“Nacionalização da TAP não garante postos de trabalho nem rotas”

Por a 23 de Outubro de 2020 as 11:50

O antigo secretário de Estado do Turismo, Adolfo Mesquita Nunes, considera que o debate em torno da nacionalização da TAP é uma “forma pobre” de discutir o futuro da companhia aérea e entende que o país devia era discutir “como é que a empresa pode ser viável”, uma vez que a “nacionalização da TAP não garante postos de trabalho nem rotas”.

“Foi-nos vendida uma espécie de “só há duas hipóteses”: ou a TAP é nacionalizada e salvamos empregos e continuamos a ter ligações aéreas, ou a TAP não é nacionalizada e não salvamos empregos e deixamos de ter ligações aéreas para Portugal. Aquilo que está hoje à vista é que isso é falso”, afirmou Adolfo Mesquita Nunes esta quinta-feira, 22 de outubro, durante um debate sobre o futuro do turismo, promovido pelo partido político Iniciativa Liberal (IL).

Para o anterior secretário de Estado do Turismo, “essa dicotomia é falsa e a nacionalização não garante, primeiro, a sobrevivência dos postos de trabalho”, afirmou, lembrando a “liberalíssima afirmação” do ministro da Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, que “veio dizer que não é possível manter postos de trabalho quando não há trabalho”.

Mas a nacionalização da TAP também não garante, acrescentou Adolfo Mesquita Nunes, a manutenção do número de rotas, pois “a verdade é que os números têm vindo por aí abaixo”.

“Essa discussão para mim é a forma pobre de discutir estas matérias, porque em vez de discutirmos se é pública ou privada, devíamos olhar para números e discutir como é que a empresa pode ser viável”, considerou o antigo secretário de Estado do Turismo, defendendo que, “dentro desse estudo, há uma geometria variável de hipóteses”, que foram descartadas  “sem números, apenas com tiradas ideológicas”.

“A ideologia não dá de comer a ninguém, como também não vai dar emprego às pessoas que estão a ser despedidas. Portanto, aquilo que digo é que o tempo que passámos a discutir a nacionalização/privatização impediu-nos eventualmente de olhar com maior frieza para a situação e de procurar uma melhor solução para a TAP”, destacou.

 

 

 

 

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