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Análise

Verão de 2020 deverá repetir-se em 2021

A Oxford Economics estima que a indústria do turismo nos países mediterrânicos registe uma “recuperação significativa” durante 2021, mas continuará ainda muito dependente do turista doméstico.

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A Oxford Economics estima que a indústria do turismo nos países mediterrânicos registe uma “recuperação significativa” durante 2021, mas continuará ainda muito dependente do turista doméstico.

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A realidade vivida no verão de 2020 nos países mediterrânicos, com o setor do turismo a “sobreviver” com base no turismo interno, deverá repetir-se neste verão de 2021. De acordo com as últimas estatísticas da Oxford Economics, o verão de 2021 será “semelhante ou ligeiramente superior ao do ano passado”, mas “continuará a ser apoiado por uma parcela doméstica mais forte do que o normal, já que as restrições internacionais serão as últimas a serem removidas e as pessoas permanecerão relutantes em viajar para o exterior”.

Os analistas da Oxford Economics admitem mesmo “não esperar uma recuperação total das exportações de serviços, incluindo turismo, aos níveis anteriores à crise até pelo menos o início de 2023”.

O mais recente briefing reforça que o setor do turismo foi um dos mais atingidos pela crise do coronavírus, com as chegadas de turistas aos países mediterrânicos a registar quebras entre os 60% e 80%, em 2020. Com a atividade a verificar uma recuperação parcial durante o verão de 2020 quando algumas restrições foram amenizadas, “o colapso do turismo contribuiu para quedas massivas do PIB de 8%-11% em Itália, Espanha, Portugal e Grécia em 2020, ficando acima da descida média de 6,8% da zona do euro.

Com os números a demonstrarem que a atividade turística representa uma parte considerável da economia na Itália, Espanha, Portugal e Grécia, o setor do turismo é responsável por entre 6% e 8% do PIB destes países diretamente e por mais 8% a 13% indiretamente, representando uma componente importante das exportações de serviços.

“Esperamos alguma recuperação na atividade turística do final do segundo trimestre e início do terceiro trimestre de 2021, como as restrições são gradualmente atenuadas, permitindo a retomada da mobilidade, mas a perspetiva de recuperação para o setor de turismo permanece turvo”, salientam os analistas. O serviço de turismo da Oxford Economics, antevê “um crescimento anual substancial nas chegadas internacionais à Europa durante 2021, que são muito relevantes para os países mediterrânicos, mas o total de noites na região continuará a permanecer mais de um terço abaixo dos níveis de 2019”.

Viagens domésticas recuperaram primeiro e dão suporte à recuperação do setor
Esta análise não é, contudo, uma novidade, já que recentemente a Oxford Economics já tinha destacado a importância da componente doméstica das viagens na recuperação do turismo em 2021. “Na verdade, os países com maior resiliência tendem a ser mais dinâmicos em 2021 e 2022”, admitem os analistas. Mas as preferências dos consumidores em relação a viagens, uma vez levantadas as restrições, também terão um grande papel na recuperação dos gastos com turismo, esperando a Oxford com “os padrões de consumo normalizem rapidamente”, embora reconheça que “para os países mediterrânicos as oportunidades de crescimento são limitadas este ano”.

Com a parcela doméstica de viagens a aumentar significativamente de janeiro a novembro de 2020, em comparação com os anos anteriores, “os países mediterrânicos são mais vulneráveis, pois enfrentam riscos maiores, já que suas indústrias de turismo seriam altamente impactadas por restrições prolongadas em viagens internacionais”, destaca a Oxford Economics.

A dependência da vacina par ao turismo internacional
Reconhecendo que os países mediterrânicos registem uma “recuperação significativa” da indústria do turismo durante 2021, as estimativas da Oxford Economics é que “os níveis permanecerão abaixo dos de 2019”, esperando “uma recuperação total das exportações de serviços aos níveis pré-pandêmicos no início de 2023”.

“A recuperação do setor de viagens pode ser muito mais lenta se a situação de saúde não melhorar significativamente nos próximos meses, o que significa que as taxas de infeção permanecem altas e o lançamento da vacina na Europa enfrenta mais atrasos e problemas logísticos”, destaca a análise. Nesse caso e com as perdas no setor das viagens a ser mais significativo, os países mediterrâneos, que dependem de uma grande parcela do turismo externo, provavelmente, teriam um desempenho muito pior do que o cenário base traçado para a recuperação. “Consideramos que a evolução do setor do turismo apresente o maior risco de queda nas nossas previsões para o sul da Europa”, conclui a análise da Oxford Economics.

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Foto: Depositphotos.com

Análise

Bain & Company dá “longa vida ao luxo”, também nas viagens

O estudo anual Bain-Altagamma “Luxury Goods Worldwide Market Study” projeta um novo recorde à medida que os gastos com experiências recuperam para máximos históricos, alimentados por um ressurgimento das interações sociais e viagens.

Victor Jorge

Apesar das condições macroeconómicas desafiadoras, “Luxury Goods Worldwide Market Study”, estudo anual realizado pela Bain & Company e a Fondazione Altagamma (associação comercial dos fabricantes italianos de artigos de luxo) e que vai na 22.ª edição, estima que o mercado global de luxo atingiu 1,5 biliões de euros, em 2023, um crescimento de 8% a 10% em relação a 2022 nas taxas de câmbio atuais (11% a 13% nas taxas de câmbio constantes), estabelecendo um recorde para o setor e provando a sua resiliência incomparável.

A indústria de luxo global, monitorizada pela Bain & Company, compreende nove segmentos, liderados por automóveis de luxo, hotelaria de luxo e bens de luxo pessoais, que, em conjunto, representam mais de 80% do mercado total. O crescimento da despesa total foi consistente com a taxa de crescimento em 2022 e traduziu-se num aumento de quase 160 mil milhões de euros na despesa em todos os segmentos de luxo. Em particular, as despesas com experiências recuperaram para máximos históricos, alimentadas por um ressurgimento das interações sociais e das viagens.

O mercado de bens de luxo pessoais – o “núcleo do núcleo” dos segmentos de luxo e o foco da análise – continuou a crescer e é provável que tenha atingido 362 mil milhões de euros em 2023, 4% acima de 2022 às taxas de câmbio atuais (8% a taxas de câmbio constantes). No entanto, o desempenho do mercado abrandou trimestre a trimestre e a incerteza manteve-se no quarto trimestre, com sinais divergentes provenientes de um mercado chinês em reaceleração e de mercados em desaceleração nos EUA e na Europa.

Este abrandamento resultou numa crescente polarização do desempenho. Em 2023, a Bain & Company e a Fondazione Altagamma estimam que cerca de dois terços das marcas registaram crescimento (vs. 95% em 2022). A rentabilidade média estabilizou como resultado das forças de contrapeso da pressão inflacionária e do investimento contínuo para o futuro contra a elevação sustentada dos preços.

Ásia e Europa impulsionaram o luxo até 2023
As compras globais de turistas de luxo quase voltaram aos níveis pré-pandémicos em valor absoluto, mas o potencial de crescimento permanece (em particular, para recuperar a quota de mercado pré-Covid-19).

A Ásia marcou o ritmo de crescimento graças à forte procura interna e a um novo afluxo de turistas chineses em toda a região. O Japão registou uma forte expansão devido aos clientes locais e a um iene fraco que favoreceu os fluxos turísticos. A China continental, por sua vez, registou um bom desempenho após a reabertura do primeiro trimestre, mas abrandou progressivamente à medida que surgiam novas preocupações macroeconómicas.

Os países do Sudeste Asiático registaram uma dinâmica positiva devido ao forte turismo intra-regional e ao interesse crescente dos consumidores locais, especialmente na Tailândia. Em contrapartida, a Coreia do Sul enfrentou um ano difícil, com fatores macroeconómicos desfavoráveis que abrandaram o consumo local, uma moeda forte que levou os turistas a comprar noutros locais e saídas de turistas coreanos para destinos internacionais.

A Europa continuou a beneficiar da progressiva retoma do turismo, o que estimulou o crescimento em todos os países, com as estâncias turísticas a atraírem os grandes consumidores, a par das principais cidades de luxo. Apesar de a instabilidade macroeconómica ter afetado os clientes locais, os principais clientes mantiveram uma dinâmica positiva que impulsionou o crescimento do mercado.

Enquanto isso, a região das Américas desacelerou ao longo do ano, registando uma queda de 8% em relação a 2022, uma vez que a incerteza generalizada afetou os gastos dos clientes aspiracionais. Os clientes de topo permaneceram confiantes, mas transferiram as suas despesas para o estrangeiro, uma vez que o dólar americano permaneceu forte em relação ao euro e os diferenciais de preços favoreceram as compras no estrangeiro.

No resto do mundo, a Arábia Saudita acelerou, atraindo investimentos de grandes marcas de luxo, e a Austrália proporcionou um terreno fértil para o crescimento.

O que se segue para o luxo em 2024 e nos anos seguintes?
Assim, coloca-se a questão do que se seguirá para o mercado do luxo em 2024 e anos seguintes? A pesquisa da Bain & Company e da Fondazione Altagamma sugere “um desempenho relativamente suave dos bens de luxo pessoais em 2024, alcançando um crescimento baixo a médio de um dígito em relação a 2023, com base nos cenários atuais”.

Olhando para 2030, “os fundamentos sólidos estão preparados para continuar a impulsionar o crescimento do mercado, apesar de possíveis solavancos ao longo do caminho”, antecipa a análise.

“Num mercado cada vez mais concorrido, as marcas devem concentrar-se na criatividade e na inovação para aumentar a relevância para os consumidores, com o objetivo final de continuar a expandir as suas bases de clientes, cultivando simultaneamente os amantes da marca”, referem os autores do estudo.

“Num período de desaceleração do crescimento, as marcas terão também de prestar atenção aos níveis de lucro e controlar os custos em toda a cadeia de valor. Isto pode incluir iniciativas que visem uma maior precisão do planeamento empresarial e da previsão da procura com a ajuda da inteligência artificial, uma gestão de inventário mais rigorosa, a variabilidade dos custos e muito mais”, assinalam ainda.

Assim, antecipam “uma nova época de fusões e aquisições, nascida da necessidade de enfrentar os principais desafios da indústria – por exemplo, para apoiar o crescimento da categoria, expandir-se numa nova geografia ou assegurar o controlo de recursos críticos ou de know-how”.

A liderança em sustentabilidade e a adoção de tecnologia continuarão a ser fundamentais, em particular, para redesenhar as configurações da cadeia de fornecimento para uma maior transparência, agilidade, resiliência e uma menor pegada de carbono.

Olhando para o futuro, a Bain & Company e a Fondazione Altagamma esperam que as despesas globais com o luxo registem um crescimento sólido de 4% a 8% por ano, passando dos atuais 1,5 biliões de euros para 2,5 biliões de euros em 2030.

Os “luxos” de 2023

• O mercado global de luxo monitorizado pela Bain & Company inclui nove segmentos: automóveis de luxo, bens pessoais de luxo, hotelaria de luxo, vinhos e bebidas espirituosas de qualidade, comida gourmet e refeições requintadas, mobiliário e artigos para a casa de alta qualidade, arte requintada, jatos e iates privados e cruzeiros de luxo. Os automóveis de luxo, a hotelaria de luxo e os bens de luxo pessoais representam, em conjunto, 80% do mercado total. Estimamos que em 2023 o valor global das vendas a retalho do mercado de luxo tenha crescido para 1,51 biliões de euros, um aumento de 11% a 13% em relação a 2022 a taxas de câmbio constantes, em linha com a taxa de crescimento do ano passado de 12% em relação a 2021. Todos os segmentos de luxo cresceram e finalmente fecharam a lacuna com os níveis pré-Covid-19 (incluindo a hotelaria de luxo, que tem sido a mais lenta a recuperar). Desde 2019, as Américas e a Ásia têm sido as duas principais fontes de crescimento das despesas globais de luxo.
• As vendas de automóveis de luxo, a maior parte do mercado global, bateram um novo recorde, atingindo um valor estimado de 635 mil milhões de euros, mais 12% do que em 2022 às taxas de câmbio atuais e 15% acima de 2019. Após anos de crescimento limitado devido a perturbações na cadeia de abastecimento, os automóveis de luxo registaram uma expansão substancial em todos os segmentos, com base numa robusta carteira de encomendas. O segmento de luxo absoluto registou o crescimento mais rápido devido ao aumento da procura de soluções ultra-personalizadas, confirmando o interesse contínuo em grupos motopropulsores sustentáveis. O segmento de aspiração cresceu de forma constante, impulsionado pela crescente popularidade dos veículos elétricos. Nos segmentos acessíveis, os novos operadores do mercado asiático ganharam terreno devido à alteração da lealdade dos consumidores na região. Todas as marcas continuam a esforçar-se por estabelecer relações mais diretas com os seus clientes para melhorar as experiências de compra e pós-venda. O papel do comércio eletrónico expandiu-se, tornando-se um canal de compra cada vez mais relevante.
• O mercado da hotelaria de luxo aumentou para um valor estimado de 213 mil milhões de euros. Ultrapassou, finalmente, os seus níveis anteriores à COVID-19, impulsionado pelo aumento da ocupação e pela estabilização da taxa média diária. Os EUA e a América Latina registaram uma dinâmica positiva, impulsionada pelo turismo intrarregional. A China manteve-se abaixo dos níveis pré-pandémicos, apesar da reabertura das fronteiras. Em todas as regiões, as expectativas dos consumidores estão a aumentar à medida que as tarifas dos quartos se estabilizam em níveis mais elevados do que no passado. Assistimos a um aumento do apetite por experiências únicas, personalizadas e transformadoras que promovem uma “desconexão” da vida normal. Os indivíduos com um património líquido elevado e ultra-elevado têm expectativas de experiência mais elevadas do que as comodidades de luxo tradicionais. A consciência do impacto, particularmente entre as gerações mais jovens, favorece experiências mais autênticas e culturalmente imersivas e acelera as práticas sustentáveis. O aumento das expectativas de serviço exige novas soluções tecnológicas e a utilização de dados.
• As vendas de vinhos finos e bebidas espirituosas atingiram 100 mil milhões de euros, um aumento de 5 % em relação a 2022. Os vinhos finos registaram um crescimento moderado, com o ressurgimento das interações sociais e das ocasiões de convívio parcialmente prejudicado por uma diminuição dos consumidores aspiracionais. Os vinhos espumantes e rosés registaram a dinâmica mais forte. As bebidas espirituosas seguiram uma trajetória ascendente; no entanto, registaram-se variações acentuadas entre as bebidas espirituosas orientadas para a meditação (em casa), que desaceleraram, e as bebidas espirituosas orientadas para a mixologia (fora de casa), que aceleraram. Enquanto o conhaque e o uísque foram afetados pela redução do tempo passado em casa e pela normalização do consumo nos EUA, as bebidas espirituosas à base de agave mantiveram uma forte dinâmica, roubando “quota de garganta” aos gins em ocasiões de mixologia.
• Os produtos alimentares gourmet e a restauração requintada cresceram 10% às taxas de câmbio atuais, atingindo 69 mil milhões de euros. O forte crescimento da restauração requintada deve-se principalmente ao crescimento de um segmento de “entretenimento é a estrela”.
• O mercado do mobiliário e dos artigos para a casa de gama alta manteve-se estável em 53 mil milhões de euros. Após o hipercrescimento pós-pandemia, o segmento normalizou, com o arrefecimento do mercado imobiliário, embora os projetos residenciais de gama alta tenham continuado a demonstrar uma notável resiliência.
• O mercado das belas-artes cresceu 2% para 42 mil milhões de euros. Os leilões públicos sofreram uma quebra gradual, atribuível a um mercado letárgico nos EUA e às recentes perturbações geopolíticas, agravadas por um desempenho inconsistente na Ásia. Em contrapartida, os concessionários expandiram-se, alargando as suas localizações físicas à medida que os colecionadores procuram interações pessoais na era pós-Covid-19. É notória uma mudança para a Geração Y e para a clientela feminina, alimentando um interesse por temas relacionados com a diversidade, a equidade e a inclusão (DEI) e favorecendo o canal online. Após um aumento contínuo dos preços nos anos anteriores, apenas algumas obras-primas mantiveram as suas avaliações previstas em 2023.
• As vendas de iates e jatos privados aumentaram 11% às taxas de câmbio atuais em relação a 2022, atingindo 29 mil milhões de euros. Os iates de luxo continuaram a crescer, impulsionados por uma forte carteira de encomendas acumulada nos anos anteriores. A Europa confirmou o seu papel como região-chave, enquanto os EUA e a China registaram um crescimento mais lento devido a fundamentos macroeconómicos mais difíceis. O mercado dos jatos privados também continuou a crescer, impulsionado pelo crescente entusiasmo por designs de interiores personalizados e pelo interesse crescente em modelos de propriedade partilhada e combustíveis de aviação sustentáveis.
• O mercado de cruzeiros de luxo atingiu 4 mil milhões de euros, mais do que duplicando a partir de 2022, com o levantamento das restrições relacionadas com a pandemia. Os consumidores afirmaram interesse no novo segmento de ultra-luxo, bem como em viagens não convencionais. Vários operadores de hotelaria e viagens de luxo entraram progressivamente no segmento, com um navio já lançado e mais de cinco planeados para um futuro próximo.

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O que foi 2023 e o que será 2024 no setor dos transportes

Com a pandemia já ultrapassada, os transportes estão a regressar à normalidade e, no ano passado, tanto a aviação, como os cruzeiros ou o rent-a-car já apresentaram resultados mais parecidos com os de 2019. Por isso, as perspectivas para 2024 estão em alta, caso não haja mais instabilidade nacional ou internacional, ainda que muitos dos desafios de 2023 se devam manter em 2024.

Inês de Matos

Aviação, cruzeiros e rent-a-car viveram um ano positivo em 2023. Com a pandemia já ultrapassada, o Publituris foi ouvir as associações que representam companhias aéreas, empresas de rent-a-car e companhias de cruzeiros que operam em território nacional e que deixam a certeza de que a recuperação está em curso, com aumentos na oferta e também na procura. Não é, por isso, de estranhar que também as expectativas para 2024 estejam em alta e que as previsões sejam positivas, apesar dos muitos desafios que continuam a existir, alguns dos quais, como o esgotamento do Aeroporto de Lisboa, já com vários anos e que promete manter-se por mais alguns. Além do aeroporto, também o aumento da inflação e dos preços, a sustentabilidade, a instabilidade das guerras e na política nacional, são desafios que prometem manter-se e voltar a marcar também o ano de 2024.

Aviação com números encorajadores e boas perspectivas
Na aviação, 2023 foi um ano de “recuperação” e de “relançamento da atividade”, mas que ainda não permitiu falar num regresso à “normalidade”, diz ao Publituris Paulo Geisler, presidente da RENA – Associação das Companhias Aéreas em Portugal.

“Os números são encorajadores, demonstram que Portugal tem crescido bem, melhor até que outros destinos como Espanha e Itália, mas ainda não se pode falar de normalidade”, afirma o responsável. Por isso, Paulo Geisler diz que, em 2023, prefere focar-se “na resiliência e solidez do setor e na forma eficiente como reagiu à adversidade”, uma vez que, “em termos globais, os números demonstram que a oferta está a aproximar-se do nível de 2019 e que tem havido bastante procura pelo destino Portugal”.

2023 trouxe novas companhias e rotas para Portugal. É possível que, em 2024, a oferta seja melhor e maior, pois essa tem sido a trajetória”, Paulo Geisler, RENA

Apesar disso, o presidente da RENA lembra que a recuperação não tem sido homogénea, uma vez que há “reações a ritmos distintos”, ainda que a maioria das companhias aéreas que opera em Portugal já tenha reposto a oferta existente antes da pandemia.

Em Portugal, o maior desafio para as companhias aéreas continuou, em 2023, a ser o Aeroporto de Lisboa, com Paulo Geisler a defender que “operar numa infraestrutura congestionada como Lisboa” é “muito difícil e exigente”. “É uma operação de risco”, considera o responsável, que volta a criticar a saturação da infraestrutura e que se mostra ainda preocupado com o impacto da inflação e do aumento dos custos na aviação. “O segundo desafio diz respeito à inflação e à subida do custo das matérias-primas, algo que é generalizado e que não deixa também de afetar o nosso setor e as respetivas margens”, explica.

Apesar disso, o presidente da RENA considera que “Portugal continua a fazer um bom trabalho em termos de promoção do destino e é gratificante ver que o mercado está a responder positivamente”. Para Paulo Geisler, o país ainda tem “margem de crescimento, em especial no Porto”. “É importante que esta oportunidade seja aproveitada por todos os operadores para fazer crescer ainda mais o destino Portugal”, acrescenta.

Para 2024, o responsável mostra-se confiante e diz que as companhias aéreas representadas pela RENA esperam “uma subida moderada, caso não haja alterações no atual contexto económico e na situação geopolítica”. “2023 trouxe novas companhias e rotas para Portugal. É possível que, em 2024, a oferta seja melhor e maior, pois essa tem sido a trajetória”, explica o responsável, apesar de realçar que esta é “uma decisão que cabe a cada companhia aérea associada e sobre a qual a RENA não tem visibilidade”.  Ainda assim, o responsável explica que também a “previsão da IATA aponta para um crescimento moderado” da procura por transporte aéreo em Portugal.

Mas 2024 deverá trazer igualmente desafios à aviação, desde logo por causa do Aeroporto de Lisboa, com Paulo Geisler a prever dificuldades de “acesso à infraestrutura”, que está “congestionada e é cara”, pois também apresenta “taxas aeroportuárias muito acima do que seria desejável”, sem esquecer os desafios associados à “componente ambiental”. “A União Europeia (UE) impôs metas ambiciosas em termos de utilização de formas de combustível sustentável. É assim essencial criar condições para que Portugal possa responder a estas exigências”, defende Paulo Geisler, que espera, no entanto, que seja possível “continuar a trajetória de crescimento e aproveitar mais as sinergias criadas, evitando criar obstáculos e limitações à atividade dos operadores”.

Desafios múltiplos deixam rent-a-car apreensivo
Ano positivo viveu também o rent-a-car, com a ARAC – Associação Nacional dos Locadores de Veículos a fazer um balanço positivo de 2023. “Foi um ano praticamente ao nível de 2019, no que diz respeito a faturação, em que houve um ligeiro aumento, mas com menos carros, o que fez catapultar o aluguer para um preço médio por dia um pouco maior”, disse ao Publituris Joaquim Robalo de Almeida, secretário-geral da associação que representa o rent-a-car.

Apesar do aumento do preço dos novos veículos e dos custos com os recursos humanos, o rent-a-car viveu um ano positivo, que trouxe uma “faturação ligeiramente mais elevada do que em 2022”, ainda que o setor tenha também assistido à diminuição do período de aluguer. “Os turistas estão a alugar carros durante menos tempo”, admitiu Joaquim Robalo de Almeida, explicando que esta quebra foi essencialmente sentida durante o mês de agosto, o que se pode explicar com a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que trouxe a Lisboa mais de um milhão de peregrinos mas desmotivou a vinda dos turistas. “Os turistas não vieram por causa da JMJ, em que houve uma série de zonas da cidade condicionadas”, atribui o responsável.

[2024] Poderá ser um ano difícil porque, seguramente, vamos ter taxas de juro mais altas, porque os automóveis ficam mais caros e o turismo não deverá crescer muito porque o aeroporto de Lisboa está a rebentar pelas costuras”, Joaquim Robalo de Almeida, ARAC

Apesar da menor procura em agosto, o secretário-geral da ARAC diz que, “no resto do ano, o mercado voltou a animar”, sobretudo no Porto, que “continuou a ter uma ocupação bastante razoável e com preços mais atrativos para o fornecedor”.

Apesar dos bons resultados, 2023 ainda não permitiu resolver muitos desafios que se colocam a esta atividade, a exemplo da fiscalidade, o que leva Joaquim Robalo de Almeida a sublinhar que o “setor automóvel português continua a ter os impostos mais altos da Europa”, o que é uma desvantagem face às condições mais vantajosas existentes em Espanha, por exemplo, com o responsável a queixar-se ainda do IVA. “Já era tempo de passarmos para a taxa intermédia, só pedimos isto para os carros alugados num âmbito turístico”, explica.

Na falta de resposta a estes temas, Joaquim Robalo de Almeida prevê que estes sejam alguns dos desafios que se devem voltar a colocar ao rent-a-car já em 2024, que vai ficar ainda marcado pela escolha da localização para o novo Aeroporto de Lisboa. “Precisamos de um aeroporto mas a solução apontada pela Comissão Técnica Independente leva muito mais tempo e sai muito mais cara”, lamentou o responsável, que tal como todo o setor do turismo pede brevidade na solução deste tema.

Com tantos desafios, o rent-a-car está, por isso, apreensivo e o secretário-geral da ARAC diz mesmo que “não há assim perspectivas muito boas” para 2024. “Poderá ser um ano difícil porque, seguramente, vamos ter taxas de juro mais altas, porque os automóveis ficam mais caros e o turismo não deverá crescer muito porque o Aeroporto de Lisboa está a rebentar pelas costuras”, resume Joaquim Robalo de Almeida, que aponta ainda a instabilidade trazida pelas guerras na Ucrânia e em Gaza, assim como a situação política que também Portugal está a viver como problemas que podem ter impacto nos resultados de 2024.

Cruzeiros regressam à trajetória de crescimento
Nos cruzeiros, 2023 também trouxe notícias positivas. Segundo Nikos Mertzanidis, diretor de portos e destinos da CLIA – Associação Internacional de Companhias de Cruzeiros, “o setor dos cruzeiros continua a crescer e as perspectivas são excelentes”. “Após três anos de operações reduzidas, em 2023 regressámos à nossa trajetória de crescimento pré-pandemia. Prevê-se que o turismo de cruzeiros atinja 106% dos níveis de 2019 em 2023 – com 31,5 milhões de passageiros”, resume o responsável em declarações ao Publituris.

Nikos Mertzanidis diz que “a intenção de fazer viagens de cruzeiro é agora maior do que era antes da pandemia”, o que é um excelente indicador para este setor que, em 2023, cresceu dois pontos percentuais na quota de passageiros na Europa.

Os cruzeiros temáticos são uma certeza, tornaram-se locais onde os passageiros partilham paixões e interesses comuns entre si. Acredito que este tipo de segmentação e especialização continuará nos anos vindouros”, Nikos Mertzanidis, CLIA

Este crescimento foi comum aos portos portugueses, com destaque para o Porto de Lisboa, que terá terminado o ano com 360 ​​escalas e 720 mil passageiros, enquanto Leixões terá registado, no ano passado, 130 escalas de navios de cruzeiro, prevendo-se que, em 2024, mais de 35 diferentes operadores de navios de cruzeiro marítimos venham a instalar os seus navios no Porto de Leixões. Já na Madeira, os dados apontam para 300 escalas de navios de cruzeiro com quase 630 mil passageiros, com o responsável da CLIA a assinalar que, nesta região autónoma, a “indústria de cruzeiros é uma fonte estável de rendimento para os residentes das ilhas da Madeira, que deverão receber em 2023 um total de mais de 1,5 milhões de turistas”. Positivos foram ainda os números dos portos açorianos, que devem ter terminado 2023 com um total de 190 escalas e 160 mil passageiros.

A sustentabilidade e o maior envolvimento das comunidades visitadas foram, de acordo com Nikos Mertzanidis, os principais desafios que se colocaram, em 2023, aos cruzeiros, com o responsável a revelar que, no caso da sustentabilidade, a CLIA “está a tomar medidas práticas para reduzir as emissões dos navios, o que já está a fazer uma verdadeira diferença”, ao mesmo tempo que está a “explorar caminhos viáveis” ​​para alcançar as zero emissões até 2050.

Já no que diz respeito à relação entre os cruzeiros e os destinos visitados, o responsável alerta que, apesar dos cruzeiros ajudarem “a promover a região como destino”, é preciso ter uma estratégia sólida e a longo prazo, que envolva diversos atores e autoridades, para conciliar o crescimento dos cruzeiros com os destinos. “Serão necessários investimentos em infraestruturas, docas, terminais, abastecimento e receção e tratamento de resíduos para entrar nesta nova era nos próximos anos”, prevê o diretor da CLIA.

Nikos Mertzanidis estima que, em Portugal, os cruzeiros vão continuar a crescer, especialmente na região Norte, o que poderá levar ao “desenvolvimento de novas infraestruturas e comodidades, como a ampliação das instalações portuárias e melhores ligações de transporte”.

Para 2024, está já confirmada a chegada de oito novos navios de companhias de cruzeiros representadas pela CLIA – cinco dos quais movidos a Gás Natural Liquefeito (GNL) – e Nikos Mertzanidis revela que, nos próximos cinco anos, estão previstas mais 36 embarcações, num investimento total que chega aos 58,5 mil milhões de euros.
Em 2024, está ainda prevista a “implementação de uma série de regulamentos vinculativos para os operadores de cruzeiros na Europa”. “Por exemplo, a partir de 1 de janeiro de 2024, cada tonelada de CO2 emitida por uma companhia será tributada”, invoca Nikos Mertzanidis, congratulando-se com o facto de esta iniciativa permitir “estabelecer um quadro regulamentar comum muito preciso”. Segundo o responsável, “até ao momento, cada país ou cada companhia lidou com este assunto à sua maneira. A partir de agora, a regra é conhecida e os armadores poderão planear as suas operações em conformidade”.

2024 deverá ainda trazer oportunidades a este setor que, a exemplo de 2023, espera a afirmação de novas tendências. Se no ano que agora terminou o destaque foi para os cruzeiros familiares multigeracionais, que têm permitido reduzir a idade média dos passageiros, mas também para a ascensão dos cruzeiros de luxo, que oferecem experiências assentes na exclusividade, este ano devem ser os cruzeiros temáticos a conhecer maior afirmação. “Os cruzeiros temáticos são uma certeza, tornaram-se locais onde os passageiros partilham paixões e interesses comuns entre si. Acredito que este tipo de segmentação e especialização continuará nos anos vindouros”, concluiu.

Sobre o autorInês de Matos

Inês de Matos

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E o que foi 2023 e o que será 2024 – Adriano Portugal (Mercado das Viagens)

Para Adriano Portugal, diretor-geral do Mercado das Viagens, foi um ano de “consolidação e redefinição de estratégias”. Já 2024 passará, segundo o mesmo, por “saber adaptarmo-nos à revolução tecnológica”, deixando os pedidos para uma redução na carga fiscal para as empresas e famílias e “que seja criado um Ministério do Turismo”.

Findo o exercício de 2023, que balanço faz deste ano?
Foi um ano de consolidação e redefinição de estratégias. Os objetivos foram cumpridos e até superados.

Na sua perspectiva, o que faltou concretizar no setor do turismo neste ano de 2023?
Criar as condições necessárias que prestigiem a nossa profissão. Continuamos a assobiar para o lado.

Como antevê o ano de 2024 em termos económicos?
Os conflitos bélicos, instabilidade política e as das taxas de juros elevadas, podem desacelerar a económica na procura das viagens.  Sendo transversal a todos a falta de pessoas qualificadas no turismo.

E que desafios terá o setor do turismo em 2024?
Saber adaptarmo-nos à revolução tecnológica! Encontrar nas novas tecnologias um poderoso aliado sustentado numa legislação que proteja tudo e todos e não só o consumidor.

O que gostaria de ver concretizado em 2024?
O fim dos conflitos que se têm vindo propagar pelo mundo e mais estabilidade social e económica! O resto vem por acréscimo.

A fazer um pedido ao Governo que sairá das eleições de 10 de março de 2024, qual seria?
Mais do que este, que o próximo Governo (seja ele qual for) baixe a carga fiscal às empresas e às famílias. Por fim, que seja criado um Ministério do Turismo.

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O que foi 2023 e o que será 2024 – Ricardo Teles (Bestravel)

Depois de uma ano, agora terminado, em que “faltou existir uma ação mais fiscalizadora de algumas ações que prejudicam o normal funcionamento do turismo”, Ricardo Teles, diretor Operacional da Bestravel, tem somente um pedido ao novo Executivo: “poder contar com um Ministério do Turismo”.

Findo o exercício de 2023, que balanço faz deste ano?
O ano de 2023 foi um ano muito exigente, com diversos desafios externos, sejam eles de caráter operacional, como os constantes atrasos e/ou cancelamentos derivados da notória falta de capacidade do Aeroporto de Lisboa (mas não só) ou de caráter geopolítico, com as guerras existentes. No entanto, no universo Bestravel foi um ano extremamente positivo, nomeadamente em termos de vendas, na sequência do que já tinha acontecido em 2022. Continuámos com uma subida acelerada, o que nos permite afirmar que 2023 foi um bom ano para a Bestravel.

Na sua perspectiva, o que faltou concretizar no setor do turismo neste ano de 2023?
Faltou existir uma ação mais fiscalizadora de algumas ações que prejudicam o normal funcionamento do Turismo concorrencial. É essencial que esta fiscalização exista dentro de um setor tão pujante, mas que não pode perder nunca a sua credibilidade perante o consumidor.

Como antevê o ano de 2024 em termos económicos?
Este foi um ano com diversos desafios neste âmbito, com a subida das taxas de juros a níveis bastante altos e com a incerteza de até onde iriam. As notícias nesta reta final de ano têm sido algo mais animadoras nesta questão, primeiro com a sua estagnação, e com a perspectiva de baixa ainda durante o ano de 2024. Também os anunciados aumentos salariais se refletirão numa maior disponibilidade financeira para viajar, portanto olhamos para 2024 com otimismo.

E que desafios terá o setor do turismo em 2024?
Como enormes desafios para 2024 mantém-se as questões das guerras que alastram por algumas zonas do globo, bem como alguma instabilidade em outras zonas. Esta insegurança, que pode alastrar a países vizinhos dos conflitos, são sempre, para além do drama óbvio para os povos, muito negativos para o setor das viagens. Mas o Turismo tem sabido reinventar-se e adaptar-se.

O que gostaria de ver concretizado em 2024?
Julgo que, tal como todos os portugueses, gostaria de ver finalmente escolhido e lançado o projeto de construção do novo aeroporto de Lisboa, essencial para um normal funcionamento do Turismo de outgoing. Temos todos, em conjunto, conseguido arranjar alternativas, mas a situação tende a agravar-se ano após ano.

A fazer um pedido ao Governo que sairá das eleições de 10 de março de 2024, qual seria?
A poder somente efetuar um pedido, seria a de voltarmos a poder contar com um Ministro do Turismo. Estamos a falar de um setor essencial para a recuperação da economia nacional no pós-Covid, mas que continua a ser algo desprezado em termos políticos. Seria essencial uma voz mais forte que permitisse que o Turismo estivesse sempre nas primeiras linhas de discussão e com alguém que estivesse unicamente centrado no mesmo, ao invés de estar perdido no meio de tantas outras atividades.

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O que foi 2023 e o que será 2024 – Paulo Mendes (GEA Portugal)

Com a espera relativamente à decisão sobre a localização do novo aeroporto de Lisboa em destaque, situação que “limita o crescimento das operações charter”, Paulo Mendes, diretor de Contratação e Produto da GEA Portugal, pede “estabilidade política” e uma “maior proximidade com o setor turístico”.

Findo o exercício de 2023, que balanço faz deste ano?
Olhando para o ano de 2023 e fazendo um balanço, podemos dizer que foi um ano extremamente positivo no Grupo GEA. As redes de agências associadas ao Grupo GEA registaram, em termos de produção de lazer, um crescimento de 32%. Apesar de existirem muitos desafios externos, quer em termos económicos, sociais e geopolíticos, internamente podemos dizer que estamos muito entusiasmados com os resultados conquistados em 2023.

Na sua perspectiva, o que faltou concretizar no setor do turismo neste ano de 2023?
O que faltou concretizar em 2023 foi algo que também não se tendo vindo a concretizar nos anos anteriores e assume cada vez mais um carácter de urgência: o aeroporto de Lisboa, para o qual se exige uma solução iminente.

Como antevê o ano de 2024 em termos económicos?
Acreditamos que, partindo do pressuposto que a inflação está controlada e as taxas de juros estáveis, embora altas, o comportamento da procura vai-se manter similar em 2024. No entanto, não podemos descurar que a instabilidade política e os conflitos geopolíticos de guerra têm sempre um impacto sobre o comportamento do consumidor, podendo criar um clima de retração.

E que desafios terá o setor do turismo em 2024?
Como referido anteriormente há uma situação que assume carácter de urgência e com a qual estamos preocupados:  a capacidade aeroportuária em Lisboa. A atual situação está a limitar, entre outros temas, o crescimento de operações charter, que são fundamentais para o crescimento nas vendas nas agências de viagens de lazer, que ainda é core da atividade de muitas delas. Adicionalmente, outro desafio será a capacidade do consumidor final de manter o poder de compra para despesas com viagens e lazer.

O que gostaria de ver concretizado em 2024?
Gostava que o ano de 2024 representa-se o início da descida das taxas de juros, isto com o objetivo de aumentar o poder de compra das famílias portuguesas, para que possam ter mais momentos de lazer e melhor qualidade de vida. Por outro lado, em 2024 também poderá passar por mais medidas de apoio para o crescimento do tecido empresarial do setor turístico português.

A fazer um pedido ao Governo que sairá das eleições de 10 de março de 2024, qual seria?
Em termos políticos, o pedido seria a estabilidade governativa, que tem sempre impacto socioeconómico, nomeadamente, na confiança de consumo dos portugueses. Ainda a nível governativo, pediria maior proximidade com o setor turístico.

 

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André Gomes, Presidente da Região Turismo do Algarve. Loulé, 22 Agosto 2023. FOTO: VASCO CÉLIO/STILLS

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O que foi 2023 e o que será 2024 – André Gomes (Algarve)

Ultrapassando, pela primeira vez, os 1.500 milhões de euros em receitas, o presidente do Turismo do Algarve, André Gomes, destaca os números alcançados no aeroporto de Faro. As preocupações estão na manutenção do equilíbrio entre o turismo sazonal e a criação de iniciativas que atraiam visitantes durante todo o ano, bem como a escassez de água.

Victor Jorge

Findo o exercício de 2023, que balanço faz deste ano?
No contexto do Algarve, o ano de 2023 foi muito desafiador para o setor do turismo. O balanço geral é positivo, com aumentos nos hóspedes e nos proveitos, que já ultrapassaram os valores registados em 2019, e melhor desempenho a nível de todos os indicadores relativamente a 2022.

Feitas as contas, no final deste ano a região deverá regressar à fasquia dos 5 milhões de hóspedes e 20 milhões de dormidas e, pela primeira vez, o Algarve ultrapassa os 1500 milhões de euros de proveitos anuais no alojamento turístico. O Aeroporto de Faro atinge números impressionantes, superando as melhores expectativas, batendo o recorde de passageiros de 2019, de nove milhões de passageiros movimentados.

Na sua perspectiva, o que faltou concretizar no setor do turismo neste ano de 2023?
No Algarve houve um esforço para diversificar a oferta turística, captar novos mercados e promover atividades durante todo o ano. No entanto, ainda há margem para uma maior consolidação de estratégias de turismo sustentável, investimentos em infraestruturas e programas de apoio específicos para mitigar os impactos sazonais da atividade turística na região.

Para que o setor atinja todo o seu potencial é necessário continuar a diversificar a oferta turística, investir na qualificação dos recursos humanos para responder a turistas cada vez mais exigentes e aumentar a capacidade de atração de turistas de longas distâncias, que geram maior receita.

Como antevê o ano de 2024 em termos económicos?
As perspectivas para 2024 são positivas, com margem para crescimento do setor: os impactos da guerra na Ucrânia foram sendo ultrapassados, a inflação está em queda e espera-se que as taxas de juros também comecem a baixar, devolvendo algum poder de compra às famílias portuguesas – o que é uma boa notícia, dada a importância do turismo interno para o setor.

De igual modo, a expansão de rotas aéreas, especialmente para mercados emergentes, é crucial para ampliar a base de visitantes e garantir um crescimento sustentável.

E que desafios terá o setor do turismo em 2024?
No Algarve, uma das principais preocupações será a manutenção do equilíbrio entre o turismo sazonal e a criação de iniciativas que atraiam visitantes durante todo o ano.

A região também enfrentará desafios relacionados com a sustentabilidade ambiental, nomeadamente pela escassez de água, recurso indispensável à atividade turística.

A falta de mão-de-obra qualificada e a necessidade de diversificar a oferta e os mercados turísticos serão outros desafios a superar em 2024.

O que gostaria de ver concretizado em 2024?
No Algarve, é urgente encontrar soluções para aquela que é um dos grandes desafios que o destino enfrenta: a falta de água, uma realidade que se agrava de ano para ano e que ameaça a principal atividade económica da região.

A fazer um pedido ao Governo que sairá das eleições de 10 de março de 2024, qual seria?
O meu pedido ao Governo que sairá das eleições de 10 de março de 2024 é que dê a relevância merecida e aposte no setor do turismo como uma das principais prioridades económicas do país. O turismo é um setor que tem um enorme potencial de crescimento e que pode gerar emprego e riqueza para Portugal como nenhum outro setor.

Sobre o autorVictor Jorge

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O que foi 2023 e o que será 2024 – Luís Henriques (Airmet)

Admitindo que o setor está “claramente em mudança”, Luís Henriques, diretor-geral da Airmet destaca, “apesar de ser tema recorrente”, decisão sobre o novo aeroporto de Lisboa, e pede ao novo Governo “uma redução da carga fiscal”, já que “são as empresas que fazem avançar o país e não o Estado”.

Findo o exercício de 2023, que balanço faz deste ano?
No final de 2022 ninguém arriscava previsões para 2023. O país saía da pandemia, a inflação estava a dar sinais de que não seria facilmente resolvida e todos os sinais apontavam para uma crise generalizada. Surpreendentemente o ano de 2023 foi muito positivo. Há atores que viram neste ano o melhor ano turístico de sempre e conseguiu-se manter a confiança de que este setor é factualmente surpreendente e muito resiliente.

Na sua perspectiva, o que faltou concretizar no setor do turismo neste ano de 2023?
Faltou tomar da decisão do novo aeroporto de Lisboa. Bem sei que é um tema recorrente, mas a verdade é que a falta desta infraestrutura faz com que o país não tenha capacidade para responder à demanda que existe não só no incoming mas igualmente no outgoing.

Como antevê o ano de 2024 em termos económicos?
Os sinais são, à data, positivos. As taxas de juros dão sinais de decréscimo, a inflação está finalmente a ceder embora a economia alemã e os conflitos existentes nos deixem algumas dúvidas sobre o futuro. No entanto parece-me que será um ano positivo em termos económicos e consequentemente muito bom para o setor turístico.

E que desafios terá o setor do turismo em 2024?
O setor está claramente em mudança. Surgem ideias e projetos novos todos os dias e o consumidor é hoje alguém muito sensível ao que as empresas comunicam. Diria que o maior desafio de 2024 e dos próximos anos é que as empresas encontrem uma forma eficiente de comunicar com o cliente. Se há uns anos a presença no online era fundamental, e muitas vezes considerada suficiente, a pandemia veio elucidar-nos de que a relação com o cliente é crucial para que os negócios tenham sucesso sendo este um dos grandes desafios das empresas.

O que gostaria de ver concretizado em 2024?
Gostaria finalmente que se tomasse uma decisão sobre o novo aeroporto de Lisboa. Este tema é fundamental para o crescimento do setor.

A fazer um pedido ao Governo que sairá das eleições de 10 de março de 2024, qual seria?
Que o novo Governo olhe para as empresas e lhes atribua a importância que têm. Temos forçosamente de reduzir a carga fiscal não só para melhorar salários e condições de trabalho aos nossos colaboradores, mas igualmente para estimular a economia e fazer com que surjam mais empresas, com maiores competências gerando assim concorrência e o inevitável desenvolvimento que estas ações geram. A nossa economia tem de criar mais riqueza e só reduzindo a carga fiscal, reduzindo a burocracia e facilitando processo conseguiremos estar preparados para o futuro! Gostaria que tivéssemos um governo que entendesse que são as empresas que fazem avançar o país e não o próprio estado!

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O que foi 2023 e o que será 2024 – José Manuel Santos (Alentejo e Ribatejo)

Considerando que, no ano que terminou, faltou concretizar o “arranque do novo PT 2030 e, por essa via, um apoio mais efetivo ao Turismo”, o presidente Entidade Regional do Turismo do Alentejo e Ribatejo, José Manuel Santos, gostaria de ver, em 2024, uma “redução nos impostos sobre as empresas” e, também, “a normalização do Alojamento Local que vive uma instabilidade desnecessária”.

Victor Jorge

Findo o exercício de 2023, que balanço faz deste ano?
Um excelente ano turístico, de onde se destaca a extraordinária resiliência do mercado nacional e o comportamento impressionante do mercado norte-americano.

Na sua perspectiva, o que faltou concretizar no setor do turismo neste ano de 2023?
Claramente o arranque do novo PT 2030 e por essa via um apoio mais efetivo ao Turismo.

Como antevê o ano de 2024 em termos económicos?
Com um crescimento menor em Portugal, o que espero não seja limitativo da dinâmica do mercado nacional.

A proteção do emprego público e os aumentos salariais devem manter algum poder de compra para o lazer, até porque a inflação parece controlada e o ciclo de subida dos juros com impacte no crédito à habitação estabilizou.

Na Europa deverá assistir-se a um aumento do poder de compra das famílias, de acordo com as previsões da Comissão Europeia. E isso é muito favorável para o nosso turismo. Espero também que os preços mostrem alguns sinais de estabilização.

E que desafios terá o setor do turismo em 2024?
A implementação da Agenda para as Profissões que deveria mobilizar todo o país.

Creio que se deveria apostar num plano nacional para a formação profissional dos imigrantes que se encontram a trabalhar na indústria do turismo.

E é preciso estar atento às questões da segurança.

O que gostaria de ver concretizado em 2024?
A aceleração do PT 2030 com um apoio mais efetivo ao Turismo e uma redução nos impostos sobre as empresas.

E também a normalização do Alojamento Local que vive, a meu ver, uma instabilidade desnecessária.

A fazer um pedido ao Governo que sairá das eleições de 10 de março de 2024, qual seria?
Que o Turismo continue a ser uma prioridade da política económica do país como tem sido até agora.

Sobre o autorVictor Jorge

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O que foi 2023 e o que será 2024 – Carla Salsinha (Lisboa)

Constituindo a porta principal de entrada para os turistas a nível internacional, a presidente da Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa, Carla Salsinha, coloca a tónica na necessidade de uma decisão para o novo aeroporto, bem como o arranque das obras de requalificação e de melhoria da atual infraestrutura aeroportuária.

Victor Jorge

Findo o exercício de 2023, que balanço faz deste ano?
2023 foi um excelente ano. Apesar das incertezas que mundo enfrentou fruto de uma desgastante guerra na Europa Rússia/Ucrânia e do surgimento de um novo conflito mundial que todos desconhecemos virem a ser as suas repercussões e o seu términus, o Turismo conseguiu superar. Será segundo todos os indicadores, quer em número de dormidas e de turistas quer em número de receitas o melhor ano de sempre. Superando o 2019 que antes da pandemia tinha sido o melhor de sempre.

Na sua perspectiva, o que faltou concretizar no setor do turismo neste ano de 2023?
Em termos da Região o desafio a superar é a transversalidade, isto é, a possibilidade de nos milhares de turistas que visitam a região ter a capacidade de possibilitar a sua dispersão pelos diferentes concelhos que compõem a Região de Turismo de Lisboa.

Divulgar os diversos produtos emergentes e o que cada município poderá oferecer de diferente em termos de experiência turística de forma que quem nos visite não só permaneça mais tempo, mas seja impulsionado a uma nova visita para conhecer essa oferta diferenciadora e ainda não tão divulgada. É imperativo que os municípios comecem a ter esta visão de um trabalho concertado e em conjunto, pois não estão a competir entre si, mas sim em apresentar uma oferta agregadora. A nossa dimensão, pequena dimensão, para muitas das nacionalidades que são as nossas apostas, EUA-Canadá-China-Brasil são um dos nossos fatores de valor acrescentado.

Como antevê o ano de 2024 em termos económicos?
A nível mundial será um ano de incerteza fruto dos conflitos a nível mundial. Em termos nacionais os primeiros seis meses serão de alguma instabilidade e indefinição face ao momento político que vivemos. Se tudo correr sem sobressaltos só teremos um novo Governo a partir de maio e apesar do Orçamento aprovado, não nos podemos esquecer que teremos uma Governo de Gestão.

E que desafios terá o setor do turismo em 2024?
Os desafios consistem na diferenciação dos produtos, na oferta conjugada de experiências, e em novas experiências, na qualificação da nossa oferta, mais que destino de massas a nossa aposta deverá ser em nichos, em mercados de consumidores exigentes e que procuram qualidade/diferenciação. Apostar na qualidade para um público que busca o premium.

Outro grande desafio é o equilíbrio entre uma das atividades que tem permitido a sustentabilidade de milhares de empresas e de empregos, e que muito tem contribuído para a requalificação das nossas cidades e o respeito e a qualidade de vida de quem aqui vive.

O que gostaria de ver ser concretizado nos próximos 12 meses?
Para o sector seria a decisão da localização do novo aeroporto. o País já perdeu demasiado tempo e dinheiro em estudos, em avanços e recuos, e como a CTP já demonstrou está diariamente a perder muito dinheiro por não tomarmos uma decisão. Por outro lado, o arranque das obras de requalificação e de melhoria do atual aeroporto, medidas que em conjunto com outras foram apresentadas pela CTI para o curto prazo, e que ajudariam a alterar a perceção de que o nosso aeroporto é um dos piores do mundo.

A fazer um pedido ao Governo que sairá das eleições de 10 de março de 2024, qual seria?
Decisão sobre o aeroporto, fulcral para o Turismo.

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O que foi 2023 e o que será 2024 – Raul Almeida (Turismo do Centro de Portugal)

Com os indicadores a demonstraram que 2023 foi “o melhor de sempre para a atividade turística no Centro de Portugal”, Raul Almeida, presidente da Turismo do Centro, encara como um dos maiores desafios “aumentar a estada média dos turistas na região”. Quanto ao Governo saído das eleições de 10 de março, um pedido: “que deixe as ERT trabalhar, na plenitude das suas funções, consagradas pela Lei de 2013”.  

Victor Jorge

Findo o exercício de 2023, que balanço faz deste ano?
Faço um balanço extremamente positivo. O ano de 2023 foi o melhor de sempre para a atividade turística no Centro de Portugal, em todos os indicadores relevantes para o setor.

A nível das dormidas, 2019 era até agora o ano de referência, com um pouco mais de 7,13 milhões de dormidas. No entanto, até outubro de 2023, as dormidas chegaram já às 6,98 milhões, sendo, pois, previsível que, até ao final do ano, ultrapassem as 7,5 milhões. Será um marco histórico para a atividade turística na região.

A nível das receitas, o acumulado de proveitos totais até outubro, com 405,5 milhões de euros, ultrapassou já o total de todo o ano de 2022, de 388,1 milhões. Note-se que 2022 era o ano de referência neste indicador, pelo que estes números são ainda mais positivos.

Acredito que grande parte destes resultados se deve ao esforço constante em promover a região, assente em eventos, parcerias estratégicas e outras iniciativas, sem esquecer uma estratégia de marketing diferenciadora e abrangente.

A título pessoal, faço um balanço também muito estimulante. Tomei posse como presidente da Entidade Regional de Turismo do Centro de Portugal em setembro e nestes três meses comprovei que esta região tem, no setor turístico, um vasto e valioso conjunto de stakeholders, motivados e de grande dinamismo, com quem tem sido uma verdadeira inspiração trabalhar.

Na sua perspectiva, o que faltou concretizar no setor do turismo neste ano de 2023?
Na região Centro, o que nos apercebemos é que o grande crescimento na procura poderia ser ainda mais amplificado se a região dispusesse de mais portas de entrada para os visitantes estrangeiros.

A inexistência de uma estrutura aeroportuária que sirva os interesses da região é um obstáculo ao crescimento, assim como o é a ineficaz rede ferroviária. A única forma válida de conhecer uma região tão vasta como é o Centro de Portugal é por via rodoviária – e mesmo esta está longe de ser eficaz. Não faz sentido que duas capitais de distrito com a importância de Coimbra e Viseu não estejam ligadas por autoestrada, por exemplo.

Por outro lado, a escassez de mão de obra com que se debatem os empresários é um desafio que já vem de trás e que ainda não foi resolvido de forma satisfatória. São necessárias novas medidas a este nível, que apostem na qualificação e na valorização do trabalho turístico, que tornem mais atrativo um setor que é tão importante e que tem um peso tão grande para a economia nacional.

Como antevê o ano de 2024 em termos económicos?
Sou uma pessoa otimista e antevejo que seja um ano melhor do que 2023 para os portugueses. A trajetória de descida da inflação deverá permitir uma descida nas taxas de juro, possibilitando que os cidadãos com crédito à habitação possam respirar um pouco melhor.

Do ponto de vista da região turística, antevejo um ano ainda melhor do que este, em que já se bateram recordes. Estamos todos – Entidade Regional, Agência Regional de Promoção Externa, Comunidades Intermunicipais, autarquias e empresários – a trabalhar em conjunto para tornar o Centro de Portugal um destino preferencial para cada vez mais pessoas. A recente aprovação do nosso Referencial Estratégico, com as linhas orientadoras para os próximos anos, é um passo importante nesse sentido.

E que desafios terá o setor do turismo em 2024?
O desafio que carece de resolução mais urgente é o da escassez de trabalhadores na atividade turística. Como é do conhecimento público, a dificuldade de contratação é uma dificuldade séria para os empresários e causa uma grande entropia para a atividade. A qualidade do serviço é crítica para que a experiência turística seja positiva e leve os visitantes a voltar noutras ocasiões. Se esta qualidade é prejudicada pela falta de trabalhadores disponíveis, é toda a atividade do Turismo que perde.

Precisamos de, em conjunto com vários parceiros, nomeadamente a AHRESP e o Turismo de Portugal, IP, encontrar soluções para ultrapassar este problema. É fundamental apostar na capacitação, na captação e na retenção dos recursos humanos.

Outro desafio, que se coloca em concreto ao Centro de Portugal, é o de aumentar a estada média dos turistas na região. É um indicador em que ainda estamos abaixo da média nacional, pelo que temos de concentrar esforços, da ERT, das CIM e dos municípios, para reter e fixar os visitantes durante mais dias. Uma das estratégias nesse sentido passa por alargar o leque de experiências possíveis de ter no território, com ofertas integradas que juntem vários municípios.

O que gostaria de ver ser concretizado nos próximos 12 meses?
Gostaria de ver dados passos concretos para melhorar, ainda mais, a experiência turística de quem visita o Centro de Portugal, e de verificar, no final do ano, que fomos visitados por mais turistas, durante mais dias, em todos os meses do ano e com um maior equilíbrio entre o litoral e o interior da região.

Em particular, a Turismo Centro de Portugal está já a trabalhar num conjunto de projetos, alinhados com as tendências da procura turística, que consideramos diferenciadores e com ambição supramunicipal. Estes novos produtos turísticos possibilitarão a promoção do equilíbrio litoral/interior, e serão mais um ativo para aumentar a atratividade e prolongar a estada dos turistas na região.

A fazer um pedido ao Governo que sairá das eleições de 10 de março de 2024, qual seria?
Seria um pedido muito simples. Que deixe as Entidades Regionais de Turismo trabalhar, na plenitude das suas funções, consagradas pela Lei das ERT de 2013. Os bons resultados alcançados, ano após ano, comprovam que este é um modelo de gestão eficaz, descentralizado e que agrega os principais players do setor. As ERT conhecem, como nenhum outro organismo, todas as especificidades e atores do território e conseguem identificar, estruturar e promover, com eficácia, os seus produtos turísticos. Podemos mesmo afirmar que são o verdadeiro exemplo de uma descentralização que funciona na perfeição, e que deveria servir de inspiração para outros setores.

Para tal, no entanto, é preciso atualizar o financiamento da estrutura, que todos os anos se mantém idêntico. Mas será também fundamental um trabalho sério na capacitação dos recursos humanos, que lhes permita estar alinhados com os desafios atuais e futuros; dar-lhes mais condições de trabalho e melhores ordenados (não podemos esquecer que muitos estão sem possibilidade de progredir na carreira há muitos anos); assim como integrar novos colaboradores para dar uma nova dinâmica às estruturas.

O trabalho feito justifica que haja um maior investimento da parte do Governo nas ERT. Seria um merecido reconhecimento ao trabalho feito por esta e por outras regiões de turismo.

Sobre o autorVictor Jorge

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