CE: Atividade turística com quebra de 50%

Por a 6 de Maio de 2020 as 12:31

A Comissão Europeia projetou, esta quarta-feira, uma redução de 50% na atividade turística na Europa este ano devido à pandemia, estimando “consequências prolongadas” no setor, sendo Portugal um dos países mais afetados pela sua “dependência do turismo estrangeiro”.

Nas previsões económicas da primavera do executivo comunitário hoje publicadas, as primeiras projeções sobre o potencial impacto da pandemia na economia europeia, a instituição aponta que, embora a crise gerada pela covid-19 represente um “choque simétrico” a nível europeu, os “impactos diferem entre os Estados-membros, refletindo a gravidade da pandemia, o rigor das medidas de contenção e as diferentes exposições, por exemplo, à dimensão do setor do turismo”.

E, embora “se espere que estas medidas sejam gradualmente levantadas e que a procura global recupere, […] o comércio de serviços, particularmente o turismo, deverá recuperar mais lentamente”, indica o documento ao qual a Lusa teve acesso.

Para estas previsões económicas, a Comissão Europeia recorreu a três cenários: considerando que medidas de confinamento adotadas pelos Estados-membros duram seis semanas, 10 semanas ou 12 semanas.

Ainda assim, aos três é comum a previsão de que a atividade turística cai 50% este ano, na qual se inclui transporte, hospitalidade, entretenimento e cultura, com Bruxelas a prever “efeitos duradouros” das medidas de contenção.

Para esta previsão entra também a “menor confiança e as perdas de rendimento” dos cidadãos, que serão “dissuasores de viagens não essenciais”.

Especificamente sobre Portugal, a Comissão Europeia antecipa “uma forte recuperação da economia após o choque inicial”, mas alerta para que, “em alguns setores, particularmente no turismo, espera-se que os efeitos secundários se prolonguem”.

Desde logo, por causa da “dependência de Portugal do turismo estrangeiro”, destaca Bruxelas.

Recorrendo a dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) referentes a 2018, a Comissão Europeia destaca nas previsões que Portugal é dos países mais dependentes do turismo, país no qual este setor representa 8% do PIB e 9,8% do emprego, apenas superado nesta dependência por Espanha (onde representa 11,8% do PIB e 13,5% do emprego).

Isto também leva a consequências no desemprego em Portugal, com Bruxelas a indicar que a “lenta recuperação esperada no turismo e em serviços relacionados deverá ter um impacto negativo na procura de mão-de-obra durante um período mais longo”.

Questionado sobre os efeitos económicos da crise no turismo, o comissário europeu da Economia, Paolo Gentiloni, referiu em conferência de imprensa que “é preciso trabalhar para garantir que o turismo sobrevive ao verão”, mesmo que seja “em diferentes condições […] do verão passado”.

“Temos de tentar criar diretrizes e possíveis regras para coordenar a situação porque temos diferentes tipos de turismo e países como Portugal e outros que são mais expostos ao turismo estrangeiro”, adiantou Paolo Gentiloni, falando aos jornalistas na apresentação destas previsões económicas da primavera.

A Comissão Europeia prevê para Portugal, em 2020, uma recessão de 6,8% e que a taxa de desemprego suba para os 9,7% devido ao impacto da pandemia de covid-19, foi hoje divulgado.

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