores, já que suas indústrias de turismo seriam altamente impactadas por restrições prolongadas em viagens internacionais”, destaca a Oxford Economics.

A dependência da vacina par ao turismo internacional
Reconhecendo que os países mediterrânicos registem uma “recuperação significativa” da indústria do turismo durante 2021, as estimativas da Oxford Economics é que “os níveis permanecerão abaixo dos de 2019”, esperando “uma recuperação total das exportações de serviços aos níveis pré-pandêmicos no início de 2023”.

“A recuperação do setor de viagens pode ser muito mais lenta se a situação de saúde não melhorar significativamente nos próximos meses, o que significa que as taxas de infeção permanecem altas e o lançamento da vacina na Europa enfrenta mais atrasos e problemas logísticos”, destaca a análise. Nesse caso e com as perdas no setor das viagens a ser mais significativo, os países mediterrâneos, que dependem de uma grande parcela do turismo externo, provavelmente, teriam um desempenho muito pior do que o cenário base traçado para a recuperação. “Consideramos que a evolução do setor do turismo apresente o maior risco de queda nas nossas previsões para o sul da Europa”, conclui a análise da Oxford Economics.

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‘Adaptar Turismo’ com dotação de 5 milhões de euros para apoios a fundo perdido até 20 mil euros

Criado pelo Governo para “apoiar as empresas do turismo no esforço de adaptação e de investimento nos seus estabelecimentos”, o ‘Adaptar Turismo’ recebe agora uma dotação de cinco milhões de euros.

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O programa Adaptar Turismo, destinado a micro, pequenas e médias empresas do setor afetadas pela pandemia, conta com uma dotação de cinco milhões de euros para apoios a fundo perdido até 20 mil euros.

De acordo com o despacho publicado em Diário da República, assinado pela secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, o instrumento de apoio é financiado pelo Turismo de Portugal “com recurso às suas receitas próprias anuais, e tem uma dotação orçamental de cinco milhões de euros”.

O Adaptar Turismo foi criado pelo Governo para “apoiar as empresas do turismo no esforço de adaptação e de investimento nos seus estabelecimentos, permitindo ajustar os métodos de organização no trabalho e de relacionamento com clientes e fornecedores ao contexto pós-COVID-19”.

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APECATE apresenta sugestões para OE 2022

A APECATE apresentou um rol de medidas e sugestões ao Grupo Parlamentar do PS para o próximo Orçamento de Estado de 2022.

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A Associação Portuguesa de Empresas de Congressos, Animação Turística e Eventos (APECATE) reuniu-se recentemente com o Grupo Parlamentar do Partido Socialista, tendo apresentado as suas sugestões e posição sobre o Orçamento de Estado, reiterando a defesa dos interesses do setor.

A APECATE considera que os setores da Animação Turística e dos Eventos são “há muito discriminados em relação a outros setores económicos, nomeadamente aos que pertencem ao turismo”.

“O facto de serem mais recentes, não lhe deve retirar a sua importância no mundo do turismo, carecendo da necessidade de terem apoios estruturantes que garantam o seu melhor desenvolvimento, particularmente nesta fase em que estivemos parados e em que é necessário criar condições para a sobrevivência e competitividade deste setor”, afirma a APECATE em comunicado.

“Sem um setor de experiências fortes, vamos ter uma oferta turística sem capacidade de ser competitiva na captação de mais e melhores turistas”, diz a associação, salientando ainda que “nos outros países europeus este subsetor do turismo tem sido apoiado com várias medidas garantindo a sua competitividade”.

Considerando que “todo o setor do turismo necessita de apoios e da criação de condições que lhe permita recuperar e reconstruir saindo ainda mais competitivo”, a APECATE afirma que, esta fase, revestem-se de especial importância “incentivar a procura, quer particular, quer corporativa; trazer equidade fiscal; e incentivar medidas de redução da atividade paralela, via o incentivo de faturação de toda a atividade, traduzindo-se num saldo positivo de receita fiscal”.

A APECATE apresentou ainda algumas propostas de medidas para o Orçamento de Estado do próximo ano. Assim, no que toca ao IVA, a APECTA propõe uma “dedução a 100% do IVA na organização e participação em eventos para as empresas nacionais; redução da taxa de IVA para IVA reduzido (6%) na atividade de Animação Turística (alojamento 6%; táxis e transportes turísticos com TP 6%; TVDE 6%; restauração 13%; animação turística 23%) e na inscrição e bilhetes para eventos e congressos (à semelhança dos bilhetes para eventos culturais – 6%); dedução a 100% do IVA com combustíveis (gasóleo e gasolina)  nos sectores de AT que utilizem viaturas (barcos, tuktuk, viaturas turísticas, …)”.

Já no IRS, a proposta da APECATE contempla uma “dedução em sede de IRS de despesas em AT e Eventos, em equivalência com outras despesas em subsectores do Turismo como a Hotelaria e a Restauração, assim como na Cultura”, bem como a “manutenção, até junho de 2022, dos apoios à retoma visando a manutenção das empresas e dos postos de trabalho”.

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Para 55% dos portugueses, viajar com os animais de estimação é importante

39% dos portugueses defendem que os animais também precisam de férias, diz estudo da eDreams.

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A  maioria (55%) dos portugueses que possui um animal de estimação afirmou que, se fosse de férias agora, gostaria de se fazer acompanhar deste. Esta é uma das principais conclusões de um novo estudo da eDreams revelado esta terça-feira.

Entre outras conclusões, está o facto dos portugueses acreditarem que os animais também precisam de férias (39%), além de gostarem de conhecer animais de outras pessoas durante as suas viagens (38%). 17% ainda considera que os donos de animais de estimação são mais divertidos do que as outras pessoas. Apenas 7% expressou aversão à ideia de contactar com animais de companhia nas férias, explicitando preferência por alojamentos que não permitem a presença de animais.

Os companheiros de quatro patas já são bem-vindos em muitos locais do mundo, e existem até hotéisspas e cafés pensados especificamente para eles e para os seus donos. Em Roma, Itália, existe uma praia específica para cães, e perto de Munique, na Alemanha, é possível encontrar um resort de luxo destinado ao melhor amigo do Homem.

Para os fãs de caminhadas e desporto de aventura, o destino ideal pode passar por San Diego, nos EUA, onde encontramos atividades de kayak e paddleboard para cães, ou por Londres, capital do Reino Unido, que conta com vários trilhos amigos dos animais.

Para ajudar a viajar com os animais de estimação, a eDreams lançou um guia de apoio.

 

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Governo lança nova linha de 150 milhões para o turismo

No Dia Mundial do Turismo, o ministro da Economia prometeu mais apoios ao setor. O presidente da CTP, Francisco Calheiros, perguntou pelo novo aeroporto.

Victor Jorge

O ministro da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, anunciou durante a Conferência “Retomar o Crescimento”, organizada pela Confederação do Turismo de Portugal (CTP), o lançamento, nos próximos dias, de uma nova linha de crédito de apoio à tesouraria das empresas do turismo no valor de 150 milhões de euros.

No evento que marca o Dia Mundial do Turismo, Siza Viera, admitiu que “estamos conhecer um processo de retoma e o verão foi um exemplo disso”, salientando que “a retoma ainda é escassa, mas é certa”.

O apoio do Governo não se ficará, no entanto, por esta linha, com o ministro responsável pela pasta da economia a admitir que os apoios não se ficam por esta linha.

Referindo a importância que o setor possui para a economia nacional, Siza Vieira salientou que “o sucesso deste setor assenta na capacidade das nossas empresas”, reforçando a ideia de que Portugal “é um dos “, tendo “preservado a sua imagem nos mercados mais relevantes”. Por isso, admitiu, “fez todo o sentido “o esforço que todos fizemos na preservação deste ecossistema”.

Identificando os apoios até agora prestados ao setor do turismo em “mais de três mil milhões de euros”, Siza Vieira admitiu que “não vale a pena traçar quadros cor de rosa. Muitas empresas ficaram pelo caminho e empresários foram impossibilitados de continuar a sua atividade”.

Destaque, igualmente, para os 70.000 empregos que o setor do turismo possui atualmente, face á realidade de 2019 e que “é muito importante serem recuperados”.

Com a aproximação da época baixa, o ministro da Economia reforçou a necessidade de “termos de fazer mais um esforço”, já que, citando uma frase que se vem ouvindo no setor, “não podemos morrer na praia.

Daí Siza Vieira salientar que os apoios mais importantes vão continuar até ao final do ano através dos diversos planos e linhas de apoio – Reforçar e Retomar – que foram anunciadas em maio passado.

Antes do ministro da Economia, Francisco Calheiros, presidente da CTP, já tinha “exigido” a manutenção dos apoios, deixando a certeza que “o setor, do que depende de nós, irá crescer”

Reforçando que o apoio do Governo “é importante e sem ele tudo será mais difícil”, Francisco Calheiros salientou que as empresas estão “numa situação muito difícil e precisam de ajudas rápidas”, deixando algumas críticas no que diz respeito ao código de trabalho e às mexidas que estão pensadas.

Quanto à retoma e ao tempo que esta demorará, o presidente da CTP deixou, a propósito do “tempo” a pergunta direta ao ministro da Economia: “quanto tempo é preciso esperar pelo novo aeroporto”. No discurso do ministro, contudo, não houve resposta.

Certo é que, segundo o presidente da CTP, “a continuação da atual situação é uma ameaça para o turismo nacional”.

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Mais de 30% dos portugueses mantém poupança de dinheiro para viagens

O estudo concluiu que as famílias sem filhos (37%) são quem mais poupa para viajar em comparação com as famílias com filhos (26%).

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Mais de 30% dos portugueses apontaram as viagens como o principal motivo para poupar dinheiro, quando em 2019, antes da pandemia de covid-19, eram 31%, concluiu um estudo da Intrum.

Quando se comemora o Dia Mundial do Turismo, “o European Consumer Payment Report, estudo da Intrum, revelou que, para os portugueses (34%), viajar é uma das principais razões para poupar dinheiro todos os meses”, um valor “superior ao período homólogo de 2019, que atingiu os 31%”, apontou a Intrum.

Para a promotora do estudo, os dados mostram que a “pandemia de covid-19 aumentou a vontade dos portugueses de conhecer o mundo”.

Ainda assim, aquela percentagem já foi mais elevada, registando os 42% nos anos 2017/2018.

Já quando comparado com a média europeia (41%) ou Espanha (40%), Portugal fica a uma distância de sete e seis pontos percentuais, respetivamente.

O estudo da Intrum concluiu ainda que as mulheres (35%) poupam mais para viajar em comparação com os homens (32%) e que o grupo etário dos maiores de 65 anos (46%) é o que mais poupa para viajar.

Seguem-se as faixas etárias dos 18 aos 21 anos e dos 22 aos 37, com uma percentagem de 38%. Em último lugar encontra-se a faixa etária dos 45 aos 54 anos com uma percentagem de 24%.

Por fim, o estudo concluiu que as famílias sem filhos (37%) são quem mais poupa para viajar em comparação com as famílias com filhos (26%).

“A pandemia de covid-19 teve um grande impacto em todas as áreas, ainda assim, o setor da hotelaria e lazer (64%) foi um dos setores em que as margens de lucro foram mais afetadas. Para além disso, 86% dos inquiridos anseia que uma recessão venha a ter um impacto muito negativo na sua empresa”, referiu, em comunicado, o diretor-geral da Intrum Portugal, Luís Salvaterra.

O estudo ECPR – European Consumer Payment Report 2020 tem por objetivo a partilha de informação sobre a vida quotidiana dos consumidores europeus, os seus hábitos de despesa e a capacidade de gerir as suas finanças domésticas mensalmente.

O relatório anual baseia-se num inquérito externo realizado simultaneamente em 24 países na Europa, entre os quais Portugal, com um total de 24.198 consumidores participantes na edição de 2020.

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As propostas para o turismo de Lisboa

Constituindo a principal porta de entrada para os turistas de visita ao nosso país, Lisboa é peça-chave em muitas vertentes do turismo. O Publituris foi ouvir as propostas de quem pretende ocupar o lugar cimeiro da câmara da capital do país.

Victor Jorge

À quarta ronda pelas principais cidades turísticas de Portugal, terminamos na capital do país, Lisboa. No próximo fim de semana, os/as portugueses/as elegem os/as presidentes para as 308 câmaras que compõem o mapa autárquico em Portugal.

Depois de ouvir o que os/as candidatos/as de Albufeira, Funchal e Porto têm a propor para as respetivas cidades, chegou a vez de Lisboa.

Leia as propostas dos/as candidatos/as à Câmara Municipal de Lisboa às eleições do próximo dia 26 de setembro :

  • Carlos Moedas, candidato pelo PSD + CDS-PP + PPM + MPT + Aliança
  • João Ferreira, candidato pela CDU
  • Manuela Gonzaga, candidata pelo PAN
  • Bruno Horta Soares, candidato pela Iniciativa Liberal
  • Nota: O Publituris contactou, igualmente e por diversas vezes, os/as candidatos/as à Câmara Municipal de Lisboa,  Fernando Medina (PS+Livre), Beatriz Gomes Dias (BE), e Nuno Graciano (Chega). Contudo, até ao fecho do artigo não obteve quaisquer respostas por parte das referidas candidaturas.

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    As propostas de Carlos Moedas, candidato pelo PSD + CDS-PP + PPM + MPT + Aliança

    As propostas do ex-comissário europeu e candidato pelo PSD + CDS-PP + PPM + MPT + Aliança à Câmara Municipal de Lisboa.

    Victor Jorge

    Que importância possui o turismo para a cidade de Lisboa?
    O turismo é fundamental para milhares de lisboetas, para a economia da cidade, para a projeção internacional de Lisboa e para a capacidade de atrairmos investimento que gerem riqueza para os lisboetas. O meu compromisso é relançar o setor do turismo envolvendo os vários agentes do setor.

    Que medidas merecem a sua aprovação e o que foi feito que, sob a sua liderança, não seria realizado? O que teria feito de diferente durante este período pandémico e como antevê o regresso à tão desejada “normalidade” do turismo na cidade de Lisboa e quais os principais desafios esperados?
    O problema desta governação é que mesmo as boas ideias pecam sempre por má execução. A taxa turística seguiu o exemplo de outras cidades muito procuradas, mas não fazia sentido cobrar durante a pandemia, o que dificultou a nossa competitividade num momento complicado. Usar os fundos da taxa turística para reabilitação de património também é uma boa ideia, mas faria mais sentido investir noutras centralidades da cidade, para evitar concentrar todos os turistas da cidade na Rua da Betesga. Não há necessidade nenhuma de ter o turismo histórico, cultural, de diversão noturna e de arte urbana a confluir todo nos mesmos escassos quilómetros quadrados. Para além disso, deixa muitas partes da cidade esquecidas. Para mim, o dinheiro do turismo deve servir para tornar mais partes da cidade atrativas para turistas.

    Questões como a sustentabilidade, overtourism, segurança, digitalização e mobilidade, estão na ordem do dia no turismo. Que propostas tem para estes pontos (e outros) em concreto?
    Percebo a ideia do overtourism, mas a verdade é que estamos longe desse ponto. Uma gestão mais eficaz das centralidades ajudava-nos muito nesse campo. Na sustentabilidade, há uma medida que depende pouco de mim, mas que vejo como muito importante, que é ligar melhor Lisboa à Europa através de caminhos de ferro para evitar que se fizessem tantas viagens de avião. Isso a juntar ao aeroporto complementar da Portela, que podia evitar que os aviões andassem tão em cima da cidade. Fernando Medina ainda é um político muito analógico, em 2021 não podemos continuar a ter responsáveis políticos que não percebam a importância da digitalização.

    O que falta fazer na cidade de Lisboa no que diz respeito ao turismo e que já deveria estar ou ter sido feito?
    Acho que há muito potencial a ser desperdiçado. Temos uma cidade que tem o elétrico como cartão de visita e não investe nele. Que tem Alfama como jóia da coroa, mas está a deixar que o bairro se descaracterize totalmente. Faz falta a Lisboa ser menos uma cidade de iniciativas com nomes estrangeiros e tentativas de uniformização. Não tenho nada contra estrangeirismos, até sou conhecido por eles, mas a cidade, neste momento, precisa de se focar em manter alguma identidade, sob pena de perder a graça que têm bairros como a Graça (‘pun intended’, cá está um estrangeirismo). Serei um presidente focado em não matar a galinha dos ovos de ouro que é a tradição de Lisboa, ao contrário de Fernando Medina, que a quer depenar e por na panela o mais rápido possível.

    Eleito presidente, quais as primeiras e principais medidas a tomar em benefício do e para o turismo da cidade de Lisboa?
    As medidas serão sempre no sentido de melhorar a cidade para os lisboetas ao nível das condições de mobilidade, de investimento no comércio local, de atratividade da cidade. Vou estabelecer um rumo ambicioso para o relançamento do turismo envolvendo os vários agentes do setor. Vou potenciar o crescimento da cidade do ponto de vista turístico, para outras zonas e para a Área Metropolitana de Lisboa, promovendo concertadamente os destinos nos vários municípios da região. Tenho um programa que irá aumentar a estada média de cada visitante, aumentando a oferta de experiências culturais da cidade. A cultura será um dos pontos estruturais e centrais desta nova ambição turística dinamizando a oferta cultural da cidade. Assim como irei potenciar o turismo de negócios e conferências com aumento de infraestruturas, construindo o Novo Centro de Congressos de Lisboa. E tudo farei para manter a identidade bairrista que Lisboa ainda tem e que é um fator de atração único no Mundo.

     

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    As propostas de Bruno Horta Soares, candidato pela Iniciativa Liberal, para o turismo de Lisboa

    A Iniciativa Liberal concorre pela primeira vez à Câmara Municipal de Lisboa, Conheça as propostas do candidato Bruno Horta Soares para o turismo de Lisboa.

    Victor Jorge

    Que importância possui o turismo para a cidade de Lisboa?
    A cidade de Lisboa é uma cidade vibrante, capaz de combinar tradição e inovação e por isso é por definição uma cidade de eleição para turistas de todo o mundo e assim espero que continue por muitos anos. Adicionalmente, a indústria do turismo tem um efeito multiplicador pelas interdependências que tem em diversos setores da economia e no desenvolvimento físico da cidade, tendo sido visível os impactos económicos positivos que criou no pré-COVID-19. No entanto, como qualquer indústria está a ser afetada por diversos desafios de contexto, obrigando a que a administração e gestão do turismo de uma cidade tenha de ter competências para planear, implementar e monitorizar as oportunidades e responder às ameaças que a incerteza dos próximos tempos certamente trará. Também a indústria do turismo terá de ser bem mais resiliente, mas Lisboa não pode recuar e deverá sempre manter o foco na inovação e a capacidade de agilidade para se adaptar às dinâmicas de procura existentes.

    Que medidas merecem a sua aprovação e o que foi feito que, sob a sua liderança, não seria realizado? O que teria feito de diferente durante este período pandémico e como antevê o regresso à tão desejada “normalidade” do turismo na cidade de Lisboa e quais os principais desafios esperados?
    A beleza natural e humana de Lisboa leva a que a administração da cidade tenha de ter como principal princípio orientador: não estragar! Destaco como algo que ficou bem feito a recuperação da zona ribeirinha. O turismo vive de emoções e a zona ficou sem dúvida mais agradável para quem a visita. A visão que tenho para a cidade assenta numa menor intervenção direta da CML na recuperação da cidade. Quer isto dizer que procurarei sempre um maior envolvimento com o setor privado, desenvolvendo verdadeiras parcerias de dinamização turística e não apenas aquisição de serviços externos a fornecedores privados. Com a Iniciativa Liberal no executivo não teria existido o ataque agressivo e anacrónico que houve a diversas atividades que foram fundamentais para a recuperação e desenvolvimento da cidade nos últimos anos, nomeadamente o Alojamento Local.

    Questões como a sustentabilidade, overtourism, segurança, digitalização e mobilidade, estão na ordem do dia no turismo. Que propostas tem para estes pontos (e outros) em concreto?
    O investimento da CML na cidade tem passado essencialmente pelo cimento, razão pela qual não foi capaz de ter a visão de lançar plataformas digitais que permitissem a Lisboa ser uma cidade muito mais inteligente. A oferta turística terá cada vez mais de se adaptar à procura e como tal Lisboa necessita de ter uma visão verdadeira de ecossistema, onde os diferentes intervenientes possam partilhar capacidades, nomeadamente digitais, que os permitam ser mais ágeis e flexíveis em tempos de incerteza. Como exemplo, a indústria está cada vez mais orientada à experiência e à jornada do viajante e a CML pode e deve promover uma plataforma integrada onde o visitante, ao invés de andar a saltitar de site em site ou de app em app, é capaz de aceder de forma integrada à oferta de serviços, promovendo uma evolução de modelos económicos de captura de valor para novos paradigmas de partilha de valor.

    Gostaria de ver também a mobilidade muito mais centrada na jornada do cidadão e daí considerar mais estratégico um pensamento de interligação da rede urbana com a rede suburbana de transportes, por exemplo à parte ocidental da cidade, com todo o ecossistema de mobilidade a “falar” entre si.

    Na mobilidade, na higiene urbana, mas também na segurança, a digitalização, modernização o aumento significativo no investimento em tecnologias relacionadas com uma Cidade Inteligente é essencial para a melhoria destas áreas.

    O que falta fazer na cidade de Lisboa no que diz respeito ao turismo e que já deveria estar ou ter sido feito?
    A modernização da CML é crítica para esta visão de turismo moderno, pois a informação administrativa e os dados da cidade serão uma matéria-prima fundamental para garantir o bom funcionamento do ecossistema.

    Eleito presidente, quais as primeiras e principais medidas a tomar em benefício do e para o turismo da cidade de Lisboa?
    A candidatura da Iniciativa Liberal já assumiu que está nestas eleições para conseguir eleger o primeiro vereador Liberal. Acreditamos que a presença de um vereador Liberal no executivo da câmara permitirá uma visão diferente e mais positiva sobre o turismo, mais focada no futuro do turismo, mais centrada na jornada do visitante e com uma muito maior colaboração com o ecossistema de empresas e pequenos empresários.

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    As propostas de Manuela Gonzaga, candidata pelo PAN, para o turismo de Lisboa

    As propostas de Manuela Gonzaga, candidata pelo PAN, para o turismo de Lisboa.

    Victor Jorge

    Que importância possui o turismo para a cidade de Lisboa?
    Neste momento falar de turismo não é o mesmo que falar de turismo antes de março de 2020. Apesar dos efeitos negativos que o turismo teve na cidade, em particular no legado histórico, no que respeita à dinâmica da habitação ou quanto à poluição causada pelos navios de cruzeiro, ou ainda os quarteirões tomados por hotéis e hostels, o turismo teve uma importância inegável em Lisboa, existindo milhares de pessoas, empregos, vidas que dele dependem. Devemos aproveitar este momento para planear o turismo que queremos para Lisboa, apostando num turismo de qualidade, que não contribua para a descaracterização da cidade e que permita harmonizar com as diferentes vivências, seja de quem cá vive, seja de quem cá trabalha.

    Que medidas merecem a sua aprovação e o que foi feito que, sob a sua liderança, não seria realizado? O que teria feito de diferente durante este período pandémico e como antevê o regresso à tão desejada “normalidade” do turismo na cidade de Lisboa e quais os principais desafios esperados?
    Para falarmos em turismo temos de referir dois pontos: por um lado, a democratização do turismo, o que permitiu que pessoas que há 20 anos não viajavam hoje viajem e conheçam novas culturas, tendo trazido também investimento, empregos e pessoas. Por outro lado, como sabemos, não houve um planeamento atempado e de repente quase que vimos as cidades a perderem a sua identidade, como aconteceu nos centros históricos.

    Em 2018 o PAN propôs na Assembleia Municipal a realização de um estudo de capacidade turística de Lisboa, que permitisse aferir a capacidade para receber turistas e o seu impacto ao nível da qualidade de vida. Apesar desta proposta ter sido aprovada, o executivo de Fernando Medina nunca executou este estudo, que nos permitiria hoje, num momento de crise, planear o turismo de Lisboa para que este não desequilibrasse o ecossistema da nossa cidade. Esta crise demonstrou-nos que não devemos diabolizar o turismo, mas também que não podemos ficar inteiramente dependentes desta atividade, e ainda que temos de conseguir harmonizar o turismo com quem vive em Lisboa.

    Questões como a sustentabilidade, overtourism, segurança, digitalização e mobilidade, estão na ordem do dia no turismo. Que propostas tem para estes pontos (e outros) em concreto?
    Caiu-se no erro de apostar todas as fichas numa só atividade. O turismo era uma das principais atividades de Lisboa e não se encontrou uma alternativa para apoiar todas as pessoas que dele dependiam para viver durante a pandemia. Não antevejo que vá haver um regresso total à “normalidade” porque hoje temos comportamentos distintos do que tínhamos antes da COVID-19. Agora é essencial termos a capacidade de planear em conjunto (decisores políticos e operadores turísticos) e (re)pensarmos o turismo, para que este seja de qualidade, com menor impacto ambiental e para que respeite os direitos humanos e dos outros seres vivos.

    O que falta fazer na cidade de Lisboa no que diz respeito ao turismo e que já deveria estar ou ter sido feito?
    Precisamos de cidades mais resilientes, quer do ponto de vista económico, quer do ponto de vista social, laboral e ambiental. E é por isso que para esta candidatura é fundamental que se faça não só o estudo que tenho vindo a referir, como que não se cometam erros em matérias fundamentais como a mobilidade, que tem de ser promovida de forma intermodal e com uma forte aposta no transporte público. Bem sabendo que aquando do boom turístico os transportes públicos foram um dos setores também bastante pressionados. Mesmo em relação à sustentabilidade, a descaracterização de Lisboa, com uma visão da betonização dos espaços públicos, com as constantes podas e abates abusivos de árvores, só vieram retirar valor à cidade e ao que precisamente também contribui para a tornar mais atrativa para quem nos visita.

    Eleita presidente, quais as primeiras e principais medidas a tomar em benefício do e para o turismo da cidade de Lisboa?
    A pressão que o turismo causou na habitação ou na fruição dos espaços públicos tem de ser uma lição a aprender para que não se cometam os mesmos erros no futuro e para que se consiga a desejável convivência entre locais e turistas. Agora, para melhorar, temos a obrigação de planear. Vêm aí os fundos do Plano de Recuperação e Resiliência e não podemos permitir que sejam perdidos ou mal empregues, como aconteceu por diversas vezes ao longo da história de Portugal.

    É essencial que o Turismo seja pensado em conjunto com a população. Lisboa carece em várias matérias de participação cidadã, que é essencial para melhorar a convivência entre todos. Também é necessário pensar o turismo em conjunto com os concelhos limítrofes, para que se criem novos circuitos turísticos e se deixe de pressionar sempre as mesmas áreas do território e as mesmas populações.

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    As propostas do candidato da CDU, João Ferreira, para o turismo de Lisboa

    As propostas de João Ferreira, candidato da CDU, para o turismo de Lisboa.

    Victor Jorge

    Que importância possui o turismo para a cidade de Lisboa?
    Se considerarmos que ao setor do Turismo corresponde (dados 2019, último ano “normal” antes da pandemia) 8,5% do VAB nacional, se no quadro nacional o concelho de Lisboa regista 15% da capacidade total de alojamento, gera 20% do total de dormidas e 24% do total dos proveitos nos estabelecimentos de alojamento turístico, não será difícil concluir da importância económica que a atividade turística em Lisboa, nos seus variados segmentos, assume, quer ao nível da cidade, quer ao nível nacional e com uma dimensão macroeconómica.

    Deve ainda ser reconhecido o efeito positivo que a dinâmica turística tem tido na modernização e na inovação do próprio setor hoteleiro, bem como semelhantes efeitos de inovação e de modernização, designadamente, no aparelho comercial e da restauração, bem como nos serviços de apoio ao turismo o que tem contribuído para uma inquestionável afirmação da cidade de Lisboa no mapa turístico das cidades europeias.

    Deve destacar-se, ainda, o papel social do turismo no efeito que tem na promoção de relações de amizade e de paz entre populações e povos: a promoção de um clima de tolerância e valorização da diferença, a promoção e a valorização do conhecimento e da descoberta “do outro”. Este é um lado da questão.

    Que medidas merecem a sua aprovação e o que foi feito que, sob a sua liderança, não seria realizado? O que teria feito de diferente durante este período pandémico e como antevê o regresso à tão desejada “normalidade” do turismo na cidade de Lisboa e quais os principais desafios esperados? Questões como a sustentabilidade, overtourism, segurança, digitalização e mobilidade, estão na ordem do dia no turismo. Que propostas tem para estes pontos (e outros) em concreto?
    Entramos no outro lado da questão. Se o Turismo é uma atividade económica que tem um potencial impacto positivo sobre, neste caso, as economias das cidades, o impacto real não é, contudo, indiferente ao modelo de desenvolvimento do setor promovido, nomeadamente, pelas opções de política de gestão urbana. A pandemia demonstrou à exaustão, mas já antes da pandemia era muito evidente o carácter insustentável, do ponto de vista social e territorial, que o desenvolvimento do turismo na cidade de Lisboa atingiu.

    E esta dimensão de insustentabilidade social e territorial tem nos resultados preliminares dos Censos de 2021 uma expressão que é uma síntese perfeita do problema: as freguesias que registaram níveis máximos de desenvolvimento do turismo, isto é, as freguesias do centro histórico, são as freguesias que na última década viram a respetiva população diminuir numa dimensão bastante significativa, evidenciando uma relação de causa-efeito que nos parece inquestionável: a freguesia da Misericórdia perde, numa única década, 26% da sua população, Santa Maria Maior, 22% e São Vicente 10%.

    Tomando estes dados como a síntese da questão, parece-nos evidente que o modelo de desenvolvimento turístico que tem sido prosseguido, nas suas várias dimensões, está em claro conflito com os interesses da cidade e dos lisboetas.

    As dificuldades que queremos destacar são as dificuldades relacionadas, por um lado, com o encerramento das empresas e do emprego do setor hoteleiro e de todos os setores que formam o sistema empresarial de suporte e dinamização do turismo: comércio, restauração, cultura, transportes. Por outro lado, destacamos também o impacto que a pandemia teve na vida social dos bairros, designadamente, dos bairros históricos.

    Esperamos que o regresso “à normalidade” não seja um regresso ao passado recente. O modelo de desenvolvimento do turismo deve ser seriamente reequacionado e consequentemente revisto. Neste sentido, consideramos que este é o tempo oportuno para dar sequência à proposta com vista à elaboração de um diagnóstico e avaliação de impactos do turismo ao nível local, principalmente nas freguesias centrais de Lisboa, com o objetivo de elaborar uma ‘Carta do Turismo de Lisboa’ e introduzir um adequado conceito de “Capacidade de Carga Turística”.

    O que falta fazer na cidade de Lisboa no que diz respeito ao turismo e que já deveria estar ou ter sido feito? Eleito presidente, quais as primeiras e principais medidas a tomar em benefício do e para o turismo da cidade de Lisboa?
    A questão central constitui, de facto, o desafio que se coloca à cidade nos próximos anos neste domínio.

    Um desafio que passa pela promoção de um desenvolvimento turístico urbano que reequilibre a economia urbana através da geração de dinâmicas e atividades novas, potenciando a regeneração urbana em várias dimensões da vida social urbana, mas mitigando os impactos negativos introduzidos nas comunidades de destino. Na cidade de Lisboa, este desafio implica a integração equilibrada do turismo com outros setores da economia e sociedade urbanas em geral, mas, sobretudo, exige que as políticas para o turismo urbano sejam concebidas e integradas no quadro de uma política de desenvolvimento urbano sustentável, equilibrado e que garanta uma cidade para todos.

    Sobre o autorVictor Jorge

    Victor Jorge

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