Assine já
Alojamento

“Quero acreditar que, se houver voos em agosto, estaremos a trabalhar em força”

Mesmo sem garantias de movimento em junho e julho, o Grupo Vila Galé tem planos para abrir todas as suas unidades, num claro sinal de confiança ao mercado e para os seus colaboradores. Em entrevista, o presidente da Vila Galé, Jorge Rebelo de Almeida, fala ainda da situação da TAP e explica por que razão esta pode ser uma oportunidade para repensar o aeroporto do Montijo.

Carina Monteiro
Alojamento

“Quero acreditar que, se houver voos em agosto, estaremos a trabalhar em força”

Mesmo sem garantias de movimento em junho e julho, o Grupo Vila Galé tem planos para abrir todas as suas unidades, num claro sinal de confiança ao mercado e para os seus colaboradores. Em entrevista, o presidente da Vila Galé, Jorge Rebelo de Almeida, fala ainda da situação da TAP e explica por que razão esta pode ser uma oportunidade para repensar o aeroporto do Montijo.

Carina Monteiro
Sobre o autor
Carina Monteiro
Artigos relacionados
INE: Quase metade dos alojamentos turísticos encerrados ou sem hóspedes em junho
Alojamento
Operação do Vila Baleira Hotels liga Cascais a Porto Santo a partir de 14 de agosto
Alojamento
Dormidas registam quebra de 82% em junho
Alojamento
Vila Galé defende apoio ao emprego através de formação “on the job”
Alojamento

Jorge Rebelo de Almeida não tem dúvidas que os portugueses que tenham condições para fazer férias, vão fazê-lo, não só porque é uma terapia, depois do período de confinamento, como confiam na hotelaria portuguesa, que se mostra “segura e responsável”. O problema é que o mercado nacional é pequeno para a oferta que surgiu nos últimos anos. Em entrevista no final do mês de maio, o presidente da Vila Galé, fala ainda da situação da TAP e explica por que razão esta pode ser uma oportunidade para repensar o aeroporto do Montijo.

Já têm reservas para os hotéis que vão reabrir no dia 9 de junho?
Poucas, mas dois dos onze hotéis que vamos abrir, o Vila Galé Clube de Campo e Vila Galé Alter do Chão, estão praticamente cheios, já com poucos quartos para os feriados de 10 e 13 de junho.
Depois, admito que não existirá consistência. O nosso turismo depende muito do estrangeiro. O cliente português, face à oferta turística existente hoje, que é mais do que o dobro do que era há dez anos, não dá para encher nada. Vai ser muito difícil. Se, entretanto, não houver nenhuma inversão da política aeronáutica, é muito difícil. Embora tenhamos a nítida noção, pelos contactos com os operadores, que, o mercado do Reino Unido está doido por viajar. Pode ser que na última semana de junho já comece a haver mais movimento. Quero acreditar que em julho vamos ter estrangeiros.

Com a abertura de fronteiras com Espanha, estima que possa haver espanhóis a fazerem férias em Portugal?
Tenho muita expectativa. A abertura da fronteira com Espanha começa por ter impacto nos destinos fronteiriços, como Elvas. A cidade está parada, assim como a oferta hoteleira. Não havendo espanhóis, a cidade não vai ter movimento. Estou convencido que vem gente de Espanha, porque não têm de vir de avião, vêm de carro.

Preveem abrir todos os hotéis a partir de julho. Chegaram a equacionar deixar alguns hotéis fechados?
Tínhamos uma medida mais radical que seria não abrir alguns hotéis e reduzir pessoal, mas queríamos continuar a apostar nas pessoas que trabalham connosco. Mesmo que não haja garantias de movimento, queremos abrir. Vamos ser claros. Temos plena consciência que a abertura destes 11 hotéis nos feriados é capaz de nos sair mais cara do que mantê-los fechados com o pessoal no ‘lay off’ com os contratos suspensos.

Então porque é que o fazem?
Por várias razões. A primeira é passar uma imagem de confiança para o mercado. Ou seja, de que há um grupo como a Vila Galé na hotelaria que, com todas as cautelas e medidas adotadas, vai abrir os hotéis. A segunda é por causa do nosso pessoal, que quer voltar a trabalhar. A preocupação com as pessoas que trabalham connosco também é um aspeto importante, e até é uma terapia voltarem a trabalhar. Por outro lado, para que em julho estejamos em pleno, precisamos outra vez de ter as pessoas a rodar e a preparar muito bem os hotéis. Quero acreditar que faz bem ao país dinamizar a economia e essa é a terceira motivação que nos leva a abrir. Se o país estiver melhor, é bom para todos nós. Gosto de fazer aquilo que prego. Prego que temos todos que voltar à luta.

Mercado interno

Já referiu que o mercado nacional face ao aumento da oferta que surgiu nestes últimos anos é insuficiente para todos os hotéis. Acredita que o mercado nacional vai ter disponibilidade financeira para fazer férias em hotéis?
Vai ter alguma dificuldade acrescida e temos estado a equacionar fazer uns programas com pagamentos em prestações, situação que em Portugal normalmente não fazemos, mas no Brasil já. Temos estado a estudar essa hipótese. É evidente que, no geral, as pessoas estão mais sofridas financeiramente. As pessoas que estão em ‘lay off’ tiveram um corte, há muita gente desempregada, muitas profissões livres que deixaram de trabalhar, muitos comerciantes que não faturaram nada. Há uma percentagem elevada de pessoas que não está nas melhores condições para fazer férias. Mas, por outro lado, não tenho dúvidas que, toda a gente que tenha condições, deve fazer férias e vai recorrer a outras soluções, porque é uma terapia. Depois deste período de confinamento, de medos, as pessoas precisam de arejar a cabeça e penso que vai ser extremamente positivo fazerem férias. Por outro lado, sabem que a hotelaria nacional é confiável, é segura e responsável. É um setor que, em Portugal, evoluiu e melhorou muito. Os nossos profissionais do setor estão muitíssimo mais bem preparados do que alguma vez estiveram.

No Brasil, ao contrário de Portugal, encerraram todas as unidades. Já têm um calendário de aberturas?
Enquanto que, em Portugal, temos de fazer um elogio rasgado ao Governo português, que passou sempre uma mensagem de ter a situação controlada, uma imagem de confiança, de serenidade e de saber o que estava a fazer, no Brasil não temos isso, infelizmente. No Brasil, temos uma situação um bocadinho descontrolada. O Governo federal tem uma posição, os Governos estaduais têm posições independentes, isso gera um desconforto grande e uma insegurança acrescida. Há uma imagem de falta de coordenação e falta uma política nacional de saúde para atacar esta pandemia. Isso é que é preocupante.
Perante este cenário, não vamos abrir nenhum hotel no Brasil no dia 10 de junho, como vamos fazer em Portugal. Estamos a ponderar, mas sujeito ainda a uma verificação diária, eventualmente abrir dois hotéis para o São João (23 e 24 de junho), que é também muito tradicional no Brasil.
É preciso recordar que, enquanto em Portugal estávamos a fechar a 15 de março, lá praticamente ainda tivemos hotéis abertos até ao final de março.
Vivemos tempos de navegação à vista, já tenho alertado que, numa situação de imprevisibilidade tão grande como esta, pode acontecer que, no início de julho, tenhamos que mudar as nossas decisões, porque voltou a haver um reacender da pandemia. Quero acreditar que não. Assim como as pessoas tomaram as cautelas todas na fase de confinamento, agora também vão voltar à rua com segurança.

“Lay off’

Do primeiro pacote de medidas que o Governo português lançou para ajudar as empresas e a manutenção de empregos, a quais o grupo recorreu?
Recorremos apenas ao ‘lay off’, porque as outras linhas não eram sequer para as grandes empresas. Também não tínhamos necessidade. Tivemos necessidade de recorrer a crédito, mas pelos nossos próprios canais tradicionais. Somos uma empresa com capacidade, garantias e risco baixo, mesmo numa crise destas. Portanto, recorremos aos nossos bancos tradicionais com quem temos uma boa relação. E nem queríamos estar a sobrecarregar as linhas que foram criadas para as empresas que têm mais necessidade dessas linhas. Portanto, a única coisa a que recorremos foi ao ‘lay off’ para 85% dos nossos colaboradores. Dentro dos 85%, uns com redução de horário, outros com suspensão de contrato. A manter-se tudo o que está previsto, gostaria muito de levantar o ‘lay off’ de suspensão de contrato a todos, até porque esta história da suspensão dos contratos dá algum desconforto às pessoas, e numa atividade como a nossa, o pessoal é extremamente importante e, por isso, julgo que as pessoas merecem tudo.

Mas equaciona manter o ‘lay off’ com redução de horário?
Estamos a pensar numa primeira fase manter toda a gente que está com suspensão de contrato passar para redução de horário, fazer isto por etapas e rodar as pessoas. Aquelas que são afetas a hotéis que não vão abrir, se for necessário, vão ajudar outros hotéis.

Mas, nesta fase, defende o incentivo a quem trabalha. Pode explicar?
Tudo tem o seu timing. Foi extremamente importante a intervenção do Governo ao pagar para as pessoas ficarem confinadas. Deu tempo para todo o país se preparar para o que aí vinha, que, felizmente, foi menos grave do que aquilo que todos chegámos a recear. Esse tempo passou, na minha opinião. Temos de regressar às atividades. Por isso, o incentivo agora tem de ser ao contrário. Vou fazer isso independentemente de haver ou não incentivos por parte do Estado, porque entendo que é o correto. Vai custar-nos mais dinheiro, mas penso que a nossa gente merece tudo isso. As pessoas nem vão beneficiar com esta medida que vou tomar, a não ser no aspeto de se sentirem novamente úteis e participativas. Quem vai beneficiar até é o Estado, porque vamos ter o mesmo custo, mais a parte da redução que passamos a suportar nós.
O Governo já tinha previsto, desde o início, dar um incentivo quando as pessoas saíssem do ‘lay off’ e voltassem à atividade plena. Estamos a pensar recorrer a esse incentivo brevemente.
Penso que deveríamos colocar as pessoas a trabalhar a 100% normalmente. Era bom que o Estado comparticipasse com 50%, e as empresas com outros 50%. Regressávamos à normalidade, porque isso é bom para a cabeça das pessoas e tínhamos mais gente a mexer com a economia.

Recuperação

Quais são as previsões de negócio que têm para este ano?
Hoje em dia, é como no futebol: prognósticos só no final do jogo. Os cenários mudam de dia para dia. Estávamos com alguma previsão junto de alguns operadores de que, no mês de julho, iríamos trabalhar muito bem, mas não há ainda garantias dos voos. Em junho temos a fronteira de Espanha fechada para lazer. Não havendo entrada terrestre de lazer, não podemos contar com nada.
O que perdemos em março, abril e maio, nunca mais vamos recuperar. Um quarto de hotel é pior que jornal do dia anterior, ou seja, se não se vende é prejuízo puro e duro e os custos estão todos cá. Junho é apenas uma manifestação de intenções: abrir os hotéis, voltar à vida, passar sinais positivos para a economia. Não temos previsões que sobre dinheiro no final do mês de junho, julho é uma incógnita. Quero acreditar que, se houver voos em Agosto, estaremos a trabalhar em força.
No Brasil, como entramos em setembro na melhor época, tenho mais esperanças que recuperemos, a não ser que o descalabro se mantenha. E, por outra razão, no Brasil o mercado interno é preponderante. 92% da nossa ocupação nos resorts no Brasil é do mercado interno e somos a principal rede de resorts. Penso que temos mais probabilidades de retomar lá a atividade do que aqui. Em Portugal, o número de camas é excedentário para o nosso mercado interno.

Em Portugal, há destinos como o Algarve, em que a janela de oportunidade para recuperar alguma coisa é agora no verão.
É agora ou nunca, se se perde o verão, perde-se o ano.

Quais são os destinos em Portugal que julga que vão ter uma procura maior?
Temos as reservas abertas para todos os hotéis em Portugal, porque, inclusivamente aqueles que não decidimos abrir já, se tivessem, de repente, um turbilhão de reservas, reformulávamos tudo. Hoje as empresas, mais do que nunca, têm de ter elasticidade na gestão e nas medidas que tomam. Os indicadores que temos é que os hotéis do Interior estão com procura. O Vila Galé Clube de Campo, no Alentejo, é tradicionalmente um produto forte para o mercado interno, vive 90% do mercado nacional. Alter do Chão é uma novidade, as pessoas têm noção que não vão encontrar grandes aglomerações.

Isso vem dar sentido à vossa aposta no Interior?
Falta muito ainda. Vou dar o exemplo de Elvas, não chegámos a ter ainda um êxito estrondoso. O Interior tem ainda muita sazonalidade, se mesmo no Algarve temos sazonalidade, no Interior temos mais ainda. Em Elvas, temos ocupações altas ao fim de semana, mas durante a semana são fracas. Demora tempo, há um percurso a fazer. É evidente que, quando as pessoas começarem a descobrir, vai crescer e aumentar. Como o Vila Galé Vineyards, no Douro, que tínhamos aberto só uma etapa e vamos abrir agora o restante.

Pararam alguma obra?
Não. A crise não nos assustou para pararmos as obras. Acabámos a central de fruta no Alentejo, toda ela feita em plena crise, porque era um projeto que vínhamos a defender há muito tempo, o de valorizar a oferta agrícola do Alentejo e, por isso, achámos por bem investir nesta área. Estamos a acabar a segunda etapa do Vila Galé Douro Vineyards. A segunda fase vai ficar pronta no final de junho, dos sete quartos vamos passar para 50.
Fizemos obras de remodelação, por exemplo, no Vila Galé Marina, no Algarve, no Vila Galé Estoril, em Cascais. Em julho vamos abrir um terraço no Vila Galé Ópera. No dia 1 de julho vai abrir o Vila Galé Paulista, no Brasil. Quando isto tudo aliviar, está previsto iniciar o Vila Galé Alagoas. Nos Açores, vamos fazer o projeto, mas vamos precisar de um bocadinho de fôlego e respirar fundo. Mantém-se nas nossas intenções fazê-lo.

TAP e Aeroporto de Lisboa

Está preocupado com a situação da TAP?
Vamos começar pelo princípio. Em relação às duas regiões turísticas mais antigas do país e mais fortes durante muitos anos, Algarve e Madeira, a TAP nunca foi um grande parceiro nosso, porque nunca estabeleceu uma política de voos regulares para o Algarve. Mas devo dizer o seguinte: as companhias e empresas privadas, públicas, ou de capital público e privado, devem ser geridas de acordo com os critérios de racionalidade da gestão, e não têm de andar a fazer favor e fretes. Portanto, nem discuto isso. Mas só para pormos os pontos nos ‘is’, Algarve e Madeira nunca dependeram muito da TAP. Em Lisboa, cujo turismo ressurgiu depois da última crise, aí a TAP teve um papel importante. No Porto, a TAP teve algum papel, mas quem deu a explosão turística ao Porto foi a Ryanair e outras ‘low cost’ que descobriram o Porto como sendo um grande destino. Deu resultado e foi boa esta descoberta do Porto, porque a região foi descoberta à sombra desta expansão. Para Lisboa, a TAP foi muito importante. Tenho outra nota importante a salientar, o papel muito positivo para o turismo nacional que foi o reforço de voos para o Brasil, que já vinha de trás, da anterior administração. O Brasil foi muito importante para o turismo. A atual gestão teve um papel muito positivo no mercado americano, temos de reconhecer. É um mercado que vale a pena continuar a apostar.

Mas a TAP precisa de uma injeção de capital. O Governo não pode deixar cair a companhia?
Não nos dá jeito que a TAP caia de forma alguma. Mas o que penso é que a partir do momento em foi privatizada parcialmente, deve-se ter em conta a normal gestão das empresas privadas. Se a Vila Galé, que é 100% privada, tiver necessidade de dinheiro, quem é que têm de se chegar à frente para resolver o problema da Vila Galé? São os seus acionistas. A solução para a TAP é aliás o que primeiro-ministro já disse: se houver necessidade do acionista Estado entrar com capital, os outros acionistas também têm de entrar, se não perdem posição. Imagine que numa empresa privada há 10 acionistas, cinco chegam-se à frente e colocam o dinheiro (capital próprio) necessário para viabilizar a empresa. Porque, vamos lá ver, na minha opinião não se consegue resolver uma situação crítica como a TAP atravessa se não houver uma injeção de capital próprio, não é tudo com recurso a crédito. Acho que as regras do mercado não deviam ser pervertidas e dever-se-ia manter isto. Há uma frase que tem sido dita por alguns atores políticos do país: quando é para ter lucros a empresa é privada, e os acionistas estão lá, quando é para ter prémios, os acionistas e trabalhadores são beneficiados em determinadas condições, quando é para haver prejuízos é com o Estado. Tem de haver algum equilíbrio, se calhar, se o Estado tiver uma intervenção vai ter de zelar pelo seu próprio interesse.
Todos nós gostaríamos que a TAP se mantivesse. O modelo? Exige estudo. Penso que o Estado não se vai por de lado, mas julgo que os privados também não se deviam por de lado, e devem chegar-se à frente também com uma injeção de capital. Porque penso que a solução para TAP passa por um aumento de capital e por um apoio, a nível de suprimentos, de empréstimos.

Mas gostava que a TAP voasse mais para o Algarve, Madeira e Porto?
Não vamos a lado nenhum se as motivações forem de natureza política ou partidária. Mesmo quando a TAP era pública, a ajuda ao Algarve era inexpressiva. Lembro-me que alguns operadores faziam voos dos países nórdicos para Lisboa, e depois desesperavam porque não tinham sequer uma ligação ao Algarve.

Considera que deveriam haver incentivos à retoma das ligações aéreas?
Admito que sim, que possa haver incentivos para atrair voos para determinados destinos. Por exemplo no Brasil, há voos que foram atraídos para Fortaleza de França e Países Baixos, que foram pagos e incentivados pelo Governo estadual. Nós em Portugal, tivemos um programa, em que alguns privados, incluindo nós, participámos com o Turismo de Portugal.

Mas pode incluir participação dos privados ou já estão demasiado sobrecarregados?
Para haver negócio, tudo pode ser estudado. Os privados, se querem que as coisas aconteçam, têm de se chegar à frente, fazer coisas, participar. Mas acredito que efetivamente precisamos neste momento desesperadamente de reativar o transporte ferroviário.

Justamente, num artigo recente para o Publituris, escreveu uma espécie de roteiro para o turismo e uma das ideias que deixou “era redinamização do transporte ferroviário elétrico a nível nacional e internacional”.
Hoje, mais do que nunca, estamos a chegar à conclusão que, em que situações desta natureza, ou outras, como a dos vulcões que parou a aviação, se calhar há soluções que devem ser reforçadas. O que é que quis dizer com isso? Por exemplo, estávamos com uma tremenda falta de slots antes da pandemia, mas porque é que a TAP havia de estar a fazer concorrência à ferrovia entre Lisboa e Porto, estando a poluir mais, em vez de ter slots utilizados para captar mais turistas internacionais? Segunda nota, o ambiente é uma questão que nos vai preocupar a todos. Já tinha desistido de falar no novo aeroporto, porque achava que era melhor ter uma solução do Montijo do que não ter nenhuma.

A outra ideia que deixou nesse artigo foi “repensar o novo Aeroporto de forma consistente e duradoura, de modo a que possa ser uma alternativa real à Portela e não apenas um remendo”.
Sou muito coerente nas posições que tomo. Comecei por dizer que a Portela era o melhor aeroporto do mundo para os portugueses e estrangeiros, foi a partir deste aeroporto que conseguimos captar esta onda de turismo para Lisboa. Em 2009, 2010, 2011, estávamos a atravessar uma crise gravíssima, não tínhamos dinheiro para manter cantar um cego e, portanto, não podíamos pensar em fazer um aeroporto com todas as necessidades que exigia. Já se tinha excluído a OTA, porque tecnicamente não era viável, e estavam em cima da mesa várias opções, entre elas, manter a Portela melhorada, na altura não tinha noção que a Portela poderia crescer para os números que cresceu. O Montijo tinha de alguma forma consenso para avançar. Não sendo uma solução maravilhosa, era uma solução viável e urgente. Com o retomar deste crescimento do turismo para níveis que atingimos no ano passado, era urgentíssimo ter o aeroporto do Montijo. Eis senão quando, antes da pandemia já tinha estalado aquilo que é normal em Portugal, areia na engrenagem, e o Montijo deixou de ser consensual, por razões políticas, técnicas ou ambientais. Julgo que muito por razões políticas. O cerne da questão está nisto. Enquanto país devíamos ter uma alternativa à Portela, porque a União Europeia, ou outras entidades, podem, mais dia, menos dia, dizer que temos de largar a Portela porque não faz sentido um aeroporto dentro da cidade por razões de segurança, ambientais ou outras. Tanto que, noutras cidades europeias, os aeroportos saíram do centro e foram para distâncias incríveis. A questão que coloco é que o Montijo não é uma alternativa, se nos mandarem fechar, a prazo, a Portela. Em Alcochete, podíamos começar por ter um Terminal como o Terminal 2 da Portela, fazer uma pista de excelente qualidade e ter um aeroporto que numa primeira etapa, poderia servir apenas receber algumas operações ‘low cost’ ou outras, mas que é expansivo.

Ou seja, primeiro como complementar depois como substituto do aeroporto da Portela?
Sou defensor da Portela, enquanto pudermos manter a Portela, é maravilhoso, mas não podemos excluir esta possibilidade. As pessoas têm de pensar que o Montijo é uma solução de remendo, para não pararmos o ritmo de crescimento em que estávamos a ter e aí concordava e o setor turismo estava unânime na construção do aeroporto, porque vai dar-nos a possibilidade de não pararmos o ritmo de crescimento. Agora que parou, por outras razões, se calhar voltava a repensar.

O problema é que repensar uma solução em Portugal leva anos e anos…
Eu sei. É evidente que este país teve exemplos de pessoas que eram muito determinadas e com grande capacidade. Um dos meus ídolos na capacidade de execução foi um senhor que se chamava Duarte Pacheco, que em seis anos, acumulou o cargo de ministro das Obras Públicas e presidente da Câmara Municipal de Lisboa e fez um conjunto de coisas incríveis, algumas delas extraordinárias, como o Parque Florestal de Monsanto, a expansão de Lisboa e os bairros económicos de Lisboa. Não tenho informação e tenho dificuldade em desenvolver mais o tema, apenas quero lançar uma acha para a fogueira, se não valerá a pena pensar em ter uma alternativa? Tanto quanto julgo saber, chegou a haver uns estudos muito avançados em Alcochete. Os termos de referência terão mudado, mas o trabalho não está na estaca zero.
Podíamos muito bem, no entretanto, tentar rentabilizar o aeroporto de Beja. Se queremos ter uma política de Interior, temos que pôr o aeroporto de Beja a trabalhar mais. Temos de ter uma política de Interior, para ficarmos com um país mais harmonioso e equilibrado. Temos de melhorar a rede ferroviária. Assim como Beja cobria o Interior Sul, a meio caminho do Norte, em Monte Real, no Centro, por exemplo, devíamos ter outra infraestrutura aeroportuária, para termos um país mais equilibrado. Devíamos por o Porto a trabalhar mais e o próprio Algarve ainda tem espaço para crescer.

Sobre o autorCarina Monteiro

Carina Monteiro

Mais artigos
Artigos relacionados
Análise

Secretário-geral do PS reafirma importância do turismo, mas diz que não pode ser visto fora do contexto de toda a economia

Na qualidade de candidato do PS às próximas eleições legislativas, António Costa, respondeu uma a uma as várias questões colocadas pelo presidente da CTP, Francisco Calheiros, reafirmando sempre a importância do turismo, setor que afirma, não pode ser analisado, apesar da sua especificidade, fora do contexto de toda a economia portuguesa.

António Costa, secretário-geral do PS e candidato às eleições legislativas marcadas para 30 de janeiro, reuniu esta terça-feira com o presidente da CTP, Francisco Calheiros, na sede nacional do Partido Socialista, em Lisboa (formado presencial), e com representantes da atividade turística (via online).

A Confederação do Turismo de Portugal pretendia conhecer as propostas e prioridades do PS relativamente ao Turismo, colocando a António Costa uma série de questões que preocupam este setor, caso venha a ser Governo, e que passam, nomeadamente pelos custos de contexto, continuidade dos apoios, promoção, fiscalidade, questões laborais, e novo aeroporto de Lisboa.

Francisco Calheiros apelou inclusive que o próximo Governo seja “da economia e das empresas”, ao invés dos anteriores que, primeiro foram das finanças, com a troika, e depois da saúde, com a pandemia da Covid-19.

António Costa respondeu às várias solicitações apresentadas pelo presidente da CTP, reafirmou a importância do turismo ao longo da sua intervenção, mas lembrou que, apesar da sua especificidade, o setor não pode estar dissociado da economia no seu todo.

O secretário-geral do PS referiu que “o turismo é um todo de todos os outros setores, é multiplicador da riqueza, tem um papel fundamental de coesão territorial, o que tem possibilitado o combate à sazonalidade”, por isso, vai contar com o turismo, “por si só, mas também por aquilo que puxa pelos outros setores”.

Para Costa, não há muito mais a mexer neste setor que dispõe de um plano estratégico “Reativar o Turismo – Construir o Futuro”, que dispõe de mais de seis mil milhões de euros, a acrescentar ao PRR que vai canalizar grande parte dos investimentos nas empresas.

Caso o seu partido vença as eleições legislativas, o candidato prometeu iniciará um processo de revisão do licenciamento para atividades económicas logo após a aprovação do Orçamento do Estado para 2022 no parlamento, respondendo à CTP que se queixou dos “elevados custos de contexto” suportados pelas empresas do seu setor.

“Temos de avançar com uma redução significativa dos custos de contexto e, no que diz respeito ao turismo, em relação aos processos de licenciamento”, respondeu António Costa.

O líder socialista adiantou depois que o antigo secretário de Estado João Tiago Silveira “está a concluir um trabalho de fundo de revisão de todo o processo de licenciamento para atividades económicas, designadamente para o turismo”.

“A minha previsão é que logo a seguir às eleições, formado o executivo e aprovado o Orçamento do Estado para 2022, um dos primeiros pacotes legislativos do novo Governo será mesmo o da simplificação do licenciamento. Queremos reduzir os custos de contexto”, prometeu.

Mas para que as empresas, nomeadamente, as do turismo possam recuperar, António Costa considera essencial a estabilidade de Governo na execução de políticas, mas também de orientação política.

“A estabilidade é uma condição para que o país prossiga uma trajetória sustentável de crescimento.  Não podemos passar a tempo de crise política em crise política, não podemos viver com governos provisórios de dois anos, temos de ter um horizonte estável”, destacou.

“Quando vemos o principal partido alternativo ao PS começar a encarar a possibilidade de renegociar com a União Europeia o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e não aceitar a assinatura do Portugal 2030, temos então motivos para recear o atraso que implicaria o financiamento do esforço de recuperação”, disse.

Segundo Francisco Calheiros, e como tem sido hábito nas vésperas das eleições legislativas, a CTP vai reunir também com o líder do PSD, Rui Rio, para conhecer as propostas deste partido no que diz respeito ao turismo, sem, no entanto, adiantar a data.

Sobre o autorCarolina Morgado

Carolina Morgado

Mais artigos
Análise

António Costa diz sim à manutenção do programa Apoiar.pt

Na reunião realizada hoje entre o setor do turismo e o Partido Socialista, promovida pela CTP, o candidato a primeiro-ministro, António Costa deixou a indicação de, em caso de vitória, “retomar o programa Apoiar.pt”.

No decorrer da reunião realizada esta terça-feira, 11 de janeiro, entre o Partido Socialista (PS) e a Confederação do Turismo de Portugal (CTP), o líder do PS e candidata a primeiro-ministro, António Costa, afirmou-se favor da continuação do programa Apoiar.pt.

Esta resposta foi dada ao presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), Pedro Costa Ferreira, quando questionado sobre a necessidade da reabertura deste programa.

Segundo a APAVT, “as circunstâncias em que se baseou o programa Apoiar.pt até abril mantêm-se, tendo-se mesmo agravado, de abril a dezembro”. Por isso, a APAVT “manterá todos os esforços, quer na sua esfera de atuação, quer integrada na CTP, no sentido de que as verbas devidas de abril de 2021 a dezembro de 2021 sejam efetivamente pagas às empresas”, lê-se na nota de imprensa enviada às redações.

“O senhor secretário-geral do Partido Socialista falou nesta reunião num esforço conjunto que foi realizado para preservar a oferta turística em Portugal”, refere o presidente da APAVT.

Concretamente no que se refere ao Apoiar.pt, a APAVT aponta que “este esforço foi interrompido pelo Governo cessante”; embora reconheça que foi com “satisfação” que a associação registou a “abertura do Partido Socialista para retomar o esforço em caso de vitoria eleitoral”, conclui Pedro Costa Ferreira.

Sobre o autorPublituris

Publituris

Mais artigos
Alojamento

Six Senses Douro Valley reabilita ‘Villas da Vinha’ num investimento de quase 3 milhões de euros

O investimento está avaliado em 2,9 milhões de euros e contempla a transformação em nove quartos/suites e em duas ‘villas’ independentes com mais dois quartos, totalizando assim um acréscimo de 11 quartos ao inventário do hotel.

O Six Senses Douro Valley, situado no coração do Vale do Douro, perto de Lamego, vai transformar as existentes sete ‘Villas da Vinha’ em mais nove quartos, mantendo somente duas ‘villas’ independentes, cada uma com piscina privativa.

Posicionada no segmento de luxo, o investimento nesta transformação ascende a 2,9 milhões com as construções pré-existentes da unidade turística a serem transformadas em nove quartos/suites e em duas ‘villas’ independentes com mais dois quartos, totalizando assim um acréscimo de 11 quartos ao inventário do hotel.

A área de intervenção será de cerca de 1.000 m2, numa obra marcada por “padrões de elevado requinte e sofisticação, com a particularidade de as ‘villas’ possibilitarem a utilização independente ou comunicante dos quartos”, refere o comunicado.

A ‘villa’ de maior dimensão tem nove quartos, que podem ser utilizados de forma individualizada ou para hospedagem agregada de grupos, além de piscina, jacuzzi exterior e sauna. A outra ‘villa’ a ser intervencionada totaliza três quartos, distribuídos em acomodações que poderão também ser independentes, nomeadamente um quarto com sala, pátio exterior e piscina privada; e um outro com sala e entrada independente, quarto de apoio, pátio exterior e piscina privativa.

Detido pelo Fundo Discovery e operado pela marca Six Senses, o Six Senses Douro Valley dispõe de 60 quartos, spa com 2.300 m2 e valências de refeição e bar de topo, bem como um centro de negócios. A oferta de acomodação inclui ainda diversas ‘villas’, sendo todo o empreendimento envolvido numa zona privada de mata, recentemente classificada como parte do portfólio dos Jardins Históricos de Portugal.

A obra a ser realizada no Six Senses Douro Valley foi confiada à Tétris, uma subsidiária de propriedade da JLL.

Sobre o autorVictor Jorge

Victor Jorge

Mais artigos
Destinos

Vinho e turismo vinícola do Pico promovem-se na China

O vinho do Pico e o turismo vinícola da “ilha-montanha” estiveram em destaque numa sessão de promoção do Turismo de Portugal no leste da China.

O vinho do Pico e o turismo vinícola da “ilha-montanha” estiveram em destaque numa sessão de promoção do Turismo de Portugal no leste da China, que foi transmitida ao vivo na televisão e Internet.

O evento deu a provar oito vinhos de diferentes regiões de Portugal, incluindo o vinho do Porto, o vinho verde e o vinho branco, revelou, num comunicado divulgado na segunda-feira, 10 de janeiro, a agência chinesa de viagens Tuniu.

O delegado do Turismo de Portugal na China, Tiago Brito, apresentou a Paisagem Vinha da Ilha do Pico, que foi em 2004 listada como Património Mundial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

A sessão, que decorreu na cidade de Nanjing, capital da província de Jiangsu, no leste da China, foi organizada pelo Turismo de Portugal, a Tuniu e a NJBG, a radiotelevisão pública de Nanjing, tendo sido transmitido ao vivo na plataforma da NJBG, na aplicação chinesa de transmissões ao vivo Niuka, e na plataforma da Tuniu.

O mercado chinês do vinho é já o quinto maior do mundo, embora apenas cerca de 3% dos 1,4 mil milhões de habitantes beba regularmente vinho.

Sobre o autorPublituris

Publituris

Mais artigos
Destinos

OMT pede que se repense “totalmente” o turismo

A OMT apela à necessidade de se repensar totalmente o setor do turismo porque representa uma oportunidade, tendo em conta as perdas dos últimos dois anos,. Sinaliza uma possível recuperação do turismo em 2022, mas diz a que a retoma de chegadas internacionais a níveis de 2019 deverá acontecer apenas em 2024 ou ainda mais tarde.

“Repensar totalmente o setor pode representar uma oportunidade” apela a Organização Mundial do Turismo (OMT), que destaca as dificuldades que o turismo tem vivido nos dois últimos anos.

Uma análise feita por um painel de peritos da OMT sinaliza uma possível recuperação do turismo em 2022, e que a situação seria impulsionada pela procura, principalmente durante o segundo e terceiro trimestres do ano, para estimar que, para 2023, a recuperação deverá continuar, mas uma retoma de chegadas a níveis de 2019 deverá ocorrer em 2024 ou ainda mais tarde.

O OMT estima que, nos primeiros sete meses do ano passado, o turismo internacional tenha caído 80% em relação aos níveis anteriores à pandemia, realçando que, apesar da melhora relativa no período em relação a 2020, o desempenho esteve bem abaixo de 2019.

A diretora executiva da Organização, Zoritsa Urosevic, declarou, no entanto, que a retoma da indústria turística global precisa de cooperação internacional e novas ideias, lembrando que antes da paralisação pela crise houve 1,5 mil milhões de chegadas internacionais, contribuindo o turismo com 7% ao Produto Interno Bruto (PIB) global.

A OMT sublinha ainda que as pessoas e comunidades dependentes do setor turístico devem potenciar a formação. Outra oportunidade “muito importante para o futuro e para a recuperação” é aproveitar os fluxos financeiros disponíveis ou investir cada vez mais no ecoturismo. A representante da OMT disse que a agência está recetiva a inovações e tem melhorado a conexão com parceiros.

 

Sobre o autorCarolina Morgado

Carolina Morgado

Mais artigos
Destinos

Bordéus e Valência são as “Capitais Europeias do Turismo Inteligente” 2022

De um total de 30 inscrições de 16 países, foram sete as cidades finalistas do concurso Capital Europeia do Turismo Inteligente 2022. Duas ganharam: Bordéus e Valência.

Victor Jorge

Bordéus (França) e Valência (Espanha) foram premiadas como as “Capitais Europeias do Turismo Inteligente” 2022, distinção que reconhece realizações notáveis no planeamento de turismo inteligente: acessibilidade, sustentabilidade, digitalização, bem como património cultural e criatividade.

Esta iniciativa promovida pela União Europeia (UE) e financiada pelo Programa COSME, tem como objetivo promover o turismo inteligente no espaço da UE, fomentar o desenvolvimento do turismo inovador, sustentável e inclusivo, bem como divulgar e facilitar o intercâmbio das melhores práticas.

As sete cidades finalistas do concurso Capital Europeia do Turismo Inteligente 2022 foram: Bordéus (França), Copenhaga (Dinamarca), Dublin (Irlanda), Florença (Itália), Ljubljana (Eslovénia), Palma (Espanha), Valência (Espanha).

As cidades finalistas foram selecionadas de um total de 30 inscrições de 16 países.

Bordéus
Cidade cosmopolita com mais de 257.000 habitantes, é um local de criatividade e uma porta de entrada para o sudoeste da França. Aqui, onde se entrelaçam vários ambientes, encontra-se o rio que atravessa os maiores vinhedos do mundo até ao estuário do Gironde – junto ao Oceano Atlântico e à Baía de Arcachon.

Bordéus é o lar da maior região vitivinícola do mundo, com 7.000 castelos e está na vanguarda da criação do conceito de “turismo do vinho”: cerca de dois milhões de “turistas do vinho” visitam os vinhedos de Bordéus anualmente.

Os destaques incluem La Cité du Vin e o Festival do Vinho de Bordéus – agora exportado para Bruxelas e Hong Kong. Mais de 65% da área de superfície dos vinhedos de Bordeaux recebeu certificação pelos seus esforços ambientais e mais de 1,2 milhões de euros foram investidos em pesquisa, mais concretamente, na redução do uso de pesticidas.

Desde 2003, a cidade estabeleceu trilhos para quatro linhas de metro diferentes, originando uma rede metropolitana que se estende por 66 km. Os metros são 100% acessíveis graças às grandes portas de correr e ao acesso sem degraus.

O ‘shuttle’ fluviais e os autocarros também são totalmente acessíveis e cada um tem lugares reservados para cadeiras de rodas.

Um guia especial foi elaborado pelo Turismo de Bordéus para pessoas com deficiência, contendo uma lista de todos os serviços e atividades disponíveis para pessoas com mobilidade reduzida.

Bordeaux está a fazer uso dos recursos existentes e redirecionando-os para impulsionar ao máximo práticas de turismo inteligente. Outro exemplo disso é o “Ecossistema Darwin”, um coletivo voltado para uma economia verde – agora um dos locais mais visitados em Bordeaux. Este antigo quartel militar abriga uma fazenda urbana e o maior restaurante orgânico de França, mostrando uma forma de “consumir diferente”. É um lugar de diversidade e inovação onde é possível encontrar ‘skateparks’, uma galeria ao ar livre para grafitis, bem como espaços de co-working e empreendedores que trabalham na economia verde. O guia é atualizado regularmente de acordo com o feedback dos visitantes com deficiência.

O Turismo de Bordéus deu, também, ênfase às plataformas eletrónicas para promover os conteúdos. A criação do “CityPass”, em 2014, dá aos visitantes acesso gratuito a mais de trinta estabelecimentos voltados para cultura e lazer, incluindo um passeio pela cidade, bem como o uso ilimitado de transportes públicos.

O porto de Bordéus comprometeu-se a fretar um navio de cruzeiro ambiental em 2019, comprometendo-se a reduzir as emissões, eliminar o desperdício e limitar a poluição sonora. Além disso, as quatro plataformas de desembarque dos cruzeiros estão a ser eletrificados, além da implementação de um sistema de coleta de resíduos e esgotos dos navios.

Valência
Uma das maiores cidades da Espanha e uma das mais animadas, Valência está localizada no mar Mediterrâneo, com um enorme número de praias na redondeza.

Valência fica na costa sudeste de Espanha e é a terceira maior cidade do país, com mais de 791.000 habitantes. A pitoresca cidade recebe 2,2 milhões de visitantes todos os anos e é o lar de três Declarações de Patrimônio Mundial da UNESCO. A cidade possui arquitetura de vanguarda, uma futurística Cidade das Artes e Ciências e muitos eventos criativos, como os prémios de cinema Goya ou a gala Michelin.

O setor de turismo emprega mais de 30.000 profissionais e tem vindo a desenvolver práticas inovadoras, tendo-se tornando uma forte candidata a Capital Europeia do Turismo Inteligente.

Valência está a trabalhar para medir e certificar a pegada de carbono da sua atividade turística, constituindo-se, igualmente, a primeira cidade europeia a receber uma dupla certificação ITU (ONU) e ISO para o Desenvolvimento Sustentável das Cidades.

Valência trabalha, também, em estreita colaboração com a PREDIF (Plataforma Representativa do Estado para Pessoas com Deficiência Física) e 52 entidades e empresas turísticas da cidade atendem os requisitos do programa de turismo inclusivo do PREDIF. São disponibilizados diversos passeios para pessoas com mobilidade reduzida, bem como em vários idiomas. Os gabinetes de informação oferecem traduções e pictogramas em braille, bem como a plataforma “InfoTourist” interativa 24 horas por dia, 7 dias por semana e o sistema “Visualfy”, um sistema de IA que envia notificações visuais aos dispositivos dos usuários.

A cidade é bem conectada por mais de 164 km de ciclovias, comboios de alta velocidade, rodovias e porto, todos com recursos para passageiros que precisam de assistência adicional.

Valência pretende tornar-se neutra em carbono até 2030 e atualmente tem vários “Planos de Ação Sustentáveis” em vigor, que incluem medidas para reduzir as emissões de CO2, incentivar o uso de veículos elétricos, melhorar a eficiência energética, promover opções alimentares sustentáveis e observar os impactos no patrimônio cultural.

A Câmara Municipal de Valência monitoriza, ativamente, a sustentabilidade social da atividade turística com controlo de alojamentos irregulares, instalação de sensores nas zonas de lazer para regular o ruído, inquéritos regulares ao público e muito mais. Além de antecipar e reduzir o impacto social do turismo, a Câmara Municipal procura o envolvimento dos residentes e demais agentes na gestão do turismo, razão pela qual promoveu um órgão representativo, o Conselho Municipal de Turismo, com 60 representantes do ecossistema turístico, cidadãos e instituições.

Valência está a integrar várias práticas inteligentes e a recolher informações para desenvolver e aprimorar a experiência turística da cidade. Assim, implementou recursos digitais de forma integrada para ampliar a exploração da sua história e tradições e continua a empenhar-se na sustentabilidade e proteção do seu ambiente natural.

A economia de Valência beneficia de cerca de 3.600 milhões de euros provenientes da indústria do turismo e as novas estratégias, estima-se, irão aumentar este valor. O apoio à digitalização de Pequenas e Médias Empresas turísticas, também, revelou-se frutífero: em 2019, a loja online do Turismo de Valência faturou 4,5 milhões de euros.

Sobre o autorVictor Jorge

Victor Jorge

Mais artigos
Alojamento

Elidérico Viegas recandidata-se à presidência da AHETA com o lema “Assegurar o presente, garantir o futuro”

Elidérico Viegas recandidata-se à presidência da AHETA, cujas eleições estão previstas para o próximo dia 21, encabeçando uma lista que tem como lema “Assegurar o presente, garantir o futuro”. Caso seja eleita, esta lista quer “prosseguir uma estratégia que tem no horizonte o reforço da AHETA, enquanto estrutura associativa forte e dinâmica, e em que todos continuem a rever-se e a participar ativamente, ao invés de subserviências e dependências de centralismos de Lisboa”.

Elidérico Viegas recandidata-se à presidência da AHETA, cujas eleições estão previstas para o próximo dia 21, encabeçando uma lista que diz “de empreendedores hoteleiros e turísticos do Algarve, representativos dos vários interesses empresariais em todo o espaço regional, desde Vila Real de Santo António até Lagos e Sagres, dando assim expressão à representatividade da associação”.

O programa de ação da lista de Elidérico Viegas, que se demitiu da presidência da Associação algarvia, mas por consenso, manteve-se em funções de gestão assegurando o normal funcionamento da associação até final do mandato, tem como lema “Assegurar o presente, garantir o futuro”.

Na nota da imprensa, a candidatura de Elidérico Viegas refere que os órgãos sociais que integram a Lista A irão, no essencial, caso sejam eleitos, “prosseguir uma estratégia que tem no horizonte o reforço da AHETA, enquanto estrutura associativa forte e dinâmica, e em que todos continuem a rever-se e a participar ativamente, ao invés de subserviências e dependências de centralismos de Lisboa”, para realçar que a Associação “quer continuar a ser cada vez mais o ponto de encontro dos empresários do setor no Algarve, recusando ser uma estrutura ao serviço apenas de alguns, independentemente da legitimidade dos seus interesses”.

A AHETA deve, assim, segundo Elidérico Viegas, “continuar a empenhar-se ativamente na construção de uma abordagem positiva do turismo do Algarve, tendo no horizonte a salvaguarda dos interesses empresariais da atividade turística, inovando na sua capacidade de intervenção, sem deixar de prosseguir uma estratégia que contribuiu para a afirmação e reconhecimento público e institucional da associação”.

O candidato destaca a celebração de Convenções Coletivas de Trabalho, a prestação de serviços de apoio aos associados em matéria jurídico-laboral, o acompanhamento da evolução do setor na região e nos mercados turísticos internacionais concorrentes, como questões prioritárias caso venha a ser eleito.

Sublinha, ainda a necessidade “de um Plano Específico para Apoiar a Recuperar o Turismo do Algarve, com dotação e meios financeiros próprios, de acordo com o anunciado pelo atual governo na Assembleia da República, mas que vem aguardando melhores dias”. Uma vez que “o Algarve é a região portuguesa mais afetada economicamente pela pandemia, atendendo à forte implantação do setor turístico na vida e na sociedade regionais, carecendo, por isso mesmo, de medidas de discriminação positiva tendentes a garantir a sobrevivência da Indústria turística e da região como destino turístico”.

Em termos associativos, “estamos empenhados na criação de uma plataforma associativa única regional, em oposição a uma estratégia associativa centralista, visando afirmar o Algarve e os interesses empresariais da maior e mais importante região turística portuguesa, quer a nível regional, quer a nível nacional e internacional, dando seguimento às conversações em curso com outras organizações associativas regionais do sector”, salientam ainda as intenções do candidato Elidérico Viegas, que concorre nestas eleições com Helder Martins.

Eis a lista de Elidérico Viegas aos órgãos sociais para o mantado 2022-2024

Assembleia Geral

Presidente: V. Vitória, Ldª. (Hotel Água Marinha) – Vítor Manuel Clemente da Silva

Vice-presidente: Polvilha Sucesso, Ldª. (Grupo MGM Muthu Hotels) – Nuno Alexandre Taveira Pereira Vieira Jorge

Secretário: AJ Cabrita-Hotelaria, Ldª (Apartamentos Turial) – Florival de Sousa Palma

Direção

Presidente: Hotéis Belver, Sociedade de Gestão Hoteleira, Ldª (Hotéis Boavista e Aldeia) – Elidérico José Gomes Viegas

Vice-presidentes: Details-Hotels & Resorts, SA (Hotéis Califórnia, Velamar, Quinta Pedra dos Bicos, Vale da Lapa) – João Carlos Rodrigues Costa; Lutz-Explorações Hoteleiras. Ldª (Vila Valverde Design & Country Hotel) – Luís Alexandre Cristo Tavares; N & L Hotéis, Ldª (Hotel Apolo) – Luís Miguel Lares da Costa Vasques; Grand Algarve, Ldª. (Hotel Grand House) – Nídia Soares de Oliveira Martins Magalhães; Glamourfutur hotels, Ldª (Aparthotel Carvoeiro) – Bruno Miguel de Duarte e Fragoso; Algarosa-Sociedade Gestora de Hotéis, Ldª. (Aldeamento Turístico Alfagar) – Catherine Christine Boute; Algarvelux – Construções e Empreendimentos, SA (Castro Marim Golfe) – David Martins; DHJ Lagos, Ldª (Hotel Lagosmar) – Carlos Alberto Esteves Pires

Conselho Fiscal

Presidente: Balaia-Sol, Ldª. – Amadeu dos Santos Rodrigues

Vice-presidente: Castioura. Ldª (Apartamentos Ourabay) – José Carlos Martins de Castilho

Secretário: Bajomico, Organizações Hoteleiras e Similares, Ldª (Hotel Alcazar) – César Augusto da Igreja Raposo

Sobre o autorCarolina Morgado

Carolina Morgado

Mais artigos
Transportes

“A manter-se esta trajetória, diria que estamos numa grande recuperação”

Depois do pior ano de sempre em 2020, o rent-a-car já conseguiu “respirar” este verão e espera que, em 2022, a trajetória de crescimento se mantenha, até porque, devido à escassez de automóveis, os preços estão a subir e assim devem continuar no próximo ano, segundo a ARAC – Associação dos Industriais de Aluguer de Automóveis sem Condutor.

Inês de Matos

Depois do pior ano de sempre em 2020, o rent-a-car já conseguiu “respirar” este verão e espera que, em 2022, a trajetória de crescimento se mantenha, até porque, devido à escassez de automóveis, os preços estão a subir e assim devem continuar no próximo ano, segundo a ARAC – Associação dos Industriais de Aluguer de Automóveis sem Condutor.

Para o rent-a-car, o verão começou tarde, por meados de junho, mas trouxe notícias positivas. Em declarações ao Publituris, Joaquim Robalo de Almeida, secretário-geral da ARAC – Associação dos Industriais de Aluguer de Automóveis sem Condutor, explica que, depois do pior ano de sempre que o rent-a-car viveu em 2020, em que, devido ao impacto da pandemia, os “alugueres caíram a pique porque não havia turismo”, o setor iniciou a recuperação “a partir de junho, quando a situação começou a melhorar com a abertura dos vários países e os voos também começaram a melhorar”.
Os turistas europeus, sobretudo provenientes do Reino Unido, que segundo o responsável continua a ser “um mercado muito fiel a Portugal”, mas também da França e Alemanha – neste caso em muito “menor quantidade” que noutros anos, devido às restrições que também a Alemanha adotou -, assim como dos países nórdicos, irlandeses, espanhóis e italianos, foram os que mais animaram o rent-a-car nacional neste verão.
Joaquim Robalo de Almeida não tem dúvidas que a tendência de crescimento que se iniciou no verão vai fazer toda a diferença quando nas contas do final do ano, uma vez que, segundo as previsões da associação, o setor do rent-a-car deverá ter encerrado 2021 com uma faturação na casa dos 529 milhões de euros, o que traduz uma descida de 22% face a 2019, mas que poderia ser muito superior se o verão não tivesse decorrido de forma positiva. “Nos primeiros seis meses deste ano, temos uma quebra de 60% face a 2019, ou seja, o verão é que veio ajudar. Se se mantivesse esta trajetória, chegaríamos ao fim do ano com uma quebra de 60% ou mais, como aconteceu em 2020”, explica o responsável, revelando que, no ano passado, o setor apresentou uma quebra de 56% na faturação, que só não foi maior porque “janeiro e fevereiro tinham sido os melhores de sempre” para o rent-a-car nacional.

Aumento de preços

O secretário-geral da ARAC está, portanto, confiante quanto aos resultados de 2021, ainda que aos números do verão falte ainda juntar os dos fim-do-ano, época festiva que, por norma, também costuma agitar o rent-a-car e que não deverá ter sido muito diferente este ano. “De acordo com as projeções que temos, a procura é bastante razoável, até acima dos 80%. A manter-se esta trajetória, diria que estamos numa grande recuperação”, revela Joaquim Robalo de Almeida, que se mostra confiante na concretização das projeções da associação, até porque a crise dos semicondutores levou a uma escassez de automóveis no mercado que se refletiu num aumento de preços no rent-a-car. “Apesar de tudo, este problema também nos trouxe alguma vantagem porque os preços subiram e as empresas tiveram uma rentabilidade melhor, mesmo com menos carros”, indica, explicando que, em 2019, a frota média do rent-a-car rondava as 88 mil viaturas, enquanto em 2021 o número de veículos não foi além dos 50 mil. “Já a frota de pico, em 2019, foi de 115 mil carros e, em 2021, foi de 63 e pouco, sensivelmente metade”, acrescenta, explicando que, “como a procura ficou muito ajustada ou foi até superior à oferta, obviamente houve uma subida de preços, o que foi benéfico para as empresas conseguirem respirar com as faturações que tiveram, depois de meses e meses de faturações mínimas”.
O secretário-geral da ARAC revela que, devido a esta crise dos semicondutores, que são integrados na construção dos automóveis, as empresas de rent-a-car têm atualmente “uma frota bastante reduzida”, já que, “neste momento, não há viaturas para comprar devido à falta dos semicondutores”. “Temos comprado tudo o que existe, mas mesmo assim não chega”, lamenta Joaquim Robalo de Almeida.
E este é, segundo o secretário-geral da ARAC, “um grande desafio” que se vai manter também em 2022 e que, mais uma vez, deverá resultar num aumento de preços também no próximo ano. “Também esperamos um aumento de preços”, perspetiva o responsável, revelando que, este ano, já houve “uma boa subida”, que contribuiu para animar o rent-a-car. “Em março, o preço médio por dia de uma viatura estava nos 18 euros e, em agosto, estava nos 39 euros. Houve uma boa subida, é isso que nos anima”, indica, revelando que “o preço médio subiu em todas as categorias de carros”, até porque, comparativamente a outras áreas, o rent-a-car mantinha preços que estavam desajustados. “Se compararmos com outros produtos turísticos, todos eles subiram o preço, a hotelaria subiu, a aviação também e é preciso lembrar que o rent-a-car, por vezes, tinha preços demasiado baixos. Teve que ajustar o preço, é a lei da oferta e da procura e, visto que houve um aumento da procura, o preço teve de subir”, resume Joaquim Robalo de Almeida.
Questionado sobre quanto podem os preços do rent-a-car subir no próximo ano, o secretário-geral da ARAC prefere não avançar números concretos, até porque “é difícil adiantar valores sem saber se vai haver carros”, mas lembra os aumentos estimados pela Europcar, cujo diretor geral em Portugal, Paulo Moura, que é também o presidente da ARAC, aponta subidas que podem chegar aos dois dígitos. “Há empresas que estimam 8% ou 10%, mas não sei, até poderá ser mais nos meses de pico”, considera o responsável, realçando, no entanto, que a questão do preço “não é elástica”, ou seja, existe uma margem até à qual o cliente está disposto a pagar, ainda que considere que, no caso do rent-a-car, esse limite está ainda “longe” de ser atingido. “Pelo que vejo, estamos longe desses valores, até comparando com outros países europeus, os nossos preços continuam baixos”, defende.

2022

A crise dos semicondutores e a escassez de veículos que ela provocou é, na opinião de Joaquim Robalo de Almeida, o principal desafio que se deverá colocar ao rent-a-car neste novo ano, até porque o responsável se mostra confiante de que o aumento da procura veio para ficar e que “as pessoas vão ser autorizadas a viajar mais”, apesar das novas variantes da COVID-19. “Mas esta crise dos semicondutores pode ser um grande problema porque, se não tivermos carros, vamos ter uma procura muito intensa com uma oferta reduzida”, considera, acrescentando que, “face aos indicadores que existem atualmente, 2022 e ainda alguns meses de 2023, vão ser muitos difíceis em termos de aquisição de automóveis”. “Vai ser uma situação muito complexa, porque não podemos ter os veículos em frota demasiado tempo, aliás este é um setor em que está regulamentada a idade dos veículos e, por isso, antevemos um ano um bocadinho complicado em termos de oferta”, teme Joaquim Robalo de Almeida.
Mas 2022 não deverá trazer apenas desafios ao rent-a-car, uma vez que, como refere o responsável, as empresas do setor têm vindo a aderir aos veículos elétricos e, este ano, já disponibilizaram 700 destas viaturas para aluguer. E a tendência deverá ser de crescimento, com o secretário-geral da ARAC a prever mesmo que o “rent-a-car vai ser novamente o porta-estandarte da modernização do parque automóvel”, como já foi no século passado, uma vez que o rent-a-car representa 28% ou 29% do total de carros vendidos no país e, se juntarmos a isto o renting, que “representa mais 23% ou 24%”, percebe-se que as formas de locação absorvem cerca de 53% das vendas de automóveis no país. “Mais uma vez, será este setor, como no princípio do século XX e nos anos 90, o responsável pela modernização do parque automóvel, o que não deixa de ser gratificante”, congratula-se o responsável.
Os veículos elétricos que, segundo Joaquim Robalo de Almeida, são o futuro, também têm, no entanto, alguns problemas, desde logo o da escassez de postos de carregamento (ver caixa), o que torna “difícil alugar estes carros se os turistas souberem que, por exemplo, de Faro a Lisboa, torna-se complicado fazer a viagem num elétrico”, mas também o do preço dos próprios carregamentos, que começaram por ser gratuitos, mas têm vindo a subir, de tal forma que atualmente chegam a ser “superiores aos de um carro a combustão, quer a diesel quer a gasolina”. “Os valores são, de facto, surpreendentes”, lamenta o responsável.
Nos planos do rent-a-car, está ainda o aumento dos veículos híbridos disponibilizados para aluguer, uma vez que estes automóveis oferecem o melhor de dois mundos, a versão elétrica que é “ideal para a cidade” e a versão a combustão, aconselhada para viagens maiores e sempre que os postos de carregamento escassearem. “Pensamos que, em 2022, vamos ter mais carros híbridos e muitos mais elétricos. Todas as energias limpas são bem-vindas”, conclui o secretário-geral da ARAC

Setor pede “apoios da bazuca” para a descarbonização
Na opinião de Joaquim Robalo de Almeida, o setor do rent-a-car não pode ser esquecido na hora de distribuir os apoios da ‘bazuca europeia’, até porque está à beira da transição, com a crescente incorporação de veículos elétricos, e precisa de apoios para dar o passo seguinte e apostar na descarbonização. “Este setor deve ter apoios da bazuca e que cheguem depressa, porque a carbonização continua”, alerta Joaquim Robalo de Almeida, revelando que, além de vantagens na aquisição destes veículos, o rent-a-car quer também ser apoiado na criação de postos de carregamento. “No âmbito do plano ‘Reativar o Turismo, Construir o Futuro’, já pedimos às nossas autoridades apoios para a instalação de postos de carregamento, quer nas estações das empresas, unidades turísticas ou até para a construção de hubs com vários postos de carregamento porque, efetivamente, quando entregamos um carro, temos de o entregar carregado”, explica.
Além da questão dos postos de carregamento, a ARAC quer também que os fundos europeus sejam usados em prol da descarbonização da frota e da digitalização do setor, de forma a que seja possível desenvolver “o contactless e o paperless. “Acreditamos que todas as grandes empresas vão implementar sistemas contactless”, indica o secretário-geral da ARAC, revelando que muitas estão já a trabalhar para lançar sistemas semelhantes ao carsharing também no rent-a-car, sem qualquer contacto humano na hora de levantar os veículos.

Convenção da ARAC ainda sem data
Mais indefinida parece estar, por enquanto, a data da IV Convenção Nacional da ARAC, que devia ter decorrido em 2020 mas que foi adiada devido à pandemia da COVID-19, continuando ainda sem data definida. Ao Publituris, Joaquim Robalo de Almeida adianta apenas que a convenção vai decorrer “ao longo de 2022” e terá lugar “assim que existam condições epidemiológicas” que permitam a sua realização.
Apesar da data ainda não estar definida, já existem temas alinhavados, com o responsável a revelar que o evento vai voltar a contar com cinco painéis e a abordar a questão do low cost no rent-a-car, com o objetivo de apurar se “o low cost ainda faz sentido”, estando também previstos debates em torno do papel do rent-a-car no ecossistema da mobilidade e dos novos meios de mobilidade urbana; do turismo de que Portugal precisa; assim como do digital e do futuro.
Já o tema da IV Convenção Nacional da ARAC mantém-se e vai abordar os “Desafios da nova mobilidade”, assim como o local, com a Culturgest, em Lisboa, a acolher novamente a iniciativa.
Apesar da convenção ainda não ter data, a ARAC avança ao Publituris que vai, no entanto, realizar “vários eventos técnicos ao longo do próximo ano”, com o objetivo de dar resposta às dúvidas e necessidades dos seus associados

Sobre o autorInês de Matos

Inês de Matos

Mais artigos
Análise

Nova edição: Balanços e perspetivas, entrevista João Duque, Alojamento Local, AHETA e easyJet

A primeira edição de 2022 do Publituris faz capa com a auscultação a mais de três dezenas de profissionais do setor do turismo e a publicação dos balanços de 2021 e perspetivas para 2022.

Publituris

A primeira edição de 2022 faz capa com a auscultação ao setor do turismo e a publicação dos balanços de 2021 e perspetivas para 2022.

Foram ouvidos mais de três dezenas de profissionais, das mais diversas áreas da indústria e uma coisa parece certa. Apesar das incertezas, as estimativas, esperanças e desejos vão no sentido de um 2022 melhor, bem melhor do que 2021.

O economista e professor do ISEG, João Duque, é o entrevistado desta primeira edição de janeiro. Crítico da decisão proposta por parte do Governo e aprovada por Bruxelas relativamente à TAP, João Duque abordou ainda outras questões relacionadas com o turismo. O tal turismo que “cresce, porque o Estado não se mete”.

As eleições na AHETA foram adiadas para 21 de janeiro e o Publituris falou com um dos candidatos: Hélder Martins. “Quero que a AHETA volte a ter a sua voz no Algarve”, diz o empresário, antigo presidente da RTA e agora candidato à presidência da AHETA.

O “Dossier” desta edição do Publituris analisa o mercado do Alojamento Local. Hoje já não há dúvidas e será até consensual: o Alojamento Local (AL) veio diversificar a oferta turística em Portugal, criou novos segmentos e novos públicos não só nas grandes cidades, mas também no interior do país, como ajudou ao surgimento de muitas outras empresas que servem de suporte para as mais diversas atividades que este segmento exige. A criação de empregos diretos em Portugal tem sido igualmente um fator decisivo, bem como a sua contribuição para a economia nacional.

Além da auscultação de vários players do mercado do AL, conversámos, igualmente, com o presidente da Associação do Alojamento Local em Portugal (ALEP). Segundo Eduardo Miranda, “a diversidade [do AL] trouxe uma riqueza ao turismo e tem sido uma parte importante da estratégia de crescimento e de posicionamento do turismo em Portugal”.

Nos “Transportes”, tivemos à conversa com José Lopes, diretor-geral da easyJet. A companhia está confiante de que 2022 vai ser um ano positivo e conta aumentar a capacidade em Portugal em 8% face à oferta que a companhia aérea disponibilizava em 2019. E os planos de crescimento podem até vir a ser ultrapassados, caso consiga alguns dos ‘slots’ que a TAP vai ter de abandonar no aeroporto de Lisboa.

As opiniões desta edição pertencem a Amaro F. Correia (Atlântico Business School), Pedro Castro (SkyExpert Consulting), Susana Rachão (ISAG) e António Paquete (economista).

Boas leituras e votos de um excelente 2022.

A versão completa desta edição é exclusiva para subscritores do Publituris. Pode comprar apenas esta edição ou efetuar uma assinatura do Publituris aqui obtendo o acesso imediato.

Para mais informações contacte: Carmo David | [email protected] | 215 825 430

Nota: Se já é subscritor do Publituris entre no site com o seu Login de assinante, dirija-se à secção Premium – Edição Digital e escolha a edição que deseja ler, abra o epaper com os dados de acesso indicados no final do resumo de cada edição.

Sobre o autorPublituris

Publituris

Mais artigos
Edição Digital

Edição Digital: Balanços e perspetivas, entrevista João Duque, Alojamento Local, AHETA e easyJet

A primeira edição de 2022 do Publituris faz capa com a auscultação a mais de três dezenas de profissionais do setor do turismo e a publicação dos balanços de 2021 e perspetivas para 2022.

Publituris

Foram ouvidos mais de três dezenas de profissionais, das mais diversas áreas da indústria e uma coisa parece certa. Apesar das incertezas, as estimativas, esperanças e desejos vão no sentido de um 2022 melhor, bem melhor do que 2021.
O economista e professor do ISEG, João Duque, é o entrevistado desta primeira edição de janeiro. Crítico da decisão proposta por parte do Governo e aprovada por Bruxelas relativamente à TAP, João Duque abordou ainda outras questões relacionadas com o turismo. O tal turismo que “cresce, porque o Estado não se mete”.
As eleições na AHETA foram adiadas para 21 de janeiro e o Publituris falou com um dos candidatos: Hélder Martins. “Quero que a AHETA volte a ter a sua voz no Algarve”, diz o empresário, antigo presidente da RTA e agora candidato à presidência da AHETA.
O “Dossier” desta edição do Publituris analisa o mercado do Alojamento Local. Hoje já não há dúvidas e será até consensual: o Alojamento Local (AL) veio diversificar a oferta turística em Portugal, criou novos segmentos e novos públicos não só nas grandes cidades, mas também no interior do país, como ajudou ao surgimento de muitas outras empresas que servem de suporte para as mais diversas atividades que este segmento exige. A criação de empregos diretos em Portugal tem sido igualmente um fator decisivo, bem como a sua contribuição para a economia nacional.
Além da auscultação de vários players do mercado do AL, conversámos, igualmente, com o presidente da Associação do Alojamento Local em Portugal (ALEP). Segundo Eduardo Miranda, “a diversidade [do AL] trouxe uma riqueza ao turismo e tem sido uma parte importante da estratégia de crescimento e de posicionamento do turismo em Portugal”.
Nos “Transportes”, tivemos à conversa com José Lopes, diretor-geral da easyJet. A companhia está confiante de que 2022 vai ser um ano positivo e conta aumentar a capacidade em Portugal em 8% face à oferta que a companhia aérea disponibilizava em 2019. E os planos de crescimento podem até vir a ser ultrapassados, caso consiga alguns dos ‘slots’ que a TAP vai ter de abandonar no aeroporto de Lisboa.
As opiniões desta edição pertencem a Amaro F. Correia (Atlântico Business School), Pedro Castro (SkyExpert Consulting), Susana Rachão (ISAG) e António Paquete (economista).

Boas leituras e votos de um excelente 2022.

Leia a edição aqui.

 

Sobre o autorPublituris

Publituris

Mais artigos

Toda a informação sobre o sector do turismo, à distância de um clique.

Assine agora a newsletter e receba diariamente as principais notícias do Turismo. É gratuito e não demora mais do que 15 segundos.

Navegue

Sobre nós

Grupo Workmedia

Mantenha-se conectado

©2021 PUBLITURIS. Todos os direitos reservados.