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Nova associação apela às “reais preocupações” dos sócios gerentes das agências de viagens

O que começou com um grupo informal numa rede social rapidamente ganhou força e adesão para a criação de uma associação que defendesse, “legitimasse e formalizasse” a voz dos sócios-gerentes das agências de viagens e turismo que vivem atualmente “uma situação dramática”.

Raquel Relvas Neto
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Nova associação apela às “reais preocupações” dos sócios gerentes das agências de viagens

O que começou com um grupo informal numa rede social rapidamente ganhou força e adesão para a criação de uma associação que defendesse, “legitimasse e formalizasse” a voz dos sócios-gerentes das agências de viagens e turismo que vivem atualmente “uma situação dramática”.

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Chamar a atenção para a atual realidade em que vivem os sócios-gerentes das agências de viagens e turismo foi o que motivou a criação, no passado dia 28, da mais recente associação do setor turístico: a ASGAVT - Associação de Sócios Gerentes das Agências de Viagens e Turismo.
O que começou com um grupo informal numa rede social rapidamente ganhou força e adesão para a criação de uma associação que defendesse, "legitimasse e formalizasse" a voz dos sócios-gerentes das agências de viagens e turismo que vivem atualmente "uma situação dramática" devido aos constrangimentos causados pela pandemia da COVID-19.

“Queremos ser parte da solução, e vamos trabalhar na prossecução do objetivo comum do setor, tendo por base as reais preocupações dos sócios gerentes das agências de viagens e turismo”, afirma Elsa Santos, presidente da comissão instaladora.

“As agências de viagens têm especificidades muito próprias, que não estão a ser completamente atendidas pelas atuais medidas de apoio ao setor do turismo em Portugal. Este é um problema nacional, não se restringindo a determinadas zonas do país”, salienta a representante.

"Completo abandono"

Ao Publituris, a  presidente da comissão instaladora  esclarece que as agências de viagens, sobretudo as focadas no 'outgoing', notam um "completo abandono" por parte das entidades oficiais, no que aos apoios dizem respeito. A responsável esclarece que "desde que aconteceu esta situação da pandemia que se ouve falar do turismo exclusivamente falando do mercado interno. Não estamos na situação de enviar clientes para fora, porque isso não é possível por uma questão de insegurança, mas dentro do turismo interno também deveria haver a participação das agências e o que se nota é um completo abandono".

E aponta várias exemplos concretos que não têm contribuído para aligeirar a situação complicada que as agências de viagens vivem, como o recente lançamento da campanha Tu Podes pelo Turismo de Portugal, que " induz e influencia o cliente a reservar diretamente. Não há uma alusão às agências de viagens. Teremos de perguntar ao Turismo de Portugal o porquê de ter criado uma campanha que não coloca as agências de viagens como intermediários".  A associação sugere que esta plataforma que fomenta à reserva direta por parte do cliente poderia ter alguma alusão para estes reservarem através das agências de viagens e estas poderem assim "ter algum trabalho e algumas vendas".

A responsável recorda ainda a realidade empresarial destas agências de viagens que são constituídas, na sua maioria, apenas por sócios-gerentes que não viram, por exemplo, reduzida a Taxa Social Única (TSU),  que tiveram de pagar na sua totalidade ao Estado durante estes últimos meses em que não registaram quase nenhuma ou nenhuma atividade económica. "Posso dizer que há colegas sócio-gerentes em situações dramáticas, porque não conseguindo pagar aquilo que têm para trás de segurança social também não têm direito a receber nada. Nem que fosse reduzir para metade, por exemplo, já seria uma ajuda".

Para Elsa Santos é essencial  "manter as agências de viagens, porque os clientes vão voltar a procurarmos e vão voltar a viajar. Não viajam agora por causa das circunstâncias que existem, agora é preciso que tenhamos condições para nos mantermos". A representante da associação alude ainda ao facto de existirem sócios-gerentes que têm o seu único sustento no negócio da sua agência de viagem.

Para já, a ASGAVT já solicitou encontros com as entidades oficiais, como o Turismo de Portugal e a Secretaria de Estado do Turismo, para exporem na primeira pessoa os problemas com que os sócios-gerentes das agências de viagens e turismo vivem, complementando que todo o grupo de trabalho da associação é constituído por sócios-gerentes.

Questionada acerca da representatividade associativa que já existe no âmbito das agências de viagens e turismo, Elsa Santos clarifica que a ASGAVT "não é nenhuma concorrência à APAVT. No fundo ambas as associações têm uma filosofia comum: defender as agências de viagens. Simplesmente esta tem um objetivo mais específico que tem a ver única e exclusivamente com os sócios-gerentes das agências de viagens e turismo".

"A APAVT é realmente a associação oficial das agências de viagens e turismo, e muito temos que agradecer todo o trabalho que foi feito. Não está em causa não terem defendido as agências de viagens, acontece é que esta associação [ASGAVT] tem um objeto muito específico: os sócios-gerentes. Sendo os sócios gerentes de agências muito pequenas, muitas delas nem são sócias da APAVT, nem sabem o que se passa na APAVT. É precisamente para estas que é importante também haver uma entidade que lhes dê voz", conclui a responsável.

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Daniel Marchante (Lusanova Brasil): “O turismo massificado vai ter dificuldade em recompor-se”

Com a necessidade de “reposicionar os nossos produtos”, Daniel Marchante, diretor da Lusanova Brasil, acredita que “2022 possa ser o ano da normalização operativa”.

Com a proximidade e atenção ao passageiro a serem “ainda mais prementes para o futuro”, o diretor da Lusanova Brasil, Daniel Marchante, admite que, no futuro, “não é mais suportável que o operador procure um fornecedor no exterior por preço e não pela qualidade dos serviços”.

Com operação em Portugal e Brasil, que preferências e experiências possuem os “novos consumidores”? A que necessidades passaram a ter de responder e com esta maior vertente tecnológica, passaram a ter de fazê-lo com mais rapidez e em diversas plataformas?
No atual momento de retoma das vendas com as condicionantes por força das precauções sanitárias ainda em vigor, tivemos de reposicionar os nossos produtos de forma a atender à procura dos passageiros que, nesta fase, procuram pacotes privados em Portugal, estadias mais longas nas cidades europeia já abertas ao mercado brasileiro, circuitos em mini-van e estadias em resorts de baixa intensidade e mais exclusivos.

A nossa plataforma informática está preparada para a venda online dos principais produtos, a informação ao passageiro obriga a detalhes, como: seguros de viagem mais abrangentes, regras existentes em cada país e normas de segurança sanitária. A proximidade e atenção ao passageiro são ainda mais prementes para o futuro.

Que mudanças espera no e para o turismo de forma geral e quais são, efetivamente, os maiores ensinamentos que retira desta crise para o futuro da sua atividade e negócio?
Os passageiros estão ávidos de poder percorrer o mundo nos patamares de 2019. À medida que as fronteiras e condições de operação se vão abrindo, iremos lançar a nossa operação, prevendo que 2022 possa ser o ano da normalização operativa. Esta crise a nível mundial, como sempre acontece em momentos de dificuldade a nível global, obriga os operadores turísticos a entender o mercado e, neste caso, podemos ver que o turismo massificado vai ter dificuldade em recompor-se, que o passageiro vai preferir qualidade e segurança pagando o valor justo, que vai entregar a sua viagem de sonho ao operador que lhe oferece credibilidade e idoneidade, que os agentes de viagem vão selecionar o operador credível que lhe entrega o serviço nos termos contratados.

Não é mais suportável que o operador procure um fornecedor no exterior por preço e não pela qualidade dos serviços. Aprendemos que devemos centrar o passageiro na nossa preocupação ética e operacional, de forma que possamos cumprir com sucesso a nossa função empresarial.

 

*Para participar no webinar de dia 20 de outubro, basta inscrever-se aqui.

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Fabiana Lima (Club Turis): “O futuro dos agentes passa por uma união cada vez maior para sobreviverem”

Fabiana Lima, CEO e fundadora da Club Turis, destaca que, o turismo não é estático e quem trabalhar nele, “tem a certeza que será preciso recomeçar muitas vezes”.

Com os quadros a saírem do universo do turismo, devido ao trabalho remoto, a CEO e fundadora da Club Turis, Fabiana Lima, admite que “o risco é alto se não fomentar um alinhamento adequado”. Em vésperas do webinar “Desafios pós-COVID”, da Airmet a responsável salienta que, quem está no turismo, “tem a certeza que será preciso recomeçar muitas vezes”.

Além das alterações nos hábitos e modelos de trabalho, a qualificação, atração e retenção de talento também se tornou tema. Que dificuldades encontram, agora que houve uma habituação ao trabalho remoto/digital em captar ou manter quadros qualificados?
Acredito que essas dificuldades vão muito mais além do que a habituação atual ao trabalho remoto/digital.

Há muito tempo já era um desafio encontrar profissionais qualificados, mesmo estando todos eles, vivenciando uma era plena de muito acesso à informação, assim como também, captá-los e mantê-los no quadro de trabalho.

Já havia no mercado muitos profissionais com muita informação, mas poucas habilidades. Pouca experiência e muitas vezes, pouca capacidade de adaptações e também de empatia com o alinhamento e a essência da empresa ou do negócio proposto. Assim como também, já havia empresas com pouca gestão. Prontas para gerir negócios, mas não pessoas.

Com o trabalho remoto, veio a facilitação para as empresas da empregabilidade, pois com a barreira da distância quebrada, e mais opções de currículos, melhor opção e poder de negociação para adquirir pessoas com o perfil de expectativa aproximado da mesma, contudo, com o risco já eminente ainda maior de: pouca proximidade com a cultura organizacional da empresa e identificação do perfil de forma mais assertiva.

Ou seja, se o distanciamento não for bem conduzido, ainda que haja conhecimentos específicos e capacidade técnica de atuação, poderá trazer uma lacuna, entre o que se quer da equipe e o que o seu principal público deseja receber sobre o seu melhor atendimento. O risco é alto se não fomentar um alinhamento adequado, entre o que se quer produzir e o que se deve fazer bem para executar isso.

Além é claro do desafio da falta de proatividade que se não for bem direcionada, poderá gerar sérios desafios à empresa já que tempo realmente é dinheiro. Para isso, a solução seria uso de ferramentas específicas para gerir as metas e a produtividade de cada um de sua equipe. Contribuindo inclusive para o próprio alinhamento de desempenho e organização do/a contratado/a.

Existem outras ações para se evitar pouca atração e retenção de talentos, mantendo um bom nível de capacitação: (i) Manter a motivação com bons incentivos e benefícios, mas isso não é tudo; (ii) Construção de um bom ambiente de trabalho; (iii) Melhoria no processo interno de comunicação; (iv) Estabelecimento de um senso de meritocracia; (v) Incentivo da liderança pelo exemplo; (vi) Construção de uma cultura de feedback; (vii) Reuniões periódicas e encontros de trocas de conhecimento.

Os resultados desses esforços consequentemente serão: (i) Ajudar a construir um clima de trabalho agradável; (ii) Garantir mais engajamento e produtividade; (iii) Dar mais fluidez ao processo de tomada de decisão; (iv) Aplicar em economia para a empresa; (v) Garantir que a empresa não perca capital intelectual.

Que mudanças espera no e para o turismo de forma geral e quais são, efetivamente, os maiores ensinamentos que retira desta crise para o futuro da sua atividade e negócio?
Eu espero que o turismo, especialmente no Brasil, se profissionalize mais e se torne mais organizado. Penso que o futuro dos agentes passa por uma união cada vez maior para sobreviverem. Sejam debaixo de grandes guarda-chuvas primeiro de associações, depois de empresas como a Clubturis que, efetivamente, conseguem com conhecimento e estratégias de desempenho antecipado, evitar muitas situações indesejadas para o trade, mantendo uma qualidade operacional diferenciada, fazendo-os lucrarem ainda estabilizarem-se anda mais no mercado mais rapidamente e com mais eficácia.

Quanto à principal aprendizagem desta crise, é que a frase de Charles Darwin nunca fez tanto sentido: “Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças”.

O turismo não é estático e trabalhar nele, é ter a certeza que será preciso recomeçar muitas vezes. Vencerá quem mais resiliência tiver de não desistir jamais, agindo sempre de forma criativa.

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Rui Alves (Flytour Gapnet): “A experiência negativa dos consumidores com o suporte na venda on-line levou a uma valorização do papel do intermediário”

Para o diretor da consolidadora brasileira Flytour Gapnet, Rui Alves, a previsão passa por “um retorno aos modelos de uso de ‘hubs’ para receção de voos longos e distribuições regionais com mais escalas, tudo em nome de maior produtividade”.

Rui Alves, diretor da consolidadora brasileira Flytour Gapnet, não prevê tempos fáceis e admite um “redesenho de oferta de voos e uma busca de melhoria de performance, de modo a alcançar economia de custos”. Certo é que foi dado ao agente de viagens “um papel relevante de consultor e solucionador de problemas não só para os passageiros, como também para as próprias companhias aéreas”.

Conhecido o impacto que a pandemia teve no setor da aviação, que preocupações passaram a ter as companhias aéreas que anteriormente não tinham ou que eram secundárias? Mais segurança, mais proximidade, mais e melhores serviços, mais rotas, aviões mais sustentáveis, etc.?
Entendo que a indústria de aviação ao mesmo tempo que teve de encontrar alternativas de sobrevivência neste duro período da pandemia, teve ainda de olhar para dentro e repensar o negócio no momento em que começou a existir alguma retoma de atividade. A mudança do perfil de comprador com predominância do passageiro de lazer e com advance purchase curto, deixa a indústria com a difícil tarefa de refazer o seu preço que, na maioria dos players, contava com o passageiro corporativo como determinante na sua receita.

O cenário inverte-se e projeta uma diminuição do segmento corporativo em viagens. Alguns falam em quebras de 25 a 30%, mas pouco se sabe ainda de como será o hábito de compra deste segmento. Nalguns mercados existe mesmo a projeção de um cenário de 50% de passageiros de lazer e 50% de passageiros corporativos o que levará a um redesenho de oferta de voos e a uma busca de melhoria de performance, de modo a alcançar economia de custos. Não prevejo mais rotas, mas sim um retorno aos modelos de uso de hubs para receção de voos longos e distribuições regionais com mais escalas, tudo em nome de maior produtividade. Um bom exemplo desta tendência foram os recentes aproveitamentos dos A380 que estavam condenados a serem encostados.

Como vê o futuro da consolidação aérea depois da pandemia?
Vejo espaço na continuidade da consolidação aérea com as companhias norte-americanas como principais players, pois estão a sair em primeiro do momento mais crítico e fortalecendo-se graças a retoma do seu mercado doméstico. Na Europa, parece ser mais difícil esta tendência, agora com a maior presença do Estado como investidor. Já as companhias do Médio Oriente e Ásia encontram-se num momento de redefinição dos seus projetos.

Que mudanças espera no e para o turismo de forma geral e quais são, efetivamente, os maiores ensinamentos que retira desta crise para o futuro da sua atividade e negócio?
A experiência negativa dos consumidores com o suporte na venda on-line, seja das OTA´s, seja das próprias companhias aéreas durante o período da pandemia, levou a uma valorização do papel do intermediário, reforçando o Agente de Viagens, dando-lhe um papel relevante de consultor e solucionador de problemas não só para os passageiros, mas para as próprias companhias aéreas que muito e bem viram e compreenderam esta atuação dos agentes.

Talvez isto seja uma tendência daqui para a frente, com mais projetos de distribuição omnichannel e atendimento mais humanizado pelas OTA’s.

 

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Aroldo Schultz (Schultz): “A tecnologia aproxima-nos dos nossos clientes e agora mais ainda”

Aroldo Schultz, diretor do operador turístico brasileiro Schultz, destaca que “o uso da tecnologia não tem mais volta” e “quem ainda não usa, sairá a perder”.

Victor Jorge

O responsável pelo operador turístico brasileiro Schultz, Aroldo Schultz, é um dos convidados do webinar “Desafios pós-COVID”, da Airmet. Por e-mail respondeu a duas breves questões colocadas pelo Publituris.

A digitalização tem sido um tema indiscutível nesta pandemia. Que alterações trouxe, efetivamente, este ciclo e como é que esta vertente mais tecnológica abre novas estratégias de negócio ao nível da operação? A digitalização afastou ou aproximou-vos dos vossos clientes?
A digitalização atual trouxe um aprimoramento tecnológico e temos de evoluir para acompanhar o ritmo forte das novidades. A tecnologia aproxima-nos dos nossos clientes e agora mais ainda, com as reuniões em vídeo.

Que mudanças espera no e para o turismo de forma geral e quais são, efetivamente, os maiores ensinamentos que retira desta crise para o futuro da sua atividade e negócio?
O uso da tecnologia não tem mais volta. Quem ainda não usa, sairá a perder. O turismo ficará mais forte do que nunca nos próximos anos e as empresas sólidas, que souberam respeitar seus clientes, vão crescer muito. Com a pandemia descobrimos que a nossa capacidade de superação e criatividade é imensa. A nossa equipa e clientes foram amparados desde o início, e sentimos que o reconhecimento deles está a chegar com o volume de vendas crescente. Somos um grupo formado por uma equipe vitoriosa que soube respeitar todos os envolvidos.

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Decius Valmorbida (Amadeus): “O setor mudará o foco de volume para valor, à medida que procuramos reconstruir as viagens”

Em resposta a três questões colocadas pelo Publituris, em antevisão ao webinar da Airmet, Decius Valmorbida vice-presidente da Amadeus e responsável pela área da distribuição mundial, admite que a pandemia “pode levar a mudanças positivas a longo prazo”.

Victor Jorge

Decius Valmorbida, vice-presidente da Amadeus e responsável pela área da distribuição mundial, foca o impacto que a COVID-19 teve em toda a indústria das viagens. Em resposta a três perguntas do Publituris, o responsável da Amadeus destaca que “a pandemia forçou todos no universo das viagens a voltar à estaca zero e considerar o seu papel na cadeia de valor enquanto reconstruímos o setor”.

Que tipo de soluções e experiências passaram agora e no futuro a ser mais valorizadas pelo cliente/viajante/turista? Que peso têm questões como a sustentabilidade nesta “nova realidade”? Há, efetivamente, um novo tipo de consumidor?
Nos últimos anos, passamos por uma evolução gradual para atender às necessidades em constante mudança dos viajantes experientes e aproveitar as tecnologias e inovações mais recentes que estão a transformar a sociedade como um todo. Personalização, tecnologia móvel e sem fricção, chatbots, inteligência artificial e robótica são apenas algumas das tecnologias relacionadas que estão a alimentar esta evolução das viagens.

Com a COVID-19, vimos algumas dessas tendências acelerarem para que possamos dar aos viajantes a confiança para viajar de uma maneira nova e melhor.

Impulsionado pela necessidade de fazer as coisas de forma diferente como uma resposta à COVID-19, a aceleração de padrões como NDC e OneOrder e uma convergência de tecnologias, incluindo nuvem pública, identidade digital e plataformas abertas, está a tornar-se possível entregar esta visão end-to-end.

Não estamos a falar de uma oferta premium que começa quando embarca no avião e termina quando desembarca. Em vez disso, os operadores de viagens estarão mais interconectados do que nunca e cada vez mais considerarão o seu papel como parte da viagem no seu todo.

Como é que se posicionam, nesta retoma das viagens, em termos de mercado, produtos e operações?
Um dos primeiros passos que estamos a dar para reconstruir as viagens, é reunir os vários negócios focados na viagem. Isso significa os nossos canais de viagens, companhias aéreas, TI em aeroportos e pagamentos estão a tornar-se uma única unidade dedicada a cumprir essa visão end-to-end para as viagens.

Dentro desta unidade de viagens, continuaremos a nossa evolução tecnológica e construiremos uma nova geração de sistemas subjacentes que não são limitados por processos históricos da indústria. Isso faz com atendamos às necessidades dos viajantes por uma experiência totalmente personalizada em toda a sua jornada. Isso dá aos nossos clientes a capacidade de escolher a combinação de soluções mais correta. Além disso, ajuda nos ossos clientes a colaborar, identificar e entregar os serviços de maior valor através da colaboração.

Considere, por exemplo, a identidade biométrica no aeroporto, uma experiência de serviço emergente que envolve cooperação íntima entre companhias aéreas e aeroportos. Num futuro próximo, uma experiência totalmente biométrica pode tornar-se a norma. Ao remover a complexidade com soluções em nuvem que conectam totalmente companhias aéreas e aeroportos, pretendemos desbloquear esse tipo de valor para nossos clientes e viajantes. Este exemplo também pode ser estendido ao aluguer de automóveis, comboios e até mesmo check-in em hotéis, mas somente se realmente pensarmos end-to-end.

Outro exemplo é o conteúdo. Hoje, existe uma grande riqueza de conteúdos de viagens. Com tantas opções, a melhor aposta para qualquer grande retalhista que procura chamar a atenção do consumidor, é estar em qualquer lugar, seja online ou offline. Ao trazer todos os diferentes tipos de conteúdos de viagens para uma única plataforma - seja companhia aérea, hotel, automóvel, comboio, transferências ou destinos – os próprios vendedores de viagens, clientes corporativos e os próprios viajantes serão capazes de personalizar a viagem a seu gosto. Isso é o que estamos a fazer na Amadeus com a nossa plataforma de viagens.

Que mudanças espera no e para o turismo de forma geral e quais são, efetivamente, os maiores ensinamentos que retira desta crise para o futuro da atividade e negócio?
Seja qual for o local para onde possa estar a olhar, a COVID-19 vai ao encontro da definição do “cisne negro”. Imprevisível, raro e com um impacto significativo, esses eventos causam estragos, mas também podem levar a mudanças positivas a longo prazo.

Naturalmente, todos os envolvidos na indústria de viagens estão a perguntar quando as reservas voltarão a algo próximo do que poderíamos considerar níveis "normais". Não posso responder a esta pergunta com certezas, pois existem muitas variáveis em jogo, mas, em minha opinião, essa não é a única questão que as empresas de viagens devem considerar. Pessoalmente, acho que o setor mudará o foco de volume para valor, à medida que procuramos reconstruir as viagens.

Em comparação com outras indústrias, é notável o quão pouco valor é atribuído ao produto da viagem, apesar da maioria das pessoas concordar que viajar enriquece as suas vidas. As cafeterias são especialistas em merchandising, tanto que agora é aceite que uma chávena de café possa custar cinco dólares. A questão para a indústria das viagens é: como podemos ajudar os viajantes a valorizar mais o nosso produto? Assim, à medida que as viagens recuperem, serão mais sustentáveis a longo prazo.

Neste caso, a indústria precisa analisar atentamente a experiência oferecida. Será que a experiência de viajar, em 2019, foi realmente convincente? E onde podemos criar valor adicional? Os players individuais da indústria trabalharam arduamente nas suas próprias ofertas, com companhias aéreas a adicionar planos premium e aeroportos a introduzir fast track services, mas nunca houve um foco em ‘toda’ a viagem do viajante. Pensar além dos silos individuais e pegar na visão end-to-end é a oportunidade de a viagem melhorar a experiência e desbloquear o equivalente aos cinco dólares pelo tal café.

A pandemia forçou todos no universo das viagens a voltar à estaca zero e considerar o seu papel na cadeia de valor enquanto reconstruímos o setor.

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Luís Henriques (Airmet): “Teremos de continuar a valorizar os serviços que prestamos”

A comemorar o 15.º aniversário, a Airmet irá realizar um webinar luso-brasileiro, com o objetivo de debater os desafios pós-COVID para a distribuição e aviação. O Publituris entrevistou os convidados dos painéis.

Victor Jorge

Em antecipação ao webinar que a Airmet irá realizar no próximo dia 20 de outubro, para comemorar o seu 15.º aniversário, o Publituris, media partner do evento, juntamento com o brasileiro Panrotas, irá publicar algumas entrevistas feitas aos convidados deste evento digital.

O primeiro entrevistado é, precisamente, Luís Henriques, diretor-geral da Airmet Brasil e Portugal.

Possuindo operação dos dois lados do Atlântico, que mudanças antevê para operadores e agências de viagens para o futuro próximo? Existe, efetivamente, uma alteração do paradigma operacional e do negócio? Que diferenças antevê na atuação nos dois mercados e que tipo de respostas terão de passar a dar em função da alteração do cliente?
Não creio que haja uma mudança de paradigma, mas há com certeza uma grande necessidade de evolução na forma de comunicar com os nossos clientes. Em ambos os mercados verifica-se uma cada vez maior exigência por parte dos clientes. Será fundamental que as agências se adaptem a estas novas exigências uma vez que a facilidade de acesso à informação que o cliente tem hoje é consideravelmente superior. Sabemos que em muitos setores a intermediação está claramente posta em causa e teremos de continuar a valorizar os serviços que prestamos para que a confiança dos nossos clientes nas agências seja reforçada. Consideramos também importante a especialização e diferenciação das agências.

Este tema, abordado e comentado há anos sem ser concretizado, será fundamental para o crescimento do negócio das agências. O cliente está cada vez mais exigente e nós teremos de ser cada vez mais informados e focados no “acrescentar valor” ao cliente.

Que mudanças espera no e para o turismo de forma geral e quais são, efetivamente, os maiores ensinamentos que retira desta crise para o futuro da sua atividade e negócio?
Acreditamos que as principais alterações serão ao nível das necessidades dos clientes. Vamos ter uma grande evolução em programas alternativos, uma maior preocupação com o ambiente e sustentabilidade e a necessidade de os atores terem cada vez mais criatividade, pois os clientes pretendem “algo único” com as suas viagens, pretendem sentir que é algo preparado para eles de forma única e exclusiva.

A pandemia trouxe igualmente uma maior preocupação com a saúde e a segurança em viagem, algo que as agências dão importância há muitos anos e que, antes do COVID, não era totalmente valorizado. Será importante passar essa mensagem e acreditamos que neste ponto estamos claramente bem posicionados para que consigamos inverter a tendência da desintermediação do sector.

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Servivuelo integra NDC através do API do Amadeus

O consolidador continuará a colaborar com o Amadeus no seu programa NDC e será pioneiro na implementação desta norma no seu canal online através da API de Viagens Amadeus.

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Amadeus e Servivuelo renovaram e alargaram a sua colaboração, com o principal consolidador aéreo espanhol a implementar, no seu canal online, o NDC através do API do Amadeus, com o acordo a incluir a implementação do Amadeus B2B Wallet para agilizar os pagamentos.

O Amadeus Travel API é uma solução, com tecnologia NDC, que oferece conteúdos mais especializados, proporcionando à Servivuelo “acesso ao extenso conteúdo de viagem do Amadeus com uma das mais completas ofertas de serviços complementares, melhorando a experiência de viagem e a autonomia dos seus clientes através do seu canal online”.

Já o Amadeus B2B Wallet irá beneficiar o consolidador aéreo com um fluxo de pagamento mais fluido e abrangente.

Jorge Zamora, CEO e fundador da Servivuelo, refere, em comunicado, que “a renovação deste acordo significa continuar na vanguarda do desenvolvimento tecnológico do setor", salientando ainda que “ser pioneiros na implementação do NDC irá reforçar o nosso compromisso com as agências de viagens, para lhes fornecer as melhores ferramentas e tornar o seu trabalho mais fácil e mais eficiente”.

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Agências de viagens queixam-se de serem tratadas como “parente pobre do turismo” e querem mais apoios

A ASGAVT considera que o setor está a ser abandonado à sua sorte com a “inadmissível redução dos apoios às agências de viagens”, por parte do Turismo de Portugal.

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A Associação de Sócios Gerentes das Agências de Viagens e Turismo (ASGAVT) considera que, nesta crise pandémica, as agências de viagens foram tratadas "como o parente pobre do turismo", uma vez que, apesar das promessas das autoridades, não foi possível "criar uma medida específica para o setor das agências de viagens" e os poucos apoios que existem estão a terminar.

"Nesta altura de extrema dificuldade em que vemos os restantes países da UE, como Espanha e Alemanha a alargar os apoios a este setor, e o nosso governo, o Turismo de Portugal e Secretaria de Estado do Turismo a reduzirem os apoios e a não terem qualquer consideração pelo setor", denuncia a associação, num comunicado enviado à imprensa esta segunda-feira, 11 de outubro.

Na informação divulgada, a ASGAVT lembra os meses difíceis em que não existia "produto algum para venda" devido à paragem total da atividade, assim como o papel das agências de viagens no repatriamento de cidadãos que tinham ficado retidos no estrangeiro e o "esforço titânico" dos agentes de viagens que tudo fizeram para não deixar os seus clientes sem apoio e deixa a pergunta: "imaginem o que seria o setor sem as agências de viagens?".

Por isso, a ASGAVT reclama mais apoios para o setor das agências de viagens, que considera estar a ser abandonado à sua sorte com a "inadmissível redução dos apoios às agências de viagens, especialmente por parte do Turismo de Portugal".

"Sendo a entidade supervisora do setor deveria nesta fase, mais do que nunca, criar apoios efetivos e assertivos ao setor e não retira-los como está a proceder neste momento, com o desaparecimento das majorações nos financiamentos atribuídos, e a não criação da 6ª fase no apoio a tesouraria", acrescenta a associação.

A ASGAVT considera também que, pela sua importância, o turismo já deveria ter um ministério, até porque, acusa a associação, a Secretaria de Estado do Turismo não tem "peso nem força junto do Ministério da Economia e das Finanças, cuja única preocupação é focada na hotelaria, restauração e similares".

"Temos uma Secretaria de Estado do Turismo, mas que pela importância que o nosso sector representa, já deveria ser um Ministério. Sem peso nem força junto do Ministério da Economia e das Finanças, cuja única preocupação é focada na hotelaria, restauração e similares e que apesar de muitas promessas durante todo este tempo não foi capaz de criar uma medida específica para o setor das agências de viagens", critica a associação.

As palavras duras da ASGAVT são ainda dirigidas ao Banco de Fomento, que "anuncia linhas, mas tarda em divulgar as condições de acesso, pois a tutela está constantemente a efetuar correções e alterações, impedindo que as mesmas sejam operacionalizadas". Já o acesso a essas linhas, acusa ainda a associação, é "só para alguns e exclui na maioria das vezes as microempresas que são 90% da força produtiva em Portugal".

"Porque merecemos, porque somos o único setor em Portugal que tem um fundo de garantia solidário (valor esse depositado no Turismo de Portugal) para que nunca nenhum cliente de uma agência de viagens tenha alguma vez um prejuízo financeiro por serviços não cumpridos, devemos ter uma atenção especial por parte da tutela", conclui a associação.

 

 

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In Sure Broker lança duas novas opções do produto COVID Protection

Estas duas novas soluções – COVID Protection Classic e Platinium – vão ao encontro das necessidades dos clientes e chegam para a consolidação da retoma do setor do turismo.

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A In Sure Broker acaba de lançar duas novas opções para a consolidação da retoma do setor do turismo: COVID Protection Classic e Platinium.

Além das outras garantias já previstas e das novas garantias noCovid-19, os novos produtos incluem garantia de cancelamento em caso de contaminação ou quarentena a todo o agregado familiar, sem limite de pessoas seguras, ou do acompanhante que não faz parte do agregado familiar; a ampliação dos capitais de cancelamento e interrupção de viagem; a ampliação dos capitais de despesas médicas; a inclusão das viagens de incoming; consulta médica on-line.

José Carlos Viseu, executive manager da In Sure Broker, refere, em comunicado que a empresa está “empenhada em colocar à disposição dos agentes de viagem as soluções mais adequadas para proteger os clientes e para promover o setor”. Com estas novas soluções, os agentes podem contar com uma oferta mais alargada e personalizada de garantias, totalmente adequada às necessidades dos clientes.

O executive manager da In Sure Broker refere ainda que, uma vez que ainda vivemos um período de pandemia, os novos produtos Covid Protection Silver e Gold “chegam num momento em que é imprescindível para o setor apresentar soluções de seguros de viagem com que os clientes se sintam tranquilos e verdadeiramente protegidos”.

Assim, saber que todo o agregado ou até mesmo o acompanhante que não faz parte da família está abrangido trará “mais confiança a todos os que querem viajar”, conclui José Carlos Viseu.

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Quase metade dos britânicos conta viajar para o estrangeiro no inverno, indica estudo da ABTA

Estudo da ABTA – Associação Britânica de Agências de Viagens mostra que, com o levantamento das restrições às viagens, 46% dos britânicos já reservaram ou contam reservar uma viagem neste inverno.

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Neste inverno, quase metade dos britânicos conta viajar, apurou um estudo da ABTA - Associação Britânica das Agências de Viagens, segundo o qual 46% dos cidadãos do Reino Unido já reservaram ou contam reservar uma viagem para o estrangeiro em destinos de sol ou de neve nos próximos meses.

De acordo com o jornal britânico Travel Weekly, a percentagem de turistas britânicos que conta viajar neste inverno é mais elevada do que antes da pandemia e aumentou depois do Governo do Reino Unido ter levantado grande parte das restrições às viagens e ter reduzido para sete destinos a lista vermelha, onde figuram os países com maior risco para a COVID-19.

O estudo da ABTA mostra que os turistas britânicos acreditam que, com o levantamento das restrições, será mais "fácil e barato" reservar umas férias no estrangeiro já neste último trimestre do ano.

Ilhas Canárias, Turquia, Dubai, Barbados, Jamaica, Maldivas e Maurícias são, segundo a pesquisa da ABTA, os destinos que devem registar maior procura por parte dos turistas britânicos em outubro e novembro.

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